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sexta-feira, 30 de maio de 2014

A missão pedagógica da Filosofia rumo a Libertação Animal


Coruja, símbolo da sabedoria e da filosofia


"A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter,
e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com
os animais não pode ser um bom homem."
Arthur Schopenhauer


Sempre que relaciono Filosofia e Libertação Animal, recordo-me de duas grandes frases que ficaram gravadas em minha mente: "Aprender Filosofia ou aprender a filosofar"1, e a segunda de peso ainda maior, que foi dita pela filósofa Sônia T. Felipe durante uma palestra sobre o Estatuto Moral dos Animais, em meio a mestres, doutores e alunos de filosofia: "E o filósofo não pensa"2. Por aí vemos que uma relação muito forte prende as duas questões: Como pensar, senão através do aprendizado, e como aprender se não conseguimos pensar? É claro que para que o futuro filósofo pense acerca da Libertação Animal, é necessário que ele aprenda algo sobre esse assunto. Contudo, obras de filósofos que falam sobre a Libertação Animal permanecem distantes da grande maioria dos alunos de Filosofia, discussões acerca dessas questões, segundo alguns professores, serão tratadas mais adiante: "...quando aprendermos sobre o antropocentrismo e sobre o antropomorfismo"; porém, acredito que seja difícil dizer que alguns não saibam, mas aprendemos a ser antropocêntricos logo no primeiro dia de aula.

O Ser3 filosófico é Humano e o não Ser, é animal, ou seja, não existe, não possui valor moral nem pode ser encarado com respeito, afinal, inexiste. "A razão é o que separa os homens dos animais", nos disse Aristóteles. "O homem é a medida de todas as coisas", nos disse Protágoras, "das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são", ou seja, somos a lei, somos as tradições, violem elas ou não as vidas alheias dos que não nos são iguais, criamos e revertemos todas as regras conforme desejamos.

Homem como medida de todas as coisas
E a Libertação Animal permanece longe dos bancos catedráticos como se fosse um estigma a sociedade, como se não fosse importante, não fazendo parte de nada que se refira a Ética, como se fosse ético matar e como se fosse ético proporcionar dor. Por isso um dos conceitos mais importantes na formação da Filosofia para a Libertação Animal é a Pedagogia - caminho a ser trilhado -, pois esse processo educativo pode levar tanto a opressão como a libertação, podemos não acreditar, mas existem filósofos que não possuem qualquer respeito para com a Natureza e para com a vida dos animais, sem contar que a grande maioria é antropocêntrica, não se dedicando ao estudo da moral e da ética em relação aos animais. E a Filosofia busca a todo o momento, pela eticidade dos homens, esquecendo que fazemos parte de um círculo muito maior do que o dos "divinizados" seres humanos. Libertar o homem de sua "maldade", livrar o homem de sua mão opressora através da visão de Mundo, essa é a tarefa principal da Filosofia na busca por uma ética da Libertação Animal, e por Libertação Animal devemos compreender a "Nossa Libertação", pois que também somos animais e necessitamos dessa liberdade para enxergarmos a verdade; conduzir bem esse processo de modo a que possamos nos encaminhar a Libertação e não mais a opressão, é a real tarefa da Filosofia. Através do método pedagógico, de formação, através dessa troca de conhecimento, a Filosofia poderá apresentar ao aluno todas as facetas de uma ética desprovida do antropocentrismo e de qualquer vaidade filosófica, pois os professores, seus alunos, enfim, cada pessoa já é em si mesma, formadora de opinião. Somos todos seres influenciadores e seres influenciados, pois ao mesmo tempo que interferimos no Mundo, pedagogicamente, sofremos interferências dele, também pedagogicamente. Por isso a importância dessa mudança na visão educacional dentro da Filosofia, pois a formação da sociedade tem inicio no nascimento de cada indivíduo, onde somos forjados para marginalizar os animais, a explorar seres que julgamos inferiores, principalmente quando não fazem parte da mesma espécie a qual pertencemos; nossos pais,esses os primeiros pedagogos, foram ensinados a não verem nada além da existência humana, e passaram essas lições adiante.

A difícil missão da Filosofia é agora:


1° - Libertar-se do preconceito e da vaidade

2° - Passar adiante a verdade, tal como ela é, sem espelhar-se em sua "opinião pessoal", deixando que o aluno considere o que lhe é mostrado, que problematize e compare o que aprendeu desde a infância, com aquela nova revelação que lhe surge

É certo matar animais? Por quê? Baseado em quê? Pode-se viver perfeitamente saudável sem a ingestão de vísceras de animais? Se sim, por que nos ensinaram o contrário? 

Boi
Quem lucra com a matança? Qual a ligação entre o abate de animais e a fome mundial? 

É possível mesmo acreditar na existência de uma ética que continue privilegiando uns e oprimindo outros?

Essa á função da Filosofia, fazer o futuro filósofo se questionar, buscar respostas, criar novos sistemas filosóficos não mais antropocêntricos. Privilegiar a Vida em nome da Ética e a Ética em nome da Vida.

"A vontade de poder-dominação define o perfil do ser humano das sociedades modernas". (Nietzsche).


A Filosofia ainda está presa a muitas tradições, dominada pelo antropocentrismo filosófico dos grandes homens que a fizeram nascer, existe uma ética do corpo, porém de corpos humanos, enquanto corpos de animais se avolumam num holocausto bárbaro sem fim. Mas, "o filósofo não pensa", e precisa recomeçar a pensar, pois é assim que a verdadeira Filosofia deve ser trabalhada, estudada e praticada.

"Aprender não é o bastante, é preciso praticar". (Bruce Lee)


É dever da Filosofia, através da pedagogia, "bem" dirigir os indivíduos rumo a uma ética que liberte animais humanos e não humanos, eis aí o caminho para a verdadeira Libertação Animal.




Referências Bibliográficas

FELIPE, Sônia T. - O estatuto dos animais na comunidade moral humana - Projeto Kairós- Umesp.2008
RAMOS, Cesar Augusto - Aprender a filosofar ou aprender a Filosofia: Kant ou Hegel?
BARNES, Jonathan - Filósofos Pré-socráticos.



NOTAS
1 Artigo de Cesar Augusto Ramos, onde ele traça um paralelo entre os pensamento de Kant e Hegel, diante do ensino da disciplina de Filosofia.
2 Colóquio Kairós-Umesp
3 Referência casual a Parmênides e ao Ser.Segundo ele o Ser é(existe), o não Ser, não é (não existe) e não se pode falar sobre algo que inexiste.





Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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quarta-feira, 21 de maio de 2014

A dor do outro

Primata atrás das grades


“O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos, como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior”.


Albert Einstein







Esse  pensamento fez-me lembrar de um dos ensinamentos de Jesus: “Amai ao próximo como a si mesmo”. Mas o Mestre não especificou se o próximo era o seu irmão de sangue, sua mãe, ou seu pai. Não especificou se o próximo seria mesmo aqueles que estão próximos ou que são iguais a você. Em meu entendimento, o próximo é muito mais. É como Gandhi disse: “o próximo é tudo o que vive”. E quando pensamos assim, estamos aumentando gigantescamente o nosso círculo de compaixão. Deixamos de amar apenas os nossos familiares e amigos e passamos a amar tudo o que vive. 



Entre tantos seres viventes, estão os animais. Sim, eles também são o nosso “próximo”. Estão presentes em nossa vida não para que façamos deles meros objetos. Eles têm sentimentos, alma, sofrem, necessitam do nosso auxílio para seguirem rumo à evolução. O que ocorre é que nós “humanos”, em nossa prepotência e soberba, julgamo-nos superiores, feitos à imagem e semelhança de Deus. Diante desse grandioso orgulho, sentimo-nos no direito de usurpar as vidas inocentes que estão em nosso planeta tão-somente para evoluírem, assim como nós mesmos, seres imperfeitos que somos. Desde os primórdios, estamos destruindo sem piedade tudo o que nos cerca, numa frieza implacável. 

Contudo, aos poucos, algumas mentes adormecidas foram despertando e pouco a pouco expandindo em si mesmas o sentido de amar ao próximo.  Alguns já conseguem se colocar no lugar do outro, sentir um pouco a dor alheia. Mas não é fácil. Temos a tendência de amar os nossos familiares, alguns poucos amigos e, se amarmos além, como, por exemplo, a um animal, amamos apenas aquele que é “nosso”, o cachorrinho de estimação da família. Não conseguimos enxergar no cão de rua o nosso próximo, aquele que necessita da nossa compaixão profunda. Não conseguimos nos colocar no lugar dos nossos irmãos que todos os dias são abatidos friamente, apenas para se transformarem em pedaços de carne. E por que fechamos os nossos olhos? Porque ainda não sabemos amar. Amamos de maneira egoísta, um amor que aprisiona, sufoca e mata. Amamos como se nosso coração não suportasse amar mais. Dedicamos o nosso carinho e respeito apenas àqueles que estão literalmente próximos. Enquanto permanecermos assim, o mundo será de provas e expiações, porque é inimaginável um planeta de regeneração onde o significado da palavra amor ainda é tão mesquinho.

Filhote abandonado, parece invisível para os seres (h)umanos que passam por ele.

Precisamos abrir nossos olhos, os da alma, para enxergarmos o que ainda é invisível para a maioria e, quando estivermos com os olhos abertos, precisamos ajudar a abrir os olhos dos que nos cercam para que vejam que o próximo pode estar em qualquer lugar que nosso pensamento possa alcançar. Notaremos em toda a parte mãos precisando das nossas para serem conduzidas. Fitaremos pessoas com os corações necessitados de um pouco de ânimo para seguir em frente. Sentiremos as plantas necessitando de nossa proteção e cuidados. Ouviremos os animais pedindo para viver, para terem a oportunidade sagrada da vida, que lhes tiramos simplesmente pelo fato de não os considerarmos como nosso próximo. Que cada um de nós abra os olhos, o coração. Que possamos expandir nosso círculo de compaixão, estendendo nosso amor para tudo o que vive. Somente assim seremos capazes de exercitar, em sua plenitude, nossa condição de seres humanos. 




Fernanda Almada   



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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ser Espírita

Foto by: SN (Flor)
Noutro dia entre um grupo de amigos, ouvi uma discussão, no bom sentido, sobre o que é realmente ser espírita. Um amigo insistia que ser espírita é apenas acreditar em reencarnação e pronto, você já era espírita. Outro dizia que ser espírita era tentar mudar, melhorar a si mesmo. Um outro ainda dizia que não era, mas tentava ser.

E o que seria realmente ser espírita? Haveria uma fórmula ou uma oração? Ser espírita para alguns espíritas se torna uma verdadeira obsessão. Sim porque ele vive se cobrando sobre como ser espírita. Não pode falar alto, não pode perder o controle, não pode ser enérgico. Precisa aceitar tudo. Tudo?