quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O Espiritismo e as Indústrias da Morte


Vacas leiteiras não são animais felizes.


Existem várias indústrias da morte criadas pelos seres humanos; vamos citar apenas 3 para não estender muito este artigo, pois não devemos fugir do tema principal que é o Vegetarianismo.


Temos então 3 das muitas vilãs criadas por nós mesmos e nosso livre arbítrio:





Juntas as 3 vem provocando as maiores carnificinas da história humana, embora algumas sejam ignoradas - vez ou outra - em beneficio próprio, todas elas possuem trabalhadores que dependem delas para sua subsistência. Mais adiante trataremos deste assunto.

Indústria do Tabaco

Segundo o site O Dia, o Brasil arca com um prejuízo de R$56,9 bilhões por ano com problemas/doenças relacionadas ao tabagismo. O que precisamos ver neste gasto são as centenas de doenças e mortes que ocorrem com pessoas reais e não apenas com números.

“A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a relacionada ao tabagismo que mais gerou gastos aos sistemas público e privado de saúde em 2015, com R$ 16 bilhões. Doenças cardíacas vem em segundo, com custo de R$ 10,3 bilhões. Também entraram no levantamento o tabagismo passivo, cânceres diversos, câncer de pulmão, acidente vascular cerebral (AVC) e pneumonia.”

Estas são apenas algumas das doenças causadas pelo fumo que é uma droga lícita, ou seja, aprovada pelos Governos  tanto quanto o álcool e a carne. Agora vejamos um trecho da noticia veiculada pela revista Isto é:

“Por ano, as substâncias proibidas matam 250 mil pessoas, enquanto álcool e tabaco matam 2,25 milhões e 5,1 milhões, respectivamente”.

Isto é


Indústria da Bebida (álcool)

A indústria de bebidas alcoólicas é responsável pelo aumento do consumo de álcool que gera doenças como câncer, doenças do fígado(cirrose) mas é recordista em mortes por acidentes de trânsito e violência nas ruas e nos lares.

“O álcool também está relacionado à violência, sendo responsável como gatilho para brigas e homicídios em todo o país.”

As propagandas de bebidas geralmente são repletas de corpos desnudos e rostos bonitos, assim também ocorria com a propaganda do cigarro até esta ser proibida na TV. Assim ainda ocorre com as propagandas realizadas para a venda de corpos de animais; mesas repletas de pessoas felizes, crianças correndo, bebidas a mesa e animais felizes com seu morticínio.

Alguém ainda hoje pode duvidar dos malefícios da carne?

Sim, claro, as pessoas que se beneficiam com a morte de animais normalmente não possuem qualquer empatia por estes animais, talvez algumas até assinem petições contra o abate de cães na China, de focas no Canadá, de baleias e golfinhos no Japão enquanto saboreiam um pedaço de boi morto num lanche.

Indústria da Carne

A indústria da carne é disparada a indústria mais maléfica das 3 citadas aqui porque mata bilhões de animais, gasta e contamina a água, prejudica o solo e sim, é responsável por inúmeras doenças em seres humanos que trabalham em sua transformação e se alimentam com o produto final.

Segundo alguns estudos ela é responsável pelo aumento da diverticulite (inflamação intestinal), sobretudo nos jovens além do aumento de câncer e diabetes.

“O estudo mais recente, publicado na revista Gut, analisou o potencial impacto da ingestão de carne vermelha, aves e peixes sobre as chances de uma pessoa desenvolver diverticulite, uma condição em que pequenas bolsas no revestimento intestinal se inflamam e que é responsável por mais de 200.000 admissões hospitalares a cada ano, e novos casos estão em ascensão entre os jovens.   “

 

Perus não gostam de comemorar o Natal

Mas ainda hoje vemos espiritas defendendo a alimentação carnívora e condenando o uso de bebidas alcoólicas e do cigarro, como se a indústria da carne não fosse uma indústria da morte como as demais.

É fácil encontrar em sites e fóruns espíritas referências sobre os malefícios do fumo e da bebida alcoólica sem que haja aquela contestação odiosa quando o assunto em pauta trata dos malefícios da carne, diálogos longos que trazem todas as citações possíveis e imagináveis que possam defender esse tipo de indústria da morte e não da vida.

Não. Defender a toxicodependência do outro é fácil, basta listar todos os malefícios do cigarro, seus agentes químicos e ele vira um inimigo que deve ser combatido moralmente. Com o álcool ocorre à mesma coisa, alguns autores que defendem com afinco a necessidade de cada um de comer carne, relatam detalhadamente o mal que o alcoólatra passa no mundo espiritual após seu desencarne. Mas não relatam jamais o modo como o animal é criado e abatido.

“Após a morte do corpo físico, o alcoólatra continua sequioso da “água que passarinho não bebe”, porquanto o álcool, além de estragos no corpo físico, provoca um condicionamento no mundo espiritual que impõe a mesma premência de beber.

Em relação à carne o mesmo autor responde da seguinte forma:

“Nem o uso da carne atrapalha nossa evolução, nem a abstinência a favorece. Tudo depende de nosso comportamento, de nossos pensamentos, de nossa maneira de ser.
[...] Quanto à matança, observe que existe uma cadeia alimentar, que a envolve, desde micróbios aos animais de grande porte. Sempre há um ser vivo comendo outro. Se pretendermos jamais "matar" teremos que renunciar a qualquer alimento, porquanto mesmo em relação aos alimentos vegetais matamos para sobreviver. Grãos, folhas, frutos, são seres vivos que deglutimos.”

Neste caso o cigarro deixaria de ser vilão, pois tal como no caso da carne nem o uso atrapalha nem a abstinência enobrece, pois igualmente depende de nosso comportamento e pensamento, desde que educados fumando longe de outros, não seria prejudicial a nossa evolução. O mesmo com a bebida, desde que nos embriagássemos em casa e fôssemos deitar para não arrumar confusão, que mal teria isso? Ah mas no plano espiritual ficaríamos necessitados destes vícios.

Mas o mesmo autor ao falar do tabaco nos diz:

Se estivesse realmente consciente de que o cigarro lhe faz mal, pararia imediatamente, sem debitar ao futuro a iniciativa. Quando temos a ideia, mas não a consciência, frágil é o desejo de mudar. 

 Richard Simonetti


E a carne, também não passou a ser um vício alimentar da qual as pessoas se negam a deixar?  Não seria devido a este vício da carne que tenha ocorrido o tal contrabando de comida no Ministério da Regeneração em Nosso lar, sobretudo do que seria considerado carne?

Podemos notar a falta de empatia pelos animais toda vez que alguém defende a alimentação carnívora, sem referir-se a como é realmente feito o “bife” que jaz em seu prato. Qualquer pessoa assistiria tranquilamente a fabricação de bebida e de cigarro, mas qual destes defensores da carne assistiria tranquilamente ao abate de um animal que em outros artigos ele trata como “irmãos”?

Comparemos as respostas para vermos qual mais se assemelha a uma mudança moral de respeito pelos animais e por si mesmo:

“Nem o uso da carne atrapalha nossa evolução, nem a abstinência a favorece. Tudo depende de nosso comportamento, de nossos pensamentos, de nossa maneira de ser.”
(R. S.)

 E nos coloca André Luiz em um trecho do  livro Missionários da Luz:

 

Muitos espiritas não se importam com a morte dos animais

"O estômago dilatara-se-lhe horrivelmente e os intestinos pareciam sofrer estranhas alterações. Presenciava não o trabalho de um aparelho digestivo usual, mas sim de um vasto alambique, cheio de pasta de carne e caldos gordurosos, cheirando a vinagre de condimentação ativa. Em grande zona do ventre superlotado de alimentação, viam-se muitos parasitas conhecidos, mas, além deles, divisava outros corpúsculos semelhantes a lesmas voracíssimas, que se agrupavam em grandes colônias, desde os músculos e as fibras do estômago até a válvula ileocecal. Semelhantes parasitos atacavam os sucos nutritivos, com assombroso potencial de destruição ".



Será mesmo que alimentar-se de carne em nada atrapalha ou enobrece a nossa evolução?

 

[...] Quanto à matança, observe que existe uma cadeia alimentar, que a envolve, desde micróbios aos animais de grande porte. Sempre há um ser vivo comendo outro. Se pretendermos jamais "matar" teremos que renunciar a qualquer alimento, porquanto mesmo em relação aos alimentos vegetais matamos para sobreviver. Grãos, folhas, frutos, são seres vivos que deglutimos.
(R.S)

 

É tão simples assim comparar a morte de animais aos grãos, folhas e frutos que consumimos todos os dias?


"Ao serem mortos os animais (no caso, bois) têm o fluido do plasma sanguíneo sugado por espíritos-vampiros, com habilidade espetacular. Tais vampiros fazem fila, um líder na frente, para sorver tal energia. Com o magnetismo inferior dos animais fortalecem seus baixos instintos, retribuindo fluidos pesados em infeliz reciprocidade; assim, carne e ossos do animal ficam impregnados dessa fluidificação negativa, a qual será transmitida aos homens que deles se alimentam".

Lancelin, Viagem Astral


Nós que sabemos a verdade jamais poderíamos concordar que a morte de animais não atrapalhe a nossa evolução, nós que vimos o abate, que conhecemos o vampirismo, que reconhecemos a senciência animal jamais aceitaremos que a morte de um animal seja comparada a um fruto, posto que Deus nos disse:


“Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento. “
Genesis  


Nós temos a opção de mudar, se não o fazemos é por nossa responsabilidade, não devemos jogar nas costas dos Espíritos nossos próprios defeitos ,realmente:


“Quando temos a ideia, mas não a consciência, frágil é o desejo de mudar. “(R.S)

O que nos falta é a consciência de que somos nós que nutrimos e fortalecemos as indústrias da morte deste Planeta.



Simone Nardi




Referências




Por que o álcool pode matar?



Por que o álcool pode matar?





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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A ficção e a realidade

A Ilha, ilusão ou realidade?




O filme “ A Ilha” não é um marco no cinema, porém é um filme simples de onde um olhar mais atento pode e consegue fazer um link com a nossa realidade. Muitos ao verem um filme conseguem captar dele ferramentas que possam utilizar no dia a dia, seja a observação simples de como as pessoas se comportam diante de algo novo ou como o filme apresenta determinados pensamentos que realmente traçam linhas paralelas entre a ficção e a realidade. Apesar de simples e com um final nada especial, esse filme é na verdade uma “ilha” de possibilidades éticas e morais, passiva, revoltosa entre tantos outros atributos que podemos enxergar.

É uma ficção –ainda – sobre a clonagem e a doação de órgãos . Seres humanos são clonados e “vivem” isolados do mundo, que segundo lhes é informado, passou por uma catástrofe e ali seria o lugar mais seguro para os sobreviventes. Porém há inúmeras regras nas instalações: 

  • não poderem se tornar íntimos,(as relações amorosas entre os clones são proibidas e podem ser punidas)
  • não questionamento ( que igualmente leva a atos de punição)
  • a alimentação é balanceada (somente para que os clones não adquiram doenças e permaneçam saudáveis)
  • os exercícios obrigatórios (para uma vida mais saudável)
  • os uniformes idênticos ( como uma forma de não percepção da existência dos clones pelos guardas e demais trabalhadores das instalações)
  • tratamento psicológico obrigatório (sem perguntas , sem revoltas)
  • trabalham em laboratórios sem saberem contudo, o que é feito ali


A única diversão, se assim poderia ser chamada, é a Loteria, que levaria o ganhador para uma “Ilha”, paradisíaca, local para onde todos os sobreviventes seguem felizes na esperança de ver o mundo novamente.

O que o sorteio oferece realmente ao ganhador não é sua liberdade das regras impostas, mas a morte (assassinato do clone) para a retirada dos órgãos para o verdadeiro “Mantenedor” de sua existência. Sim, os clones apenas são criados para que seus órgãos sejam retirados caso o “original” adoeça.

Existem muitos outros filmes que exploram essa linha de pensamento, mas o que nos chama a atenção é a ideia de criar Clones – VIDA – para a morte e assim tentar salvar outra vida. É possível notar que a vida dos clones não possui qualquer valor, não existe ética, moral ou piedade em relação a sua existência ou a sua morte.

Ewan McGregor, o Lincoln de “A Ilha” foi clonado das células de um milionário que se preocupa somente consigo mesmo e a quem é impossível ver no clone um ser vivo e não apenas um baú com peças sobressalentes, das quais pode se utilizar caso adoeça devido seus excessos e extravagâncias.

Contudo o que é claro para quem assiste é que o apelo moral e ético do filme só é levado em conta porque os clores são seres humanos, pois testes como estes já vêm sendo realizados em animais.

Como nada que se faz nos animais acaba sendo visto como uma ação antiética, cientistas já estão dispostos a construir instalações e clones como em “A Ilha”, mas com residentes suínos.

De que forma?

De forma muito semelhante ao que podemos ver no filme de Ewam McGregor: a clonagem de seres vivos para o uso de seus órgãos em pessoas que poderão pagar por eles, já que sabemos : a Ciência não faz nada de graça.

Porque dizemos que a Ciência não faz nada de graça? 

Porque vemos sempre na TV muitos cientistas alegarem que usam animais em testes para beneficiar os seres humanos, porém ao descobrirem algum novo medicamento, vacina ou tratamento esta descoberta normalmente é vendida pela indústria farmacêutica por preços absurdos aos quais a maioria da população não consegue arcar, pessoas mais humildes que, no entanto, são seres humanos como outro qualquer.

A quais seres humanos a ciência e as indústrias farmacêuticas realmente querem auxiliar?

Porcos marcados para o abate

Cientistas agora em nome da salvaguarda da vida de seres humanos – tal como no filme “ A Ilha” -  querem inserir em embriões suínos (porcos) células tronco humanas afim de desenvolverem órgãos humanos nesses animais,orgãos que após o sucesso, poderiam ser utilizados na realização de transplantes para seres humanos. Ou seja, a ideia novamente é criar órgãos em vários Lincolns suínos, fazer alguns deles (já pré-escolhidos como no filme) serem sorteados na Loteria que os levaria a Ilha, e ali os matarem para a retirada dos órgãos necessários.

“[...] que permitiriam não apenas a inserção aleatória de células humanas (...) mas durante o desenvolvimento embrionário, a substituição específica de um órgão natural do bicho(sic) por outros indistinguível do coração ou do pâncreas de uma pessoa.”(folha de São Paulo,Reinaldo José Lopes.

Ao ler a  reportagem , sobretudo os comentários dos cientistas, é impossível não lembrarmos da frase de Charles Magel :

“Pergunte aos cientistas a razão da experimentação com animais, e a resposta será: ‘Porque os animais são como nós’. Pergunte a eles por que é moralmente certo a experiência em animais, e a resposta será: ‘Porque os animais não são como nós.’ A experimentação animal repousa sobre uma contradição lógica.” 
Charles R. Magel


E, no entanto ao dar entrevistas entusiasmadas afirmam:

“As estruturas do organismo dos suínos tem tamanho similar ao nosso”


Quantas Ilhas será que nossa Ciência irá criar em beneficio da humanidade? Quando vemos um mundo onde a preocupação principal deixou a muito de ser a prevenção , sendo que a venda de medicamentos ou experimentos fantásticos se sobrepõe a ética cientifica, teremos mesmo liberdade moral para criar Lincolns suínos sem que ver nele uma vida?

Acredito , infelizmente que, no que depender da ciência e da ganancia humana , sim.




Simone Nardi





Referencias

Charles R. Magel (citado em MAGEL apud NEWKIRK, Ingrid. The PETA Practical Guide to Animal Rights: Simple Acts of Kindness to Help Animals in Trouble. Macmillan, 2009, p. 207).
Lopes, Reinaldo José- Folha de São Paulo, sexta –feira, 27 de Janeiro de 2017 –B5-Ciência + Saúde: Cientistas inserem células troncos humanas em embriões de porcos.






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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

NO LIMIAR DA REVOLUÇÃO


    

Revolução Global


                  
A civilização humana, ao longo de sua curta história, veio cometendo diversos equívocos, em todos os campos, principalmente no que se refere às questões envolvendo o respeito ao próximo. Alguns desses equívocos persistem até os dias coetâneos, devido ao estado de imaturidade em que ainda estão imersas as coletividades terrenas. Tais desvios de comportamento, apesar de absolutamente normais, porque oriundos da debilidade ética dos seres humanos, precisam ser combatidos, a fim de que atinjamos, com mais celeridade, patamares evolutivos mais elevados, graças à eliminação de costumes, muitas vezes, bárbaros, que ainda enegrecem nossa caminhada.

    Um desses equívocos comportamentais mais antigos e persistentes provem da ideia de que, como humanos, possuidores de raciocínio, verdadeiros “eleitos de Deus”, temos o direito de nos utilizarmos de outras espécies da forma como bem entendermos, como se estas fossem meros objetos, e não seres vivos, tão importantes como nós no panorama geral da Criação. Segundo essa linha de raciocínio filosófico-conceitual, presente de forma tácita na quase totalidade das sociedades humanas, o Homem teria o direito natural – para não dizer divino, em muitos casos - de escravizar os seres das demais espécies, por lhes ser superior na escala evolutiva. Atributo este que lhe concederia, inclusive, o direito de submeter tais indivíduos a sofrimentos atrozes e até mesmo assassiná-los friamente, em massa, sob o pretexto de suprir as suas supostas necessidades de consumo.

ELES SÃO COMO NÓS
    
    Semelhante linha de pensamento, cujas origens remontam aos primórdios da raça humana, constitui a pedra angular do hoje denominado “especismo”, conceito pernicioso e retrógrado que vem tendo sua frágil sustentação cada vez mais abalada, principalmente pelas mais novas descobertas da Genética e da Neurociência. Isso porque tais descobertas vêm forçando – o termo certo é mesmo este: forçando - a sociedade contemporânea a ampliar, cada vez mais, suas noções de ética e moralidade e tornando esses valores extensivos igualmente aos animais.

     Os anúncios recentes de que a semelhança entre nosso DNA e o dos demais primatas, como os gorilas e os chimpanzés, é incrivelmente alta, ajudaram a corroborar a tese de que o Homem, no campo biológico, nada tem de superior aos componentes das demais espécies, com as quais, além de compartilhar um parentesco inegável, encontra-se em pé de igualdade perante a chamada “Mãe Natureza”, em todos os aspectos.

    Essa nova perspectiva ético-filosófica ganhou um aditivo mais potente ainda graças ao avanço da Neurociência, cujas descobertas assombrosas vêm solidificando, paulatinamente, o conceito da senciência animal e comprovando, com estudos sérios, que mesmo animais “simples”, como polvos e estrelas-do-mar, possuem consciência de si mesmos e detêm capacidades cognitivas que vão muito além do mero instinto.      Estudos científicos já demonstraram, inclusive, que gorilas e chimpanzés possuem muitas características comportamentais antes só creditadas aos humanos, como sentimentos de solidariedade e mesmo luto, quando da morte de um integrante do bando. Óbvio que eles também são capazes de atos de extrema violência e selvageria, mas até mesmo isso apenas comprova o quanto são parecidos conosco.

     Na mesma área, pesquisas também demonstraram que pássaros e moluscos, como polvos e lulas, conseguem elaborar soluções lógicas com certo grau de complexidade para resolver determinados problemas a eles impostos, fato que denota uma inteligência muito superior à antes imaginada em tais criaturas. Resultados similares foram catalogados em inúmeras outras pesquisas do gênero envolvendo diversas outras espécies animais, ancorando, com vigor cada vez maior, a ideia de que os bichos são mais parecidos conosco do que supúnhamos, em virtude da estreiteza de nossa visão egoística e antropocêntrica do mundo.


TIRANDO AS VENDAS

     Essa constatação é bastante incômoda, pois, ao desconstruir integralmente a linha de pensamento cartesiana, leva-nos a um dilema com profundas implicações éticas, religiosas, filosóficas e comportamentais: ser-nos-á lícito escravizar outros seres, massacrá-los, oprimi-los, feri-los com esporas em rodeios, expô-los em espetáculos circenses ou exterminá-los a nosso bel-prazer, apenas para satisfazer os caprichos de nosso paladar?

    A conclusão lógica, atingida após a fria e desapaixonada análise dos fatos, com o uso consciente do raciocínio, do qual sempre nos gabamos, não deixa margem a dúvidas: NÃO! Não podemos dispor da vida de outros seres, pisoteando seus direitos elementares, apenas porque pertencem a outra espécie. Tal atitude apresenta enorme semelhança com a filosofia de discriminação racial que impulsionou Hitler a exterminar milhões de judeus, em sua cruzada antissemita. Antes, modo de pensar análogo também já havia levado brancos a capturarem tranquilamente milhões de nativos africanos, pois se escoravam nele como uma justificativa infame para o comércio escravagista. A mesma linha de pensamento levou a Ku Klux Klan a espalhar morte e terror pelo Sul dos Estados Unidos, na primeira metade do século passado.

     Logo, se os imperativos da ética e da moralidade – bem como a própria ciência -berram às nossas consciências que os animais não são coisas, que não podemos fazer vistas grossas ao seu sofrimento, que eles em nada diferem de nós, a não ser pelo grau do intelecto, que eles possuem (ou deveriam possuir) os mesmos direitos naturais que nós, somos conduzidos pelos mecanismos da mais simples dialética a concluir que também não pode nos ser lícito utilizá-los como fontes de alimentação, sob qualquer pretexto. Essa metamorfose consciencial nos leva naturalmente à compreensão de que o abandono da carne em nossas refeições cotidianas é uma obrigação ética à qual estamos todos atrelados, embora a esmagadora maioria ainda não tenha se apercebido (ou ainda não queira se aperceber) disso.

    Nesse contexto, a disseminação desse novo paradigma ético-filosófico assume importância ímpar. Isso porque ele está sendo a mola propulsora para a transformação, mesmo que de forma muito lenta, de velhos hábitos perniciosos, antes tidos como cláusulas pétreas no status quo social, responsáveis por infligir sofrimentos atrozes aos animais. Essa nova mentalidade está gerando um “efeito dominó” irrefreável, cuja resultante – pode-se prever desde agora, sem medo de errar – será uma verdadeira revolução, em escala globalística, no modo como o Homem trata a causa animal. Tal acontecimento tornará o planeta um lugar muito mais digno e justo não apenas para nós humanos, mas para todos os nossos irmãos menores - igualmente, eles, peças importantes da engrenagem planetária.

    A data em que essa revolução global acontecerá ninguém pode precisar ao certo, pois o trabalho de conscientização coletiva é como uma semente que costuma demorar a germinar e render frutos. Mas a sua revolução íntima depende única e exclusivamente de você. Que tal começar agora?





Jones Mendonça é jornalista, revisor de textos, escritor e poeta. Apaixonado por quadrinhos, também é protetor de animais e revisor de textos. É cheio de defeitos, mas tem consciência deles e acredita na construção de um mundo melhor, por meio da conscientização humana. Detesta fanatismo ideológico e religioso. Araxaense.  






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