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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Meu Grande Tutor (História)

Foto by SN: Yannis

(Baseado num fato real)




Eu cheguei naquele lugar sozinha. Não vi meus pais e olha que eles sempre estavam comigo. Continuei a andar vendo que outros como eu também caminhavam um tanto assustados. Me enchi de coragem, sim pois que meus pais sempre me chamavam de “Grande Cão de Guarda”,  por isso achei que deveria agir como um.

Olhei com olhos antigos um mundo novo diante de mim, então percebi que havia uma rodinha de outros cães, todos sentados conversando uns com os outros. Um velho humano fez sinal para que eu me juntasse a eles, obedeci, afinal sempre fui muito obediente mesmo.

Aproximei-me e sentei descuidadamente sobre o rabo de um de meus novos amigos, desculpei-me e sorri mostrando meus dentes brancos para ele. Minha mãe gostava quando eu fazia isso para ela.

Fiquei ali parada, ouvindo eles contarem sobre suas experiências sem saber ainda aonde estava. Sentia falta dos meus pais, mas sabia que cedo ou tarde eles viriam me apanhar, sempre diziam assim:

“ Nossa que saudades do amor da mãe”, ou então: “Cadê o amor da mãe? “ .

E eu balançava meu toquinho de rabo e sorria para eles. Não, eu não devia me preocupar, eles viriam me pegar a qualquer momento.

Notei com estranheza que meu peito não estava mais inchado e notei também que algumas gotinhas d’água brotavam dos meus pelos umedecendo-os levemente. Não dei muita importância , então percebi que aquele senhor velhinho, o humano, olhava fixamente para mim .

— Você sabe onde está agora?

Victoria
Claro que eu sabia! Devia estar na clínica veterinária. Meus pais sempre me levavam lá.

— No médico eu acho- falei meia atrapalhada - Só que acho que ele já me curou e espero apenas meus tutores virem me buscar, estou louca para brincar de  paninho com minha mãe.

— Você se lembra do que houve ?

Se eu me lembrava ? Era claro que sim...

— Eu havia ficado doente, minha perna doía  - comecei a dizer - aí meus pais haviam me levado no veterinário, tiraram fotos minhas e quando saí para encontrá-los eles estavam chorando, não soube bem o motivo . Ouvi o médico falar algo como: “Vai chegar a hora em que teremos que sacrificar".

Não sabia o que era , então brinquei para tentar alegrá-los. Fomos para casa e eles não pararam de chorar, no dia seguinte fomos a outro médico, a mesma coisa, eles choravam mais e mais. Minha mãe brincava comigo , mas com um pouco mais de cuidado, pois minha perna ainda doía.

Mais uns dias e fomos à outro médico, esse eu já conhecia e não tinha medo dele, era muito bonzinho. Ao contrário dos outros, ele não falou a palavra sacrificar nem uma vez. Sequer sei para que usavam essa palavra, mas achei que era por causa dela que meus tutores choravam tanto.

Comecei a sentir dores mais fortes, mas meus pais me compraram um colchão enorme de espuma e ali eu comecei a passar a maior parte do meu tempo. Saia para fazer xixi e  bem, você sabe o quê, depois voltava. Até comer era fácil, meus pais me davam ali mesmo, na boca. Comecei a tomar umas bolinhas doces que me davam mais animo, mas eu sentia que havia alguma coisa errada.

Já não conseguia mais correr como antes e nem tinha mais animo para brincar com o paninho, mesmo quando minha mãe pedia, então para disfarçar , eu enchia ela de beijos e fazia ela coçar minhas costas. Acho que ela ficava triste comigo, porque ela chorava muito.

Os dias passaram e eu fui piorando. Já quase não conseguia mais andar, então meus pais me ajudavam a caminhar lentamente. Me seguravam enquanto eu fazia xixi e me enxugavam, afinal sempre fui muito cuidadosa com minha aparência. Depois eles me deitavam e me ofereciam água, eu tomava tudo, mesmo que não estivesse com sede. Era meu jeito de agradecer à eles pela ajuda, sabia que quando ficasse forte novamente poderia recompensá-los melhor.

Yannis
Mas parecia que eu não melhorava, nem fome eu sentia mais e olhe que eu comia muito bem. Mas lá estava minha mãe de novo. Ela comprou
uma ração super gostosa, era especial - eu os ouvia falar -  para eu comer. Vejam só, ela dava ração na minha boca com  aquela colher que os humanos usam. Então, para não fazê-la chorar eu comia tudo. Depois vinham aquelas massagens gostosas no meu braço e no meu peito, água e muito carinho. Depois eu dormia e quando acordava sempre um deles estava do meu lado.

Eu não conseguia mais andar quando nos voltamos naquele veterinário bonzinho. Fiquei "esticadona" no carro e vi ele vir todo preocupado para meu lado. Disse que havia inchado muito, olhou para meus pais e disse que estava indo tudo bem, depois sorriu para mim e esfregou minhas costas, então todos foram lá para dentro. Minha mãe voltou chorando, mas eu sabia que estava prestes a melhorar.

Quando voltei para casa naquele dia eu não me sentia muito bem, estava muito cansada , dormi. Minha mãe me acordou só mais tarde para comer, comi e voltei a dormir. Logo aprendi que precisava da ajuda deles para tudo.

Quando estava com sede ou com fome .

Foi assim que aprendi que se eu chorasse, mesmo que baixinho, um deles sempre vinha correndo para me ajudar.

Eu chorava baixinho.

Meus pais vinham e me perguntavam o que eu queria, eu olhava o pote d’água e eles me davam de beber. Chorava só para eles ficarem ao meu lado . Eles aprenderam rápido o que eu queria.

Renno
Quando a dor me incomodava, me davam um remédio docinho, minha mãe dizia que tinha um tal de “açuquinha” não sei o que era mas era bom. Eu dormia e não sentia mais nada.

De noite todos se reuniam em volta de mim e proferiam o que eles chamavam de oração. Era muito bom. Eu relaxava muito e podia ter todos
eles ao meu redor por mais tempo e era naquela hora que eu dava beijinho de esquimó na minha mãe. Meu nariz roçando no dela, era divertido, as vezes eu não aguentava e dava uma lambida nela, mas ela gostava e começava a sorrir para mim. Fazia isso também quando eu tentava abanar o rabinho , mas eu estava sempre muito cansada para isso.

Foi quando comecei a entender que talvez eu estivesse mesmo muito doente. Não conseguia me mexer mais e meus pais arranjaram um travesseiro para mim, viviam trocando as fronhas pois eu babava muito nele, mas era gostoso, sempre um deles estava perto de mim.

Eu sabia que estava acontecendo alguma coisa errada, mas não sabia o que era. Quando não pude mais me mover minha mãe comprou fraldas para mim, então eu podia fazer xixi e tudo mais sem  eles terem que ficar me arrastando de um lado para o outro como faziam antes. Aí eu fazia xixi, chorava e eles vinham trocar aquele paninho úmido que ficava por baixo de mim.

Fui piorando.

Agora só meus olhinhos se moviam. Eu chorava mais, não por que queria comer ou beber, simplesmente  chorava porque tinha medo de ficar sozinha e meus tutores aprenderam rapidamente a ler isso nos meus olhos. Minha mãe se deitava por horas sem fim ao meu lado, falando comigo e me fazendo companhia.

Então um dia notei que todos eles estavam chorando muito, acho que é por que eu não havia comido toda minha comida, bebi muita água e não me sentia bem. Meu corpo estava dolorido e pesado, só dei um beijo de esquimó na minha mãe e uma ou duas lambidinhas neles. Estava com muito sono, não sei como foi, acordei com minha mãe chorando e trocando a fronha onde eu sem querer vomitara. Ela pedia para eu ficar e eu queria realmente ficar com ela.

Mel
Abri meus olhos para ela ver que eu queria ficar ali. Eu a vi chorar . Todos eles. Fechei meus olhos e senti ela me beijar e me abraçar, foi aí que ela me disse que me amava muito. Eu não queria ir, então o sono me fez dormir..........é ......acho que estou sonhando agora.”

Olhei para aqueles rostinhos curiosos diante de mim, um dos meus amiguinhos chorava baixinho e eu não pude deixar de notar isso.

— E você meu amigo, como são seus tutores? - Perguntei à ele tentando animá-lo, afinal, os humanos deviam ser todos iguais, ao menos os que eu conhecia eram bons.

Ele me olhou tristinho e todos nós ficamos quietos. Notei que ele não parecia bem, seu corpo tremia como se estivesse com frio.

— Meu "dono" me levou ao médico, parece que era um problema que dava para resolver, mas a cirurgia ia custar muito caro. Coitado do meu "dono", ele quase nem tem dinheiro, trocou o carro porque fiz xixi nas rodas e elas enferrujaram. Dei muito gasto para ele. Pois é, ele não tinha dinheiro, aí ele mandou o homem de branco me sacrificar. Não o vi sair, fiquei esperando ele voltar e me levar para casa , mas ele não voltou. Nem sei se vai voltar para me buscar.

— O meu fez igual, ele me sacrificou por que eu latia demais defendendo a casa....falou um outro ao lado dele.

Fiquei tão triste com as histórias deles e olhei para o velhinho que havia começado a conversar comigo.

— Você sabe onde está agora?

Olhei para aquele rosto carinhoso e finalmente entendi o que havia acontecido.

Meus tutores não poderiam vir me buscar e sei o quanto desejavam. Eu havia morrido. Ficara doente e havia morrido, por isso aquelas gotinhas de água que molhavam meus pelos.

Eram lágrimas. 

As lágrimas dos meus pais que ainda choravam por mim.





Foto by SN; Yannis












Yannis, morta por Osteosarcoma em 14 de setembro de 2001.







Simone Nardi 




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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Blog agora tem Face

Onça nervosa



Caveira no PC


Olá pessoal, depois de muito sofrer, uma amiga nossa Fernanda Vieira do site amigo Animais e Espiritismo, nos ajudou a montar um Face.


Para quem quiser conhecer e ajudar a divulgar aí vai:





Estamos caminhando aos poucos, fazendo novos amigos e agradecemos a companhia de todos que nos visitam e nos escrevem.

Grande abraço



Venha nos visitar









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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Você prefere comer carne ou sentir raiva???

Mais uma vez o solipcismo 


Nos enviaram um vídeo outro dia onde, no final o autor fazia esta pergunta.

Apesar de se dizer vegetariano, a defesa do carnivorismo pareceu maior do que propriamente do vegetarianismo, já que que ele por diversas vezes, uma opinião pessoal claro, apregoava que era um milhão de vezes melhor ser um carnívoro gentil do que um vegetariano como ele, que sentia raiva.Raiva de que, nãos sabemos.

A questão porém ficou clara: A preocupação ali, como na maioria das opiniões espíritas sobre vegetarianismo  tem apenas como única preocupação o  EU.

O resto, nos perdoem o palavreado, mas o resto que" se dane".

Sim, porque quando alegamos que é melhor sermos carnívoros amorosos (o que é uma grande falácia e explicaremos porque) estamos pensando unicamente em nós mesmos e não nos animais, e esquecemos logo eles que deveriam ser o centro das atenções numa conversa sobre vegetarianismo.

Pois é, os animais não são o cerne da questão na opinião de muitos espíritas, mas o Eu pessoal que deve crescer moralmente , eticamente, espiritualmente etc e tal. Mas vamos ver como ser um carnívoro gentil e moral se comporta quando colocamos os animais no meio da história .

Há quem interessar, já tocamos nesse assunto diversas vezes no blog:


Em todos os 3 artigos acima a discussão e a justificação do carnivorismo se baseia somente nas opiniões dos autores, como se  somente o ser (h)umano fosse importante nessa questão e não os animais. Em momento algum, também neste vídeo, vimos os animais ocuparem um espaço importante dentro da discussão vegetarianismo ou carnivorismo, ao contrário, pareceu que o autor importava-se apenas em dizer que vegetarianos são muito cruéis, deselegantes e raivosos(basta ouvir a pergunta final do autor). Como a defesa débil que muitos ainda usam ao falar sobre Chico Xavier e Hitler, assunto sobre o qual também já falamos neste mesmo Blog.


O autor só se esqueceu de um detalhe sobre o carnívoro gentil e o veg raivoso.

O carnívoro gentil participa diretamente de uma cadeia de eventos que prejudica não somente a vida dele mesmo (o que parece ser o mais importante), mas prejudica também o veg raivoso, outros carnívoros como ele , os animais e o Planeta. Gentilíssimo nosso amigo carnívoro não é?

Vejamos no quadro abaixo, que também já utilizamos neste Blog  , como uma pessoa carnívora é gentil com os animais, supondo que ela não pense somente em si mesma, o que geralmente faz e que é um sinal de egoísmo. 

Do lado esquerdo vemos o que ocorre com os animais, no lado direito o risco causado aos trabalhadores. Ou seja, o quadro mostra o que ocorre com os animais com os quais o autor parece não ter se preocupado ao colocar que é um milhão de vezes melhor ser um carnívoro gentil.



Sequência de abate de animais e perigo a saúde dos trabalhadores


Etapas do Abate                                          Perigos Apresentados


Condução dos animais
Reação violenta do animal
Insensibilização (descarga elétrica , pistola pneumática)
Estresse pela natureza da tarefa;acidente com pistola ou eletricidade;ruído elevado
Sangria
Contato com sangue potencialmente contaminado; estresse pela natureza da tarefa; queda do animal; acidente com faca; ruído elevado,piso escorregadio
Levantamento e escalda dos animais
Queda do animal; movimentação excessiva; acidente com faca; velocidade excessiva da linha; temperatura e umidade elevada;contato com fezes e sangue potencialmente contaminados
Retirada de couro,cascos, chifres e depilação
Queda do animal; movimentação excessiva; acidente com faca; velocidade excessiva da linha; temperatura e umidade elevada;contato com fezes e sangue potencialmente contaminados
Evisceração
Contato com fezes e órgãos potencialmente contaminados; acidente com faca ou ganchos; ruído elevado; piso escorregadio
Remoção e inspeção da cabeça
Contato com fezes e órgãos potencialmente contaminados; acidente com faca ou ganchos; ruído elevado; piso escorregadio
Remoção e inspeção das vísceras
Queda dos órgãos; Contato com fezes; acidente com faca; presença potencial  de patógenos nas vísceras; estresse pela natureza da tarefa; temperatura e umidade elevada; ; ruído elevado; piso escorregadio
Serragem para divisão da carcaça e lavagem das meias carcaças
Acidentes com moto-serra(queda,cortes, contusões);movimentação excessiva; contato com água fria sob pressão; ruído elevado
Desossa
Acidente com faca; acidente com fragmento ósseos pontiagudos;movimentação desconfortável;baixas temperaturas
Câmara fria
Acidente com faca; acidente com fragmento ósseos pontiagudos;movimentação desconfortável;baixas temp


O carnívoro agora já não nos parece muito gentil, não é?

Trecho do documentário" Carne e osso"



Quando o autor da pergunta "Você prefere comer carne ou sentir raiva?" diz que é mais meritório um carnívoro  gentil do que um veg que come carne, opinião dele é claro, não do espiritismo, mas de espíritas e como um amigo sempre diz, "Não podemos confundir o que diz o espiritismo com o que dizem os espíritas".

Logo após lermos esta tabela, temos a clara visão de que ele usa apenas do sentimento solipcista e especista  que já assola neste Planeta.

Por quê?

Porque ele justifica um ato baseado apenas no egoísmo de cada um, como se para agir moralmente fosse  necessário apenas que cada um pensasse apenas em si mesmo e não em seu próximo. Ele se esquece  completamente do motivo pelo qual se deve virar Veg: Pelos Animais, para evitar o sofrimento destes que chamamos de irmãos apenas nas palavras. 

Não se deve virar veg porque se quer emagrecer, porque quer se achar um pouco mais ético e moral. Porque acha que ser veg é dever de todo espírita. Isso sim não seria meritório. O motivo que leva ,ou deveria levar sobretudo os espíritas a se tornarem vegs é a Alteridade. Fato esquecido pelo autor.

Um carnívoro em si mesmo não pode ser considerado um Ser gentil,  pois além de tirar a vida de um animal ele paga para que outras pessoas o façam por ele, sem contar que o  ato de comer carne implica em uma serie de fatores que foram esquecidos pelo autor:

1- A morte de um animal senciente e que possui alma.

2. A condenação a dessensibilização das pessoas que são trabalhadores do frigorífico(e que causam inúmeros problemas físicos e psicológicos para estes, também , irmãos - há trabalhos sobre o assunto na net).

3 . Gasto de água doce.

4.  Poluição da água e do solo devido aos dejetos.

Nenhum destes fatores entrou na história, como se não fossem importantes, ou seja, a justificação do carnivorismo gentil, como de praxe, se baseou apenas e tão somente no ser humano, o que é um especismo. 



Descrição dos problemas que podem afetar trabalhadores de abatedouros.





Tipo de problema                                                   Característica principal

 
Acidentes;Lesões em mãos,perfuração cardíaca com a pistola pneumática;infecção dos cortes causados por instrumentos afiados/ossos
Acidentes de trabalho;,demora no atendimento e morte do trabalhador;
Abuso de drogas,álcool e analgésicos;e tranquilizantes: Problemas sociais e comportamento agressivo
Analgésicos e outras formas de tratamento pra lidar com sintomas de dor;A eutanásia de animais de estimação e animais destinados a alimentação humana pode ter impacto psicológico diferentes sobre o trabalhador responsável por suas mortes
Incidência de problemas psicossomáticos;risco do aumento de câncer
A exposição a compostos usados na indústria de carnes contribuem para um risco mais elevado de cânceres da boca, laringe, pulmão e estômago

No quadro acima podemos ver o quanto nosso carnívoro gentil é gentil com outros seres (h)umanos, já que não o é com os animais, deveria ao menos pensar naquele que ele acha ser o seu Igual.

Trabalhador em frigorífico



Uma coisa que nos pareceu estranha também foi o fato do autor alegar que existiriam coisas mais urgentes do que o fato de se parar de comer carne. A impressão passada é aquela antiga ideia de que primeiro o ser um (h)umano deve se tornar ético, moral, bom, caridoso para, quando chegar a este patamar Crístico aqui na Terra poder começar a pensar em se tornar vegetariano. Porém , ao reler o quadro, vemos que não é possível se tornar esse  utópico ser Crístico se esmagamos outros irmãos como fazemos, apenas ignorando seu sofrimento em proveito próprio.

Vamos supor que sejamos carnívoros gentis e morais, apenas ignorando, por opção própria, que estejamos ligados, por exemplo, ao fato de obrigarmos trabalhadores a lidarem diariamente com  "Queda do animal; movimentação excessiva; acidente com faca; velocidade excessiva da linha; temperatura e umidade elevada;contato com fezes e sangue potencialmente contaminados".

Não seria urgente também essa mudança?


O fato é que não há qualquer necessidade do ser (h)umano se tornar isso ou aquilo para depois  parar para pensar nos animais como muitos ainda insistem em dizer. É perfeitamente possível , para aqueles que deixaram a preguiça de lado, optar pelo vegetarianismo e por uma vida mais ética e moral, sem precisar empurrar tudo para frente.

São antigas as frases: "Precisamos primeiro aprender a amar nosso irmãos , para só depois, amar os animais" ."Há, mas ainda nem sequer aprendemos a amar uns aos outros" .

Não aprendeu porque não quis, há dois mil anos estamos literalmente empurrando esse fato para mais adiante.Amar os animais não significa desaprender a amar o ser (h)umano. Não implica em deixar de amar o outro. é somente mais uma lição que se aprendeu, dentro ou fora da ordem. Não querer aprender é apenas , adiar.
Veja que não condenamos os carnívoros por sua opção nada gentil em matar animais ou obrigar outras pessoas a matarem por ele.Sabemos que cada um tem seu tempo de mudar e seu direito de querer mudar ou não, mas dizer que é melhor ser um carnívoro e gentil )que já vimos, é uma lenda) do que um vegano que tem raiva, é desmerecer os animais em troca do  apenas Eu devo ser perfeito, apenas eu devo ser feliz.

Quem se torna veg não o faz por apenas questões morais, apenas para ser gentil ou apenas para se tornar perfeito, quem se torna veg os faz pelos animais, qualquer outra opção, é apenas de âmbito pessoal, e quando há interesse próprio, a coisa, por si só deixa de ser Moral.

Não se trata de sentir raiva ou não , pode-se criar a raiva ao obrigar outras pessoas  a matar por nós frigoríficos, só que esta é uma raiva que o carnívoro gentil diz ter eliminado de sua vida apenas não é vista.

Vamos parar de hipocrisia, vamos deixar de pensar em si mesmo, não quer ser vegetariano, não tem problema não seja, mas não diga que confinar, matar, esfolar, obrigar as pessoas a matarem é uma coisa gentil, é no mínimo uma visão bem míope do que ocorre fora do seu quintal.

Você prefere comer carne ou sentir raiva?

Depende do que você julgar pior: quando eu sinto raiva prejudico única e exclusivamente a mim e não ao meu outro, já quando como carne prejudico bilhões de animais, prejudico o meu ar  e a água do meu próximo, além do solo, do gasto de água e da exploração e dessensibilização da mão de obra e isso com certeza é infinitamente pior do que apenas sentir raiva.

Eu prefiro sentir raiva e prejudicar a mim mesmo do que comer carne e matar , poluir e participar da exploração de animais e de seres humanos, isso com certeza é totalmente o oposto da tal gentileza tratada pelo autor.


Simone Nardi




Para saber mais

Reporter Brasil
 
Documentário carne e osso 


Para quem quiser conferir o solipcismo especista  que o video retrata é só acessar:

Espírito Imortal




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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

De onde vieram os animais? (estudo)



Imagem: Filhote de símio

Grande parte dos e-mails nos surgem em forma de estudos e muitos dos e-mails que respondemos acabaram abrindo espaço para novos artigos que postaremos a seguir com as dúvidas e as respostas as quais chegamos. São nossas reflexões, baseadas na lógica alicerçada não apenas na religião, mas na filosofia e nas respostas que a ciência vem nos trazendo, se discordamos de inúmeros oradores e escritores, é porque a ciência tem nos mostrado que eles, igualmente como nós um dia mudamos, precisar refletir e mudar.


Boa leitura




  Questão : De onde vieram os animais?


Vamos encontrar muitas respostas no livro “Evolução em dois Mundos”,André Luiz. Este é um livro extremamente técnico e nos mostra de forma científica todo o caminho que fizemos para chegar onde estamos, por isso Evolução em dois mundos, mundo espiritual e mundo material, a evolução ocorre dos dois lados e nos mais variados reinos. Por isso, para compreendermos de onde vieram os animais, deveríamos mudar a questão e colocar: De onde todos viemos: Segundo “A Gênese”, cap. X, item 3, Allan Kardec nos fala: "a formação dos primeiros seres vivos pode ser deduzida, por analogia, da mesma lei segundo a qual foram formados, e formam-se todos os dias, os corpos inorgânicos". Alguns colocam como inorgânico o reino mineral, eu particularmente tenho muitas dúvidas a respeito.

 

  Deus continua a criar, incessantemente, é o que pode-se compreender da colocação acima. Mas podemos dizer assim: Somos Centelhas Divinas – alguns autores gostam de colocar apenas como o início do Princípio Inteligente Universal - que se desprenderam de Deus. Usualmente utilizamos o termo Mônadas (Mônada espiritual), que vai estagiar nos mais diversos reinos. Tais estágios seriam o da Mônada, que seguiria para a formação de um Princípio espiritual, que após estagiar aí se desenvolveria para um Principio Inteligente e posteriormente para o Espírito, isso no plano astral. Do lado material somos mais simplistas e colocamos apenas mineral, vegetal, animal e hominal, que não coincide perfeitamente com o lado astral.

 

  O caminho é simples, centelhas(Mônadas) que se desprendem de Deus e iniciam seus estágios , ao que sabemos(e sabemos pouco), tal estágio se iniciaria pelo reino mineral, mas a evolução é um ciclo que vai se completando lentamente.

 

  Se desejarmos responder a questão inicial, poderíamos dizer que o espírito dos animais tal como conhecemos hoje é a Evolução desta Mônada inicial(Centelha) que se desprendeu da Divindade e iniciou-se nos estágios da evolução. Assim sendo, nosso Espírito, igualmente é a evolução desta mesma Mônada.

 

  A resposta mais fácil e final seria:

 

  De onde vieram os animais?

 

  Vieram de Deus, mas narrar a evolução fica mais elegante .

 

  A Mônada, estagiando nos mais diversos reinos, vai acumulando energias que segundo Joanna de Angelis, lhe ampliam as possibilidades de “despertar “ nos vegetais. Este vai acumulando novas energias e novos ”conhecimentos”, se acelerando a sensibilidade que vai aos poucos lhe permitir transitar pelo reino animal, onde o instinto irá despertar, assim como a inteligência, a consciência que o levará a outra fase, a da Razão, que lhe permitirá ingressar no reino  que costumamos chamar de hominal.

 

  Caibar Schutel (A Gênese da Alma) sabiamente coloca  que “ tudo tem por alvo o progresso, a evolução para a perfeição, estando todos,desde o mais microscópico ser, submetido as leis de Evolução.

 

  Daí é que surgem os animais.Engana-se quem acha que somos perfeitos,estamos sempre em evolutivo aperfeiçoamento, assim como todos os seres que aqui habitam.

 

  Uma questão para o leitor:

 

  Já parou  para pensar que as células, sim as células de nosso corpo são, “indivíduos” já em trilha evolutiva? 

 

 


Até mais

 

 

  Fontes:

 

Allan Kardec - A Gênese, O Livros dos Espiritos

André Luiz- Evolução em dois mundos

Cairbar Schutel - A Gênese da Alma 


Simone Nardi

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