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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Filosofia antropocêntrica ou Filosofia pela Vida?

A própria filosofia que prega contra a opressão, dentro de seu antropocentrismo cego e tradicionalista, gera opressões ainda mais cruéis. Filósofos que pregam para que “se libertem os excluídos”, excluem o direito de viver de todos aqueles a quem, em teoria, defendem, pois a teia da vida é muito mais longa do que ele pode supor. Toda vez que se sentam para fazer um simples ritual como o de comer, iniciam um mecanismo de opressão que desfaz, literalmente, tudo aquilo pelo qual trabalharam e teorizaram. Esse antropocentrismo não os deixa visualizar que são eles também, os principais pilares que sustentam a opressão, quando se propõe a excluir uma classe que lhes é singular, em favor daquela que lhes é totalmente aprazível.

O Filósofo diz lutar contra uma opressão quando é aquele que, com suas palavras, argumentações e teorias, o que mais pode oprimir ao excluir “outros” de suas ideias, conseguindo abster-se da culpa somente porque, fechado em si mesmo, não consegue enxergar o que faz, infelizmente existem muitos filósofos ainda presos a Caverna platônica.

Para libertar a vítima, é necessário que primeiro o Filósofo se liberte, pois ele é, em si, vitima de sua própria opressão.

A Filosofia atual é uma causa da opressão porque se recusa a enxergar além de si mesma e de seu antropocentrismo, porque não consegue enxergar além dos seres humanos, porque idolatra antigos filósofos antropocêntricos e vaidosos e transmite essa mesma missão aos futuros professores de Filosofia, numa cadeia sem fim que oprime a própria Filosofia. Nós combatemos os professores de ciência que dessensibilizam seus alunos durante uma aula de vivissecção, combatemos os doutos em medicina porque fazem com que os futuros doutores matem animais alegando que isso, é em defesa da vida, e ignoramos que essa batalha acontece dentro de um curso que deveria privilegiar o “Pensamento” – Hegel se refere a liberdade de “pensar um pensamento”, no entanto continuamos, ano após ano, pensando o que outros seres humanos pensaram -. Aprendemos filosofia, porém muitos não aprendem a filosofar, a realmente, se libertar. A Filosofia que deveria se essa “Mãe que Liberta”,exclui e oprime os seres que lhe são singulares e, nesse círculo fechado em que vivemos, sabemos que qualquer ato contra o “Outro”1 se volta contra o interlocutor. E como podemos encarar esse “Outro”? Enrique Dussel coloca que o “Ser” precisa deixar de ser metafísico, fechado em si mesmo, que é preciso se relacionar com outros seres, trocar experiências, sua Filosofia de Libertação passa a ser refletida no “Outro” e a Ética se materializa na figura do ser ‘Oprimido”, da vítima, com isso existindo uma razão crítica libertadora. A questão é: Quem é esse “Outro”? Para a filosofia antropocêntrica esse “Outro” seria legitimamente os seres humanos, porém não são apenas eles os oprimidos da dor, há um outro “Outro”, muito mais oprimido e marginalizado:o animal não humano.

Toda Filosofia busca uma ética para melhorar o mundo; todas as filosofias falharam em determinadas épocas, em levar os homens a esse melhor, todas, senão a esmagadora maioria era antropocêntrica.

Dussel nos mostra uma filosofia que transporta o ser ontológico para o ser material, o Ser, esse Outro, através da concepção de alteridade2 faz com que eu também exista através do outro, da visão do outro, de forma que eu possa compreender o Mundo a partir da compreensão desse “Outro”. Esse “Outro” não pode mais ser deixado de lado, ser encoberto ou esquecido, não pode mais ser dominado, excluído ou subjugado por aqueles que se acham os “senhores” superiores. Ao trazer essa materialidade para o Ser, descobre-se então a vítima, o principal motivo da Ética dusseliana, pois a vítima se enquadra em qualquer povo, em qualquer continente, em qualquer ethos humano, e vamos adiante em nosso pensamento, essa vítima se enquadra no todo pertencente a Vida, animais humanos, animais não humanos e até mesmo nas plantas.

Mas a Filosofia ainda sim está repartida entre animais humanos e não humanos, porém uma leitura rápida e livre de qualquer antropocentrismo pode nos mostrar uma nova visão, que muitos filósofos ainda não perceberam:

” O oprimido, o torturado, o que vê ser destruída sua carne sofredora, todos eles simplesmente gritam clamando por justiça:
__ Tenho fome! Não me mates!Tem compaixão de mim!- é o que exclamam esses infelizes.
[...] Ele simplesmente grita. O grito -enquanto ruído, rugido, clamor, protopalavra ainda não articulada, interpretada de acordo com o seu sentido apenas por quem tem “ouvidos de ouvir”- indica simplesmente que alguém(um ser- grifo meu) está sofrendo e que do íntimo de sua dor nos lança um grito, um pranto, uma súplica.É a interpelação primitiva”3

Essa, a máxima da Filosofia da Libertação: A escuta do grito do oprimido.

Livres do antropocentrismo filosófico que cega a muitos, de quem seria, também, esse grito?

” O oprimido, o torturado, o que vê ser destruída sua carne sofredora, todos eles simplesmente gritam clamando por justiça:

O animal oprimido e torturado, o que vê ser destruída sua carne sofredora, todos eles simplesmente clamam, a seu modo, por justiça e por liberdade, pois seu desejo inerente é o de permanecer vivo, sem sofrer qualquer abuso, dor, exploração. No antropocentrismo o que ocorre é simplesmente a opressão do oprimido com outra vítima humana.

“Ele simplesmente grita.O grito – enquanto ruído, rugido, clamor, protopalavra ainda não articulada, interpretada de acordo com o seu sentido apenas por quem tem “ouvidos de ouvir”

É nós temos ouvidos de ouvir e olhos de ver, os animais demonstram claramente quando estão com medo, fogem, se debatem e gritam em desespero, como não enquadrar esses indivíduos no rol de vítimas oprimidas?

“indica simplesmente que alguém (um ser- grifo meu) está sofrendo e que do íntimo de sua dor nos lança um grito, um pranto, uma súplica. É a interpelação primitiva”

O pedido de socorro desses indivíduos que são marginalizados pela vaidade filosófica de fazer valer apenas a palavra humana, de achar que somos melhores, que somos o inicio, o meio, o fim, quando somos apenas vítimas de nós mesmos. Talvez o maior erro filosófico até hoje seja seu antropocentrismo exarcebado, sua visão de que apenas o indivíduo humano mereça os cuidados da ética e da moralidade, e vemos até hoje que a Filosofia se debate na questão ética, sem achar solução para os conflitos que se avolumam pelo Mundo, sejam as guerras ou a opressão dos indivíduos.

O certo é que, nenhuma ética vencerá esses impasses enquanto não levar em consideração a vida, como medida de todas as coisas, não importando a forma que ela tome diante de nossos olhos.

O certo hoje é que o Filosofo não vê que suas palavras, cheias de argumentos e razões libertárias esbarram no preconceito antropocêntrico delas mesmas ao afirmar que, libertando uma vítima humana, que também oprimi muitas das vezes, essa opressão irá cessar, como se não estivéssemos ligados a mais nada, a não ser a outros seres humanos. Somos fios de uma só teia e se um dos fios se parte, toda a teia corre o risco de desaparecer.

Enquanto não conseguirmos enxergar com clareza quem são realmente os “Outros” aos quais nos referimos nas teorias filosóficas, a quem devemos estender nossa alteridade, e quem são realmente as “vítimas”, todos seremos opressores e todos seremos oprimidos.Não é mais possível separar classes para lutar pela vida, pois a Natureza é única e é ela quem dita as regras, não os Filósofos. Se antes o homem era o “tudo”, hoje não precisamos filosofar para saber que a Vida é o principio primordial, a essência universal do que somos e do que seremos.

É impossível conceber que a morte solitária de um boi no abatedouro, o bife no prato do filósofo e a fome dos excluídos não tenha qualquer relação entre si. Mas ao defender algumas vítimas, pois o filosofo antropocêntrico não defende todas e sim somente as que elege, ele cria erroneamente essa separação, como se nossas vidas não estivessem ligadas a nada a não ser a outras vidas humanas, e é perfeitamente sabido que na teia da vida a humanidade é apenas mais um fio que forma o todo, que é formado por outros fios que não devem ser desconsiderados, criando a possibilidade da teia se enfraquecer ou pior, destruir-se com a mais leve brisa.Na teia da vida, cada fio tem sua função total e igualitária.

É preciso uma nova filosofia de Libertação Ética, mas de libertação da vida igual e totalitária, pois o oprimido que o filósofo defende também é opressor, e sendo assim, cria-se um circulo de opressão imperceptível a olhos totalmente antropocêntricos que, se não mudado, jamais terá um fim, e continuaremos incessantemente buscando por uma ética que impeça holocaustos, que impeça a fome, que impeça a dor e os tormentos, enquanto de olhos fechados, sentamo-nos sobre uma pilha de corpos mutilados, torturados e famintos que provocamos todos os dias porque não conseguimos enxergar nos animais, seres que merecem nossa consideração na teia da vida.

Como não ser oprimido se eu igualmente oprimo usando da força e de um direito que me outorguei tal qual aquele que me oprime? Nota-se aqui que o pensamento do opressor é sempre o mesmo, seja a vítima quem for e que forma tiver. O filósofo defende a vítima, mas dá força ao opressor para que continue agindo.

É mais do que necessário uma Filosofia de Libertação Animal, nós como animais necessitamos nos libertar desse antropocentrismo tradicionalista e destruidor, que acoberta os olhos dos filósofos e os leva ao precipício da vida que eles dizem defender. Quando se defende a vida, não se pode escolher ou eleger privilégios. A causa de todos os problemas da modernidade estão ancorados exatamente nesse pensamento antropocêntrico que insiste em permanecer. O homem não pode ser a medida de todas as coisas, isso é eleger privilégios, a Vida em si, deve ser a medida de todas as coisas, pois ela é reguladora, é meio termo, é imparcial, está em tudo e permeia tudo, ela é o motivo da liberdade e o fim da opressão. Enquanto a Vida não for tida como elemento primordial, não haverá qualquer ética capaz de moralizar o caráter humano.

Não são apenas os oprimidos humanos que clamam por justiça, mas se tirarmos de todos os seres, as formas4, veremos a todos apenas como Vida, e todas as vidas clamam por justiça, somente filósofos que ainda não pensam livremente é que possuem ouvidos surdos e olhos cegos para não compreender que a base do Mundo é a vida e não os seres humanos, esse não lutam pelo fim da “Dor”5. A importância de cada ser está na sua existência, em sua participação na teia da Vida, é preciso ao filósofo, libertador e ético, que reconheça que até então, apesar de tudo o que aprendeu e buscou, ainda se encontra preso ao poder da sociedade que o rege, vendo o que ela o obriga a ver, falando o que ela o obriga a dizer e nada mais.

Se fôssemos tão importantes como nos imaginamos, não estaríamos atravessando tantos problemas de ordem climática como estamos. Se chegamos a esse ponto do caos ecológico de um sistema que era perfeito, de uma teia que era perfeita, é porque nossa filosofia preocupou-se apenas com a vida de determinados indivíduos renegando outros a marginalidade. Somos os causadores desse desequilíbrio e somos responsáveis pela opressão e pelos oprimidos. Quando a teia se desfizer, levará com ela aqueles que ignoramos, tanto quanto aqueles que idolatramos e elegemos como nosso objeto de defesa, porque não conseguimos aceitar que a teia da vida era feita de cada ser composto de matéria e forma, de cada ação que a tornava mais firme. A decisão agora é simplesmente: aprender filosofia ou aprender a filosofar, e filosofar é amar, é desprender-se dos preconceitos arraigados no ser, somente assim poder-se-á criar uma ética capaz de evitar a opressão, de evitar as mortes e as injustiças, libertando-se a vítima, elimina-se para sempre o opressor, essa sim, a Filosofia da Vida.





Referências Bibliográficas

PANSARELLI, Prof. Mestre Daniel – Algumas questões filosóficas contemporâneas – Dussel , a Filosofia da Libertação e o Eurocentrismo- Palestra proferida em 11/10/2008 .
DUSSEL, Enrique – Filosofia da Libertação e Ética da Libertação
ARISTÓTELES – Os Pensadores- Abril Cultural






Notas
1 Na descoberta do “outro”, o ser filosófico, até então metafísico, deixa essa ontologia para se tornar material, passa a existir, a ter um rosto, ou seja se completa em si e em nós mesmos.
2 Quando passamos a compreender o outro ser, nos colocando no lugar dele, nos completando através dele, quando a sua visão, passa a ser a nossa, como se enxergássemos pelos olhos dele.
3 Livro- A filosofia dusseliana da libertação e sua ética.
4 Aristóteles dizia que dentre tudo o que éramos, em essência, em substância, éramos todos matéria e forma. Vamos filosofar, pois nos é permitido pensar livremente. Somos todos seres integrantes do Planeta, alguns moldados na Forma Humana outros na Forma Animal e somos todos matéria, ossos, sangue, pele, órgãos.E como dizia grande filósofo, só se pode separar forma e matéria no pensamento, então, se tirássemos a Forma de todos os seres e deixássemos somente a Matéria, coração, sangue, pele, veremos que a forma é algo irrelevante para separar quem deve viver e quem deve morrer.
5 Toda injustiça causa dor, independente do ser que venha a atingir.










Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Regras, Leis, Direitos

Beagles do Instituto Royal

Nas últimas semanas temos ouvido algumas pessoas falarem em regras, em leis, e direitos. O caso marcante do instituto Royal, com o uso de animais – não apenas Beagles- na experimentação tentou a todo custo deixar velado o que realmente é a experimentação animal.

A primeira vista, ao menos é o que garantiam os diretores do IR, eles andavam dentro das regras e seguiam as diretrizes da lei, portanto possuíam todo direito de utilizar os animais em suas pesquisas.

Muita gente, inclusive jornalistas, embarcaram nessa onda de “se está tudo dentro das regras e das leis eles tem mesmo direito”.

Será?

Regras e leis dão ao cidadão o Direito de dispor da vida de outro? Regras, leis e Direito isentam o outro de sofrer, só porque foram feitas para permitir que se disponha de seus corpos?

Lembremos que a guerra, que mata inocentes também possui suas regras, leis e direitos, e que a morte numa guerra, desde que dentro deste três conceitos, não é considerado assassinato.

A própria Convenção de Genebra estabelece regras, leis e direitos de como “matar” com menor sofrimento a fim de diminuir os tais efeitos colaterais, que seriam na verdade a morte de civis inocentes, entre eles mulheres, crianças e velhos. Ou seja, é também um conjunto de regras que visa diminuir, limitar, não banir, os efeitos de uma guerra. 



Imagem: Macacos para experimentação


Você pode atirar em seu inimigo, isto está dentro das regras de guerra, você pode prendê-lo, pode abater seus avião, mas não pode passar com um tanque de guerra por cima dele, nem privá-lo de alimento e água, nem torturá-lo, isso já seria, pelas regras, considerado um crime de guerra. Mas nós todos sabemos ocorre não apenas isso, mas estupros, torturas, assassinatos brutais e que ficam todos muito bem velados pelos governos envolvidos.


O caso mais recente de crime de guerra está sendo o caso dos EUA e seus Drones que, em busca de pacificar e exterminar o “terrorismo”, tem eliminado centenas de inocentes, espalhando seu terrorismo particular por onde sobrevoa.No entanto a Convenção de Genebra é clara ao dizer que:


Protecção da população civil

1 - A população civil e as pessoas civis gozam de uma protecção geral contra os perigos resultantes das operações militares. Com vista a tornar essa protecção eficaz, serão observadas em todas as circunstâncias as regras seguintes.

2 - Nem a população civil, enquanto tal, nem as pessoas civis deverão ser objecto de ataques. São proibidos os actos ou ameaças de violência cujo objectivo principal seja espalhar o terror na população civil.

3 - As pessoas civis gozam da protecção atribuída pelo presente título, salvo se participarem directamente nas hostilidades e enquanto durar tal participação.



Porém não é o que vimos nas guerras passadas, nem o que vemos nos atuais ataques com Drones.

Mas o que tem a ver crimes de guerra com o caso do IR?

Tudo.

Em diversos canais os diretores no IR vieram, assim como o EUA tem feito, alegar que todo o processo que ocorre está dentro das regras e obedecendo a leis que foram escritas, dando-lhes assim, todo o direito de fazer o que fazem.

Uma dúvida ainda nos atormenta: o que é feito dentro das regras, da lei permite mesmo o direito de dispor de outras vidas?

É óbvio que não;

Vamos primeiro analisar o caso de uma guerra.

Só se chega a uma guerra quando não se consegue fazer ouvir ou não se ouve o outro. Só se chega a uma guerra quando os interesses de um, se sobrepõe aos interesses do outro. 
Toda guerra mata mais inocentes do que “culpados”.

Como querer regular algo que tem por princípio a Morte?

Não seria cômico dizermos em alto e bom tom –pois tudo isso nos fica velado – que podemos matar o outro desde que seja dentro das regras?

Mas, e se esse outro for eu, meu filho, meu marido, minha esposa,como ficam as regras?

O simples fato de existirem regras, leis que dão o tal “direito” de matar já demonstra que elas existem porque há um imenso sofrimento que pode, talvez, ser limitado mas nunca eliminado.Ou seja, o sofrimento existe e se existe , por si só, já torna a guerra algo ilícito.

Se, e vamos pensar como aqueles que poderão morrer numa guerra, a guerra passar a ser um ato ilícito, pois mata e sabemos que não é possível controlar os atos de guerra, como podemos alegar que é um direito de guerra matar? Como pode ser um direito permitir alguém de praticar um crime?

Assim ocorre com o IR e com os jornalistas que embarcaram nessa onda do “direito ao crime”.

Como querer regular algo que tem por princípio a Morte? Esse é o fim das “cobaias”.

O IR pode seguir as tais regras que batem de frente com as leis de Crimes Ambientais, mas não poderá alegar que seu “trabalho” não gera um ato impiedoso para com os animais. Eles podem também alegar que os animais recebiam “carinho”, que comiam bem, que dormiam bem,mas tolos os que não leem nas entrelinhas e não compreendem que o IR não fazia isso pelos animais e sim em proveito próprio, pois cobaias doentes não servem para nada.

Não seria cômico dizermos em alto e bom tom –pois tudo isso também nos fica velado – que podemos forçar um animal a ingerir algum produto ou algum medicamento que poderá lhe fazer mal, mas o fazemos porque estamos dentro das regras? Não fica estranho dizermos que necessitamos gerar uma doença num animal saudável para analisarmos como a medicação irá agir sobre seu metabolismo, lembrando que, dependendo do processo o animal não poderá ser tratado nem tampouco anestesiado para que isso não influencie nos resultados.

Será que as regras, as leis ainda assim permitem que pensemos que temos o direito de gerar doenças, experimentar produtos/fármacos, abrirmos,congelarmos e descartarmos seres conscientes/sencientes?

Ou aprendemos a compreender os velhos discursos vivisseccionistas, ou vamos continuar a falar bobagens como muitos canais de televisão fizeram nos últimos dias, fruto de apenas um problema: pura falta do "Pensar". 



Simone Nardi 





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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

PROTEÇÃO ANIMAL, ECOLOGIA E ESPIRITISMO


Imagem: Homem Boi invertidos

Na qualidade de Protetora de Animais, Espírita e Vegana, sempre questiono o fato de Protetores Ambientais enfatizarem o discurso quanto à realidade dos animais em extinção e dos danos (às vezes irreversíveis) causados à Mãe Natureza com a poluição das águas e da atmosfera, enfim destruindo o próprio lar de todos nós chamado – Terra. Enquanto isso, porém, vão sendo extintos, nos matadouros, os animais considerados “não importantes para viver”. Assassinados de forma impiedosa e estarrecedora, abatidos e afogados no mar do próprio sangue animais puros, inocentes e doces são exterminados sem perdão para que humanos possam usufruir de fontes protéicas, plena e satisfatòriamente substituíveis por outras fontes quiçá mais nutritivas, saborosas e saudáveis.

Bebês de 4 patas são arrancados, aos berros, de suas mães enlouquecidas, para que não falte ao bicho-homem o precioso leite e a carne tenra do pequenino retalhado para consumo de humanos, solenemente indiferentes a este drama. Prática milenar, arbitrária e anti-cristã é esta, a de desconsiderarmos o direito de existência de seres mais fracos sob o descabido pretexto de mascaradas convicções nutricionais.O importante mandamento “não matarás”, certamente não os excluiu, quando decretado pelo Criador dos seres e das coisas. Particularmente, com referencia aos seguidores de nossa Amada Doutrina Espírita, meu DEUS, quantos equívocos! Entidades Beneficentes centenárias convocam para um rodízio de churrasco em benefício das criancinhas asiladas sob seu teto.

Na tribuna espírita, o palestrante emociona e leva às lágrimas os seus ouvintes com exortações à caridade, ao amor e à compaixão mas, logo após, locupleta-se em seu almoço caseiro com os despojos fumegantes e sangrentos de pedaços de seres que precisaríamos proteger, orientar e sobretudo amar, concorde estivéssemos com as convicções que nos caracterizam: criados à imagem e semelhança de nosso Pai para respeitar todas as vidas, todas!

Há bem poucos anos (cerca de 125), sob o beneplácito da legislação humana, submetíamos homens de pele negra ao martírio da escravidão, às mais abjetas condições de confinamento, tortura, selvageria e exploração do trabalho sob o pretexto de serem inferiores (!?). Bebês, único tesouro de suas mães escravas, eram arrancados violentamente de seus braços entre urros de lamentação e pranto, à vista de seus companheiros manietados, subjugados de horror e medo. Mulheres negras, jovens e bonitas eram violentadas por patrões sem escrúpulos porque consideradas propriedade, enquanto na casa Grande, o pároco benzia com água benta e sob o símbolo sagrado da Cruz, sua família tranquila e feliz.

Hoje escravizamos animais porque são animais. Achamos natural e lógico (porque sempre foi assim) a prática de desconsiderarmos a dor de um animal no matadouro, seu extremo pavor ante o cutelo e sua luta improfícua para salvar a própria vida, porque precisamos continuar o vício milenar de enterrar despojos na sepultura do próprio estomago, a despeito de existirem opções alimentares, nutritivas e saudáveis.

Principalmente nós, Espíritas Cristãos, já deveríamos ter despertado desta hipnose que nos remete aos primórdios da civilização, no tocante as primevas condições humanas, ou então, não discursássemos tão veementemente em favor da Vida, contra a Eutanásia, o Aborto e a Pena de Morte.

Um minuto de silencio para a necessária e urgente despoluição mental e posterior coerência de atitudes e propósitos, é imperioso, porque na dor somos todos iguais; e no medo e no amor, na sede, no frio e na fome – também! Mães dos animais sentem o mesmo carinho por seus filhos que nossas mães sentiram por nós, seus bebês. Roubamos o leite, o mel, a carne, a lã, as barbatanas, o marfim dos animais mas lá está, para ser vivido o “Não furtarás!” Esse território inviolável deveria ser sagrado, mais do que florestas, oceanos, lagos, rios e atmosfera – mas não o é. Seremos irracionais sempre que, sob qualquer pretexto, excluamos da vida seres que a ela tem direito – como nós. Seremos incoerentes quando enfatizamos a necessidade de sermos fraternos e bons, compactuando com o cutelo que nos propiciou as garfadas de restos que, um dia foram um ser, pleno de vida que lutou, até o fim, para respirar o mesmo ar, poluído ainda pelas misérias humanas, do Planeta Terra.

Mais difícil do que despoluir ambientes contaminados é higienizar mentes arraigadas aos hábitos arcaicos e prejudiciais. Desintoxicar estômagos empaturrados do que não deveria estar ali é mais trabalhoso do que apagar incêndios florestais ou descontaminar afluentes de rios. Enquanto o lixo estiver em nós, estará fora de nós também. A natureza é o reflexo do que temos sido ou não e, enquanto não soubermos administrar respeito e proteção à vida de todos, o caos em nós será o caos do planeta.

Muita Paz.



Sandra.                                   

A VIDA É VALOR ABSOLUTO...



Demais links/continuação



http://irmaosanimais-conscienciahumana.blogspot.com.br/2013/10/vegetarianismo-e-espiritismodiscussao.html








Cartas/Emails que foram enviados aos oradores
 

Vegetarianismo e Espiritismo:Carta sobre " A Carne": pt 1


Vegetarianismo e Espiritismo:Carta sobre " A Carne".pt 2


Protetores de Animais - Carta enviada à José Carlos De Lucca


Protetores de animais- Carta enviada à Rádio





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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Linguiça Calabresa

Os Porcos


Porcos
        Porca com os seus porquinhos.
Porcos
    Corte dos dentes dos porquinhos.
Porcos
    Porcos amontoados numa suinicultura.
Porcos
   Corpos de leitões .

Os porcos são animais altamente inteligentes e sociais mas, na indústria da suinicultura, são tratados como se não passassem de recursos inanimados que urge explorar ao máximo e no mínimo espaço de tempo. De acordo com estudos científicos, os porcos são mais inteligentes do que os cães ou do que crianças com 3 anos de idade.


As porcas criadeiras dão à luz mais de 20 porquinhos todos os anos. Os porquinhos são amamentados durante duas ou três semanas, e depois são retirados à mãe. Após passar pela dor de perder os filhos, a mãe porca é imediatamente forçada a acasalar novamente com o porco reprodutor, pois há que manter a produtividade no máximo.


É prática generalizada os porquinhos serem cruelmente mutilados sem anestesia logo depois de nascerem. As caudas são amputadas e os dentes são cortados para minimizar os estragos que os porcos possam fazer uns aos outros. Além disso, os porcos machos destinados ao consumo são castrados, quase sempre sem recurso de nenhum tipo de anestesia.


Dentro das suiniculturas, é comum o ar estar poluído com poeira e gases irritantes resultantes das fezes dos animais. A fraca qualidade do ar, aliada à superlotação e a condições pouco higiênicas, fazem das suiniculturas locais ideais para a proliferação de diversas doenças. É muito comum os porcos sofrerem de pneumonia e outras doenças, bem como apresentarem diversos ferimentos físicos. Para minimizar os riscos de doenças, são-lhes administrados rotineiramente antibióticos.


Contrariamente à fama que têm, os porcos são animais muito asseados. Eles gostam de rolar na lama sobretudo para se refrescarem nos dias mais quentes. Se tiverem espaço, os porcos nunca fazem as necessidades junto do local onde comem ou dormem. No entanto, nas explorações pecuárias, são obrigados a viver permanentemente em cima das próprias fezes e da própria urina.


Os leitões, cuja carne é muito apreciada, são porquinhos que são cruelmente abatidos quando ainda são bebes. Estes porquinhos são mortos imediatamente após o desmame ou apenas alguns dias depois. A maioria dos leitões não chega a viver um mês.
 

Mas os outros porcos não vivem muito mais tempo. Nas suiniculturas, os porcos criados para alimentação não costumam passar dos 4 meses, altura em que atingem cerca de 100 quilogramas de peso. Graças às rações de engorda que lhes são dadas e ao confinamento em que são mantidos, os porcos ficam prontos para abate quando estão naquilo que seria a sua infância.


Quando chega a altura do abate, a viagem é mais um momento de profundo stress e sofrimento. Os porcos são amontoados em caminhões para serem levados para o matadouro, mas muitos não resistem à dureza da viagem. No matadouro, é suposto os porcos serem atordoados antes de serem degolados. No entanto, o atordoamento nem sempre funciona bem e alguns porcos ainda estão completamente conscientes enquanto são içados pelas patas traseiras, degolados e se esvaem em sangue.


Seja qual for o tipo de exploração (convencional, de “carne do campo” ou de “carne biológica”), as vidas dos porcos são abrupta e violentamente interrompidas depois de uma curta existência. Na natureza, os porcos poderiam viver até aos 15 anos de idade. 


Consumir produtos de origem animal é consumir violência, seja qual for o rótulo simpático e alegre com que a embalagem é disfarçada. Está nas mãos de cada um de nós não compactuar com esta exploração e morte. Desligue-se da exploração e violentação dos outros animais, abrace o veganismo!


Esta é a realidade que nos recusamos a encarar. A indústria alimentar é responsável por 99% de toda a exploração, sofrimento e morte que causamos aos outros animaisAjudar este animais está nas mãos de cada um de nós, aqui e agora. Abrace o veganismo e faz a diferença!




O que vc vê assim

  



 na verdade é assim    


Redação do BLOG