quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O Trabalho de Assistência Espiritual de Animais

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Em nossa página Tratamento Espiritual de Animais trazemos este artigo abaixo, estamos recolocando aqui apenas para reforçar o que é preciso para  iniciar esse trabalho em mais Casas Espiritas e abrir espaço para uma nova discussão sobre o assunto.Traremos depois deste mais 4 artigos referentes ao tema ainda inéditos no Blog e acreditamos, em toda a internet.

 

Tratamento e assistência espiritual aos animais e tutores


O mundo está mudando e é preciso aceitar as novas mudanças. Há poucos anos atrás seria algo inimaginável falar-se no atendimento espiritual aos irmãos animais dentro de qualquer religião, tal como seria polêmico falar sobre vegetarianismo também.

No entanto, está se comprovando essa nova visão holística do mundo através dos trabalhos que algumas casas estão desenvolvendo. No Final do texto colocamos a lista de algumas casas que conhecemos.

Não é fácil implantar um trabalho desses numa Casa Espírita ou em qualquer outra religião devido ao preconceito que grande parte nutri em relação aos animais. Fomos ensinados desde tenra idade que eles são inferiores, a má compreensão da Bíblia nos deixou como herança que Deus nos havia fornecido os animais para nosso uso, e não para compartilhar conosco esse caminho evolutivo. Temos enraizada em nossa mente que todo animal deve ter um propósito de utilidade para os seres humanos, quando o único propósito de cada ser é com ele mesmo e com sua evolução.

Enxergar Deus nos animais nos faz compreender isso.

Plantando uma semente


Toda nova ideia sofre resistência, seja em qualquer religião, seja em qualquer sistema onde seres humanos estejam reunidos. É preciso perseverança para fazê-la brotar, para fazê-la crescer e para fazê-la frutificar.

Resistência sempre haverá, porque o medo de transformar-se faz com que as pessoas resistam e fujam das novas ideias. A barreira da existência da alma dos animais foi quebrada, como um dia foi quebrada a barreira da existência da alma dos negros, dos índios e das mulheres, não há superior e não há inferior e só iremos acordar para isso quando passarmos a compreender nossa relação com o mundo.

Plantar esta semente é obrigação de cada um de nós, o que não podemos é jogar para o Futuro, uma mudança que deve começar pelas nossas mãos.

O futuro começa hoje


Pessoas afins sempre se encontram, assim como se encontram pessoas com coragem. Seja você o Futuro. Inicie um grupo de estudos sobre a espiritualidade dos animais, mas não persevere somente neste caminho, conheça a alma, mas não a separe da matéria, lembre-se que Espiritismo é Filosofia, Ciência e Religião. Por isso além da alma dos animais é preciso questionar-se para conhecer a vida no plano físico destes irmãos, somente esse conhecimento é que poderá mudar nosso futuro.

Reúnam-se uma vez por semana, leiam, discutam, iniciem um estudo sério sobre estes irmãos tão esquecidos e que estão dentro da caridade Divina. O mundo não vai mudar sozinho, seremos sempre um mundo de expiação e provas enquanto apontarmos para o futuro, aguardando que “alguém” transforme a Terra sem nosso esforço pessoal.

Iniciando os estudos


Alma Animal

A maioria de nossos conhecimentos provêm dos livros, se ontem dizíamos que não “sabíamos”, hoje é impossível dizer tal coisa, podemos apenas alegar que não “desejamos saber”, nada além disso.

É preciso conhecer para poder ensinar.

O trabalho de assistência com animais nos leva a um estudo sério e sistemático de todas as obras espíritas disponíveis, sobretudo do Pentateuco. As duvidas deverão ser sanadas e creiam, muitas pessoas trarão dúvidas para os estudos e posteriormente para os trabalhos.

Algumas dúvidas que irão surgir pelo caminho serão:


  •      O que é espírito?
  •      O que é alma?
  •      Os animais têm espírito?
  •      Os animais são alma-grupo?
  •      Os animais são seres inteligentes?
  •      Inteligência é atributo do espírito?
  •      Instinto é uma espécie de inteligência?
  •     Os animais reencarnam e evoluem?
  •     Os animais despertam da consciência?
  •     Os animais possuem pensamento fragmentário?
  •     Os animais podem receber passes, magnetização e irradiação?
  •     Existem Chakras nos animais?
  •      Entre muitas outras


Livros que podem e devem ser lidos – Religião


Ø  O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
Ø  O Livro dos Médiuns - Allan Kardec
Ø  Gêneses - Allan Kardec
Ø  Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
Ø  Caminho da Luz- Emanuel
Ø  Alvorada do Reino - Emanuel
Ø  Os animais tem alma? - Ernesto Bozzano
Ø  Evolução Anímica - Gabriel Delanne
Ø  Evolução em dois Mundos - André Luiz
Ø  No mundo Maior – André Luiz
Ø  Os Mensageiros – André Luiz
Ø  Mecanismos da Mediunidade – André Luiz
Ø  Apelo em favor dos animais - Caibar Schutel
Ø  A Gênese da Alma – Cairbar Schutel
Ø  Passes e magnetização- Herculano Pires
Ø  Fisiologia da Alma – Ramatis
Ø  Tudo o que vive é teu próximo- Ramatis
Ø  Origem e Evolução dos seres – Galileu Galilei
Ø  Filhos de Gautama- Augusto Drumond
Ø  Fenômenos espíritas no mundo Animal – Carlos Bernardo Loureiro
Ø  Animais Nossos irmãos – Eurípedes Kruhl
Ø  Livros do Dr. Marcel Benedeti
§  Todos os Animais Merecem o Céu
§  Os Animais conforme o espiritismo
§  A espiritualidade dos animais
§  Todos os Animais são nossos irmãos
Ø  Irvênia Prada
§  A Alma dos Animais
§  A questão espiritual dos animais


Livros de que devem ser lidos - Filosofia*


  •       Libertação Animal- Peter Singer
  •       Vida ética – Peter Singer
  •       A ética da alimentação – Peter Singer
  •       Ética Pratica- Peter Singer
  •       Jaulas Vazias – Tom Regam
  •       Quando os Elefantes choram- Jeffrey Moussaief
  •       Visão Abolicionista: Ética e Direitos Animais; Antologia ANDA   

Por que colocamos que tais livros "devem ser lidos"?

Pelo simples fato de que, se lermos apenas um único tipo de livro, estaremos deixando de lado  um grande cabedal de conhecimento que pode vir a reforçar nossos conhecimentos no tema Animais,e também pelo fato  de que nem todos os livros  que citamos no tema Religião explicam detalhadamente toda a evolução pela qual já passamos desde que Kardec codificou o espiritismo. Presos apenas a religião deixaremos de ver e compreender muitos outros fatos e conhecimentos que tanto a Filosofia quanto a ciência nos trazem.

Livros que podem e devem ser lidos: Ciência



·         A Evolução das espécies- Charles Darwin
·         A expressão das emoções no homem e nos animais – Charles Darwin 
·         A Evolução Criativa das espécies – Amit Goswani
·         A Leoa Vegetariana –George H. Westbeau
·         A Verdadeira face da experimentação animal –Sérgio Greif e Thales Trez


Atingido o objetivo inicia da própria conscientização, deve-se então decidir pela implantação ou não dos trabalhos, lembrando que este, tal como qualquer outro trabalho, vem acrescido de grande responsabilidade junto ao plano espiritual, mas vencida as dúvidas e os preconceitos, estará a Casa pronta para a implantação.


Simone Nardi



Fale Conosco  

Qualquer dúvida escreva um email para  Fale Conosco  

Além dos contatos de cada Casa  em nossa Página, disponibilizamos, baseados na reposta de cada Centro se eles são vegetarianos ou não; fica a critério de cada leitor questionar as Casas posteriormente.





Email que enviamos às Casas (sugestão para que os leitores enviem também)


Bom dia amigos, temos um Blog irmãos Animais - Consciência Humana ( http://irmaosanimais-conscienciahumana.blogspot.com.br/)sobre a espiritualidade de animais, que tem recebido muitas visitas e disponibilizamos nele os endereços e os contatos das casas que realizam o tratamento espiritual  de animais.
Para deixarmos mais claro aos nossos leitores, decidimos colocar  além dos dados da Casa, um comunicado alertando se os trabalhadores envolvidos, bem como a Casa em si ,já se tornou vegetariana/vegana.
Estamos enviando esse email a todas as Casas a partir dessa semana(Janeiro 2014), já que  houve inúmeros problemas com Casas que pregavam o vegetarianismo aos tutores enquanto os trabalhadores se alimentavam de carne e a Casa realizava eventos a base de animais.
Queremos deixar ao público o trabalho de modo mais cristalino possível, para que tais problemas não ocorram novamente.
A (nome da Instituição) tanto os trabalhadores quanto a casa em si, já tomaram conhecimento da necessidade do vegetarianismo a partir da abertura dos trabalhos com animais?(já são vegetarianos, incluindo os eventos de arrecadação de fundos financeiros?)
A opção que colocaremos no site é * são todos vegetarianos
                                                        * nem todos são vegetarianos
                                                        * absteve-se da resposta
                                                  
gratos pela atenção






Parte 2

Assistência Espiritual de Animais: Cuidado com as palestras

Video



Artigo da Associação Medico Espírita

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"

   

 

 


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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O ESPÍRITO DOS ANIMAIS: Umbanda

Olá irmãos



Que a paz de Oxalá esteja com todos




 As voltas nos deparamos com uma pergunta: "Animais tem espíritos ?"


Na literatura espírita, encontramos com bastante freqüência alusões a figuras de animais no plano espiritual. Por exemplo, Hermínio C. Miranda, em Diálogo com as Sombras, descreve o "dirigente das trevas" como sendo visto quase sempre montado em animais. Brota imediatamente em nossa mente a pergunta: Qual a natureza desses animais?


Também André Luiz refere-se, em suas obras, a cães puxando espécies de "trenós" (livro Nosso Lar), aves de monstruosa configuração (Obreiros da Vida Eterna), e assim por diante.



Realmente, identificar a natureza dessas figuras de animais no plano espiritual não é tarefa fácil. Alguns casos são de mais direto entendimento.



Assim, em A Gênese lê-se que "o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos dos quais tem o hábito de se servir; um avaro manejará o ouro..., um trabalhador o seu arado e seus bois... "



Esses bois, portanto, não são animais propriamente ditos, mas, criações fluídicas, formas-pensamento.



Em outras situações, em que são vistos animais ou sentido a sua presença, existe também a possibilidade de que sejam, mesmo, perispíritos de animais ou, se quisermos assim dizer, animais desencarnados.



Digo animais desencarnados mas, haveria ainda a hipótese de serem também animais encarnados, em "desdobramento" (viagem astral), estando então seu espírito e perispírito desprendidos do corpo físico, por exemplo, durante o sono. Mas, o espírito Alvaro esclareceu-nos, dentre muitas outras questões, que "os animais quando encarnados possuem raros desprendimentos espirituais, isso acontecendo apenas em casos de doenças, fase terminal da existência ou em casos excepcionais com a atuação dos espíritos, pois geralmente permanecem fortemente ligados à matéria". Esta possibilidade de explicação da presença de animais no plano espiritual, de modo particular os animais desencarnados, me parece lógica e portanto, aceitável.



O nosso prezado confrade Divaldo Pereira Franco contou-me, certa feita, que há alguns anos, esteve em determinada cidade brasileira, para uma conferência e, ao ser recebido na casa que iria hospedá-lo, assustou-se com um cachorro grande, que lhe pulou no peito. A anfitriã percebeu-lhe a reação:



- O que foi, Divaldo?



Foi o cachorro, mas está tudo bem!



Que cachorro, Divaldo, aqui não tem cachorro nenhum!



- Tem sim, esse pastor aí!



- Divaldo, eu tive um cão da raça pastor alemão, mas ele morreu há um ano e meio!



E Divaldo concluiu: - era um cão espiritual!



Segundo o meu entendimento, é possível e até muito provável que esse cão desencarnado ainda estivesse por ali, no ambiente doméstico que o acolheu por muitos anos, tendo sua presença sido detectada pela mediunidade de Divaldo Franco.



Não posso deixar de referir, novamente, a obra magnífica Os Animais tem Alma?, de Ernesto Bozzano, que recomendo para leitura e aprendizado sobre o assunto, porque dos 130 casos descritos, de manifestações metapsíquicas envolvendo animais, muitos estão inseridos nesta categoria de fenômenos, ou seja, em que animais, pela atuação de seu perispírito são vistos e ouvidos ou sentido sua presença.



Herculano Pires também comenta a respeito de "casos impressionantes de materialização de animais, em sessões experimentais", em seu livro Mediunidade. Vida e Comunicação, do que se presume que esses animais se encontravam previamente na dimensão espiritual.



Uma terceira possibilidade que vejo, em relação à presença de figuras animais no plano espiritual é a de perispíritos humanos se encontrarem metamorfoseados em formas animais, sem contudo, perderem a sua condição de espíritos humanos, é claro! E o fenômeno que se conhece com o nome de zoantropia (zôo = animal e antropos, do grego = homen), do qual uma variedade é a licantropia (tycos, do grego = lobo).



Temos o relato de um caso de licantropia no livro Libertação, de André Luiz. O obsessor, desencarnado, encontra a sua "vítima", uma mulher, e conhecendo-lhe a fragilidade sustentada por um complexo de culpa, passa a acusá-la cruelmente, e conclui " - A sentença está lavrada por si mesma! Não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba... ". E assim, induzida hipnoticamente, sua própria mente vai comandando a metamorfose de seu perispírito que, aos poucos e gradativamente se modifica, assumindo por fim, a figura de uma loba. Diga-se de passagem, não foi o obsessor que diretamente transformou a sua figura humana, em loba. Foi ela mesma, ao aceitar a sugestão mental que partiu dele.



Afinidade e sintonia são o elementos básicos para o estabelecimento do "pensamento de aceitação ou adesão", conforme explica André Luiz em Mecanismos da Mediunidade.



E por falar em perispírito de animais, em A Evolução Anímica, Gabriel Delanne comenta (resumidamente), que na formação da criatura vivente, a vida não fornece como contingente senão a matéria irritável do protoplasma e nada se lhe encontra que indique o nascimento de um ser ou outro, de vez que a sua composição é sempre uma e única para todos. É o perispírito, que contém o desenho prévio e que conduzirá o novo organismo ao lugar na escala morfológica, segundo o grau de sua evolução.



Muito mais do que supomos, os animais são assistidos em seu desencarne por espíritos zoófilos que os recebem no plano espiritual e cuidam deles.



Notícias pela Folha Espírita (dez. 1992) nos dão conta de que Konrad Lorenz - zoólogo e sociólogo austríaco, nascido em 1903 -, o pai da Etologia (ciência do comportamento animal, que enfoca também aspectos do comportamento humano a ele eventualmente vinculados) continua trabalhando, no plano espiritual, recebendo com carinho e atenção, animais desencarnados.



Também temos informações que nos foram transmitidas, pelo espírito Álvaro, de que há vários tipos de atendimento para os animais desencarnados, dependendo da situação, especialmente para os casos de morte brusca ou violenta, possibilitando melhor recuperação de seu perispírito. Existem ainda instalações e construções adequadas para o atendimento das diferentes necessidades, onde os animais são tratados.



Tendo sido perguntado se os animais têm "anjo da guarda", Álvaro respondeu que sim; alguns espíritos cuidam de grupos de animais e, à medida que eles vão evoluindo, o atendimento vai tendendo à individualização.



Concluindo, podemos dizer que para os animais é discutível se existe o estado errante ou de erraticidade. Eu, particularmente, estou propensa a aceitar que esse estado existe, sim, para os animais, se o entendermos como "o estado dos espíritos durante os intervalos das encarnações".



Se esses intervalos são curtos ou longos, não se sabe exatamente. Penso que existem situações das mais variadas possíveis, face à grandeza da biodiversidade animal, devendo, portanto, acontecer tanto reencarnes imediatos, quanto mais ou menos tardios.



Por outro lado, existe ainda, a consideração feita de que o espírito errante pensa e age por sua livre vontade, além de ter consciência de si mesmo, o que não aconteceria em relação aos animais.



Mas, isso não aconteceria até mesmo com espíritos humanos em determinadas e graves condições de alienação mental, como é o caso dos "ovóides", a exemplo do que refere André Luiz, no livro Libertação.



A rigor, nesta abordagem, teríamos que condicionar o conceito de erraticidade, não apenas ao fato do espírito (humano ou animal) estar desencarnado - vivenciando, portanto, o intervalo entre duas encarnações - como também às suas condições mentais do momento.



Quanto ao reencarne dos animais, perguntou-se ao espírito Álvaro se os animais estabelecem laços duradouros entre si." - Sim, existe uma atração entre os animais, tanto naqueles que formam grupos como naqueles que reencarnam domesticados. Procuramos colocar juntos espíritos que já conviveram, o que 
facilita o aparecimento e a elaboração de sentimentos".



E qual é a finalidade da reencarnação para os animais? Conforme os espíritos da codificação, a finalidade é sempre a da oportunidade de progresso.



Extraído do livro: A questão espiritual dos animais 



Que Oxalá nos abençoe sempre

Saravá .'.








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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

VEGETARIANISMO E ESPIRITISMO - UM DIÁLOGO POSSÍVEL E NECESSÁRIO


Por Claudia Gelernter


Em se tratando de saberes e ações humanas, não existe assunto que não possa (e não deva) ser analisado sob o enfoque Espírita, uma vez que se trata de Doutrina fundamentalmente filosófica, reflexiva, profunda, evolutiva e universal.


 Como comenta o Dr. André Luiz Peixinho (FEEB), se compararmos o mundo com um colar de contas, considerando que cada uma de suas peças representa os saberes humanos (Medicina, Psicologia, História, Filosofia, Arte, etc.), entenderemos que o Espiritismo não se enquadra na posição de mais uma destas contas, mas sim como o cordão que as transpassa, devendo ser considerado, portanto, ferramenta essencial para a análise de todos os fenômenos por nós produzidos, sejam eles de ordem individual, social ou ambiental.

 Sendo como é [e a partir dos pressupostos que nele se encerram], o Espiritismo nos convoca a um pensamento racional, voltado à busca de respostas congruentes, de acordo com o tempo histórico que vivemos e em comunhão com as ciências e padrões ético-morais genuinamente cristãos.

 Diante deste ponto fundamental, sentimo-nos impulsionados a discutir, embora que de forma ainda superficial, a questão do vegetarianismo como opção alimentar, e - mais que isso – como uma ‘filosofia de vida’.


O VEGETARIANISMO DISCUTIDO EM O LIVRO DOS ESPÍRITOS

 O Espiritismo nasce para o mundo em abril de 1857, através de um livro contendo perguntas e respostas, intitulado “O Livro dos Espíritos”. Nele, encontramos diversas questões, referentes aos mais variados assuntos, respondidas pelos Espíritos Superiores assim como por Allan Kardec que, de forma brilhante, enriquece a obra com seus apontamentos lúcidos, coerentes.

 Considerando a alimentação um tema relevante, Kardec propõe a seguinte pergunta aos Espíritos:
 723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?

 E os Espíritos respondem:
“Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização.”

Se analisarmos esta questão em separado de outras que se seguem e que serão destacadas mais adiante, entenderemos que é lícito – necessário, até - que o homem se alimente da carne animal a fim de conseguir as energias necessárias para a execução de seu trabalho no mundo.

 Entretanto, como toda a obra Espírita genuína, não devemos e nem podemos prescindir do caráter evolutivo dela mesma. Disse Kardec que o Espiritismo deveria ser revisto e ajustado aos conhecimentos trazidos pela ciência humana, devendo caminhar de mãos dadas com ela, desde que seus axiomas [do Espiritismo] não fossem feridos.

 E, quais são estes axiomas?

 São, basicamente: o amor como caminho; a evolução como meta; a razão como bússola e a reencarnação como instrumento pedagógico.

 Pois bem, em se tratando de questões alimentares, sabemos que a ciência da nutrição é bastante recente na história humana. Só em 1902 surgiu o Curso de nível Universitário na formação de dietistas – os precursores da nutrição - e é somente em 1946 que a Organização Mundial da Saúde (OMS), com sede em Genebra, inicia a divulgação e execução de programas específicos ligados à produção e estudos sobre alimentos, marcando o aperfeiçoamento profissional da nutrição.

 Portanto, não se trata de ciência existente na época de Kardec. Sendo assim, seria impossível aos homens encarnados naquele tempo o acesso aos conhecimentos nutricionais necessários a fim de desvendarem as propriedades dos alimentos disponíveis na natureza.

 Só muito recentemente esta ciência demonstrou que encontramos no reino vegetal todos os nutrientes necessários para a promoção e manutenção de nossa saúde, sendo desnecessário a uso de produtos de origem animal em nossa dieta cotidiana.

 Portanto, entendemos que seria leviano da parte dos Espíritos da codificação, afirmarem que o Espiritismo condena o consumo de carne, pois as informações sobre as alternativas nutricionais eram quase inexistentes naquele tempo.

 Entretanto, isso não se aplica nos dias de hoje.

 Além deste fator, devemos levar em conta o nascimento de outras ciências que, assim como a nutrição, surgiram posteriormente à formação do Espiritismo e que dizem respeito ao meio ambiente.

 Cabe-nos, então, seguir adiante no próprio Livro dos Espíritos, agora na questão 724 proposta por Kardec:

 724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação?
“Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa.”

Diversos estudos sobre questões ambientais têm apresentado evidencias robustas de que o consumo de carne animal acaba por gerar problemas de ordem ambiental, além de complicações físicas para o consumidor.
 Em pesquisa realizada pela nutricionista Aline Martins de Carvalho, da FSP (Faculdade de Saúde Pública da USP), descobriu-se que “o consumo excessivo de carne foi verificado em grande parte da população pesquisada, com aumento significativo ao longo dos anos, relacionado com pior qualidade da dieta em homens e considerável impacto ambiental”. Concluiu ainda, que “as carnes vermelhas e processadas têm sido relacionadas com aumento do risco de câncer de cólon e reto, doenças cardiovasculares, diabetes e ganho de peso” (p. 01, 2012). Tal dissertação resultou no artigo científico “Excessive meat consumption in Brazil: diet quality and environmental impacts”, publicado na revista científica inglesa Public Health Nutrition.



 O IMPACTO AMBIENTAL E O CONSUMO DE CARNE


 Apontados como grandes vilões do aquecimento global, a pecuária e o consumo de carne estão sendo cada vez mais debatidos por biólogos, ambientalistas, vegetarianos, além de diversos movimentos sociais.


 Em entrevista cedida ao Instituto Humanitas, o biólogo Sérgio Greiff explica que “A carne é responsável por grande impacto ambiental. Áreas naturais (florestas, matas, cerrados, campinas etc.) precisam ser devastadas para a abertura de pastos. Muitas pessoas associam a devastação nas florestas tropicais ao corte de madeira. Na verdade, a contribuição das madeireiras para essa devastação nem se compara à devastação causada pela pecuária, pois as madeireiras selecionam apenas as árvores que interessam para o corte. Já o pecuarista precisa se livrar das árvores indiscriminadamente”.


Diante destas evidências, a resposta oferecida pelos Espíritos na questão 724 de O Livro dos Espíritos coloca-nos em cheque, uma vez que deixa claro que a privação da carne em prol do coletivo é relevante, meritória.


 Levando-se em conta que nos tempos de Kardec os conhecimentos sobre nutrição eram totalmente restritos, privar-se de carne consistia, portanto, em ação grandiosa, altamente altruísta. Porém, nos dias de hoje, com todos os recursos de que dispomos, entendemos que tal ação sai do âmbito da ampla generosidade para tornar-se um dever.


 Além disso, realizando pequeno exercício filosófico, devemos alinhar nossos saberes com a questão de amarmos Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. [ensinamento fundamental proposto pelo Cristo como sendo o resumo da Lei e dos Profetas].


 Como amar a Deus se confinamos, privamos e matamos suas criaturas pelo prazer efêmero de nosso paladar, ocasionando tantos transtornos à nossa volta?



 VEGETARIANISMO E ESPIRITISMO - UM DIÁLOGO NECESSÁRIO

 Outra munição frequentemente utilizada pelos Espíritas ainda defensores do carnivorismo apoia-se no fato de que o médium brasileiro Francisco Cândido Xavier consumia carne, enquanto encarnado.

 Construindo suas idéias em premissas infundadas, afirmam: “Chico Xavier era carnívoro e Hitler era vegetariano, então...”

Com relação a esta situação, temos alguns pontos a considerar.

 Primeiramente, necessário compreender que Hitler não se tornou vegetariano por questões morais, mas sim por conta de um problema de saúde, na área gástrica, segundo seus biógrafos. Conta-se, ainda que ele “roubava” carne da cozinha, costumeiramente, o que denota seu conflito nesta questão.


 Quanto ao médium, faz-se necessário separar a obra ditada pelos Espíritos de suas ações, pois temos, ao longo de seus escritos mediúnicos, inúmeros apontamentos em defesa do vegetarianismo.

 Vejamos:

 O Espírito Irmão X, em seu texto intitulado “Preparação para a Morte”, buscando cooperar com os irmãos que logo mais atravessarão os portões do além túmulo, inicia dizendo sobre a necessidade primordial de nos abstermos do consumo de produtos de origem animal a fim de facilitarmos nosso ingresso no Plano Espiritual. Recomendou-nos ele:


“Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia.
 Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais.
 O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição.
 O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.”


No livro Missionários da Luz, capítulo 4, o Espírito André Luiz, descreve o ambiente de um matadouro aos leitores, dizendo estar junto de Alexandre, um benevolente instrutor, que o faz compreender a questão do vampirismo espiritual, naquele caso resultante das ações criminosas dos homens junto aos animais. Comenta o instrutor de André que no futuro da humanidade o estábulo será tão sagrado quanto um lar terrestre.

 Entretanto, comenta que na atualidade, infelizmente “Os seres inferiores e necessitados do Planeta não nos encaram como superiores generosos e inteligentes, mas como verdugos cruéis”.

Oras, nem poderia ser de outra forma, dada a maneira como tratamos estes seres.

 Alexandre continua seus ensinamentos, afirmando que nossos irmãos animais “aceitam o cutelo no matadouro, quase sempre com lágrimas de aflição, incapazes de discernir com o raciocínio embrionário onde começa a nossa perversidade e onde termina a nossa compreensão”.

E, colocando-nos de frente com a questão paradoxal que nos envolve a existência, comenta:

“Se não protegemos nem educamos aqueles que o Pai nos confiou, como germens frágeis de racionalidade nos pesados vasos do instinto; se abusarmos largamente de sua incapacidade de defesa e conservação, como exigir o amparo de superiores benevolentes e sábios, cujas instruções mais simples são para nós difíceis de suportar, pela nossa lastimável condição de infratores da lei de auxílios mútuos?”

Neste ponto nevrálgico, relembramos a Oração Pela Paz, atribuída ao querido Francisco de Assis, que nos convoca a sermos instrumentos de paz, de amor.

 Parece-nos impossível conseguirmos apoio do mais alto se nos posicionamos nas esferas mais baixas da vida.

 E, colocando-nos a par sobre nosso papel diante desta urgente questão, afirmou que “(...) na qualidade de filhos endividados para com Deus e a Natureza, devemos prosseguir no trabalho educativo, acordando os companheiros encarnados, mais experientes e esclarecidos, para a nova era em que os homens cultivarão o solo da Terra por amor e utilizar-se-ão dos animais, com espírito de respeito, educação e entendimento”.

Neste trecho fica explicito a convocação ao trabalho de educação dos seres, levando as informações de que dispomos, a fim de alterarmos o cenário no mundo.

 Prosseguindo com nossos estudos, citaremos agora o Espírito Emmanuel, no livro “O Consolador”, com suas explicações que, por serem longas, porém necessárias, serão copiadas abaixo, na íntegra:

“A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana.
 É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esse valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.
 Consolemo-nos com a visão do porvir, sendo justo trabalharmos, dedicadamente, pelo advento dos tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da alimentação os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores.”


Poderíamos destacar ainda outros trechos de textos assinados por Espíritos que ditaram suas idéias através de Francisco Candido Xavier, porém consideramos desnecessário, uma vez que praticamente todos buscaram nos impulsionar para a mesma direção – a do vegetarianismo consciente.

 Entendemos, ainda, que o fato de ter consumido carne durante sua última existência, em nada diminuiu a grandeza do trabalho realizado por Francisco Cândido Xavier, que deixou certamente vasto legado de informações e exemplos superiores.

 Cabe-nos, entretanto, como nos ensinava o mestre comum, Allan Kardec, seguir adiante, de mãos dadas com os novos saberes que nos são apresentados, reforçados e confirmados por diversas áreas do conhecimento humano.

 Ademais, como destacado anteriormente, o Espiritismo, em seu aspecto moral de justiça, amor e caridade, sempre condenou os excessos. Uma vez comprovada a não necessidade da morte do animal para nosso sustento, devemos trilhar outros caminhos, mais sensatos, corretos, éticos.

 Por fim, compreendemos que a evolução do planeta passa, invariavelmente, pela questão alimentar.

 Este salto, importante e fundamental, ocorrerá a partir da mudança de cada um, reconhecendo nos animais o próprio Criador em sua expressão de amor e benevolência.

 E então, congruentes com a Lei Maior, certamente trilharemos por caminhos mais tranquilos, repletos de cooperação e crescimento.
 Trabalhemos por isso!


 Claudia Gelernter
 claudiagelernter@uol.com.br

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 CARVALHO, A. M.; Tendência temporal do consumo de carne no município de São Paulo: estudo de base populacional – ISA Capital 2003/2008; dissertação de mestrado; FSP – USP; 2012. Disponível em http://www5.usp.br/17464/estudo-da-fsp-relaciona-consumo-excessivo-de-carne-com-impacto-ambiental/acessado em 21 de agosto de 2013.
 HUMANITAS; O impacto ambiental do consumo de carne. Entrevista especial com Sérgio Greif e depoimento de Sonia Montaño, disponível em http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/10451-o-impacto-ambiental-do-consumo-de-carne-entrevista-especial-com-sergio-greif-e-depoimento-de-sonia-montano, acessado em 19 de agosto de 2013.
 KARDEC, A. O Livro dos Espíritos, FEB, Rio de Janeiro, 1994 – Questões 723 3 724.
 XAVIER, F. C.; O Consolador, por Emmanuel, Ed FEB, Rio de Janeiro, 21ª edição, 1998.
 _____________ Missionários da Luz, Espírito Andre Luiz, Ed. FEB, Rio de Janeiro, 2005.
 _____________ Treino para a Morte, Espírito Irmão X, Ed. FEB, Rio de Janeiro,

2002.



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