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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Discurso do Santo Padre e a Libertação Animal


Em Julho de 2013 o Papa Francisco esteve em visita no Brasil para a Jornada da Juventude. Muitas palavras ditas pelo Papa  ecoaram e ainda ecoam em nossas mentes, mesmo aqueles que desgostam da posição de Francisco dentro da Igreja deveriam parar para ouvir sua voz e suas ideias. Dentre todos os discursos, escolhemos um em particular o da VISITA AO HOSPITAL SÃO FRANCISCO DE ASSIS NA PROVIDÊNCIA DE DEUS, e a partir dele, emprestaremos de suas palavras para expressar a nossa luta pela Libertação Animal.


Papa abençoa cão guia


Como seria a Libertação Animal pela voz de um Papa:  

 

 

 

Mercadores da Morte


Papa Francisco inicia seu mais belo discurso no Brasil falando , claro, de Francisco de Assis: 

"Francisco abandona riquezas e comodidades para fazer-se pobre no meio dos pobres, entende que não são as coisas, o ter, os ídolos do mundo a verdadeira riqueza e que estes não dão a verdadeira alegria, mas sim seguir a Cristo e servir aos demais;"


Fazer-se pobre em meio aos pobres, fazer-se humilde em meio aos humildes, essa a personificação do sentimento de Alteridade, o sentir o que ou outro sente, o olhar como o outro olha, ao se colocar no lugar do outro, em igualdade com o outro é possível perceber todo seu sofrimento seja pelo abandono, seja pelo encarceramento, seja pelo medo da morte.

E por que existem pessoas que defendem animais?

Porque os animais também são mediadores da luz, pois são eles  filhos de Deus, criados com um único propósito : Evoluir.

Os animais não foram criados para servir aos seres humanos nem como alimento, nem como vestimenta, nem como diversão ou experimentos que lhes roubam a vida. Papa Francisco é claro ao dizer que nós é que devemos seguir o Cristo e servir os demais, ou seja, aqueles que se encontram em sofrimento. Por isso é preciso ver os animais igualmente como mediadores da luz, aqueles pelos quais chegaremos ao Cristo, seguindo-o, servindo-o, pois:

"...em cada irmão e irmã em dificuldade, nós abraçamos a carne sofredora de Cristo."


Por isso eles são também os mediadores da Luz Divina, nosso acesso ao bem, nosso acesso a Deus. Uma luta diária para uma transformação, para uma verdadeira regeneração.

E o  Papa prossegue:


Poodle abandonado

"Abraçar, abraçar. Precisamos todos de aprender a abraçar quem passa necessidade, como fez São Francisco. Há tantas situações no Brasil e no mundo que reclamam atenção, cuidado, amor, como a luta contra a dependência química. Frequentemente, porém, nas nossas sociedades, o que prevalece é o egoísmo."


Mas o egoísmo prevalece...

Nosso egoísmo em fechar os olhos para o sofrimento animal e acreditar que somente seres humanos necessitam de auxílio, que somente seres humanos são irmãos que a providência Divina coloca em nosso caminho. Há tanto mal no mundo, há tanta dor e somos tão poucos, se não houvesse uma divisão de tarefas o que seria da Vida, o que seriam dos rios, das árvores dos mares, do ar, dos animais.Se Deus houvesse criado uma só espécie é porque seria somente ela necessária a vida, mas estranho, criou tantas, de tantas formas , raças e cores... Por que então teria feito tal coisa se somente uma Lhe interessasse, se somente uma merecesse respeito?

 Sim:

"São tantos os “mercadores de morte” que seguem a lógica do poder e do dinheiro a todo o custo!"


Os mercadores da morte se espalham por todas as áreas, dos animais humanos aos animais não humanos, causam dor, morte, tanto sofrimento seguindo apenas uma lógica: Poder e dinheiro. E nós acatamos aos seus vorazes desejos deixando de enxergar nos animais o nosso princípio existencial, deixando de enxergar nos animais os nossos irmãos de caminhada, deixando de ver nos animais o caminho que nos levaria a seguir o Cristo, que nos levaria a compreender Deus, que nos levaria a des-velar nossa real humanidade, ainda adormecida pelo nosso imenso egoísmo.

Nós não somos servidores, nós somos mercadores da morte, movidos pelo egoísmo, pela ganância e pela total falta de capacidade em compreender o que realmente significa Caridade, porque ainda não aprendemos a ser pobres em meio aos pobres e nem humildes em meio aos humildes.Seguimos uma lógica de terror, de dominação a partir da violência e nos cobrimos com os louros da racionalidade para esconder tudo isso de nós mesmos, pois nossa visão do mal em nós nos apavora, desconcerta e nos agride.

Precisamos urgentemente aprender a abraçar, a amar e mais do que tudo, a servir com humildade. A chaga de uma falsa humanidade nos dilacera a cada dia que semeamos a violência e a morte a estes irmãos.Só nos falta coragem de assumir o que realmente somos: Mercadores da Morte.


"Precisamos todos de olhar o outro com os olhos de amor de Cristo, aprender a abraçar quem passa necessidade, para expressar solidariedade, afeto e amor.[...]Mas abraçar não é suficiente. Estendamos a mão a quem vive em dificuldade"


Filhote de urso escorregando
Para resgatar assim, a humanidade que estamos perdendo, pois falamos em regeneração, mas não nos regeneramos, falamos em transformação, porém não nos transformamos e jamais existirá um Planeta de Regeneração sem seres regenerados.Francisco bem o disse: Nós somos os protagonistas de nossa subida, nós somos a condição imprescindível para a regeneração, para a mudança, para toda e qualquer transformação.Mas nós não subimos e não permitimos que outros subam, nos aviltamos toda possibilidade de evolução dos demais animais por mero capricho, pela gula insaciável, pelos lucros a qualquer custo.

E ainda nos achamos racionais, tão racionais que não conseguimos enxergar o outro com os olhos do Cristo, tão racionais que conseguimos abraçar aquele que necessita de afeto, tão racionais que cegamos para todo mal que praticamos neste mundo.Nossa racionalidade não nos permite olhar o outro com os olhos do Cristo, expressar solidariedade, carinho, afeto ou compaixão passou a ser apenas um mero sinal de fraqueza do qual nos envergonhamos e nos afastamos.


Ignoramos os inúmeros lugares de sofrimento, tanto dos seres humanos quanto dos animais.Nos afastamos, ignoramos, como se não fizesse a dor do outro, parte de nossa imensa responsabilidade pela vida.Seguir ao Cristo ficou distante e vergonhoso. Servir? Ainda mais a um animal, jamais.E Cristo nos serviu e ainda serve ...

Mas nossas costas não se dobram para que nossos olhos se tornem humildes, tão humildes quanto foi Francisco de Assis ao abraçar o leproso, pária da sociedade.


"Aquele irmão sofredor foi «mediador de luz (…) para São Francisco de Assis» (Carta Enc. Lumen fidei, 57), porque, em cada irmão e irmã em dificuldade, nós abraçamos a carne sofredora de Cristo. 


Toda criatura terrena é nosso irmão e nossa irmã, todo auxilio a cada um deles é um auxílio ao Cristo , jamais desistamos de nossa empreitada.

"Não deixem que lhes roubem a esperança! Não deixem que lhes roubem a esperança! Mas digo também: Não roubemos a esperança, pelo contrário, tornemo-nos todos portadores de esperança!"


Sejamos então, todos nós, portadores de uma nova esperança para animais e humanos,que "não haja mais indiferenças e sim solicitudes, que não haja mais desinteresse e sim Amor"


Não devemos esmorecer...

Pietá

"O Senhor está ao lado de vocês e lhes conduz pela mão. Olhem para Ele nos momentos mais duros e Ele lhes dará consolação e esperança. E confiem também no amor materno de Maria, sua MãeOnde tivermos uma cruz para carregar, ao nosso lado sempre está Ela, nossa Mãe. "


O amor não escolhe a quem ajudar, a compaixão não perece jamais. 

Estendamos a mão a quem vive em dificuldade....tonemo-nos portadores de esperança para que possamos ver Jesus em todoas aqueles que sofrem...



Simone Nardi






Fonte: Vatican



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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ensaio sobre a cegueira

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
Citado no “Livro dos conselhos”,
de El-Rei Dom Duarte.





A maioria já deve ter lido ou ao menos ouvido falar do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago; vamos apenas pincelar o livro que narra como de repente uma cegueira branca vai se espalhando, contaminando e tomando conta das pessoas; a princípio parece ser incurável e aos poucos toda a humanidade vai ficando cega, reduzida a seres meramente instintivos. Em meio a tanto terror, apenas uma pessoa não perde a visão e é ela, sozinha, que os guia dentro dessa cegueira branca, dentro desse mundo desconhecido e assustador. O filme retrata como o ser humano é capaz de perder anos de civilização ao ser privado de um de seus sentidos. É possível compreender no livro a necessidade dos “cegos”, em confiarem naquele único ser que enxerga, de modo a poderem se humanizar e se socializar novamente, pois o governo os envia a um sanatório e, quanto mais pessoas chegam, mais deplorável fica o lugar. Começam a surgir disputas pela comida e pelo domínio do sanatório, situações constrangedoras fazem com que os personagens comecem a se questionar sobre sua dignidade, seu auto-respeito e seu orgulho.

Por trás do livro podemos notar que Saramago não trata apenas da cegueira física, mas da cegueira moral dentro da qual a sociedade se encontra, e sabemos que todo esse orgulho e dignidade são deixados de lado quando o animal humano é posto diante do animal não humano. Em confronto com um ser que ele julga inferior, o animal humano esquece que é civilizado e se bestializa de tal forma que perde sua verdadeira identidade, seu orgulho e seu auto respeito, descendo a níveis que os animais não humanos não conseguem alcançar, a própria “miséria moral”. Foi há muitos anos atrás que essa cegueira branca teve início, ao matar no animal humano todo seu senso de moral, compaixão é ética pelos animais não humanos. A ética social, tal como no livro, desmoronou desde então. O animal humano cego pelo orgulho e pela vaidade separou-se da natureza, espezinhou-a e aos seus outros filhos, os animais, com a mesma crueldade com que trata tudo aquilo que lhe é diferente. Nessa sua cegueira, a humanidade é capaz de ignorar o fato de que há uma igualdade senciente entre nós e os animais, é capaz de se manter cega diante de tanto sofrimento, ensaiando o dia em que consiga obter a coragem de enfrentar seus medos em resistir à cegueira a qual a condicionaram.

“O medo cega, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.[...] Quantos cegos serão preciso para fazer uma cegueira, Ninguém soube responder.” (J. Saramago)

Quanto ainda será preciso mostrar, demonstrar, expor, falar ou escrever sobre o sofrimento animal, antes que os “cegos da ética” notem que estão errados, que estão com medo e que esse medo os cega. Quanto ainda teremos que pedir para que abram seus olhos, pois somente assim essa cegueira se dissipará e a ética voltará a se fazer parte da sociedade? Esse cegos contemporâneos são cegos do coração e da alma, são cegos da moral e da ética, guiam outros cegos e conhecemos a velha frase que nos diz: “Cegos guiando cegos,ambos cairão no abismo”. Já estamos caindo no “abismo” a cada dia que passa, por todo o desrespeito que as pessoas mostram em relação aos animais; é a humanidade quem polui o seu próprio ar, que contamina sua própria água, que apodrece sua própria terra, que desrespeita a eles, os animais não humanos e em igualdade, a si mesma, mas a maioria ainda deseja se manter cega diante disso. Essa cegueira não os deixa ver aonde pisam nem em quem pisam, não os deixa livres para escolherem qual caminho tomar, qual posição escolher.São cegos que temem enxergar, porque fazem tantas coisas ruins aos animais que se envergonham, e se fecham cada vez mais dentro de uma cegueira manipulada e cruel.

“Por que cegamos, não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem” (J. Saramago)

Essa á a grande parcela da humanidade hoje diante da exploração animal, cegos que vendo, ainda assim fingem não ver, que diante da repulsa que a visão do sofrimento animal acarreta, com uma insensibilidade fora do normal, conseguem ignorar o que lhes mostrado, que hibernam em seus costumes e tradições bárbaras com medo de enxergar a verdade de seus atos cruéis.


“Por que cegamos?”

Porque passamos a nos achar seres privilegiados, seres mais fortes, mais poderosos e, no entanto, nos tornamos seres mais cruéis, mais frios, mais irracionais. Não somos cegos, estamos cegos diante daquilo que não desejamos ver, a agonia animal que praticamos todos os dias.

Assim como os personagens de Saramago perderam o senso de civilidade, hoje, os cegos contemporâneos, perderam o senso de civilidade junto a natureza, junto aos animais, tornaram-se egoístas ao fazerem da Terra, um Planeta para uso exclusivo de animais humanos.Não dividem, não doam, ao contrário, tomam a força, ameaçam, humilham, matam, violam e desmoralizam qualquer ser que se oponha a essa cegueira.
Saramago diz que deseja que seu leitor sofra ao ler o livro, tanto quanto ele sofreu as escrevê-lo. E hoje nós sofremos por essa cegueira que perdura há séculos, séculos de tortura, de morte e muito sangue. Tal como o livro, a vida dos animais tem sido um capítulo brutal e violento, repleto de experiências dolorosas e aflições sem fim.

“Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.” (J. Saramago)

O que nos falta para reconhecermos isso, então? O que nos falta para enxergarmos que, o que fazemos com os animais se opõe a qualquer ética que tentemos criar para nos proteger uns dos outros? Que falta para as pessoas abrirem os olhos e enxergarem que os gritos de agonia só irão cessar quando elas mudarem? Não somos cegos, repito, estamos cegos, e ser cego é uma opção.


A cura para essa cegueira nada mais é do que a aceitação verdade, e a verdade é que realmente não somos bons que, embora o veganismo nos guie para a moralização ética, nós nos afastamos desse guia por medo de descobrirmos que não somos aquilo que pensamos que éramos: seres bondosos e racionais. Temos medo, tanto quanto os cegos de Saramago, de caminharmos por esse mundo desconhecido e assustador que é o respeito aos animais não humanos, não estamos acostumados a respeitá-los, somos orgulhosos demais, porém a cegueira nos tem feito viver num mundo igualmente deplorável ao sanatório onde os cegos de Saramago viviam, fingimos não ver, mas sentimos o cheiro da morte e da nossa sujeira.

Quando será que a humanidade se desvencilhará dessa cegueira para alcançar a sua lucidez, pois qualquer pessoa que saiba sobre o sofrimento animal e nada faça a esse respeito, está cego e perdeu parte de sua sanidade. Seria irracional nos colocarmos como seres racionais diante da visão do abate de um animal, diante da vivissecção, diante das touradas, bem mais fácil realmente seria essa posição ocupada pela grande massa, a de seres cegos e insensíveis a dor, não há como explicar de outro modo como alguém que tendo conhecimento sobre o que acontece com os animais, não mude, nem tente mudar.

É preciso que nos se humanizemos e nos socializemos novamente com a natureza, com os animais, com o mundo no qual vivemos, precisamos ter coragem para abandonarmos a cegueira de anos e anos de exploração animal, por uma conduta mais digna, pois o ser humano que usa de sua força contra um ser qualquer, não é digno, nem possui qualquer valor moral e os animais humanos necessitam, urgentemente, se moralizarem perante a natureza e sobretudo, diante dos animais não humanos.

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”1
Se podes enxergar e reparar, então que esperas para mudar?



Nota
1 Metáfora sobre aqueles que tendo visão, se recusam a ver, pois é bem mais fácil ignorar as coisas que fazemos de mal aos outros seres do que passarmos a nos enxergar como verdugos cruéis.

 Simone Nardi


Referência

José Saramago -Ensaio sobre a cegueira











Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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