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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Abate de Animais X Economia de água

Imagem: Mão na cabeça




Talvez esse seja apenas o primeiro de muitos verões com temperaturas acima da média, e claro, com escassez de água e energia.


Sabemos que a maioria dos problemas ocorrem pela falta de iniciativa do próprio Governo, mas vamos ver o que nós, "Umanos", fazemos para colaborar com nossa própria  extinção.


Umas das 8 piscinas do Sesc Itaquera, com 5.000 m² de espelho d'água, tem capacidade para 6 mil pessoas,que após o banho de piscina tomarão uma ducha, faça as contas  dessa água doce utilizada


Economia de água X Abate de animais


Não me recordo se foi no DVD A Carne é fraca, que o jornalista Washington Novais faz uma pergunta muito interessante:

"Quanto você consome de água?"

Vamos pensar, quanto você consome de água enquanto o Governo te pede para economizar?

É o próprio Governo quem vai nos responder.

Vejamos:

IPCC , que significa o IPCC?  

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o IPCC é um órgão das Nações Unidas  que é responsável por produzir informações científicas (isso desde 1988) que são divididas em 3 relatórios anuais. Esses relatórios produzidos são baseados nos estudos , investigações e pesquisas de cerca de 2500 cientistas.São eles que nos mostram o aumento, os gastos com água doce, a falta que ela fará daqui há alguns anos e os problemas causados pelas mudanças climáticas.

Também existe a FAO

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, que luta para eliminar a fome no mundo e que em um de seus relatórios afirmou que a diminuição da ingestão da carne iria auxiliar o Planeta e que também declarou, por volta de 2006 ,que a pecuária  era, e ainda é, mais danosa ao meio ambiente do que os automóveis. 

As emissões antrópicas de carbono geradas pelo setor pecuário são maiores do que o de transportes e isto se deve à uma crescente demanda por carne e laticínios” – (Fonte – FAO).

A relevância das plantações em contrapartida a criação de bois , bem como a relevância do uso de água para a pecuária enquanto muitos países necessitam de água (que é gasta na produção de carne), também tem origem na FAO.

“Mais de 1 bilhão de pessoas sofrem com a falta de água potável e em 2025 serão, segundo cálculos, cerca de 1,8 bilhão de pessoas. O consumo de água cresceu duas vezes mais rápido do que o aumento da população mundial no último século, sendo o setor agropecuário o maior consumidor de água doce disponível. O uso de água na produção de alimentos é da ordem de 70% do total utilizado pelo homem e em países em desenvolvimento chega a 90%.” (Fonte-FAO)
CETESB.

Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, que em seus estudos e pesquisas também está concluindo que um abatedouro de animais, em meio a todo processo de morte do animal  , mesmo que racionando a água, gasta em média 4.250.000 de água por dia, o que significa 3.900 litros de água por  animal abatido.(Abaixo analisaremos um abatedouro de porte médio)

Fonte CETESB:

 

“Padrões de higiene das autoridades sanitárias em áreas críticas dos abatedouros resultam no uso de grande quantidade de água. Os principais usos de água são para:
• Consumo animal e lavagem dos animais;
• Lavagem dos caminhões;
• Escaldagem e “toilette”, para suínos;
• Lavagem de carcaças, vísceras e intestinos;
• Movimentação de subprodutos e resíduos;
• Limpeza e esterilização de facas e equipamentos;
• Limpeza de pisos, paredes, equipamentos e bancadas;
• Geração de vapor;
• Resfriamento de compressores.
 
Lavagem carcassa

O principal fator que afeta o volume de água consumido são as práticas de lavagem. Em geral, plantas para exportação têm práticas de higiene mais rigorosas. Quanto à qualidade, os regulamentos sanitários exigem o uso de água fresca e potável, com níveis mínimos de cloro livre residual, para quase todas as operações de lavagem e enxágue.O consumo de água varia bastante de unidade para unidade, em função de vários aspectos como: tipo de unidade (só abate, abate e industrialização da carne, com/sem graxaria, etc.), tipos de equipamentos e tecnologias em uso, “lay-out” da planta e de equipamentos, procedimentos operacionais, entre outros.

Para se ter uma ideia do consumo de água em um abatedouro, considere-se a seguinte situação: um abatedouro de bovinos de porte médio, abatendo 500 bovinos/dia, com graxaria anexa; considerando o consumo específico médio de água do abatedouro de 1.700 litros/cabeça , e admitindo o consumo específico médio de água  domiciliar de 161 litros/hab.dia (SABESP,2001), tem-se:

• Consumo Médio de Água = 500 bovinos/dia x 1.700 l/bovino = 850.000 l/dia ou 850.000 m/dia;
• Equivalente populacional = 850.000 litros/dia ÷ 161 litros/habitante.dia = 5.280 habitantes.
Desta forma, o consumo médio diário de água deste abatedouro hipotético, de porte médio, seria equivalente ao de uma população de cerca de 5.300 habitantes."
Para verificar a fonte: Cetesb(http://www.cetesb.sp.gov.br/tecnologia/producao_limpa/documentos/abate.pdf),pg 50.2008 [1]


Lavagem de bois para o abate

A EMBRAPA

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária  faz pesquisas parecida com a CETESB, ressaltando o alto consumo de água por parte dos animais:(http://www.cnpgl.embrapa.br/totem/conteudo/Alimentacao_e_manejo_animal/Pasta_do_Produtor/31_Importancia_da_agua_para_bovinos_de_leite.pdf)


"Para a produção de leite , o consumo é de aproximadamente 10.000 litros de água/kg; e para a carne 20.000 a 50.000 litros de água/kg (EMBRAPA)

Pode-se comparar os gastos de água de diferentes alimentos que nos trazem o seguinte esclarecimento, através da conclusão da necessidade HIDRICA de cada alimento:

Água utilizada para  de 1 quilo de arroz 2.182 L/água,
A água utilizada para um quilo de batata 262 L/água,
A água utilizada para um quilo tomate 60 L/água
A água utilizada para um quilo trigo 1.500 L/água,
A água utilizada para um quilo soja 2.000 L/água
A água utilizada para um quilo carne 20.000 L/água

Ou seja, a água que economizamos é ínfima, em comparação a quantidade de água utilizada em um abatedouro, vejam bem, em um único abatedouro de porte médio, e sabemos que existem centenas de abatedouros pelo País, não apenas de bois, mas de suínos e aves, e que gastam também uma enorme quantidade de água doce.
Abate sanitário, banho de aspersão em bois
 


Não estamos dizendo que não cada pessoa não deva economizar água, principalmente porque se ela faltar todos irão sofrer, só estamos mostrando que campanhas lançadas em rádios e TVs não mostram o outro lado do que realmente está acontecendo.

Nós economizamos e as prefeituras enchem piscinas, pois as pessoas não podem ficar sem nadar nos fins de semana. nós economizamos e os abatedouros gastam enormes quantidades de água.

Não adianta uma pessoa na propaganda dizer que economiza água, que recicla seu lixo, que isso ou aquilo se ela mesma se senta a mesa para comer um bife que gastou mais de 10.000 litros de água para estar ali.

Por isso a coerência da questão levantada pelo jornalista Washington Novais.  

"Quanto você consome de água?"

Antes de responder que recicla seu lixo, que não lava seu carro ou sua calçada, lembre-se, além do banho e da louça, que o bife que você almoçou o jantou está incluído no gasto diário de água/recursos naturais, que o lixo que vc reciclou não vai ser muito se comparado aos resíduos que um único abatedouro deixou, nem com a água doce que ele utilizou. Normalmente uma pessoa utiliza cerca de 150 a 200 litros de água por dia, sem contar o bife de cada dia.

Vamos refletir mais sobre nossas ações e vamos agir mais antes de dizermos que contribuímos para um planeta melhor.


Economize água:



Seja Vegan.

 



Simone Nardi





Notas:


1- Os dados utilizados são de 2008, porém há que se levar em consideração o aumento no número de abates de animais,levando-se em conta que as exigência da lei afirmam que a água para lavagem da carcaça deve ser potável, o reuso servirá apenas para lavagem dos caminhões e lavagem das áreas externas (pisos, paredes, etc), embora isso diminua o gasto, devemos nos lembrar que, enquanto algumas pessoas passam sede, a água doce é utilizada para lavar corpos de animais mortos.Isso tudo sem levarmos em conta o alto gasto de energia elétrica e a poluição do ar.




Fontes

http://www.cetesb.sp.gov.br/tecnologia-ambiental/cas-em-atividade/48-camara-ambiental-do-setor-de-abate--frigorifico-e-graxaria

http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/frango_de_corte/arvore/CONT000fc6b6h6d02wx5eo0a2ndxykorm9re.html#

http://www.sebrae.com.br/setor/carne/construcao_aviario_3mar.pdf

http://www.cnpsa.embrapa.br/link/PDU.pdf

Céus Praticas de limpeza das piscinas 









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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ensaio sobre a cegueira

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
Citado no “Livro dos conselhos”,
de El-Rei Dom Duarte.





A maioria já deve ter lido ou ao menos ouvido falar do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago; vamos apenas pincelar o livro que narra como de repente uma cegueira branca vai se espalhando, contaminando e tomando conta das pessoas; a princípio parece ser incurável e aos poucos toda a humanidade vai ficando cega, reduzida a seres meramente instintivos. Em meio a tanto terror, apenas uma pessoa não perde a visão e é ela, sozinha, que os guia dentro dessa cegueira branca, dentro desse mundo desconhecido e assustador. O filme retrata como o ser humano é capaz de perder anos de civilização ao ser privado de um de seus sentidos. É possível compreender no livro a necessidade dos “cegos”, em confiarem naquele único ser que enxerga, de modo a poderem se humanizar e se socializar novamente, pois o governo os envia a um sanatório e, quanto mais pessoas chegam, mais deplorável fica o lugar. Começam a surgir disputas pela comida e pelo domínio do sanatório, situações constrangedoras fazem com que os personagens comecem a se questionar sobre sua dignidade, seu auto-respeito e seu orgulho.

Por trás do livro podemos notar que Saramago não trata apenas da cegueira física, mas da cegueira moral dentro da qual a sociedade se encontra, e sabemos que todo esse orgulho e dignidade são deixados de lado quando o animal humano é posto diante do animal não humano. Em confronto com um ser que ele julga inferior, o animal humano esquece que é civilizado e se bestializa de tal forma que perde sua verdadeira identidade, seu orgulho e seu auto respeito, descendo a níveis que os animais não humanos não conseguem alcançar, a própria “miséria moral”. Foi há muitos anos atrás que essa cegueira branca teve início, ao matar no animal humano todo seu senso de moral, compaixão é ética pelos animais não humanos. A ética social, tal como no livro, desmoronou desde então. O animal humano cego pelo orgulho e pela vaidade separou-se da natureza, espezinhou-a e aos seus outros filhos, os animais, com a mesma crueldade com que trata tudo aquilo que lhe é diferente. Nessa sua cegueira, a humanidade é capaz de ignorar o fato de que há uma igualdade senciente entre nós e os animais, é capaz de se manter cega diante de tanto sofrimento, ensaiando o dia em que consiga obter a coragem de enfrentar seus medos em resistir à cegueira a qual a condicionaram.

“O medo cega, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.[...] Quantos cegos serão preciso para fazer uma cegueira, Ninguém soube responder.” (J. Saramago)

Quanto ainda será preciso mostrar, demonstrar, expor, falar ou escrever sobre o sofrimento animal, antes que os “cegos da ética” notem que estão errados, que estão com medo e que esse medo os cega. Quanto ainda teremos que pedir para que abram seus olhos, pois somente assim essa cegueira se dissipará e a ética voltará a se fazer parte da sociedade? Esse cegos contemporâneos são cegos do coração e da alma, são cegos da moral e da ética, guiam outros cegos e conhecemos a velha frase que nos diz: “Cegos guiando cegos,ambos cairão no abismo”. Já estamos caindo no “abismo” a cada dia que passa, por todo o desrespeito que as pessoas mostram em relação aos animais; é a humanidade quem polui o seu próprio ar, que contamina sua própria água, que apodrece sua própria terra, que desrespeita a eles, os animais não humanos e em igualdade, a si mesma, mas a maioria ainda deseja se manter cega diante disso. Essa cegueira não os deixa ver aonde pisam nem em quem pisam, não os deixa livres para escolherem qual caminho tomar, qual posição escolher.São cegos que temem enxergar, porque fazem tantas coisas ruins aos animais que se envergonham, e se fecham cada vez mais dentro de uma cegueira manipulada e cruel.

“Por que cegamos, não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem” (J. Saramago)

Essa á a grande parcela da humanidade hoje diante da exploração animal, cegos que vendo, ainda assim fingem não ver, que diante da repulsa que a visão do sofrimento animal acarreta, com uma insensibilidade fora do normal, conseguem ignorar o que lhes mostrado, que hibernam em seus costumes e tradições bárbaras com medo de enxergar a verdade de seus atos cruéis.


“Por que cegamos?”

Porque passamos a nos achar seres privilegiados, seres mais fortes, mais poderosos e, no entanto, nos tornamos seres mais cruéis, mais frios, mais irracionais. Não somos cegos, estamos cegos diante daquilo que não desejamos ver, a agonia animal que praticamos todos os dias.

Assim como os personagens de Saramago perderam o senso de civilidade, hoje, os cegos contemporâneos, perderam o senso de civilidade junto a natureza, junto aos animais, tornaram-se egoístas ao fazerem da Terra, um Planeta para uso exclusivo de animais humanos.Não dividem, não doam, ao contrário, tomam a força, ameaçam, humilham, matam, violam e desmoralizam qualquer ser que se oponha a essa cegueira.
Saramago diz que deseja que seu leitor sofra ao ler o livro, tanto quanto ele sofreu as escrevê-lo. E hoje nós sofremos por essa cegueira que perdura há séculos, séculos de tortura, de morte e muito sangue. Tal como o livro, a vida dos animais tem sido um capítulo brutal e violento, repleto de experiências dolorosas e aflições sem fim.

“Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.” (J. Saramago)

O que nos falta para reconhecermos isso, então? O que nos falta para enxergarmos que, o que fazemos com os animais se opõe a qualquer ética que tentemos criar para nos proteger uns dos outros? Que falta para as pessoas abrirem os olhos e enxergarem que os gritos de agonia só irão cessar quando elas mudarem? Não somos cegos, repito, estamos cegos, e ser cego é uma opção.


A cura para essa cegueira nada mais é do que a aceitação verdade, e a verdade é que realmente não somos bons que, embora o veganismo nos guie para a moralização ética, nós nos afastamos desse guia por medo de descobrirmos que não somos aquilo que pensamos que éramos: seres bondosos e racionais. Temos medo, tanto quanto os cegos de Saramago, de caminharmos por esse mundo desconhecido e assustador que é o respeito aos animais não humanos, não estamos acostumados a respeitá-los, somos orgulhosos demais, porém a cegueira nos tem feito viver num mundo igualmente deplorável ao sanatório onde os cegos de Saramago viviam, fingimos não ver, mas sentimos o cheiro da morte e da nossa sujeira.

Quando será que a humanidade se desvencilhará dessa cegueira para alcançar a sua lucidez, pois qualquer pessoa que saiba sobre o sofrimento animal e nada faça a esse respeito, está cego e perdeu parte de sua sanidade. Seria irracional nos colocarmos como seres racionais diante da visão do abate de um animal, diante da vivissecção, diante das touradas, bem mais fácil realmente seria essa posição ocupada pela grande massa, a de seres cegos e insensíveis a dor, não há como explicar de outro modo como alguém que tendo conhecimento sobre o que acontece com os animais, não mude, nem tente mudar.

É preciso que nos se humanizemos e nos socializemos novamente com a natureza, com os animais, com o mundo no qual vivemos, precisamos ter coragem para abandonarmos a cegueira de anos e anos de exploração animal, por uma conduta mais digna, pois o ser humano que usa de sua força contra um ser qualquer, não é digno, nem possui qualquer valor moral e os animais humanos necessitam, urgentemente, se moralizarem perante a natureza e sobretudo, diante dos animais não humanos.

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”1
Se podes enxergar e reparar, então que esperas para mudar?



Nota
1 Metáfora sobre aqueles que tendo visão, se recusam a ver, pois é bem mais fácil ignorar as coisas que fazemos de mal aos outros seres do que passarmos a nos enxergar como verdugos cruéis.

 Simone Nardi


Referência

José Saramago -Ensaio sobre a cegueira











Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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