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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Espiritismo X Aquecimento Global

Luz sobre as Montanhas, foto de Sebastião Salgado

O amigo leitor deve estar se perguntando: O que tem haver o espiritismo com o aquecimento global?Ora, tudo! O que aprendemos na Doutrina?

Amar ao próximo.

Caridade - fora da caridade não há salvação, essa frase nunca foi tão correta quanto nesse momento -.

Compaixão.

Ação e reação.

Não importa o que digam algumas pessoas, a Terra é também nosso próximo, a quem devemos, ou deveríamos, querer o bem. Sendo um organismo vivo e que nos permite a vida, deveria ser respeitada e amada por todos.

A Caridade e a Compaixão para com a Terra deveria ser a primeira lição de nossas vidas, pois Ela é Mãe zelosa, nosso abrigo, nossa casa enquanto encarnados.

E o que fazemos então com essa mãe gentil?

Roubamos seus recursos, esgotamos suas fontes, desperdiçamos suas águas e poluímos seu ar, sem nos lembramos de uma coisa: Ação e Reação.

Nós agimos a Terra reage. E Ela finalmente, apos tantos anos de desrespeito, está reagindo e sua reação reflete-se agora, em nosso modo de viver. Ela nos coloca agora, de um modo firme, o freio que nunca tivemos. Nos impõe a força, a consciência que rejeitamos ao nos separarmos Dela, ao nos acharmos mais importantes que Ela.

Assim como nosso organismo reage diante de um vírus invasor que nos causa mal ao roubar nossa energia e vitalidade, a Terra reage contra aqueles que tentam destruí-la, e reage da única forma que pode reagir. O aquecimento global, o derretimento das geleiras, a acidez dos oceanos que levará a morte dos peixes, nada disso são pragas Divinas, são apenas reações de umorganismo vivo que luta para sobreviver, que tenta expulsar de si, um vírus letal : O homem.

A extinção de várias espécies não é plano Divino, é a intervenção do homem na Natureza que muda o rumo natural das coisas.Não adianta mais apontarmos para Deus, alegando que estava escrito e coisa e tal, quando nós mesmos sabemos que foram nossas ações que nos levaram à isso, a verdade é que, estamos aos poucos “matando” a Terra.Nós, não Deus.

Quem em sã consciência destruiria a casa onde reside, manchando as paredes, colocando fogo nos armários, escavando o jardim ou derrubando paredes?Porém, é isso o que, no dia a dia, fazemos com a Terra.Queiramos ouvir isso ou não, somos todos responsáveis, em graus diferentes, pela reação Dela contra nós.

E o leitor ainda poderá indagar: E o que eu, uma gotinha no oceano, poderei fazer?

Amar. Respeitar. Espalhar essa semente de caridade e compaixão pela terra. Passar a sentir-se realmente parte Dela ao invés de apenas viver Nela.

Amar ao próximo, não fazer a Terra àquilo que não gostaríamos que fizessem a nós.Isso é caridade, isso é compaixão, isso é amor.

Os governos não terão a solução final para o mal que já foi feito sem o auxilio da população, e nós, todos nós, nos mais simples gestos, podemos auxiliar na cura da Terra. Economizar água, luz, deter as queimadas e recuperar o verde, frear o consumo de carne, posto que a pecuária é uma das maiores responsáveis hoje, pelo aquecimento do Planeta.Há tantos pequenos gestos que podem ajudar.

A compaixão pela Terra é a única coisa que poderá nos salvar do extermínio. Estamos destruindo nossa casa, nossa escola de aprendizado, um dos muitos caminhos que nos levará ao Pai.A caridade com seus recursos naturais, o amor por Ela, o respeito, tudo nos levará a trilhar novamente o caminho do bem.Devemos nos lembrar que nosso Divino Mestre Jesus nos preparou uma linda moradia e com que cara iremos responder a Ele um dia, quando Ele nos perguntar:

– Que fizestes da Casa que vos dei com tanto amor?
A hora de agir é agora, a Terra pede socorro, sejamos caridosos e dignos da morada que Jesus nos ofereceu, não voltemos às costas para a voz que clama por socorro.Nós somos Terra, e Ela, como tudo que existe, é Centelha Divina. Amar a Obra é amar o Criador.


Simone Nardi




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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Especismo

Pata, foto de Sebastião Salgado


O mundo é um lugar perigoso de se viver não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer" . Albert Einstein



Todas as mudanças mais difíceis que a humanidade já enfrentou foram por causas morais. Há séculos atrás quando vozes se levantavam contra a escravidão, muitas outras acusavam os abolicionistas de loucos e imorais. A luta prosseguiu e os loucos conseguiram libertar do jugo do homem branco, o homem negro que apesar da liberdade ainda não possuía direitos porque segundo alguns, não possuía alma.

Mais tarde foi a vez de lutar pelas mulheres que alguns diziam serem inferiores e tal como os negros também não possuíam alma. Uma questão moral defendida por uns e repelida por outros. A verdade prevaleceu.

E desde então a humanidade tem lutado por outras questões morais : o racismo, o anti-semitismo, o sexismo e agora uma nova palavra surge para causar furor naquelas pessoas de sempre, aquelas que não aceitam mudanças no qual o orgulho já está tão enraizado que qualquer atitude contrária, pode causar uma explosão : O Especismo.

E você deve estar se perguntando: O que é Especismo?

O Especismo é um tipo de racismo ,quando alguém considera sua raça superior a uma outra, nesse caso , o Especismo é quando um ser humano acredita que nenhuma espécie vivente, além dele, possui qualquer valor, passando a considerar que é moralmente possível infligir qualquer tipo de sofrimento a esses seres não-humanos. E o que são seres não-humanos? Aquele que conhecemos apenas como animais .

Mas, animais? Você só pode estar brincando, falar em racismo para com os animais. Isso é o que deve estar passando pela cabeça dos orgulhosos nesse exato momento, pois uma pessoa mais racional sabe que já passou da hora de começarmos a respeitar esses irmãos terrenos.

Pois é, acreditem ou não, eles são nossos irmãos. Não somos mais ou menos importantes que eles para Deus, por isso , diante da Divindade, eles possuem os mesmos direitos que nós. Embora muitos se neguem a aceitar isso.

É o orgulho criando vítimas inocentes.

Quem foi que deu ao homem o poder de reinar sobre os animais, senão sua própria mente cruel ? Quem garante que o homem a superior diante dos animais não humanos?

Que direito o homem possui de usar seus corpos, de divertir-se as suas custas, de abandoná-los como tem feito ao longos dos séculos?

Achar que somos superiores a qualquer criação Divina é ser especista. Aceitar que os animais não humanos não possuem direitos, é ser especista. Alimentar-se deles , fechando os olhos para seu sofrimento é ser especista.

O Especismo será outra luta moral. Árdua como outra qualquer.Cheia de inimigos. Cheia de tristezas, de perdas e vitórias, porém, como qualquer outra luta Moral, ela vai vencer os cegos e orgulhosos, os poderosos senhores da morte, e fará o verdadeiro amor prevalecer. O espiritismo não pode manter-se alheio a isso.

Não importa quantas derrotas tivermos, o que não podemos é esmorecer na caminhada para o Divino.

Chegará o dia em que um estábulo será tão sagrado quanto a família.

Sim, esse dia chegará.Com você, sem você e apesar de você, e quando esse dia chegar, eu quero estar do lado daqueles que lutaram pela moral e pela misericórdia.

E você? De qual lado quer estar?


Simone Nardi

23/04/2010




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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Faça a conexão

Foto:Sebastião Salgado
É assim que termina o excelente documentário Earthlings –Terráqueos- pedindo que as pessoas façam uma conexão com o meio onde vivem.

É fabuloso abrir os olhos e descobrir que podemos entrar em sintonia com o Planeta Terra.Uma experiência inigualável quando descobrimos que fazemos parte de um mundo muito maior do que a nossa casa e a nossa família.

Fazer a conexão significa respeitar a vida.Não apenas a nossa vida ou a vida daqueles que nos cercam, mas respeitar todas as vidas do Planeta.

Quando fazemos a conexão descobrimos que a água nos pertence de várias formas e que também temos a obrigação de cuidar dela.Quando fazemos a conexão, abrimos nosso coração para tudo mais que nos cerca, descobrimos o prazer de respirar e zelar pelo ar que nos doa a vida. Descobrimos que cada ser, por menor que seja, é nosso irmão e que devemos respeitar seu desejo de viver.

Quando fazemos a conexão, descobrimos uma nova vida que até então adormecia dentro de nós, e passamos a enxergar o mundo de outra forma, com outras cores, com outros desejos.O desejo de fazer o melhor pelo Planeta e por tudo o que existe nele.

O desejo de fazer com que a vida prossiga, em seus mais pequenos detalhes.

Na rosa que se abre para a vida. No pássaro que canta ao amanhecer.

Descobrimos que até então éramos programados para viver a vida de outras pessoas, realizando o sonho de outras pessoas, vivíamos somente para nós e não para o Mundo. Não tínhamos a verdadeira noção do bem ou do mal. Nem tínhamos a verdadeira noção do amor.

Passávamos pela vida sem deixar marcas, sem deixar rastros, sem deixar sonhos, sem saber o que realmente significava o amor.Alguns despertam.Alguns fazem realmente essa conexão com o mundo fora da bola de cristal onde vivem. Mas ainda são poucos, bem poucos.

Despertar para a vida é sentir novos perfumes, novos desejos, novos amigos.

Fazer a conexão é preservar a vida na Terra, é deixar rastros e marcas que possam ser seguidas, marcas de respeito, rastros de amor, caridade e compaixão.

Então decida-se: você quer viver uma vida de sonho e ficção, uma vida abstrata e sem sentido ou que despertar para esse gigantesco Mundo ao seu redor?

Só os valentes conseguem descobrir o que existe por detrás das mais altas montanhas. Só a descoberta do verdadeiro amor nos eleva a Deus.

Viva a vida de forma plena. Faça a Conexão.




Simone Nardi



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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Amar enquanto há tempo

Foto: Sebastião Salgado
Eu sempre venho aqui falando sobre o respeito aos animais, sobre o auxilio a estes irmãozinhos tão desventurados.Falo nas Casas espíritas, falo nas ruas, falo para pessoas que muitas vezes não querem ouvir, e a maioria não deseja mesmo ouvir. E um certo dia, já há muito tempo atrás, dentro de uma Casa Espírita, numa reunião mediúnica, eu pensava exatamente nisso.

Por que nunca apareciam espíritos que pregassem o respeito e o amor aos animais? Seria mesmo que os animais não mereciam qualquer atenção de Deus Pai Criador, nem um espírito, nenhuma mensagem, nada. Será que eles não valiam a atenção de nenhum ser mais esclarecido? Pois todas as mensagens ali recebidas eram dirigidas apenas de pessoas para pessoas.

E eu vagava nesses pensamentos quando me veio a mente à imagem de um senhor muito alto, de rosto muito severo e decidido. Sua voz poderosa soou dentro de minha mente e tal qual como seu rosto, era séria e cheia de uma força que jamais eu vira em qualquer outra pessoa, ou qualquer outro espírito de luz. E é sua mensagem que descrevo abaixo, sentindo ainda o peso de suas mãos sobre meus ombros, sentindo a obrigação de esclarecer aqueles que muitas vezes desejam permanecer cegos e surdos nesta trilha solitária que é a defesa animal.E ele começou a falar com sua voz imponente e cheia de severidade, como quem dá uma bronca gentil, porém severa.

“Vocês aprendem na escola que passam por todos os reinos: mineral, vegetal, animal e hominal . E são como crianças que começam no pré-primário, passam pelo primário, ginásio, colégio e galgam a faculdade. O orgulho os cega e passam a ser “doutores”, que só conversam com “doutores”, esquecendo-se das criancinhas do pré-primário.

Que tristeza.

Nós temos um trabalho importante, mas as Casas Espíritas não nos dão abertura para continuarmos, não se lembram de nós em suas vibrações embora digam que todas as criaturas são filhas de Deus.

Aprendam a amar enquanto há tempo.”

E sua voz silenciou, porém sua imagem marcante ficou gravada em minha mente e suas palavras em meu coração.

“Amar enquanto há tempo.”

Muitos aqui podem não gostar de animais, compreendo, mas um pensamento em intenção a eles se transforma em energia e esses abnegados trabalhadores necessitam dessa energia. Pedimos a tantos, em tantos lugares, que custaria uma pequena intenção em nome desses irmãos esquecidos?

Eu ainda chorava quando meus ouvidos foram invadidos pelo som das ondas do mar e uma voz amorosa e delicada declamou esse pequeno verso, depois se despediu agradecendo a oportunidade de falar em nome daqueles que não podem se defender sozinhos. 


Um dia a voz da Baleia no oceano
Não mais irá ecoar
E o canto do Pássaro na Terra
Se extinguirá
Os mares serão poluídos
E a sede como a vida, se acabará
Que triste destino o do homem
Que nem mesmo a lembrança
O tempo irá guardar

Deus guarda todos os seus filhos no coração, aprendamos a amar enquanto há tempo, essa é a grande lição.



Fonte: Feal 

Republicação 




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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Fome

Imagem: Mãe e filho -fome


"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante." - Albert Schwweitzer
 


Hoje em dia, uma das maiores responsáveis pelas mortes no Planeta se chama: FOME.

Fome no dicionário significa: em lat. fame. grande apetite; urgência de alimento, subalimentação, falta do necessário, penúria, miséria, situação de míngua ou escassez de víveres.

Estamos no século 21 e a fome ainda avança soberana, sem que os seres humanos se preocupem efetivamente em detê-la. Quando surgiu a discussão sobre os alimentos transgênicos, o lado interessado dizia que essa nova forma de alimento seria a responsável por erradicar a fome no mundo (alguns hoje ainda dizem isso, mas vendem o excesso de alimento a quem pagar mais).

Em um debate, há muitos anos atrás logo no início do tema, na Rede Cultura, um senhor que defendia os transgênicos como meio de exterminar a fome no Mundo foi questionado se, ao ter em suas colheitas um excesso de alimentos se ele os daria de boa vontade aos pobres. O senhor calou-se num sorriso tímido e o que vemos hoje é a expansão dos produtos transgênicos como soja (que em sua grande maioria serve para alimentação animal) e milho (que nos Estados Unidos é usado para obtenção de combustível), e ao lado da expansão astronômica dos transgênicos vemos também a expansão astronômica da fome.

Ou seja, não são os transgênicos que irão erradicar a fome do planeta, são os homens de boa vontade, e esses são bem poucos.

Sabemos que muitas são as origens da fome mundial, muitas delas naturais como o clima: seca, inundações, pragas de insetos, doenças das plantas, etc

Enquanto também sabemos que muitas são de atos exclusivamente humanos: o alto preço dos alimentos, as guerras, a instabilidade econômica e política de alguns países, etc. Cronicamente, o que mais causa a fome hoje em dia é: a pobreza e o crescimento desordenado das populações.

Só a fome mata anualmente mais de 20 milhões de pessoas, em sua maioria crianças.(Fontes da FAO)

Mas, como será realmente sentir fome? Como será que é ter aquela sensação de vazio no estômago quando estamos saciados pelo nosso bifinho diário, também um dos responsáveis pelas mudanças climáticas e pela fome do mundo, já que a maioria da soja cultivada lhe serve de alimentação.

Embora a sensação de "fome" seja um alerta importante para que possamos sobreviver, a glicose diminui no sangue, existem pessoas que só por esse fato já se sentem mal com tonturas e dores de cabeça terríveis. O estômago se contrai como a dizer; "Hei estou vazio".

Mas e quando não há alimento para preencher aquele "vazio" ao qual o estômago se refere? A energia do organismo começa a se esgotar trazendo graves conseqüências ao corpo: desnutrição, perda de peso, morte.

Imaginemo-nos sem o alimento diário e sem recursos para obtermos a nossa porção diária?

Difícil não?

E ainda recordo as palavras de um espírita que dizia:

"Melhor o médium comer seu bife, do que se atormentar sem ele"

E Gandhi mais sábio dizia:

"Detesto exceções e privilégios.O que não pode ser de todos, não o quero para mim."

Sabemos hoje que um dos meios de combater as mudanças climáticas (uma das origens da fome), é a diminuição da ingestão de carne. Não nos importamos e preferimos comer nosso bifinho, como se o assunto da fome e da degradação ambiental realmente não estivesse contido ali. Já riscando a parte na qual podemos crer ou não que os animais são nossos irmãos e que sentem dor - nosso orgulho ainda não nos permite olharmos os animais de um modo mais misericordioso. Então vamos nos concentrar nos 800 milhões de pessoas que passam fome, inclusive crianças, e vamos frisar bem: "crianças".

Mas nós temos o bife, nós somos todos os dias um dos motivos pelas quais elas passam fome, nós contribuímos com isso toda vez que vamos ao açougue, não sou eu quem afirma isso, essas são as recomendações da FAO e do Banco Mundial. O que faremos agora? Vamos ouvir o espírita que diz que é melhor o bife do que o tormento ou será que seremos tão altruístas como Gandhi e dizer que se eles não tem o mínimo, podemos viver sem o máximo?

Não importa mais se nas obras de Kardec está escrito algo que proíba ou não a alimentação de origem animal. Ele, KARDEC nos indicou o caminho, nos incentivou a pensarmos e caminharmos com a razão e a ciência; não podemos mais nos ater numa única questão quando estamos vendo o Mundo desabar sobre nós, quando nos mostram as soluções para um mundo melhor, mais humanitário. Não! É hora de nos levantarmos de nossa posição confortável e fazermos ao menos o mínimo, já que o máximo ainda estamos longe de alcançar.

Talvez não tenhamos poder para saciar tantas bocas, talvez não possamos evitar a maioria das mortes, mas podemos pensar como Gandhi. Se não nos importamos com os animais, ao menos que nos importemos com as crianças. Se elas sobrevivem à fome, sem a soja e o milho que são dirigidos a ração animal e não a elas, talvez eu possa, como uma gota no oceano ou como o beija-flor que tenta apagar o incêndio na floresta, estar fazendo a minha parte, pequena, mas sei que não estarei inerte diante de tanta dor.


Simone Nardi

Fonte: Feal 

Republicação



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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O SOFRIMENTO DOS ANIMAIS É CARMA?

Foto: Sebastião Salgado


A Bendita Lei de Causa e Efeito (carma, para alguns) explica, sem dúvida, por exemplo, a expiação de crianças nascidas com anomalias graves e/ou irreversíveis, que as sentenciam, muitas vezes, a décadas de sofrimento para si e seus familiares, quando não desencarnam precocemente.

Nenhum espiritualista questiona a explicação de que tão pesada cruz seja o resultado de pretéritas ações equivocadas do reencarnante e, por acréscimo, de sua família também.

Igualmente compreendemos, através desta Lei, as diferenças sociais aberrantes, poder e riqueza paralelos a situações de pobreza e ostracismo de seres humanos, nossos irmãos.

Tão magnânimo quanto justo é o Criador desta Lei, à cuja sombra sucedem-se encarnações e desencarnações, vida e “morte” com a única finalidade de evolução e aperfeiçoamento de Seus filhos, todos nós.

Nem todas as criaturas, porém, se beneficiariam desta Lei de Justiça, segundo a convicção de alguns. Nem todas.

Algumas correntes espiritualistas acreditam em dois pesos e duas medidas no que concerne à esta Lei de Justiça, pois de forma alguma se aplicaria àqueles seres da Criação que, apenas por se encontrarem em patamar “inferior” ao nosso, passariam pela fieira de dores atrozes e padecimentos inenarráveis sob o inconsistente pretexto de adquirir um aprendizado (!?)

Estariam os animais excluídos desta Justiça e Magnanimidade ou nosso orgulho, vaidade e prepotência é que os considera assim, tão pouca coisa para merecer, do Criador um pouco mais?

Apenas para “assimilar lições” seriam atingidos, assim, implacavelmente, não apenas por um sofrimento casual e leve (palmadinhas) mas por prolongadas torturas, abandonos, maus tratos, escravização e abate advindos, principalmente, das mãos do racional superior, exatamente: NÓS, os privilegiados pela Santa Lei do Carma!

Meus irmãos, POR DEUS DO CÉU!

Que pai humano, por mais rude fosse, em sã consciência, basicamente bom e afetuoso, aplicaria corretivos físicos e/ou morais em seus filhos inocentes, sob o pretexto de corrigir os seus erros ANTES de serem cometidos?

Pressupõe-se que os animais, crianças evolutivas, ignorantes do bem e do mal são então punidas com implacável rigor, mesmo sem terem escolhido qual das duas opções?!

Antes de ter errado sofrem punições para aprender a não errar?

Mesmo sem consultar o abençoado LIVRO DOS ESPÍRITOS é possível responder, sob a luz da Razão e da própria Consciência, se com humildade considerarmos os animais como os seres da Criação que um dia fomos, vivenciando experiências que foram nossas, em passado não muito distante, como viajores da Eternidade.

Pais humanos costumam aplicar reprimendas (verbais ou físicas) aos seus filhos, como uma consequência direta de faltas cometidas, jamais por erros ainda não praticados.

Aos bons, por que o “castigo”?

Seria Deus menos justo e coerente ao infringir sofrimento aos animais que ainda não pecaram? Claro que não!

Que explicação espiritual plausível para, exemplo, passarinhos engaiolados por toda a sua vida, décadas, enquanto outros, da mesma espécie, se destinam a escalar horizontes infinitos, escolhendo cada minúscula palha de seu ninho ou dourado grão de árvore abundante, dessedentando-se em poça d'água cristalina, optando pela chuva ou pelo sol?

Que lições de tão grande valor precisa aprender a pobre ave em minúsculo metro quadrado de espaço que não aprenderia lá, onde as outras estão?

Assim como para os humanos, as diferenças notórias de escravidão e liberdade não são meras lições de cruel professor mas, sim, respostas da Lei cuja justiça, quando lesada ou transgredida se aplica a todos os seres, TODOS!

Animais não são ROBÔS.

Pensam, amam, odeiam, sentem. Deduz-se, com isso, que efetuam escolhas. 
Escolher chama-se também: ARBITRAR.

Entretanto, impossibilitadas de arbitrar encontram-se, igualmente, as criaturas humanas padecentes de irreversíveis danos cerebrais, atrofiadas mental e fisicamente que, infelizmente, em razão da própria condição, situam-se, pelo menos nesta vida, quiçá em condição inferior aos animais que, livre de semelhante sofrimento, podem escolher opções do mal ou do bem, por exemplo. Tênue é esta linha de demarcação entre o raciocínio ou a idiotia e quase impossível demarcá-la, perfeitamente, entre as várias espécies da Criação de Deus.

Humanos agem por instinto selvagem, algumas vezes, onde animais se nos apresentam como heróis de coragem e bravura, salvando vidas.

Diariamente assistimos o filme de horror de noticiários em que animais são espancados sem piedade por humanos, atirados de grande altura, amarrados em veículos e arrastados até a morte, queimados vivos, abatidos para o consumo do ser racional “superior” privilegiado pela Santa Lei de Causa e Efeito: NÓS.

Infernos de animais não são castigos, tanto quanto paraísos de animais não são prêmios.
São apenas a colheita dos atos praticados, assim como a nossa.

Fidelidade e bravura não são prerrogativas, apenas, de alguns humanos. Poderíamos, então considerá-las expressões do instinto, apenas porque provenientes de seres “menos evoluídos”?
Ou, se pensarmos com justiça, para uns e outros, são a MESMA COISA?

Doutrinas espiritualistas não admitem inteligência e/ou livre arbítrio nos animais. No entanto, ao considerar, neles, um princípio inteligente, estão simplesmente corroborando que: se pensam, escolhem; se escolhem arbitram; e, se arbitram conseguem estruturar prisão em uma gaiola ou liberdade nos céus amanhã, dependendo, exclusivamente dos próprios atos, hoje.

Pronto, aí está, límpida como a água, porém inaceitável para muitos, a razão do sofrimento nos animais. O carma.

Na verdade todos somos o resultado das próprias escolhas anteriores. Os animais, idem.

Um cão se atira a um rio gelado, arriscando a própria vida para salvar a do seu tutor, ouvindo a voz do seu coração, mesmo quando o instinto grita-lhe para salvar a própria.

Animais abnegados doam o naco de alimento a outro, ferido, por Compaixão, quando o instinto os faria saciar a própria fome.

Mães animais amamentam bebês de outras espécies, por Amor, quando o instinto as faria guardar o leite para a própria cria.

Aonde a mão Divina se absteve de traçar limites a sentimentos tão sagrados, aí, não deveria a mão humana estabelecer diferenças de prerrogativas entre humanos e animais, ao considerá-los desprovidos de pensamentos, emoções e atos, não raras vezes, superiores aos de humanos.

Fidelidade ou altruísmo tanto quanto ódio ou crueldade são movimentos da alma, passíveis de consequências, boas ou más, tanto para nós, quanto para “eles”.

Existem animais perversos tanto quanto humanos, da mesma forma que animais bondosos e altruístas, tanto quanto nós. A colheita, em vida futura, chama-se  Lei de Causa e Efeito equivalente à Justiça, porque proveniente DELE.

Palavras humanas, infelizmente, ainda geram questionamentos, polêmicas, indefinições.

 Não há problema para os animais. Eles ENTENDEM. Pode se chamar de CARMA.



Sandra





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domingo, 6 de março de 2011

Oração


Sebastião Salgado: Ave


Que Deus faça o homem enxergar a vida
Para que ele cure as feridas
Que causou em si mesmo pelo seu egoísmo
Que Ele faça o homem despertar sem demora
Pois é o fim dos dias e é chegada a hora
De lutar para saciar a fome de amor
Que ele esqueça a ganância e volte a ser criança
Que ignora o credo , a raça e a cor
A criança inocente que não guarda rancor
E que dá para o mundo, seu mais puro amor
Que o homem dê à Deus, tudo o que Ele nos deu
A chance de amar, de criar e irmanar
Um céu sob o qual deitar, a relva para sonhar, o mar para nadar
Para que a Terra sobreviva sem as guerras
Para que ela nos mostre que nossas sequelas
Serão escondidas da próxima geração
Para que Deus nos abençoe e nos faça agir com o coração.

Simone Nardi

17/02/03





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