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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

AQUILO QUE VOCÊ NÃO VÊ





As festas de fim de ano são para comemorar a VIDA, não a morte, pense nisso toda vez que olhar para sua ceia de Natal e Ano Novo, há aquilo que você vê, mas por detrás dela há aquilo que você não vê.


Feliz Ano Novo


Simone Nardi



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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Apenas Um - Conto















Seus olhos tristonhos  focalizaram o asfalto úmido no qual caminhava. Aquelas luzes deveriam significar felicidade, não tristeza. Era Natal. Nascimento. Vida. Amor.
Mas talvez não para ele.
Seus pés estavam molhados, seu corpo sujo e fedendo a óleo. Seu estômago doía, pois há dias  não se alimentava. As pessoas se afastavam dele, o humilhavam. Riam de sua tristeza. Nem mesmo o significado daquela noite as fazia perceber que ele necessitava ao menos de uma palavra de carinho.
As casas ricas e enfeitadas o abominavam. Os transeuntes desciam das calçadas para não passarem perto dele. Ele sentia sede e fome. Sentia tristeza e solidão. Desprezo.
Recomeçou a andar sem rumo quando uma voz forte e decidida o chamou.
—      Hei amigo, venha , eu também estou abandonado essa noite.
Aqueles olhos tristes criaram  luz, um raio de alegria que o fez dar meia volta e aproximar-se do velho mendigo que, como ele, estava imundo e molhado pela garoa fina. As mãos estavam sujas, mas lhe acenavam com alegria. O rosto, marcado pela dureza da vida, mesmo assim um sorriso o acolhia. Ele não pensou duas vezes e correu na direção daquele abraço carinhoso do qual tanto necessitava.
Sentiu-se seguro. Amado, realmente querido. Quando sentaram-se em frente as belas mansões e dividiram um pedaço de pão , sua alegria transformou-se em jubilo. Ele reviu as mesas fartas, as pessoas ricas que não se importavam com sua fome, no entanto aquele mendigo dividia com ele seu único pedaço de pão. Talvez a humanidade ainda não estivesse perdida.
Sua língua comprida lambeu as mão imundas e o rosto abatido daquele velho mendigo que acariciava seus pelos desgrenhados. Ele não era apenas um cão de rua, agora era um amigo e permaneceu ali até o homem adormecer sob a noite  chuvosa.
Então,  em silêncio, começou a se afastar. Uma luz imensa rodeou-lhe a figura e o que eram patas  tornaram-se pés. Os pelos sumiram e um manto alvo cobriu-lhe o corpo, um par de asas romperam-lhe das costas e ele alçou um voo silencioso em direção ao céu.
A chuva cessou e o céu resplandeceu em estrelas enquanto sua voz poderosa clamava.
“Abençoai os homens , Senhor, pois ainda resta-lhes no coração o amor. Eu vim e descobri um que fez valer a pena. Apenas um, como me pedistes . Deixai prosseguir a vida na Terra, por ele eu vos peço. Perdoai a humanidade e não a destruí, pois uma alma nobre ainda sabe o que é Natal”
E o anjo da destruição partiu, deixando que as estrelas iluminassem a Terra e os homens que ainda conseguiam vê-las.



Simone Nardi



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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Uma casa com 25 cães (Conto)

SRD: Bono

A casa era pequena, antiga e com muito a fazer.A família era pequena, só três e trabalhavam para valer.

Foi assim que tudo começou, uma pequena Pastor Alemão a corda da vida puxou.Vieram outros então:

A Doberman, a Rottweiler, o Akita, esse então que decepção, ao invés de um gigante, tornou-se um anão.

Guará- SRD
E muitos outros se juntaram: filhos, filhas e netos, mas com eles, algumas mortes chegaram.Tristeza no coração, a morte traz com ela a forte dor da emoção. Então veio o primeiro, tão velho tadinho, tão feio, cão vira-lata, sem tutor, perdido, pura desgraça.Veio outro, um pequenino, preto, branco, o infeliz era tão feinho.

Foi daí que começou a confusão.

Não parava mais de aparecer cão!

Era alto, era baixo, curto, comprido, gordo, magrinho, preto, branco e até uns malhadinhos. Os antigos canis, outrora vazios se encheram de vida novamente e onde colocar tanto cachorro indigente?

Não havia solução, o certo era agora, endurecer o coração. Mas eis que aparece um pobre coitado, pela sarna tão maltratado.Passa remédio, oferece água, ração, vai embora o bastardo em busca de alguém que possa lhe estender a mão.

Passa um dia. Passa outro.Lá vem aquele mesmo cão, mas traz ao seu lado um amigo.É mais um cão desvalido.Talvez seja essa a nossa missão.

Mas não pára aí. Agora surge uma fêmea. Oh coitadinha, tão feia, vem silenciosa e se posta diante do portão, não arreda o pé, como a pedir em oração:

“Hei você, quero uma pouco de ração!”

Mas como ela sabe?De onde veio?Quem a mandou?E por que logo em frente a minha casa, essa danada parou no portão?

Não sei responder, seu prato de ração está lá fora, ela está a comer.E segue o dia, passa o dia, é a mesma situação.Um ou outro cão, sentado ou na esquina, ali, parado, aguardando o “Bandejão”.

Vem de longe as criaturas, andam por ruas e ruas.Almoço e jantar.Só um ou outro é que ousa falhar.

Tem os que latem insistentes:

“Hei estou com fome, não me viram aí, oh gente?”

Tem os que ficam calados, aguardando um anjo avisar:

“Hei, tem um cão lá fora, parado, saias para o alimentar!”

Outros disfarçam, caminham de um lado para o outro dizendo:

“ Hei, será que alguém aí está me vendo?”

E assim é que prossegue, dia a dia o "Bandejão".Como eles sabem? Não sei, mas sabem que aqui têm ração. E dos olhos seus, confesso, vejo brotar gratidão.Um abanar de rabo, um latido, sei que meu dever está cumprido.Ouso falar, meu irmão, de um certo caderninho que Deus tem guardado no céu e onde com certeza, o meu nome  e o de tantos outros, ali estão escritos.

Simone Nardi

 








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