Mostrando postagens com marcador foca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador foca. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Selo “Animal Pet” ?

Carne de Boi ou carne de cachorro? Qual a diferença?



Outro dia recebi pelo Face uma mensagem de uma pessoa totalmente alterada que vociferava contra os chineses e o festival de carne de cachorro de Yulin. A cada data comemorativa recebo centenas de mensagens revoltosas contra o assunto só para que me vejam questionar como sempre:

“Você ao menos é vegetariano-vegano?”

De cada 10 que reclamam duas são, as demais vociferam o dobro alegando que uma coisa nada tem a ver com a outra, porque cães são “Pets” – que significa Fofo ou animal preferido -, porque cães são os melhores amigos do homem, porque cães são inteligentes.

É desconsiderar a própria inteligência alegar coisas assim.

GOOGLE

Esse veio substituir o antigo “pai dos ignorantes” (ignorante de desconhecer mesmo) o antigo Dicionário Aurélio, onde corríamos procurar as palavras que desconhecíamos. Hoje o GOOGLE é mais completo ainda, além de palavras podemos descobrir sobre a inteligência e a senciência dos animais.

Podemos ver que cães não são “pets”, “pets” são objetos que as pessoas usam para aparecer na sociedade, normalmente são comprados por preços absurdos possuem raça, registro, usam roupas caríssimas- de grife lógico- sapatinhos, pingentes, pintam as unham coisas que Cães/animais não gostam. “Pets“ são humilhados por “donos” que necessitam colocar neles suas próprias características e vaidades; “Pets” possuem “donos” que não os aceitam como são: Cães. Por isso os chamam de “Pets”, ou seja:  o meu objeto de estimação, o meu objeto de companhia ou simplesmente meu “Pet/Objeto” para desfilar por ai para que outras pessoas vejam e literalmente “morram” de inveja.

Esse não agride visualmente por não ser considerado Pet

Isso não torna correto fazer um animal  virar ou não comida, isso não o credencia como um animal “acima” dos demais; somente alguém muito orgulhoso usaria o termo “Pet” para dizer que este ou aquele não pode virar comida, embora as pessoas comumente façam isso no dia a dia, afinal quem tem uma vaca “Pet” não a devora, mas devora as demais. Quem tem um porquinho “Pet” não come a pururuca dele, mas a de seus outros irmãos que não tiveram ao nascer o mesmo carimbo de “Animal Pet”.

Ah, mas os cães não podem virar comida “porque são o melhores amigos do homem”. Quem disse isso? Um homem? Mas e os homens que criam gatos? Gatos então podem ser devorados? Mas existem homens que criam cobras, ratos, lagartos, peixes, escorpiões, aranhas, estes também podem ser devorados ou entram na categoria “Pet”?

Se os cães fossem mesmo “o melhor amigo do homem”, não seriam abandonados pelas ruas nem seriam obrigados a se tornarem uma grife “Pet” que gere Status para seu “dono”.

Porque “Pet” possui “dono” enquanto cães possuem “tutores”.

Muitos que escrevem reclamando da cultura chinesa em relação carne de cães compram produtos chineses, roupas, bichinhos de pelúcia que por várias vezes após a investigação particular de protetores de animais, foi descoberto que a tal “pelúcia” era feita com pelos de cães e gatos, mas existem os cílios postiços, as jaquetas, sapatos, cintos de couro, tantas coisas que a china exporta e que contem pelos ou couro de animais, sobretudo de cães e gatos...

E algumas pessoas ainda se dão ao trabalho de escrever como “entendidos no assunto” e “defensores da moral e da ética” que os chineses sim são um povo do mal, que chineses deveriam morrer, mas falam isso dentro dos “Macdonalds” da vida, saboreando um hambúrguer duplo sem se preocuparem se o animal que eles mastigam sofreu, teve medo,  se era senciente ou se possuía uma alma....

Visualmente normal por não ser Pet

Não, ofender o povo chinês mostra que sou racional, afinal não aprovo a matança de cães. E escreve horrores enquanto pede a picanha na churrascaria, sem se dar conta que todos os animais são iguais, é apenas a cultura do orgulho humano que os diferencia no momento de devorá-los. Esses também gritam contra as touradas e a farra do boi enquanto enfiam na boca e mastigam um pedaço de suíno, que também poderia ser um “Pet” se tivesse tido a sorte de ter recebido este carimbo ao nascer.

Coitado do vegetariano que entrar neste grupo e questioná-los sobre sua alimentação....

Vai ser ofendido tal como o povo chinês, só porque foi ser coerente. Experimente ler a acalorada discussão dos pseudos-sábios a respeito do festival chinês e tente colocar ali algo para racionalizarem a respeito dos animais, fale sobre o sofrimento dos bois, dos porcos e das galinhas e logo todos eles se esquecerão da China e verão em você o alvo do momento. Vão lhe dizer que comer bois é algo normal, afinal eles foram criados para isso. Qual o problema em comer porcos, isso é culturalmente aceitável. Vai ouvir que galinhas não são inteligentes e que não sofrem na hora do abate. Li numa destas discussões  um cara dizer que os chineses pegam cães de rua para abater e me lembrei da Operação Carne Fraca e de todos os desdobramentos depois dela:carnes com papelão, com abscessos, podres, contaminadas com salmonella...embargos, embargos embargos, acredite até a China embargou a carne brasileira.

Bois, porcos, galinhas podem ser mortos porque não são inteligentes? Mostre-lhes a verdade e eles recusarão. Mostre-lhes a senciencia e eles retrucarão: mentira.

"Cegos que vendo, não veem"( José Saramago)

E ao deletar tantas arrogância do meu Face fico me questionando:

Quanta ignorância ainda iremos ver, ler e ouvir?

Visualmente ofensivo por ser considerado um Pet??

Os maus tratos aos animais incluem muito mais do que lutar apenas pelos cães da China  ou pelos golfinhos e baleias do Japão, ou ainda pelas focas no Canadá, na Rússia, na Noruega e na Groenlândia  ela se inicia pelo seu prato de cada dia, se você acredita ser impossível para você parar de comer carne, o que também é um fato cultural, não seja hipócrita. Saiba que você somente se revolta contra este tipo de coisa porque as imagens lhe são expostas e que você até hoje, jamais buscou ver uma imagem de um boi, porco ou galinha morrendo por lhe causar pena - e não revolta - e muitas vezes por seu desejo de permanecer comendo carne. A proteção animal necessita de lutadores, de pessoas capazes de ver a morte em seu prato e se repugnarem a tal ponto de mudarem a alimentação, não precisamos de “protetores” de ocasião para nos lembrar de uma luta que vem sendo travada há anos.



Simone Nardi







Gostou deste Blog? 
Mande um recado pelo
Nos Ajude a divulgar 





Licença Creative Commons     Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2017
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2017

terça-feira, 20 de maio de 2014

A dor dos Animais



Este artigo pertence a João Ventura e pode ser lido diretamente no site 

O leitor sem qualidades 

Estávamos procurando pelo livro "Diante da Dor do Outro" de Susan Sontag, que retrata como podemos ver, através de imagens de guerras e conflitos em geral a dor do outro; por que a esquecemos tão rapidamente, por que apesar da imagem nos agredir não tomamos nenhuma atitude?? 

A ideia era escrever um artigo sobre o assunto e lançar um desafio aos colaboradores do blog para escrevessem, cada qual a sua maneira, sobre a Dor do Outro, especificamente dos animais.

Quando duas pessoas fazem a mesma coisa, não é a mesma coisa, imaginemos então 3 ou 4 pessoas escrevendo a "mesma coisa". Desafio lançado, fomos procurar o livro na internet.

Foi assim que nos deparamos com este artigo , e que, juntamente com o livro de Sontag nos deu inspiração para que cada colaborador escrevesse livremente sobre o tema "Diante da dor do Outro" e serão estes variados artigos que postaremos durante essa semana e nada mais justo ao artigo e ao autor que seja ele que venha abrir os posts dessa semana.

 Boa leitura 



Tema da semana: "Diante da dor do Outros, livro de Susan Sontag"....










 A Dor dos Animais


João Ventura



Elefanta sendo executada


Mary, uma elefanta de circo executada em 1916, no Tennessee, diante de uma multidão de milhares de pessoas, após reagir a maus tratos e matar um treinador tem sido interpretada como símbolo da repressão e abuso contra animais em circos. A execução com um tiro na cabeça, no zoo de Copenhaguem, de Marius, uma jovem girafa, não por se ter revoltado contra o tratador mas para prevenir problemas de consanguinidade e, depois, esquartejada em bárbaro espectáculo diante dos visitantes, com peritos a explicarem a anatomia do animal aos presentes, entre os quais muitas crianças, antes de ser servida de repasto aos leões, poderia bem constituir um dos inumeráveis remakes da mesma violência infligida pelo homem aos animais. 

O que liga estes dois acontecimentos aos muitos outros sofrimentos que o homem inflige aos animais de maneira menos visível como na produção de carne, na extracção de peles, na indústria de cosméticos, em práticas culturais, em experiências científicas, não é tanto a crueldade sádica mas uma violência banal, endémica, contra os animais que prefigura sempre uma violência contra os homens: “A crueldade contra os animais acostuma-nos à crueldade contra os homens”, avisa Coetzee em A vida dos animais. Como neste relato sanguinário que no romance-ensaio Às Cegas, Claudio Magris põe na boca do aventureiro islandês descobridor da Tasmânia: 

“Matar os fugitivos, os cangurus, as baleias – todas as baleias, auspiciou o governador Collins, porque atrapalham as actividades na foz do Derwent – as focas. Na grande baía de North Cape centenas de carcaças de focas esfoladas jazem na praia; os barcos carregados com a sua pele vão-se afastando da margem em direcção ao navio, os pássaros estão já a descarnar os animais macerados à paulada e até mesmo os filhotes são cândidos pompons emporcalhados de sangue. A extensa onda anuncia-se como um sopro profundo, as baleias chegam à foz do Derwent prenhes, viajaram milhares de quilómetros para ali virem parir, como fazem há milénios; as pequenas baleias saem do ventre das mães arpoadas, sangue viscoso do parto e sangue límpido da morte”. 

Conta W. G. Sebald, em Os Anéis de Saturno, que um tal Noël de Marinière, inspector do mercado do peixe de Rouen, viu um dia com espanto um par de arenques que ainda mexiam ao cabo de duas ou três horas em seco e decidiu averiguar melhor qual a capacidade de sobrevivência destes peixes, o que fez cortando-lhes as barbatanas e mutilando-os de diversas maneiras. Este procedimento, inspirado pelo nosso impulso para o saber, é por assim dizer o ponto culminante da história de dor de uma espécie constantemente ameaçada de catástrofe”.  Não observámos já, também nós, nos nossos mercados de peixe, uma cena de crueldade semelhante que ignorámos na convicção de que a fisiologia dos peixes os isenta do medo e das dores que sofrem os corpos e as almas humanas no estertor da morte? 

Donde provém esta banalização do mal contra os animais capaz de estender-se, como a História já comprovou demasiadas vezes, aos próprios homens? Trata-se de uma convicção sem consistência baseada numa convicção antropomórfica arbitrária, segundo a qual os animais não são seres sencientes, não sofrem. Esta convicção resulta de uma cisão entre natureza e cultura que, diz-nos Hölderlin, nos deixou órfãos dos deuses e sem possibilidade de redenção. Ora a etologia ensina-nos que os animais não têm apenas mecanismos instintivos, como a ignorância de alguns e o comodismo de quase todos fazem acreditar. É que - como considera a personagem do romance de Robert Musil que não tendo qualidades alheias, tinha, contudo, a qualidade de reconhecer a alma dos animais-, se Deus se fez homem, poderia ou deveria também fazer-se gato ou flor.

Como olhar com bondade para os animais se a nossa cultura não vem nem dos bosques do poeta Eichendorff nem do mar de Melville, pergunta-se Claudio Magris, em Danúbio? Para afirmar, em seguida, que a mundanidade social constitui o nosso horizonte. Civilização e moral baseiam-se, assim, na distinção entre homens e animais cujas existências mínimas fazemos por ignorar a não ser na sua coisificação em nosso proveito, como sustenta Kant: “As nossas obrigações com os animais são apenas obrigações indirectas com a humanidade.”

A fraternidade solidária humana - que não obstante a sua retórica hipócrita não pára de falhar, atirando os desprotegidos do mundo para a pobreza e o sofrimento - não apenas exclui os animais como, sem consciência da irredimível dor causada, retira à própria Humanidade qualquer esperança de redenção, como afirma Magris: 

 “A irredimível dor dos animais, povo obscuro que acompanha como uma sombra a nossa existência, lança sobre esta última todo o peso do pecado original”.   

Por isso, contra a cegueira que não nos deixa ver o medo e dor dos animais, reconhecer que também a elefanta Mary e a girafa Marius têm direitos universais e invioláveis. E deixarmo-nos, como Marguerite Yourcenar, comover perante "este aspecto perturbador do animal que não possui nada, a não ser a vida que quase sempre nós lhe roubamos”.

João Ventura 


Fonte:O leitor sem qualidades 







Gostou deste artigo?
Mande um recado pelo
Nos Ajude a divulgar 






©Copyright Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2014
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2014