Mostrando postagens com marcador olhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador olhos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Amor Incondicional





Renno

(Baseado numa história real)



Renno era o  único filhote que ficara de uma ninhada de 12 cãezinhos. Desde cedo já se podia notar seu talento especial para proteger e o carinho que mantinha pelos tutores. Aos dois meses ficara com parvovirose e a doença fora tão forte que durante um mês Renno lutara pela vida. Passada a doença, descobriu-se que Renno não desenvolvera todo seu potencial, ficara um Rotweiller pequeno, vistoso e muito carinhoso.
Quando completou seis meses chegou Tayler, outro filhote de Rotweiller . Com apenas dois meses as pessoas achavam que tinha 4, com certeza ultrapassaria Renno em tamanho e força, foi quando surgiu a dúvida.
Como acostumar dois machos de Rotweiller juntos, quando tantas pessoas diziam que era impossível. Enquanto se pensava, Tayler dormia num quarto e Renno no outro. Juntar ou não juntar? Os dias passavam.
Vamos juntar e ver no que dá.
Dia de sol. Renno no quintal. Mostra o filhotão. Cheira daqui, cheira de lá. Rosnados por parte de Renno. Não vai dar.
Insiste. Põe o filhote no chão. Cheira, cheira. Cutuca com o focinho. Tayler rosna. Renno rosna. Silêncio. Tayler provoca Renno, mordisca a canela, a pata. Renno se vira, olha feio mas aceita a brincadeira. Quinze minutos depois ninguém mais diz que eram estranhos.
Os meses passam. Tayler cresce. Renno não. As brincadeiras continuam, e os rosnados também. Logo se vê que um não vive sem o outro. Renno vai para a casinha. Tayler deita na porta.
Renno vai para o portão. Tayler segue atrás.
Dividem a casa. Dividem o quintal.
Tayler é simplesmente o dobro do tamanho de Renno, mas há respeito e carinho entre eles, se Renno rosna, Tayler abaixa a cabeça respeitoso. Nunca haveria briga.
Os anos passam e a alegria continua. Renno é sempre mais sério, com a idade não aceita mais brincadeiras, já Tayler quer brincar, quer morder, mesmo assim respeita o companheiro. A seriedade deixa os dois um pouco mais afastados. Renno tenta se afastar, mas o companheiro não permite, está sempre ao seu lado, sempre o seguindo, sempre disposto a brincar, nem imagina a força que tem, mas sempre se dobra aos desejos do amigo.

Tayler

Vem a doença. Babesia. Tayler fica irritadiço. A perna traseira incha. Dói. Separar ou não os dois amigos. É melhor não. Rosna daqui, se estranha de lá. A briga nunca acontece, ficam de mau por alguns minutos e logo estão juntos de novo.
Tayler piora. Dizem que não há mais cura. Renno não rosna mais. Desconfia que há algo errado.
Mas como? É apenas um cão!
Não se sabe.
Hemorragia. As vistas de Tayler dilatam. Ele não consegue enxergar. Ninguém percebe a princípio até ouvir os latidos de Renno.
Saímos.
Tayler com a cabeça baixa não consegue voltar para a casinha. Renno ao seu lado tem expressão preocupada. Com o focinho força o amigo a levantar a cabeça. Late! Empurra o companheiro na direção correta. As pessoas, sem entender o que está acontecendo, tentam afastá-lo, dão bronca, não compreendem sua preocupação. Mas ele insiste, volta e os empurra até chegar novamente ao amigo. Late  e mais uma vez tenta fazer com que Tayler levante a cabeça.
Renno é preso, mesmo assim não se acalma, sabe que o outro precisa de sua ajuda.
Veterinário, injeções, anemia profunda. Tayler está se despedindo. Separamos os dois afinal, Tayler está com dor, irritado, não queremos briga. 
Não compreendemos bem os animais.
Tristeza ao amanhecer. Tayler partiu. E agora  o que fazer além de chorar?
Alguém acha que Renno deve se despedir. O portão é aberto. Tayler está deitado, coberto. 
Não entendemos os animais.
Renno assim que o vê começa a ganir. Se aproxima e cheira o companheiro. Com a pata, retira o cobertor que cobre o outro. Late. Arranha o amigo como que pedindo que ele se levante. Finge que quer brincar. Choramos. Tentamos afastá-lo do amigo mas ele se recusa a sair. Insiste com a pata para que o amigo venha brincar com ele. Continua a latir e a se curvar diante do outro.
Finalmente começamos a entender os animais.
Renno sofre. Quer o amigo de volta. Quer as brincadeiras, os rosnados. Aquele é o seu jeito de chorar, o seu jeito de dizer adeus. Voltamos no tempo, ele focinhando o amigo na direção da casinha. Atrapalhamos seu auxílio. Os separamos quando devíamos tê-los deixados juntos. Eram como irmãos. Agora Renno estava sozinho e sentimos nele a falta que Tayler igualmente nos faz.
Hoje nós compreendemos os animais, pena que tenha sido de uma forma tão triste.


Simone Nardi



Gostou deste Blog? 
Mande um recado pelo
Nos Ajude a divulgar 







Licença Creative Commons     Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2017
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2017

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O homem de branco

Cão usado em experimentação



Ao término de uma das aulas práticas notei aquele homem de branco; seus olhos desprovidos de qualquer sentimento de piedade; ele olhava o corpo estendido numa das mesas, imóvel, gelado. Não havia qualquer sinal de que se importasse com ele.

Talvez porque se achasse superior aquele corpo pequeno, nada harmônico, sem raça como o que, provavelmente, ele tinha em casa. É, o animal estava muito abatido, mas era a fome, porque ele encontrara pelo caminho apenas pessoas como aquele homem de branco que o olhava. Sim, o animal era mesmo um dos mais desfavorecidos na Terra, pois, assim como era aquele homem que o olhava, ele só conhecera o lado mais vil e desumano daqueles seres que se achavam superiores, só encontrara pessoas como aquele homem de branco, sem amor, sem sentimento e sem compaixão pelos seres por eles, considerados inferiores, se houvesse um dia cruzado com alguém que não se achasse superior, talvez seu corpo não estivesse agora, diante daquele frio e orgulhoso homem de branco.

Se tivera dono não era importante, o importante era que muitos homens diante dele tiveram a chance de se tornarem grandes, realmente grandes, fazendo brotar em seus corações o sentimento que eleva a humanidade; o Amor.Nenhum dos homens que encontrara fora capaz de amar. Todos possuíam corações duros, orgulhos, perdidos, todos iguais.

Se ele não tivera amigos não era importante, importante é que ele dera a muitos, inclusive ao homem de branco que o fitava, a chance de aprender a Ser Amigo e eles todos, inclusive o homem de branco, mostrara-se incapaz de tornar-se amigo.

Ele dera chance aos homens, inclusive ao homem de branco,de ser fiel, leal, afetivo, mas ele se negara veementemente a ser tudo o que era bem e se engalfinhara no mal que existia nele.

A morte não provocava o fim de uma existência, ao contrário, ela mostrava que a existência humana sequer era digna da morte, pois que não acreditavam em nada a não ser neles mesmos. 

Macaco usado em experimentaçao
Que orgulho tolo e infantil nos olhos do homem de branco.

Nada sabia da vida pregressa do homem de branco, mas ali, diante dele, descobri em pouco minutos o que ele era. Era um ser humano incapaz de amar, de se relacionar, de tornar-se amigo e ter compaixão; como é triste saber que desperdiça a chance de tornar-se bom que todos os dias esses amigos lhes trazem e ele continua adormecido no orgulho de sua mente débil e obsoleta.

Certamente nada que fizera em sua vida fora relevante, já que voltava às costas diariamente para o bem e para a compaixão. Com certeza quando morresse, estaria tão só quanto aquele corpo frio que agora fitava, pois ainda tolo, acreditava que a morte traria a vida. 

Tenho pena dele, mais do que sentiu de mim ao me abrir sem qualquer piedade, ao me eutanasiar quando tudo o que eu lhe pedia era o seu progresso sentimental e não o meu, tenho pena dele por mostrar que nada aprendeu da vida a não ser matar e matar e matar. 

Tenho pena dele por achar que foi piedoso ao matar um ser que desejava ardentemente viver. Deixando-me só ao abandono e acreditando-se ainda um deus, falso, corruptível, cheio de rancor.

Peço a Deus que se apiede dele, mais do que ele se apieda daqueles a quem tira a vida inutilmente, pois não busca por outras soluções, está tão calcado em si mesmo que não consegue reconhecer o avanço da ciência.
Filhotes de simios

Peço a Deus que não o deixe morrer como ele me matou, peço a Deus que o embale e lhe estenda a mão como ele se negou a fazer por mim e por outros companheiros que partiram em suas mãos, pois apesar dele me achar irracional, eu ainda acredito em Deus e sei amar , respeitar e pedir por pessoas como ele e a quem me oferece abrigo.

E hoje, apesar de ser ignorado como ser vivo, por pessoas como ele, estou em paz, ao contrário dele, que jamais na vida saberá reconhecer a paz e o amor.

Carta de um dos muitos cães para um dos muitos homens que ainda não descobriram que a ciência deveria humanizar os homens e não desumanizá-los.



01/11/2006

Simone Nardi











Gostou deste artigo?
Mande um recado pelo
FALE CONOSCO 
Nos Ajude a divulgar 
Twitter 
Facebook 
Enviar por email




©Copyright Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2014
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2014

sábado, 24 de maio de 2014

LEÃO E O PEIXE



Leão envergonhado



Leão, rei da selva e da relva verdejante,
Deitado fica em sua grande rede,
Olhando quieto aquele amor inquietante,
Pois longe dele, durante o dia esteve

No lago quieto, pequeno mar repousante,
Dois olhos espreitam quietos, é o peixe
O danado  pensa, onde ela esteve ?
Sonhando está agora, com sua amante

E o céu cresce no coração
Daqueles dois amantes, leão e peixe
Que separados dela, durante o dia estão
A espera da noite que a reveste

E a amada Lua, sorri faceira e se envaidece
Tem dois amantes, e quão diferentes são
Um esperto marinheiro, é o peixe
Um tão grande e forte, é o leão.



Simone Nardi



Gostou deste artigo?
Mande um recado pelo
FALE CONOSCO 
Nos Ajude a divulgar 
Twitter 
Facebook 
Enviar por email




©Copyright Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2014
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2014

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A dor do outro

Primata atrás das grades


“O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos, como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior”.


Albert Einstein







Esse  pensamento fez-me lembrar de um dos ensinamentos de Jesus: “Amai ao próximo como a si mesmo”. Mas o Mestre não especificou se o próximo era o seu irmão de sangue, sua mãe, ou seu pai. Não especificou se o próximo seria mesmo aqueles que estão próximos ou que são iguais a você. Em meu entendimento, o próximo é muito mais. É como Gandhi disse: “o próximo é tudo o que vive”. E quando pensamos assim, estamos aumentando gigantescamente o nosso círculo de compaixão. Deixamos de amar apenas os nossos familiares e amigos e passamos a amar tudo o que vive. 



Entre tantos seres viventes, estão os animais. Sim, eles também são o nosso “próximo”. Estão presentes em nossa vida não para que façamos deles meros objetos. Eles têm sentimentos, alma, sofrem, necessitam do nosso auxílio para seguirem rumo à evolução. O que ocorre é que nós “humanos”, em nossa prepotência e soberba, julgamo-nos superiores, feitos à imagem e semelhança de Deus. Diante desse grandioso orgulho, sentimo-nos no direito de usurpar as vidas inocentes que estão em nosso planeta tão-somente para evoluírem, assim como nós mesmos, seres imperfeitos que somos. Desde os primórdios, estamos destruindo sem piedade tudo o que nos cerca, numa frieza implacável. 

Contudo, aos poucos, algumas mentes adormecidas foram despertando e pouco a pouco expandindo em si mesmas o sentido de amar ao próximo.  Alguns já conseguem se colocar no lugar do outro, sentir um pouco a dor alheia. Mas não é fácil. Temos a tendência de amar os nossos familiares, alguns poucos amigos e, se amarmos além, como, por exemplo, a um animal, amamos apenas aquele que é “nosso”, o cachorrinho de estimação da família. Não conseguimos enxergar no cão de rua o nosso próximo, aquele que necessita da nossa compaixão profunda. Não conseguimos nos colocar no lugar dos nossos irmãos que todos os dias são abatidos friamente, apenas para se transformarem em pedaços de carne. E por que fechamos os nossos olhos? Porque ainda não sabemos amar. Amamos de maneira egoísta, um amor que aprisiona, sufoca e mata. Amamos como se nosso coração não suportasse amar mais. Dedicamos o nosso carinho e respeito apenas àqueles que estão literalmente próximos. Enquanto permanecermos assim, o mundo será de provas e expiações, porque é inimaginável um planeta de regeneração onde o significado da palavra amor ainda é tão mesquinho.

Filhote abandonado, parece invisível para os seres (h)umanos que passam por ele.

Precisamos abrir nossos olhos, os da alma, para enxergarmos o que ainda é invisível para a maioria e, quando estivermos com os olhos abertos, precisamos ajudar a abrir os olhos dos que nos cercam para que vejam que o próximo pode estar em qualquer lugar que nosso pensamento possa alcançar. Notaremos em toda a parte mãos precisando das nossas para serem conduzidas. Fitaremos pessoas com os corações necessitados de um pouco de ânimo para seguir em frente. Sentiremos as plantas necessitando de nossa proteção e cuidados. Ouviremos os animais pedindo para viver, para terem a oportunidade sagrada da vida, que lhes tiramos simplesmente pelo fato de não os considerarmos como nosso próximo. Que cada um de nós abra os olhos, o coração. Que possamos expandir nosso círculo de compaixão, estendendo nosso amor para tudo o que vive. Somente assim seremos capazes de exercitar, em sua plenitude, nossa condição de seres humanos. 




Fernanda Almada   



Gostou deste artigo?
Mande um recado pelo
Nos Ajude a divulgar 






©Copyright Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2014
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2014
      

quarta-feira, 2 de abril de 2014

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

 

Ser humano como marionete

 

 

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

(João 8:32)

 

 


Todos buscamos a libertação que nos livrará dos nossos preconceitos, dos nossos medos, das nossas angústias. Procuramos a verdade, mas cada um enxerga como verdade aquilo que está preparado para enxergar. No âmbito espírita, temos encontrado diversos propagadores da Doutrina afirmando, para quem tem dúvidas acerca da questão dos animais que, segundo o Espiritismo, eles são nossos auxiliares e estão no mundo para nos servir. 

Quem tem olhos de ver, nota que os animais são nossos companheiros de jornada, necessitados de nossa proteção e auxílio rumo à evolução. Afinal, nós estamos para os animais assim como os anjos estão para nós. Alguns estudiosos do Espiritismo e também da questão dos animais aos poucos foram percebendo que eles não estão aqui para nos servirem como meros objetos, como seres que não sentem, ou que agem apenas por instinto. Foram descobrindo, juntamente com a ciência, que os animais sentem. Através dos estudos espíritas, podemos notar que eles existem para si mesmos, para sua própria evolução, e não para terminarem nos pratos dos próprios espíritas que leram e releram André Luiz, Irmão X, Emmanuel, Allan Kardec e tantos outros. 

Tornozelo humano acorrentado
E é aí que podemos notar que só vê quem tem olhos de ver, e que a verdade só libertará quem quiser se libertar. Primeiramente, é preciso se libertar do egoísmo, do orgulho, da vaidade. Muitos espíritas conceituados, com livros publicados, que difundem a Doutrina em inúmeras palestras pelo país, não conseguem perceber que lhes falta humildade para reconhecer que estão errados em causar ou, pelo menos, compactuar com o sofrimento dos animais em todo o planeta. Não conseguem perceber que deveriam levantar bandeiras e se juntar aos que lutam pela proteção desses nossos irmãos indefesos. 


O velho bordão de que Chico comia carne e que, por isso, eles também têm de comer, porque não chegam aos pés de Chico, cai por si, porque ele foi humilde o suficiente para deixar que, o que os espíritos psicografaram por intermédio dele contra a alimentação carnívora fosse publicado, apesar de ainda ingerir carne. Nessas correspondências do Além, diversos mensageiros, inclusive Emmanuel, o mentor de Chico, foram contundentes em dizer que devemos, sim, abrir mão da alimentação carnívora em benefício dos animais. 

As sementes foram lançadas. Os espíritas já leram, já sabem, negam para si mesmos, mas suas consciências vão acordar, mais cedo ou mais tarde, porque a verdade não deixa de ser verdade pelo fato de não acreditarmos nela ou a negarmos. 

A verdade está lá, está pulsando nos espíritas. Agora, é preciso que acordemos e, com isso, libertemos milhões de animais que sofrem. Seres que padecem porque grande número de espíritas adormecidos não querem abrir mão de um pedaço de carne e substitui-lo por alimentos nutritivos, livres de sofrimento e sangue.













É preciso pensar nisso. Não podemos apenas conhecer a verdade e não nos libertarmos, pois a fé sem obras é morta. 


Suínos para o abate

Fernanda Almada, colaboradora do Blog 

 

 

 

 

Gostou deste artigo?
Mande um recado pelo
FALE CONOSCO 
Nos Ajude a divulgar 
Twitter 
Facebook 
Enviar por email



©Copyright Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2014
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2014

 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A Estrela (Conto)


Chico levantou bem naquele dia. O sol brilhava no firmamento e uma leve brisa tocava-lhe o rosto. Era dia de trabalhar, Deus já estava trabalhando, por isso ele precisava se apressar, era um mero instrumento do Criador, por isso levantou-se e dirigiu-se ao trabalho.
Logo na esquina presenciou uma discussão entre um casal. Ela dizia que tudo estava terminado, que o odiava. Indeciso sobre prosseguir ou não, Chico aproximou-se do casal, com tranquilidade inspirou-lhes o amor, a cautela, a compaixão, minutos depois o casal já conversava mansamente demonstrando o imenso amor que nutriam um pelo outro.
Mais adiante, enquanto Chico se encaminhava para seu trabalho, passou por dois motoristas que se ofendiam mutuamente por causa de uma pequena colisão. Mais uma vez Chico, nosso amigo, resolveu parar. Sua voz suave e seu toque sereno acalmou os dois homens que acabaram se perdoando mutuamente pela distração. A discórdia acabou e ambos seguiram para seu trabalho em clima de união.
Chico sorriu e continuou.
Seus olhos alegres se depararam então com a velha senhora jogada ao chão. A vestimenta rota, as mãos calejadas e o rosto vincado pelo sofrimento. Ele sentiu a amargura daquela alma, as dúvidas em seu coração mas Chico não teve duvidas, aproximou-se da mulher e conseguiu despertar-lhe o sentimento de luta, de coragem, de fé. A velha abraçou-o e afastou-se disposta a enfrentar suas dores tendo a Fé como escudo.
Chico seguiu para o trabalho.
O sol ainda brilhava.
Mas logo deparou-se novamente com outro problema. Um homem acusava um garoto de ter-lhe roubado a carteira. Chico olhou ao redor, o homem estava errado. Ele deu a volta e viu a carteira no chão, apanhou-a e devolveu-a ao homem mostrando lhe que a carteira caíra e não que fora roubada. Essa era a verdade.
E Chico continuou a andar e em seu caminho encontrou uma mãe que chorava a perda do filho, foi então que lhe falou da vida eterna, do mundo espiritual e do reencontro entre as almas afins, renovando-lhe desta feita, as esperanças. Transformando a tristeza em alegria e as trevas em luz.
Foi quando Chico chegou ao seu trabalho. Um senhor de certa idade logo veio encontrá-lo e abriu o portão para que ele entrasse . Com o olhar orvalhado Chico sentiu o abraço do querido amigo.
— Está atrasado hoje, Chico. Mas venha, venha logo meu amigo, as crianças o estão aguardando.
Chico entrou reconhecendo cada um daqueles rostinhos. Alguns choravam e Chico se aproximava para consolá-los. Alguns se sentiam abandonados e incompreendidos, assim como Chico se sentia as vezes,mesmo assim ele os ouvia e os compreendia. Chico amava, sem necessitar ser amado.
Dava o melhor de si sem esperar receber algo em troca. Perdoava o que lhe faziam dia após dia, pois sabia que quando morresse o Criador lhe daria uma nova vida, a vida eterna.
Ao final do exaustivo dia de trabalho, Chico agradeceu o alimento oferecido pelo querido amigo e partiu.
Tinha que repousar também
      Esse cachorro vem aqui todo dia! –falou a faxineira.
      Pois é, é o trabalho dele.- Falou o senhor fechando o portão.
      E para onde ele vai quando sai daqui?
      Ninguém sabe. Há anos ele vem até o orfanato. Era pequeno quando veio pela primeira vez, estava doente e eu cuidei dele, depois ele passou a brincar com as crianças e nunca mais deixou de vir aqui. Muitas delas tinham problemas de fala, de choro e hoje falam e não choram mais quando ele chega. As vezes acho que ele traz a cura para todos os males delas.
      Mas é só um cachorro.
      É ! - sorriu o velho vendo o amigo sumir na rua- É só um cachorro.
Chico esgueirou-se para o vão da velha padaria e deitou-se, de onde estava conseguia ver bem as estrelas. Estava ansioso, aliás, como sempre ficava.
Lembrava-se pouco de sua vida, sabia apenas que fora abandonado ainda filhote nas ruas da cidade, o velho ancião o socorrera, abrigara e alimentara, mas também não tinha um espaço para que ele ficasse. Ninguém tinha. Chico lembrava-se também que pensara em se matar, estava cansado de ser incompreendido pelos humanos, humilhado e maltratado, até que um dia aquela estrela caiu do céu.
Lhe disse tantas coisas e o ensinou a viver, dizia que os homens precisam aprender a viver também e que cabia a ele: Chico, o cão das ruas, ensinar.
Disso ele jamais se esqueceria, da doce oração que a estrela fizera ao seu lado, da compaixão que vira em seus olhos e do amor que transbordava em suas palavras.
Chico remexeu-se e olhou o céu. Uma delas começou a brilhar mais e o cão abanou o rabo todo feliz quando a luz esmaeceu e transformou-se num homem que se aproximou dele com um sorriso meigo nos lábios.
Chico rastejou até ele e lambeu-lhe os pés, por sua vez, o homem curvou-se em sua direção e tocou-lhe a cabeça .Depois sentou-se ao seu lado e seus lábios proferiram a oração que Chico já conhecia. E a cada linha, o velho cão de rua lembrava-se do que acontecera durante o dia:
Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz : sim, Chico era o instrumento do qual o Criador se utilizava para instruir os homens.
Onde houver ódio que eu leve o amor: o casal que brigava na rua, ele se aproximara e roçara na calça da jovem, fora o bastante para fazê-la pensar e mudar de opinião.
Onde houver ofensas que eu leve o perdão: os motoristas que discutiam, Chico começara a latir para chamar-lhes a atenção, os dois o viram e ouviram, sorriram e se perdoaram.
Onde houver discórdia que eu leve a união: sim ele interrompera a discussão com seus latidos insistentes.
Onde houver dúvidas que eu leve a fé: a velha senhora que achava que tudo havia acabado, mas que, quando Chico se aproximara dela, ela como que despertara de seu torpor, achando que o cão era um sinal, renovando-lhe a fé que ainda havia em seu coração.
Onde houver erro que eu leve a verdade: a carteira que ele encontrara caída no chão.
Onde houver desespero que eu leve a esperança: a pobre mãe que perdera momentaneamente a esperança de rever o filho amado.
Onde houver tristeza que eu leve a alegria: inspirado pela estrela guia que o acompanhava, a mãe compreendeu que a vida não terminava ali.
Onde houver trevas que eu leve a luz : das trevas de sua tristeza, surgiu a luz de uma nova alegria.
Oh Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado: quantas noites ele não passara sozinho.
Compreender que ser compreendido: quantas humilhações não passara.
Amar, que ser amado:  ele amava aquelas crianças.
Pois é dando que se recebe: dava à elas o pouco que tinha.
É perdoando que se é perdoado: perdoava que o velho ancião não lhe desse abrigo.
E é morrendo que se vive; mas sabia que um dia morreria.
Para a vida eterna
Chico sorriu e recebeu um abraço do homem que se transformou novamente em luz . Luz que virou estrela e passou a brilhar na imensidão do céu. Depois aninhou-se em seu leito de madeira e adormeceu, aquela candura do homem ainda embalava seus sonhos e a tranquilidade dele, invadia-lhe o coração, Chico não sabia quem era ele, só sabia que aquela estrela tinha o mesmo nome dele:
Francisco, Francisco de Assis!







Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.






Gostou deste artigo?
Mande um recado pelo
Nos Ajude a divulgar 





©Copyright Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2013 
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2013