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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Animais, Nossos Irmãos - (Estudo) Parte 4

"A proteção aos animais faz parte da moral e da cultura dos povos" Victor Hugo


 

Mediunidade Animal

Muitos questionam sobre a mediunidade nos animais e na verdade surge, nesse caso, uma particularidade pequena entre homens e animais: O intelecto mais evoluído que proporciona a comunicação por palavras - sendo que não podemos esquecer que inúmeros pesquisadores já demonstraram que muitas espécies de animais são capazes de um raciocínio lógico na resolução de problemas-. Não vetando, contudo, a possibilidade dos animais verem espíritos, embora não atuem como médiuns tal como os humanos. Muitos irmãos insistem em dizer que os animais, considerados inferiores, só enxergam espíritos inferiores, mas será isso verdade?
1- Era hábito do velho senhor sentar-se em sua cadeira e tirar os sapatos. Seu fiel companheiro, um cachorro, seguia para o quarto e lhe trazia os chinelos. Anos se passaram e o velho senhor desencarnou. Certa feita, quando a família estava reunida na sala, notou que o cão modificara o temperamento, correu para o quarto todo feliz e voltou trazendo os chinelos de seu querido dono, colocando-os como de costume, perto da cadeira. 2- Numa casa dita “ Mal assombrada”, onde uma senhora de preto sempre aparecia, conta-se que certa vez viram o cão correr em direção a escada , abanando o rabo, todo festeiro como sempre o fazem quando desejam agrado, mas no mesmo instante, correu para debaixo do sofá, assustado com o que provavelmente vira.

Esses e outros casos podem ser encontrados nos diversos livros já citados anteriormente, todos com base em estudos rigorosos, demonstrando a capacidade que os cães possuem de enxergar tanto espíritos bons quanto aqueles que desconhecem o bem. Como o tempo é curto, e a leitura na net é muitas vezes cansativa, resolvemos apenas pincelar o assunto.

Aguça-se também a curiosidade sobre a existência de animais em outros mundos. Há anos ouvi um companheiro espírita dizer que os animais nunca chegariam a ser homens, que evoluiriam dentro de raças e mais raças e mais raças e que, pasmem, haveriam mundos onde os animais poderiam “conversar com seus donos”, mas seus espíritos nunca iriam evoluir até a condição hominal, anulando a conhecida frase “Do átomo ao Arcanjo”.

Nisso surge uma dúvida. Conversar significa articular palavras, pensar no que se vai dizer, não seria então uma condição, vamos dizer, humana? Talvez seja o orgulho tolo dos homens que tentam guardar as “coisas boas” apenas para si mesmos. Só pela resposta que nos deu o amigo, já descobrimos que os animais renascem igualmente em outros planetas, caso contrário seria impossível sua evolução.

Quanto à mediunidade nos animais, já o dissemos antes, os animais não são médiuns que consigam transmitir ideias de espíritos desencarnados, mas podem enxergar espíritos e não creiam nas palavras daqueles que dizem que eles apenas podem ver espíritos inferiores, isto está longe de ser verdade absoluta, eles possuem percepções psíquicas condizentes com sua evolução, portanto veem aquilo que queira se apresentar diante deles, superior ou inferior. Afirmamos novamente, porém, que eles não são médiuns como os seres humanos (mediar a relação entre os dois mundos por meio da fala ou da escrita) porque ainda falta-lhes o intelecto mais evoluído para isso - em outro capítulo trataremos especificamente da inteligência animal-, mas que em nada isso os desmereça, a ponto de afligirmos seus corpos como fazemos diariamente.
Eutanásia animal , abandono, matadouros

Esses são alguns assuntos que envolvem a crueldade do homem para com os animais. Há muito tempo atrás lendo um artigo de Emmanuel, ele falava que jamais, em circunstância alguma, deveríamos praticar a eutanásia contra um animal, a dor, o sofrimento ou o abandono por parte do dono, era prova de evolução para ele, o que não significa que deva acontecer, pois Jesus mesmo já dizia;” O escândalo há de vir, mas ai daquele por quem o escândalo vier”, ou seja, se os animais tiverem que sofrer, que não seja pelas mãos dos seres humanos. A ocorrência de atos brutais contra os animais, nada mais significa do que um desvio de caráter. Há casos e casos, mas se possível evitá-la, melhor, dizia o espírito. É certo que usamos a palavra sacrifício para nos livrarmos daquele peso da doença animal, daquele peso da velhice animal, sem nos incomodarmos muito se ele irá sofrer mais ou menos, desde que nosso sofrimento seja aliviado. Essa eutanásia consentida, tira do animal a chance de evolução a qual se destinava nessa reencarnação, e um dos maiores motivos para que ela continue tirando vidas é a irresponsabilidade humana.

Mas o que leva o ser humano, esse ser inteligente e repleto de razão, a abandonar um animal? Falta de conhecimento sobre o amor, isso é certo, não há outra explicação. Orgulho, pois não aceita ele a lei de que esse mundo pertence igualmente aos animais, demonstrando a grande irresponsabilidade dele para com a Criação Divina.

Mesmo na Bíblia nós assistimos pasmos, os sacrifícios de animais a deus, sim a deus com “d” minúsculo, porque um pai jamais aceitaria que um filho seu fosse sacrificado. Abel e Caim se transformaram em inimigos após deus pedir-lhes uma oferenda. Caim ofereceu-lhe um ramalhete de flores colhidas no campo. Abel matou um cordeiro e ofereceu a esse deus. Pensemos juntos amigo leitor, seria mesmo esse um pedido “Divino”? Matar, quando Sua lei é Não Matar? Deus iria então contrariar suas próprias leis? Matar um animal para que deus fique feliz não é o que devemos chamar de oferenda a divindade, pois qualquer deus que se felicite com a morte de um inocente, não deve ser deus.

Mas, talvez dessa falsa crença, é que o homem tenha cada vez mais maltratado os animais, achando nisso um consentimento divino, o que apesar de ser inaceitável em nosso Século, ainda ocorre em algumas religiões. E o nosso querido leitor muitas vezes se revolta contra isso dizendo que Deus não exige sacrifícios, e coloca-se então contra aqueles que insistem em matar os animais em ritos religiosos, esquece ele, porém, que o mesmo acontece nos abatedouros e nos laboratórios de pesquisas científicas, os quais muitas vezes, ele mesmo defende:

"Ao morrer, os animais sentem a maldade que os atinge, provocando-lhes tanta dor; seu pavor e desespero impregnam na carne as toxinas e liberam a sua volta, fluidos espirituais deletérios, os desencarnados infelizes que ali estão , absorvem tal matéria astral; os encarnados tem registrado em seus espíritos como débito, a violência que infligiram aos animais." (trecho do livro- Animais nossos irmãos).

Temos que compreender que não podem existir dois pesos e duas medidas, não somos deuses que devam escolher qual animal será amado, qual animal será abatido, sacrificado ou mutilado. No entanto, a cada dia, esse nosso hábito alimentar leva a morte milhares de animais, ano após ano, século após século, e insistimos em dizer que a carne é necessária, mesmo sabendo do sofrimento e das toxinas lançadas sobre ela no momento do abate, mesmo sabendo dos grupos vampíricos e dos obsessores que rondam esses locais de assassinatos. Insistimos, persistimos, fechamos os olhos para tanta dor.

…”insistimos ainda sobre o prejuízo do alimento carnívoro. Todos devem encarar essas tarefas sem se valerem da alimentação de carne de qualquer espécie, porque os seus fluidos, impregnados no organismo, são completamente contrários à ação dos fluidos dispensados nas correntes eletromagnéticas, onde as pessoas sentadas à volta de uma mesa se dão as mãos para praticar um tratamento à distância em prol de uma criatura que sofre. Há de estar-se bem preparado, além de moralmente, também fisicamente, porque o fluido ectoplásmico gerado pela carne é bastante pesado, e na medida em que a pessoa dele portadora recebe o fluido mais leve a circular pela corrente, ela sente um choque e passa mal. Pessoas desmaiam, vomitam, porque, repetimos, não estão de fato preparadas para o trabalho. A carne leva um fluido pesadíssimo, emanando um fluido ectoplásmico, como insistimos em repetir, que atrapalha bastante as pessoas. Observe-se uma pessoa que come a carne e ver-se-á como ela tem mais sono, mais vontade de repousar, enquanto o vegetariano consegue ficar por mais tempo acordado, sem sentir o peso do estômago”.( Desdobramento- Eurípedes Barsanulfo)

Claro que nesse pequeno trecho, embora se tenha o sentido de que a carne faça mal para os médiuns, é necessário lembrarmos que os animais sofrem desde o nascimento até o momento do abate, e que se desejamos praticar a caridade, não devemos pensar em nós mesmos o tempo todo, mas sim no sofrimento pelo qual “ELES” passam, isso sim seria altruísmo, abandonar a carne em nosso benefício nada mais seria do que egoísmo, abandonar a alimentação carnívora por eles, é desprendimento, e é isso que a Doutrina Espírita nos ensina.

A vida não nos deixará outra escolha entre altruísmo e egoísmo, um dia, cedo ou tarde será necessário mudar para prosseguir na evolução.

Não custa nada amar os animais. Não custa nada mudarmos nossos hábitos em relação a eles, pois se pregamos o amor, devemos agir com amor, pois se nos interessa saber sobre sua alma, também nos interessa saber como vivem e como morrem. Nossa evolução já nos permite conhecer a dor pela qual os forçamos a passar, é incoerente antes de conhecermos um abatedouro, dizermos que não há maldade em se comer um bifinho. Após presenciarmos um abate, com toda certeza, jamais conseguiremos repetir tal frase. Está em nossas mãos essa mudança, não é preciso que visitemos um abatedouro ou um laboratório de pesquisa, sabemos que como nós, eles podem sofrer, sabemos que estão numa fase evolutiva pela qual já passamos, então diante disso, a compaixão nos obriga a cuidarmos deles com amor.

Referências Bibliográficas LEADBEDER, C.W. - Tudo que vive é teu próximo KREISLER, Kristin Von - A compaixão dos Animais MAIA, João Nunes Maia - Miramez - Iniciação a viagem astral e Francisco de Assis BARSANULFO, Eurípedes - Desdobramento

 Simone Nardi


- Na próxima parte trataremos sobre a senciência animal, até lá.






Simone Nardi





Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.






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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Consciência na via pública:uma homenagem aos protetores. de animais

Foram os minutos mais longos da minha vida. Aos poucos a dor foi sumindo, acho que era porque estava tão forte que eu não conseguia mais senti-la.

As vozes ao meu redor pareciam vir de um túnel, pois ecoavam longe, fracas e tais como eu, doloridas. Alguns cantavam algo que falava sobre um Jesus, para que Ele lhes enviasse uma luz, que lhes mudasse o coração.

Outros me olhavam e diziam coisas que eu não compreendia: que dó, minha nossa, quanto sangue, deve estar morto. Não eu não estava morto! Estava vivo e queria viver. Senti que alguém me tirava do chão e me envolvia num cobertor, diziam que eu era filho de Deus. Me senti tão bem naquela hora.

O aconchego daqueles braços, a preocupação naquelas vozes, o carinho daquelas mãos sobre mim. Tentei agradecer, mas sentia-me fraco demais. Cedi a dor. Quando dei por mim, um outro homem de olhar preocupado me olhava, dizia que nada mais poderia ser feito.

Senti aquele mesmo toque carinhoso de antes e uma voz tão doce que me dizia: “Não tenha medo, tudo vai ficar bem, tudo vai ficar bem”. Quando acordei eu já me sentia bem. Meu corpinho não doía mais. Tinha outros amiguinhos ao meu lado e, de onde eu estava, pude ver, bem abaixo de mim, as pessoas que cercavam um outro filhote, todo ensanguentado e ferido.

Foi quando percebi que aquele filhote na verdade era eu mesmo. Aquelas pessoas deveriam ser os anjos de que eu sempre ouvi falar. Os anjos que nos ajudam nos momentos de dificuldade, sim, hoje olhando para eles, tenho certeza de que eram anjos . Eram eles que tinham me recolhido da via pública após eu ter sido atropelado.

Tinham me levado para o médico, mas meu estado era tão grave que ele nada pudera fazer. É eu tinha morrido, mas incrivelmente me sentia vivo, vivo e agradecido por eles terem um coração bondoso, tão bondoso a ponto de se importarem com um filhote que eles nem sequer conheciam. Eles não haviam apenas passado por mim e virado o rosto, não.

Eles haviam tido compaixão e consciência de que eu, mesmo um filhote ainda, era filho de Deus, assim como eles e como todos os anjos que nos ajudam. Esse é o meu agradecimento à vocês, nossos anjos de guarda, que dia a dia lutam pelo nosso bem estar, uma luta árdua e muitas vezes ingrata, mas saibam, que para nós vocês são especiais e que já habitam nossos corações.

" Desse filhote que morreu, mas vive ao lado de Deus! Uma Homenagem aos Protetores


Simone Nardi


Apresentação: Homenagem aos protetores








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terça-feira, 9 de setembro de 2014

O homem de branco

Cão usado em experimentação



Ao término de uma das aulas práticas notei aquele homem de branco; seus olhos desprovidos de qualquer sentimento de piedade; ele olhava o corpo estendido numa das mesas, imóvel, gelado. Não havia qualquer sinal de que se importasse com ele.

Talvez porque se achasse superior aquele corpo pequeno, nada harmônico, sem raça como o que, provavelmente, ele tinha em casa. É, o animal estava muito abatido, mas era a fome, porque ele encontrara pelo caminho apenas pessoas como aquele homem de branco que o olhava. Sim, o animal era mesmo um dos mais desfavorecidos na Terra, pois, assim como era aquele homem que o olhava, ele só conhecera o lado mais vil e desumano daqueles seres que se achavam superiores, só encontrara pessoas como aquele homem de branco, sem amor, sem sentimento e sem compaixão pelos seres por eles, considerados inferiores, se houvesse um dia cruzado com alguém que não se achasse superior, talvez seu corpo não estivesse agora, diante daquele frio e orgulhoso homem de branco.

Se tivera dono não era importante, o importante era que muitos homens diante dele tiveram a chance de se tornarem grandes, realmente grandes, fazendo brotar em seus corações o sentimento que eleva a humanidade; o Amor.Nenhum dos homens que encontrara fora capaz de amar. Todos possuíam corações duros, orgulhos, perdidos, todos iguais.

Se ele não tivera amigos não era importante, importante é que ele dera a muitos, inclusive ao homem de branco que o fitava, a chance de aprender a Ser Amigo e eles todos, inclusive o homem de branco, mostrara-se incapaz de tornar-se amigo.

Ele dera chance aos homens, inclusive ao homem de branco,de ser fiel, leal, afetivo, mas ele se negara veementemente a ser tudo o que era bem e se engalfinhara no mal que existia nele.

A morte não provocava o fim de uma existência, ao contrário, ela mostrava que a existência humana sequer era digna da morte, pois que não acreditavam em nada a não ser neles mesmos. 

Macaco usado em experimentaçao
Que orgulho tolo e infantil nos olhos do homem de branco.

Nada sabia da vida pregressa do homem de branco, mas ali, diante dele, descobri em pouco minutos o que ele era. Era um ser humano incapaz de amar, de se relacionar, de tornar-se amigo e ter compaixão; como é triste saber que desperdiça a chance de tornar-se bom que todos os dias esses amigos lhes trazem e ele continua adormecido no orgulho de sua mente débil e obsoleta.

Certamente nada que fizera em sua vida fora relevante, já que voltava às costas diariamente para o bem e para a compaixão. Com certeza quando morresse, estaria tão só quanto aquele corpo frio que agora fitava, pois ainda tolo, acreditava que a morte traria a vida. 

Tenho pena dele, mais do que sentiu de mim ao me abrir sem qualquer piedade, ao me eutanasiar quando tudo o que eu lhe pedia era o seu progresso sentimental e não o meu, tenho pena dele por mostrar que nada aprendeu da vida a não ser matar e matar e matar. 

Tenho pena dele por achar que foi piedoso ao matar um ser que desejava ardentemente viver. Deixando-me só ao abandono e acreditando-se ainda um deus, falso, corruptível, cheio de rancor.

Peço a Deus que se apiede dele, mais do que ele se apieda daqueles a quem tira a vida inutilmente, pois não busca por outras soluções, está tão calcado em si mesmo que não consegue reconhecer o avanço da ciência.
Filhotes de simios

Peço a Deus que não o deixe morrer como ele me matou, peço a Deus que o embale e lhe estenda a mão como ele se negou a fazer por mim e por outros companheiros que partiram em suas mãos, pois apesar dele me achar irracional, eu ainda acredito em Deus e sei amar , respeitar e pedir por pessoas como ele e a quem me oferece abrigo.

E hoje, apesar de ser ignorado como ser vivo, por pessoas como ele, estou em paz, ao contrário dele, que jamais na vida saberá reconhecer a paz e o amor.

Carta de um dos muitos cães para um dos muitos homens que ainda não descobriram que a ciência deveria humanizar os homens e não desumanizá-los.



01/11/2006

Simone Nardi











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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Cada um, cada um - Eutanásia



Tudo tem o seu lado bom. Uma das boas coisas de envelhecer é não carregar mais tantas inquietações, dúvidas como trazíamos anteriormente. São substituídas por divagações (quando durmo sentado, digo que estou divagando). É muito legal ver onde e o que mudamos, o que continua da mesma forma. "Lei da termodinâmica ou da entropia: A tendência da energia de um corpo é degenerar-se e assim a desordem do corpo aumenta". Quase tudo muda.

            Há ideias que nunca nos ocorreram, quem sabe por nunca termos buscado, por termos nos ocupados com outros enfoques, outras atrações, oportunidades, etc., que, repentinamente, aparecem sem mais nem menos. Crer ou dizer que estamos sendo apenados, quando as circunstâncias que se nos apresentam são propostas de aprendizagem, de reeducação amorosa do que perdemos por nossa incúria, má vontade e desleixo é uma profunda ingratidão mesclada de desentendimento. Não compreendemos quando nos foi exposto, deixamos passar e, assim, não dedicamos o valor que devíamos, que merecia.

            Por exemplo: a eutanásia definida como: a prática ativa de se interromper a vida de um paciente com doença em estágio irreversível e sem possibilidade de melhora, com o objetivo de cessar sua dor; o dicionário a define como “morte sem sofrimento". Continua o que era, o que significava ou foi a visão que temos neste instante que tomou outra direção? Sou mais pela segunda alternativa, pois não há dúvida que não encaro, não a vejo mais como há algum tempo. Apresentaram-se novas conclusões.

            Há pouco mais de um mês lendo o artigo Reflexões sobre a eutanásia, de Juan Agustín Gómes (Blog Irmãos animais- Consciência humana, da companheira Simone Nardi), fui levado a ponderar sobre esse tema. Até então não havia pensado, atentado sobre a eutanásia em animais,-nem nos seres humanos embora, de vez em quando, ela me interessasse; porém nada profundo.

            Que eles (animais) têm sentimentos, emoções estamos cansados de saber e testemunhar. Só não vê quem não quer. Mas, francamente, nunca havia refletido sobre o que poderiam sentir ao serem condenados à morte por eutanásia (eles não escolheram). Imaginem o desapontamento com seu "dono", "amigo humano" que até há pouco tão carinhoso e amoroso se mostrava? E agora iria lhe tirar a vida! Que inconstância! Como conviver com esses seres (inconsequentes?) que agem dessa maneira? Tanta fidelidade dedicada a eles! E o retorno do animal ao mundo espiritual?

           
"Isto não vai acontecer, e se acontecer não tem importância, pois não pensam, não vão ter essa noção! Eles nem tem alma, dirão alguns!". Bem, cada qual com sua maneira de pensar. Cada um, cada um (diz um sobrinho; acho ótimo).

            Porém, e se isso acontecer, de pensarem, de possuírem, estarem inclusos naquele princípio psicológico mencionado/discutido (até em vegetais - vide Alquimia da mente de Hermínio Miranda)? Será que ficarão tristes, magoados? Será que se decepcionarão? E quanto aos nossos irmãos humanos desta caminhada? Entenderão, aceitarão se a decisão da aplicação desta prática não partir deles mesmos, como ocorre com os animais? É tão diferente? São tão diferentes os conceitos de existência entre animais e humanos? Não vamos nem entrar no julgamento dos motivos, interesses, pois este é um terreno, para mim, escorregadio em demasia.

            Sou contra a eutanásia. Estou pronto a declarar, confirmar  meu inconformismo com ela em seres humanos ou animais. Contudo, será que estaria tão bem preparado psicologicamente, emocionalmente, caso as circunstâncias se apresentassem diversas, se algum ente querido, amado viesse a se encontrar em condições dolorosas, sem possibilidades de melhora pela medicina nossa? Como será que reagiria? Creio que não adotaria outro caminho, mas precisaria muita força para suportar os momentos amargos e difíceis que, certamente, advirão.

            Os obstáculos aparentemente intransponíveis que pontificam em nossas existências, assim como as dificuldades com que nos deparamos diariamente (doenças, problemas financeiros, desilusões, etc.), não expressam, especificamente, um castigo, um pagamento por erros cometidos em vidas transatas.  “Entretanto, não seria preciso crer que todo sofrimento neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma falta determinada; são frequentemente, simples provas escolhidas pelo espírito para acabar sua depuração e apressar seu adiantamento.” diz o Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 9.

            Já paramos para colocar essas questões nas balanças de nossas vidas? Eu não tinha parado ainda, e então comecei a refletir. E porque? Porque só agora, após a leitura, após a oportunidade de relembrar esse ponto ao qual poderemos estar sujeitos, após a "divagação", me obriguei a lembrar das intempéries, da transitoriedade em nossas existências. Só agora tentei me colocar no lugar das pessoas que enfrentaram, enfrentam esses acontecimentos, uma boa parte pega de surpresa. Sinto que seria melhor ter algo mais em que me basear do que raciocínios, deduções, conclusões de improviso. Conhecer, entrar em contato, me envolver nem que fosse um pouco, me daria mais segurança, mais conforto, mais consolo se, num futuro, tivesse que me defrontar com um impasse dessa proporção.

           
Na Antiguidade, era comum a crença no destino, um destino traçado pelos deuses que intervinham diretamente na vida humana. O destino inexorável contra o qual nada se poderia fazer. Cumpri-lo era a tarefa humana. Alguns heróis desafiavam-no, mas dificilmente conseguiam fugir dele.  Com o advento da filosofia, o ser humano passa a ser responsável por conduzir sua existência, num primeiro momento, de acordo com princípios e fundamentos universais.

            Conhecer princípios e fundamentos do universo é necessário para dar o sentido correto à existência. Como o percurso solitário no caminho do conhecimento pode ser enganoso, o diálogo investigativo faz-se preciso para a descoberta de sentidos adequados à humanidade.  Nossa responsabilidade passa a ser, não apenas sobre nós mesmos, mas sobre a humanidade e o universo.

            Não há mais determinação, há deliberação. Assim, as escolhas humanas propiciam o sentido da existência.

            Dizem nossos irmãos espirituais que a consciência é o farol que ilumina a estrada a seguir, e forças é o que almejamos caso venhamos a nos arrepender de inconveniências praticadas. Com a consciência pacificada mais tranquilo e iluminado o caminho. Tratando-se de animais ou seres humanos, não há diferenças quanto a VIDA. Obrigado.




Durvalino Barreto,  DB. Amigo e colaborador do Blog

             




           
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quarta-feira, 26 de março de 2014

Eutanásia

Gato doutor

Por Ricardo Capuano

 

  Segundo o dicionário Priberam:

Eutanásia: (grego euthanasía, -as, morte fácil, morte feliz) - substantivo feminino
1. Morte sem dor nem sofrimento.
2. Teoria que defende o direito a uma morte sem dor nem sofrimento a doentes
incuráveis.


Legislação Brasileira

 

 No Brasil a eutanásia é tipificada como homicídio privilegiado pelo Código Penal:

“Art. 121. Matar alguém:

Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Caso de diminuição de pena:

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.”

A morte assistida, por sua vez, é considerada crime de Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio:

“Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.”

O Código de Ética Médica, por fim, estabelece o seguinte:

“Art. 6º. O médico deve guardar absoluto respeito pela vida humana, atuando sempre em benefício do paciente. Jamais utilizará seus conhecimentos para gerar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade.

É vedado ao médico: (...)

Art. 66. Utilizar, em qualquer caso, meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu responsável legal.”


Fonte: Eutanásia e morte assistida - Marcio Sampaio Mesquita Martins






CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA - CFMV



No uso das atribuições lhe conferidas pelo artigo 16, alínea ‘f’, da Lei nº 5.517, de 23 de outubro de 1968, RESOLUÇÃO Nº 1000, DE 11 DE MAIO DE 2012


Dispõe sobre procedimentos e métodos de eutanásia em animais e dá outras providências.


 O considerando que a eutanásia é um procedimento clínico e sua responsabilidade compete privativamente ao médico veterinário;

Considerando que a eutanásia é um procedimento necessário, empregado de forma científica e tecnicamente regulamentada, e que deve seguir preceitos éticos específicos; e que os animais submetidos à eutanásia são seres
Lobinho
sencientes e que os métodos aplicados devem atender aos princípios de bem-estar animal,


CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS




 Art. 3º A eutanásia pode ser indicada nas situações em que:

 I - o bem-estar do animal estiver comprometido de forma irreversível, sendo um meio de eliminar a dor ou o sofrimento dos animais, os quais não podem ser controlados por meio de analgésicos, de sedativos ou de outros tratamentos; 

 II - o animal constituir ameaça à saúde pública;

 III - o animal constituir risco à fauna nativa ou ao meio ambiente;

 IV - o animal for objeto de atividades científicas, devidamente aprovadas por uma Comissão de Ética para o Uso de Animais - CEUA;

 V - o tratamento representar custos incompatíveis com a atividade produtiva a que o animal se destina ou com os recursos financeiros do proprietário.






Espiritismo e Eutanásia

 


“Porque o que acontece aos filhos dos homens, isso mesmo também acontece aos animais; a mesma coisa lhes acontece. Como morre um, assim morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego, e nenhuma vantagem têm os homens sobre os animais. Tudo é vaidade” - Eclesiastes 3.19.



L. dos EspíritosPergunta 606-A – “Então emanam de um único principio a inteligência do homem e dos animais? Sem duvida.”

 “ A verdadeira vida, tanto do animal quanto do homem, não está no invólucro corporal, do mesmo modo que não está no vestuário. Está no principio inteligente que preexiste e sobrevive ao corpo.” - A Gênese



Para todos os fins, consideramos sempre a “alma” dos animais igual a do humano, somente em fase evolutiva diferente. O que se aplica a um; se aplica ao outro.


O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo V -  item 28 

“Um homem está agonizante, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é desesperador. Será lícito pouparem-lhe alguns instantes de angústia, apressando-lhe o fim?”,  resposta: “Quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir o homem até a borda do fosso, para daí o retirar a fim de fazê-lo voltar a si e alimentar ideias adversas das que tinha? Ainda que haja chegado ao último extremo um moribundo, ninguém pode afirmar com segurança que lhe haja soado a hora derradeira. A ciência não se terá enganado nunca em suas previsões?” 



Mika

Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V 


 “O materialista, que apenas vê o corpo e em nenhuma conta tem a alma, é inapto a compreender essas coisas; o espírita, porém, que já sabe o que se passa no além-túmulo, conhece o valor de um último pensamento. Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro." - S. Luís. (Paris, 1860.)


Livro dos Espíritos - 953 


  "É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, mau grado às aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?"



 O Consolador 


 “O homem não tem o direito de praticar eutanásia, em caso algum, ainda que a mesma seja a demonstração aparente de medida benfazeja. A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem, como a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito em marcha para a sublime aquisição de seus patrimônios da vida imortal.” Emmanuel, psicografia de Francisco Candido Xavier (ed. FEB):



OBREIROS DA VIDA ETERNA - Espirito André Luiz pelo médium Chico Xavier 


Lobinho
 “Sem qualquer conhecimento das dificuldades espirituais, o médico ministrou-lhe a chamada “injeção compassiva”, ante o gesto de profunda desaprovação do meu orientador. Em poucos instantes, o moribundo calou-se. Inteiriçara-se a mascara facial. Fizeram-se vítreos os olhos móveis. Cavalcante, para o espectador comum, estava morto. Não para nós, entretanto. A personalidade estava presa ao corpo inerte, em plena inconsciência e incapaz de qualquer reação. Sem perder a serenidade otimista, o orientador explicou-me: - A carga fulminante de descanso, por atuar diretamente em todo sistema nervoso, interessa os centros do organismo perispiritual. Cavalcante permanece, agora, colado a trilhões de células neutralizadas, dormentes, invadido, ele mesmo, de estranho torpor que o impossibilita de dar resposta ao nosso esforço. Provavelmente, só poderemos libertá-lo depois de decorridas mais de doze horas(...). E, conforme a primeira suposição de Jerônimo, somente nos foi possível a libertação do recém-desencarnado quando já haviam transcorrido vinte horas, após serviço muito laborioso para nós. Ainda assim, Cavalcante não se retirou em condições favoráveis e animadoras. Apático, sonolento, desmemoriado”


Dra. Irvênia Prada


 “Se em relação ao ser humano temos a referência do que consta no livro “Obreiros da Vida Eterna”, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, jamais encontrei nas obras básicas da codificação espírita, algo paralelo, que nos orientasse quanto às conseqüências da eutanásia nos animais. Assim, em termos práticos e considerando as condições evolutivas de nosso planeta, sempre respondo a esta pergunta, lembrando-me de uma página de Emmanuel intitulada “Quanto Puderes”, também psicografada por Chico Xavier, em que recomenda: “Quanto puderes, não te afaste do lar…Quanto te seja possível, suporta… Quanto estiver ao teu alcance, tolera…”, etc. Então, digo: “Quanto puder, quanto lhe seja possível, quanto estiver ao seu alcance, faça opção pela vida!” 



Dr. Marcel Benedeti


Lobinho
  “Se eles não tivessem ou se nós não tivéssemos contato com a dor, nunca saberíamos o que seria isso. Se não soubéssemos o que é a dor, como saber o que é a falta dela ou o amor? É necessário que haja este contraste para que reconheçamos um e outro e saibamos diferenciá-los para aplicar em favor de nossa própria evolução. Todas as situações penosas são aprendizado para o nosso Espírito que tem evolução dinâmica. O sofrimento é relativo somente ao corpo físico e não ao Espírito, e é uma interpretação dada pelo nosso sistema neurológico”.
“O sofrimento faz parte dos meios de fazer evoluir o Espírito primitivo, que com isso desenvolverá sua consciência. À medida que os Espíritos, na condição animal por exemplo, expandem sua consciência pela dor, expandem também sua condição de desenvolver sentimentos relacionados ao amor ao próximo, tornando-os aptos a entrar em outra faixa evolutiva da Humanidade.”
“Os animais, assim como nós, possuem sistema nervoso que serve para fornecer informações sobre o meio ambiente em que está. O sistema nervoso é para nós e para os animais, entre outras finalidades, um instrumento de sobrevivência. Sentem dor. No entanto quando o corpo é acometido por algo que o atinja de modo rápido, fulminante e que permita que ultrapasse o limiar da dor perceptível ao cérebro, o mecanismo de separação entre o corpo espiritual e o físico é ativado automaticamente e o corpo sutil acaba sendo lançado, como se fosse por uma catapulta à distância do corpo físico para amenizar o sofrimento e evitar dores desnecessárias"

“Deus não deixaria que os animais sofressem apenas por sofrer, pois não haveria utilidade nisso. Se não houvesse mais a dor neste mundo, significaria que este mundo passou para outra fase evolutiva. Existem Espíritos que acompanham os animais e cuidam para que não sofram mais do que podem, e quando o sofrimento atinge um determinado ponto eles são retirados do corpo por mecanismos automáticos eles ou desencarnam para, em seguida, serem reencarnados e continuarem sua evolução ou se afastam (em espírito) enquanto a dor for demasiada. Este mecanismo de proteção também acontece com os seres humanos quando se vêem em situações perigosas e de sofrimento elevado.”


OPINIÃO

 


Lobinho
            Todas nossas escolhas e opiniões sempre se baseiam em nossas experiências e conhecimentos que adquirimos com essas experiências e com o aprendizado a nós transmitido por outras pessoas e que escolhemos aceitar. Em relação ao tema “Eutanásia” sou explicitamente contra.

            Acredito no que o Dr. Marcel Benedeti afirmou; “Deus não deixaria que os animais sofressem apenas por sofrer, pois não haveria utilidade nisso. Existem Espíritos que acompanham os animais e cuidam para que não sofram mais do que podem, e quando o sofrimento atinge um determinado ponto eles são retirados do corpo por mecanismos automáticos eles ou desencarnam para, em seguida, serem reencarnados e continuarem sua evolução ou se afastam (em espírito) enquanto a dor for demasiada.”

            Acredito que ninguém está desamparado e Deus não deixa nenhum de seus filhos, independente se é uma planta, animal, humano ou arcanjo, sem auxilio. Todos temos espíritos protetores que nos “tutelam” e ajudam. Ninguém, repito, está desamparado da bondade divina. Assim existem espíritos que protegem os animais para que não passem por sofrimentos desnecessários e sem finalidade.

            Mesmo não tendo um livre arbítrio elaborado como os humanos que leva a “resgates” pelo sofrimento, a dor para todos os seres vivos é uma forma de aprendizado e não deve ser negada como instrumento de evolução.

Gatinho de luz

Emanuel – Chico Xavier 


  “Nem sempre o sofrimento está atrelado ao resgate do passado, mas toda a vivencia atrelada ao sofrimento leva ao aprendizado.”










           


 

Medico Veterinário: Ricardo Luiz Capuano




 

 

  

Sobre as fotos

Lobinho foi um amigo que recolhemos da rua, estava abandonado e doente, com osteosarcoma na região craniana, não conhecíamos até então os problemas da prática da eutanásia para os animais e optamos, por solicitação do veterinário , por esse procedimento. Só o que desejamos todos os dias desde então é que Lobinho nos perdoe pelo erro.

 

Para ler mais sobre o assunto acesse

Eutanásia nos animais 

Osteosarcoma,Homeopatia: o que é e como lidar com isso 

Osteosarcoma X Homeopatia X Eutanásia

Reflexões sobre a Eutanásia

 

 

 



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