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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Os vampiros da JBS

Imagem Link: https://www.youtube.com/watch?v=pSqCmTGtZ0M


    Nos últimos dias, nós, brasileiros, ficamos mais uma vez atônitos com um novo escândalo de corrupção. A verdade começa a vir à tona, destruindo as máscaras de grande parte dos dirigentes do país. “E conhecereis a verdade e ela vos libertará”, já dizia o mestre Jesus. Por mais que o mal persista, se camufle, não será o suficiente para quebrar a força da verdade, que continuará intacta, apesar de os dissimuladores, os mentirosos, parecerem a maioria. Não, eles não são maioria. Apenas são barulhentos, audaciosos. 

    Nesse contexto, vem a calhar a velha e boa frase “o que me assusta não é o grito dos maus, e sim o silêncio dos bons”. Entretanto, os bons também estão se tornando audaciosos, e deixando de se calar diante de tantas injustiças e mentiras. Graças a isso, muitos corruptos têm sido desmascarados, e o mal, se enfraquecido.     

    Nos últimos dias, temos tomado conhecimento das famosas “delações premiadas”, nas quais são evidenciadas várias ações corruptas, com recebimento de propinas milionárias por parte de políticos que, eleitos pelo povo, deveriam atuar em favor deste e não ao sabor de sua própria ganância e vaidade. Entretanto, mesmo com tantos fatos vexatórios, é até certo ponto compreensível não ficarmos tão estupefatos assim, porque já não esperávamos boa coisa daquela legião de monstros gananciosos.

    O que me tocou profundamente nos últimos escândalos foi o vampirismo daqueles seres malévolos. Não bastasse fragilizarem a democracia e afrontarem descaradamente a legalidade, vampirizando o povo e surrupiando-lhe direitos básicos, eles vampirizam igualmente almas inocentes, roubando-lhes diariamente o seu direito à vida, como se tal derramamento de sangue fosse normal.

    Não, é óbvio que não estou falando de seres humanos. Estou falando dos animais, seres mais inocentes ainda, que não têm nem mesmo voz para clamar por socorro quando são trucidados por nossa ânsia carnívora! Almas inocentes que, desde os primórdios, são vampirizadas por nós, que lhes roubamos as vidas e o direito sagrado de evoluir. 

    Sempre ouvimos dizer que é cultural, que é normal comer carne, que a Bíblia fala que sim, que até  fulano comia, e, através desses desculpismos todos, vamos adiando o inevitável. Precisamos, devemos, podemos, e, queiramos ou não, um dia teremos de parar de nos alimentar dessas criaturas de Deus, porque, enquanto houver o sangue inocente delas sendo derramado, o planeta Terra não se transformará em um planeta de regeneração.

    É fato que ninguém se torna superior pelo fato de não comer carne, mas certamente seres superiores não se alimentam dela, porque sabem de onde advém, e a que custo.   
    
    Vampiros atuais, os irmãos Batista, donos da JBS, compraram  grande parte dos políticos através do sacrifício de milhares de vidas inocentes, e ninguém atentou para isso, porque estão todos preocupados em dizer qual político roubou mais, qual partido  é o mais corrupto, e quantos seres humanos estão sendo lesados perante tanta corrupção. Sim, isso é grave, e muito importante. Como eu disse no começo do texto, a verdade e só a verdade nos libertará dos aguilhões desses vampiros corruptos, como começa a acontecer agora, por meio da ação do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça. Mas, e quanto aos animais? Quem os libertará?

   
Imagem link: http://domtotal.com/colunas/detalhes.php?artId=3898/
Muitas vacas se debatem, esperneiam e claramente respiram depois de terem sido baleadas na cabeça
 Algum de vocês, ao assistir aos noticiários, se deu conta de quanta morte há por trás de tanta propina e ganância? Eu me dei conta, me coloquei no lugar dos milhões de animais vivendo em condições de terrível crueldade até que sejam abatidos. Os vampiros modernos da JBS, assim como muitos outros, estão sugando ao máximo o sangue dessas criaturinhas e ultrapassando todas as fronteiras da maldade, ao tirarem vidas inocentes para alimentarem não só o corpo físico dos “consumidores”, mas também a própria vaidade e gana pelo poder e pelo dinheiro. Pouco estão se lixando se prejudicam aqueles que esperam uma política justa, honesta e transparente. 

    
   
Imagem Link : https://www.youtube.com/watch?v=pSqCmTGtZ0M
 

Diante desse quadro, eu conclamo: vamos refletir sobre tudo isso. Como teremos um país, um mundo melhor, com uma política limpa, ética, diante de tanto derramamento de sangue? Como continuar a fazer vistas grossas ao tremendo genocídio cometido todos os dias contra os animais? Impossível! Sendo assim, deixemos de nos alimentar do sofrimento dessas pobres criaturinhas, para que nossas mãos fiquem igualmente limpas. Do contrário, continuaremos cúmplices da indústria da morte construída pelos vampiros da JBS e por tantos outros como eles, pois o fato de não matarmos diretamente os animais não nos isenta de culpa pela tragédia que se abate sobre esses nossos irmãozinhos menores. Só porque, covardemente, terceirizamos esse ato, não nos eximimos da responsabilidade pelo terrível crime contra a vida que é cometido quando se assassina um ser vivo inocente. Infelizmente, sem dúvida, enquanto formos coniventes com esse imenso, cruel e lastimável derramamento de sangue, embora não queiramos, podemos, em maior ou menor grau, igualmente ser classificados como vampiros.

Posto isso, comecemos então a vencer a nós mesmos, deixando de nos alimentar de carne. Lutemos para que cada vez mais pessoas se conscientizem de que a paz no mundo depende de nós, do nosso esforço, e de que um grande, um gigantesco e inadiável passo para isso será parando de vampirizar os animais.





Fernanda Almada,Bacharel em Direito e colaboradora do Blog





Fonte Imagens:

Videos: Não tenha medo de ver a carne que você come e a dor da qual participa:

https://www.youtube.com/watch?v=pSqCmTGtZ0M

https://www.youtube.com/watch?v=pSqCmTGtZ0M


Artigo:

Dom Total


Para ler mais a respeito:


Eles não sabem o que comem








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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tranquilidade cruel

Hitler posando para foto



'Temos de ser cruéis. Temos de recuperar a consciência tranquila

 para sermos cruéis'

Adolf Hitler



Para ser cruel, é preciso ter a consciência tranquila.  Essa foi uma frase dita por Hitller. O que podemos entender por se tranquilizar para ser cruel? A humanidade  se tranquilizou para praticar atos cruéis. Podemos constatar esse fato quando vemos pessoas que amam seus familiares, mas não conseguem dar uma migalha de carinho a um estranho. E se justificam: “não vou deixar de fazer tal coisa para meu filho para fazer a um estranho.” É uma justificativa frágil, demolível, mas que tranquiliza o coração egoísta que não sabe amar além do seu pequeno círculo restrito.

Indo além, encontramos  aqueles que fazem justiça com as próprias mãos, ultrapassando todos os limites da crueldade, muitas vezes sacrificando um inocente a pretexto de estar fazendo justiça. E se tranquilizam, porque dizem a si mesmos: “posso  matar o bandido, porque o Estado não dá segurança, a polícia não prende, a legislação é fraca.”. 

Mais adiante, encontramos pessoas que até mesmo em nome da “arte” matam animais indefesos para expor seus corpos trucidados. E se tranquilizam, porque tudo vale em nome da arte...

Seguindo o rastro das mentes tranquilas, encontramos também os que, em nome da “cultura”, perseguem bois indefesos e os ferem até a morte, sorrindo e se divertindo com o sangue a jorrar e o sofrimento estampado nos olhos do animal. E, como nas antigas arenas romanas, se regozijam com rodeios estúpidos, nos quais touros pulam desesperadamente, com os testículos feridos. Mas, novamente, se tranquilizam, afinal, é “cultura”! E tudo é permitido em nome da “cultura”! Pode-se caçar, pescar, sacrificar milhões de animais todos os dias nos matadouros, porque comer carne é “cultura”. E se tranquilizam, dizendo “  desde a época das cavernas já se comia carne...”  E mesmo agora, com tantos recursos nutricionais alternativos, continuam com o massacre incessante, com as mentes tranquilas, porque, se é “cultural”, não precisam mudar...

 Estamos vivendo num tempo em que as pessoas tapam os olhos para não enxergarem, porque saber além do que sabem pode tirá-las da “tranquilidade” em que se encontram.  Hitller permanece vivo em cada um que se tranquiliza para ser cruel. Precisamos vencer a batalha contra essa ideia, para que o mundo se torne um lugar melhor para se viver, não só para nós humanos, mas para todos os que vivem, que lutam pela vida, que desejam a vida. Precisamos jogar nossa tranquilidade fora e lutar contra a crueldade que temos cometido com os mais fracos, os que não têm defesa, sejam eles humanos ou animais.  Vamos mudar a frase de Hitller e inverter a situação. Sejamos bons e pacíficos, para que nossas mentes se tornem tranquilas!




Fernanda Almada





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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Temos que ser cruéis?

 
Cão abandonado, animal não é brinquedo

 

'Temos de ser cruéis. Temos de recuperar a consciência tranquila

 para sermos cruéis'

Adolf Hitler



Dia 06/04/2014 , na rádio CBN, ouvi a voz de Mario Sérgio Cortela entrar pelo rádio e começar uma conversa sobre a  estupidez e a crueldade humana, e o professor citou a frase acima, com a qual iniciamos o artigo e que repetiremos agora.
 
'Temos de ser cruéis. Temos de recuperar a consciência tranquila para sermos cruéis'

Não vamos de Hitler e de sua política nazista; não, nós vamos  falar da h-umanidade e lembrar que há séculos nós usamos essa "consciência tranquila" para matar muito mais do que a nós mesmos, mas tudo que divide este Planeta conosco.
Não podemos dizer que a h-umanidade recuperou essa consciência para matar com absoluta tranquilidade, mas vamos nos lembrar que jamais nos despimos dela, é como se ela fosse nossa segunda pele.

Nós matamos e alegamos que o fazemos para sobreviver, alegamos que o fazemos para nos divertir, alegamos que o fazemos para nos vestir. E permanecemos, diante da morte, de consciências plenamente tranquilas.

Nós questionamos quando alguém mata :"Por que ele fez isso, será que não pensou?"
Homens carregam gorila
Não importa muito se ele pensou, porque para ele a consciência dele estava tranquila quando ele praticou o crime. E nós fazemos o mesmo diariamente, ignorando o que fazemos de forma a manter paz em nossas ações diárias, mesmo as mais cruéis.

O que deveria nos causar pavor é essa aparente tranquilidade diante da dor, diante da morte e da exploração da vida de outros seres . Mas , por mais estranho que possa nos parecer, essa tranquilidade não nos causa qualquer estranhamento.

Nós somos somos cruéis com a maior tranquilidade. Mas tentamos não ver ou tentamos dividir o que fazemos entre psicopatia e necessidade.

Quando um indivíduo h-umano mata outro indivíduo h-umano com crueldade, dizemos que ele tem problemas psicológicos. Quando um ser h-umano abandona, por quaisquer razão seu filhote h-umano, alegamos que ele também sofre de algum transtorno psicótico.


Porém quando matamos um animal de forma cruel - e eles são mortos de forma cruel para virarem a carne que estará em nossos pratos - nós nos achamos perfeitamente "normais". Quando abandonamos um animal a beira da estrada, sem nos preocuparmos se alguém irá resgatá-lo, se ele morrerá de fome, de sede ou atropelado,conseguimos tranquilamente colocar a cabeça no travesseiro e dormir com a consciência em paz, apagando da mente que somos cruéis, tão cruéis quanto Hitler, quando pediu a recuperação da tranquilidade para poderem ser cruéis, pois ele sabia que uma mente intranquila é  incapaz de provocar a dor do Outro.


H-umanos ateiam fogo aos chifres de um touro
O Animacídio  - anima, do latim, de alma ou de animal, aquele ser que respira e do latim cídio o sufixo cídio que vem de caedere,  de coedes que significa matar -para nós, seres h-umanos parece não nos transtornar, nos abalar, nos envergonhar...


"Temos de ser cruéis"

E como nós somos cruéis ...


"Temos de recuperar a consciência tranquila para sermos cruéis"

E como temos a consciência tranquila diante de tanta crueldade .

Não é mais possível que nos enganemos desse modo ou que provoquemos tantas mortes, nós somos nocivos não apenas aos animais, mas a nós mesmos.



Temos que ser humanos. Temos que recuperar nossa alteridade para voltarmos a ser humanos.


Temos que ser benevolentes. Temos que recuperar nossa humanidade para ser benevolentes

Sem nossa humanidade permaneceremos cruéis, nocivos e e permanceremos tranquilos diante de nossa própria destruição.

Isso não o assusta?

Touro sendo morto em tourada






 Simone Nardi



"É preciso diminuir a distancia entre o que se diz e o que se faz, até que num dado momento, a tua fala seja a tua pratica."
Paulo Freire



Mário Sérgio Cortela, Filósofo e Teólogo

Para ouvir basta clicar aqui no link da Rádio CBN

 Pensar faz bem










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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Poesia da Mata





O Vento uiva baixinho
O riacho chora ao seu lado
A mata treme de frio
E o  lobo fica calado

É noite em toda floresta
E o cheiro que sobe é de gente
Que a bota pesada amassa
A relva que tem pela frente

Um tiro ecoa na no ar
A onça pintada expira
O caçador vem matar
A vida que não lhe pertence.




Os animais pensam, sentem e mais do que tudo amam. Sua alma delicada recebeu o dever de se afinar com os homens para protegê-los e ampará-los, devemos pois agir como eles. Amar sem esperar nada em troca. Perdoar setenta vezes sete. Amparar  e viver em busca do verdadeiro amor de Deus.


Simone Nardi 





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terça-feira, 8 de julho de 2014

O homem é a medida de todas as coisas!



Imagem: Experimento Pavlov
Sim,  depois de ouvir tantas críticas, tantas ofensas, depois de ver pessoas se descabelarem literalmente , ao ver que um grupo de pessoas “estranhas” não pensam como elas e sendo assim não comem carne , resolvi buscar em Protágoras uma explicação, ao menos coerente, para que a massa tradicional puna com argumentos antigos e culturalmente arcaicos, as pessoas que defendem os animais não-humanos.


Protágoras dizia que:  “ como cada coisa aparece para mim, assim ela é para mim, como cada coisa aparece para ti, assim ela é para ti”, nesse contexto o homem, ou cada homem, seria então a medida de todas as coisas, para ele, não necessariamente para o mundo.


Aos veganos parece estranho confinar um ser senciente, alimentá-lo até que cresça e matá-lo para servir de alimento a seres que se consideram igualmente sencientes, superiores e racionais.  Assim é que para os veganos, tratar um ser senciente sem respeito deixa de ser sinal de superioridade para ser sinal de irracionalidade, já que comprovada a sensibilidade dos animais não-humanos, é difícil ficar indiferente a qualquer tipo de sofrimento que possa lhe ser infligido. Assim lhes parece incoerente com a racionalidade e superioridade, fazer outro sofrer somente porque há que se seguir um hábito alimentar baseado apenas na violência contra outra criatura. Assim nos aparece, assim é para nós.


Parece igualmente incoerente que as pessoas sofram diante da televisão com as imagens de dor que assolam o mundo em forma de catástrofes naturais ou guerras mundiais, se em seus pratos trazem igualmente uma parcela dessa mesma guerra travada nos abatedouros , mas pela qual nada sintam a respeito. Parece incongruente que as pessoas chorem  pelo outro humano, ao se colocar em seu lugar, porque sabem o que é dor, medo e desespero, mas ignoram a dor, o medo e o desespero daquela criatura morta em seus pratos. Por quê?


Porque não conseguem enxergar, porque ali, segundo a tradição cultural que foi passada , aquilo é apenas carne, de quem, de onde, nunca se questionaram, não faz parte da vida  delas questionar sobre isso. A elas parece normal, assim é para elas. Só se esquecem de um detalhe: a violência contra a vida é a mesma.


Para muitas pessoas matar outra criatura parece normal, porque elas são a medida de todas as coisas que fazem referência a elas, não aos demais e isso lhes parece normal porque simplesmente querem acreditar nisso. E a grande maioria é tão centrada em si mesma que se irrita ao ouvir alguém dizer algo que possa vir a contrariar suas crenças. Não lhe parece antinatural criar um animal senciente para a morte, não lhe parece anormal infligir dor, colocar em desespero, torturar, porque não lhe ensinaram que pode haver outros saberes que não aquele aos quais elas se prendem. Matar é algo normal, é assim que ela vê, é assim que ela sente, é assim que é para ela, desde que os veganos não lhe digam como o bife foi parar em seu prato.


Sendo cada um de nós, a medida de todas as coisas, cada um de nós pode sentir as mesmas coisas de formas diferentes. Alguns sentirão horror diante do abate de um animal senciente, seja humano ou não humano, outros serão frios diante disso. Alguns podem sentir compaixão por um animal abandonado, seja um animal humano ou não humano, outros podem querer se aproveitar fisicamente deles. Alguns podem sentir-se mal diante da tortura de um animal, humano ou não humano, outros serão aqueles que infligirão a tortura. Cada um é a medida de si mesmo, o problema é que, no tocante ao outro que sofre, essa medida pode surgir de forma boa ou ruim, em forma de vida plena, ou de morte cruel. Por isso Protágoras dizia : “ O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são, daquelas não são por aquilo que não são”. Cada pessoa representa o seu mundo e o mundo em si, representa todas as pessoas e todas as suas medidas. Os veganos não são conhecedores de todos os saberes, mas sabem do principal: é imoral e antiético fazer qualquer criatura sofrer, seja ela de qual espécie for. Ser a medida de todas as coisas implica muitas vezes em invadir a vida de outras criaturas, como vamos fazer isso é o que nos torna morais ou imorais.


Se somos a medida de todas as coisas, e agora é Schopenhauer quem nos diz,: “O mundo é representação minha” , e podemos fazer o mundo ser melhor ou pior , ser vida ou ser morte, luz ou escuridão. Assim como podemos ver e sentir as demais criaturas, elas igualmente podem nos ver e sentir, e podemos ser donos de um toque de suave compaixão ou a mão pesada do cutelo rasgando a carne. Podemos ser o acalento da dor ou o desespero do abandono, mas em cada ação, somos os únicos responsáveis por nós e pelo que acontece ao outro diante de nós.


Qual a certeza que resta disto?


Que cada um tem a sua verdade, e que essa verdade pode transformar para o bem ou para o mal, mas deve-se levar em alta conta que não vivemos isolados uns dos outros e cada ação nossa implica em uma reação do outro, ou dos outros. Toda vez que  consumimos  carne vermelha, nossa ação gera uma reação de maior degradação e fome. Toda vez que consumimos peixes, nossa ação gera uma reação que coloca em risco toda a biodiversidade marinha. São nossas medidas se voltando contra nós mesmos, pois não sabemos viver em harmonia, isso sem levarmos em conta o fato de estarmos matando seres sencientes , se olharmos por esse lado então, veremos que o prejuízo moral é ainda maior, pois aquilo que levamos por medida de todas as coisas, ou seja, nós e sempre nós, invade com desrespeito e violência extrema a vida de outras criaturas.


Floresta
O mundo não é apenas o seu mundo, mas é o mundo de todas as criaturas e dentro dele  todos nós, de todas as espécies nos relacionamos.  Não há outro mundo, não há outra saída. Quando nós vemos nesse mundo é que podemos ver que há opção em mudar ou não, em conhecer outra “verdade”, dentro de  outra medida, ou não.


Ocorre que a verdade que conhecemos e que nos torna a medida de todas as coisas é primeiramente aquela verdade subjetiva que tínhamos na infância e que foi apagada de nós por nossos pais ao insistirem que comêssemos a carne que recusávamos a colocar na boca, transformando essa verdade natural naquela na qual nos ensinaram a crer e que não nos permitia, até então, enxergar nos animais não-humanos nada mais do que meros objetos de consumo. Quando passamos a perceber o mundo ao nosso redor , conseguimos trazer essa verdade subjetiva a tona, nos livrando da “verdade” imposta pela tradição cultural da sociedade e mudando assim o rumo de “nossas” medidas.


Somos a medida de todas as coisas?


Devemos ser com sabedoria, pois qualquer ação que cause mal, que seja violenta ou cruel, nos torna imorais e nos fará, cedo ou tarde, prestar contas junto as demais criaturas. Se o mundo é nossa representação, basta termos coragem de encarar nossas ações diante do mundo, olhar como ele se encontra, olhar um matadouro ou uma granja, ver a verdade que se expressa nos animais diante da morte, diante da dor , não fugir diante de um animal que se debate para escapar ou que agoniza diante de nós. Não virar o rosto, não fechar os olhos e não tapar os ouvidos.


Será que estamos mesmo preparados para sermos a medida de todas as coisas, diante daquilo que ocultamos ou vamos continuar mentindo para nós mesmos?


Simone Nardi







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quarta-feira, 26 de março de 2014

Eutanásia

Gato doutor

Por Ricardo Capuano

 

  Segundo o dicionário Priberam:

Eutanásia: (grego euthanasía, -as, morte fácil, morte feliz) - substantivo feminino
1. Morte sem dor nem sofrimento.
2. Teoria que defende o direito a uma morte sem dor nem sofrimento a doentes
incuráveis.


Legislação Brasileira

 

 No Brasil a eutanásia é tipificada como homicídio privilegiado pelo Código Penal:

“Art. 121. Matar alguém:

Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Caso de diminuição de pena:

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.”

A morte assistida, por sua vez, é considerada crime de Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio:

“Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.”

O Código de Ética Médica, por fim, estabelece o seguinte:

“Art. 6º. O médico deve guardar absoluto respeito pela vida humana, atuando sempre em benefício do paciente. Jamais utilizará seus conhecimentos para gerar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade.

É vedado ao médico: (...)

Art. 66. Utilizar, em qualquer caso, meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu responsável legal.”


Fonte: Eutanásia e morte assistida - Marcio Sampaio Mesquita Martins






CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA - CFMV



No uso das atribuições lhe conferidas pelo artigo 16, alínea ‘f’, da Lei nº 5.517, de 23 de outubro de 1968, RESOLUÇÃO Nº 1000, DE 11 DE MAIO DE 2012


Dispõe sobre procedimentos e métodos de eutanásia em animais e dá outras providências.


 O considerando que a eutanásia é um procedimento clínico e sua responsabilidade compete privativamente ao médico veterinário;

Considerando que a eutanásia é um procedimento necessário, empregado de forma científica e tecnicamente regulamentada, e que deve seguir preceitos éticos específicos; e que os animais submetidos à eutanásia são seres
Lobinho
sencientes e que os métodos aplicados devem atender aos princípios de bem-estar animal,


CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS




 Art. 3º A eutanásia pode ser indicada nas situações em que:

 I - o bem-estar do animal estiver comprometido de forma irreversível, sendo um meio de eliminar a dor ou o sofrimento dos animais, os quais não podem ser controlados por meio de analgésicos, de sedativos ou de outros tratamentos; 

 II - o animal constituir ameaça à saúde pública;

 III - o animal constituir risco à fauna nativa ou ao meio ambiente;

 IV - o animal for objeto de atividades científicas, devidamente aprovadas por uma Comissão de Ética para o Uso de Animais - CEUA;

 V - o tratamento representar custos incompatíveis com a atividade produtiva a que o animal se destina ou com os recursos financeiros do proprietário.






Espiritismo e Eutanásia

 


“Porque o que acontece aos filhos dos homens, isso mesmo também acontece aos animais; a mesma coisa lhes acontece. Como morre um, assim morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego, e nenhuma vantagem têm os homens sobre os animais. Tudo é vaidade” - Eclesiastes 3.19.



L. dos EspíritosPergunta 606-A – “Então emanam de um único principio a inteligência do homem e dos animais? Sem duvida.”

 “ A verdadeira vida, tanto do animal quanto do homem, não está no invólucro corporal, do mesmo modo que não está no vestuário. Está no principio inteligente que preexiste e sobrevive ao corpo.” - A Gênese



Para todos os fins, consideramos sempre a “alma” dos animais igual a do humano, somente em fase evolutiva diferente. O que se aplica a um; se aplica ao outro.


O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo V -  item 28 

“Um homem está agonizante, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é desesperador. Será lícito pouparem-lhe alguns instantes de angústia, apressando-lhe o fim?”,  resposta: “Quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir o homem até a borda do fosso, para daí o retirar a fim de fazê-lo voltar a si e alimentar ideias adversas das que tinha? Ainda que haja chegado ao último extremo um moribundo, ninguém pode afirmar com segurança que lhe haja soado a hora derradeira. A ciência não se terá enganado nunca em suas previsões?” 



Mika

Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V 


 “O materialista, que apenas vê o corpo e em nenhuma conta tem a alma, é inapto a compreender essas coisas; o espírita, porém, que já sabe o que se passa no além-túmulo, conhece o valor de um último pensamento. Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro." - S. Luís. (Paris, 1860.)


Livro dos Espíritos - 953 


  "É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, mau grado às aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?"



 O Consolador 


 “O homem não tem o direito de praticar eutanásia, em caso algum, ainda que a mesma seja a demonstração aparente de medida benfazeja. A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem, como a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito em marcha para a sublime aquisição de seus patrimônios da vida imortal.” Emmanuel, psicografia de Francisco Candido Xavier (ed. FEB):



OBREIROS DA VIDA ETERNA - Espirito André Luiz pelo médium Chico Xavier 


Lobinho
 “Sem qualquer conhecimento das dificuldades espirituais, o médico ministrou-lhe a chamada “injeção compassiva”, ante o gesto de profunda desaprovação do meu orientador. Em poucos instantes, o moribundo calou-se. Inteiriçara-se a mascara facial. Fizeram-se vítreos os olhos móveis. Cavalcante, para o espectador comum, estava morto. Não para nós, entretanto. A personalidade estava presa ao corpo inerte, em plena inconsciência e incapaz de qualquer reação. Sem perder a serenidade otimista, o orientador explicou-me: - A carga fulminante de descanso, por atuar diretamente em todo sistema nervoso, interessa os centros do organismo perispiritual. Cavalcante permanece, agora, colado a trilhões de células neutralizadas, dormentes, invadido, ele mesmo, de estranho torpor que o impossibilita de dar resposta ao nosso esforço. Provavelmente, só poderemos libertá-lo depois de decorridas mais de doze horas(...). E, conforme a primeira suposição de Jerônimo, somente nos foi possível a libertação do recém-desencarnado quando já haviam transcorrido vinte horas, após serviço muito laborioso para nós. Ainda assim, Cavalcante não se retirou em condições favoráveis e animadoras. Apático, sonolento, desmemoriado”


Dra. Irvênia Prada


 “Se em relação ao ser humano temos a referência do que consta no livro “Obreiros da Vida Eterna”, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, jamais encontrei nas obras básicas da codificação espírita, algo paralelo, que nos orientasse quanto às conseqüências da eutanásia nos animais. Assim, em termos práticos e considerando as condições evolutivas de nosso planeta, sempre respondo a esta pergunta, lembrando-me de uma página de Emmanuel intitulada “Quanto Puderes”, também psicografada por Chico Xavier, em que recomenda: “Quanto puderes, não te afaste do lar…Quanto te seja possível, suporta… Quanto estiver ao teu alcance, tolera…”, etc. Então, digo: “Quanto puder, quanto lhe seja possível, quanto estiver ao seu alcance, faça opção pela vida!” 



Dr. Marcel Benedeti


Lobinho
  “Se eles não tivessem ou se nós não tivéssemos contato com a dor, nunca saberíamos o que seria isso. Se não soubéssemos o que é a dor, como saber o que é a falta dela ou o amor? É necessário que haja este contraste para que reconheçamos um e outro e saibamos diferenciá-los para aplicar em favor de nossa própria evolução. Todas as situações penosas são aprendizado para o nosso Espírito que tem evolução dinâmica. O sofrimento é relativo somente ao corpo físico e não ao Espírito, e é uma interpretação dada pelo nosso sistema neurológico”.
“O sofrimento faz parte dos meios de fazer evoluir o Espírito primitivo, que com isso desenvolverá sua consciência. À medida que os Espíritos, na condição animal por exemplo, expandem sua consciência pela dor, expandem também sua condição de desenvolver sentimentos relacionados ao amor ao próximo, tornando-os aptos a entrar em outra faixa evolutiva da Humanidade.”
“Os animais, assim como nós, possuem sistema nervoso que serve para fornecer informações sobre o meio ambiente em que está. O sistema nervoso é para nós e para os animais, entre outras finalidades, um instrumento de sobrevivência. Sentem dor. No entanto quando o corpo é acometido por algo que o atinja de modo rápido, fulminante e que permita que ultrapasse o limiar da dor perceptível ao cérebro, o mecanismo de separação entre o corpo espiritual e o físico é ativado automaticamente e o corpo sutil acaba sendo lançado, como se fosse por uma catapulta à distância do corpo físico para amenizar o sofrimento e evitar dores desnecessárias"

“Deus não deixaria que os animais sofressem apenas por sofrer, pois não haveria utilidade nisso. Se não houvesse mais a dor neste mundo, significaria que este mundo passou para outra fase evolutiva. Existem Espíritos que acompanham os animais e cuidam para que não sofram mais do que podem, e quando o sofrimento atinge um determinado ponto eles são retirados do corpo por mecanismos automáticos eles ou desencarnam para, em seguida, serem reencarnados e continuarem sua evolução ou se afastam (em espírito) enquanto a dor for demasiada. Este mecanismo de proteção também acontece com os seres humanos quando se vêem em situações perigosas e de sofrimento elevado.”


OPINIÃO

 


Lobinho
            Todas nossas escolhas e opiniões sempre se baseiam em nossas experiências e conhecimentos que adquirimos com essas experiências e com o aprendizado a nós transmitido por outras pessoas e que escolhemos aceitar. Em relação ao tema “Eutanásia” sou explicitamente contra.

            Acredito no que o Dr. Marcel Benedeti afirmou; “Deus não deixaria que os animais sofressem apenas por sofrer, pois não haveria utilidade nisso. Existem Espíritos que acompanham os animais e cuidam para que não sofram mais do que podem, e quando o sofrimento atinge um determinado ponto eles são retirados do corpo por mecanismos automáticos eles ou desencarnam para, em seguida, serem reencarnados e continuarem sua evolução ou se afastam (em espírito) enquanto a dor for demasiada.”

            Acredito que ninguém está desamparado e Deus não deixa nenhum de seus filhos, independente se é uma planta, animal, humano ou arcanjo, sem auxilio. Todos temos espíritos protetores que nos “tutelam” e ajudam. Ninguém, repito, está desamparado da bondade divina. Assim existem espíritos que protegem os animais para que não passem por sofrimentos desnecessários e sem finalidade.

            Mesmo não tendo um livre arbítrio elaborado como os humanos que leva a “resgates” pelo sofrimento, a dor para todos os seres vivos é uma forma de aprendizado e não deve ser negada como instrumento de evolução.

Gatinho de luz

Emanuel – Chico Xavier 


  “Nem sempre o sofrimento está atrelado ao resgate do passado, mas toda a vivencia atrelada ao sofrimento leva ao aprendizado.”










           


 

Medico Veterinário: Ricardo Luiz Capuano




 

 

  

Sobre as fotos

Lobinho foi um amigo que recolhemos da rua, estava abandonado e doente, com osteosarcoma na região craniana, não conhecíamos até então os problemas da prática da eutanásia para os animais e optamos, por solicitação do veterinário , por esse procedimento. Só o que desejamos todos os dias desde então é que Lobinho nos perdoe pelo erro.

 

Para ler mais sobre o assunto acesse

Eutanásia nos animais 

Osteosarcoma,Homeopatia: o que é e como lidar com isso 

Osteosarcoma X Homeopatia X Eutanásia

Reflexões sobre a Eutanásia

 

 

 



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