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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

NO LIMIAR DA REVOLUÇÃO


    

Revolução Global


                  
A civilização humana, ao longo de sua curta história, veio cometendo diversos equívocos, em todos os campos, principalmente no que se refere às questões envolvendo o respeito ao próximo. Alguns desses equívocos persistem até os dias coetâneos, devido ao estado de imaturidade em que ainda estão imersas as coletividades terrenas. Tais desvios de comportamento, apesar de absolutamente normais, porque oriundos da debilidade ética dos seres humanos, precisam ser combatidos, a fim de que atinjamos, com mais celeridade, patamares evolutivos mais elevados, graças à eliminação de costumes, muitas vezes, bárbaros, que ainda enegrecem nossa caminhada.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

FEROCIDADES IMPESSOAIS


 “Nunca qualquer floco de neve se sentiu responsável por uma avalanche”Voltaire



Dois anos se passaram desde a mostra do fotografo Adolfo Leirner em São Paulo intitulada: “Crueldades Impessoais” onde nos mostrou de forma brilhante em suas fotografias aquilo que não conseguimos enxergar, ou seja, o absurdo e o insólito de cadáveres de animais que são destinados à alimentação humana.

Temos verificado em nosso cotidiano que a “crueldade” citada por Leirner não alcança apenas os animais ali expostos em suas fotografias, mas extrapola o ambiente asséptico da mostra para mergulhar na sujeira humana de nossa realidade. O mundo hoje passa por uma onda talvez nunca vista em sua história, de atrocidades entre os próprios seres (h)umanos. Na época apontávamos que essa crueldade cometida nos colocava no patamar de seres potencialmente perigosos.


Porque não nos damos conta de nossa cumplicidade diante das crueldades cometidas e que tanto influenciam para um comportamento humano belicoso?



Cauterizamos nossa consciência! Não mais enxergamos nossa crueldade.
Por exemplo: A crueldade desaparece frente a criatividade culinária de pratos exuberantes e tão exaltados pela mídia e pelo modo glamoroso de viver  promovendo a insensibilização de nossos sentidos, o embotamento de nosso senso critico e sensibilidade já tão corroída desde a infância. Melhor dizendo, este embotamento é promovido desde o berço através do desenvolvimento de hábitos e modos de viver, cristalizando assim, modos de ser instalados tão profundamente no sujeito que acabam transformando-se em verdades inalienáveis. 

Mais tarde a educação escolar, a cultura, as relações interpessoais, os círculos por onde transita, contribuem ainda mais na cristalização dos hábitos ensinados no núcleo familiar – instituição sagrada e inquestionável para uma criança que desde cedo é condicionada aos hábitos nada naturais de alimentação.

Lentamente a criança ou adolescente tem em seu proprio núcleo familiar a perpetuação e automatização de hábitos, posturas e atitudes que deverão conduzi-los pela vida afora..

Esse processo de automatização de comportamentos e hábitos humanos retira-lhe consequentemente o senso do que seja a vida por excelência e suas vertentes e como consequência disso, não associa a morte a seus hábitos cotidianos.

O filósofo Francês Voltaire (François Marie Arouet – 1694-1778) diz numa de suas frases emblemáticas acerca do ser humano: “Os homens nunca sentem remorsos por coisas que estão habituados a fazer”. Constatamos nessa reflexão o automatismo dos hábitos como anestésico de sua consciência. Desassociamos toda e qualquer responsabilidade sobre aquilo que nos é servido como alimento, nos é vendido como adereço ou costurado como vestimenta, só para citar três das necessidades humanas envolvidas diretamente com a crueldade e morte de animais e principalmente com a degradação ambiental gerada por esses hábitos.



Justificamos tudo isso afirmando que “sempre foi assim” ou “Deus deixou os animais para consumo”, ou ainda, “não fui eu quem matou” etc. etc. Desviamos de nossa atitude individual a responsabilidade pela morte e crueldade, imputando ao coletivo essa responsabilidade. Voltaire mais uma vez nos socorre com uma reflexão extraordinária: “Nunca qualquer floco de neve se sentiu responsável por uma avalanche”

Isentos da culpa, difundimos o mais que puder a satisfação um prato sofisticado onde jaz uma vida. Devidamente adormecidos os sentimentos de piedade e compaixão, devoramos sem pensar no que mastigamos agradecidos a Deus pelo alimento (?).

Há alternativas? Sim, há! E muitas.

Mais importante que a força de vontade de optar pelo veganismo ou vegetarianismo, é a força de vontade de libertar-se dos automatismos e condicionamentos impostos que nos roubaram a sensibilidade e a ternura pelos demais seres viventes. Só assim poderemos então nos tornar autônomos e éticos por excelência, pois, estaremos respeitando antes de tudo, o mais importante princípio humano - A Vida.



Antonio Simões, filosofo, sociólogo e colaborador do Blog.



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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Consciência na via pública:uma homenagem aos protetores. de animais

Foram os minutos mais longos da minha vida. Aos poucos a dor foi sumindo, acho que era porque estava tão forte que eu não conseguia mais senti-la.

As vozes ao meu redor pareciam vir de um túnel, pois ecoavam longe, fracas e tais como eu, doloridas. Alguns cantavam algo que falava sobre um Jesus, para que Ele lhes enviasse uma luz, que lhes mudasse o coração.

Outros me olhavam e diziam coisas que eu não compreendia: que dó, minha nossa, quanto sangue, deve estar morto. Não eu não estava morto! Estava vivo e queria viver. Senti que alguém me tirava do chão e me envolvia num cobertor, diziam que eu era filho de Deus. Me senti tão bem naquela hora.

O aconchego daqueles braços, a preocupação naquelas vozes, o carinho daquelas mãos sobre mim. Tentei agradecer, mas sentia-me fraco demais. Cedi a dor. Quando dei por mim, um outro homem de olhar preocupado me olhava, dizia que nada mais poderia ser feito.

Senti aquele mesmo toque carinhoso de antes e uma voz tão doce que me dizia: “Não tenha medo, tudo vai ficar bem, tudo vai ficar bem”. Quando acordei eu já me sentia bem. Meu corpinho não doía mais. Tinha outros amiguinhos ao meu lado e, de onde eu estava, pude ver, bem abaixo de mim, as pessoas que cercavam um outro filhote, todo ensanguentado e ferido.

Foi quando percebi que aquele filhote na verdade era eu mesmo. Aquelas pessoas deveriam ser os anjos de que eu sempre ouvi falar. Os anjos que nos ajudam nos momentos de dificuldade, sim, hoje olhando para eles, tenho certeza de que eram anjos . Eram eles que tinham me recolhido da via pública após eu ter sido atropelado.

Tinham me levado para o médico, mas meu estado era tão grave que ele nada pudera fazer. É eu tinha morrido, mas incrivelmente me sentia vivo, vivo e agradecido por eles terem um coração bondoso, tão bondoso a ponto de se importarem com um filhote que eles nem sequer conheciam. Eles não haviam apenas passado por mim e virado o rosto, não.

Eles haviam tido compaixão e consciência de que eu, mesmo um filhote ainda, era filho de Deus, assim como eles e como todos os anjos que nos ajudam. Esse é o meu agradecimento à vocês, nossos anjos de guarda, que dia a dia lutam pelo nosso bem estar, uma luta árdua e muitas vezes ingrata, mas saibam, que para nós vocês são especiais e que já habitam nossos corações.

" Desse filhote que morreu, mas vive ao lado de Deus! Uma Homenagem aos Protetores


Simone Nardi


Apresentação: Homenagem aos protetores








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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Antropocentrismo, A visão humana : Um breve passeio pela história (PPS)

Mais uma palestra que disponibilizamos em pps afim de facilitar os estudos daqueles que nos acompanham;

Vale lembrar que ela já foi postada como artigo aqui mesmo no Blog.

Acesse:


Antropocentrismo, A visão humana : Um breve passeio pela história


Simone Nardi



Link direto do pps

Antropocentrismo, A visão humana : Um breve passeio pela história






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terça-feira, 10 de junho de 2014

O Verdadeiro Milagre




Culpa

Enquanto muitas pessoas ficam paradas, estagnadas, apenas aguardando um milagre acontecer outras trabalham para que os milagres aconteçam, é com esse pensamento que desejo apresentar a ideia de milagre trazido por uma filósofa.

Hanna Arendt em seu livro “O que é Política” nos fala sobre o que é milagre. Não os milagres religiosos, inexplicáveis e dogmáticos ao qual nenhum ser humano pode questionar e sim apenas aceitar e torcer para que ocorra exatamente com ele, afinal é algo que viria de Deus, uma dádiva de um Pai para com seu filho. Não, não é sobre este milagre que Hanna Arendt, judia que vivia num tempo onde o Nazismo reinava, nos fala; ela fala do milagre sim, mas como uma condição da ação humana.

Milagre deixa então, nas palavras desta filósofa, de pertencer à classe dos conceitos metafísicos e se materializa, se humaniza, pois se trata na verdade da ação dos seres humanos em criarem condições para que as mudanças ocorram. Seres humanos, não Deus. Podemos ver como a autora coloca a responsabilidade sobre nossos ombros nos dizendo de forma esclarecedora que basta dos discursos de que as coisas não podem ser mudadas, de que não conseguimos nos transformar, que só um milagre metafísico pode realizar esse trabalho que deveria ser apenas nosso.

Hannah Arendt
Hanna Arendt, de um modo muito simples, tira a tal “naturalidade” das coisas e nos mostra que para que um milagre ocorra, tudo o que necessitamos fazer é criar condições de nos transformar e nos transformando, transformar também o mundo ao nosso redor, criando assim novas cadeias causais que materializarão esse milagre. É um grande puxão de orelha naquele que se abriga sob o teto da preguiça de mudar, adiando para outros o trabalho que é seu e que precisa ser realizado hoje. Nós temos esse hábito de esperar que algo mude no mundo para que nós igualmente mudemos, pensamos que alguém metafísico, em algum lugar vai desencadear alguma transformação que vai resvalar em nossos corações e como num passe de mágica vai igualmente nos transformar sem que façamos qualquer esforço, afinal, como alguns dizem, é necessário evitar a fadiga.

Imaginemos se todos os países tivessem esperado que Hitler mudasse por vontade própria ao invés de lutarem contra ele? “Vamos esperar”, diriam os mais serenos, ele terá o momento dele, ele vai “cair na real” e descobrir que matar não leva a nada, mudar é algo de foro íntimo, não podemos forçar ninguém a fazer o que não deseja, um dia ele vai despertar...

Será que ao deixar que as coisas aconteçam pela mão de “não sabemos quem” estamos vivendo mesmo num mundo que é nosso? Falo aqui do medo que as pessoas possuem ao ouvir falar em animais e sobretudo em vegetarianismo. A grande maioria diz que esse milagre, podemos chamar assim, um dia vai ocorrer em todo o Planeta. Mas pelas mãos de quem? Se Hanna Arendt nos fala que nós somos o milagre, que nós somos os criadores dessas novas cadeias causais, a mudança só poderá ocorrer através de nossa ação: “[...] nenhuma boa vontade de hoje garante no mínimo uma boa vontade para amanhã” (Arendt,2011,p41). 

Morador de rua e seu cão
Sobretudo aos espíritas que creem na reencarnação, pois ao reencarnarem daqui a alguns anos e, se o tal milagre da qual teriam que ser a Boa Vontade e sobretudo a Ação não se efetivou, quem garantirá que voltarão com a mesma “boa vontade” de mudar o mundo se não a tiveram na reencarnação passada? Ou desejam estes companheiros reencarnar num mundo mágico, onde ninguém mais se alimente de animais e assim nascerem ali já reformados sem terem se esforçado para abandonar o hábito da carne, porém nesta nova roupagem obrigados a não comer algo que ainda faz parte de seus perispíritos? Assim a mudança seria fácil, não tendo acesso ao que desejam, não mais desejariam...será? Obrigados a mudar pelo esforço, pelo milagre alheio e não pelo seu próprio, tendo em seus perispíritos a necessidade da carne que implantaram em si mesmos , sem conseguir apagar as marcas desta necessidade pois nada fizeram para que isto ocorresse....

Milagre é ação e nós encarnados é que devemos criar condições para que toda mudança ocorra no planeta, pois ela não vai ocorrer jamais sem a boa vontade e a ação de cada um de nós. De nada nos adianta pregar o amor se somos violentos e onde quer que exista violência não existe amor e há muita violência em nossos pratos, disso nós devemos estar sempre cientes.

É nossa responsabilidade mudar os antigos discursos que no dizem que algo é de foro íntimo, de que cada um tem seu tempo, é preciso apagarmos de nossa mente essa naturalização da violência que cometemos contra os animais, nós , seres humanos é que construímos nossa história, toda a transformação que ocorrer no planeta é de nossa inteira responsabilidade: “ [...] cada novo começo é, em sua natureza, um milagre” (Arendt, 2011, p42). Assim, nossa ação é o sinônimo do milagre que há mais de 2000 anos esperamos e, esperamos exatamente porque não fazemos nada para que ele ocorra já que, como nos coloca Arendt, poder começar novas cadeias causais é próprio dos seres humanos e não dos animais.

[...] fato de o próprio homem ser dotado, de um modo extremamente maravilhoso e misterioso, de fazer milagre. No uso idiomático habitual e comum, nós chamamos essa aptidão de agir. É característico do agir a capacidade de desencadear processos(...) é lhe característico, inclusive, o poder impor um novo começo, começar algo de novo, tomar iniciativa, começar uma cadeia espontaneamente. O milagre da liberdade está contido nesse poder-começar que, por seu lado, está contido no fato de que cada homem é em si um novo começo, uma vez que, por meio do seu nascimento, veio ao mundo que existia antes dele e vai continuar existindo depois dele.” (Arendt, 2011, p43)

Vemos assim que o ser humano é capaz de realizar milagres de criar um novo começo então, quando teremos coragem de encarar nossa capacidade de iniciar esse processo de transformação? Afinal, o que esperamos para começar a nos transformar?






Simone Nardi







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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Nosso antropocentrismo de cada dia

Em seu livro “Ecologia, grito da Terra, grito dos Pobres”, Leonardo Boff expõe com grandeza a visão antropocêntrica do homem em relação ao meio em que vive, e demonstra num parágrafo único, que ao invés de ser tudo, o homem nada é diante do Universo:


“Esquece, entretanto, que o universo e a Terra não são resultado de sua criatividade nem fruto da sua vontade. Ele não assistiu ao seu nascimento, nem definiu a seta do tempo, nem inventou as energias primordiais que continuam agindo no imenso processo evolucionário e que estão atuando em sua própria natureza humana, parte da natureza universal. Ele se encontra na retaguarda, como o último a chegar nessa imensa festa da criação. Por ser anterior a ele, o universo e a Terra não lhe pertencem. Ele, na verdade, pertence à Terra e ao universo. Se a Terra não é o centro do universo, como é possível que o ser humano, filho e filha da terra, se considere seu centro e sua finalidade?”


Infelizmente o Antropocentrismo: o homem como peça fundamental e protagonista desse nosso Planeta, o início, o meio e mais do que provável, o fim de tudo, é uma realidade e uma barreira difícil de ser vencida. Para o antropocêntrico, nada além do ser humano possui valor intrínseco ou qualquer direito ao conceito de alteridade, nada, absolutamente nada é mais importante no Planeta do que seu ego. O que mais nos chama a atenção nessa palavra tão conhecida , é ver há quantos séculos as pessoas exploram os animais e que hoje, em pleno Século 21, muitas ainda vivem presas a esse passado tão antigo e violento.


O paradigma Antropocêntrico, essa visão de que tudo que existe ao nosso redor nos pertence para que façamos com ele o que quisermos e o que bem entendermos, parece já ter surgido durante a concepção do ser humano, porém, com toda certeza, não pode mais fazer parte do pensamento da humanidade, posto que tal paradigma nos leva a uma visão perigosa, tanto para humanos quanto para não humanos:


Tudo pode e deve ser feito em beneficio único e exclusivo dos seres humanos, não importando aí o que será destruído em seu benefício o que nos leva a exploração total dos recursos da Natureza, o uso brutal dos animais nas mais diversas áreas e com as mais absurdas alegações de que: Tudo no mundo é para nosso bem estar. A maioria que ainda pensa assim, o faz porque não conseguiu se livrar do peso das “mentes antigas” que exigiam o comando do conhecimento em todas as áreas: Ciência. Religião. Estado.


Esse é um dogma que persegue o homem até os dias atuais, talvez pelo simples fato de que alguns temam as mudanças, temam mudar seus valores, já que o orgulho os impede de caminhar e os impede de sequer imaginar, que um animal que durante muito tempo foi considerado um ser inferior, possa ter direito a vida tal como os seres humanos. Se isso acontecer, sobre quem o ser humano irá reinar então??? Talvez por esse ângulo seja bem mais fácil identificar a resistência ao fim desse paradigma, essa irracionalidade em se admitir tal verdade que viria a “ferir” a tola vaidade humana.


O motivo pelo qual, muitos alunos em cursos que utilizem animais ou não, jamais contrariarem seus mestres, nada mais é do que o medo da desaprovação, o medo de parecerem ridículos diante de suas convicções; eles não temem, contudo, apenas a reprovação, mas se envergonham em admitir perante professores e colegas que os animais possuem direito a vida e a liberdade, e que não foram feitos, a não ser dentro da mais medíocre mente humana, para servirem aos humanos.


Alguns alunos, talvez a grande maioria, ainda mantém dentro de si o Paradigma Antropocêntrico e não o combatem, acreditando que o professor sempre tem razão, “Magister dixit1″, quando julgam os animais humanos superiores diante dos animais não humanos. Talvez muitos desses alunos sequer gostem de animais, outros talvez tenham seus cães e gatos em casa e os adulem com mimos e guloseimas, porém, por uma razão que já nos é conhecida, não admitem que os animais de laboratório que servirão para um falso aprendizado, mereçam o mesmo amor e o mesmo respeito daqueles animais que deixaram em suas casas, que podem sentir tanta ou mais dor que seus bichinhos, levados a alguns veterinários que fizeram com certeza, a mesma opção de se omitir diante disso.


Ao se negarem a expor seus pensamentos por medo de serem ridicularizados, o que geralmente acontece diante de seus colegas, o que deixam de perceber é que depende muito mais deles do que propriamente de seus professores antropocêntricos, uma mudança ética no ensino.Não achem eles que seus professores, alguns muitos mais antropocêntricos do que outros, irão lhes dizer que usar animais em aulas didáticas, que alimentar-se de animais, ou usar suas peles como roupas, é uma desconsideração com os valores da verdadeira ética e da verdadeira moral, ou que incluir o tema de expansão da alteridade moral aos animais, fará parte do currículo acadêmico dessa ou daquela disciplina. Cabe a cada um, a cada aluno, vencer qualquer paradigma a fim de demonstrar que o antropocentrismo não eleva o homem, mas que é o responsável pelos maiores problemas que a História já presenciou. Um aluno não pode permitir que seja tirado dele seu senso de ética e de valor da vida, diante do que lhe é transmitido. Não é mais possível que hoje, com os conhecimentos que adquirimos no decorrer de anos, ainda nos esqueçamos de que os animais sentem medo diante da morte nos abatedouros ou que sentem dor durante as aulas de vivissecção. 


“Pertencemos ao Universo, não somos donos dele.” (F. Capra)


E não sendo donos do Universo, não temos o direito de dispor de nada que pertença a ele, nada que cause sofrimento ou morte. Os futuros doutores de amanhã, precisam mostrar aos seus professores de hoje que existem sim métodos alternativos. Os futuros filósofos precisam criar sistemas com valores baseados nos conceitos de respeito, compaixão e alteridade afim de que seja possível moralizar os indivíduos diante da natureza, dos animais e de si mesmos.Os alunos precisam muito mais do que apenas frequentar as aulas, precisam buscar conhecimentos fora delas, principalmente os conhecimentos que seus professores jamais irão lhes mostrar. Principalmente os filósofos precisam se ocupar dessa idéia de libertação, de alteridade para com os animais, para que a ética em relação a eles mude de tal forma que a fidelidade que antes era destinada a apenas uma espécie, passe a ser uma fidelidade pela Vida.


Não somos o centro de tudo, nem tampouco a medida de todas as coisas, nem o eixo no qual o Universo gira, não é a razão que nos separa dos animais mas o nosso orgulho e a nossa vaidade.


“(…) houve uma vez um planeta no qual os animais inteligentes inventaram o conhecimento. Este foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da .história universal, mas foi apenas um minuto. Depois de alguns suspiros da natureza, o planeta congelou-se e os animais inteligentes tiveram de morrer.” (F. Nietzsche)


O antropocêntrico se dispensa da alteridade para com aqueles que passa a julgar inferior, se dispensa da ética e de toda moralidade quando se coloca acima de qualquer outro ser.


Portanto, essas desconsiderações de valores, apoiadas somente na vaidade antropocêntrica dos seres humanos pode, daqui a alguns anos, ser apenas uma lembrança de uma raça que abusava dos recursos do meio em que vivia para proveito próprio, colocando-se como um ser acima da natureza, e não ao lado dela:




“[...] Imagina-se um ponto isolado e único, fora da natureza e acima dela. Arrogantemente se dispensa de respeitá-los.” (L. Boff)



Podemos imaginar a partir desse ponto, o caos em que o Planeta ainda pode se transformar se não ocorrer a mudança desse paradigma para um que privilegie a vida, e não somente uma determinada espécie.






Referências Bibliográficas


BOFF, Leonardo – Ecologia: Grito da Terra, Grito dos Pobres

NIETZSCH – Friedrich – Os Pensadores – Verdade e Mentira no Sentido Extra Moral



Nota

1 O mestre (o) disse”. É uma frase proverbial , que ficou popular pelos estudiosos se Aristóteles, para que a opinião de um mestre não admitia, em hipótese alguma, uma réplica.


Simone Nardi







Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Eutanásia nos Animais



Foto by SN; Hime
             



Eutanásia deriva do grego,”eu”- bom e “thanatos” –morte, “boa morte”, porém dentro de uma filosofia espírita devemos compreender que nenhuma morte pode ser boa quando se trata de suicídio ou de eutanásia, que nada mais significa do que literalmente tirar a vida de outro. A eutanásia é vista por muitos como uma prática de alívio a dor e ao sofrimento diante de uma doença incurável pela medicina humana. Segundo a História, a “euthanasia” seria utilizada há séculos e muitos eram os doentes que procuravam com seus médicos o elixir da morte por estarem cansados de viver. No entanto, a Doutrina Espírita nos esclarece que os seres vivos são constituídos de um corpo físico e de uma alma – espírito encarnado - e que a dor e o sofrimento são mecanismos de resgates necessários à evolução do Espírito em seu caminho rumo a perfeição, tais sofrimentos seriam a depuração energética de cada um, todos frutos do mal uso do livre arbítrio, já que todos respondem dentro da Lei de Ação e Reação, ou seja, toda ação cometida corresponde a uma reação de igual intensidade e gravidade, só que agora na forma de doenças e sofrimentos, educando os espíritos no caminho do amor. Muitas doenças, portanto, têm sua origem nesse mecanismo de resgate devido à enorme gama de energias que foram condensadas no perispírito e que agora afloram no corpo físico, esclarecendo melhor, pode-se concluir que todas as doenças tem origem no Espírito.



Mas e os animais? Eles não possuem resgates cármicos como os seres humanos e sua senciência prova que eles sofrem tanto quanto os seres humanos, seria lícito então proporcionar a esses irmãos a eutanásia afim de livrá-los do sofrimento?

Normalmente para aceitar a eutanásia realizada num animal em fase terminal, busca-se os recursos da Lei de Ação e Reação, da Lei do Carma, porém é preciso nos atentarmos ao fato de que o animal ao qual nos referimos não é apenas o animal que vemos na forma física, mas que há nele um Princípio Inteligente Universal, uma alma que anima aquela matéria e que retornará ao Plano Espiritual em boa ou má condição, dependendo muito de como agiremos com ele enquanto encarnado. E como será o trabalho da espiritualidade se, com nossos recursos terrenos, levarmos para o Plano Espiritual um animal antes de seu momento derradeiro, afinal, qual de nós sabe com exatidão o que acontecerá dali a um minuto? Trazemos conosco essa imensa dificuldade de separação entre o que material e o que é espiritual. Acreditarmos que o animal se encontra em sofrimento sem qualquer justificativa, já que aprendemos que não possui carma e crer apenas nisto seria também acreditar que Deus houvesse criado tal sofrimento por puro capricho, já que como nos coloca Emmanuel , os animais estão isentos da Lei de Ação e Reação por não terem culpa a expiar, o que não significa que o sofrimento pelo qual passam em determinado momento não esteja lhe trazendo a evolução espiritual. André Luiz em seu livro "Libertação" coloca o seguinte : “O sofrimento é reparação ou ensino renovador” e Emmanuel novamente acrescenta o conceito de dor como aprendizado ao dizer que“...Ninguém sofre tão somente para resgatar o preço de alguma coisa.Sofre-se também angariando recursos preciosos para obtê-la. Assim é que o animal atravessa longas eras para instruir-se...para atingir a auréola da razão, deve conhecer comprida fieira de experiências”. .

“O sofrimento é reparação ou ensino renovador”, portanto, se os animais se encontram isentos da Lei de Ação e Reação, só nos resta crer que para eles tal sofrimento surge como grande aprendizado evolutivo, levando-nos a conclusão que para eles o sofrimento não teria a finalidade de punir ou resgatar, mas sim de educar para suas futuras reencarnações. Há, porém, um outro fato que não pode ser deixado de lado: E se a prova for para os tutores e não apenas um aprendizado para o animal? .

O que geralmente acaba ocorrendo nestes casos é que logo no momento em que mais precisam provar que amam esses pequenos irmãos os tutores desistem, na maioria das vezes não por verem o sofrimento do animal, mas por sua própria dor e fraqueza, e entregam-no a eutanasia. Quais aprendizados teriam retirado dali se não houvessem desistido antes da escolha da "boa morte"? Força.Dedicação. Amor, são alguns exemplos. .

É bem verdade que existem casos e casos, presenciamos certa feita o caso de um animal atropelado onde a matéria não poderia ser refeita pelos abnegados veterinários que o recolheram ainda com vida, neste caso contudo, ocorreu a misericórdia Divina ao ser solicitada a eutanásia, adormecendo a matéria, mas não o espírito, deixando o restante do trabalho e talvez o mais difícil para os benfeitores espirituais, que era o desligamento de todos os cordões fluídicos da matéria, já que a eutanásia havia tirado do animal seu último minuto de vida. Porém, na grande maioria dos casos e por pior que seja o sofrimento, cada tutor tem em suas mãos a capacidade de auxiliar seus tutelados a permanecerem no estágio de evolução onde se encontram até que a espiritualidade venha cortar os cordões fluídicos que os une à matéria e assim, recolhê-los com carinho e encaminhá-los ou a um tratamento no Plano Espiritual ou a uma nova reencarnação, dependendo do estado no qual se encontre.

A eutanásia, muito mais do que uma morte boa, pode ser considerada um atentado a vida, pois cada ser vivo que reencarna tem em si uma programação de vida feita pela Divindade, o que na visão humana se traduz apenas em sofrimento para o espírito é depuração e aprendizado, tirar dele seu derradeiro minuto é privá-lo desse aprendizado que lhe foi devidamente programado. Assim a eutanásia acaba se transformando numa fuga do tutor diante de um momento difícil e que como consequência impede que os cordões fluídicos se rompam normalmente, pois a matéria morre diante dos olhos, mas o espírito permanece vivo e ainda ligado a ela durante algum tempo, até que os benfeitores espirtuais terminem de cortá-los um a um. Por isso, apesar de vermos , como seres encarnados, o sofrimento da matéria, é preciso pensar também que o espírito que anima aquele corpo necessita daquele aprendizado , que ao libertar-se normalmente poderá ser rapidamente levado para um tratamento ou uma para uma nova roupagem carnal e que o carinho dos tutores , a água irradiada, os passes e as preces para que o animal se desligue naturalmente do corpo carnal sem maiores sofrimentos é que irá auxiliar a todos, tutores e tutelados,em seu caminho evolutivo.

Referências.

André Luiz, Libertação, Ação e Reação, Evolução em dois mundos.
Emmanuel ,Chico Xavier -Ação e Caminho.
















Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.











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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Saudades



Cão: Suzi, foto by SN



A saudade quando vagueia
Sempre fere um coração
Que por um outro amor anseia
Para afastar a solidão

A saudade é tristeza pura
Que incendeia minha paixão
É o desejo que não cura
Essa dor, da solidão

É tristeza nos meus versos
Nos meus passos, é meu chão
É um mal dos mais perversos
Que me tolhe a emoção

Vai saudades, vai-te embora
Deixas livre , o coração
Vejas se não te demoras
E não me negues o  perdão.


Simone Nardi

(à todos aqueles que perderam seus companheiros)




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