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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

VAI ENCARAR: CHICO X HITLER X GANDHI









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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

VEG-PERTURBADOR: GANDHI OU HITLER?









Dica de leitura baseada na imagem


Chico X Hitler : Qual será nosso Futuro?







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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Um dia

Vaquinha assando

Um dia eu saí na janela e de longe, de muito longe os vi bois e vaquinhas espalhados na campina, pastando, andando de um canto a outro, soltos livres, felizes.

Foto by; SN:Cão, Michelangelo
Um dia depois eu saí na janela e os vi, dois filhotes de cachorrinhos bem pretinhos, pequeninos, pobrezinhos estavam perdidos, andavam de um lado para o outro , eu orei para que uma alma bondosa os recolhesse antes da chuva da tarde, antes do frio da noite, me despedi deles e a janela fechei.

Um dia eu saí à janela para ver os boizinhos, havia poucos, muito menos do que eu contara, o malhado havia sumido, mas em compensação havia um bebezinho, sorri para eles, como eram felizes, saí para ir ao açougue e a janela fechei.

Um dia eu saí à janela e apenas um filhotinho eu vi, na certa uma alma bondosa recolhera um, mas que pessoa sem coração, como pudera escolher a um e a outro não? Será que o pobrezinho estava com fome, com sede, então orei, orei para que um bondoso coração se apiedasse dele e o recolhesse, pois o dia estava quente, o sol ardia e ele poderia estar com sede, assim que terminei, a janela fechei.

Um dia jantei, um bife enorme confesso, pudera, depois de um dia tão longo observando o filhotinho, de um lado para outro, as pessoas passavam tão perto, como podiam deixar lá o pequenino, pessoas malvadas sem coração, não queria mais vê-lo sofrer, fechei a janela e chorei.

Um dia saí à janela, vi que o bezerrinho sumira, apenas duas vaquinhas pastavam, não havia mais bois na campina, de certo os haviam levado, mas para onde seria? Busquei o meu cachorrinho perdido, então eu o vi, o meu pequenino, seu corpinho caído na lama, pois a noite chovera e o frio o corroera e ninguém o ajudara, como o mundo era mal, como as pessoas eram más. Um pobre filhote e ninguém o ajudara, o deixara morrer de sede e de fome.Chorei, confesso, de tão triste fiquei.

Mas um dia o mundo irá mudar, alguém se encarregará de ajudá-los, porque afinal, eles também merecem carinho e amor, pena que ninguém o salvara.Por ele agora, eu iria orar.

Sabe, um dia um cara me falou que os bois da campina haviam morrido, todos levados ao mesmo frigorífico, não acreditei, por certo é mentira, ninguém mataria o malhado, nem tampouco o bezerrinho, que cara mentiroso pensei.

Hoje vou jantar, comprei bife e um pouco de fígado, vou orar mais a noite pela alma do filhotinho; soube que trouxeram mais bois para a campina, amanhã quando eu abrir a janela vou poder vê-los, como a vida é linda, um dia eu serei forte, um dia eu farei algo de bom e Deus vai sorrir , até lá vou orar, para que as pessoas melhorem e comecem a trabalhar para o bem do Planeta, para que outro filhote não morra de sede, de frio e de fome.Como as pessoas são más, mas eu sei, um dia tudo vai melhorar.

“Muita gente aguarda que o mundo mude, sem saber que para isso, a mudança deve começar por suas próprias atitudes.”

“Seja a mudança que você quer ver no mundo.”



Simone Nardi
Gandhi

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A dor do outro

Primata atrás das grades


“O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos, como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior”.


Albert Einstein







Esse  pensamento fez-me lembrar de um dos ensinamentos de Jesus: “Amai ao próximo como a si mesmo”. Mas o Mestre não especificou se o próximo era o seu irmão de sangue, sua mãe, ou seu pai. Não especificou se o próximo seria mesmo aqueles que estão próximos ou que são iguais a você. Em meu entendimento, o próximo é muito mais. É como Gandhi disse: “o próximo é tudo o que vive”. E quando pensamos assim, estamos aumentando gigantescamente o nosso círculo de compaixão. Deixamos de amar apenas os nossos familiares e amigos e passamos a amar tudo o que vive. 



Entre tantos seres viventes, estão os animais. Sim, eles também são o nosso “próximo”. Estão presentes em nossa vida não para que façamos deles meros objetos. Eles têm sentimentos, alma, sofrem, necessitam do nosso auxílio para seguirem rumo à evolução. O que ocorre é que nós “humanos”, em nossa prepotência e soberba, julgamo-nos superiores, feitos à imagem e semelhança de Deus. Diante desse grandioso orgulho, sentimo-nos no direito de usurpar as vidas inocentes que estão em nosso planeta tão-somente para evoluírem, assim como nós mesmos, seres imperfeitos que somos. Desde os primórdios, estamos destruindo sem piedade tudo o que nos cerca, numa frieza implacável. 

Contudo, aos poucos, algumas mentes adormecidas foram despertando e pouco a pouco expandindo em si mesmas o sentido de amar ao próximo.  Alguns já conseguem se colocar no lugar do outro, sentir um pouco a dor alheia. Mas não é fácil. Temos a tendência de amar os nossos familiares, alguns poucos amigos e, se amarmos além, como, por exemplo, a um animal, amamos apenas aquele que é “nosso”, o cachorrinho de estimação da família. Não conseguimos enxergar no cão de rua o nosso próximo, aquele que necessita da nossa compaixão profunda. Não conseguimos nos colocar no lugar dos nossos irmãos que todos os dias são abatidos friamente, apenas para se transformarem em pedaços de carne. E por que fechamos os nossos olhos? Porque ainda não sabemos amar. Amamos de maneira egoísta, um amor que aprisiona, sufoca e mata. Amamos como se nosso coração não suportasse amar mais. Dedicamos o nosso carinho e respeito apenas àqueles que estão literalmente próximos. Enquanto permanecermos assim, o mundo será de provas e expiações, porque é inimaginável um planeta de regeneração onde o significado da palavra amor ainda é tão mesquinho.

Filhote abandonado, parece invisível para os seres (h)umanos que passam por ele.

Precisamos abrir nossos olhos, os da alma, para enxergarmos o que ainda é invisível para a maioria e, quando estivermos com os olhos abertos, precisamos ajudar a abrir os olhos dos que nos cercam para que vejam que o próximo pode estar em qualquer lugar que nosso pensamento possa alcançar. Notaremos em toda a parte mãos precisando das nossas para serem conduzidas. Fitaremos pessoas com os corações necessitados de um pouco de ânimo para seguir em frente. Sentiremos as plantas necessitando de nossa proteção e cuidados. Ouviremos os animais pedindo para viver, para terem a oportunidade sagrada da vida, que lhes tiramos simplesmente pelo fato de não os considerarmos como nosso próximo. Que cada um de nós abra os olhos, o coração. Que possamos expandir nosso círculo de compaixão, estendendo nosso amor para tudo o que vive. Somente assim seremos capazes de exercitar, em sua plenitude, nossa condição de seres humanos. 




Fernanda Almada   



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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Fome

Imagem: Mãe e filho -fome


"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante." - Albert Schwweitzer
 


Hoje em dia, uma das maiores responsáveis pelas mortes no Planeta se chama: FOME.

Fome no dicionário significa: em lat. fame. grande apetite; urgência de alimento, subalimentação, falta do necessário, penúria, miséria, situação de míngua ou escassez de víveres.

Estamos no século 21 e a fome ainda avança soberana, sem que os seres humanos se preocupem efetivamente em detê-la. Quando surgiu a discussão sobre os alimentos transgênicos, o lado interessado dizia que essa nova forma de alimento seria a responsável por erradicar a fome no mundo (alguns hoje ainda dizem isso, mas vendem o excesso de alimento a quem pagar mais).

Em um debate, há muitos anos atrás logo no início do tema, na Rede Cultura, um senhor que defendia os transgênicos como meio de exterminar a fome no Mundo foi questionado se, ao ter em suas colheitas um excesso de alimentos se ele os daria de boa vontade aos pobres. O senhor calou-se num sorriso tímido e o que vemos hoje é a expansão dos produtos transgênicos como soja (que em sua grande maioria serve para alimentação animal) e milho (que nos Estados Unidos é usado para obtenção de combustível), e ao lado da expansão astronômica dos transgênicos vemos também a expansão astronômica da fome.

Ou seja, não são os transgênicos que irão erradicar a fome do planeta, são os homens de boa vontade, e esses são bem poucos.

Sabemos que muitas são as origens da fome mundial, muitas delas naturais como o clima: seca, inundações, pragas de insetos, doenças das plantas, etc

Enquanto também sabemos que muitas são de atos exclusivamente humanos: o alto preço dos alimentos, as guerras, a instabilidade econômica e política de alguns países, etc. Cronicamente, o que mais causa a fome hoje em dia é: a pobreza e o crescimento desordenado das populações.

Só a fome mata anualmente mais de 20 milhões de pessoas, em sua maioria crianças.(Fontes da FAO)

Mas, como será realmente sentir fome? Como será que é ter aquela sensação de vazio no estômago quando estamos saciados pelo nosso bifinho diário, também um dos responsáveis pelas mudanças climáticas e pela fome do mundo, já que a maioria da soja cultivada lhe serve de alimentação.

Embora a sensação de "fome" seja um alerta importante para que possamos sobreviver, a glicose diminui no sangue, existem pessoas que só por esse fato já se sentem mal com tonturas e dores de cabeça terríveis. O estômago se contrai como a dizer; "Hei estou vazio".

Mas e quando não há alimento para preencher aquele "vazio" ao qual o estômago se refere? A energia do organismo começa a se esgotar trazendo graves conseqüências ao corpo: desnutrição, perda de peso, morte.

Imaginemo-nos sem o alimento diário e sem recursos para obtermos a nossa porção diária?

Difícil não?

E ainda recordo as palavras de um espírita que dizia:

"Melhor o médium comer seu bife, do que se atormentar sem ele"

E Gandhi mais sábio dizia:

"Detesto exceções e privilégios.O que não pode ser de todos, não o quero para mim."

Sabemos hoje que um dos meios de combater as mudanças climáticas (uma das origens da fome), é a diminuição da ingestão de carne. Não nos importamos e preferimos comer nosso bifinho, como se o assunto da fome e da degradação ambiental realmente não estivesse contido ali. Já riscando a parte na qual podemos crer ou não que os animais são nossos irmãos e que sentem dor - nosso orgulho ainda não nos permite olharmos os animais de um modo mais misericordioso. Então vamos nos concentrar nos 800 milhões de pessoas que passam fome, inclusive crianças, e vamos frisar bem: "crianças".

Mas nós temos o bife, nós somos todos os dias um dos motivos pelas quais elas passam fome, nós contribuímos com isso toda vez que vamos ao açougue, não sou eu quem afirma isso, essas são as recomendações da FAO e do Banco Mundial. O que faremos agora? Vamos ouvir o espírita que diz que é melhor o bife do que o tormento ou será que seremos tão altruístas como Gandhi e dizer que se eles não tem o mínimo, podemos viver sem o máximo?

Não importa mais se nas obras de Kardec está escrito algo que proíba ou não a alimentação de origem animal. Ele, KARDEC nos indicou o caminho, nos incentivou a pensarmos e caminharmos com a razão e a ciência; não podemos mais nos ater numa única questão quando estamos vendo o Mundo desabar sobre nós, quando nos mostram as soluções para um mundo melhor, mais humanitário. Não! É hora de nos levantarmos de nossa posição confortável e fazermos ao menos o mínimo, já que o máximo ainda estamos longe de alcançar.

Talvez não tenhamos poder para saciar tantas bocas, talvez não possamos evitar a maioria das mortes, mas podemos pensar como Gandhi. Se não nos importamos com os animais, ao menos que nos importemos com as crianças. Se elas sobrevivem à fome, sem a soja e o milho que são dirigidos a ração animal e não a elas, talvez eu possa, como uma gota no oceano ou como o beija-flor que tenta apagar o incêndio na floresta, estar fazendo a minha parte, pequena, mas sei que não estarei inerte diante de tanta dor.


Simone Nardi

Fonte: Feal 

Republicação



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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A difícil arte da não violência

Falar sobre não violência é algo muito fácil; difícil, porém, é compreender seu significado e colocá-lo em prática. Falamos a todo o momento em não violência e a todo o momento violamos vidas. Falamos a todo o momento de respeito e a todo o momento desrespeitamos vidas.

Patch Adams, aquele doutor que usaram como inspiração para o filme; “Patch Adams, O Amor é Contagioso”, numa entrevista cedida à TV Cultura disse, tal qual como Nietzsche já o fizera um dia, que nós nos enganamos constantemente. Que vivemos numa sociedade de mentiras, nas quais somos fingidos e mentirosos por acomodação. Achamos que precisamos de um relógio de 2 mil dólares porque a sociedade acha bonito, porém não precisamos e sabemos disso, mas também nos enganamos tanto a respeito do relógio quanto de outras coisas. Achamos que praticamos a não violência quando não matamos ninguém, quando não ofendemos ninguém. Mas nos enganamos e enganamos a sociedade quando acreditamos que somos realmente não violentos.

Nessa mesma entrevista, Patch Adams fala sobre as pessoas que se vestem de palhaço e seguem para os hospitais para divertir as crianças. Chegam, trocam de roupa e às vezes sequer brincam ou conversam com enfermeiros e médicos, fazem lá suas palhaçadas, alegram as crianças, depois tiram a roupa e voltam para suas casas; não olham no rosto do cara dentro do elevador, não agradecem o rapaz que segurou a porta giratória, não olham na cara do idoso que estacionou seu carro. E acham que não são violentos por alegrarem as crianças dentro do Hospital. E Adams vai mais longe e diz que “eles realmente se enganam achando que levam a alegria ao Mundo”. Eles se enganam, e isso sou eu quem diz, quando se acham não violentos.

Vivemos mesmo numa sociedade enganadora, em que não desejamos ver o que realmente somos. Mentimos para nós mesmos para nos adaptar ao Mundo e, “ai” daquele infeliz que tentar ser diferente. Chacotas, ridicularização, escárnio, o pobre coitado ou é louco, ou tem problemas cármicos, decididamente, não se encaixa no perfil da sociedade perfeita.

E nossa sociedade é perfeita, correto?

Somos mesmo não violentos, só porque não matamos ninguém?


Moralmente, somos não violentos?

Tom Regan, em seu livro “Jaulas Vazias”, conta que fez uma reunião em sua casa para montar uma base que objetivava o fim do envolvimento americano na guerra do Vietnã que estava tirando os filhos de tantas famílias, e transformando-os em soldados, soldados/filhos que morriam nos campos de batalha. O grupo buscava por uma solução pacífica para aquele conflito através da não violência. Aquela era uma guerra desnecessária. Para tanto, assou um cordeiro inteiro para o grande dia da reunião, depois, segundo ele, foi Gandhi em sua autobiografia, que o fez abrir os olhos ao “perguntar” que tipo de homem, movido pela não violência, violava uma vida numa guerra desnecessária entre homens e animais?

Para lutar pela paz, ele havia feito a sua pequena guerra e tirado uma vida; cometera, ao assar o cordeiro, a mesma violência que pensava tentar impedir. Como salvar uma vida tirando outra? Nem é preciso dizer que Regan tornou-se outro homem depois disso, tornou-se vegetariano, porque ser vegetariano é praticar a não violência de forma mais racional.

Mas nós nos dizemos adeptos da não violência, afinal não matamos ninguém, não discutimos no trânsito, não…não….tantas coisas simples de se fazer.

Cultuamos a violência de uma forma enganosa , para a qual fechamos nossos olhos por puro comodismo. Diariamente matamos milhões de animais porque nos fizeram acreditar que precisávamos deles para nos manter vivos. Olhe para seu prato de comida e veja se não houve qualquer violência cometida contra aquele ser que está ali. Deixe de ver aquele pedaço de bife apenas como carne, mas tente vê-lo como uma vida que sofreu para estar ali, e tente dizer a você mesmo: Eu sou adepto da não violência, do Ahimsa, esse amor Universal capaz de abarcar todos os seres da Criação.

Você acha que consegue? Acredita mesmo no que diz?

Faz ideia de como aquele pedaço de carne chegou até seu prato? Ah não, a maioria nem deseja saber, quanto mais falar sobre isso. Tem duas atitudes, ou pede ao interlocutor que se cale, ou tenta ridicularizar a morte, tentando banalizá-la, pois assim pode continuar se enganando dia após dia.

Como é difícil praticar a não violência não é? Mas por que fazemos isso?

Vamos nos descobrir um pouco mais, pois os ventos não param de soprar e vão, de qualquer maneira, nos impulsionar adiante, queiramos ou não, aceitemos ou não. “Eu sou adepto da não violência”. Falemos isso bem alto. Conseguimos acreditar nisso?Como conseguimos crer que somos bons apenas porque alimentamos os pobres e vestimos os que passam frio? Mas aí lembramos que alguém nos disse um dia “Fora da Caridade Não Há Salvação”…

Por que nos enganamos, nos fazendo acreditar que ser violento é apenas agredir nosso igual; não contamos como não violência a morte de outros seres que dividem conosco esse espaço de Mundo chamado Terra. Não, isso não conta, porque mentimos constantemente para nós mesmos. E a coisa não muda muito quando falamos sobre o pensamento de algumas religiões.

Nietzsche, sempre inspirado, escreveu que Deus havia morrido. Sim, e é verdade, deus está morto para o homem a partir do momento em que nos “O” moldamos as nossas necessidades: “O homem molda Deus as suas necessidades, e não as Suas Leis”.(Nietzsche)

Segundo o filósofo alemão, em todas as épocas da humanidade houve um Deus diferente, e assim ainda o é, dependendo do que necessitemos. Ora criamos um deus egoísta, outra hora um deus vingativo e punitivo, ora um deus adorável que tudo permite apenas para que possamos dormir em paz, porque na verdade não queremos ouvir o que o Deus vivo realmente tem para nos dizer; e se Ele disser que teremos todos que ser adeptos praticantes da não violência? Que será de nós? Simples! Apelaremos àquele deus piedoso que criamos,  ou àquele que perdoa tudo, até nossa inesgotável falta de vontade de mudar, afinal esse é um planeta de expiação e provas ainda, é um planeta em transição, um planeta de aprendizagem e erros…

E por que chegamos às religiões? Porque são elas, ao menos teoricamente e sem fanatismos,  os caminhos que levarão o homem a Deus e ao Ahimsa.

Conversando com diversas pessoas de diversas religiões, ouvi de todos eles a mesma explicação. Somos adeptos da não violência contra os animais, até somos a favor de respeitá-los como irmãos, porém não pregamos o vegetarianismo/veganismo (?). Como se ambas as coisas não tivessem ligação uma com a outra.

Falar sobre vegetarianismo/veganismo realmente assusta algumas religiões, porque vai fazer com que as pessoas comecem a se mexer, a mudar de atitude a realmente praticar a não violência com uma classe de seres que são sempre esquecidos e marginalizados, os animais, que alguns insistem em dizer que foram criados para o abate. Outra criação “divina” que nos pertence.Criamos um deus sob o pretexto de podermos nos alimentar de vidas e dizemos a mesma coisa há séculos: deus os criou para nos servir, o Nosso deus, não o Deus de verdade.

Falar sobre não violência é fácil, não é?

Mas, e mostrar que as pessoas cometem uma ação violenta com um animal todos os dias, duas ou até três vezes ao dia? Isso amedronta apenas aqueles que não possuem fé o suficiente no Deus vivo, não aquele moldável, mas no Deus Criador, e isso realmente é tarefa para poucos, pois tirar do radicalismo uma sociedade milenar que explora os animais é algo realmente dificílimo.


Isso ocorre em muitas religiões, prega-se a não violência e violenta-se vidas diariamente. Por que não esclarecer? Por que não mostrar a verdade? Alguns dizem que ao se falar  a verdade, incorre-se no risco de perder adeptos, de confundir, de criar conflitos. Mas então por que dizer-se não-violento então?


Não violência é não matar, não prejudicar? E não matar ou prejudicar significa o quê? Não matar apenas humanos? É claro que não, não ser violento se traduz em “não ser violento em nenhuma de suas ações”, nenhuma. A ação humana mais simples, o ato de comer, é talvez uma das mais violentas de todas, e é ignorada porque somos condicionados desde pequenos a acreditar que “deus” fez os animais para virarem comida.

Então não importa mais se eles possuem alma, se são nossos irmãos, se voltam a reencarnar em nossa família, se existe ou não a metempsicose, acreditamos e nos dessensibilizamos a respeito de suas vidas. Num único parágrafo já criamos inúmeros deuses e os moldados às nossas necessidades; deus cruel, deus piedoso, deus dessesibilizado da dor de seus filhos, deus que pede o Himsa ao invés do Ahimsa.

Ser não violento com os animais não é apenas não abandonar gatinhos indefesos, não mutilá-los. Não significa apenas salvar as baleias porque são grandes e bonitas, não é apenas lutar contra a morte das focas ou dos golfinhos, ser não violento é não permitir que bois, suínos, entre outros, sejam assassinados (pois essa é a palavra correta) para que tenhamos em nosso prato um pedaço de carne da qual não precisamos mais, embora haja aqueles que desejam acreditar que exista ainda tal necessidade. Ser não violento é não vivisseccionar, é não permitir a dor, é não explorar, não confinar em jaulas para exposição ou para divertimento, isso é ser não violento, ignorar isso é ignorar o ato de ser não violento.

Se Jesus, Krishna, Gandhi e tantos outros pregavam a não violência, é porque também viviam o que falavam, porque se não vivenciassem, suas palavras de nada valeriam e não teriam eco no Mundo de hoje. Não há regras para o amor, regras são coisas utilitaristas, que fazem bem somente àqueles que se valem delas para viver.

Por isso repito: Nós moldamos Deus às nossas necessidades, criamos regras que nos facilitem a vida para que entendamos a nosso modo e pratiquemos, a nosso modo, Sua Lei de Amor. Temos preguiça de amar de verdade simplesmente porque somos acomodados. E se praticássemos a não violência da qual nos utilizamos todos os dias, para com aquelas  pessoas que achamos que são diferentes de nós, assim como fazemos quando se trata de animais? O que seria delas se as deixássemos marginalizadas ao lado da sociedade? Estaríamos mesmo praticando a não violência? A coisa muda de figura quando pensamos assim, não é?Por que esse medo de unir o que nasceu unido e que nós, a nosso bel prazer, separamos?

Não violência, Ahimsa = não ser violento, não matar, não prejudicar.

Não violência não significa “Matar”, embora nós fechemos os olhos para isso por puro comodismo social.

É preciso que despertemos para essa violência diária que praticamos, falar sobre não violência não é mais tão importante, o importante é colocá-la em prática, não somente com os da mesma espécie, mas com todas as demais que o verdadeiro Deus criou.

O Ahimsa é Universal, o amor é Universal, basta nos vermos agora, como seres pertencentes ao Universo.


Simone Nardi













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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Rubem Alves - dando voz a Gandhi


‘Olhar para os animais e as plantas me enchia de alegria.

 Eu queria cuidar deles como quem cuida de algo frágil e precioso. Aí o mandamento cristão do amor me parecia pouco exigente. Pedia apenas amor ao próximo. Os cristãos entenderam que esse ‘próximo’ se referia apenas às pessoas. Eu, ao contrário, penso que todas as coisas que vivem são minhas irmãs. Elas possuem uma alma.(...) Amarás à mais insignificante das criaturas como a ti mesmo. Quem não fizer isso jamais verá a Deus face a face.(...) Agora digam: acham que eu poderia me alimentar da carne de um animal que foi morto e sentiu a dor lancinante da faca, para que eu vivesse? Que alegria poderia eu ter em tamanha crueldade? A natureza foi generosa o bastante, dando-nos frutas, verduras, legumes, cereais. Por mais que tentem me convencer de que as maneiras ocidentais são as melhores para a saúde, sempre as encarei com horror. Antes morrer que matar. Em nenhuma hipótese causar medo ou dor a coisa alguma.(...) Nosso destino espiritual passa por nossos hábitos alimentares. Estou convencido de que a saúde depende de uma condição interior de harmonia com tudo o que nos cerca. Comer demais é uma transgressão dessa harmonia.(...) Quando nos abstemos estamos silenciosamente dizendo às coisas vivas: ‘Podem ficar tranqüilas. Não as farei sofrer desnecessariamente. Só tomarei para mim o mínimo necessário para que meu corpo viva bem. Foi o que fiz. Vivi frugalmente. Fiz jejuns enormes. E minha saúde foi sempre boa.(...) Toda vida é sagrada, porque tudo o que vive participa de Deus. E se até mesmo o mais insignificante grilo, no seu cricri rítmico, é um pulsar da divindade, não teríamos nós, com muito mais razão, de ter respeito igual pelos nossos inimigos?(...) Sempre acreditei que no fundo dos homens existe algo de bom. Como poderia eu odiar qualquer pessoa, mesmo os que me tinham por inimigo? Dirão que não é assim. Há crueldade, o ódio, a morte... Será que algumas gotas de água suja serão capazes de poluir o oceano inteiro? Que força do mal poderá apagar o divino que mora em nós?(... ) Parece que os ocidentais não acreditam que os homens sejam naturalmente bons e belos. É por isso que se tornaram especialistas em meios de coerção e sabem usar o dinheiro e os fuzis como ninguém mais... É por isso que estão sempre tentando melhorar os homens por meio de adições: a comida em excesso, a roupa desnecessária, a velocidade da máquina, a complicação da vida...

‘Eu nunca quis entender de política. Só quis entender da bondade e dos seus caminhos. A política foi uma conseqüência e não a inspiração... Eu teria feito as mesmas coisas, ainda que não houvesse conseqüência alguma.(...) Os políticos, acostumados a usar o poder da força, desconhecem o poder das sementes...(...) Não haverá parto se a semente não for plantada, muito tempo antes... Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses...’

 (A magia dos gestos poéticos, Ed. Olho D’Água)


Andava na direção contrária. Pensava o que ninguém pensava. Fazia o que ninguém estava fazendo. É compreensível que tenha sido assassinado. (Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 31/01/2001.)



Redação do blog Irmão  Animais- Consciência Humana



OBS: Imagem encontrada na internet, se a imagem for sua entre em contato conosco para colocarmos os créditos.