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sexta-feira, 29 de junho de 2018

A GREVE DOS CAMINHONEIROS ACABOU



OS ANIMAIS DEIXARAM DE SOFRER





O Brasil quase parou com a greve dos caminhoneiros. Faltou combustível. Faltou alimentos. Faltou senso de raciocínio.

Inúmeros caminhões carregados de frutas, legumes, produtos eletrônicos, rações para animais e mesmo caminhões com animais, ficaram parados ao longo das estradas do País.

E o que mais ouvimos nestes dias, por incrível que pareça não é se a greve era correta ou não. Se traria benefícios ou não. O que se ouvia de alguns protetores que fizeram o nome na mídia e nas redes sociais era:

“Os caminhoneiros estão matando os animais de fome”

“Os caminhoneiros estão cometendo um crime contra os animais”

Eu entrei em uma discussão dessas com uma famosa protetora que parecia querer defender um partido ao invés de realmente falar pelos animais. Porque é muito improvável que um protetor dedicado não saiba o sofrimento pelo qual os animais irão passar quando chegarem aos abatedouros.




Ela gritava a plenos pulmões que os caminhoneiros estavam abusando dos animais ao retê-los nas estradas ou em não entregar a ração necessária a manutenção de frangos de abate.

Muitos outros protetores tentaram esclarecer que, morrer os animais iriam morrer de qualquer modo, porém daquele modo( de fome) não trariam qualquer lucro para os verdadeiros criminosos: os criadores de animais para o abate.
Mas o alvo, parecia não ser os animais e sim a greve, pois ela dizia que era contra esse tipo de abuso que os caminhoneiros(sempre eles) estavam cometendo contra os animais.

Respondemos, eu e muitos outros, que abuso eles sofrem desde o dia do nascimento. Que de 60 mil frangos morressem dando prejuízo era tão dolorido quanto todos os 60 mil pintinhos que são moídos Vivos (e não são os caminhoneiros que realizam isso) quando são descartados pelas mesma indústria que choramingava na TV, não ter ração para alimentar os frangos que eles, iriam matar mais adiante.

Como uma tresloucada, a famosa protetora clamava para o fim da greve, pelo alimento dos frangos, pelo caminho livre até o abatedouro.




A greve terminou.


A ração chegou.


O caminho até o abatedouro foi liberado.

Ela deve estar feliz, o “Abuso” acabou e a normalidade voltou.

Os frangos que não morreram de fome, ah estes morreram abatidos também, com a garganta cortada, mergulhados em agua fervendo, muitas vezes ainda vivos. Mas, este abuso a famosa aceita, afinal, eles comeram antes de serem assassinados e isso não lhe significa abuso, e ela deve estar dormindo bem feliz.
Bem fez uma amiga minha que espalhou essa frase pelas redes sociais

DA SÉRIE: LI EM ALGUM LUGAR


"FRANGOS QUE MORRERIAM DE FOME FORAM SALVOS E JÁ FORAM ENCAMINHADOS PARA O ABATE."




Simone Nardi




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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Os Animais Nascem Bifes?




 

 

Os Animais Nascem Bifes?  

 

Texto de 15/10/2006

Simone Nardi


Geralmente as pessoas usam como desculpa para continuar comendo carne o fato de que os humanos sempre comeram carne, de acordo com essa lógica, não deveríamos tentar impedir pessoas de assassinarem outras, já que esse comportamento acontece desde os tempos mais remotos.
Isaac Bashevis Singer [1]

Essa pode parecer uma pergunta engraçada, mas envolve algo muito sério, envolve a alienação de indivíduos pela sociedade, envolve medos e uma palavra forte , mas que não há como esconder, a ignorância. Ignorância na visão de desconhecimento, de falta de saber, mas por puro medo, e por medo compreenda-se aqui uma gigantesca inquietação interior diante de algo que hoje em dia é visto como uma ameaça, mas que deveria ser encarado como um avanço moral.

Quando falamos em vegetarianismo, não falamos para censurar ou violar os desejos de cada um, mas falamos para o bem dos animais, porque não, os animais não nascem em forma de bifes, de coxas ou de filés de peixe, eles nascem animais, com sistemas neurológicos como o nosso, com sentimentos parecidos com o que temos, com sensibilidade literalmente a “flor da pele” como nós humanos. Hoje em dia não é mais possível esconder a senciência animal, ela sempre existiu , só que era ignorada. Nós somos o grande problema dos animais, essa é que é a verdade. Conheci uma pessoa que dizia amar os animais, falava deles com tanto amor e piedade que eu não pude me conter e logo perguntei: Então você é vegetariana, que legal...

Legal foi o olhar que ela me lançou, algo como: “Você tinha que estragar tudo né?” Pois é, o rosto mudou, a voz mudou, os gestos, tudo, parecia outra pessoa a me dizer que cães e gatos são uma coisa e que bois, porcos e galinhas eram outra, eram já bifes, pururucas e coxinhas , não eram animais, mas já vinham assim, em forma de bifes mesmo...

Surpreso?

Vai ficar ainda mais. Quando tentei explicar que os animais não nasciam bifes, ela colocou a mão dela sobre a minha boca e disse que não queria saber, que queria continuar acreditando que eles já vinham plastificados naquelas bandejinhas que se encontram nos supermercados, pois tudo era mais “bonito” assim, como um lindo conto de fadas para nós humanos, mas um conto de terror para os animais.

As pessoas vivem dizendo que temos que ter cuidado quando falamos em vegetarianismo para não assustar as pessoas, mas será que não seria por medo de “despertar” as pessoas? Pensamos muito em nós mesmos, em nossas vontades, em nossos desejos e nos esquecemos dos animais, porque afinal são apenas animais, já nascem cortados e embalados, prontos para ir do mercado ao freezer e do freezer a frigideira. E poucos são os que conseguem autonomia para pensar quais os caminhos percorridos por esses irmãos, antes de dizer que Deus permitiu a alimentação carnívora,antes de dizer que senão os matarmos, morreremos,isso soa quase como dizer que Deus também permitiu os crimes aos quais assistimos chocados, quando somos nós que nos desviamos de Seu caminho.

Isso se chama Alienação, uma coisa que se faz por fazer, sem questionar os motivos, algo que aprendemos desde o berço, uma ilusão que se torna natural, que se torna real e da qual não queremos nos separar, mesmo quando descobrimos que não passa de uma falácia. Nós somos indiferentes aos animais porque aprendemos isso com nossos pais, com nossos amigos, na escola e passamos a achar natural. Muitos ficam bravos quando alguém tenta despertá-los, faz parte do seu livre arbítrio mudar ou não, mas insistimos: ou repensamos nossas atitudes ou nada nesse inicio de Século , absolutamente nada, vai mudar o pensamento das novas gerações.

Você ainda acredita que os animais nascem bifes?

Simone Nardi

[1] Judeu-polonês, que passou a maior parte da infância em Varsóvia, escritor, filho e neto de rabinos hassídicos.

Egroup Clara Luz - OS ANIMAIS TÊM ALMA!
http://br.groups.yahoo.com/group/clara_luz/





Simone Nardi

 

 


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terça-feira, 17 de março de 2015

Parábola do semeador - Aula em PPS

Parábola do semeador













Descrição do Slide

  • 1. Blog :Irmãos Animais- Consciência Humana: Simone Nardi http://irmaosanimais-conscienciahumana.blogspot.com.br/
  • 2. Não permita que ninguém negligencie o peso de sua responsabilidade.Enquanto tantos animais continuam a ser maltratados, enquanto o lamento dos animais sedentos nos vagões de carga não sejam emudecidos, enquanto prevalecer tanta brutralidade em nossos matadouros, todos seremos culpados! Tudo o que tem vida tem valor como ser vivo, como uma manifestação do mistério da vida. Albert Schweitzer (1875 - 1965)
  • 3. Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar; em torno dele logo reuniu-se grande multidão de gente; pelo que entrou numa barca, onde sentou-se, permanecendo na margem todo o povo. - Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim:
  • 4. Aquele que semeia saiu a semear; - e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram.
  • 5. Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra; as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído. - Mas, levantando-se, o sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram.
  • 6. Outra parte caiu entre espinheiros e estes, crescendo, as abafaram.
  • 7. Outra, finalmente, caiu em terra boa e Produziu frutos, dando algumas sementes cem por um, outras sessenta e outras trinta. - Ouça quem tem ouvidos de ouvir. (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 1 a 9.)
  • 8. Nossa vontade de mudar ou não ,é apenas nossa e de mais ninguém, a conquista da evolução pertence a cada um de nós e independe da vontade do outro. Esse outro pode nos informar, porém o que fazemos com essa informação é de nossa inteira responsabilidade. Somos como o solo, prontos ou não para receber a semeadura.
  • 9. Quando recebemos a semente do esclarecimento , ao invés de refletirmos sobre ele nós o ignoramos sem sequer pesar sobre ele a análise filosófica.... jogamos aos pássaros esse esclarecimento como se não pudesse ela, trazer algo de bom para nós.Nosso coração está fechado para o novo e não permite transformar-se, ainda é cedo para que se chegue a ele.
  • 10. Doutras vezes até ouvimos esse novo conhecimento, mas já temos lá nossa própria opinião e não desejamos refletir mais sobre um assunto que talvez possa criar raízes fortes em nossos corações, tal conhecimento dura pouco e a vontade de fazê-lo dar frutos acaba morrendo e desaparecendo...o enterramos sobre as pedras do muro que construímos ao nosso redor e com o tempo, o esquecemos.
  • 11. Então ouvimos com certa atenção, porém envolvidos em nossos próprios espinhos, (nossa própria concepção de entendimento), relutamos em mudar pois nossos desejos materiais ainda nos controlam e esses espinhos, conhecidos como “medos morais” acabam por sufocar nosso desejo de aprender e frutificar , sufocando nosso esclarecimento e relegando-o ao esquecimento.
  • 12. Mas existem aqueles em que a semente consegue germinar e acaba por produzir frutos, porque eles conseguem abrir seus corações para o novo, porque conseguem refletir e não permitem que seus medos anteriores atrapalhem sua reflexão e sua transformação.
  • 13. A questão que nos fica por enquanto e que necessitamos refletir com urgência é: que tipo de solo nós somos?
  • 14. "Nossa tarefa deve ser nos libertarmos, aumentando o nosso círculo de compaixão para envolver todas as criaturas viventes, toda a natureza e sua beleza." Albert Schweitzer
  • 15. Valores internos  Medos  Nova ética, nova moral  Resistência a mudanças
  • 16.  Paradigma Ideologia social  Aparatos ideológicos  Capitalismo
  • 17. Álcool X Fumo Aborto X Eutanásia ANIMAIS!?!?!?
  • 18.  Informação  Busca pelo esclarecimento Difusão desse conhecimento Sinergia com as criaturas
  • 19. O SEMEADOR NÃO PODE DEIXAR DE SEMEAR... * Aquele que já tomou consciência de algo tem a obrigação moral de semear o que aprendeu, mesmo sabendo que suas sementes nem sempre atingirão um solo fértil. A lei do amor o obriga a perseverar.
  • 20. E quando se fala em caridade e amor pelos animais, a Parábola do Semeador fica ainda mais clara, porque a resistência de algumas pessoas se amolda as sementes perdidas Cada irmão preparou seu próprio solo e é nesse solo que a semente da informação vai cair.
  • 21. Este solo não é fértil porque Deus o abençoou com isso. Seu solo é fértil por seu próprio esforço e vontade, porque comunga ele com o bem planetário, pois já se compreendeu como um entre tantos e que pode ou não fazer a diferença, não importa em qual frente trabalhe, ele consegue compreender o novo sem medo e sem temores, pois adubou seu solo com o amor Divino.
  • 22. Preparemos então o solo para que fique fértil, para que os medos em forma de pedras e espinhos sejam arrancados, possibilitando que a semente do amor e da vida possa finalmente florescer em nossos corações.
  • 23. Blog :Irmãos Animais- Consciência Humana: Simone Nardi http://irmaosanimais-conscienciahumana.blogspot.com.br/ 
Simone Nardi

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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Um dia

Vaquinha assando

Um dia eu saí na janela e de longe, de muito longe os vi bois e vaquinhas espalhados na campina, pastando, andando de um canto a outro, soltos livres, felizes.

Foto by; SN:Cão, Michelangelo
Um dia depois eu saí na janela e os vi, dois filhotes de cachorrinhos bem pretinhos, pequeninos, pobrezinhos estavam perdidos, andavam de um lado para o outro , eu orei para que uma alma bondosa os recolhesse antes da chuva da tarde, antes do frio da noite, me despedi deles e a janela fechei.

Um dia eu saí à janela para ver os boizinhos, havia poucos, muito menos do que eu contara, o malhado havia sumido, mas em compensação havia um bebezinho, sorri para eles, como eram felizes, saí para ir ao açougue e a janela fechei.

Um dia eu saí à janela e apenas um filhotinho eu vi, na certa uma alma bondosa recolhera um, mas que pessoa sem coração, como pudera escolher a um e a outro não? Será que o pobrezinho estava com fome, com sede, então orei, orei para que um bondoso coração se apiedasse dele e o recolhesse, pois o dia estava quente, o sol ardia e ele poderia estar com sede, assim que terminei, a janela fechei.

Um dia jantei, um bife enorme confesso, pudera, depois de um dia tão longo observando o filhotinho, de um lado para outro, as pessoas passavam tão perto, como podiam deixar lá o pequenino, pessoas malvadas sem coração, não queria mais vê-lo sofrer, fechei a janela e chorei.

Um dia saí à janela, vi que o bezerrinho sumira, apenas duas vaquinhas pastavam, não havia mais bois na campina, de certo os haviam levado, mas para onde seria? Busquei o meu cachorrinho perdido, então eu o vi, o meu pequenino, seu corpinho caído na lama, pois a noite chovera e o frio o corroera e ninguém o ajudara, como o mundo era mal, como as pessoas eram más. Um pobre filhote e ninguém o ajudara, o deixara morrer de sede e de fome.Chorei, confesso, de tão triste fiquei.

Mas um dia o mundo irá mudar, alguém se encarregará de ajudá-los, porque afinal, eles também merecem carinho e amor, pena que ninguém o salvara.Por ele agora, eu iria orar.

Sabe, um dia um cara me falou que os bois da campina haviam morrido, todos levados ao mesmo frigorífico, não acreditei, por certo é mentira, ninguém mataria o malhado, nem tampouco o bezerrinho, que cara mentiroso pensei.

Hoje vou jantar, comprei bife e um pouco de fígado, vou orar mais a noite pela alma do filhotinho; soube que trouxeram mais bois para a campina, amanhã quando eu abrir a janela vou poder vê-los, como a vida é linda, um dia eu serei forte, um dia eu farei algo de bom e Deus vai sorrir , até lá vou orar, para que as pessoas melhorem e comecem a trabalhar para o bem do Planeta, para que outro filhote não morra de sede, de frio e de fome.Como as pessoas são más, mas eu sei, um dia tudo vai melhorar.

“Muita gente aguarda que o mundo mude, sem saber que para isso, a mudança deve começar por suas próprias atitudes.”

“Seja a mudança que você quer ver no mundo.”



Simone Nardi
Gandhi

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Leon Tolstoy e os animais




  Leon Tolstoy




 


Se o homem aspira sinceramente viver uma vida real, sua primeira decisão deve ser abster-se de comer carne e não matar nenhum animal para comer.  

 

Falai aos animais, em lugar de lhes bater. 


O escritor russo Leon Tolstoy tornou-se vegetariano em 1885. Abandonando o esporte da caça; ele defendia o "pacifismo vegetariano" e era contrário a que se matassem mesmo as menores entidades vivas, tais como as formigas.

Ele sentia haver uma progressão natural da violência que conduzia inevitavelmente a sociedade humana à guerra. Em seu ensaio "O Primeiro Passo", Tolstoy escreveu que o consumo de carne é "simplesmente amoral, visto que envolve a execução de um ato contrário à conduta moral: matar". Tolstoy acreditava que, ao matar, " o homem suprime em si mesmo, desnecessariamente, a capacidade espiritual mais elevada - a de compaixão para com os seres vivos como ele - e, ao violar seus próprios sentimentos, torna-se cruel"

Como outros, Tolstói lamenta os que “olham e não vêem; ouvem e não escutam.” “Não existe”, escreve ele, “mau cheiro, som, monstruosidade aos quais o homem não consiga se acostumar a ponto de deixar” de ver, escutar e cheirar a aparência, o som e o odor do mal. 

Tolstói ouvira todas as razões antigas e conhecidas pelas quais matar animais
Boi branco
para comer é aceitável e até natural. Deus o permite. O costume o sanciona.
Seja o que for. Enfiar animais pela nossa goela é bom. Tolstói não pensa assim. 

Tolstói fez uma coisa que poucos de nós fizemos. Como recomenda Marti Kheel, ele foi diretamente à fonte do mal: visitou um matadouro. O cenário é a Rússia, a época, final do século XIX. “A princípio”, escreve ele:

“...senti vergonha (...) Ver com os meus próprios olhos a realidade da pergunta levantada quando se discute o vegetarianismo (...) Assim como todos sempre ficam envergonhados ao espiar um sofrimento que (...) não se pode evitar.” 

Uma vez no matadouro, Tolstói encontra trabalhadores que não gostam do seu serviço. Um açougueiro admite que comer carne não é necessário, Outro fica perturbado, “principalmente quando [os animais] são gado tranquilo, domesticado. Vêm, coitados, confiando em nós. É de dar muita pena.”  

Depois de observar horrorizado os animais maiores encontrarem o seu fim, Tolstói conta então que entrou “no compartimento onde os animais pequenos são abatidos — uma câmara com piso de asfalto e mesas com encosto, nas quais ovelhas e bezerros são mortos. Aqui o trabalho já quase terminou; na longa sala, já impregnada com o cheiro de sangue, só havia dois açougueiros. Um soprava a perna de um carneiro morto e batia no estômago inchado com a mão; o outro, um rapaz de avental emplastrado de sangue, fumava um cigarro torto. Não havia ninguém mais na câmara comprida e escura, cheia de um odor pesado. Depois de mim entrou um homem, aparentemente um ex-soldado, trazendo um jovem carneiro de um ano, preto com uma marca branca no pescoço, de patas amarradas. Este animal ele o pôs sobre uma das mesas, como se numa cama. O soldado velho saudou os açougueiros, que evidentemente conhecia, e começou a perguntar quando o seu patrão lhes permitiria ir embora. O camarada com o cigarro aproximou-se com o facão, afiou-o na borda da mesa e respondeu que estavam de folga nos feriados. O carneiro vivo estava ali deitado tão silencioso quanto o morto e inflado, a não ser por sacudir nervosamente o rabo curto e os lados a se alçarem com mais rapidez que de costume. O soldado baixou gentilmente, sem esforço, a sua cabeça levantada; o açougueiro, sem parar de conversar, agarrou com a mão esquerda a cabeça do carneiro e cortou-lhe a garganta. O animal tremeu e o rabinho endureceu e parou de abanar. O camarada, enquanto esperava o sangue correr, começou a reacender o seu cigarro, que se apagara. O sangue corria e o carneiro começou a agonizar. A conversa continuou sem a mínima interrupção. Era”, conclui Tolstói, “era horrivelmente revoltante.”

Para nós, hoje, seria um alívio descobrir que os matadouros de agora são menos “revoltantes” que aquele que Tolstói descreve. A verdade é bem outra, como documenta Gail Eisnitz em seu livro sobre a indústria americana do abate em geral, e do abate de porcos em particular. 

Suínos
O abate de porcos constitui uma variação do tema principal do setor de embalagem de carne. Os porcos são levados por um corredor estreito onde o “atordoador” lhes dá um choque elétrico que, supostamente, deixa-os inconscientes.  Então são presos a correntes pelas pernas traseiras, pendurados de cabeça para baixo e colocados numa esteira rolante onde encontram o “perfurador”, cujo trabalho é cortar a garganta dos animais. Depois de sangrar até a morte, os porcos são mergulhados num tanque de água fervente e depois eviscerados, sem que nunca recuperem a consciência. Pelo menos é assim que as coisas deveriam funcionar na teoria. Na prática, como Eisnitz descobriu depois de conversar com trabalhadores, o verdadeiro abate de porcos não combina com a teoria. 


Tom Regan - palestra no 1 Congresso Vegetariano Brasileiro e 

LatinoAmericano  

 

 

 

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Abate de Animais X Economia de água

Imagem: Mão na cabeça




Talvez esse seja apenas o primeiro de muitos verões com temperaturas acima da média, e claro, com escassez de água e energia.


Sabemos que a maioria dos problemas ocorrem pela falta de iniciativa do próprio Governo, mas vamos ver o que nós, "Umanos", fazemos para colaborar com nossa própria  extinção.


Umas das 8 piscinas do Sesc Itaquera, com 5.000 m² de espelho d'água, tem capacidade para 6 mil pessoas,que após o banho de piscina tomarão uma ducha, faça as contas  dessa água doce utilizada


Economia de água X Abate de animais


Não me recordo se foi no DVD A Carne é fraca, que o jornalista Washington Novais faz uma pergunta muito interessante:

"Quanto você consome de água?"

Vamos pensar, quanto você consome de água enquanto o Governo te pede para economizar?

É o próprio Governo quem vai nos responder.

Vejamos:

IPCC , que significa o IPCC?  

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o IPCC é um órgão das Nações Unidas  que é responsável por produzir informações científicas (isso desde 1988) que são divididas em 3 relatórios anuais. Esses relatórios produzidos são baseados nos estudos , investigações e pesquisas de cerca de 2500 cientistas.São eles que nos mostram o aumento, os gastos com água doce, a falta que ela fará daqui há alguns anos e os problemas causados pelas mudanças climáticas.

Também existe a FAO

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, que luta para eliminar a fome no mundo e que em um de seus relatórios afirmou que a diminuição da ingestão da carne iria auxiliar o Planeta e que também declarou, por volta de 2006 ,que a pecuária  era, e ainda é, mais danosa ao meio ambiente do que os automóveis. 

As emissões antrópicas de carbono geradas pelo setor pecuário são maiores do que o de transportes e isto se deve à uma crescente demanda por carne e laticínios” – (Fonte – FAO).

A relevância das plantações em contrapartida a criação de bois , bem como a relevância do uso de água para a pecuária enquanto muitos países necessitam de água (que é gasta na produção de carne), também tem origem na FAO.

“Mais de 1 bilhão de pessoas sofrem com a falta de água potável e em 2025 serão, segundo cálculos, cerca de 1,8 bilhão de pessoas. O consumo de água cresceu duas vezes mais rápido do que o aumento da população mundial no último século, sendo o setor agropecuário o maior consumidor de água doce disponível. O uso de água na produção de alimentos é da ordem de 70% do total utilizado pelo homem e em países em desenvolvimento chega a 90%.” (Fonte-FAO)
CETESB.

Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, que em seus estudos e pesquisas também está concluindo que um abatedouro de animais, em meio a todo processo de morte do animal  , mesmo que racionando a água, gasta em média 4.250.000 de água por dia, o que significa 3.900 litros de água por  animal abatido.(Abaixo analisaremos um abatedouro de porte médio)

Fonte CETESB:

 

“Padrões de higiene das autoridades sanitárias em áreas críticas dos abatedouros resultam no uso de grande quantidade de água. Os principais usos de água são para:
• Consumo animal e lavagem dos animais;
• Lavagem dos caminhões;
• Escaldagem e “toilette”, para suínos;
• Lavagem de carcaças, vísceras e intestinos;
• Movimentação de subprodutos e resíduos;
• Limpeza e esterilização de facas e equipamentos;
• Limpeza de pisos, paredes, equipamentos e bancadas;
• Geração de vapor;
• Resfriamento de compressores.
 
Lavagem carcassa

O principal fator que afeta o volume de água consumido são as práticas de lavagem. Em geral, plantas para exportação têm práticas de higiene mais rigorosas. Quanto à qualidade, os regulamentos sanitários exigem o uso de água fresca e potável, com níveis mínimos de cloro livre residual, para quase todas as operações de lavagem e enxágue.O consumo de água varia bastante de unidade para unidade, em função de vários aspectos como: tipo de unidade (só abate, abate e industrialização da carne, com/sem graxaria, etc.), tipos de equipamentos e tecnologias em uso, “lay-out” da planta e de equipamentos, procedimentos operacionais, entre outros.

Para se ter uma ideia do consumo de água em um abatedouro, considere-se a seguinte situação: um abatedouro de bovinos de porte médio, abatendo 500 bovinos/dia, com graxaria anexa; considerando o consumo específico médio de água do abatedouro de 1.700 litros/cabeça , e admitindo o consumo específico médio de água  domiciliar de 161 litros/hab.dia (SABESP,2001), tem-se:

• Consumo Médio de Água = 500 bovinos/dia x 1.700 l/bovino = 850.000 l/dia ou 850.000 m/dia;
• Equivalente populacional = 850.000 litros/dia ÷ 161 litros/habitante.dia = 5.280 habitantes.
Desta forma, o consumo médio diário de água deste abatedouro hipotético, de porte médio, seria equivalente ao de uma população de cerca de 5.300 habitantes."
Para verificar a fonte: Cetesb(http://www.cetesb.sp.gov.br/tecnologia/producao_limpa/documentos/abate.pdf),pg 50.2008 [1]


Lavagem de bois para o abate

A EMBRAPA

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária  faz pesquisas parecida com a CETESB, ressaltando o alto consumo de água por parte dos animais:(http://www.cnpgl.embrapa.br/totem/conteudo/Alimentacao_e_manejo_animal/Pasta_do_Produtor/31_Importancia_da_agua_para_bovinos_de_leite.pdf)


"Para a produção de leite , o consumo é de aproximadamente 10.000 litros de água/kg; e para a carne 20.000 a 50.000 litros de água/kg (EMBRAPA)

Pode-se comparar os gastos de água de diferentes alimentos que nos trazem o seguinte esclarecimento, através da conclusão da necessidade HIDRICA de cada alimento:

Água utilizada para  de 1 quilo de arroz 2.182 L/água,
A água utilizada para um quilo de batata 262 L/água,
A água utilizada para um quilo tomate 60 L/água
A água utilizada para um quilo trigo 1.500 L/água,
A água utilizada para um quilo soja 2.000 L/água
A água utilizada para um quilo carne 20.000 L/água

Ou seja, a água que economizamos é ínfima, em comparação a quantidade de água utilizada em um abatedouro, vejam bem, em um único abatedouro de porte médio, e sabemos que existem centenas de abatedouros pelo País, não apenas de bois, mas de suínos e aves, e que gastam também uma enorme quantidade de água doce.
Abate sanitário, banho de aspersão em bois
 


Não estamos dizendo que não cada pessoa não deva economizar água, principalmente porque se ela faltar todos irão sofrer, só estamos mostrando que campanhas lançadas em rádios e TVs não mostram o outro lado do que realmente está acontecendo.

Nós economizamos e as prefeituras enchem piscinas, pois as pessoas não podem ficar sem nadar nos fins de semana. nós economizamos e os abatedouros gastam enormes quantidades de água.

Não adianta uma pessoa na propaganda dizer que economiza água, que recicla seu lixo, que isso ou aquilo se ela mesma se senta a mesa para comer um bife que gastou mais de 10.000 litros de água para estar ali.

Por isso a coerência da questão levantada pelo jornalista Washington Novais.  

"Quanto você consome de água?"

Antes de responder que recicla seu lixo, que não lava seu carro ou sua calçada, lembre-se, além do banho e da louça, que o bife que você almoçou o jantou está incluído no gasto diário de água/recursos naturais, que o lixo que vc reciclou não vai ser muito se comparado aos resíduos que um único abatedouro deixou, nem com a água doce que ele utilizou. Normalmente uma pessoa utiliza cerca de 150 a 200 litros de água por dia, sem contar o bife de cada dia.

Vamos refletir mais sobre nossas ações e vamos agir mais antes de dizermos que contribuímos para um planeta melhor.


Economize água:



Seja Vegan.

 



Simone Nardi





Notas:


1- Os dados utilizados são de 2008, porém há que se levar em consideração o aumento no número de abates de animais,levando-se em conta que as exigência da lei afirmam que a água para lavagem da carcaça deve ser potável, o reuso servirá apenas para lavagem dos caminhões e lavagem das áreas externas (pisos, paredes, etc), embora isso diminua o gasto, devemos nos lembrar que, enquanto algumas pessoas passam sede, a água doce é utilizada para lavar corpos de animais mortos.Isso tudo sem levarmos em conta o alto gasto de energia elétrica e a poluição do ar.




Fontes

http://www.cetesb.sp.gov.br/tecnologia-ambiental/cas-em-atividade/48-camara-ambiental-do-setor-de-abate--frigorifico-e-graxaria

http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/frango_de_corte/arvore/CONT000fc6b6h6d02wx5eo0a2ndxykorm9re.html#

http://www.sebrae.com.br/setor/carne/construcao_aviario_3mar.pdf

http://www.cnpsa.embrapa.br/link/PDU.pdf

Céus Praticas de limpeza das piscinas 









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