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quarta-feira, 25 de abril de 2018

MIOGLOBINA , MITOCONDRIA E SUA ALIMENTAÇÃO






O que é a Carne e de onde ela vem?

Este é um subtítulo do artigo “Passes em Animais”, escrito há alguns anos. Porém, mesmo explicando nele a diferença entre as tais carnes consideradas “brancas” ou “vermelhas”, muitos ainda questionam ou alegam que a carne branca é melhor por ser “branca”.

Então vamos tentar, mais uma vez, explicar que isso não é verdade:

Por que a carne é vermelha?

Algumas carnes são mais vermelhas por conterem uma quantidade maior de MIOGLOBINA.

Mas, o que é MIOGLOBINA?

Definição: Mioglobina é um tipo de Pigmento”. É uma proteína na qual sua principal função é a de TRANSPORTE.

Mas, o que a MIOGLOBINA transporta?

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

ESTRAGANDO O NATAL


Quadri-book especial de Natal: na luta contínua para que mais pessoas despertem 

para bondade que deveriam ter em relação aos animais.





É um conto de Natal, onde dois personagens tentam a todo custo salvar os animais da fazenda da Ceia de Natal.


Simone Nardi




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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Que será da sua carninha? Só rindo mesmo . . .

Bono e Iris, racismo até direcionado aos cães, Iris foi adotada por ser branca e amarela,  Bono ficou porque era pretinho




Vivem questionando os protetores de animais por ajudarem , claro, Animais ao invés de se preocuparem com crianças. Até já postei no Blog outros textos e artigos referentes ao caso que parece jamais ter fim.

E hoje finalmente concordei com essa afirmação e você que nos acompanha também irá concordar. Vamos sim, todos nós abandonar de uma vez por todas o trabalho com os animais. E aqueles que cuidam dos rios, sim os que se preocupar com a mata ciliar e o não poluição dos rios, lagos e mares, estes também irão abandonar este trabalho.

E claro, o pessoal que se preocupa com as matas e florestas, afinal, há crianças para cuidar e vocês estão ai se preocupando com "mato"? Onde já se viu se preocupar se a geleira vai ou não derreter, isso parece mesmo coisa de quem não tem o que fazer, ficar medindo a emissão de gases tóxicos no meio ambiente.

Parem , parem e façam o que nos pedem há anos: cuidar de crianças.

 Ah e quando digo todos me refiro também à vocês aí em cima, é vocês desencarnados do Plano Espiritual, afinal vocês não são anjos ou arcanjos, são pessoas como nós só que desencarnadas , nós estamos aqui do lado material e vocês aí do lado espiritual fazendo um trabalho muito semelhante ao nosso e claro, também existem espíritos desse lado aí que ainda preferem parecer com crianças, e além disso tem a fila da desencarnação onde os outros espíritos encarnarão como?

Ora como crianças.

Vamos registrar aqui também a grande perda de tempo gerada por Deus, sim por Deus em criar uma equipe de espiritos para ajustar, moldar, cuidar e montar um cronograma de vida para os Animais.

Um reino que, no mínimo, deverá ser retirado ficando mais ou menos assim os próximos livros de estudos:

Reinos 

Mineral----------vegetal ------------hominal

Mas como dissemos, existe também aquelas pessoas que se preocupam - a toa claro- com as florestas, matas e plantas, elas, como os protetores de animais realmente deveriam se preocupar com algo mais, como diremos...Humano., até porque sempre acreditei que largando de comer a carne, o ser humano mais evoluido deixaria com o tempo de também se alimentar de vegetais, mas esse é um outro assunto.E até porque, nós que gostamos de animais , sem animais para proteger, talvez migraríamos para as plantas e claro, ouviríamos:


Flor

"Nossa , você cuida de plantas? Por que não vai ajudar as crianças, não aprendemos nem a amar os humanos que dirá amar as plantas?"


Reinos 

Mineral---------- Hominal

Tudo bem, vamos deixar os geólogos em paz - desta vez - mas se não ouviram sabemos que um dia irão ouvir:

" Nossa, você é geólogo, cuida de pedras.... Por que não fez pediatria? "

Reino

Hominal

Será que isso traria alguma consequencia?

Vamos pensar:

Sem o reino animal não haveria, as Reservas Selvagens, nem as savanas, imagine que beleza ao invés de zebras, elefantes , rinocerontes ocupando esses espaços a população humana poderia se expandir ainda mais, mais filhos, mais crianças mais pessoas para cuidar de mais filhos, de mais crianças e mais pessoas.

Pensando ainda mais positivamente não haveriam animais abandonados e claro, nem os pets, aqueles "bichinhos de estimação" que as crianças adoram e que visitam muitas delas nos hospitais quando algumas delas adoece. Pensando nisso, imagine a quantidade de veterinários que iriam perder seus empregos, mas teriamos muitos mais pediatras, o que por um lado é muito bom.

Não haveria cães correndo atrás de gatos e nem gatos correndo atrás de ratos.Nada de morcegos ou aranhas, nem mosquitos da dengue, afinal todos iriam morrer com o tempo já que estamos ocupados demais com nós humanos e a espiritualidade idem, portanto nenhum animal reencarnaria, definitivamente não sendo importantes como os seres humanos , não haveria quem se preocupasse com ele pois no astral também existem aqueles desencarnados que vivem dizendo:

Paraíso com animais?

" nossa vocês ficam ai programando a encarnação de animais quando a fila da reencarnação de humanos esta enorme?"

Na verdade eu até cometi um deslize quando disse que seriam as pessoas que abandonariam o reino vegetal pelo animal, com o desaparecimento dos animais não haveria a polinização das plantas e elas acabariam desaparecendo mesmo cedo ou tarde.

Você meu amigo humanista iria (enquanto as plantas ainda existissem) se sentar a mesa e finalmente comer arroz, feijão, alface , berinjela, brocoli, couve, aquela comida que você alega ser "comida de Panda"- se é que alguém ainda irá saber o que foi um Panda, já que morreram todos e nenhum reencarnou mais.

"Sem Bife?"

Você vai questionar.

"Vou ficar anêmico, vou morrer, Kardec disse: a carne nutre a carne..."

Pois é, faz bem mais de um século que bois não reencarnam mais, afinal estamos todos fazendo o que você pediu: cuidando de crianças e fomos além do seu pensamento, cuidamos também de idosos, alguns vivem bem mais pois estão comendo mais legumes e a ingestão de gordura animal inexiste.

O reino vegetal, porém, é ainda mais "inferior"(evolutivamente) que o reino animal e ainda mais que o reino hominal, mas não existem insetos, morcegos, macacos, pássaros e ´um reino que tende a desaparecer pois quem cuidava dele também foi orientado a cuidar de crianças.

Imagine quantas terra livre de animais e plantas teríamos para ocupar na floresta?

Não existiria mais crime por desmatamento, as madeiras clandestinas iriam desaparecer, grande ponto positivo, afinal não se pode desmatar algo que não mais existe.

O problema é que o ar iria ficar um pouco mais poluído, já que os seres humanos triplicaram, quadruplicaram em número de nascimentos, as crianças logo viram adolescentes, logo ficam adultos e precisam de Fábricas para trabalhar.trabalhar para ganhar dinheiro, Dinheiro para comprar comida. Comer para sobreviver...mas comer o que mesmo?

Vamos ver...

Alface?

Não, não existe mais, lembra esse reino se foi quando você nos orientou a abandonar a proteção animal, reino que foi extinto também.

Que chato.

To com fome e você?

Gato vesgo, ser humano cego?

Agora não adianta mais dizer que não são todos os protetores de animais que devem abandonar sua causa ou agora é Você quem escolhe o que EU devo proteger ou não?

É melhor pensar melhor e ver que em tudo existe Equilíbrio, que cada um define sozinho seu caminho e que Você que muitas vezes fala isso, não ajuda nem mesmo um familiar ou um vizinho seu, mas quer que nós façamos seu trabalho e o nosso.

Te incomoda o fato de eu ajudar animais e não apenas as crianças?

Te incomoda o fato de muita gente proteger araras azuis ou morcegos? Ou proteger fontes de cristais que são depredados por humanos apenas porque brilham? Te incomoda o fato de pessoas se preocuparem com a poluição de rios e mares ao invés de só proteger humanos?

Se te incomoda tanto é porque você está trabalhando pouco pelos que quer que defendamos pois quem trabalha muito tem pouco tempo para acusar, cuidado...

Para você que é espirita de carteirinha. Que vive pregando contra a alimentação vegetariana e contra a proteção de animais

Você já imaginou se isso tudo que brincamos aqui houvesse acontecido na época quem você estagiava no reino animal, hoje você, com certeza não estaria aqui e tenho certeza que , o que mais te chateou nisso tudo foi não ter seu bifinho para comer .....

Só Rindo mesmo. . . .



Simone Nardi




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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Devemos repensar comer animais?















Nascido Jorge Bergoglio,  .........ele tomou o nome papal de Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis...
Até agora, muitos de nós estão cientes da entrevista na qual o Papa exortou a vida para frear a obsessão de alguns em relação ao  aborto . No dia seguinte, depois  que esta entrevista foi publicada, curiosamente, o Papa fez questão de condenar o aborto em termos muito mais fortes . O trabalho que de Francisco tem feito já tem tem sido feito por cristãos pró-vida há várias décadas: porque a raiz da nossa oposição ao aborto encontra-se com o Evangelho de Jesus Cristo, ele deve ser conectado a uma série de outras questões muito importantes.[...]
E hoje, a festa de São Francisco, traz consigo uma nova oportunidade de aplicar consistentemente nossos valores pró-vida. Em um novo livro que escrevi para Francisco, defendo que os animais são exatamente o tipo de população marginal e vulnerável sobre a qual os pró-vida devem se preocupar. Como nossos filhos pré-natal, são ameaçados com horrível violência(aborto), particularmente em fazendas industriais os animais também o são. Também como nossos filhos pré-natal, que não podem falar por si mesmos e sua dignidade é bastante inconveniente para os outros poderosos que preferem, por exemplo, pensar em porcos como "pepperoni" e vacas como "hambúrgueres".
Mas alguns podem perguntar: "Qual dignidade?" Não as histórias da criação de Gênesis não dá aos seres humanos o domínio sobre os animais? E, para os católicos, o Catecismo não diz que podemos usar animais para comida e roupas? 

Mas as histórias da criação do Gênesis também deveriam explicar que Deus pretendia que os seres humanos se alimentassem de uma dieta vegetariana, pois os animais não-humanos não foram criados para virarem alimentos. O Catecismo coloca dois limites estritos em nosso uso de animais " porque não é bom que o homem esteja só.": (1) que só pode causar sofrimento e morte aos animais em situações de necessidade, e (2) devemos tratar com bondade todos os animais .
Quando os pró-vida compram e comem animais que são torturados e abatidos em fazendas industriais, não só cooperam com um mal horrível e cruel como fazem uma paródia do nosso verdadeiro dever de tratar os  animais com bondade. Além disso, ninguém "precisa" comer  carne. A nossa sociedade é que é viciada em carne e exagera na quantidade de proteína necessária para uma vida saudável, especialmente tendo em conta que a maioria de nós pode obter mais do que suficiente ao comer lentilhas ,ervilhas, feijões e nozes que são relativamente baratos,essa deve ser uma preocupação  totalmente nova para os pró-vida. Mary Eberstadt, pesquisadora sênior do pró-vida Ética e Políticas Públicas Center, escreveu um artigo importante para a First Things, intitulado "Pro-Animal, Pro-Life". Um ex-redator de discursos para George W. Bush, Matthew Scully escreveu um importante livro em defesa dos animais chamado " Dominion ". 

De CS Lewis a William Wilberforce, para o próprio São Francisco, podemos apontar vários exemplos de um núcleo forte de cristãos que não viam nenhuma contradição entre sua fé e preocupação com os animais. Engraçado é que, talvez os nossos deveres morais para com os animais sirvam apenas para  levar os cristãos a praticarem a antiga tarefa de se recusar a comer carne às sextas-feiras e durante a temporada de santo da Quaresma.
Nem todas as obrigações morais são iguais, é claro. Se eu tivesse que escolher, eu diria que o aborto é mais grave do que a questão da pecuária industrial de animais.Mas, os pró-vida não tem que escolher. Mais uma vez, de pé pela dignidade dos animais não-humanos devemos fazer  oposição ao aborto a a morte de animais. Papa Francisco parece estar levando os cristãos pró-vida para uma ética mais consistente de vida. Neste dia de festa do santo padroeiro dos animais, talvez possamos ser mais consistentes em nossa preocupação com a violência infligida às populações vulneráveis, tanto humana quanto não-humana.
Charles C. Camosy é Assistant Professor de Ética Cristã na Universidade de Fordham. Seu novo livro é intitulado For "Love of Animals:. Ética cristã, ação consistente"


Fonte: Faithstreet 


Cão Eli,vestido de papa,
foto recebida por email





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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Filosofia e a Questão dos Direitos Animais (Estudo)-Parte 2



O Dever pelo Dever: Inteligência, razão, sensibilidade


O maior problema é o fato de que, toda cada vez que algum cientista coloca que um determinado animal é inteligente e que pode ter compaixão por outros seres, muitos outros patronos da sabedoria se apressam em dizer que este tenta antropomorfizar[17] os animais não-humanos, porém, parecem incapazes de notar que por parte deles, é recorrente essa visão contrária de aceitar que os animais não-humanos possam ter senciência, tal como os seres humanos – nada mais que um subterfúgio, para que se continue maltratando animais em nome de uma raça que se julga como única espécie racional – sem se darem conta de que possuem , na maioria das vezes, uma Razão irracional quando se trata de animais não-humanos.

Os não-humanos, considerados pela humanidade como animais irracionais- somente porque não procuramos entendê-los como são, no estágio de evolução onde se encontram - não parecem necessitar da razão humana para sobreviverem e não é a racionalidade deles que está degradando o Planeta. No entanto, os seres mais racionais de Gaia produzem toneladas de lixo por dia, esgotam as riquezas naturais, matam com requintes de crueldade não apenas animais não-humanos, mas animais humanos sejam, eles crianças, filhotes, fêmeas, mulheres, machos, homens. Queimam florestas, poluem o ar, as águas, enfim, a racionalidade humana parece-nos apenas existir para destruir. Claro que devemos nos lembrar que existem muitos seres humanos altruístas, mas eles apenas são necessários pelo poder de destruição que molda grande parte da humanidade.

Seja como for, uma das verdades que nos surge é o fato de que os animais são seres sencientes, capazes de perceberem sensações de prazer e de dor, sendo assim como seres racionais, devemos deixar de matá-los não apenas porque desejamos sobreviver, mas por respeito a eles, respeitando os direitos que eles realmente possuem - esse o passo mais difícil para os antropocêntricos-. Essa primeira revelação nos mostra que ao contrário dos mecaniscistas, hoje sabemos que os animais possuem uma sensibilidade tal como a nossa e isso não se trata de antropomorfismo, mas de uma realidade científica acatada até mesmo pelos vivisseccionistas, que para escapar dessa “aporia” decidiram, ao utilizarem suas cobaias, fazer uso de anestésicos para que elas não sentissem dor, ignorando ainda o fato desses animais não-humanos possuírem direitos a vida e a liberdade simplesmente por existirem, não pela razão ou pela inteligência ou ainda por sua sensibilidade, mas pelo fato de dividirem a mesma terra conosco e que, porque nós “seres racionais” lhes devemos a tutela de nossa ética e de nossa moral, pois dentro de seu campo de inteligência cada um deles, a seu modo, desenvolve o raciocínio para suas necessidades básicas

Outra verdade que nos surge é a de que os animais não-humanos não nasceram para nos servir, nem são inferiores , pesquisas demonstram que possuem memória, que possuem uma linguagem própria, alguns se chamam por nomes, muitos fabricam ferramentas e outros conseguem aprender a linguagem dos sinais como Koko (gorila) e Washoe[18](chimpanzé). Mesmo que não houvesse provas de sua inteligência, isso jamais nos daria o direito de dispor de seus corpos.

“Quando se lida com o sofrimento dos animais há tradições que devem ser ultrapassadas” (David Favre,advogado e professor)

Tanto o antropocentrismo como essa ideia de antropomorfismo devem desaparecer, os animais merecem respeito, esse é o fato primordial. Não importa se raciocinam, se possuem memória, nós como seres racionais temos a obrigação moral de eliminar o sofrimento e não de criar o sofrimento: fazer padecer, encarcerar, é algo que não condiz com a razão. Realizar o dever pelo dever é assumir-se como ser terreno, co-habitante desse planeta, dotado de razão para favorecer os mais fracos, para buscar o bem sem causar o mal, é lutar pelo retorno a Natureza , onde o que é bom para um, será bom para todos.


A educação para o silêncio


O que presenciamos hoje dentro de muitas universidades é o condicionamento de professores e alunos perante a ignorância em relação ao sofrimento animal. Comer animais faz parte da vida, da cadeia alimentar, dos costumes e das tradições de nossos antepassados, coisificar os animais igualmente faz parte de alguns conceitos filosóficos com os quais muitos não desejam entrar em atrito, e não entram. Há um livro do professor João Epifânio Regis que possui um título muito instigador que se chama “Vozes do Silêncio”, sobre a experimentação animal e o silêncio que alunos e professores guardam a respeito disso. Aqui nos caberia bem chamar de “Filosofia antropocêntrica, a educação para o silêncio”, já que seguimos os mesmos parâmetros antropocêntricos de nossos colegas vivisseccionistas, embora não utilizemos animais em aulas práticas no campus universitário, nós fazemos igualmente uso de suas vidas no que nos acostumamos a chamar de “nosso benefício”. Fazemos isso em total silêncio ético e moral, crentes de que matar seja algo realmente natural, e muitas vezes os devoramos enquanto nosso pensamento digere conceitos filosóficos como alteridade, totalidade, oprimidos, vítimas, meio ambiente, solidariedade , ética......

Não vemos a ligação entre suas mortes e esses conceitos pelos quais queremos nos nortear, se o vemos, conseguimos manter silêncio sobre isso também, como se fosse heresia falar sobre Direito Animal ou respeito as suas vidas em sala de aula. E continuamos impondo e aceitando pensamentos ultrapassados somente porque se adequam melhor aos nossos medos e nossa minoridade. Que imobilidade intelectual nos prende a isso? Por que essa nossa omissão diante da morte de animais não-humanos e nossa resistência em questionar por que ainda acreditamos ser esse assassínio, uma coisa natural? Por que não questionarmos para descobrirmos muitas das “verdades”[19] que nos ficam escondidas? Porque sabemos que descobrindo uma verdade sobre a morte desses seres não poderemos mais permanecer indiferentes a ela. A negação da Alteridade para com o Outro, mesmo que esse Outro seja um animal não-humano é o que nos coloca em contradição com a ética que buscamos e essa ética é que ameaça o nosso futuro e o futuro dos demais seres da criação. Diante disso, o silêncio não é mais possível, é preciso assumir uma posição frente ao sofrimento que causamos aos animais não-humanos, paralelamente a degradação que causamos ao Meio Ambiente, o que faz aumentar também o número de vítimas humanas oprimidas no planeta. Esse é o verdadeiro ciclo de nossa imoralidade diante do silêncio frente ao sofrimento animal. Esse é o caminho que o nosso bife de cada dia realiza, derrubando as árvores que plantamos, desperdiçando a água que economizamos, tirando o alimento da boca das vítimas excluídas e oprimidas que “nossas” teses e dissertações tanto buscam auxiliar. Mas silenciamos e a questão é: Até quando silenciaremos? Até quando não haja mais vítimas para salvar, até que não haja mais terras para defender, até que nossas vozes não passem de meras lembranças de uma humanidade que desdenhou de si mesma ao se calar diante de suas atrocidades? O certo é que não seremos sequer lembranças quando formos finalmente, vencidos por nosso próprio egoísmo. 



Mas qual o papel da Filosofia ? 



Hoje sabemos que a Filosofia cumpre o papel que o homem a obrigou a cumprir: preservar o antropocentrismo ignorando tudo aquilo que possa despertar os alunos para a preservação da vida. A grande maioria dos professores segue obediente ao sistema de ensino da sociedade, também moldada nos pilares antropocêntricos, ou seja, dentro da educação atual os Direitos  Animais não possuem seu espaço, pois muitos professores não passam de meros reprodutores das ideias filosóficas, aqueles que se arriscarem fora dessa imposição sabem que serão marginalizados pelo próprio sistema educacional antropocêntrico. Talvez pela falta de produção de novas ideias filosóficas que visem o bem do Planeta como um todo, é que estamos vivendo desses paliativos que parecem agravar ainda mais nossa situação de seres racionais afeitos a irracionalidade. O antropocentrismo vem a tantos séculos dominando a humanidade, que se torna uma tarefa quase heroica, revolver as mentes obscurecidas por esse véu violento e tirânico. Acostumamo-nos a ver os não-humanos como meras mercadorias que nem sentimos a diferença entre o bife e um boi ainda vivo[20]. Esse trabalho filosófico[21] visa exatamente romper essa invisibilidade do sofrimento animal e mostrar que nenhuma ética ou qualquer vida harmoniosa, será possível sem que se incluam os animais não-humanos em nossas relações éticas e morais, a partir do respeito e da alteridade para com eles. Independente do que digam as grandes filosofias ainda acorrentadas pelo antropocentrismo , a Libertação Animal vai ocorrer e, dependendo do trabalho que fizermos hoje, ela pode ocorrer mais cedo ou mais tarde, mas é inegável que irá acontecer. É o thaumazein[22] nos forçando a questionar , indo buscar na skepisis uma forma de mostrar que não estamos sós nesse planeta, que é preciso coexistir, é a Filosofia voltando ao seu estado natural de instigar o pensamento a buscar os “por quês” e as “verdades” que nos ficaram ocultas, de abrir portas para que a construção da ética humana se torne possível por aqueles que realmente desejam ir além do pensamento.

A filosofia parece ter se tornado juíza do mundo moral, revestindo seu discurso com uma capa de sobriedade lógico-formalista, o verniz do mundo contemporâneo, como balões que flutuam e são vistosos, mas sem relação com a realidade[23].

Hoje, aquele filósofo ou futuro filósofo que se diz preocupado com o mundo, não pode vê-lo apenas como uma faixa de terra destinada à humanidade, excluindo todos os demais seres que existem. É impossível falar de libertação, de retorno a consciência da Natureza se não se incluírem nesses sistemas o direito dos seres vivos. É impossível, no século no qual nos encontramos, falarmos que Descartes foi um grande gênio filosófico e continuarmos ocultando todos os erros que ele cometeu principalmente em relação aos animais[24]. Ou exaltarmos qualquer outro filósofo que não inclui no conceito “Ética”, todas as vidas que habitam esse planeta: “porque na terra não habitam apenas os seres humanos” (L.Boff). Se o fizermos estaremos caindo na mesma armadilha que Onfray disse que a Historia da Filosofia nos armou, ou seja, permaneceremos acreditando em muitas mentiras somente porque nos é mais cômodo. A Filosofia é questionadora do mundo.

Não haverá qualquer perspectiva de mudança se não começarmos a rever a Filosofia agora: ou se ensina a Filosofia como um todo, intelectual e prático[25], ou ela vai permanecer acorrentada num antropocentrismo que a desmerece como aquela que busca pelo conhecimento. Não adianta falarmos sobre Foucault e sua "Microfísica do Poder", se permanecermos dóceis a um sistema que mutila animais com nosso consentimento. De nada nos valerá conhecer o Mito da Caverna se não o aplicarmos ao nosso dia a dia, saindo da nossa passividade imoral em relação ao sofrimento animal. A Filosofia precisa libertar-se para a partir daí poder “libertar” outras mentes e outros corpos. Ela necessita sair da reprodução intelectual para o concreto, onde os problemas se avolumam violentamente. O que importa é mudar o rumo de nossa evolução, hoje calcada na morte dos não-humanos para seguirmos uma evolução baseada na vida, e não há outra forma a não ser através da educação, sobretudo dentro da própria Filosofia que tem como função questionar a realidade, rompendo assim as barreiras da alienação e das ideologias culturais. 



Caminhos: A Filosofia longe da senciência?

Não. Muitos autores já falam em senciência e muitos outros em biocentrismo, o problema reside exatamente no que é ou não passado aos alunos nos centros Universitários. A base educacional é a mesma, seja no ensino médio, seja nas universidades: Sócrates, Platão, Aristóteles, Kant, , Heiddeger, Wittgenstein, , não vamos citar todos, mas são todos nomes conhecidos dentro da História da Filosofia , outros como Peter Singer, Tom Regam, Sonia T. Felipe, Humphry Primatt, Andrew Linzey, Richard Ryder, Paul Taylor , Kenneth Goodpaster ou pensadores como John Maxwell Coetzee entre outros, normalmente não são apresentados aos alunos. Será que não há importância em seus escritos ou será porque a base ética desses autores já descartou o antropocentrismo que marca nossa atual Filosofia acadêmica? Os livros desses autores possuem uma significância enorme para a Libertação Animal e podemos compreender esse “Animal”, não somente em referência aos animais não-humanos, mas também a nós, animais humanos, filósofos, pensadores, escritores, todos pertencentes à mesma classe senciente, mesmo assim grande parte da Filosofia assiste a matança dos animais em completa submissão.

E por que alguns filósofos ainda permanecem apartados desse mundo de dor? Porque tanto culturalmente quanto tradicionalmente, nos “acostumamos” a ver quem fala sobre animais como uma pessoa fraca, digna de sátiras. Já falamos aqui que durante muitos anos a Filosofia reinou absoluta no “mundo intelectual”, achando alguns que resolveriam o problema da humanidade, sem nunca olharem para o mundo como um sistema fechado, assim como é o nosso Planeta, com todos os seres vivos que coexistem nele. Se pararmos para lembrar o que ocorreu na História da Filosofia, vamos nos recordar que fomos tirados da Natureza e hoje ainda nos recusamos a olhá-la com respeito, depois veremos que a razão deveria apenas ser guiada pela fé e milhares de pessoas foram visitar as chamas da inquisição. A Alteridade para com os demais seres jamais existirá dentro do campo antropocêntrico, o face a face somente se tornará concreto quando a “Filosofia”[26] visitar um abatedouro e ver que outros seres sencientes necessitam de seu trabalho na busca pela verdade.

Essa busca pelo conhecimento não pode mais ficar restrita somente aos bancos acadêmicos, enquanto o mundo exterior a ele sofre as consequências de uma intelectualidade calcada na questão de ser humano para o ser humano. É preciso a capacidade de mudar, de dirigir o olhar as nossas ações malfazejas, pois nos parece que o sofrimento animal ainda não adentrou nas salas de aula como demonstração de nossas ações imorais e antiéticas. É preciso uma Filosofia engajada com a vida, una com o Planeta e com seus filhos, atenta ao mundo real que a cerca para agir[27] sobre ele mais efetivamente. Não levará muito tempo então, e não conseguiremos mais diferenciar animais humanos de animais não–humanos de nossos sistemas filosóficos; quando falarmos em alteridade será para o bem coletivo como um todo: animais humanos, não-humanos, plantas ,ou seja, todo o Planeta . Não separaremos por racionalidade, por raça, por senciência ou por espécie, seremos um todo, guiados por uma verdadeira Filosofia de Libertação da vida e pela vida.

Não somos apanhados filosóficos, somos seres materiais que violam a vida de outros seres materiais, precisamos enxergá-los para podermos nos enxergar como seres distante da ética que tanto estudamos, de forma a refletirmos sobre nossas palavras e sobre nossas ações. Dizer que os animais não são racionais não deve implicar em uma violência contra eles, pois estaremos violentando a nós mesmos, cabe ao maior ensinar o menor. O pensamento filosófico deve debruçar-se sobre si mesmo, rever suas ações e livrar-se dessa “capa de sobriedade” que nada agrega em benefício daqueles que realmente sofrem : Os animais não-humanos.




Provocação Filosófica.


O outro é determinante. Sem passar pelo outro

(que posso ser eu mesmo), toda ética é antiética.

Leonardo Boff



Como mudar então os rumos dessa Filosofia?


Eis aqui um dos maiores problemas filosóficos que podemos descrever: como mudar algo que está tão enraizado na mente filosófica, algo do qual as pessoas naturalmente se esquivam e ridicularizam, embora estejam elas mesmas, construindo suas teses na crença de que aquilo lhes será: ou bom para o currículo ou bom para a sociedade “humana”? Como fazer enxergarem além do que lhes foi ensinado através da microfísica do poder social que as moldou, como livrá-las desse caráter natural de achar que os animais não-humanos podem ser mortos? Como fazê-las ver que é através desse pensamento “natural” que devastam o Planeta onde vivem, forçando-as a criar sistemas filosóficos que as protejam delas mesmas? Seria mesmo possível cometermos a heresia de tentar ensinar aqueles que nos ensinaram?

Podemos nos livrar do peso da culpa e jogá-la sobre os ombros de Immanuel Kant ao dizer que o “Esclarecimento” é a saída do homem de sua minoridade para sua maioridade e que depende isso, única e exclusivamente dele próprio. Ou seja, depende de cada um buscar a verdade, é inegável o que fazemos aos animais não-humanos, o problema é que não desejamos nos ver como somos : algozes. A Filosofia por si só não irá mudar, depende de cada um fazer a sua parte. Assumir seu papel de verdugo diante do Planeta é talvez o mais significativo dos atos a ser feito, refletir sobre o que realmente ocorre à eles, a nós mesmos e ao Planeta. Pois, ao mesmo tempo em que lutamos pelo Meio Ambiente o destruímos permitindo que sejam derrubadas florestas para a criação de gado , para a plantação de soja que alimentará o gado estrangeiro, permitimos que a terra, os rios e os lagos sejam poluídos com os dejetos de milhões de animais que são mortos todos os anos devido a nossa cegueira intelectual, enquanto plantamos arvorezinhas nos achando éticos e responsáveis. Precisamos sair dessa minoridade antropocêntrica para ascender à verdadeira razão de estarmos no mundo, isso é o que auxiliará a tornar o conceito de ética realmente possível: “a ética surge quando o outro emerge diante de nós”(L.Boff). Precisamos fazer o sofrimento animal emergir diante de nós para podermos mudar os rumos da Filosofia e como nos disse Kant, podemos fazer uso da mais simples das Liberdades: a Liberdade de pensar.

Não vamos relacionar o sofrimento pelo qual passam os animais desde seu nascimento até o momento do abate, o desejo é fazer uma simples conexão entre seu jantar e aquele animal a ser abatido. Propor que a senciência seja levada em conta nesse instante aos nos lembrarmos que os cães adoram um afago, que os gatos adoram brincar, que sentem afeto, alegria e amor, sinais de senciência e que, se são capazes de sentir prazer , devemos levar em contra que poderão por outro lado, sentir sensações opostas a estas, sensações pelas quais nós somos os únicos responsáveis. A questão agora é: quais sensações desejamos proporcionar para seres que estão em relação conosco e com o Planeta onde vivemos: sensações de prazer ou de dor e, sabendo disso poderemos realmente permanecer como somos? Podemos nos achar livres-pensadores, mas jamais permitir que nossas ações compactuem com o mal, pois servir não é próprio dos seres inferiores.

O servir não é próprio dos seres inferiores.Deus, que nos dá o fruto e a luz, serve.Poderia chamar-se: O Servidor![...] onde houver um erro para corrigir, corrige-o tu com bondade; onde surgir uma dor a mitigar, mitiga-a tu com solicitude;[...] Sê tu, idealista, sê tu quem serve!(Goethe)


Que seja a razão então que sirva a Natureza e a todos os seres, que corrija os erros e mitigue a dor e tome para si a árdua tarefa de desenvolver nos animais humanos o respeito pelas criaturas da terra, sejamos nós, os racionais, aqueles que servem e servindo, que realizem o sonho ético da harmonia planetária.

Será que nossa “humildade” nos permitirá servir? 


Conclusão : Um Ensaio Filosófico


Quando eu era criança, li um velho conto judaico que não pude compreender.Ele não dizia mais do que isso: “ Fora dos portões de Roma está sentado um mendigo leproso, esperando.Ele é o Messias” Então me dirigi a um ancião, a quem perguntei: “O que ele está esperando?” E recebi uma resposta que então não consegui entender, somente muito mais tarde.Ele me disse: “ Está esperando você!”[28] .


O que somos nós perante o Universo? Nada mais que apenas mais um Planeta em meio ao infinito, porém rompemos a linha tênue que nos separava de nós mesmos, nos afastamos da nossa própria imagem que era a Natureza, para nos tornamos algo que não podemos classificar como realmente “humano”! Humano para alguns possui o conceito de bondade e indulgencia, para outros se restringe apenas a dor, medo e violência, esses os seres mais renegados do Planeta pela espécie que se coloca como dominante. Ao falarmos em libertação, alteridade, consciência, entre tantos outros conceitos, devemos nos lembrar que não habitamos sozinhos esse pedaço de terra, mas o dividimos com bilhões de outros seres. Nossa visão de superioridade nos arrastou para um estágio onde falamos e não vemos. Sabemos que milhões de pessoas morrem todos os anos por falta de alimentos - segundo cálculos da Fao cerca de 800 milhões de pessoas - mas ainda somos uma sociedade que se move somente para o “Ter” e não para o “Ser”, que faz muitas coisas por medo e não por dever .

Assim com o trecho de Martin Buber, a Libertação Animal está do lado de fora do antropocentrismo esperando. Esperando que mais pessoas tomem coragem, que mais pessoas busquem o esclarecimento. Os animais não-humanos não podem mais permanecer apenas esperando, é preciso que a “Filosofia”[29] lhes dê guarida. Diante disso não precisamos esperar que alguém nos responda pelo “quê” a Libertação Animal está esperando, pois sabemos: Ela está esperando Você!





Notas




[17]Antropomorfismo do grego, anthropos=homem + morphe= forma. Atribuição de qualidades ou formas humanas a Deus, a divindades ,a animais e objetos, devemos levar em consideração outra palavra a Antropopatia do grego anthropos=homem+ pathos=sofrimento. Atribuição de sentimentos humanos a seres não humanos, as coisas, fenômenos da natureza,etc.(Arnaldo Schuler,Dicionário enciclopédico de teologia.)


[18]Ela também ensinou a outros chimpanzés a linguagem que aprendeu.


[19] Sabemos que existem inúmeras verdades, mas diante da morte só há uma: sofrimento. Chegando a essa, chegaremos a outras, e assim por diante, pois a cada porta que abrirmos, outros problemas surgirão e novas soluções necessitarão de nossa atenção.


[20] O animal abatido, fica totalmente invisível para quem aprecia o bife, a conexão se torna algo irrealizável, dentro dessa “cegueira” causada pelo antropocentrismo.


[21] Realizado no campo dos Direitos Animais.


[22] O espanto que nos leva em busca de respostas.


[23]Atanásio Mykonios - Para que serve a Filosofia num mundo marcado pela indiferença?


[24] No meio acadêmico e, embora alguns neguem, é fato que até pouco tempo o meio científico se utilizava do mecanicismo para realizar experimentos em animais, fato que só tem sido alterado com o trabalho daqueles que lutam pela Libertação Animal.


[25] Embora muitas correntes digam que não pode haver prática do pensamento filosófico, é ele quem estimula os homens a agirem, como exemplo, podemos citar o livro “Libertação Animal” de Peter Singer, que deu um surpreendente estimulo para que uma nova visão dos não-humanos fosse forjada e com isso, novas leis surgissem para protegê-los.


[26] O pensamento filosófico, o ato de questionar, de buscar conhecimentos novos.


[27] Questionar, instigar o pensamento.


[28] RobertoBartholo Jr,Martin Buber,presença palavra, pg 1.§1


[29] O questionamento que levará a humanidade a ação.




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Simone Nardi

 

 


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