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quarta-feira, 25 de abril de 2018

MIOGLOBINA , MITOCONDRIA E SUA ALIMENTAÇÃO






O que é a Carne e de onde ela vem?

Este é um subtítulo do artigo “Passes em Animais”, escrito há alguns anos. Porém, mesmo explicando nele a diferença entre as tais carnes consideradas “brancas” ou “vermelhas”, muitos ainda questionam ou alegam que a carne branca é melhor por ser “branca”.

Então vamos tentar, mais uma vez, explicar que isso não é verdade:

Por que a carne é vermelha?

Algumas carnes são mais vermelhas por conterem uma quantidade maior de MIOGLOBINA.

Mas, o que é MIOGLOBINA?

Definição: Mioglobina é um tipo de Pigmento”. É uma proteína na qual sua principal função é a de TRANSPORTE.

Mas, o que a MIOGLOBINA transporta?

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

ESTRAGANDO O NATAL


Quadri-book especial de Natal: na luta contínua para que mais pessoas despertem 

para bondade que deveriam ter em relação aos animais.





É um conto de Natal, onde dois personagens tentam a todo custo salvar os animais da fazenda da Ceia de Natal.


Simone Nardi




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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Selo “Animal Pet” ?

Carne de Boi ou carne de cachorro? Qual a diferença?



Outro dia recebi pelo Face uma mensagem de uma pessoa totalmente alterada que vociferava contra os chineses e o festival de carne de cachorro de Yulin. A cada data comemorativa recebo centenas de mensagens revoltosas contra o assunto só para que me vejam questionar como sempre:

“Você ao menos é vegetariano-vegano?”

De cada 10 que reclamam duas são, as demais vociferam o dobro alegando que uma coisa nada tem a ver com a outra, porque cães são “Pets” – que significa Fofo ou animal preferido -, porque cães são os melhores amigos do homem, porque cães são inteligentes.

É desconsiderar a própria inteligência alegar coisas assim.

GOOGLE

Esse veio substituir o antigo “pai dos ignorantes” (ignorante de desconhecer mesmo) o antigo Dicionário Aurélio, onde corríamos procurar as palavras que desconhecíamos. Hoje o GOOGLE é mais completo ainda, além de palavras podemos descobrir sobre a inteligência e a senciência dos animais.

Podemos ver que cães não são “pets”, “pets” são objetos que as pessoas usam para aparecer na sociedade, normalmente são comprados por preços absurdos possuem raça, registro, usam roupas caríssimas- de grife lógico- sapatinhos, pingentes, pintam as unham coisas que Cães/animais não gostam. “Pets“ são humilhados por “donos” que necessitam colocar neles suas próprias características e vaidades; “Pets” possuem “donos” que não os aceitam como são: Cães. Por isso os chamam de “Pets”, ou seja:  o meu objeto de estimação, o meu objeto de companhia ou simplesmente meu “Pet/Objeto” para desfilar por ai para que outras pessoas vejam e literalmente “morram” de inveja.

Esse não agride visualmente por não ser considerado Pet

Isso não torna correto fazer um animal  virar ou não comida, isso não o credencia como um animal “acima” dos demais; somente alguém muito orgulhoso usaria o termo “Pet” para dizer que este ou aquele não pode virar comida, embora as pessoas comumente façam isso no dia a dia, afinal quem tem uma vaca “Pet” não a devora, mas devora as demais. Quem tem um porquinho “Pet” não come a pururuca dele, mas a de seus outros irmãos que não tiveram ao nascer o mesmo carimbo de “Animal Pet”.

Ah, mas os cães não podem virar comida “porque são o melhores amigos do homem”. Quem disse isso? Um homem? Mas e os homens que criam gatos? Gatos então podem ser devorados? Mas existem homens que criam cobras, ratos, lagartos, peixes, escorpiões, aranhas, estes também podem ser devorados ou entram na categoria “Pet”?

Se os cães fossem mesmo “o melhor amigo do homem”, não seriam abandonados pelas ruas nem seriam obrigados a se tornarem uma grife “Pet” que gere Status para seu “dono”.

Porque “Pet” possui “dono” enquanto cães possuem “tutores”.

Muitos que escrevem reclamando da cultura chinesa em relação carne de cães compram produtos chineses, roupas, bichinhos de pelúcia que por várias vezes após a investigação particular de protetores de animais, foi descoberto que a tal “pelúcia” era feita com pelos de cães e gatos, mas existem os cílios postiços, as jaquetas, sapatos, cintos de couro, tantas coisas que a china exporta e que contem pelos ou couro de animais, sobretudo de cães e gatos...

E algumas pessoas ainda se dão ao trabalho de escrever como “entendidos no assunto” e “defensores da moral e da ética” que os chineses sim são um povo do mal, que chineses deveriam morrer, mas falam isso dentro dos “Macdonalds” da vida, saboreando um hambúrguer duplo sem se preocuparem se o animal que eles mastigam sofreu, teve medo,  se era senciente ou se possuía uma alma....

Visualmente normal por não ser Pet

Não, ofender o povo chinês mostra que sou racional, afinal não aprovo a matança de cães. E escreve horrores enquanto pede a picanha na churrascaria, sem se dar conta que todos os animais são iguais, é apenas a cultura do orgulho humano que os diferencia no momento de devorá-los. Esses também gritam contra as touradas e a farra do boi enquanto enfiam na boca e mastigam um pedaço de suíno, que também poderia ser um “Pet” se tivesse tido a sorte de ter recebido este carimbo ao nascer.

Coitado do vegetariano que entrar neste grupo e questioná-los sobre sua alimentação....

Vai ser ofendido tal como o povo chinês, só porque foi ser coerente. Experimente ler a acalorada discussão dos pseudos-sábios a respeito do festival chinês e tente colocar ali algo para racionalizarem a respeito dos animais, fale sobre o sofrimento dos bois, dos porcos e das galinhas e logo todos eles se esquecerão da China e verão em você o alvo do momento. Vão lhe dizer que comer bois é algo normal, afinal eles foram criados para isso. Qual o problema em comer porcos, isso é culturalmente aceitável. Vai ouvir que galinhas não são inteligentes e que não sofrem na hora do abate. Li numa destas discussões  um cara dizer que os chineses pegam cães de rua para abater e me lembrei da Operação Carne Fraca e de todos os desdobramentos depois dela:carnes com papelão, com abscessos, podres, contaminadas com salmonella...embargos, embargos embargos, acredite até a China embargou a carne brasileira.

Bois, porcos, galinhas podem ser mortos porque não são inteligentes? Mostre-lhes a verdade e eles recusarão. Mostre-lhes a senciencia e eles retrucarão: mentira.

"Cegos que vendo, não veem"( José Saramago)

E ao deletar tantas arrogância do meu Face fico me questionando:

Quanta ignorância ainda iremos ver, ler e ouvir?

Visualmente ofensivo por ser considerado um Pet??

Os maus tratos aos animais incluem muito mais do que lutar apenas pelos cães da China  ou pelos golfinhos e baleias do Japão, ou ainda pelas focas no Canadá, na Rússia, na Noruega e na Groenlândia  ela se inicia pelo seu prato de cada dia, se você acredita ser impossível para você parar de comer carne, o que também é um fato cultural, não seja hipócrita. Saiba que você somente se revolta contra este tipo de coisa porque as imagens lhe são expostas e que você até hoje, jamais buscou ver uma imagem de um boi, porco ou galinha morrendo por lhe causar pena - e não revolta - e muitas vezes por seu desejo de permanecer comendo carne. A proteção animal necessita de lutadores, de pessoas capazes de ver a morte em seu prato e se repugnarem a tal ponto de mudarem a alimentação, não precisamos de “protetores” de ocasião para nos lembrar de uma luta que vem sendo travada há anos.



Simone Nardi







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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Senhor faça-me vegetariano: mas não hoje...

Imagem: Vaquinha virando churrasco





O título deste artigo nos remete a frase de Santo Agostinho que em oração pedia a Deus: “Senhor, faça-me casto: mas não hoje”. Completava ele.

E porque nos referimos a esse tema, novamente.

Simplesmente porque ele ainda não se esgotou.

Já falamos aqui sobre as Casas Espíritas e o tratamento de animais, falamos sobre os tutores e queremos acentuar o que porventura não tenha ficado claro.

Sabemos que o tratamento espiritual é um fato e que deve estar aliado a uma coerência caridosa. Quando falamos em assistência espiritual de animais devemos buscar, sobretudo no conceito “animais”, o seu verdadeiro significado e com isso a direção que os trabalhos, com estes irmãos devem seguir.

O trabalho de assistência envolve os tutores e seus tutelados -animais- desde a recepção, posteriormente as palestras de instrução,os passes, a irradiação das águas, o atendimento caso a caso e o auxilio aos tutores. Tudo isso, como já dissemos em um estudo do Blog, deve envolver muito estudo dos trabalhadores a respeito dos animais, não apenas da parte espiritual, mas também sobre sua vida material.

Não somos mais inocentes de ficarmos parados acreditando que cada um tem o seu momento, o seu tempo para a mudança, principalmente se o trabalhador estiver envolvido com a assistência espiritual de animais já passou; por isso é necessário o verdadeiro envolvimento, o verdadeiro amor e muita, muita responsabilidade para não cair em descrédito com tutores e consigo mesmo. Nossa consciência pode se tornar nosso pior inimigo, sobretudo quando deixamos o conceito “animais” atrelado apenas a cães e gatos, ignorando aqueles que afetam nosso “paladar”.

Então deixemos de orar como Agostinho, pedindo a Deus que nos faça vegetarianos, porém não hoje, para nos tornamos realmente coerentes com nossa realidade.

Pense bem, reflita e depois nos diga:

Isso acontece com você? Acontece na Casa onde você trabalha?

Estou pronto para trabalhar com animais?Com todos os animais?

Estou pronto para vê-los como vidas em evolução e não como alimento? 

Me tornarei vegetariano por amor ou por vergonha de cair no descrédito dos demais?

Sei amar realmente os animais?

Esperemos que sim.

Deus faça-nos vegetarianos, sim , agora.



Simone Nardi




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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A sociedade, os animais e a inversão de valores

Rapaz se atira em rio para salvar um cão

 

O que distingue o Bem do Mal?

 


Somos uma sociedade capitalista? 

Sim, somos. 

Vivemos para o consumo , trabalhamos para o consumo e não sobrevivemos se não consumirmos. Mas dentro dessa bolha capitalista que nos envolve nós deixamos de distinguir o Bem do Mal. 

Por quê?

Simplesmente porque paramos de refletir/pensar, por nós mesmos. Se alguém diz: "coma isso" não questionamos, comemos, não importa se houve algum mal ao que está diante de nós ou não.

Vivemos nos distinguindo dos animais para  tentar demonstrar o quanto somos bons em ser maus.Queremos ser melhores que os animais que matam , estraçalham aqueles delicados filhotes;queremos ser diferentes daqueles que matam os filhotes alheios, que são irracionais, enquanto nós "racionais" inventamos mentiras para parecermos bons. Quando fazemos o mínimo do mínimo de bem, que aliás é nossa obrigação moral, já nos achamos aptos ao paraíso, afinal, fizemos algo de bom.

Outro dia um veterinário se declarava vegetariano e uma quantidade enorme de leitores o parabenizava por uma atitude que não deveria ser apenas dele, mas de todos os veterinários, afinal, dizem eles que fizeram veterinária por amor aos animais.

Mas nessa sociedade inversa, achamos a obrigação moral uma coisa  diferente e nova, enquanto achamos o que é mal algo tipicamente normal, já que um veterinário que mata animais para comer faz mais parte do nosso dia dia do que aquele que decidiu burlar as regras e ser vegetariano.

Raposa presa em armadilha
Essa inversão é um fato, e parece deteriorar a sociedade a cada dia tirando dela os resquícios de uma ética e de uma moral para o bem, dirigindo-a para o mal com tanta facilidade que chega a nos aterrorizar. 

Desculpamos as crianças que matam apenas por serem da espécie humana. É proibido repreender. Hoje em dia vemos as mães ensinarem seus filhos a espancarem filhotes de cães , a os abandonarem a beira de estradas , a roubarem, tudo porque é proibido proibir.

Somos sofistas modernos, perdoando cada ato nosso, desculpando cada erro, cada mal que envolve o outro, seja ele humano, animal, mineral ou vegetal.

Hoje usamos a desculpa da Democracia para nossos atos de vandalismo,usamos a desculpa que estamos fora do sistema e que desejamos, através do mal, adentrar nele, mesmo sendo contra ele.


O mal é patrimônio nosso, só nosso.

O mal está dentro de nós, o bem está entre nós, é uma questão de escolha fazer um ou outro. Um ser humano que escolheu continuar comendo carne é alguém que resolveu não combater um mal inerente a si mesmo.É bem mais comodo continuar a fazer o SER que fizeram dele, mais suas inclinações más por natureza. resumindo, quem opta pelo comodismo é Preguiçoso, se diz que ama e trabalha por amor aos animais, ainda por cima se torna um hipócrita.     (Antonio Simões) 


Perdemos totalmente a noção de Bem e de Mal, matar um pode, outro não pode, mas quem define isso ? Nós, seres humanos que matamos a nós mesmos pelos mais diversos motivos? Em todas as questões, matar animais é permissível,somente porque "achamos" que eles não são iguais a nós.Nós perdemos o senso do que é justo ou injusto. Matar boi pode, cão não pode. Matar frango pode, gato não pode. E coelho? E cobra e aranhas? 

E nós alegamos que nos distinguimos dos animais porque somos racionais, e porque temos o sentido de Bem e de Mal....
Planeta destruído, planeta perfeito

Só não tomamos consciência de uma coisa, só permitirmos essa total inversão de valores para nos beneficiarmos, seja em relação a sociedade ou seja , e é ainda pior, em relação aos animais.

Quando tomarmos consciência de que o mal é patrimônio nosso, passaremos a enxergar que as coisas erradas que fazemos em relação a sociedade e aos animais - somente por serem comuns- não são as coisas certas a serem feitas e se findará finalmente o Pão e o Circo, somente então o desenvolvimento humano irá acontecer.



Simone Nardi



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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Vegetarianismo e a Lei do Amor

Mão segurando a luz entre os dedos

TEOSOFIA


O vegetarianismo é muitas vezes, adotado por questões de saúde, como um regime alimentar mais saudável, higiênico e substancioso. Porém, o aspecto mais importante do sistema, é ser UM MODO DE PENSAR E DE SENTIR, visto estar profundamente ligado à ideia da Fraternidade Universal. Todos os reinos da natureza - mineral, vegetal, animal e humano - são partes de um Todo. 

A ciência e algumas religiões aceitam e explicam a Lei da Evolução, processando-se através do desenvolvimento da consciência. O homem, ser dotado de maior consciência, é por isso mesmo o maior responsável no mundo. Por seu continuo pensar, há de se aproximar cada vez mais das verdades proclamadas em todos os tempos Por sábios, filósofos, santos e profetas. A base dessas verdades, é que a LEI DO AMOR é a única lei que conduzirá o homem a um estágio de real grandeza espiritual. Sem o amor, poderemos conhecer grandes progressos materiais, porém não alcançaremos uma verdadeira civilização. Ora, a LEI DO AMOR não pode admitir a inútil e cruel matança de animais como a que é executada em larga escala em pleno final do século 20. 

Dizemos inútil e cruel, porque se é com fins de alimentação, milhões de vegetarianos em todo o mundo provam que vivem em iguais ou ainda melhores condições físicas e intelectuais que os não-vegetarianos. Lembremo-nos de escritores como George Bernard Shaw, idealistas como Gandhi, atletas olímpicos e outros aqui mesmo no Brasil. Se é com fins esportivos, nada pode ser mais vexatório para o nosso orgulho de supostos civilizados, do que ver homens e mulheres divertirem-se e fazendo seus filhos seguirem o exemplo, matando fria e calculadamente, animais, os quais se tornam inúteis para a própria alimentação. 

Se é com fins ornamentais, como acontece com o uso de casacos de pele e de couro, penas e aves para chapéus, mais se evidencia a inutilidade da destruição, porque inúmeras são as pessoas que vivem muito bem com outros agasalhos e enfeites que não exigem destruição de vidas. Poucas pessoas comeriam carne se tivessem elas próprias de sacrificar os animais ou, simplesmente assistissem á carnificina nos matadouros. Compreende-se que no passado, quando o cultivo da terra era reduzido, difícil mesmo em muitas regiões, desconhecidos os grandes recursos agrícolas de hoje, ignorado o valor alimentício da maior parte das frutas, cereais e legumes, a caça fosse o maior abastecimento das mesas. 

Hoje, porém; enriquecidos de tão grandes progressos e conhecimentos, como explicar que ainda não tenhamos vencido a herança desumana de comer carnes? Podemos cultivar o sentimento de FRATERNIDADE UNIVERSAL aprovando, apoiando, participando ou sendo omissos diante da crueldade com que se sacrificam nossos irmãos menores, os animais? 

Não é uma incoerência, festejarem-se grandes datas nas quais reverenciamos o Senhor do Amor, do Perdão - JESUS CRISTO - sacrificando, para nossa mesa, vidas e vidas dos animais? Poderá ser agradável ao Senhor, que foi o maior paradigma da Compaixão, a destruição de seres que já possuem sensibilidade e conhecem o sofrimento justamente nas mãos dos que deveriam ser seus irmãos maiores, os homens?

 O vegetarianismo se impõe por questões de saúde, científicas e, sobretudo, porque corresponde a uma atitude de obediência à LEI DO AMOR. Seria muito interessante que pessoas ou organizações reproduzissem, de alguma maneira, esta publicação, fortalecendo esta corrente de solidariedade à vida animal no mundo.




Fonte: O Teosofista - Julho/Setembro de 1985( o texto chegou as nossas mãos de forma impressa, sem link)





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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Leon Tolstoy e os animais




  Leon Tolstoy




 


Se o homem aspira sinceramente viver uma vida real, sua primeira decisão deve ser abster-se de comer carne e não matar nenhum animal para comer.  

 

Falai aos animais, em lugar de lhes bater. 


O escritor russo Leon Tolstoy tornou-se vegetariano em 1885. Abandonando o esporte da caça; ele defendia o "pacifismo vegetariano" e era contrário a que se matassem mesmo as menores entidades vivas, tais como as formigas.

Ele sentia haver uma progressão natural da violência que conduzia inevitavelmente a sociedade humana à guerra. Em seu ensaio "O Primeiro Passo", Tolstoy escreveu que o consumo de carne é "simplesmente amoral, visto que envolve a execução de um ato contrário à conduta moral: matar". Tolstoy acreditava que, ao matar, " o homem suprime em si mesmo, desnecessariamente, a capacidade espiritual mais elevada - a de compaixão para com os seres vivos como ele - e, ao violar seus próprios sentimentos, torna-se cruel"

Como outros, Tolstói lamenta os que “olham e não vêem; ouvem e não escutam.” “Não existe”, escreve ele, “mau cheiro, som, monstruosidade aos quais o homem não consiga se acostumar a ponto de deixar” de ver, escutar e cheirar a aparência, o som e o odor do mal. 

Tolstói ouvira todas as razões antigas e conhecidas pelas quais matar animais
Boi branco
para comer é aceitável e até natural. Deus o permite. O costume o sanciona.
Seja o que for. Enfiar animais pela nossa goela é bom. Tolstói não pensa assim. 

Tolstói fez uma coisa que poucos de nós fizemos. Como recomenda Marti Kheel, ele foi diretamente à fonte do mal: visitou um matadouro. O cenário é a Rússia, a época, final do século XIX. “A princípio”, escreve ele:

“...senti vergonha (...) Ver com os meus próprios olhos a realidade da pergunta levantada quando se discute o vegetarianismo (...) Assim como todos sempre ficam envergonhados ao espiar um sofrimento que (...) não se pode evitar.” 

Uma vez no matadouro, Tolstói encontra trabalhadores que não gostam do seu serviço. Um açougueiro admite que comer carne não é necessário, Outro fica perturbado, “principalmente quando [os animais] são gado tranquilo, domesticado. Vêm, coitados, confiando em nós. É de dar muita pena.”  

Depois de observar horrorizado os animais maiores encontrarem o seu fim, Tolstói conta então que entrou “no compartimento onde os animais pequenos são abatidos — uma câmara com piso de asfalto e mesas com encosto, nas quais ovelhas e bezerros são mortos. Aqui o trabalho já quase terminou; na longa sala, já impregnada com o cheiro de sangue, só havia dois açougueiros. Um soprava a perna de um carneiro morto e batia no estômago inchado com a mão; o outro, um rapaz de avental emplastrado de sangue, fumava um cigarro torto. Não havia ninguém mais na câmara comprida e escura, cheia de um odor pesado. Depois de mim entrou um homem, aparentemente um ex-soldado, trazendo um jovem carneiro de um ano, preto com uma marca branca no pescoço, de patas amarradas. Este animal ele o pôs sobre uma das mesas, como se numa cama. O soldado velho saudou os açougueiros, que evidentemente conhecia, e começou a perguntar quando o seu patrão lhes permitiria ir embora. O camarada com o cigarro aproximou-se com o facão, afiou-o na borda da mesa e respondeu que estavam de folga nos feriados. O carneiro vivo estava ali deitado tão silencioso quanto o morto e inflado, a não ser por sacudir nervosamente o rabo curto e os lados a se alçarem com mais rapidez que de costume. O soldado baixou gentilmente, sem esforço, a sua cabeça levantada; o açougueiro, sem parar de conversar, agarrou com a mão esquerda a cabeça do carneiro e cortou-lhe a garganta. O animal tremeu e o rabinho endureceu e parou de abanar. O camarada, enquanto esperava o sangue correr, começou a reacender o seu cigarro, que se apagara. O sangue corria e o carneiro começou a agonizar. A conversa continuou sem a mínima interrupção. Era”, conclui Tolstói, “era horrivelmente revoltante.”

Para nós, hoje, seria um alívio descobrir que os matadouros de agora são menos “revoltantes” que aquele que Tolstói descreve. A verdade é bem outra, como documenta Gail Eisnitz em seu livro sobre a indústria americana do abate em geral, e do abate de porcos em particular. 

Suínos
O abate de porcos constitui uma variação do tema principal do setor de embalagem de carne. Os porcos são levados por um corredor estreito onde o “atordoador” lhes dá um choque elétrico que, supostamente, deixa-os inconscientes.  Então são presos a correntes pelas pernas traseiras, pendurados de cabeça para baixo e colocados numa esteira rolante onde encontram o “perfurador”, cujo trabalho é cortar a garganta dos animais. Depois de sangrar até a morte, os porcos são mergulhados num tanque de água fervente e depois eviscerados, sem que nunca recuperem a consciência. Pelo menos é assim que as coisas deveriam funcionar na teoria. Na prática, como Eisnitz descobriu depois de conversar com trabalhadores, o verdadeiro abate de porcos não combina com a teoria. 


Tom Regan - palestra no 1 Congresso Vegetariano Brasileiro e 

LatinoAmericano  

 

 

 

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