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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Occan,Hannibal Lecter e os Animais

William de Occan

 





 A navalha de Occan

A navalha de Occan , resumindo bem, é uma linha de pensamento lógico que nos incita a acreditar sempre que a resposta mais simples entre todas é a resposta correta. Neste caso poderíamos descartar todas as demais premissas que poderiam, porventura, nos mostrar que nem sempre a resposta mais simples é realmente a mais correta. Fechamos o pensamento ao escolher o "caminho mais curto" que nos parece, aparentemente , mais óbvio.

Um dos problemas desse modo de pensar é que ele gira em torno de uma subjetividade que não permite que todos vejam a mesma coisa , e por quê?

Porque muitas pessoas, subjetivamente, enxergam coisas diferentes. Quando vemos um animal, algumas pessoas podem apenas ver um cão ou um gato.Outras podem ver além desse corpo material e ver ali senciência e alma.Outras podem ver seres que irão evoluir, e assim por diante, ou seja, cada um dos observadores terá em mãos, uma premissa diferente, e, dependendo de quem se utilizar da navalha de Occam poderá ver apenas um corpo material desprovido de senciência.

Isso ocorre exatamente porque há nesse pensar dois tipos de princípios o da Pluralidade(onde vemos além do corpo animal), mas que dentro desse modo de pensar não deve ser utilizado se não houver necessidade, e o princípio da parcimônia, que nos diz que não há porque fazer mais quando se pode fazer menos, é mais simples olhar o cão e gato como corpos do que ir além e vê-los como algo além da matéria visual.

Ou seja, a Navalha de Occan, apesar de ser um modo de pensar considerado lógico, propicia a quem se utiliza dele maneiras de distorcer ou valorizar algo que cada subjetividade envolvida deseja; propicia um modo de criar evidências para assegurar que aquele pensando simplista esteja com a verdade.

Vamos usar um exemplo bem simples utilizando apenas uma frase:

 "A carne nutre a carne"

O que a Navalha de Occan, se  interpretada como colocamos no início faz nos fazer compreender?


Nos diz que:

Nós seres humanos encarnados, devemos nos alimentar de carne para nos mantermos vivos.


Mas podem haver outras respostas que evitamos como:

Nós seres humanos encarnados, devemos nos alimentar de seres que possuem alma, senciência e são nossos irmãos em evolução , para que possamos nos manter fartos.

Ou ainda

Nós seres humanos encarnados e materialmente pesados, sentimos ainda desejos e vícios materiais de nos alimentarmos com os corpos pesados, em termos de matéria, de animais que sabemos serem possuidores de alma, senciência, nossos irmãos em escala evolutiva inferior num reino pelo qual já passamos.

Podemos ver que na segunda e na terceira resposta usamos algumas premissas que não aparecem na primeira, mas que são fatos reais que apenas serão deixados de lado para que o pensamento "lógico " e subjetivo se concretize.

Não há , de certa forma e subjetivamente para algumas pessoas, a necessidade das premissas e/ou evidencias que surgiram nas respostas 2 e 3, portanto, seguindo-se a risca o pensamento em questão aceitaríamos facilmente a primeira resposta, a mais simples.

Pois como colocamos no inicio:

"A navalha de Occan é uma linha de pensamento lógico que nos incita a acreditar sempre que a resposta mais simples entre todas é a resposta correta."


Porém quem garante que a resposta mais simples é realmente a mais correta se deixamos lado tantas outras premissas e evidencias?

Somente a nossa subjetividade, nada mais.

Este o grande problema com este modo de pensar.

 

Hannibal, a carne nutre mesmo a carne?

Hannibal Lecter, a carne nutre mesmo a carne?

Hannibal Lecter, personagem criado pelo escritor Thomas Harris virou filme e depois série de TV.Trata -se um psiquiatra com um toque psicopata - devido a inúmeros problemas ocorridos em sua infância - refinado, elegante enigmático e ao mesmo sádico; Lecter quase chega a ganhar , literalmente, o coração do leitor. Um detalhe : Dr Lecter devora suas vítimas.

Vejamos então, pensando de modo subjetivo, se a carne ainda deveria se alimentar da carne a partir do momento que deixamos tantas premissas e evidências para trás.

Hannibal Lecter sofre de uma psicopatia perigosa que é o ato de matar e devorar pessoas, para ele a carne realmente necessita da carne.

Há , também aqui, premissas que serão utilizadas apenas porque trocamos de animais para humanos e nos obrigamos a dizer que o que Lecter faz é errado, mas não para a subjetividade dele. Esse o perigo do uso da Navalha de Occam, como vemos muitas pessoas fazerem ao dizer que "a carne nutre a carne" e ponto final.

Mas não é , necessariamente sobre os hábitos alimentares de Lecter que vamos falar, mas de uma ideia da qual ele se utilizou num dos capítulos do seriado, ao conversar com Will Grahan, julgado por assassinatos que não cometeu.

A vassoura de Occam...

Você ignorou intencionalmente os fatos que contestavam o seu argumento

Esperando que ninguém notasse

Você notou

Nesse ponto se encerra a conversa.

Notamos claramente como o pensamento "lógico" pode ser manipulado se for um pensamento simplista basta ignorar "intencionalmente (subjetivamente) os fatos que contestam seu argumento e torcer para que ninguém note.

"A carne nutre a carne"


Nós seres humanos encarnados, devemos nos alimentar de carne para nos mantermos vivos.

O que fizemos?

Ignoramos intencionalmente o fato da carne ser um animal, um ser vivo senciente e possuidor de alma , torcendo para que ninguém note esse pequeno detalhe, e infelizmente, a maioria realmente não nota.
 
Animais

Animais


Sabemos que podermos cair no fato triste de sermos repetitivos mas os animais são seres que possuem senciência que é a capacidade física e psicológica de sentir, possuem alma e são seres que estão no planeta para evoluir.

Apenas estas premissas  já deveriam ser mais do que suficientes para derrubarmos a mística e mitológica ideia de que a carne necessita da carne.

Isso pode ter ocorrido há séculos atrás, mas chega a ser jurássico acreditar nisso hoje em dia.

Claro que somos carne, claro que muitos de nós subjetivamente acreditam que sem carne o "homem perece e morre", mas nós somos encarnados covardes que pagamos para que outros façam o trabalho sujo de matar e fatiar por nós: eis nossa grande diferença com Hannibal Lecter.

Ele assume o que é e não tem medo de fazer o que faz, ao contrário, sente prazer, enquanto nós nos escondemos por detrás de belas palavras para descrever nossos crimes:

 "A carne nutre a carne"

Não

O homem assassina o animal.

Essa sim a cruel verdade por detrás dessa frase, e hoje, com grande tranquilidade , não permitimos mais que ninguém se esconda por detrás dela para continuar matando animais porque nossa conversa será tal qual a de Lecter e Grahan:

 

A vassoura de Occan

Você ignorou intencionalmente os fatos que contestavam seu argumento

Esperando que ninguém notasse

Pois é, nós , os defensores dos animais ,Notamos....





Simone Nardi 





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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Leon Tolstoy e os animais




  Leon Tolstoy




 


Se o homem aspira sinceramente viver uma vida real, sua primeira decisão deve ser abster-se de comer carne e não matar nenhum animal para comer.  

 

Falai aos animais, em lugar de lhes bater. 


O escritor russo Leon Tolstoy tornou-se vegetariano em 1885. Abandonando o esporte da caça; ele defendia o "pacifismo vegetariano" e era contrário a que se matassem mesmo as menores entidades vivas, tais como as formigas.

Ele sentia haver uma progressão natural da violência que conduzia inevitavelmente a sociedade humana à guerra. Em seu ensaio "O Primeiro Passo", Tolstoy escreveu que o consumo de carne é "simplesmente amoral, visto que envolve a execução de um ato contrário à conduta moral: matar". Tolstoy acreditava que, ao matar, " o homem suprime em si mesmo, desnecessariamente, a capacidade espiritual mais elevada - a de compaixão para com os seres vivos como ele - e, ao violar seus próprios sentimentos, torna-se cruel"

Como outros, Tolstói lamenta os que “olham e não vêem; ouvem e não escutam.” “Não existe”, escreve ele, “mau cheiro, som, monstruosidade aos quais o homem não consiga se acostumar a ponto de deixar” de ver, escutar e cheirar a aparência, o som e o odor do mal. 

Tolstói ouvira todas as razões antigas e conhecidas pelas quais matar animais
Boi branco
para comer é aceitável e até natural. Deus o permite. O costume o sanciona.
Seja o que for. Enfiar animais pela nossa goela é bom. Tolstói não pensa assim. 

Tolstói fez uma coisa que poucos de nós fizemos. Como recomenda Marti Kheel, ele foi diretamente à fonte do mal: visitou um matadouro. O cenário é a Rússia, a época, final do século XIX. “A princípio”, escreve ele:

“...senti vergonha (...) Ver com os meus próprios olhos a realidade da pergunta levantada quando se discute o vegetarianismo (...) Assim como todos sempre ficam envergonhados ao espiar um sofrimento que (...) não se pode evitar.” 

Uma vez no matadouro, Tolstói encontra trabalhadores que não gostam do seu serviço. Um açougueiro admite que comer carne não é necessário, Outro fica perturbado, “principalmente quando [os animais] são gado tranquilo, domesticado. Vêm, coitados, confiando em nós. É de dar muita pena.”  

Depois de observar horrorizado os animais maiores encontrarem o seu fim, Tolstói conta então que entrou “no compartimento onde os animais pequenos são abatidos — uma câmara com piso de asfalto e mesas com encosto, nas quais ovelhas e bezerros são mortos. Aqui o trabalho já quase terminou; na longa sala, já impregnada com o cheiro de sangue, só havia dois açougueiros. Um soprava a perna de um carneiro morto e batia no estômago inchado com a mão; o outro, um rapaz de avental emplastrado de sangue, fumava um cigarro torto. Não havia ninguém mais na câmara comprida e escura, cheia de um odor pesado. Depois de mim entrou um homem, aparentemente um ex-soldado, trazendo um jovem carneiro de um ano, preto com uma marca branca no pescoço, de patas amarradas. Este animal ele o pôs sobre uma das mesas, como se numa cama. O soldado velho saudou os açougueiros, que evidentemente conhecia, e começou a perguntar quando o seu patrão lhes permitiria ir embora. O camarada com o cigarro aproximou-se com o facão, afiou-o na borda da mesa e respondeu que estavam de folga nos feriados. O carneiro vivo estava ali deitado tão silencioso quanto o morto e inflado, a não ser por sacudir nervosamente o rabo curto e os lados a se alçarem com mais rapidez que de costume. O soldado baixou gentilmente, sem esforço, a sua cabeça levantada; o açougueiro, sem parar de conversar, agarrou com a mão esquerda a cabeça do carneiro e cortou-lhe a garganta. O animal tremeu e o rabinho endureceu e parou de abanar. O camarada, enquanto esperava o sangue correr, começou a reacender o seu cigarro, que se apagara. O sangue corria e o carneiro começou a agonizar. A conversa continuou sem a mínima interrupção. Era”, conclui Tolstói, “era horrivelmente revoltante.”

Para nós, hoje, seria um alívio descobrir que os matadouros de agora são menos “revoltantes” que aquele que Tolstói descreve. A verdade é bem outra, como documenta Gail Eisnitz em seu livro sobre a indústria americana do abate em geral, e do abate de porcos em particular. 

Suínos
O abate de porcos constitui uma variação do tema principal do setor de embalagem de carne. Os porcos são levados por um corredor estreito onde o “atordoador” lhes dá um choque elétrico que, supostamente, deixa-os inconscientes.  Então são presos a correntes pelas pernas traseiras, pendurados de cabeça para baixo e colocados numa esteira rolante onde encontram o “perfurador”, cujo trabalho é cortar a garganta dos animais. Depois de sangrar até a morte, os porcos são mergulhados num tanque de água fervente e depois eviscerados, sem que nunca recuperem a consciência. Pelo menos é assim que as coisas deveriam funcionar na teoria. Na prática, como Eisnitz descobriu depois de conversar com trabalhadores, o verdadeiro abate de porcos não combina com a teoria. 


Tom Regan - palestra no 1 Congresso Vegetariano Brasileiro e 

LatinoAmericano  

 

 

 

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