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quarta-feira, 15 de março de 2017

Vingança ou compaixão- parte 2

Cavalo Negro



Será que já descobrimos o que desejamos dos animais quando vamos a palestras que falam sobre eles? Queremos saber por que sofrem ou se possuem "alma"? Queremos saber se habitamos corpos de animais e se eles, os animais, um dia em seus espíritos evoluindo, chegarão a hominais (os espíritos , não os corpos físicos)? Ainda temos dúvidas sobre isso? Mas o que desejamos deles quando ainda encarnados: Vingança ou Compaixão?

Vingança, explico eu, é quando fazemos porque eles passem pelas mesmas torturas pelas quais passamos - e aqui abro um apêndice importante, pois sabemos que muitas pessoas dizem que o sofrimento é necessário para a evolução espiritual, mas acho que devemos nos lembrar das sábias palavras de Jesus : " O escândalo há de vir, mas ai daquele por quem o escândalo vier " ; seremos nós então os causadores da dor nos animais? Seria correto? Sabemos que levam anos a fio para que saiamos dos minerais e ingressemos nos vegetais, depois animais, depois hominais, depois angelicais, etc e tal, mas vamos nos concentrar na Terra, como se pudéssemos aumentar a velocidade de evolução no Planeta.

Habitamos os corpos de animais no ano passado, evoluímos para hominais esse ano, porém, o que fazemos com os espíritos daqueles que estagiam no reino dos animais hoje? Matamos, comemos, vestimos, abandonamos, maltratamos, usamos seus corpos vivos em pesquisas, enjaulamos, adestramos com crueldade e os transformamos em palhaços para que nos alegrem.

Essa é a nossa vingança, nós habitamos corpos de animais um dia, nós sofremos, agora que vocês estão animais, sofram...

Ou queremos compaixão para com esses nossos irmãos?Acho desnecessário explicar a compaixão, afinal somos espíritas e sabemos que a caridade nasce da compaixão.Nós sofremos, não queremos isso para vocês...

Os seres humanos impuseram que os animais não são inteligentes para que pudessem ser aproveitados em todos os ramos, afinal,como se poderia fazer mal a um ser que é inteligente?Seria imoral não é? Bem mais fácil a um ser que não pensa, nem tem sentimentos, nem dor.

Mas a Ciência provou o contrário e agora? E quanto ao que Kardec disse: "Quando a ciência demonstrar que o espiritismo estiver errado em um ponto, ele se modificará neste ponto", Como reagir diante disso agora?

Como negar o que a ciência nos diz ou ir contra o que Kardec pediu? Será que não é hora de pensarmos, de revermos nossos conceitos, ver se nós mesmos não mudamos a Doutrina para que ela fique a nosso favor.Mas como esquecer que a Doutrina tem três pilares a serem seguidos:
Filosofia. Ciência.Religião.

A Filosofia nos faz pensar, refletir em nossas ações: É certo maltratar um animal, seja para qualquer fim? A Ciência nos mostra que eles evoluíram, possuem uma inteligência, e mais do que isso, possuem sentimentos: É certo ignorarmos a ciência então?

A Religião nos pede amor, compaixão, há quanto tempo temos ignorado tudo isso só porque resolvemos acreditar que somos seres à parte na Criação Divina : É certo termos compaixão apenas com quem amamos?

Se Deus é soberanamente bom.Sendo bom, não pede a morte, se a permite, é porque o principio inteligente do homem também não se desenvolveu para a vida.

Há 200 anos a carne nutria a carne, hoje a carne causa o aquecimento global. Evoluímos? Sim, descobrimos que os animais pensam, sentem dor e o pior talvez, possuem sentimentos; como ainda podemos matar um ser que possui sentimentos, apenas enraizados numa frase como "a carne nutre a carne", ignorando totalmente o que Kardec nos pede? Alguns seres humanos conseguem.

1- Se a Doutrina admite que os animais são nossos irmãos, porque foram criados por Deus, devemos respeitar sua Criação não destruí-la.Nós matamos, destruímos, pesquisamos!

2- Se a Doutrina admite que os animais possuem alma, que se individualiza e mantém sua individualidade após a morte, como André Luiz sempre narra, temos ainda mais como espíritas, o dever de protegê-los, respeitá-los e não abusar deles.Abusamos!

3- Se a Doutrina admite que a carne faz mal durante os dias de sessões, por que ignorar que no restante na semana, embora longe do CE, ainda somos os mesmos médiuns e passamos a ver o bife, não como um animal que Deus criou, não como um animal que possui alma individualizada, não como um animal que está aqui para aprender e a evoluir, mas apenas como um principio inteligente que Deus criou para nos alimentar.Se Deus é bom, como admitir que Ele criaria uma espécie para reinar e outra para sofrer?

Hoje se sabe que a ciência admite que os animais conquistaram a inteligência, mas não vejo necessidade de um "ser vivo" passar a ser ou não inteligente para que possamos respeitá-lo e protegê-lo.

Existem aqueles que diferenciam os humanos dos não humanos, agora imaginem os anjos se diferenciando de nós, míseros seres em perpetua evolução, estou ouvindo-os dizer:
"São macacos, jamais o deixaram de ser!"

Mas os anjos possuem uma coisa que ainda não conquistamos: COMPAIXÃO Sem ela, nada será maior do que nós, nada reinará mais do que nós, nada sobreviverá a nós, nem mesmo, nós mesmos. Respeitamos que cada um tem o seu tempo de mudar, por isso mesmo não devemos nos calar, a semente só germina se for plantada no coração.

"O Deus átomo repousa nas rochas,
cresce nas plantas,
anda nos animais,
pensa nos homens,
ama nos anjos.
Por isso, respeite:
As rochas como se fossem plantas,
as plantas como se fossem animais,
os animais como se fossem homens
e os homens como se fossem anjos."

Simone Nardi


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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Espiritismo X Aquecimento Global

Luz sobre as Montanhas, foto de Sebastião Salgado

O amigo leitor deve estar se perguntando: O que tem haver o espiritismo com o aquecimento global?Ora, tudo! O que aprendemos na Doutrina?

Amar ao próximo.

Caridade - fora da caridade não há salvação, essa frase nunca foi tão correta quanto nesse momento -.

Compaixão.

Ação e reação.

Não importa o que digam algumas pessoas, a Terra é também nosso próximo, a quem devemos, ou deveríamos, querer o bem. Sendo um organismo vivo e que nos permite a vida, deveria ser respeitada e amada por todos.

A Caridade e a Compaixão para com a Terra deveria ser a primeira lição de nossas vidas, pois Ela é Mãe zelosa, nosso abrigo, nossa casa enquanto encarnados.

E o que fazemos então com essa mãe gentil?

Roubamos seus recursos, esgotamos suas fontes, desperdiçamos suas águas e poluímos seu ar, sem nos lembramos de uma coisa: Ação e Reação.

Nós agimos a Terra reage. E Ela finalmente, apos tantos anos de desrespeito, está reagindo e sua reação reflete-se agora, em nosso modo de viver. Ela nos coloca agora, de um modo firme, o freio que nunca tivemos. Nos impõe a força, a consciência que rejeitamos ao nos separarmos Dela, ao nos acharmos mais importantes que Ela.

Assim como nosso organismo reage diante de um vírus invasor que nos causa mal ao roubar nossa energia e vitalidade, a Terra reage contra aqueles que tentam destruí-la, e reage da única forma que pode reagir. O aquecimento global, o derretimento das geleiras, a acidez dos oceanos que levará a morte dos peixes, nada disso são pragas Divinas, são apenas reações de umorganismo vivo que luta para sobreviver, que tenta expulsar de si, um vírus letal : O homem.

A extinção de várias espécies não é plano Divino, é a intervenção do homem na Natureza que muda o rumo natural das coisas.Não adianta mais apontarmos para Deus, alegando que estava escrito e coisa e tal, quando nós mesmos sabemos que foram nossas ações que nos levaram à isso, a verdade é que, estamos aos poucos “matando” a Terra.Nós, não Deus.

Quem em sã consciência destruiria a casa onde reside, manchando as paredes, colocando fogo nos armários, escavando o jardim ou derrubando paredes?Porém, é isso o que, no dia a dia, fazemos com a Terra.Queiramos ouvir isso ou não, somos todos responsáveis, em graus diferentes, pela reação Dela contra nós.

E o leitor ainda poderá indagar: E o que eu, uma gotinha no oceano, poderei fazer?

Amar. Respeitar. Espalhar essa semente de caridade e compaixão pela terra. Passar a sentir-se realmente parte Dela ao invés de apenas viver Nela.

Amar ao próximo, não fazer a Terra àquilo que não gostaríamos que fizessem a nós.Isso é caridade, isso é compaixão, isso é amor.

Os governos não terão a solução final para o mal que já foi feito sem o auxilio da população, e nós, todos nós, nos mais simples gestos, podemos auxiliar na cura da Terra. Economizar água, luz, deter as queimadas e recuperar o verde, frear o consumo de carne, posto que a pecuária é uma das maiores responsáveis hoje, pelo aquecimento do Planeta.Há tantos pequenos gestos que podem ajudar.

A compaixão pela Terra é a única coisa que poderá nos salvar do extermínio. Estamos destruindo nossa casa, nossa escola de aprendizado, um dos muitos caminhos que nos levará ao Pai.A caridade com seus recursos naturais, o amor por Ela, o respeito, tudo nos levará a trilhar novamente o caminho do bem.Devemos nos lembrar que nosso Divino Mestre Jesus nos preparou uma linda moradia e com que cara iremos responder a Ele um dia, quando Ele nos perguntar:

– Que fizestes da Casa que vos dei com tanto amor?
A hora de agir é agora, a Terra pede socorro, sejamos caridosos e dignos da morada que Jesus nos ofereceu, não voltemos às costas para a voz que clama por socorro.Nós somos Terra, e Ela, como tudo que existe, é Centelha Divina. Amar a Obra é amar o Criador.


Simone Nardi




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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Expansão da Esfera Moral - Parte 2

Cobra


“O Homem branco não pode ter direito, em razão de sua cor, a escravizar e tiranizar um homem negro... Da mesma forma, o homem não tem direito natural de abusar e atormentar um animal.”
Humphrey Primatt






Terminamos a primeira parte do artigo com a seguinte frase : “Não somos “diferentes” somos apenas seres “singulares”. E o que significa isso para nós? Significa que, diferentemente do que venham nos ensinando há séculos, animais humanos e não-humanos não são criaturas diferentes, mas apenas singulares, com singularidades que as definem e não que as tornem diferentes a ponto de uma ter poder sobre a outra, de forma a criar-se uma discriminação moral por isso ou por aquilo, mas singularidades que nos ensinem o respeito, de forma a que possamos viver lado a lado umas com as outras. Outro autor, não espírita também, e que nos fala sobre isso é Andrew Linzey ,Teólogo , que além de tudo que Primatt já havia dito, assegura que além da forma externa ser irrelevante, não há qualquer outra diferença moralmente satisfatória para que os animais não sejam incluídos em nossos fundamentos éticos, acima de tudo é mais um autor que defende a compaixão humana para com os seres que sofrem. Compaixão : “Além de evitarmos o pior, devemos praticar o bem, em outras palavras, além de não causarmos dor e sofrimento aos animais, devemos agir com compaixão para com eles.”

Agir com compaixão, amar, acolher, auxiliar aos que sofrem, essas foram muitas das palavras deixadas por Jesus de Nazaré, palavras que encontramos no Evangelho Segundo o Espiritismo, palavras que correm por inúmeras páginas de livros espíritas ou não, e que rodeiam todas as nossas ações norteando-nos rumo ao bem.

O que todos esses autores desejam nos mostrar? Que, e agora falando espiritualmente, já que nos encontramos num reino superior onde a inteligência e a razão nos guiam, onde sabemos que temos uma capacidade mental acima dos demais e nos assumimos como mais evoluídos em relação aos demais reinos, trazemos para nós mesmos uma “Responsabilidade Moral” muito maior para com as demais criaturas, ou seja, esse “refinamento intelectual”[1] essa “evolução espiritual” nos obriga a sermos “Moralmente Éticos” com as criaturas que sentem dor e sofrem e não ao contrário.

Os animais, ainda falando espiritualmente, não devem ser apenas respeitados por estarem sujeitos as percepções da dor e do sofrimento, mas sim por dividirem conosco essa Centelha Divina que nos torna o que somos, filhos de Deus; por vermos neles o que fomos num passado distante, e não importa se essa distância que nos permeia esteja deles para nós como de nós para Deus,o que não podemos é negar o que fomos para aliviar nossa culpa pelo seu sofrimento.

Ao considerarmos apenas uma razão para que nos tornemos diferentes deles, estamos agindo como seres antropocêntricos, como se fôssemos a medida de todas as coisas, indicando o que é bom em nós e o que é ruim neles ao invés de escolhermos o contrário, afinal em muitas coisas os animais são superiores a nós.

Somos todos Centelhas Divinas, somos todos seres em evolução, sabemos que a cor da pele, o tamanho, a forma, não são mais critérios para se diferenciar quem deve ou não fazer parte de nossa esfera moral. A partir disso, nos outorgamos, mesmo que sem querer, uma responsabilidade enorme para com os animais não-humanos, é nosso dever moral cuidarmos deles, haja vista que são nossos irmãos, haja vista que os fazemos sofrer e somos os únicos capazes de libertá-los desse sofrimento. Sabendo disso agora, devemos pensar em como agir e em como aliviar a dor de nossos irmãos. Mudar faz parte da nossa evolução.


Simone Nardi


15/01/2010



Referências Bibliográficas 




KARDEC, Allan – Evangelho Segundo o Espiritismo – Editora FEB
KARDEC, Allan – Livros Dos Espíritos – Editora Feb
KARDEC, Allan – Céu e Inferno – Editora FEB
COURRIER, Jimmy – Ampliação da Comunidade Moral - Texto original em : http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/772779
SCHUTEL, Cairbar – A Gênese da Alma - Editora FEB
MARCONDES , Danilo - Textos básicos de ética - Jorge Zahar Editor


Notas
[1] Richard Ryder –“ o refinamento intelectual implica no dever do ser refinado em tratar bem os animais”. Ryder, em acordo com Primatt, afirma que a visão antropocêntrica que considera a razão o critério responsável para selecionar os membros da comunidade moral é discriminadora.




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sexta-feira, 30 de maio de 2014

A missão pedagógica da Filosofia rumo a Libertação Animal


Coruja, símbolo da sabedoria e da filosofia


"A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter,
e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com
os animais não pode ser um bom homem."
Arthur Schopenhauer


Sempre que relaciono Filosofia e Libertação Animal, recordo-me de duas grandes frases que ficaram gravadas em minha mente: "Aprender Filosofia ou aprender a filosofar"1, e a segunda de peso ainda maior, que foi dita pela filósofa Sônia T. Felipe durante uma palestra sobre o Estatuto Moral dos Animais, em meio a mestres, doutores e alunos de filosofia: "E o filósofo não pensa"2. Por aí vemos que uma relação muito forte prende as duas questões: Como pensar, senão através do aprendizado, e como aprender se não conseguimos pensar? É claro que para que o futuro filósofo pense acerca da Libertação Animal, é necessário que ele aprenda algo sobre esse assunto. Contudo, obras de filósofos que falam sobre a Libertação Animal permanecem distantes da grande maioria dos alunos de Filosofia, discussões acerca dessas questões, segundo alguns professores, serão tratadas mais adiante: "...quando aprendermos sobre o antropocentrismo e sobre o antropomorfismo"; porém, acredito que seja difícil dizer que alguns não saibam, mas aprendemos a ser antropocêntricos logo no primeiro dia de aula.

O Ser3 filosófico é Humano e o não Ser, é animal, ou seja, não existe, não possui valor moral nem pode ser encarado com respeito, afinal, inexiste. "A razão é o que separa os homens dos animais", nos disse Aristóteles. "O homem é a medida de todas as coisas", nos disse Protágoras, "das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são", ou seja, somos a lei, somos as tradições, violem elas ou não as vidas alheias dos que não nos são iguais, criamos e revertemos todas as regras conforme desejamos.

Homem como medida de todas as coisas
E a Libertação Animal permanece longe dos bancos catedráticos como se fosse um estigma a sociedade, como se não fosse importante, não fazendo parte de nada que se refira a Ética, como se fosse ético matar e como se fosse ético proporcionar dor. Por isso um dos conceitos mais importantes na formação da Filosofia para a Libertação Animal é a Pedagogia - caminho a ser trilhado -, pois esse processo educativo pode levar tanto a opressão como a libertação, podemos não acreditar, mas existem filósofos que não possuem qualquer respeito para com a Natureza e para com a vida dos animais, sem contar que a grande maioria é antropocêntrica, não se dedicando ao estudo da moral e da ética em relação aos animais. E a Filosofia busca a todo o momento, pela eticidade dos homens, esquecendo que fazemos parte de um círculo muito maior do que o dos "divinizados" seres humanos. Libertar o homem de sua "maldade", livrar o homem de sua mão opressora através da visão de Mundo, essa é a tarefa principal da Filosofia na busca por uma ética da Libertação Animal, e por Libertação Animal devemos compreender a "Nossa Libertação", pois que também somos animais e necessitamos dessa liberdade para enxergarmos a verdade; conduzir bem esse processo de modo a que possamos nos encaminhar a Libertação e não mais a opressão, é a real tarefa da Filosofia. Através do método pedagógico, de formação, através dessa troca de conhecimento, a Filosofia poderá apresentar ao aluno todas as facetas de uma ética desprovida do antropocentrismo e de qualquer vaidade filosófica, pois os professores, seus alunos, enfim, cada pessoa já é em si mesma, formadora de opinião. Somos todos seres influenciadores e seres influenciados, pois ao mesmo tempo que interferimos no Mundo, pedagogicamente, sofremos interferências dele, também pedagogicamente. Por isso a importância dessa mudança na visão educacional dentro da Filosofia, pois a formação da sociedade tem inicio no nascimento de cada indivíduo, onde somos forjados para marginalizar os animais, a explorar seres que julgamos inferiores, principalmente quando não fazem parte da mesma espécie a qual pertencemos; nossos pais,esses os primeiros pedagogos, foram ensinados a não verem nada além da existência humana, e passaram essas lições adiante.

A difícil missão da Filosofia é agora:


1° - Libertar-se do preconceito e da vaidade

2° - Passar adiante a verdade, tal como ela é, sem espelhar-se em sua "opinião pessoal", deixando que o aluno considere o que lhe é mostrado, que problematize e compare o que aprendeu desde a infância, com aquela nova revelação que lhe surge

É certo matar animais? Por quê? Baseado em quê? Pode-se viver perfeitamente saudável sem a ingestão de vísceras de animais? Se sim, por que nos ensinaram o contrário? 

Boi
Quem lucra com a matança? Qual a ligação entre o abate de animais e a fome mundial? 

É possível mesmo acreditar na existência de uma ética que continue privilegiando uns e oprimindo outros?

Essa á função da Filosofia, fazer o futuro filósofo se questionar, buscar respostas, criar novos sistemas filosóficos não mais antropocêntricos. Privilegiar a Vida em nome da Ética e a Ética em nome da Vida.

"A vontade de poder-dominação define o perfil do ser humano das sociedades modernas". (Nietzsche).


A Filosofia ainda está presa a muitas tradições, dominada pelo antropocentrismo filosófico dos grandes homens que a fizeram nascer, existe uma ética do corpo, porém de corpos humanos, enquanto corpos de animais se avolumam num holocausto bárbaro sem fim. Mas, "o filósofo não pensa", e precisa recomeçar a pensar, pois é assim que a verdadeira Filosofia deve ser trabalhada, estudada e praticada.

"Aprender não é o bastante, é preciso praticar". (Bruce Lee)


É dever da Filosofia, através da pedagogia, "bem" dirigir os indivíduos rumo a uma ética que liberte animais humanos e não humanos, eis aí o caminho para a verdadeira Libertação Animal.




Referências Bibliográficas

FELIPE, Sônia T. - O estatuto dos animais na comunidade moral humana - Projeto Kairós- Umesp.2008
RAMOS, Cesar Augusto - Aprender a filosofar ou aprender a Filosofia: Kant ou Hegel?
BARNES, Jonathan - Filósofos Pré-socráticos.



NOTAS
1 Artigo de Cesar Augusto Ramos, onde ele traça um paralelo entre os pensamento de Kant e Hegel, diante do ensino da disciplina de Filosofia.
2 Colóquio Kairós-Umesp
3 Referência casual a Parmênides e ao Ser.Segundo ele o Ser é(existe), o não Ser, não é (não existe) e não se pode falar sobre algo que inexiste.





Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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quarta-feira, 30 de abril de 2014

O Bom Samaritano

 

Parábola do Bom Samaritano


Compaixão, era isso que Jesus desejava ensinar na narrativa da Parábola do Bom Samaritano, e que tal ato deveria ser aplicado por todos, a todos que dela necessitassem, somente assim estariam cumprindo as leis Divinas de amara ao próximo.

O contexto de próximo  é bem mais amplo do que gostamos de aceitar, e hoje podem haver novas formas de narra a mesma parábola, ensinando ainda o que é o dever da compaixão pelo próximo.



A Parábola do Bom Samaritano no Século 21















OBS: Usamos um espírita, um católico e um ateu. Qual o motivo? Nenhum, poderíamos escolher qualquer outra religião na qual muitos de seus adeptos desconsideram os animais e seus vidas ou ateus que igualmente os desconsideram, mas tal como Jesus teve a opção de escolher entre um sacerdote, um levita e um samaritano, preferimos escolher aqueles cujos textos, já circulam pelo nosso Blog.Muitos espíritas sabem que os animais possuem alma, mesmo assim os devoram em suas refeições diárias. Muitos católicos sabem que os animais são criaturas divinas, nem por isso os consideram como irmãos.Os Ateus, muitas vezes são desconsiderados apenas por não seguirem uma religião.Apenas uma abordagem metafórica, que não deseja criar atritos e sim despertar mentes adormecidas.

Samaritano, eram odiados e considerados indignos 

Sacerdote, senhor das leis

Levita, extremamente religioso




Quadrinhos By SN



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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A Estrela (Conto)


Chico levantou bem naquele dia. O sol brilhava no firmamento e uma leve brisa tocava-lhe o rosto. Era dia de trabalhar, Deus já estava trabalhando, por isso ele precisava se apressar, era um mero instrumento do Criador, por isso levantou-se e dirigiu-se ao trabalho.
Logo na esquina presenciou uma discussão entre um casal. Ela dizia que tudo estava terminado, que o odiava. Indeciso sobre prosseguir ou não, Chico aproximou-se do casal, com tranquilidade inspirou-lhes o amor, a cautela, a compaixão, minutos depois o casal já conversava mansamente demonstrando o imenso amor que nutriam um pelo outro.
Mais adiante, enquanto Chico se encaminhava para seu trabalho, passou por dois motoristas que se ofendiam mutuamente por causa de uma pequena colisão. Mais uma vez Chico, nosso amigo, resolveu parar. Sua voz suave e seu toque sereno acalmou os dois homens que acabaram se perdoando mutuamente pela distração. A discórdia acabou e ambos seguiram para seu trabalho em clima de união.
Chico sorriu e continuou.
Seus olhos alegres se depararam então com a velha senhora jogada ao chão. A vestimenta rota, as mãos calejadas e o rosto vincado pelo sofrimento. Ele sentiu a amargura daquela alma, as dúvidas em seu coração mas Chico não teve duvidas, aproximou-se da mulher e conseguiu despertar-lhe o sentimento de luta, de coragem, de fé. A velha abraçou-o e afastou-se disposta a enfrentar suas dores tendo a Fé como escudo.
Chico seguiu para o trabalho.
O sol ainda brilhava.
Mas logo deparou-se novamente com outro problema. Um homem acusava um garoto de ter-lhe roubado a carteira. Chico olhou ao redor, o homem estava errado. Ele deu a volta e viu a carteira no chão, apanhou-a e devolveu-a ao homem mostrando lhe que a carteira caíra e não que fora roubada. Essa era a verdade.
E Chico continuou a andar e em seu caminho encontrou uma mãe que chorava a perda do filho, foi então que lhe falou da vida eterna, do mundo espiritual e do reencontro entre as almas afins, renovando-lhe desta feita, as esperanças. Transformando a tristeza em alegria e as trevas em luz.
Foi quando Chico chegou ao seu trabalho. Um senhor de certa idade logo veio encontrá-lo e abriu o portão para que ele entrasse . Com o olhar orvalhado Chico sentiu o abraço do querido amigo.
— Está atrasado hoje, Chico. Mas venha, venha logo meu amigo, as crianças o estão aguardando.
Chico entrou reconhecendo cada um daqueles rostinhos. Alguns choravam e Chico se aproximava para consolá-los. Alguns se sentiam abandonados e incompreendidos, assim como Chico se sentia as vezes,mesmo assim ele os ouvia e os compreendia. Chico amava, sem necessitar ser amado.
Dava o melhor de si sem esperar receber algo em troca. Perdoava o que lhe faziam dia após dia, pois sabia que quando morresse o Criador lhe daria uma nova vida, a vida eterna.
Ao final do exaustivo dia de trabalho, Chico agradeceu o alimento oferecido pelo querido amigo e partiu.
Tinha que repousar também
      Esse cachorro vem aqui todo dia! –falou a faxineira.
      Pois é, é o trabalho dele.- Falou o senhor fechando o portão.
      E para onde ele vai quando sai daqui?
      Ninguém sabe. Há anos ele vem até o orfanato. Era pequeno quando veio pela primeira vez, estava doente e eu cuidei dele, depois ele passou a brincar com as crianças e nunca mais deixou de vir aqui. Muitas delas tinham problemas de fala, de choro e hoje falam e não choram mais quando ele chega. As vezes acho que ele traz a cura para todos os males delas.
      Mas é só um cachorro.
      É ! - sorriu o velho vendo o amigo sumir na rua- É só um cachorro.
Chico esgueirou-se para o vão da velha padaria e deitou-se, de onde estava conseguia ver bem as estrelas. Estava ansioso, aliás, como sempre ficava.
Lembrava-se pouco de sua vida, sabia apenas que fora abandonado ainda filhote nas ruas da cidade, o velho ancião o socorrera, abrigara e alimentara, mas também não tinha um espaço para que ele ficasse. Ninguém tinha. Chico lembrava-se também que pensara em se matar, estava cansado de ser incompreendido pelos humanos, humilhado e maltratado, até que um dia aquela estrela caiu do céu.
Lhe disse tantas coisas e o ensinou a viver, dizia que os homens precisam aprender a viver também e que cabia a ele: Chico, o cão das ruas, ensinar.
Disso ele jamais se esqueceria, da doce oração que a estrela fizera ao seu lado, da compaixão que vira em seus olhos e do amor que transbordava em suas palavras.
Chico remexeu-se e olhou o céu. Uma delas começou a brilhar mais e o cão abanou o rabo todo feliz quando a luz esmaeceu e transformou-se num homem que se aproximou dele com um sorriso meigo nos lábios.
Chico rastejou até ele e lambeu-lhe os pés, por sua vez, o homem curvou-se em sua direção e tocou-lhe a cabeça .Depois sentou-se ao seu lado e seus lábios proferiram a oração que Chico já conhecia. E a cada linha, o velho cão de rua lembrava-se do que acontecera durante o dia:
Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz : sim, Chico era o instrumento do qual o Criador se utilizava para instruir os homens.
Onde houver ódio que eu leve o amor: o casal que brigava na rua, ele se aproximara e roçara na calça da jovem, fora o bastante para fazê-la pensar e mudar de opinião.
Onde houver ofensas que eu leve o perdão: os motoristas que discutiam, Chico começara a latir para chamar-lhes a atenção, os dois o viram e ouviram, sorriram e se perdoaram.
Onde houver discórdia que eu leve a união: sim ele interrompera a discussão com seus latidos insistentes.
Onde houver dúvidas que eu leve a fé: a velha senhora que achava que tudo havia acabado, mas que, quando Chico se aproximara dela, ela como que despertara de seu torpor, achando que o cão era um sinal, renovando-lhe a fé que ainda havia em seu coração.
Onde houver erro que eu leve a verdade: a carteira que ele encontrara caída no chão.
Onde houver desespero que eu leve a esperança: a pobre mãe que perdera momentaneamente a esperança de rever o filho amado.
Onde houver tristeza que eu leve a alegria: inspirado pela estrela guia que o acompanhava, a mãe compreendeu que a vida não terminava ali.
Onde houver trevas que eu leve a luz : das trevas de sua tristeza, surgiu a luz de uma nova alegria.
Oh Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado: quantas noites ele não passara sozinho.
Compreender que ser compreendido: quantas humilhações não passara.
Amar, que ser amado:  ele amava aquelas crianças.
Pois é dando que se recebe: dava à elas o pouco que tinha.
É perdoando que se é perdoado: perdoava que o velho ancião não lhe desse abrigo.
E é morrendo que se vive; mas sabia que um dia morreria.
Para a vida eterna
Chico sorriu e recebeu um abraço do homem que se transformou novamente em luz . Luz que virou estrela e passou a brilhar na imensidão do céu. Depois aninhou-se em seu leito de madeira e adormeceu, aquela candura do homem ainda embalava seus sonhos e a tranquilidade dele, invadia-lhe o coração, Chico não sabia quem era ele, só sabia que aquela estrela tinha o mesmo nome dele:
Francisco, Francisco de Assis!







Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.






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