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quarta-feira, 19 de março de 2014

A Reencarnação dos Animais no Mundo Espiritual

Gato vet


Cláudio Yudi Kanayama 

 



Platão e Aristóteles
 



A metáfora de Platão, o “Mito da Caverna”, ainda é atual, porquanto a grande maioria da humanidade, infelizmente, ainda se encontra com a visão do mundo distorcida, materialista, na condição de ignorância sobre o mundo espiritual e demais dimensões.

O mundo espiritual foi amplamente abordado no célebre livro “Nosso Lar”, do espírito André Luiz, através de Chico Xavier. As revelações da cidade espiritual de Nosso Lar mostrou uma nova dimensão, sua organização social e política, homens e mulheres comuns sem a vestimenta carnal, numa demonstração clara que a vida continua. Passados quase 70 anos da primeira edição do magnífico livro, hoje temos a obrigação de aprofundar diversas questões que ficaram nas entrelinhas do referido livro e nos subsequentes da série do autor espiritual.

Um dos temas que traz à luz muita discussão entre os adeptos espíritas é a reencarnação do mundo espiritual, inserida nos livros da lavra mediúnica de Inácio Ferreira. Para auxiliar no entendimento desse tema transcendental, queremos abordar sob um novo ângulo: os animais no mundo espiritual.

André Luiz
Encontramos a curiosidade de André Luiz, no livro “Nosso Lar”, em relatar a presença de cães, muares e aves, curiosamente chamadas de “íbis viajores”, que auxiliavam as caravanas no resgate de espíritos sofredores nos planos umbralinos, para as Câmaras de Retificação, situadas na cidade de Nosso Lar. O mesmo autor espiritual ficou surpreso no livro “Os Mensageiros”, em observar com atenção a presença de cavalos no Posto de Socorro situada em região umbralina, que tracionavam carruagem de modelo muito antiga, no auxílio do transporte de trabalhadores locais. Cães “inteligentes e prestimosos” auxiliavam trabalhadores especializados descrito no livro “Ação e Reação”.

A mesma curiosidade de André Luiz é também relatada por Dr. Inácio Ferreira no livro “Na próxima dimensão”, onde em visita à cidade de Nosso Lar, observa um ninho num galho de árvore de uma ave semelhante ao rouxinol. A surpresa do médico ficou registrada em diálogo com outro médico, André Luiz, - sim, o próprio -, que explica a presença do ninho na árvore.

A partir dessa breve revisão, é possível avivar para as seguintes assertivas:
- Os animais estão presentes nas dimensões superiores próximas à Terra vivendo, colaborando e evoluindo juntamente com os humanos e outros animais. Não apenas em uma dimensão, mas diversas dimensões;

- Os animais, cães, cavalos e pássaros, tem o ciclo de vida mais curto, quando comparado com os humanos na Terra, o que deve ser semelhante nos planos superiores. Portanto, o períspirito dos animais também desgasta-se e morre, como afirma André Luiz no livro “Evolução em Dois Mundos”;

- Não necessariamente os animais no plano espiritual “descem” para reencarnar na Terra quando morrem nas dimensões espirituais, podem reencarnar novamente nas mesmas dimensões onde se encontravam anteriormente. Se há presença de animais vertebrados - tanto machos e fêmeas – nessas dimensões, com a presença de genitálias externas. É factível a cópula e a geração de novos organismos dentro do útero materno, com a formação do feto e placenta, e a expulsão do filhote no momento do parto. Em outras palavras: a fêmea acasala, fica prenha e pare no mundo espiritual!...;

- Há trabalhadores que devem ajudar os animais nas dimensões superiores na criação, treinamento e saúde dos animais que possuem quaisquer serviços de auxílio aos espíritos inferiores. Caso contrário, os tratadores de animais, peões, zootécnicos, médicos veterinários, pesquisadores, geneticistas, treinadores de animais entre outros profissionais estariam todos automaticamente desempregados nas dimensões superiores após a desencarnação;

- Ressalta-se também o auxílio dos seres Elementais na participação e auxílio dos animais nas diversas dimensões espirituais, assim como na Terra;

- Se há pássaros e os seus ninhos no plano espiritual, também deve haver o seu alimento para aves adultas e filhotes, como insetos, caramujos e minhocas. Ou as aves tomam sopa fluidificada?

Se os animais continuam ter a vida como na Terra, por que com os homens e mulheres fora do corpo seria diferente? Charles Darwin afirmou que a evolução das espécies, na Terra, podem levar milhares de anos. A simples troca de plano espiritual não vai mudar a morfologia, capacidade cognitiva e a libido dos seres. A evolução não dá saltos!

Despertar nas nossas sombras íntimas dentro da caverna do nosso “eu”, sair da escuridão e observar a grandeza das Leis Divinas, no passado, presente e futuro não é sandice. Os espíritas devem refletir na medida em que estudam, meditam e praticam o evangelho redivivo, que Cristo nos deixou, não somente para apreciar, mas para melhorar, trabalhar e ajudar os outros irmãos na evolução íntima, sendo a caridade o guia mais seguro.


Lembremos, enfim, o nascimento de Jesus ao lado de animais numa simples manjedoura improvisada, ao lado de Maria e José. Recordemos que o seu nascimento veio tornar a Terra um orbe de consciências despertas, tendo fé raciocinada e assumindo o controle mental da própria vida. Com Jesus todos os dias. 









O Autor: 

Cláudio Yudi Kanayama


Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Uberlândia. Especialista em Docência Universitária pela Universidade de Uberaba. Mestre em Ciências Veterinárias em Produção Animal, linha de pesquisa de Biotécnicas e Eficiência Reprodutiva na Universidade Federal de Uberlândia. Atualmente é professor titular da Universidade de Uberaba. Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Morfologia animal, Animais Silvestres/Selvagens, homeopatia e bem-estar animal. Docente do curso Ciência Biológicas, licenciatura, EAD. Atua no atendimento ambulatorial e cirúrgico de animais silvestres/selvagens no Hospital Veterinária de Uberaba e resgate da fauna em parceria com a 5ª Companhia da Polícia Militar Independente de Meio Ambiente e Trânsito de Uberaba.
LATTES


 

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Os animais perdem a consciência ao desencarnarem?

 



 

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Protetores de Animais X Acumuladores


Protetor : animais bem cuidados


Temos recebido através do FALE CONOSCO muitos comentários a respeito de protetores e acumuladores de animais, devido ao tratamento muitas vezes , mal dado da imprensa sobre esse assunto, por isso vamos estudar o que é um e o que é outro.

 

 

 

 

Protetor de Animais


Há um texto muito esclarecedor no blog de nossa amiga Lilian Rockenbach O que é ser um protetor de animais, que pode ser lido para aumentar a compreensão sobre o assunto.

Em suma, protetor , seja ele de uma Ong ou Independente, é uma pessoa que passou a enxergar no animal o seu Outro, aquele que sofre, que necessita de auxílio e proteção.Todos trabalham para se manter e poder manter seus animais. Esses animais recolhidos muitas vezes em péssimas condições são tratados, vermifugados, vacinados, castrados e , quando há possiblidade, são doados.

Por que colocamos quando há possibilidade?

Porque além de especistas há um racismo místico dentro desse especismo que envolve os seres humanos. As pessoas que estão dispostas a adotar normalmente querem cães pré-escolhidos: Filhotes. Cães/gatos de raça. Preferencialmente Brancos. Os cães pretos ou marrons ficam no fim da fila, com poucas chances de adoção. Os Aleijados ou velhos, quase sem nenhuma chance de adoção. Gatos pretos devem ser doados com muito cuidado, mas a maioria dos protetores que os recolhe prefere ficar com eles para que não sejam mortos por superstições idiotas.

E o que fazer com estes animais? Devolve-los as ruas para que morram atropelados, envenenados ou queimados nas mãos de algumas "crianças"?

Não, depois de arcar com os cuidados veterinários o protetor, responsável por aquela vida, continua a cuidar daquele animal.

Na maioria das vezes os protetores que possuem vários animais os mantém bem cuidados, alimentados e com cuidados veterinários em dia e se fica com alguns é porque não encontrou pessoas de bom coração que pudessem dar um lar a quem já sofreu muito.Há um gasto financeiro alto e vamos frisar: Os protetores gastam muito e não contam com a  ajuda de quase ninguém, ao contrário, o que mais encontram pelo caminho são pessoas que muitas vezes os criticam sem saber do que realmente falam.

Já recolhemos e tivemos amigos que recolheram cães em péssimas condições de saúde como osteosarcoma, tumores de câncer pelo corpo inteiro, bicheiras na região crânio facial, animais atropelados, cães com fratura exposta no fêmur, cães queimados, cães velhos, cegos, surdos, femeas que foram violentados por seres "umanos",cães com problemas de coluna que são deixados nas marginais para morrerem atropelados, ou seja, não fomos com certeza os primeiros a nos deparar com estes cães, mas fomos aqueles que tiveram coragem de estender-lhes as mãos.

 

Protetores são vegetarianos?

 

Cartaz fazendo alusão a protetores que comem carne: Não  faça a obra pela metade

Deveriam ser, mas infelizmente nem todos são, mas é uma questão de consciência que acaba por levar a todos ao vegetarianismo cedo ou tarde.

O protetor de animal é então aquela pessoa comum,que tem um emprego porque precisa de dinheiro para sobreviver, que precisa dormir/descansar como qualquer outra pessoa, que necessita se alimentar e que conseguiu ver no animal um ser senciente e não um objeto de orgulho/diversão, mas uma vida que precisar ser preservada. 

Seu dia não é maior que o dia das pessoas "comuns", ou seja, aquelas que não estão habituadas a enxergar os animais e suas necessidades( colocamos pessoas comuns porque a maioria é assim). Ele não ganha mais dinheiro que a maioria. Não precisa de menos descanso ou tem mais privilégios que qualquer outra, mas está sempre trabalhando, descansando pouco e sendo muitas vezes insultado por não ser "Comum". Por não ser solipcista. Por não pensar apenas em si mesmo. O mesmo "cara" que o ofende é o "cara" que o chama quando tem um animal do qual quer se livrar, é o mesmo "cara" que lhe vira as costas após receber ajuda e que não está disposto a gastar um centavo de ração para auxiliar o outro.

Mas o protetor de animal sobrevive sem a ajuda de muita gente.

Acumuladores de animais

 

Imagem:Animais engaiolados


Diferentemente de protetores de animais, os acumuladores ( seja de animais ou não) são pessoas com transtornos psicológicos que devem ser tratados, e é essa compulsão que os faz terem uma grande necessidade de acumular animais, objetos, lixo entre outras coisas.

Ao contrário dos protetores, os acumuladores não conseguem se separar dos animais, não se preocupam em castrá-los e na maioria das vezes não cuidam deles e nem do local onde vivem. A separação forçada pode levá-los a violência, ao choro e a depressão, por isso tratar-se de um problema psicológico e não de um ato de proteção. Aquele animal lhe pertence, é seu , não importa como viva, o que importa é que esteja com ele independentemente das condições. Acumular é uma carência mais emocional do que propriamente um trabalho de recolhimento, tratamento e doação.

Acumuladores não são organizados, não participam de feiras de doação,não colocam cartazes em clínicas e pets anunciando doações e nem sequer pensam na possibilidade de doarem seus animais; na maioria das vezes acabam acumulando tantos animais que não possuem capacidade nem para abrigá-los e nem para alimentá-los, que dirá dar à eles um tratamento veterinário digno/castração. A casa, desorganizada e com excesso de animais mal cuidados é o que acaba por afastar do acumulador parentes e amigos, que deveriam estender-lhe as mãos para que ele possa receber ajuda médica adequada.

Embora muitas vezes amigos/família de alguns protetores de animais também se afastem deles, se afastam por outros motivos, o principal deles é por não gostarem de animais, por não aceitarem que o protetor faça esse trabalho, por não aceitar que o protetor gaste dinheiro com animais e talvez o principal, para não ajudar nem a ele nem aos cães. Um protetor de animal não tem tempo para viajar, ao contrário, é um "trabalho" de 24 hs.

Como se pode ver a diferença entre um é outro é enorme, protetores se preocupam com o bem estar dos animais, os recolhem, cuidam e tentam encontrar um lar adequado a quem já foi abandonado. Acumuladores possuem animais os quais não castram,por isso ocorrem crias que geram mais filhotes, mais adultos que geram mais crias e assim inconsequentemente, até que não seja mais possível nem ao acumulador nem aos animais sobreviverem no mesmo espaço.

Em um o bem do Outro está em primeiro lugar, no segundo o bem do acumulador é que está sendo privilegiado.

Animais em péssimas condições e em meio a sujeira

 A causa deste distúrbio, normalmente, é a ansiedade, por depressão, baixa auto estima, e deve ser tratada por um médico que irá indicar os medicamentos corretos, já que o acumulador não percebe que está doente.
Mas ambos necessitam de auxilio o acumulador para receber tratamento adequado e o protetor para poder salvar mais vidas.

Pensar e refletir sobre as próprias palavras e sobre as próprias ações pode evitar muitos desentendimentos.


Simone Nardi






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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Animais não são "coisas"

Foto: Husky Siberiano




     Cada vez mais, o amor e o respeito pelos animais tem se tornado tema de livros, reportagens de TV e filmes. No âmbito espírita, também é crescente a preocupação em destacar que é chegado o tempo em que devemos modificar nossa maneira de agir em relação aos nossos irmãos ditos  "irracionais". André Luiz, em sua obra “Missionários da Luz”, traz-nos, de maneira esclarecedora, que virá o dia em que os estábulos serão considerados sagrados, assim como nosso Lar. Ele quis dizer, com sua afirmação, que virá o dia em que compreenderemos a real dimensão dos que nos estão abaixo na escala evolutiva e respeitaremos, como de fato, merecem, esses nossos companheiros de jornada que, ao longo da história, tanto tem nos ajudado nesta grande caminhada rumo à evolução. 



     Ao analisarmos a presença dos animais em nossas vidas, podemos notar que essas criaturinhas de Deus nos dão lições de amor, fidelidade, solidariedade e muitos outros sentimentos, que até bem pouco tempo não eram tão evidentes para os seres humanos, por não reconhecerem que ali, naquele corpo rudimentar, existe um ser senciente, dotado de alma. 

Para que esse conceito fique claro, é importante explicar que a senciência é definida como a presença de estados mentais que acompanhem as sensações físicas. Ela é um atributo fundamental para todos os animais, por estes estarem separados de sua fonte de alimentos e, portanto, só existe neles. Por isso é considerada uma característica típica e definidora dos indivíduos do reino animal. É um conceito que combina os termos “sensibilidade” e “consciência”. Diz-se de organismos vivos que não apenas apresentam reações orgânicas ou físico-químicas aos processos que afetam o seu corpo (sensibilidade), mas, além dessas reações, possuem um acompanhamento no sentido em que essas reações são percebidas como estados mentais positivos ou negativos. É, portanto, um indício de que existe um “Eu” que vivencia e experimenta as sensações. É o que diferencia INDIVÍDUOS VIVOS de meras COISAS VIVAS. (Ver verbete senciência em: http://www.sentiens.net/top/PA_GLOSSARIO_top.html).

"Quanto maior o grau de autoconsciência, maior é a percepção que o animal tem do tempo e, portanto, maior o dano que se causa a ele ao tirar-lhe a vida – pois, desse modo, ele não perde apenas a vida, mas todos os planos que tem para o futuro.".

     A senciência é uma característica que está presente apenas em seres do reino animal. O sinal exterior mais amplamente reconhecido de senciência é a dor e, dessa forma, esse conceito – ou sua ideia – tem sido usado, há tempos, como fundamento para a defesa da proteção dos animais contra o sofrimento, ou para a atribuição de direitos morais a estes. Por exemplo, Gerem Bentas, no século XIX, já dizia que o que deveria ser considerado no debate sobre o dever de compaixão dos seres humanos perante animais não era se estes eram dotados de razão ou linguagem, mas se eram capazes de sofrer. No entanto, é bastante controverso, mesmo entre ativistas e estudiosos dos direitos animais, quais animais podem ser considerados sencientes. A senciência é amplamente reconhecida em todos os animais vertebrados – portadores de sistema nervoso central -, o que inclui quase todos os animais usados comumente pelo ser humano em suas atividades. Essa definição, porém, enfatiza apenas um critério para a existência de senciência: a manifestação (a nós, perceptível) da dor.

Existem, porém, outros sinais exteriores que evidenciam que outras espécies de animais experimentam o mundo de forma individual, como a existência de órgãos sensoriais que indicam uma necessidade de interpretar imagens, sons ou odores captados a partir dos respectivos sentidos. Esse conceito abrange não apenas animais vertebrados, mas também animais invertebrados, como insetos, moluscos e aracnídeos. Portanto, corresponde a todos os animais que são tradicionalmente usados pelo ser humano. Por essa definição, apenas esponjas seriam animais não-sencientes.

     Pode-se ainda usar o conceito como uma forma de definir todos os seres do reino animal: é também provável que o conceito de senciência esteja vinculado à própria condição de ser um animal – seres que se separam de sua fonte de provimento ao nascer e precisam buscar o alimento por movimento próprio. (Ver verbete Senciência em: http://www.sentiens.net/top/PA_GLOSSARIO_top.html).

     Desse modo, as correntes mais abrangentes do movimento pelos direitos animais defendem que, pelo princípio da senciência, se reconheça direitos morais a todas as espécies de animais, sem distinção, e se conceda o benefício da dúvida àquelas espécies cujo conhecimento da sua biologia não permita uma conclusão definitiva sobre a presença de senciência.

     Não se deve confundir senciência com autoconsciência, que é o conceito que define a consciência que o Eu tem de ser um indivíduo pensante, separado dos demais seres. Esse conceito de origem kantiana é enfatizado principalmente por Peter Singer, que o emprega para estabelecer um critério hierárquico entre os seres sencientes cujos interesses entrem em conflito. 

Para Singer, quanto maior o grau de autoconsciência, maior é a percepção que o animal tem do tempo e, portanto, maior o dano que se causa a ele ao tirar-lhe a vida – pois, desse modo, ele não perde apenas a vida, mas todos os planos que tem para o futuro. A autoconsciência geralmente é “constatada” pelo teste do reconhecimento no espelho. Tal teste, porém, tem como referência aquele sentido que é, de modo geral, privilegiado pelos seres humanos, e como tal, negligencia o fato de que outros sentidos (como o olfato ou a audição) são mais importantes para determinadas espécies animais. Assim, ele é tido como um método especista e antropocêntrico de se auferir a autoconsciência de um animal. Sabe-se, por exemplo, que o cão não “passa” no teste do espelho e, no entanto, reconhece os indivíduos de sua espécie primordialmente através do olfato.

     Gary L. Fracione, por sua vez, usa o conceito de senciência como o critério fundamental e suficiente para garantir direitos morais aos animais não-humanos.

     Ante o exposto, conclui-se que os animais são merecedores de nosso respeito e nossa compaixão, não só por serem criaturas de Deus, mas por sentirem e amarem como nós. Já podemos encontrar na literatura espírita alguns autores que nos trazem bastante material para reflexão e esclarecimento. Existem também algumas casas espíritas que notaram a grande necessidade de auxiliar não só os animais enfermos, mas também seus tutores (“donos”). Isso porque eles, profundamente ligados aos seus amigos bichos, também necessitavam receber explicações sobre a espiritualidade dos animais. Esses esclarecimentos levaram mais confiança na Justiça Divina e conforto a seus corações. 

     Nos textos que virão, trataremos de vários assuntos relativos aos animais, sugerindo livros, contando casos verídicos e muito mais!  Até a próxima. 


Fernanda Almada, 

.......uma das protetoras mais valentes que já conheci





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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

APRENDENDO O QUE QUEREM

Imagem: Borboleta nas mãos


Em defesa dos animais muitos são, poucos, bem poucos o fazem. Por que isto acontece??

Por razões de impossibilidade, por sermos poucos e “loucos”?

Em defesa sim.... de espécies animais que são tão ou mais superiores do que os seres humanos. Defendo a ideia de que o tempo nos levou muito do jeito animal que éramos e nos trouxe a escuridão interior em que vivemos.

Um evento que me chamou a atenção sobre como nos privamos de nosso meio maternal, como não entendemos mais os sinais da mãe natureza foi, o tsunami ocorrido na Indonésia em dezembro de 2004, todos os animais do parque ecológico do Sri Lanka fugiram antes da chegada das ondas, não foi registrada a morte de animais selvagens, tendo em vista que milhares de seres humanos morreram neste dia; o que será que os animais possuem e o ser humano não?? Ou o que será que o ser humano não tem e os animais sim?

Creio que a pergunta correta seria: O que será que o ser humano perdeu ao longo do tempo e os animais não?

Com a modernidade veio a ganância, o ser humano deixou de se considerar animal, agora nos achamos semi-deuses, que tudo o que existe em nosso planeta foi nos dado, para que dele tiremos o máximo de tesouros possíveis.

Tiramos dos índios que aqui viviam o que de mais precioso possuíam, a terra, os escravizamos e os usamos como bem entendemos, não importava então o que eles sentiam, afinal de contas, quem eram eles?? Não sabiam falar a língua dos estrangeiros, não tinham modos sociáveis, não deviam sentir dor, sentimentos, com certeza “humana” também não, demos nomes e se tinham alguma cultura ou sociedade, não nos importamos em saber, tiramos deles tudo o que podíamos e o que não devíamos. Hoje em dia o engraçado, se não fosse triste, é que continuamos a forçá-los com nossa maneira de sobreviver, afinal de contas, quem são eles?

Da mesma maneira como fizemos com os índios, que são seres humanos também, fazemos com os animais, principalmente para o nosso bel prazer, os escravizamos colocando-os em jaulas, zoológicos, gaiolas, laboratórios e este último, grande causador de disputas éticas por aqueles que se negam a aceitar tamanha ignorância de pessoas ditas “sábias”, e pessoas ditas “sábias” que se negam a mudar seu modo de agir por pura conveniência; animais não podem se defender, assim como os índios, também não sabem falar a língua dos seres "humanos", por causa disso são e sempre foram explorados de forma a garantir o sucesso de uma única espécie (a raça "umana").

Sempre foi assim, o homem com o passar do tempo se afastou do principal e partiu em busca do irreal, nessa busca perdeu valores e tirou das futuras gerações o direito de terem , de serem realmente animais humanos.

Saibamos antes de mais nada, que tudo é tudo, e nada é nada, PARA TODOS!!



Anderson Pacheco, estudante de Ciências Biológicas 




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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Abolição sim, segregação jamais

"Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio."   Mahatma Gandhi
Não é minha intenção que esse texto seja encarado como um texto bem-estarista, o que ele não é, mas por ser abolicionista de toda e qualquer forma de violência, não poderia deixar de comentar sobre uma nova violência silenciosa que se aproxima de nós. Sei que muitos irão falar contra o que escreverei, porque ninguém se julga segregador ou racista, ou violento, ninguém aceita que diz uma coisa e que, muitas vezes, caminha na contramão do que fala. Sempre é algo difícil e polêmico falar sobre os erros que podemos cometer, sobre as fraquezas que exercitamos; sempre é muito difícil falarmos que somos racistas ou que, mesmo sem querer, pregamos de modo delicado uma nova forma de segregação, uma violência como outra qualquer.

"Não-violência não quer dizer renúncia a toda forma de luta contra o mal. Pelo contrário. A não-violência, pelo menos como eu a concebo, é uma luta ainda mais ativa e real que a própria lei do talião, mas em plano moral." (M. Gandhi)

Sabemos que todo e qualquer preconceito é abominável, pois acaba gerando a segregação de determinados "indivíduos1" por parte da sociedade. Essa atitude em relação a outros membros, sejam eles animais humanos ou animais não humanos, normalmente provêm da intolerância, da busca pelas diferenças e não pelas singularidades2 que podem "Unir" ao invés de "Separar", os seres.

"O conceito da diferença estabelece uma ruptura entre os seres dignos e os indignos de consideração e apreço morais". (Sonia T. Felipe)

Nenhum preconceito que exclui indivíduos lhes é favorável diante da sociedade; a exclusão causa revolta e o excluído pode se voltar contra o segregador, gerando conflitos que a História já demonstrou, foram desastrosos para a humanidade. Segregar, seja pela aparência, pela fé religiosa, pela espécie, já é gerar uma violência que vai fazer com que esse "alvo" sofra as consequências dessa discriminação. Essa preocupação de separar, de discriminar os que não nos são iguais, de causar "dor"3, já é demonstração de intolerância, se pseudo-superioridade e porque não dizer, mediocridade.

Ao longo de toda a História da humanidade assistimos perplexos, o nascimento de inúmeros tipos de segregações que levaram com eles, as vidas de famílias inteiras e pior, muitas vezes não notamos que ajudamos nessa segregação de forma sutil ao concordarmos que existem diferenças entre os seres. Essa busca pela diferença é sempre a responsável pelas discriminações, pelas segregações, posto que a segregação em si, envolve um "Q" de superioridade, de supremacia de um ser diante de outro. Se pincelarmos a História, veremos que o sexismo nasceu dessa diferenciação, o racismo da cor, o anti-semitismo, as guerras religiosas, todos buscavam separar o que deveria ser "superior" do que lhes parecia ser "inferior", essa a base do especismo que hoje tentamos abolir. Para compreendermos melhor, basta lembramos que a mulher foi um dos seres mais subjugados da História, desde a criação Bíblica até hoje, e essa subjugação ocorre ainda em muitas culturas. A mulher já foi tida como um símbolo do mal, perseguida, torturada e morta por aqueles que a julgavam diferente, por aqueles que a achavam inferior. Durante quatro séculos, mais de 100 mil mulheres foram mortas, segundo alguns historiadores, para torná-las dóceis e submissas. Ainda hoje em muitas culturas é notável a subjugação violenta das mulheres através da mutilação genital das meninas4, tal absurdo só poderá ser evitado com a mudança de mentalidade dos grupos sociais que a praticam, tal como a eliminação total do especismo.

O anti-semistismo também nasceu como semente, delicadamente plantada nas mentes das pessoas, não era algo assustador no início, apontava apenas dificuldades na convivência com uma raça aparentemente "diferente", com costumes e origens diferentes. Durante o Holocausto, ninguém mais se lembrava de como o anti-semitismo,que fora alimentado durante séculos[5] e que se iniciara silencioso, explodira numa das maiores carnificinas que a História viria a conhecer.

Outra segregação que persiste até os dias atuais são as guerras religiosas, que ainda hoje matam milhares de pessoas em todo o Planeta, a intolerância, a "dificuldade" de convivência, torna as pessoas "diferentes", intolerantes, segregadoras:

"Em 1766, em Abbville, França, um adolescente foi acusado de cantar canções não-religiosas que zombavam da Virgem Maria, estragar um crucifixo e permanecer de chapéu enquanto passava uma procissão religiosa. Criticar a Igreja era ação punível com a morte. O garoto, Chevalier de La Barre, foi condenado a ter a língua cortada e a mão direita decepada, e a ser queimado na fogueira.[...] O Parlamento demonstrou misericórdia, permitindo que o jovem fosse decapitado, em vez de mutilado e queimado vivo.Primeiro ele foi torturado[...] e então executado."

As Cruzadas, hoje romantizadas em filmes, demonstram a intolerância humana diante da opção religiosa, e que permanece segregadora até hoje, detalhes, meras diferenças de opiniões, fazem desatar um banho de sangue de algo que deveria levar os homens ao bem, tudo devido ao fanatismo que os torna intolerantes e segregadores:

"Os homens nunca praticam o mal de modo tão completo e animado quando o fazem a partir da convicção religiosa". (Blaise Pascal)

Poderíamos colocar a frase de Pascal de outro modo, inteligível para determinadas atitudes que acompanhamos nos dias de hoje, e sobre o delicado assunto que queremos tratar:

"Os homens nunca iniciam uma segregação de modo tão completo e animado quando os fazem a partir de suas convicções."

É simples compreendermos o que inicia uma segregação:

Hitler queria segregar o povo alemão, para ele, uma raça hiperbórea, perfeita, "Ariana". O conceito de homem hiperbóreo de Nietzsche não segrega apenas um povo específico, é universal, ou seja, engloba todas as criaturas que pelo mundo todo, tem a coragem de se auto-determinar fortes e livres dos preconceitos moralistas, principalmente dos de sua época, pois para ele, a moralidade enfraquecia o ser humano. Podemos notar aqui que ele não faz disso uma bandeira a favor nem da segregação, nem da separatividade dos povos.Mas Hitler decifrou assim este conceito, trazendo para o seio de sua ideologia está idéia de separatividade através da propaganda ativa, em que exortava o povo alemão a exclusão dos demais povos. Tudo isso em nome de uma IDEIA.

Essa "separatividade" é o que define a exclusão de quem quer que seja, em nome de uma doutrina, ideologia, comunidade, religião. Em nome de uma pseudo-verdade[6] que só existe na mente de quem não pertence a Unidade7, ao todo que é o Universo, ou mesmo de uma verdade real - como combater o especismo.

"Sempre que um povo ou alguém se sente eleito e portador de uma mensagem única, corre o risco da arrogância e cai facilmente nas tramas da lógica e da exclusão."8

Pensar em separatividade é ir à contramão de tudo o que se pretende nesse momento, onde os animais humanos e animais não humanos têm a necessidade urgente de caminhar rumo a uma fraternidade. Não queremos tecer críticas, mas levantar questionamentos a respeito da eficácia de se segregar ao invés de lutar para unificar.

Seitas racistas rechearam a História com sangue e dor, a luta pela supremacia branca da Ku Klux Klan, criada a partir da "diferença de cor" entre brancos e negros, que extorquía, incendiava casas, assassinava negros e brancos em nome de algo que jamais deveria existir: a diferença entre os seres.

E veio a escravidão, a homofobia, a xenofobia, o especismo e começa a se desenvolver ainda de forma sutil, um novo tipo de segregação, tão perigosa quanto qualquer outra e que busca mais uma vez a diferença, uma espécie de "nutricismo"9 que não aceita determinadas opções alimentares. Essa discriminação alimentar que sutilmente vem sendo pregada em forma de frases ou discursos ainda discretos, aplaudido por muitos que não perceberam o seu real aspecto discriminatório, tudo com base na opção de cada individuo, seja vegetariano ou onívoro, trabalha igualmente como todas as demais discriminações a qual já comentamos, ou seja, a identificação do ser superior diante do ser inferior,a separatividade, a diferença sempre regida pela intolerância de que "eu sou o ser supremo diante do outro", " eu estou do lado da verdade, do lado do bem", e isso nós já sabemos, é um mito, e qualquer um que queira se colocar como diferente, recai na segregação, na discriminação, no erro de se achar superior a qualquer outro, pois ao estabelecer sua superioriodade diante de outro, ao se afastar daquele ser que lhe parece inferior ou diferente, estabelece aí uma certa, "hierarquia", que deve ser seguida pelos seus iguais, rejeitando tudo aquilo que lhe for, mais uma vez, "diferente".

É certo que o veganismo ainda não é a perfeição alimentar, por não incluir as plantas como seres vivos que também desejam viver10, porém o que vemos, por enquanto em algumas poucas pessoas, são pensamentos que tingem de maneira grotesca essa luta pelo fim do especismo, criando "um outro", igualmente segregador. Essa "rachadura", essa nova barreira no movimento de Libertação Animal (Veganos X Vegetarianos X Onívoros) não veio para fortalecê-lo como alguns podem acreditar, ao contrário, poderá enfraquecê-lo e desacreditá-lo diante do grande rebanho11 social, ávido para macular a causa. Quando apontamos para um vegetariano e dizemos que ele não luta pela causa porque ainda se alimenta de ovos e leite, nós simplesmente fazemos o mesmo que os onívoros fazem com os animais, nós segregamos, nós buscamos o que os difere de nós, veganos, nós desrespeitamos o fato de que todo "Ser" tem uma condição e uma opção, seja certa ou errada, que o leva, ou infelizmente não, a mudar. O desrespeito é o primeiro passo para a intolerância e para a segregação de um movimento que luta por uma coisa tão magnífica: a igualdade ética e moral entre animais humanos e animais não humanos, o respeito à dignidade e a vida. Não podemos obrigar que alguém seja como somos, não podemos desrespeitá-lo com o risco de incorrermos nos mesmos erros dos especistas, o desrespeito pela espécie.

"Nada mais longe do meu pensamento que a idéia de fechar-me e erguer barreiras." (M.Gandhi)

Segregar é o ato de separar, e a causa deve ser unida, se nos apartarmos totalmente dos vegetarianos e dos onívoros, em que realmente seremos melhores do que aqueles com os quais "lutamos"? Não podemos permitir que o remédio, acabe sendo pior que a doença chamada especismo.

"O vírus que ataca não é o mesmo que cura". (L. Boff)

Reconhecemos que nos é difícil aceitar pessoas falando em comer carne com tamanha ignorância ao assunto12, mas muitos de nós, que escapamos desse "rebanho", já nos debatemos dentro dele alegando coisas semelhantes, e mesmo para os que nasceram em famílias já veganas, é possível, através, de sua própria dificuldade em aceitar o onivorismo, ver como é difícil para alguns onívoros se tornarem veganos. A convivência não é impossível, a convivência nada mais é do que um campo de aprendizado, de auxílio e de ajuda àqueles que não possuem força para escapar da imposição social sozinhos. De qual outro modo poderemos mostrar-lhes que é possível uma vida totalmente isenta de crueldade se nos colocarmos acima deles, se os excluirmos de nossas relações sociais? Lembrando que a segregação é exatamente isso, a separação, a divisão, as barreiras que criamos para determinados indivíduos dentro de grupos sociais, restringindo com o tempo, ou o deles ou o nosso acesso, a lugares que eles igualmente frequentam13.

Se começarmos a colocar na cabeça das pessoas que para um vegano, é difícil a convivência com um vegetariano que toma leite e coma ovos ou com um carnívoro despreparado para deixar o rebanho imediatamente, iremos começar uma segregação. Lembrando que na maioria das famílias, temos apenas uma ou duas pessoas veganas14, fato que diminui no círculo de amigos, no trabalho e no círculo estudantil; se colocarmos nossas opções alimentares como uma relação dificultosa erguendo uma barreira diante daqueles que achamos, não nos são iguais, o que faremos diante desse convívio social do qual fazemos parte? A convivência, pode parecer estranha para ambos, porém deve ser pacífica e respeitosa, não há grupos, não há diferenças, há Indivíduos, principalmente dentro da luta pelos Direitos dos Animais, e tal como a mutilação genital, o fim do especismo só vai terminar quando houver a mudança da mentalidade a respeito da igualdade entre os seres, mas não pela discriminação, pela acusação ou pela intolerância. A grande maioria dos veganos foi onívora, foi vegetariana e hoje é vegana; amanhã, com esforço, seremos todos frugívoros, pois no campo biocêntrico15 toda forma de vida é respeitada, e as plantas fazem parte desse todo, e não nos admiramos de encontrar veganos que, diante do biocentrismo, se tornam tão especistas em relação às plantas quanto os onívoros em relação aos animais pelo simples fato de que ainda, tal como os especistas, não estarem preparados moralmente para mudar; mais uma vez, cai à diferença e surge a singularidade. Poderíamos então imaginar os frugívoros nos discriminando, sem respeitarem nosso entendimento diante dessa nova ética; será que nos sentiríamos bem?

Precisamos ter muito cuidado com o que se falamos, uma só frase dita errada e se lançarão vozes bradando contra esse trabalho árduo de fazer as pessoas compreenderem que não são indivíduos privilegiados por serem racionais, afinal, os maiores genocídios da História ocorreram pelas mãos de seres racionais. Num trabalho como esse, é sempre melhor ser acusado do que acusador é sempre melhor ser ridicularizado do que ridicularizar. Nosso intuito dentro do campo de trabalho é unificar não segregar, isso já é feito pelo rebanho social que nos cerca e do qual conseguimos escapar, porém temos pais, mães, filhos e amigos encarcerados lá. O segregador por si mesmo, causa dor, e nós lutamos para evitar que qualquer dor aconteça a qualquer ser, seja ele animal ou hominal. Não se pode matar um preconceito gerando um novo.

"Não podemos submeter ninguém ou incorporá-los a nossa visão de vida por mais correta que esteja". (L. Boff)

E reformulando um dos muitos pensamentos desse teólogo, poderíamos ainda frisar, alterando um pouco a frase original que: Não podemos transformar nossas convicções em dogmas a serem impostos as demais pessoas, instaurando uma fraternidade de terror contra toda diversidade de pensamento, nada mais inimigo da Libertação Animal, do Abolicionismo, do que esta censura na solidariedade universal e a negação da aliança sob cujo arco-íris todos, e não somente alguns, se encontram.16

O veganismo em si, já se traduz no princípio da não violência, incluindo em sua comunidade moral quase todas as formas de vida, e deve agir conforme fala, pois do contrário sua luta será vazia e nunca atingirá seus objetivos: Exterminar as Diferenças. Veganismo é uma filosofia de "Respeito à Vida", diante disso ele deve ser o primeiro a respeitar. Se fugirmos disso, não seremos melhores, mas seremos piores que qualquer outro segregador, pois como poderemos trazer a intenção de igualdade se não agimos com igualdade para com os outros?

"Unir a mais firme resistência ao mal com a maior benevolência para com o malfeitor. Não existe outro modo de purificar o mundo."(M. Gandhi)

Somos todos abolicionistas17, somos todos seres singulares, e como tal devemos abolir do movimento qualquer pensamento segregador18 que o afaste de seu real objetivo: ver o triunfo da vida através da igualdade e do respeito entre todos os seres.

"Conviver com os homens é mais terrível que com os deuses.E ninguém conhece a epopéia mais dolorosa que a de moldar, dia a dia, clara e verdadeira, a fugitiva condição humana.Não basta pregar: é necessário fazer, para que os homens se convençam. Não basta fazer entender: é necessário provar." (Cecília Meireles)

Essa a nossa mais difícil missão dentro de uma sociedade que não se tolera e que ainda não possui qualquer moral para construir um Ser ético. Nós buscamos por esse Ser, e para tanto, sermos éticos é o que nos tornará mais fortes. Aprendermos a ser éticos não é o bastante, é necessário que apliquemos esse conhecimento no campo mais difícil de todos: O convívio social.







Referências Bibliográficas

FELIPE, Sonia T. - Diferenças ou Singularidades? - Disponível em www.anda.jor.br. - Colunistas. Colóquio Kairós. O Estatuto Moral dos Animais - UMESP 2008
HAUGHT, James A. - Perseguições Religiosas.
CORNWELL, John - o Papa de Hitler
ROSENBAUM, Ron - Para Entender Hitler - A Busca das Origens do Mal
KRAMER, Heinrich - SPRENGER , James - Malleus Maleficarum
ABBAGNANO, Nicola - Dicionário de Filosofia.
NIETSZCHE, Friedrich - Assim Falou Zaratustra . Os Pensadores
GANDHI, Mohandas K. - Autobiografia: Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade
BOFF, Leonardo - Ecologia:Grito da Terra, Grito dos Pobres

N. A.: Colaborador do artigo: Antonio Simões, formado em Ciências Sociais e pôs-graduado em Filosofia


NOTAS
1 Queria colocar que ao escrever Indivíduos, significativamente nesse texto, uso tal conceito tanto para animais humanos quanto para animais não humanos.
2 Artigo Diferença ou Singularidade . Sonia T. Felipe.
3 A dor nem sempre pode ser encarada como proveniente, unicamente, de uma força física sobre o corpo, mas também de uma força psíquica, que agride não física, mas, moralmente.
4 Segundo dados de organismos governamentais como a UNICEF, mais de três milhões de meninas são mutiladas anualmente, dessas , cerca de seiscentas mil morrem. A ablação do clitóris leva as meninas a morte devido as intensas hemorragias decorrentes desse ato violento.
5 O teólogo jesuíta Peter de Rosa, reconheceu que o catolicismo ao longo de vários séculos havia alimentado o anti-semitismo, publicando centenas de documentos anti-semitas.
6 Talvez a idéia errônea de que vegetarianos, veganos e onívoros não possam coexistir, até que a Libertação Animal definitivamente ocorra.
7 Unidade- está foi a idéia em que muitos povos se apoiaram para segregarem seu próprio povo dos demais , porém, como todo pensamento ortodoxo, terminou caindo no lugar comum, na vala comum da separatividade. Respeitando a forma de ser de outros povos e sua forma de conduzir seria mais fácil alcançarmos nossos objetivos.
8 Ecologia, Grito da Terra, Grito dos Pobres- p. 114, §2º
9 Poderíamos também dizer "nutrinismo", numa referência a segregação que vem surgindo devido a opção alimentar de cada indivíduo.O uso do sufixo "ismo" é importante no estudo da formação consciencial, pois tal sufixo é formador de conceitos , de posições e colocações de idéias(veganismo, vegetarianismo, sexismo, etc).
10 Biocentrismo- Sonia T. Felipe- Colóquio Kairós
11 Referência ao artigo Mito da Caverna: Verdade x Mentira, disponível em http://irmaosanimais-conscienciahumana.blogspot.com.br/2013/07/mito-da-caverna-verdade-x-mentira.html
12 Ainda hoje existem muitas pessoas que realmente não sabem de onde e nem como a carne chega ao seu prato, muitos dos que sabem, procuram ignorar e manter o hábito social alegando que matar um cão é diferente de matar um boi, sem conseguirem de algum modo, fazer essa relação de dor e sofrimento .
13 Torna-se necessário esclarecer que não são todos os lugares que provém determinantemente de sofrimento animal como as churrascarias, das quais seguramente podemos e devemos nos afastar, porém ao nos recusarmos a participar de um encontro entre amigos onívoros ou termos namorados(as) ainda presos ao rebanho social, podemos perder a oportunidade de demonstrar como a comida vegana pode ser nutritiva e saborosa, além de sermos colocados como anti-sociais. O fato de nos negarmos a ir, implica, em mesma linha de pensamento, em nos negarmos a convivermos dentro do lar, com pais, mães e irmãos(as) que sejam onívoros. Como escapar então desse paradoxo? Utilizando da convivência tolerante para demonstrar que é possível abandonar velhos hábitos em prol da vida, e não criando barreiras para estes relacionamentos.
14 Particularmente em minha família sou a única vegana, minha mãe é vegetariana e meu pai é onívoro, a relação íntima familiar, contudo, não é nem nunca foi abalada por causa da opção alimentar de cada membro. No grande círculo de amigos que me segue desde a infância, apenas um é vegano, nossos amigos são todos onívoros e como no laço familiar, qualquer atrito jamais ocorreu nas reuniões a que nos propusemos a ir. Sendo minoria, recebemos, na maioria das vezes, zombarias de todos os tipos, mas a tolerância com os amigos que ainda não conseguiram escapar desse "rebanho" sempre estreita os laços de amizade, nunca fomos vistos como anti-sociais, ao contrário, vemos que muitos mantém grande respeito pela mudança de hábitos que conseguimos embora outros nos achem estranhos, mas nesse caso se a segregação tiver que ocorrer, que parta deles , jamais de nós, deixando assim nosso ideal de Liberdade puro.
15 A Ética Biocêntrica admite a inclusão moral de todos os seres vivos, incluindo-se as plantas, através do reconhecimento de seu interesse na autopreservação, ou seja tanto animais quanto as plantas passam a ser "sujeitos de direito".
16 Vide texto original de Leonardo Boff no livro. Ecologia, Grito da Terra, Grito dos Pobres.
17 Prova cabal desse início de cisão dentro do movimento é a necessidade de explicarmos que o texto não quer impulsionar o onivorismo pelo simples fato de exigir respeito aqueles que ainda não conseguiram escapar, seja por fraqueza ou por opção, do rebanho, da caverna mental, da sociedade que nos cerca, levantar barreiras não nos tornará mais fortes.
18 Isso não quer dizer que devemos desistir de anunciar os benefícios do veganismo para homens e animais, mas respeitar as diferenças de opinião assim como desejamos, e nem sempre somos, respeitados pela nossa opção.



Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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