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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O MANIFESTO ANTIVEGANISTA

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por

Thales Trez


Antes de qualquer coisa, não tenho nada a perder. Nunca desejei ter qualquer status exponencial no movimento de direitos animais. Se de alguma forma posso ser considerados por muitos como uma referência neste cenário, foi por conta de minhas atividades de pesquisa acadêmica sobre o tema da experimentação animal, que, por contingência, me levaram inevitavelmente ao cenário deste movimento. E é deste convívio, já de longa data, que este texto surge: como um parto espontâneo, sincero, e que talvez chova no molhado para alguns. Mas é a minha chuva.
Dito isso, vamos ao que realmente interessa.
Preciso de antemão distinguir dois personagens arquetípicos do movimento de libertação animal: o vegano e o veganista. Ao final, você leitor, deverá avaliar onde se encontra. A crítica que faço, e que considero de certa forma urgente (dada a expansão do movimento de libertação animal), é voltada ao veganista.
E vou começar grosso. O que separa um veganista de um fascista é uma linha muito tênue. São indivíduos altamente apegados às suas certezas e verdades, e as querem impô-las à sociedade como um todo, e a toque de caixa. O veganista defende a monocultura do pensar e do agir, e defendem um absolutismo moral, pois não vê nada entre este absolutismo e a postura relativista moral - um cachorro morto fácil de chutar (me perdoem o aforismo). E o instrumento principal deste absolutismo, talvez sua utopia última, é o discurso recorrente (e simplista) da “coerência” - não obstante gerador da uma atitude auto-policialesca constante, acaba ainda por provocar o policiamento do outro. Mas exigir coerência do ser humano, além de grosseiro, é anti-humano. A coerência não tem meio termo – ela é, ou não é. O “ser coerente” é um ser acabado, previsível, reto, programado, estável. Por fim, desinteressante. O “mantra da coerência” no discurso veganista é muito mais uma referência ao “apego às verdades” do que uma chamada à consciência. Particularmente, espero coerência apenas das máquinas, mas nunca do ser humano – este rascunho, projeto titubeante de vida, torto, vagaroso... todas essas qualidades, acreditem. Neste aspecto, o veganista não vive um paradigma, mas sim um dogma.
Os veganistas vivem sob a tensão de uma sociedade hegemonicamente especista, da qual procuram distintivamente se isolar, gerando uma polarização “veganistas versus humanidade”. Um dos sintomas desse isolamento é a notável e curiosa endogamia existente nesse meio. Não concebem a ideia, por exemplo, de namorar um(a) carnívor*, porque, para o veganista, “você é o que você come” – um absurdo grosseiro e reducionista do que realmente somos. Tenho dificuldades em me ver reduzido aos meus hábitos alimentares, e aos valores agregados a eles. Creio que sou muito mais do que isso. Aliás, o que comeriam os tantos veganistas homofóbicos, reacionários, contrários ao MST (“comedores de carne”) que conheço? Sim. Somos muito mais do que aquilo que comemos. E nisso, há pessoas que são muito interessantes e com as quais aprendi e aprendo muito em relação às qualidades e virtudes que considero nobres para o ser humano – e se comem carne ou bebem leite, isso é apenas um detalhe (não para um veganista, obviamente).
Veganistas geralmente tem um comportamento de gueto – onde encontram um conforto ou refúgio compreensível à parte da “sociedade especista”, – que lhe impõe costumes e valores caros à sua vivência. Lembro de uma camiseta com cinco bonecos sorridentes de mão dadas, onde cada um dos bonecos tinha uma letra da palavra VEGAN. Esse desenho é didático com o que quero dizer sobre este tipo de comportamento de gueto. No máximo, os veganistas costumam tolerar as pessoas não-veganas, pois entendem, e muitas vezes inconscientemente, que têm a missão primeira de converter o “outro diferente” à sua própria perspectiva. E isso inclui todo mundo: a namorada, o filho, a mãe, o bisavô gaúcho de 80 anos... e até os esquimós, por que não? Mas até então elas não fazem parte do seu restrito alfabeto de cinco letras. A alteridade para o veganista se dá no limite em que esse “outro diferente” possa ser transformado. Por isso é muitas vezes correto utilizar a expressão “conversão ao veganismo”, ou mesmo o termo “cair”, quando, por alguma distensão, confessam com dor que sucumbiram ao pecado da incoerência.
São, assim, missionários de uma verdade. Com a prática de seus valores e ideias, procuram se eximir do processo histórico que a humanidade construiu coletivamente, a fim de se livrar imediatamente do atual fardo insustentável que implica na morte de milhões de animais a cada dia. Muito da militância veganista, quando não é uma expiação de culpa por ser humano (e ter vergonha da própria espécie), é uma declaração desesperada de distinção, de não pertencimento, que gera sofrimento e frustração quando percebem que o mundo em que estão não é o mundo que desejam para amanhã - by all means necessary.
Sofrem, por vezes silenciosamente, com o amigo que come carne, e que por tantas vezes foi alertado sobre as implicações morais deste hábito, havendo inclusive concordado com as informações que foram exaustivamente debatidas. O veganista não entende isso. Ou pior: não aceita isso. “São fracos”, afirmam. Para o veganista, informação é a ferramenta mais eficaz para a mudança de hábitos. Mas não para por aí. Se o amigo deixar de comer carne por questões ambientais, não vale. São sujeitos que sofrem de muita ansiedade. E não deve ser fácil...
O veganista sofre ainda de “miopia moral”, cujo sintoma é um absolutismo simplista que se resume em a enxergar a humanidade em preto e branco. Por exemplo, ou você é abolicionista, ou bem-estarista. Partem de uma receita de um ídolo intelectual, a qual prestam grande reverência: Gary “Sai Baba” Francione – de onde passaram a adotar a postura de escrachar Peter Singer, que passou a ser bem-estarista... e incoerente, claro. Francione foi o responsável por cunhar o termo “esquizofrenia moral”, estigmatizando ainda mais uma condição psicológica que escapa ao normatismo aceitável em nossa sociedade. E isso é muito conveniente para o veganista, pois atestam a si próprios uma declaração de sanidade moral. Por sorte, o tratamento da miopia é bem mais fácil...
Gosto de descrições anedóticas. Ilustram bem o que gostaria de dizer sobre este personagem em questão:
Namorei uma garota que era veganista. Em um episódio, vi 8 oito anos de coerência e rigidez intelectual se desmancharem em um quase orgasmo quando esta querida companheira se desmanchou juntamente com um petit-gateau, em um pub qualquer. Ainda que o acordo era que dividiríamos o dito cujo, me deliciei unicamente com a cena que levou ao completo desmantelamento daquela sobremesa, sem qualquer intervenção de minha parte. A cena é indescritível, de tão bela e poética. Ver toda uma estrutura coerente, altamente sofisticada e lapidada, se desfazer em uma explosão prazerosa de memórias não apenas organolépticas, mas de vida, e tudo em absoluto silêncio, e sem culpa. “Ela nunca foi vegana”, afirmam com firmeza amigos veganistas, quando propositadamente descrevo este episódio. Para estes, isso deve encerrar o assunto.
Um amigo veganista, havendo encomendado uma pizza sem queijo, mas acidentalmente recebendo-a com o queijo, jogou a pizza no lixo, praticamente ao lado de um mendigo. Disse que não poderia dar a pizza ao mendigo pois estaria promovendo o consumo de derivados animais. Bastante coerente... com a classe alta, inclusive. Aliás, veganistas são geralmente oriundos de classes bem abastadas – mas isso é apenas uma observação...
Em um momento de lazer, à beira de um lago, um amigo veganista repreendeu outros que passeavam/que pretendiam passear de pedalinho, pois o mesmo tinha o formato de um cisne, o que representaria a dominação e coisificação da natureza pelo homem. Veganistas não podem dar esse exemplo. Até hoje não sei se ele estava brincando. Mas é coerente. E tenso.
Uma grande amiga passeava com sua filha em um shopping quando se deparou com uma exibição pública do documentário “Terráqueos”. Tentou afastar sua filha das imagens chocantes, procurando preservá-la do que ela entendia ser uma abordagem inadequada, e potencialmente traumatizante (quem já viu este documentário sabe do que eu falo). Nessa evasão consciente, foi abordada com truculência por uma ativista veganista, que a acusou de conivência com o especismo, e por aí afora. Por isso tremo por dentro, como educador que sou, quando ouço falar em “educação vegana” no cenário da libertação animal – especialmente com tal concepção de que imagens e informações, independentemente de quais, e para quem sejam dirigidas, bastam para transformar as pessoas. Seria uma “pedagogia do desesperado”: uma abordagem pobre, ansiosa e agoniada.
Mas vamos ao meu caso. É comum acontecer, após minhas palestras, abordagens de veganistas que, com tantas coisas por perguntar, desejam saber se sou vegano. Não sou. E a bem da verdade, não estou certo sequer se sou vegetariano. Digo isso aos que gostam destes rótulos – como se eles dissessem muito sobre as pessoas. Me sinto mais confortável em dizer que estou vegetariano. Em mais de 20 anos de vegetarianismo (onde, diga-se de passagem, o padrão de consumo de derivados lácteos levaria qualquer indústria à falência), comi carne em duas ocasiões. Uma acidentalmente (quem nunca!?), e outra deliberadamente. Nesta última, ao visitar minha irmã em Portugal, fui recebido pela sua sogra, Dona Carmem, uma portuguesa exímia na arte da cozinha, segurando uma travessa com um bacalhau. Mesmo quando comia carne, me abstinha de peixe. Me permitam uma irreverência: à época, preferia eles dentro da água e vivos, pois fediam muito fora d’água. Mas, mesmo até então vegetariano convicto, e sem nenhuma inclinação piscívora anterior à minha dieta, não pude deixar de perceber o sorriso sincero da senhora por sobre aquele bicho, e não tive qualquer problema em me permitir devorá-lo em convictas garfadas (o azeite português e o vinho verde ajudaram, confesso). Deixei de ser vegetariano? Sinceramente, não é o tipo de pergunta que me ocupa ou me importa.
Procuro não me apegar às minhas certezas, e me permito, em algumas ocasiões, aceitar minha condição humana de incertezas, de inacabamento e, sobretudo, de incoerência. Chamar isso de “discurso conveniente” é maldade, pois ignora todo o imenso inconveniente que é levar o vegetarianismo em nossa sociedade. Prefiro que me chamem de incoerente. Não me afeta.
Escolhi ser um aprendiz de mim mesmo, e a ser paciente com as minhas transformações, bem como com as transformações dos outros, que não seguem nenhuma receita, regra, padrão, ou caminho. E aqui deixo bem claro: desejo sempre sucesso a qualquer tentativa de transformar o mundo em que vivemos. Mas sinto que as atitudes deste veganismo fundamentalista presta muito mais um desserviço à emancipação dos animais e, principalmente, dos humanos. Estamos de acordo que não poderemos emancipar os animais se não nos emanciparmos como humanos. Mas enquanto projeto, levado à cabo às suas últimas consequências, este tipo de veganismo nos conduzirá à a uma sociedade onde a paz certamente reinará entre as espécies, mas a um custo de padronização do pensamento e do comportamento que me gera um certo incômodo. Penso que esta paz pode, e deve, ser alcançada por outras vias, e sempre com o exercício da compreensão e da paciência. Porque o fim deve ser o meio.
Por sorte, nestas andanças, conheço pessoas que as identifico como VEGANAS. Conto nos dedos, infelizmente. São humildes, convivem bem com o “outro diferente”, não ficam posando de vanguarda, se autopromovendo, desejando a morte de açougueiros, ou criticando o trabalho de outras entidades de proteção animal que não seguem à a sua política ou linha de pensamento – porque são incoerentes, ou porque são bem-estaristas. Enfim, não se envaidecem e não se corrompem com a força dos valores e da luta a à qual, à sua maneira, se engajam. Não caem nesta armadilha do ego. A eles e a elas, meu apoio irrestrito. São pessoas belas, com luz, e que naturalmente, e mesmo em silêncio, militam, pois cativam mais pelo gesto de cuidado, presença e atenção, do que pelo verbo, truculência e retidão. São tranquilas, em paz com sua própria espécie e com as outras, e pacientes com a mudança, que já chega aos poucos, como um somatório dos esforços de todos, coerentes e incoerentes.
Mas que chega aos poucos.
Thales Tréz, fevereiro de 2014
Educador não vegano e incoerente.
PS. Em tempo. Na imagem ao lado, gostaria de me retratar publicamente quanto ao uso do título "Tornando-se vegano em 10 passos", bem como do site "Sejavegan.com.br", do coletivo Camaleão. É provável que outras imagens tenham sido utilizadas desconsiderando o trabalho de pessoas sérias às quais este texto não direciona a crítica a que se propõe. Estou certo que estas referências não encontram-se dentro do arquétipo veganista apresentado neste manifesto.
Fonte:  Grito do Bicho


Ideologias não matam a fome, ações é que fazem isso.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A VACA MISERÁVEL

ESTA HISTÓRIA VAI MUDAR A SUA VIDA

                     
O caminhão que carregava esta vaca estava descarregado na área de depósito de uma empresa( Walton ),  em Kentucky em uma manhã de setembro. Depois de outros animais serem removidos do caminhão, ela foi deixada para trás, incapaz de se mexer. Os trabalhadores do depósito bateram e chutaram-na no rosto, costelas e costas. Eles usaram, como de costume, aparelhos de choques elétricos em seu ouvido para tentar tirá-la do caminhão, mas ainda assim a vaca não se mexeu. Os funcionários então amarraram um cordão em volta de seu pescoço e amarraram a outra ponta em um poste, e foram embora com o caminhão. A vaca foi arrastada no piso do caminhão e então caiu no chão, caindo com suas pernas traseiras e pélvis quebradas. Ela continuou na mesma posição até às 7:30 daquela noite.
A vaca ficou sob o escaldante sol chorando pelas primeiras 3 horas. Periodicamente, quando ela urinava ou defecava, ela usava suas pernas dianteiras para se arrastar ao longo da rodovia desnivelada até um local mais limpo. Ela também tentou se arrastar para a sombra, mas não conseguiu se mexer para muito longe de onde estava. Os funcionários não deram água à ela, e a única água que ela recebeu foi dada por Jessie Pierce, uma ativista e moradora local, que havia sido contactada por uma mulher que testemunhou o incidente. Jessie chegou ao meio dia. Após não ter recebido nenhuma cooperação dos trabalhadores, ela ligou para a polícia do condado de Kenton. Um policial chegou mas foi instruído pelos seus superiores à não fazer nada à respeito. Ele deixou o local às 13:00hs.
Um funcionário do depósito informou Jessie às 13:00hs que ele havia obtido permissão da companhia de seguro para matar a vaca mas que não o faria enquanto Jessie não fosse embora.  Embora na dúvida que o funcionário manteria sua palavra, ela foi embora às 15:00hs. Retornou às 16:30hs e encontrou o local vazio.  Três cachorros estavam atacando a vaca, que ainda estava viva. Ela havia sofrido vários ferimentos de mordidas, e sua água havia sido removida.  Jessi contactou a policia do estado de Kentucky. Quatro policiais chegaram por volta das 17:30hs. O patrulheiro Jan Wuchner queria matar a vaca com sua arma mas lhe foi dito que uma veterinária a mataria. Os dois veterinários do depósito não queriam matar a vaca alegando que, para preservar o valor da carne, ela não poderia ser destruída. O açougueiro chegou às 19:30hs e atirou na vaca. Seu corpo foi comprado por U$307,50 dólares ( normalmente animais que são aleijados ou machucados ou que são encontrados mortos são considerados inaptos para consumo humano e são usados para comida de animais como cães e gatos ).
Quando o operador do depósito foi questionado anteriormente pelo repórter do “The Kentucky Post”, ele declarou: “Nós não fizemos absolutamente nada com relação à isso”, e referiu a atenção dada à vaca por trabalhadores humanos e pela policia como “besteira”. Ele riu durante o questionamento, dizendo que não encontrou nada de errado com a forma que o incidente havia sido conduzido.
Isto não é um caso isolado. É tão comum que animais nestas condições são conhecidos no mundo americano da indústria da carne como “animais miseráveis”. Após este incidente, a associação ética americana  à favor dos animais PETA deu atenção suficiente à este problema até que o departamento policial do condado de Kenton adotou a regra demandando que todos os animais em condições miseráveis sejam imediatamente concedidos à eutanásia, estejam eles na fazenda,  sendo transportados ou em matadouros.
Infelizmente, muitas cidades dos Estados Unidos e do mundo todo não têm tais leis e animais em condições miseráveis continuam a sofrer. Tal atitude está nas mãos dos próprios moradores e cidadãos, e está nas mãos dos consumidores em recusar-se a comprar os produtos desta indústria miserável e triste. 

Fonte: Texto entregue em mãos há muitos anos atrás. 






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sábado, 14 de junho de 2014

Carne e Osso (documentário)

Um dia no frigorífico



Já tratamos no Blog de assuntos ligados ao vegetarianismo e a vida dos animais. Sabemos que eles possuem uma alma, que reencarnam, que retornam muitas vezes ao nosso convívio, mas nada disso faz com que algumas pessoas se sintam sensibilizadas a respeito da carne, o que ela é, e de onde vem.

Já abordamos também o mal que fazemos ao obrigar as empresas a dobrar ou triplicar a produção de carne sobretudo nas festas de fim de ano.

Vamos abordar esse assunto novamente, mas pelo viés (H)umano. Se não lhe toca matar o animal, quem sabe você se sensibilize em ver o que faz com outro irmão seu e de sua mesma espécie.

Carne e Osso



Carne e Osso é um documentário realizado por   Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros . A abordagem é bem simples, não se trata de falar sobre o abate de animais, a abordagem aqui é outra. O documentário nos mostra a árdua rotina dos trabalhadores de Frigoríficos no Sul e no Centro-Oeste do país.

A cada dia cresce a exportação de carne bovina e de carne de frango, nas festas de fim de ano esse aumento chega  a números astronômicos, e para o bife chegar em seu prato é necessário que alguém faça o "serviço sujo" por você.

pessoas como nós, eu e você são obrigadas a ficarem expostas primeiro a morte de animais que lutam para viver, depois ao frio, a agua, ao risco de acidentes com objetos perfuro-cortantes e a doenças causadas por movimentos repetitivos durante horas.

Já trouxemos aqui, por várias vezes, o quadro de doenças que podem ser causadas por esse trabalho.

O documentário nos mostra o ritmo desumano, ou seria (h)umano, de trabalho dentro destes frigoríficos .

Mas, nada melhor do que assistir ao filme para tirar suas próprias conclusões:








Link. Youtube

Carne e osso

  Simone Nardi

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domingo, 20 de abril de 2014

Animais são mesmo sencientes?

Responda você mesmo




Você seria capaz de identificar as expressões de cada animal?





 
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Você pode até não ter acertado tudo, mas na certa passou alguns momentos olhando as expressões e tentando definir os sentimentos em cada uma delas.

Então lembre-se: todo animal é senciente, todo animal merece respeito, eles não nasceram para serem abandonados e nem para se tornarem alimentos, lembre-se deles antes de maltratar ou ignorar qualquer animal.




Eles lhe serão gratos ...




Não Abandone

Não maltrate

Não os coma 

 

 

Simone Nardi

 

 

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Dualismo Platônico x Dualismo Espirita

    Teoria das Ideias


Cavalo ideal somente no mundo das ideias
 
Platão talvez tenha sido o primeiro cristão antes mesmo do cristianismo surgir na Terra, obra essa de Agostinho que resgatou muitos dos escritos de Platão como se fossem, seus pensamentos, uma obra cristã.

Mas deixando esses detalhes de lado, vamos falar um pouco do dualismo Platônico e da critica de Nietzsche a esse dualismo.

O que tem a ver com Direitos animais e com espiritismo?

Logo veremos que Tudo.

O que é o dualismo Platônico?

Já fizemos um artigo no blog falando sobre o Mito da Caverna e explicando o que seria esse dualismo, mas para encurtar o assunto: Platão formulou a Teoria das Ideias ou seja, existiriam dois mundos. O mundo sensível , que é este no qual vivemos, ou seja, o mundo material e  o mundo da ideias (Eidos), um plano invisível aos olhos, o lado verdadeiro e imutável.É nele onde a ideia do Bem e do que é Belo prevalece. Ou seja, somente lá existe o verdadeiro bem e a verdadeira beleza.

Mundos sensível e das ideias
Antes da existência do mundo material/sensível, havia apenas o mundo das ideias/invisível, até que Demiurgo -δημιουργός- o artífice criador, para Platão uma divindade, decidiu criar o mundo sensível, onde passaram a habitar humanos e animais, uma copia imperfeita/inteligível do mundo das ideias[1].

Há muita semelhança com o que conhecemos tanto dentro do catolicismo quanto dentro do espiritismo.

Dentro da teoria das ideias Platão coloca que  o conhecimento ocorre de duas formas: sensível ou doxa[2] e inteligível ou episteme[3], a primeira se ocuparia dos objetos sensíveis(materiais) e a segunda do mundo das ideias.
De modo simples pudemos reparar que existem dois mundos o mundo que conhecemos que é material e o mundo que podemos chamar agora de plano astral, ou espiritual devido as semelhanças entre as ideias platônicas e determinadas religiões.

Mas o que tem isso a ver com os animais?

Pois bem, Friedrich Wilhelm Nietzsche era um dos que discordavam desse dualismo platônico. Para este grande filósofo alemão, Platão era o culpado pela total inversão de valores na qual a humanidade vinha e podemos dizer, ainda vem  vivendo culturalmente.

Na imagem Platão apontando para o alto e Aristóteles com a mão estendida, como a dizer nem muito acima nem muito abaixo, mas , a justa medida
Para Nietzsche essa valorização demasiada do mundo das ideias, que passamos também a chamar de plano astral , acabava por desvalorizar o mundo material, ou seja, o mundo sensível. 

Nietzsche
Para ele, o ser humano passou a valorizar muita mais a alma em detrimento do corpo, como se o corpo fosse uma cela que aprisionava o ser livre e lhe abafava todos os conhecimentos.Nada no mundo material era verdadeiro ou belo, ou possuía o conceito de bem, não, somente encontraríamos isso no mundo das ideias; era para ele e somente para ele que deveríamos viver.


Pois é aqui que começamos a falar sobre Direitos Animais.

Muitas religiões a princípio sequer aceitam que os animais são todos eles, Criações Divinas, algumas acreditam que os porcos são imundos, que cães e gatos pertencem ao mal e , deste modo, os tratam como meros objetos sujeitos a ira e a determinados dogmas e fanatismos humanos.

Durante determinado período, estivemos presente em Casas Espíritas que atendiam animais, uma novidade salutar para a qual e pela qual, desejávamos frutos e transformações.

Foi possível notar ali, tanto por parte dos trabalhadores quanto por parte dos atendidos o dualismo platônico tão criticado por Nietzsche. Vimos uma certa desvalorização do animal material pelo animal imaterial.

Menina junto a um espírito de um cão
Todos os estudos dos trabalhadores e questionamentos dos atendidos, até onde pudemos observar, ficavam encarcerados no estudo/dúvidas da espiritualidade animal. A Alma animal. Os animais no plano espiritual. A reencarnação dos animais. O mundo das ideias dos animais em total detrimento do mundo material destes irmãos.

Cada atendido , em sua maioria salvo um ou outro caso, preocupava-se com seu cão/gato, com o que iria ocorrer com ele, para onde ele iria depois da desencarnação e se ele voltaria para eles, pois eles o amavam muito. O cão/gato, o dele.

Qual a função, em nossa opinião, das Casas que atendiam os tutores? 

Mostrar que não é só aquele cão/gato que é importante, mas todos os animais, principalmente aqueles que estão encarnados e que não reconhecemos como animais. 

Como fazer isso? 

Apenas dizendo que eles possuem alma? 

Menino e espírito de um cão




O conhecimento da alma animal fez muito pouco por ele até hoje, já que reconhecidamente sabemos que há centenas de anos grande parte dos espíritas reconhece que os animais possuem alma e mesmo assim permitem-se alimentar-se de seus corpos...

Vez ou outra chamávamos  atenção pra livros "materiais", que tratavam do mundo sensível como Peter Singer e Libertação Animal, Tom Regam e Jaulas Vazias, livros que mostravam antes de tudo o que realmente acontecia com os animais enquanto vivos no mundo inteligível. Afinal, eram esses livros que mostrariam como muitos animais desencarnam e chegam ao plano espiritual.

Não estamos dizendo que os livros que versam sobre a espiritualidade dos animais não são importantes, trazemos aqui no Blog dezenas de artigos sobre esse tema, porém, nos preocupamos também em mostrar a realidade na qual esses irmãos vivem.

Pode ser muito bonito conhecermos a alma animal, sua vida no plano espiritual, o trabalho de reencarnação desses irmãos, mas também é muito importante que saibamos que muitas de nossas ações podem fazer com que muitos animais atravessem a fronteira do mundo sensível para o mundo das ideias.A começar pelo prato nosso de cada dia.

Não tenha medo eu sou vegan.
Não é preciso que um espírito surja e diga : "os animais são sencientes, respeite-os, não os devorem"

Não, nós temos do lado material/sensível um verdadeiro arsenal de livros que há muito já  nos traziam esse conhecimento, só que nunca nos importaram.Como se a vida espiritual deles fosse mais importante para nós do que seu corpo material, aquele que é senciente, que sofre, que morre.

Aos poucos começamos a perceber que Nietzsche realmente tinha razão, nos preocupamos tanto com o mundo das ideias que esquecemos que vivemos no mundo sensível.

Não adianta nos justificarmos o tempo todo de que ainda fazemos determinadas coisas com os animais porque somos imperfeitos, porque necessitamos, porque não evoluímos. A questão dos Direitos Animais não tem nada a ver com evolução, mas sim com Conscientização e não pelo lado espiritual (mundo das ideias), mas pelo lado material, do mundo sensível, para que sintamos compaixão e essa compaixão nos leve inevitavelmente a sermos caridosos com quem divide este Planeta conosco.

Nós vivemos hoje no mundo sensível, o que fizermos nele se refletirá no mundo das ideias e não vice versa.É preciso preservar a vida dos animais aqui e agora, eles não precisam de orações depois de desencarnados ou que saibamos de cor e salteado o que lhes ocorre no mundo espiritual se não os respeitamos quando estiveram deste lado dividindo suas vidas conosco.

Eles não precisam de piedade, eles precisam de ações pautadas no verdadeiro amor.



Simone Nardi





 


Notas:

1. Para Platão o mundo perfeito seria sempre o mundo das ideias, e o imperfeito, o mundo sensível.Os seres humanos deveriam trabalhar, buscar conhecimento até chegar a essência da perfeição.
2.  É tida na maioria das vezes como uma opinião subjetiva
3. Seria o conhecimento da realidade das coisas, não mais subjetivo, mas verdadeiro 



 

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quarta-feira, 19 de março de 2014

A Reencarnação dos Animais no Mundo Espiritual

Gato vet


Cláudio Yudi Kanayama 

 



Platão e Aristóteles
 



A metáfora de Platão, o “Mito da Caverna”, ainda é atual, porquanto a grande maioria da humanidade, infelizmente, ainda se encontra com a visão do mundo distorcida, materialista, na condição de ignorância sobre o mundo espiritual e demais dimensões.

O mundo espiritual foi amplamente abordado no célebre livro “Nosso Lar”, do espírito André Luiz, através de Chico Xavier. As revelações da cidade espiritual de Nosso Lar mostrou uma nova dimensão, sua organização social e política, homens e mulheres comuns sem a vestimenta carnal, numa demonstração clara que a vida continua. Passados quase 70 anos da primeira edição do magnífico livro, hoje temos a obrigação de aprofundar diversas questões que ficaram nas entrelinhas do referido livro e nos subsequentes da série do autor espiritual.

Um dos temas que traz à luz muita discussão entre os adeptos espíritas é a reencarnação do mundo espiritual, inserida nos livros da lavra mediúnica de Inácio Ferreira. Para auxiliar no entendimento desse tema transcendental, queremos abordar sob um novo ângulo: os animais no mundo espiritual.

André Luiz
Encontramos a curiosidade de André Luiz, no livro “Nosso Lar”, em relatar a presença de cães, muares e aves, curiosamente chamadas de “íbis viajores”, que auxiliavam as caravanas no resgate de espíritos sofredores nos planos umbralinos, para as Câmaras de Retificação, situadas na cidade de Nosso Lar. O mesmo autor espiritual ficou surpreso no livro “Os Mensageiros”, em observar com atenção a presença de cavalos no Posto de Socorro situada em região umbralina, que tracionavam carruagem de modelo muito antiga, no auxílio do transporte de trabalhadores locais. Cães “inteligentes e prestimosos” auxiliavam trabalhadores especializados descrito no livro “Ação e Reação”.

A mesma curiosidade de André Luiz é também relatada por Dr. Inácio Ferreira no livro “Na próxima dimensão”, onde em visita à cidade de Nosso Lar, observa um ninho num galho de árvore de uma ave semelhante ao rouxinol. A surpresa do médico ficou registrada em diálogo com outro médico, André Luiz, - sim, o próprio -, que explica a presença do ninho na árvore.

A partir dessa breve revisão, é possível avivar para as seguintes assertivas:
- Os animais estão presentes nas dimensões superiores próximas à Terra vivendo, colaborando e evoluindo juntamente com os humanos e outros animais. Não apenas em uma dimensão, mas diversas dimensões;

- Os animais, cães, cavalos e pássaros, tem o ciclo de vida mais curto, quando comparado com os humanos na Terra, o que deve ser semelhante nos planos superiores. Portanto, o períspirito dos animais também desgasta-se e morre, como afirma André Luiz no livro “Evolução em Dois Mundos”;

- Não necessariamente os animais no plano espiritual “descem” para reencarnar na Terra quando morrem nas dimensões espirituais, podem reencarnar novamente nas mesmas dimensões onde se encontravam anteriormente. Se há presença de animais vertebrados - tanto machos e fêmeas – nessas dimensões, com a presença de genitálias externas. É factível a cópula e a geração de novos organismos dentro do útero materno, com a formação do feto e placenta, e a expulsão do filhote no momento do parto. Em outras palavras: a fêmea acasala, fica prenha e pare no mundo espiritual!...;

- Há trabalhadores que devem ajudar os animais nas dimensões superiores na criação, treinamento e saúde dos animais que possuem quaisquer serviços de auxílio aos espíritos inferiores. Caso contrário, os tratadores de animais, peões, zootécnicos, médicos veterinários, pesquisadores, geneticistas, treinadores de animais entre outros profissionais estariam todos automaticamente desempregados nas dimensões superiores após a desencarnação;

- Ressalta-se também o auxílio dos seres Elementais na participação e auxílio dos animais nas diversas dimensões espirituais, assim como na Terra;

- Se há pássaros e os seus ninhos no plano espiritual, também deve haver o seu alimento para aves adultas e filhotes, como insetos, caramujos e minhocas. Ou as aves tomam sopa fluidificada?

Se os animais continuam ter a vida como na Terra, por que com os homens e mulheres fora do corpo seria diferente? Charles Darwin afirmou que a evolução das espécies, na Terra, podem levar milhares de anos. A simples troca de plano espiritual não vai mudar a morfologia, capacidade cognitiva e a libido dos seres. A evolução não dá saltos!

Despertar nas nossas sombras íntimas dentro da caverna do nosso “eu”, sair da escuridão e observar a grandeza das Leis Divinas, no passado, presente e futuro não é sandice. Os espíritas devem refletir na medida em que estudam, meditam e praticam o evangelho redivivo, que Cristo nos deixou, não somente para apreciar, mas para melhorar, trabalhar e ajudar os outros irmãos na evolução íntima, sendo a caridade o guia mais seguro.


Lembremos, enfim, o nascimento de Jesus ao lado de animais numa simples manjedoura improvisada, ao lado de Maria e José. Recordemos que o seu nascimento veio tornar a Terra um orbe de consciências despertas, tendo fé raciocinada e assumindo o controle mental da própria vida. Com Jesus todos os dias. 









O Autor: 

Cláudio Yudi Kanayama


Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Uberlândia. Especialista em Docência Universitária pela Universidade de Uberaba. Mestre em Ciências Veterinárias em Produção Animal, linha de pesquisa de Biotécnicas e Eficiência Reprodutiva na Universidade Federal de Uberlândia. Atualmente é professor titular da Universidade de Uberaba. Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Morfologia animal, Animais Silvestres/Selvagens, homeopatia e bem-estar animal. Docente do curso Ciência Biológicas, licenciatura, EAD. Atua no atendimento ambulatorial e cirúrgico de animais silvestres/selvagens no Hospital Veterinária de Uberaba e resgate da fauna em parceria com a 5ª Companhia da Polícia Militar Independente de Meio Ambiente e Trânsito de Uberaba.
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