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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Bolinha (Conto)

SRD- Pank, cão de rua



(Baseado numa história real)


Eu me chamo Bolinha. É que tenho , ou melhor tinha, uma enorme verruga no canto da boca. Por isso me deram esse apelido engraçado. Eu vaguei pelas ruas desde muito novo. Meus pais me recusaram e desde cedo tive que lutar para sobreviver.





Você sabe, a vida na cidade não é fácil mas, eu encontrei um pessoal que gostava de mim. Finalmente eu fora adotado. Eles me deram abrigo e comida. Eu era pele e osso nessa época e, como todo morador de rua, sofri o preconceito das pessoas que se achavam bem de vida e acima das misérias alheias.


Sempre fui muito alegre e dado a brincadeiras. E essa nova família parecia adorar isso. Só que eu tinha o que eles chamavam de “defeito”. Eu saia de manhã e só voltava a noitinha, cansado e com fome. Eles brigavam comigo, diziam que não me deixariam mais entrar e coisa e tal.


Eles não entendiam o que eu fazia. Não entendiam que esse era o meu trabalho. Falavam que eu vivia com os traficantes, que eu era “aviãozinho ”, que só voltava para casa para dormir e para comer. De certa forma era verdade. Eu passava fome durante todo o dia, até porque a família que eu ajudava sem meus pais saberem, não possuía o bastante nem para eles. Mas minha presença alegrava-os e eu estava completamente apaixonado pela menina deles. Luana


Ah, ela era tão linda e meiga, claro que eu amava minha família, mas eles não precisavam de mim como a Luana. Todos os dias, quando eu chegava na favela, ela estendia os braços e me enlaçava até quase me enforcar. Me beijava e dizia que estava com saudades. Só eu entendia o que ela dizia. Acho que era o amor que fazia com que compreendêssemos um ao outro.


Então eu passava um dia maravilhoso ao lado dela. A fazia sorrir, brincar, coisas que apenas eu e mais ninguém, conseguia dar à ela. Vida.


Então, dependendo do entusiasmo dela, eu ficava até mais tarde, mesmo sabendo que meus pais adotivos ficariam zangados com meu aparente , sumiço. Uma vez tentaram me prender em casa mas, eu chorei e gritei tento, que os venci pelo barulho. Desci a rua correndo e troquei um oi discreto com os traficantes que, por sinal, já me conheciam.


Esse meu trabalho durou alguns meses, não sei precisar quantos, mas me lembro bem do dia em que tudo terminou. Eu tomei meu café com meus pais e irmãos adotivos, meu pai me deixou sair e eu cruzei a rua. Sentia o vento batendo contra meu rosto. Estava feliz, veria Luana novamente.


Cruzei rapidamente as pequenas vielas e deparei-me com o barraco de Luana. Havia uma movimentação estranha naquele dia. Alguns vizinhos entravam no barraco e saiam chorando. Fui empurrado e só com muito esforço consegui entrar para vê-la. 


Seus pais choravam em volta a cama. Os adultos sempre faziam isso quando algo muito triste acontecia. Eles me viram entrar e me apontaram, choraram ainda mais. Me aproximei mais e a vi.


Ela estava deitada sobre as cobertas remendadas que eu tanto conhecia. Seus olhinhos estavam fechados. Falei com ela mas, ela não me respondeu. Era a primeira vez que ela não queria falar comigo. 


Quando os bombeiros entraram, é que comecei a compreender o que realmente havia acontecido. Luana não brincaria mais comigo. Eu não ouviria mais aquela risada alegre, seus gritinhos estridentes. Sua mão carinhosa, seu olhar feliz. Aquilo era o que os homens chamavam de Morte.


Luana morrera.


Saí de lá muito abatido. Eu sabia que Luana era diferente das outras crianças. Ela não andava. Vivia sentada naquela cadeirinha de madeira que o pai dela lhe fizera. Seus olhos também não eram iguais aos das outras crianças, nem seu rosto ou suas mãos. Eu ouvi um bombeiro dizendo que ela era deficiente, uma criança especial. Pelo menos para mim Luana sempre fora especial.


Eu sabia sobre suas crises respiratórias. Sobre o tratamento caro que ela necessitava e que seus pais não podiam pagar. Sabia que cedo ou tarde ela me deixaria, mas ignorei tudo isso só para fazê-la feliz.


Voltei muito tarde parta casa naquele dia. Meus pais brigaram comigo. Me chamaram de vagabundo, rueiro e sem vergonha. Fugi no outro dia, queria ver Luana, mesmo sabendo que ela não estava mais lá. Parei na metade do caminho. Revi o rosto do meu pai adotivo. Ele sempre me xingava e mesmo assim me deixava entrar. Depois me agradava com palavras alegres e me fazia dormir quentinho.


Eles faziam por mim, o que eu fazia por Luana. Naquele dia voltei mais cedo do que de costume. Chamei-os e os vi saindo com sorrisos nos rostos. “ Ah, chegou cedo hoje hein, sem vergonha”. Eles jamais saberiam sobre Luana e sobre minhas escapadas para vê-la.


Entrei e saltei sobre minha mãe. Eu os amava. Precisava deles e eles de mim. Olhei para minha casinha, sempre arrumada aguardando minha volta. Lambi meus pais e fui me deitar. Nunca mais eu os deixaria novamente, bem talvez, apenas para ir até a padaria


Sim, eu sou um cachorro. 


Um cachorro para quem Deus deu a grande missão de amar.





Simone Nardi






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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

VIDA

Tornado




A vida é um barco inseguro,

Que corre o risco de sempre virar,
Balança de um lado para o outro,
Tentando sempre nos derrubar

A vida é uma longa luta,

Que nos impele a continuar,
Uma busca, onde nada se ofusca
Uma rede pronta a nos laçar

A vida é barreira, onde tudo se anseia

Água  fugindo por entre as mãos
A vida, mar de areia tão cheia
Luz de um só coração

Se sabes o que é luta amigo,

Se sabes o que é vida irmão,
A vida é uma casa , um abrigo
A luta, nos tira da solidão


Simone Nardi

(à todos os protetores de animais) 



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quarta-feira, 19 de março de 2014

A Reencarnação dos Animais no Mundo Espiritual

Gato vet


Cláudio Yudi Kanayama 

 



Platão e Aristóteles
 



A metáfora de Platão, o “Mito da Caverna”, ainda é atual, porquanto a grande maioria da humanidade, infelizmente, ainda se encontra com a visão do mundo distorcida, materialista, na condição de ignorância sobre o mundo espiritual e demais dimensões.

O mundo espiritual foi amplamente abordado no célebre livro “Nosso Lar”, do espírito André Luiz, através de Chico Xavier. As revelações da cidade espiritual de Nosso Lar mostrou uma nova dimensão, sua organização social e política, homens e mulheres comuns sem a vestimenta carnal, numa demonstração clara que a vida continua. Passados quase 70 anos da primeira edição do magnífico livro, hoje temos a obrigação de aprofundar diversas questões que ficaram nas entrelinhas do referido livro e nos subsequentes da série do autor espiritual.

Um dos temas que traz à luz muita discussão entre os adeptos espíritas é a reencarnação do mundo espiritual, inserida nos livros da lavra mediúnica de Inácio Ferreira. Para auxiliar no entendimento desse tema transcendental, queremos abordar sob um novo ângulo: os animais no mundo espiritual.

André Luiz
Encontramos a curiosidade de André Luiz, no livro “Nosso Lar”, em relatar a presença de cães, muares e aves, curiosamente chamadas de “íbis viajores”, que auxiliavam as caravanas no resgate de espíritos sofredores nos planos umbralinos, para as Câmaras de Retificação, situadas na cidade de Nosso Lar. O mesmo autor espiritual ficou surpreso no livro “Os Mensageiros”, em observar com atenção a presença de cavalos no Posto de Socorro situada em região umbralina, que tracionavam carruagem de modelo muito antiga, no auxílio do transporte de trabalhadores locais. Cães “inteligentes e prestimosos” auxiliavam trabalhadores especializados descrito no livro “Ação e Reação”.

A mesma curiosidade de André Luiz é também relatada por Dr. Inácio Ferreira no livro “Na próxima dimensão”, onde em visita à cidade de Nosso Lar, observa um ninho num galho de árvore de uma ave semelhante ao rouxinol. A surpresa do médico ficou registrada em diálogo com outro médico, André Luiz, - sim, o próprio -, que explica a presença do ninho na árvore.

A partir dessa breve revisão, é possível avivar para as seguintes assertivas:
- Os animais estão presentes nas dimensões superiores próximas à Terra vivendo, colaborando e evoluindo juntamente com os humanos e outros animais. Não apenas em uma dimensão, mas diversas dimensões;

- Os animais, cães, cavalos e pássaros, tem o ciclo de vida mais curto, quando comparado com os humanos na Terra, o que deve ser semelhante nos planos superiores. Portanto, o períspirito dos animais também desgasta-se e morre, como afirma André Luiz no livro “Evolução em Dois Mundos”;

- Não necessariamente os animais no plano espiritual “descem” para reencarnar na Terra quando morrem nas dimensões espirituais, podem reencarnar novamente nas mesmas dimensões onde se encontravam anteriormente. Se há presença de animais vertebrados - tanto machos e fêmeas – nessas dimensões, com a presença de genitálias externas. É factível a cópula e a geração de novos organismos dentro do útero materno, com a formação do feto e placenta, e a expulsão do filhote no momento do parto. Em outras palavras: a fêmea acasala, fica prenha e pare no mundo espiritual!...;

- Há trabalhadores que devem ajudar os animais nas dimensões superiores na criação, treinamento e saúde dos animais que possuem quaisquer serviços de auxílio aos espíritos inferiores. Caso contrário, os tratadores de animais, peões, zootécnicos, médicos veterinários, pesquisadores, geneticistas, treinadores de animais entre outros profissionais estariam todos automaticamente desempregados nas dimensões superiores após a desencarnação;

- Ressalta-se também o auxílio dos seres Elementais na participação e auxílio dos animais nas diversas dimensões espirituais, assim como na Terra;

- Se há pássaros e os seus ninhos no plano espiritual, também deve haver o seu alimento para aves adultas e filhotes, como insetos, caramujos e minhocas. Ou as aves tomam sopa fluidificada?

Se os animais continuam ter a vida como na Terra, por que com os homens e mulheres fora do corpo seria diferente? Charles Darwin afirmou que a evolução das espécies, na Terra, podem levar milhares de anos. A simples troca de plano espiritual não vai mudar a morfologia, capacidade cognitiva e a libido dos seres. A evolução não dá saltos!

Despertar nas nossas sombras íntimas dentro da caverna do nosso “eu”, sair da escuridão e observar a grandeza das Leis Divinas, no passado, presente e futuro não é sandice. Os espíritas devem refletir na medida em que estudam, meditam e praticam o evangelho redivivo, que Cristo nos deixou, não somente para apreciar, mas para melhorar, trabalhar e ajudar os outros irmãos na evolução íntima, sendo a caridade o guia mais seguro.


Lembremos, enfim, o nascimento de Jesus ao lado de animais numa simples manjedoura improvisada, ao lado de Maria e José. Recordemos que o seu nascimento veio tornar a Terra um orbe de consciências despertas, tendo fé raciocinada e assumindo o controle mental da própria vida. Com Jesus todos os dias. 









O Autor: 

Cláudio Yudi Kanayama


Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Uberlândia. Especialista em Docência Universitária pela Universidade de Uberaba. Mestre em Ciências Veterinárias em Produção Animal, linha de pesquisa de Biotécnicas e Eficiência Reprodutiva na Universidade Federal de Uberlândia. Atualmente é professor titular da Universidade de Uberaba. Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Morfologia animal, Animais Silvestres/Selvagens, homeopatia e bem-estar animal. Docente do curso Ciência Biológicas, licenciatura, EAD. Atua no atendimento ambulatorial e cirúrgico de animais silvestres/selvagens no Hospital Veterinária de Uberaba e resgate da fauna em parceria com a 5ª Companhia da Polícia Militar Independente de Meio Ambiente e Trânsito de Uberaba.
LATTES


 

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Animais , Plano Espiritual e Erraticidade

Quando desencarnam os animais voltam a alma grupo?

Os animais perdem a consciência ao desencarnarem?

 



 

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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

APRENDENDO O QUE QUEREM

Imagem: Borboleta nas mãos


Em defesa dos animais muitos são, poucos, bem poucos o fazem. Por que isto acontece??

Por razões de impossibilidade, por sermos poucos e “loucos”?

Em defesa sim.... de espécies animais que são tão ou mais superiores do que os seres humanos. Defendo a ideia de que o tempo nos levou muito do jeito animal que éramos e nos trouxe a escuridão interior em que vivemos.

Um evento que me chamou a atenção sobre como nos privamos de nosso meio maternal, como não entendemos mais os sinais da mãe natureza foi, o tsunami ocorrido na Indonésia em dezembro de 2004, todos os animais do parque ecológico do Sri Lanka fugiram antes da chegada das ondas, não foi registrada a morte de animais selvagens, tendo em vista que milhares de seres humanos morreram neste dia; o que será que os animais possuem e o ser humano não?? Ou o que será que o ser humano não tem e os animais sim?

Creio que a pergunta correta seria: O que será que o ser humano perdeu ao longo do tempo e os animais não?

Com a modernidade veio a ganância, o ser humano deixou de se considerar animal, agora nos achamos semi-deuses, que tudo o que existe em nosso planeta foi nos dado, para que dele tiremos o máximo de tesouros possíveis.

Tiramos dos índios que aqui viviam o que de mais precioso possuíam, a terra, os escravizamos e os usamos como bem entendemos, não importava então o que eles sentiam, afinal de contas, quem eram eles?? Não sabiam falar a língua dos estrangeiros, não tinham modos sociáveis, não deviam sentir dor, sentimentos, com certeza “humana” também não, demos nomes e se tinham alguma cultura ou sociedade, não nos importamos em saber, tiramos deles tudo o que podíamos e o que não devíamos. Hoje em dia o engraçado, se não fosse triste, é que continuamos a forçá-los com nossa maneira de sobreviver, afinal de contas, quem são eles?

Da mesma maneira como fizemos com os índios, que são seres humanos também, fazemos com os animais, principalmente para o nosso bel prazer, os escravizamos colocando-os em jaulas, zoológicos, gaiolas, laboratórios e este último, grande causador de disputas éticas por aqueles que se negam a aceitar tamanha ignorância de pessoas ditas “sábias”, e pessoas ditas “sábias” que se negam a mudar seu modo de agir por pura conveniência; animais não podem se defender, assim como os índios, também não sabem falar a língua dos seres "humanos", por causa disso são e sempre foram explorados de forma a garantir o sucesso de uma única espécie (a raça "umana").

Sempre foi assim, o homem com o passar do tempo se afastou do principal e partiu em busca do irreal, nessa busca perdeu valores e tirou das futuras gerações o direito de terem , de serem realmente animais humanos.

Saibamos antes de mais nada, que tudo é tudo, e nada é nada, PARA TODOS!!



Anderson Pacheco, estudante de Ciências Biológicas 




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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Fogo irmão, chuva amiga


Imagem;Sebastião Salgado


Fumaça encobrindo o ar
A relva estala sob o fogo irmão
Fogem da mata os pequeninos
Em busca do abrigo seguro

Fica cinza então o céu
Surge o vento abrasador
Mais longe o fogo alcança
Levando as cinzas a linda floresta

Mas do céu surge a esperança
Primas nuvens vem chegando
As águas em forte tempestade
O fogo irmão de mansinho abranda

Aquieta a relva ressecada
Nutrindo as raízes das árvores
Vem a chuva irmão amiga
Acalmar e salvar
A floresta que aos bichos abriga.



Simone Nardi 



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