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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Animais, Nossos Irmãos - (Estudo) Parte 1



Tigre branco

“Amai-vos uns aos outros”



 

* Estudo realizado em 2008/2009,estou postando novamente para leitura de todos.



Há anos que o homem evoluiu ouvindo essas palavras do Mestre Jesus; há anos que outra lei de Deus nos toca o coração; “Não matarás”. Mas o homem parece alheio até certo ponto, para essas duas leis soberanas: Amar a quem?Não matar, a quem? Se sou capaz de amar realmente, sou incapaz de matar...

Mas, teria dito Deus; “ amar somente aos homens, não matar somente os homens? “. Se fosse assim com certeza Ele teria frisado a palavra “homens”, mas não o fez. Deste modo, devemos entender que Deus, em sua soberana bondade, referiu-se na palavra AMAR, a amarmos tudo que Ele criou, bem como não MATAR nada do que Ele criou. O amigo leitor deve estar se questionando: “E a carne, devemos então deixar de comê-la?”. Para alguns já bem mais conscientizados com o sofrimento animal, essa “necessidade” não mais existe, não porque sejam pessoas especiais ou mais capacitadas, mas simplesmente porque descobriram o mal que faziam aos animais quando ingeriam seus corpos. 


Sabemos que cada um tem o seu tempo, e que é preciso respeitar isso, o que não podemos é deixar de mostrar que o fato de pararmos de ingerir carne, não deve ser pensado simplesmente pelo “Nosso” benefício, e sim em benefício que faremos aos animais, e ao contrário do que ainda hoje alguns insistem em nos dizer, a carne não precisa mais nutrir a carne e deixa, com certeza, de ser “necessária”, quando nos informamos melhor sobre o sofrimento pelo qual passam os animais, não apenas no momento do abate, mas durante toda sua curta estada na Terra. Nossa função aqui é de instruir aqueles que ainda desconhecem esse sofrimento, é iluminar o passo daqueles que queiram mudar, é auxiliar e fortalecer os que mudaram e amansar os corações mais duros que se negam a aceitar a realidade dos animais.


Pássaros ao por do Sol
Deus deu ao homem o dever de cuidar dos animais, mas ele fez mau uso desse singelo “poder” : o abandono, os maus-tratos, o abate cruel de animais para alimentação, o uso de animais para “divertimentos” como a farra-do-boi, os circos, os zoológicos e tantas outras formas de exploração que nos parecem simples, normais ou benéficas, mas que tiram dos animais toda sua liberdade de vida, são os caminhos que o homem decidiu trilhar. Queremos mostrar a todos, principalmente aqueles que veem na Caridade apenas o amor aos seres humanos, e que são incapazes de estender a mão a um animal que necessite, que eles apenas desconhecem ainda,o âmbito do amor de Deus para quem, cada criatura existente na Terra é importante, que a VIDA de todos os seres deve ser amada e preservada, sejam humanos, não-humanos(animais) ou plantas.

Talvez seja pela falta de estudo na área, pelo orgulho ou por medo, que o espiritismo teima em falar sobre esse assunto, mas aquele que se iniciou na Doutrina através do Pentateuco Kardequiano há de lembrar-se que no Livro dos Espíritos, existem perguntas e respostas sobre o assunto. Capítulo XI ,Os Três Reinos, perguntas 592 a 607, as quais não trataremos especificamente nesse artigo, mas num próximo momento.

Cães e gatos abandonados. Bois e porcos abatidos em matadouros. Baleias arpoadas. Golfinhos mortos a pauladas em rituais milenares. Devemos sempre esconder a tola vaidade e nos lembrar que todos eles nasceram pela Obra de um só Pai, é uma decisão Divina eles estarem ao nosso lado, negar-lhes esse respeito é negar o amor a Deus. As leis são as mesmas para todos.

Há muita discussão sobre se os animais possuem alma. Onde ficam quando desencarnam. Se, reencarnam novamente. Por que sofrem as dores de doenças como o câncer e tantas outras. Se, possuem sentimentos, inteligência, mas que importa sabermos tudo isso se não os respeitamos?

Esse é o principal motivo desse artigo, fazer com que as pessoas enxerguem que os animais, seres ditos inferiores, às vezes possuem mais amor por nós do que nós mesmos.

Vamos ler juntos vários relatos e diversos estudos sobre esses seres tão ignorados pela raça humana e que hoje a ciência vem provando que causam mais bem do que mal, e que são tão marginalizados por aqueles que deveriam zelar por eles. 



Esses nossos amigos nos guiam, nos fazem companhia, nos dão alegria e nos curam. 


Respeitemos então todas as criaturas de que Deus criou.  

              

 Nossos irmãos animais 

*©Copyright 2008/2009
 

Gatinho de olhos verdes
O espiritismo nos diz que fomos todos criados por Deus, éramos pequenas luzes de sua Luz e fomos enviados ao mundo para evoluirmos. Aprendemos que fomos Mônadas, as primeiras criaturas que habitaram o reino terrestre, depois passamos “Estagiando” pelo reino mineral, vegetal, animal e finalmente hominal. Por isso muitas vezes a dificuldade de compreender o pensamento de alguns companheiros de jornada, quando desprezam qualquer outro ser vivo. Não estagiaram eles também por esses reinos, onde agora novos companheiros estagiam? Por que então tratá-los de forma tão rude?

Dúvidas a parte, queremos nos referir aqui, ao assunto principal: Animais, esses nossos irmãos.

Apenas por nos reconhecermos como criaturas de um mesmo Pai, já deveríamos nos chamar de irmãos, e termos uns para com os outros, atitudes de irmãos, afinal, Deus criou tudo que existe e como dizia Carl Sagan, um dos poucos cientistas que acreditava em Deus: “Nós temos, comparativamente, as árvores como nossas primas.” Isso após descobrir certos elementos das plantas que formam também o corpo humano. Que podemos dizer então dos animais?

Mas o importante agora é percorrermos uma longa trilha em relação aos animais, e descobrirmos no final dela, o que realmente pensamos ou sabemos sobre eles, e que atitude tomaremos depois de olharmos para o fundo do nosso coração e compararmos, nossos pensamentos com nossas ações.Vamos refletindo no que somos realmente, quando nos vemos diante das atrocidades que cometemos para com esses nossos irmãos. Conseguir refletir já é um começo. 


Referências Bibliográficas


KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo
KUHL, Eurípedes - Animais Nossos Irmãos
SCHUTEL, Caibar - A Gênese da Alma
LUIZ, André - Nosso Lar e Evolução em Dois Mundos
RAMATÍS – Fisiologia da Alma 


Egroup Clara Luz - OS ANIMAIS TÊM ALMA!

http://br.groups.yahoo.com/group/clara_luz/


- Aguarde a segunda parte do estudo, Animais nossos irmãos.

Um Abraço e Até Mais

Simone Nardi










Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Se os Homens Fossem Tubarões




Se os homens fossem tubarões, eles seriam temidos pelos peixes pequenos. 

Se os homens fossem tubarões, eles destruiriam os recifes no mar, para que os peixes pequenos não pudessem se esconder deles, servindo-os de alimento. 

Eles construiriam campos de concentração, sem comida, sem água, sem higiene, pouco se importando com os pequenos peixinhos. Usando neles, novos experimentos, sem importar-se com a dor do outro. A morte seria a liberdade.

Fariam festas grandiosas, explorando a miséria alheia, pois seriam poderosos e o mundo estaria aos seus pés. Destruiriam os livros, pois considerando os pequenos, seres inferiores, saberiam que não deveriam aprender a ler, pois quem aprende questiona, e quem questiona, um dia aprende a se libertar do jugo dos poderosos.

Sua geometria seria usada para conquistar ao mares, os rochedos, afim de destruir seus inimigos. Ninguém poderia ousar ser maior que eles. Sua moral, distante da verdade, não distinguiria o mal do bem. Caridade, seria uma palavra abstrata.

Eles ensinariam seus filhos-peixinhos a se armarem. Ensinariam que a vida não tem valor, e que jamais deveriam confiar em alguém a não ser em si mesmos. O caos seria o futuro da mundo.

Ensinariam a obediência através de castigos. A morte servindo de exemplo.

Ai daquele que ousasse se rebelar contra seu líder. A humilhação e a vergonha seriam-lhe aliadas. Corrupção, depravação , exprobração seriam as palavras de ordem no mar.

Se os homens fossem tubarões, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar a fraqueza dos peixes menores. As guerras seriam conduzidas pelas suas próprias crias. Eles ensinariam as crias, que tudo que for diferente é perigoso. Ensinariam a desrespeitar outras crenças e outros hábitos.

Depois de terminada a guerra, seus mais sádicos oficiais seriam condecorados por suas brutalidades.

Se os homens  fossem tubarões, não haveria equilíbrio no mar. Nem belezas, nem riquezas. Os recifes de corais estariam destruídos. As estrelas devoradas. Os peixes-palhaços por certo, desapareceriam.

A areia, outrora tão alva, estaria enegrecida pela sujeira e pelos corpos dos mais humildes.

Nem as baleias cantariam. Nem os golfinhos poderiam brincar. Pensar, imagina e sonhar, seriam proibidos.

Não haveria mais religião, o conhecimento de Deus, não permite a barbárie.

Se os homens fossem tubarões, eles se esqueceriam de Deus. “ Quando não há Deus, tudo é permitido.”

Ademais, se os homens fossem tubarões, a desigualdade aumentaria, pois ele se acharia cem vezes superior ao que acha ser hoje. Apenas os mais fortes sobreviveriam. Não haveriam algas para todos. Ninguém teria direito ao seu espaço, tudo o que é seu seria cobiçado. Roubado. Destruído. Massacrado. Perseguido. Não haveria civilização no mar, se os homens fossem tubarões


Simone Nardi


Inspirado no trabalho "Se Os Tubarões Fossem Homens" de Bertold Brecht


 

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Amar enquanto há tempo

Foto: Sebastião Salgado
Eu sempre venho aqui falando sobre o respeito aos animais, sobre o auxilio a estes irmãozinhos tão desventurados.Falo nas Casas espíritas, falo nas ruas, falo para pessoas que muitas vezes não querem ouvir, e a maioria não deseja mesmo ouvir. E um certo dia, já há muito tempo atrás, dentro de uma Casa Espírita, numa reunião mediúnica, eu pensava exatamente nisso.

Por que nunca apareciam espíritos que pregassem o respeito e o amor aos animais? Seria mesmo que os animais não mereciam qualquer atenção de Deus Pai Criador, nem um espírito, nenhuma mensagem, nada. Será que eles não valiam a atenção de nenhum ser mais esclarecido? Pois todas as mensagens ali recebidas eram dirigidas apenas de pessoas para pessoas.

E eu vagava nesses pensamentos quando me veio a mente à imagem de um senhor muito alto, de rosto muito severo e decidido. Sua voz poderosa soou dentro de minha mente e tal qual como seu rosto, era séria e cheia de uma força que jamais eu vira em qualquer outra pessoa, ou qualquer outro espírito de luz. E é sua mensagem que descrevo abaixo, sentindo ainda o peso de suas mãos sobre meus ombros, sentindo a obrigação de esclarecer aqueles que muitas vezes desejam permanecer cegos e surdos nesta trilha solitária que é a defesa animal.E ele começou a falar com sua voz imponente e cheia de severidade, como quem dá uma bronca gentil, porém severa.

“Vocês aprendem na escola que passam por todos os reinos: mineral, vegetal, animal e hominal . E são como crianças que começam no pré-primário, passam pelo primário, ginásio, colégio e galgam a faculdade. O orgulho os cega e passam a ser “doutores”, que só conversam com “doutores”, esquecendo-se das criancinhas do pré-primário.

Que tristeza.

Nós temos um trabalho importante, mas as Casas Espíritas não nos dão abertura para continuarmos, não se lembram de nós em suas vibrações embora digam que todas as criaturas são filhas de Deus.

Aprendam a amar enquanto há tempo.”

E sua voz silenciou, porém sua imagem marcante ficou gravada em minha mente e suas palavras em meu coração.

“Amar enquanto há tempo.”

Muitos aqui podem não gostar de animais, compreendo, mas um pensamento em intenção a eles se transforma em energia e esses abnegados trabalhadores necessitam dessa energia. Pedimos a tantos, em tantos lugares, que custaria uma pequena intenção em nome desses irmãos esquecidos?

Eu ainda chorava quando meus ouvidos foram invadidos pelo som das ondas do mar e uma voz amorosa e delicada declamou esse pequeno verso, depois se despediu agradecendo a oportunidade de falar em nome daqueles que não podem se defender sozinhos. 


Um dia a voz da Baleia no oceano
Não mais irá ecoar
E o canto do Pássaro na Terra
Se extinguirá
Os mares serão poluídos
E a sede como a vida, se acabará
Que triste destino o do homem
Que nem mesmo a lembrança
O tempo irá guardar

Deus guarda todos os seus filhos no coração, aprendamos a amar enquanto há tempo, essa é a grande lição.



Fonte: Feal 

Republicação 




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domingo, 25 de maio de 2014

Somos invisíveis???




Para algumas pessoas os animais são totalmente invisíveis....

Enxergar muitas vezes é um ato mais moral do que físico, pense nisso.


S.N

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terça-feira, 20 de maio de 2014

A dor dos Animais



Este artigo pertence a João Ventura e pode ser lido diretamente no site 

O leitor sem qualidades 

Estávamos procurando pelo livro "Diante da Dor do Outro" de Susan Sontag, que retrata como podemos ver, através de imagens de guerras e conflitos em geral a dor do outro; por que a esquecemos tão rapidamente, por que apesar da imagem nos agredir não tomamos nenhuma atitude?? 

A ideia era escrever um artigo sobre o assunto e lançar um desafio aos colaboradores do blog para escrevessem, cada qual a sua maneira, sobre a Dor do Outro, especificamente dos animais.

Quando duas pessoas fazem a mesma coisa, não é a mesma coisa, imaginemos então 3 ou 4 pessoas escrevendo a "mesma coisa". Desafio lançado, fomos procurar o livro na internet.

Foi assim que nos deparamos com este artigo , e que, juntamente com o livro de Sontag nos deu inspiração para que cada colaborador escrevesse livremente sobre o tema "Diante da dor do Outro" e serão estes variados artigos que postaremos durante essa semana e nada mais justo ao artigo e ao autor que seja ele que venha abrir os posts dessa semana.

 Boa leitura 



Tema da semana: "Diante da dor do Outros, livro de Susan Sontag"....










 A Dor dos Animais


João Ventura



Elefanta sendo executada


Mary, uma elefanta de circo executada em 1916, no Tennessee, diante de uma multidão de milhares de pessoas, após reagir a maus tratos e matar um treinador tem sido interpretada como símbolo da repressão e abuso contra animais em circos. A execução com um tiro na cabeça, no zoo de Copenhaguem, de Marius, uma jovem girafa, não por se ter revoltado contra o tratador mas para prevenir problemas de consanguinidade e, depois, esquartejada em bárbaro espectáculo diante dos visitantes, com peritos a explicarem a anatomia do animal aos presentes, entre os quais muitas crianças, antes de ser servida de repasto aos leões, poderia bem constituir um dos inumeráveis remakes da mesma violência infligida pelo homem aos animais. 

O que liga estes dois acontecimentos aos muitos outros sofrimentos que o homem inflige aos animais de maneira menos visível como na produção de carne, na extracção de peles, na indústria de cosméticos, em práticas culturais, em experiências científicas, não é tanto a crueldade sádica mas uma violência banal, endémica, contra os animais que prefigura sempre uma violência contra os homens: A crueldade contra os animais acostuma-nos à crueldade contra os homens”, avisa Coetzee em A vida dos animais. Como neste relato sanguinário que no romance-ensaio Às Cegas, Claudio Magris põe na boca do aventureiro islandês descobridor da Tasmânia: 

“Matar os fugitivos, os cangurus, as baleias – todas as baleias, auspiciou o governador Collins, porque atrapalham as actividades na foz do Derwent – as focas. Na grande baía de North Cape centenas de carcaças de focas esfoladas jazem na praia; os barcos carregados com a sua pele vão-se afastando da margem em direcção ao navio, os pássaros estão já a descarnar os animais macerados à paulada e até mesmo os filhotes são cândidos pompons emporcalhados de sangue. A extensa onda anuncia-se como um sopro profundo, as baleias chegam à foz do Derwent prenhes, viajaram milhares de quilómetros para ali virem parir, como fazem há milénios; as pequenas baleias saem do ventre das mães arpoadas, sangue viscoso do parto e sangue límpido da morte”. 

Conta W. G. Sebald, em Os Anéis de Saturno, que um tal Noël de Marinière, inspector do mercado do peixe de Rouen, viu um dia com espanto um par de arenques que ainda mexiam ao cabo de duas ou três horas em seco e decidiu averiguar melhor qual a capacidade de sobrevivência destes peixes, o que fez cortando-lhes as barbatanas e mutilando-os de diversas maneiras. Este procedimento, inspirado pelo nosso impulso para o saber, é por assim dizer o ponto culminante da história de dor de uma espécie constantemente ameaçada de catástrofe”.  Não observámos já, também nós, nos nossos mercados de peixe, uma cena de crueldade semelhante que ignorámos na convicção de que a fisiologia dos peixes os isenta do medo e das dores que sofrem os corpos e as almas humanas no estertor da morte? 

Donde provém esta banalização do mal contra os animais capaz de estender-se, como a História já comprovou demasiadas vezes, aos próprios homens? Trata-se de uma convicção sem consistência baseada numa convicção antropomórfica arbitrária, segundo a qual os animais não são seres sencientes, não sofrem. Esta convicção resulta de uma cisão entre natureza e cultura que, diz-nos Hölderlin, nos deixou órfãos dos deuses e sem possibilidade de redenção. Ora a etologia ensina-nos que os animais não têm apenas mecanismos instintivos, como a ignorância de alguns e o comodismo de quase todos fazem acreditar. É que - como considera a personagem do romance de Robert Musil que não tendo qualidades alheias, tinha, contudo, a qualidade de reconhecer a alma dos animais-, se Deus se fez homem, poderia ou deveria também fazer-se gato ou flor.

Como olhar com bondade para os animais se a nossa cultura não vem nem dos bosques do poeta Eichendorff nem do mar de Melville, pergunta-se Claudio Magris, em Danúbio? Para afirmar, em seguida, que a mundanidade social constitui o nosso horizonte. Civilização e moral baseiam-se, assim, na distinção entre homens e animais cujas existências mínimas fazemos por ignorar a não ser na sua coisificação em nosso proveito, como sustenta Kant: “As nossas obrigações com os animais são apenas obrigações indirectas com a humanidade.”

A fraternidade solidária humana - que não obstante a sua retórica hipócrita não pára de falhar, atirando os desprotegidos do mundo para a pobreza e o sofrimento - não apenas exclui os animais como, sem consciência da irredimível dor causada, retira à própria Humanidade qualquer esperança de redenção, como afirma Magris: 

 “A irredimível dor dos animais, povo obscuro que acompanha como uma sombra a nossa existência, lança sobre esta última todo o peso do pecado original”.   

Por isso, contra a cegueira que não nos deixa ver o medo e dor dos animais, reconhecer que também a elefanta Mary e a girafa Marius têm direitos universais e invioláveis. E deixarmo-nos, como Marguerite Yourcenar, comover perante "este aspecto perturbador do animal que não possui nada, a não ser a vida que quase sempre nós lhe roubamos”.

João Ventura 


Fonte:O leitor sem qualidades 







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sexta-feira, 14 de março de 2014

Animais "Selvagens " e evolução- parte 3


 
Macacos

Para fechar este pequeno estudo sobre o significado e a evolução dos animais  "selvagens", trazemos a seguir um dos textos onde Emmanuel nos fala sobre a evolução da alma animal e nos diz:






'Segundo estudos que pude efetivar em companhia de elevados mentores da espiritualidade, posso dizer-vos francamente que todas as formas vivas da natureza estão possuídas de princípios espirituais. E princípios que evoluem da alma fragmentária até a racionalidade do homem. A razão, a consciência, a noção de si mesmo, constituem na individualidade a súmula de muitas lutas e de muitas dores, em favor da evolução anímica e psíquica dos seres.



O processo, portanto, da evolução anímica se verifica através de vidas cuja multiplicidade não podemos imaginar, nas nossas condições de personalidades relativas, vidas essas que não se circunscrevem ao reino hominal, mas que representam o transunto das mais várias atividades em todos os reinos da natureza.



Todos aqueles que estudaram os princípios de inteligência dos considerados absolutamente irracionais, grandes benefícios produziram, no objetivo de esclarecer esses sublimes problemas, do drama infinito do nosso progresso pessoal.



Leão rugindo
O princípio inteligente, para alcançar as cumiadas da racionalidade, teve de experimentar estágios outros de existência nos planos de vida. Os protozoários são embriões de homens, como o selvagem das regiões ainda incultas são os embriões dos seres angélicos. [...]




Os animais são os irmãos "inferiores" dos homens, Eles também, como nós, vêm de longe, através de lutas incessantes e redentoras e são, como nós, candidatos a uma posição brilhante na espiritualidade. Não é em vão que sofrem nas fainas benditas da dedicação e da renúncia, em favor do progresso dos homens.



Seus labores, penosamente efetivados, terão um prêmio que é o da evolução na espiritualidade gloriosa. Eles, na sua condição de almas fragmentárias no terreno da compreensão, têm todo um exército de protetores dos planos do Alto, objetivando a sua melhoria e o amplo desenvolvimento de seu progresso, em demanda do reino hominal.



Em se desprendendo do invólucro material, encontram imediatamente entidades abnegadas que os encaminham na senda evolutiva, de maneira que a sua marcha não encontre embaraços quaisquer que os impossibilitem de progredir, como se torna necessário, operando-se sem perda de tempo a sua reencarnação.



Filhote de macaco
O macaco, tão carinhosamente estudado por Darwin nas suas cogitações filosóficas e científicas, é um parente próximo das criaturas humanas, falando-se fisicamente, com seus pronunciados laivos de inteligência; mas a promoção do princípio espiritual do animal à racionalidade humana se processa fora da Terra, dentro de condições e aspectos que não posso vos descrever, dada a ausência de elementos analógicos para as minhas comparações.



E que Jesus nos inspire, esclarecendo nossas mentes em face de todas as grandiosidades das leis divinas, imperantes na Criação."



Emmanuel,

pelo médium Francisco Cândido Xavier





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quarta-feira, 12 de março de 2014

Animais Selvagens e Evolução - parte 2


  “O animal selvagem e cruel não é aquele que está atrás das grades. É o que está na frente delas.” 

Axel Munthe

 
Primata fazendo uso de  ferramentas

 

Mensagem psicofonada sobre a questão dos animais "selvagens "



"A compreensão da evolução dos animais não é uma coisa tão simples quanto Darwin e os humanos imaginam... Falta-lhes a compreensão que vem do desapego do orgulho e pré conceitos, no sentido de conceitos que eles tem dificuldade de abandonar"

Criança agradando um cão
"Em relação aos animais domésticos, eles são retirados da natureza e levados ao convívio de humanos, somente isto. Obviamente o homem assume a "tutoria" e a responsabilidade de cuidar e protege-los, e mais que isso, ele deveria assumir a responsabilidade de auxilia-lo em sua evolução"

"O convívio com os humanos deveria ser uma maneira de "apressar" e facilitar a evolução desses seres com a exposição e o estimulo a enfrentarem situações que estimulam a tomada de decisão para aumentar sua capacidade de exercer o livre arbítrio."

Homem chutando um cão amarrado

"Sabemos que isso não é o que ocorre, por enquanto, O que vemos hoje é os humanos explorando e vampirizando os animais, quando muito "ensinado" a eles tomarem atitudes e fazerem gestos que nós são agradáveis e úteis a nossa espécie, não a sua evolução"

"Criamos Ranks onde julgamos a inteligência dos animais pela capacidade de nos obedecer, em repetir atos que só tem significados para nós e não para eles; assim o Border Collie seria o mais inteligente ou o mais servil....como julgar a inteligência de um animal e com isso sua fase evolutiva, levando em conta parâmetros unicamente humanos; impossível enquanto a mente humana não se expandir e compreender os nuances de cada espécie e parar de julgar os outros seres vivos pelas capacidades e defeitos humanos"

Primata usando vara como ferramenta
"Um golfinho, um primata, mesmo na floresta e dito selvagem consegue ter um aprendizado muito grande e possui um grau evolutivo muito elevado entre os animais. Até por que nós não somos a única espécie que tem uma sociedade elaborada e complexa. Esses animais mesmo vivendo na natureza tem relacionamentos sociais extremamente elaborados e se deixarmos os pré- conceitos de lado não poderíamos chamá-los de selvagens"

"Assim ao homem falta uma capacidade primordial para o entendimento da evolução e dos animais; a humildade de não os julgar por seus parâmetros, mesquinhos e antropomórficos!


Amigo espiritual: Tier Arzt Praxis

Psicofonia do amigo Ricardo Capuano, colaborador do Blog 


Quem será realmente o selvagem?


   Para ler mais





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segunda-feira, 10 de março de 2014

Animais "Selvagens" e Evolução - parte 1

 

"Os animais selvagens nunca matam por divertimento. O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte dos seus semelhantes são divertidas por si." – (JAMES ANTHONY FROUD )

 

Tigre, um animal selvagem ainda muito motivado pelo instinto

 

Os animais selvagens são menos evoluídos que os animais domésticos? 



Esse é um questionamento que tem sido feito repetidamente nos últimos meses, até porque, uma das situações mais corriqueiras é falarmos sempre dos animais que nos rodeiam, como se os considerados " selvagens" - porque possuem certa liberdade, não fossem iguais aos domesticados, de quem a liberdade foi retirada.

Antes vamos compreender  o termo selvagem.

Nós humanos costumamos nomear de selvagem todo aquele que não segue o "nosso" padrão de vida, ou seja, aquele que não segue regras, que não é civilizado ou domesticado, aquele que é livre para viver como bem desejar. Atrelamos porém ao termo alguns pesos ruins como  "matadores violentos", "seres sem compaixão", "extremamente instintivos" e "pouco inteligentes" . Simplificando:

Selvagem é todo aquele que não segue as regras de convivência que nós criamos. 


Para Rousseau, filósofo, o homem selvagem era sim o homem que era considerado naturalmente bom, pois nascera livre. Sua maldade surgiu com o aparecimento da sociedade que lhe impunha servidão -domesticação-, tirania, escravidão e ambição - surgimento das desigualdades e exploração do ser humano pelo próprio ser humano.

Evitamos pensar , porém, o que significa domesticação para os animais: impor a limitação para eles. Não há mais uma sociedade na qual eles possam viver, contudo há novos aprendizados que podem obter ao nosso lado, aprendizados bons ou ruins, dependendo do humano que encontrarem pela frente.

Os animais selvagens[1] igualmente possuem alma, estão também numa caminhada evolutiva e são seres sencientes. Já colocamos no Blog que a evolução não é uma reta (vide Origem e Evolução do Princípio Inteligente) , ou seja,não há que se passar por todos os reinos aracnídeos para daí partir para outro reino, nem por todos os reinos dos felinos, dos canídeos e assim por diante até se conseguir passar para outro reino.

A evolução faz essa "troca" conforme a necessidade de cada alma/espírito. Em cada reino ele aprende mais devagar ou mais rapidamente e pula para aquele onde o espírito tenha necessidade de novo aprendizado. 

Baleias , um animal selvagem que possui grande inteligência e capacidade de comunicação vocal
Não podemos afirmar que todos os animais domésticos são mais evoluídos do que os animais considerados selvagens, basta olharmos para os chimpanzés, gorilas , baleias e golfinhos para notarmos que são tão ou mais evoluídos que muitos animais domésticos.

Poderemos arriscar uma sequencia  evolutiva dizendo que do gato a alma passa a habitar o cão, deste para o cavalo e deste para um primata, já que a comunicação do cão não seria tão perfeita quanto a comunicação de um primata que já consegue aprender a linguagem dos sinais(libras) .

Galileu Galilei no livro psicofonado por João Berbel nos diz o seguinte:

"... um pequeno felino.Para que ele chegue evolutivamente até o estágio de primata não é necessário que passe por outros estágios de espécies, como de um equino ou de um elefante.se um peixe experiencia o seu estágio pisciforme, não é necessário que encarne em todas as espécies de estirpe ictiológica para adquirir a evolução que lhe permita alcançar um filo mais desenvolvido da escala animal."

Não podemos traçar limites para a evolução, ela caminha por onde a alma/espírito necessita caminhar para aprender, é claro que  há certos reinos menos evoluídos do que outros, um cão não poderá retornar ao reino dos anfíbios ou dos insetos,nem um inseto pular de seu reino para o reino dos mamíferos, mas basta olharmos os animais e poderemos ver que a evolução não cessa.

Rosto metade homem, metade chimpanzé



Muitas pessoas , talvez pelo peso que o termo selvagem ainda carregue, acreditam que se um cão passar  deste reino para um reino primata(considerado selvagem), será uma involução. Mas , como já explicamos, nós é que colocamos o termo selvagem apenas como ato instintivo, quando na verdade ele significa liberdade(até certo ponto) de ação.

Vamos supor que o cão ou até mesmo um suíno considerado muito mais inteligente que um cão, tenha aprendido tudo o que lhe foi necessário nesta roupagem, mas ainda não saiba conviver em sociedade ou apanhar objetos com as mãos ou mesmo começar a ficar ereto; nem sua linguagem ainda está totalmente completa.Em qual reino ele obteria tudo isso?

No reino "selvagem" dos primatas. Mas seria uma involução?

Não, o afastamento da domesticação para nós humanos pode até parecer um retrocesso, mas o cão/suíno/cavalo jamais poderá usufruir de um livre arbítrio um pouco maior enquanto permanecer sobre a tutela humana.Tal mudança pode ou não ocorrer no planeta Terra, segundo Galileu, este salto, esta mudança não ocorreria somente aqui.

Gorila, animal vegetariano
Os primatas são, talvez, a passagem do reino animal para o reino hominal que ocorre em outros mundos e não aqui na Terra.

A ciência nos mostra o quanto somos próximos dos primatas, nos mostra uma evolução nestes irmãos que nos surpreende  a cada dia com a construção de ferramentas, a facilidade na aprendizagem dos sinais e a grande capacidade de memorizar e planejar.

Sabemos que os animais domésticos igualmente fazem isso, mas não com uma capacidade tão estendida quanto a dos primatas.

A evolução perpassa o momento totalmente instintivo dos aracnídeos, anfíbios, répteis, insetos, peixes, aves  e até de muitos mamíferos como dos grandes felinos, vemos momentos  quase humanos nos elefantes ao velarem por seus mortos, aprendemos muitos com nossos mamíferos domésticos, mas nada se compara com a capacidade que é adquirida pelos primatas no estado selvagem.

Para esclarecer mais trazemos as palavras de Leon Denis:


"Todos esses invólucros efêmeros não são mais que vestuários que vem ajustar-se a sua forma fluídica permanente.Cobre-os com vestuários para representar os numerosos atos do drama da evolução no vasto campo do Universo."

E Galileu Galilei confirma:

"Instinto e inteligência vão administrando o seu dinamismo no amplo espaço da vida, sem um padrão rígido de escalonamento das espécies."

Evolução do mineral ao hominal

Portanto não podemos afirmar se de cão a alma que ali habita pode passar a habitar o corpo material de um equino ou suíno, pois dependerá de sua experiência de vida naquele corpo material, e como o escalonamento das espécies não é algo rígido, igualmente, dentro de nosso conhecimento, não podemos afirmar que de animais considerados domésticos a animais considerados selvagens seria uma passagem impossível, não são nossos desígnios nem nossas suposições, mas são desígnios e leis Divinas - que muitas vezes não nos é permitido conhecer - já que a escalada evolutiva de todos não se processa num único Planeta.

Galileu, porém traz uma opinião diferente para esta questão:

"... um cão que há se tornado dócil, que há exercitado bastante a sua inteligência no convívio do homem, alcança a passagem da raça canina a dos primatas.mas na terra, tal pulo evolucionário não ocorre[...] Assim temos que aquele animal já avançado no reino animal, alcançando já a condição de passar à estirpe primata, ou deste pata humanoide, cumprirá tal pulo evolutivo noutro planeta que lhe ofereça tal condição" 

Mas vejamos o que outro amigo espiritual nos diz sobre a mesma questão:



" A evolução tem caminhos que nós não compreendemos por completo. Eu digo que a nomenclatura e a questão de julga-los domésticos é unicamente uma visão humana e nada mais. Simplesmente por que retiramos eles da natureza e colocamos sobre nossa tutela não quer dizer que estão melhor. A "domesticação" seria melhor interpretada se fosse uma "tutelação" o que deveria ser um facilitador de sua evolução, mas por enquanto não é assim. O maior beneficiado são os humanos que exploram e utilizam os animais."

Quando questionado se um animal doméstico poderia  passar deste estado para o considerado selvagem :

"Eu diria que sim, um primata que vive em sociedade, mesmo que seja uma sociedade relacionada com seus iguais e por isso não seja considerada "civilizada" por observadores de outra especie, são mais "evoluídos" que cães e gatos." (Tier, mensagem psicofonada pelo amigo Ricardo Capuano)


Uso de ferramenta por um primata

Como podemos ver a questão do "ser selvagem" é uma questão humana, assim como o marcar do tempo, o tempo existe no humano não no animal, por isso alegar que um não pode transitar pelo reino do outro, nos parece um pensamento muito inflexível.


A segunda parte deste artigo trará outra mensagem psicofada do amigo Tier afim de esclarecer ainda mais nossas dúvidas sobre essa questão.


Simone Nardi







Notas


1- Somos o que comemos, isso é verdade. Os animais selvagens devoram suas presas, muitas vezes ainda vivas. Eles caçam para sobreviver, podemos notar que sua evolução espiritual é extremamente Instintiva. Eles são selvagens ainda devido ao forte instinto que os mantém vivos.





Para ler mais


Animais "Selvagens" e Evolução. pt2 



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