Mostrando postagens com marcador pele. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pele. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de maio de 2014

A dor dos Animais



Este artigo pertence a João Ventura e pode ser lido diretamente no site 

O leitor sem qualidades 

Estávamos procurando pelo livro "Diante da Dor do Outro" de Susan Sontag, que retrata como podemos ver, através de imagens de guerras e conflitos em geral a dor do outro; por que a esquecemos tão rapidamente, por que apesar da imagem nos agredir não tomamos nenhuma atitude?? 

A ideia era escrever um artigo sobre o assunto e lançar um desafio aos colaboradores do blog para escrevessem, cada qual a sua maneira, sobre a Dor do Outro, especificamente dos animais.

Quando duas pessoas fazem a mesma coisa, não é a mesma coisa, imaginemos então 3 ou 4 pessoas escrevendo a "mesma coisa". Desafio lançado, fomos procurar o livro na internet.

Foi assim que nos deparamos com este artigo , e que, juntamente com o livro de Sontag nos deu inspiração para que cada colaborador escrevesse livremente sobre o tema "Diante da dor do Outro" e serão estes variados artigos que postaremos durante essa semana e nada mais justo ao artigo e ao autor que seja ele que venha abrir os posts dessa semana.

 Boa leitura 



Tema da semana: "Diante da dor do Outros, livro de Susan Sontag"....










 A Dor dos Animais


João Ventura



Elefanta sendo executada


Mary, uma elefanta de circo executada em 1916, no Tennessee, diante de uma multidão de milhares de pessoas, após reagir a maus tratos e matar um treinador tem sido interpretada como símbolo da repressão e abuso contra animais em circos. A execução com um tiro na cabeça, no zoo de Copenhaguem, de Marius, uma jovem girafa, não por se ter revoltado contra o tratador mas para prevenir problemas de consanguinidade e, depois, esquartejada em bárbaro espectáculo diante dos visitantes, com peritos a explicarem a anatomia do animal aos presentes, entre os quais muitas crianças, antes de ser servida de repasto aos leões, poderia bem constituir um dos inumeráveis remakes da mesma violência infligida pelo homem aos animais. 

O que liga estes dois acontecimentos aos muitos outros sofrimentos que o homem inflige aos animais de maneira menos visível como na produção de carne, na extracção de peles, na indústria de cosméticos, em práticas culturais, em experiências científicas, não é tanto a crueldade sádica mas uma violência banal, endémica, contra os animais que prefigura sempre uma violência contra os homens: A crueldade contra os animais acostuma-nos à crueldade contra os homens”, avisa Coetzee em A vida dos animais. Como neste relato sanguinário que no romance-ensaio Às Cegas, Claudio Magris põe na boca do aventureiro islandês descobridor da Tasmânia: 

“Matar os fugitivos, os cangurus, as baleias – todas as baleias, auspiciou o governador Collins, porque atrapalham as actividades na foz do Derwent – as focas. Na grande baía de North Cape centenas de carcaças de focas esfoladas jazem na praia; os barcos carregados com a sua pele vão-se afastando da margem em direcção ao navio, os pássaros estão já a descarnar os animais macerados à paulada e até mesmo os filhotes são cândidos pompons emporcalhados de sangue. A extensa onda anuncia-se como um sopro profundo, as baleias chegam à foz do Derwent prenhes, viajaram milhares de quilómetros para ali virem parir, como fazem há milénios; as pequenas baleias saem do ventre das mães arpoadas, sangue viscoso do parto e sangue límpido da morte”. 

Conta W. G. Sebald, em Os Anéis de Saturno, que um tal Noël de Marinière, inspector do mercado do peixe de Rouen, viu um dia com espanto um par de arenques que ainda mexiam ao cabo de duas ou três horas em seco e decidiu averiguar melhor qual a capacidade de sobrevivência destes peixes, o que fez cortando-lhes as barbatanas e mutilando-os de diversas maneiras. Este procedimento, inspirado pelo nosso impulso para o saber, é por assim dizer o ponto culminante da história de dor de uma espécie constantemente ameaçada de catástrofe”.  Não observámos já, também nós, nos nossos mercados de peixe, uma cena de crueldade semelhante que ignorámos na convicção de que a fisiologia dos peixes os isenta do medo e das dores que sofrem os corpos e as almas humanas no estertor da morte? 

Donde provém esta banalização do mal contra os animais capaz de estender-se, como a História já comprovou demasiadas vezes, aos próprios homens? Trata-se de uma convicção sem consistência baseada numa convicção antropomórfica arbitrária, segundo a qual os animais não são seres sencientes, não sofrem. Esta convicção resulta de uma cisão entre natureza e cultura que, diz-nos Hölderlin, nos deixou órfãos dos deuses e sem possibilidade de redenção. Ora a etologia ensina-nos que os animais não têm apenas mecanismos instintivos, como a ignorância de alguns e o comodismo de quase todos fazem acreditar. É que - como considera a personagem do romance de Robert Musil que não tendo qualidades alheias, tinha, contudo, a qualidade de reconhecer a alma dos animais-, se Deus se fez homem, poderia ou deveria também fazer-se gato ou flor.

Como olhar com bondade para os animais se a nossa cultura não vem nem dos bosques do poeta Eichendorff nem do mar de Melville, pergunta-se Claudio Magris, em Danúbio? Para afirmar, em seguida, que a mundanidade social constitui o nosso horizonte. Civilização e moral baseiam-se, assim, na distinção entre homens e animais cujas existências mínimas fazemos por ignorar a não ser na sua coisificação em nosso proveito, como sustenta Kant: “As nossas obrigações com os animais são apenas obrigações indirectas com a humanidade.”

A fraternidade solidária humana - que não obstante a sua retórica hipócrita não pára de falhar, atirando os desprotegidos do mundo para a pobreza e o sofrimento - não apenas exclui os animais como, sem consciência da irredimível dor causada, retira à própria Humanidade qualquer esperança de redenção, como afirma Magris: 

 “A irredimível dor dos animais, povo obscuro que acompanha como uma sombra a nossa existência, lança sobre esta última todo o peso do pecado original”.   

Por isso, contra a cegueira que não nos deixa ver o medo e dor dos animais, reconhecer que também a elefanta Mary e a girafa Marius têm direitos universais e invioláveis. E deixarmo-nos, como Marguerite Yourcenar, comover perante "este aspecto perturbador do animal que não possui nada, a não ser a vida que quase sempre nós lhe roubamos”.

João Ventura 


Fonte:O leitor sem qualidades 







Gostou deste artigo?
Mande um recado pelo
Nos Ajude a divulgar 






©Copyright Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2014
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2014
      




terça-feira, 22 de abril de 2014

Qual a definição?


Humano ou H-Umano?

 
O Pensador e o Fazedor


Qual a definição que podemos dar a nós mesmos?

Nomeamos tudo e assim nos nomeamos também, nos chamamos de Humanos, seres racionais, inteligentes, exemplos de seres capacitados, por definição, para nós, a palavra Humano significa todas as qualidades exemplares num ser.

Quando alguém comete uma atrocidade, seja de humano para humano ou de humano para animal, costumamos dizer que tal ser fez algo Des-Humano, que não está colocada dentro das qualidades  excepcionais que  outorgamos a nossa própria espécie. Ser Des-Humano é não ser humano, só nos esquecemos que ser humano, infelizmente não é sinônimo de ser Bom.

SP cao111B
Cão morreu após ter sido salvo de ser enterrado vivo em Registro (Foto: Márcia Colla/Arquivo Pessoal)


Quando lemos a notícia, ou vemos imagens de animais que foram enterrados vivos por seus donos (dono é diferente de tutor), alguns ficam perplexos, outros horrorizados, mas todos concordam numa coisa: foi um ato bárbaro, um ato Des- Humano.

O mesmo acontece quando alguns humanos, filmam outros humano espancando cães, ou abandonando-os a própria sorte nas ruas da cidade: chamamos de pessoas Des-humanas, porque achamos que essas pessoas não são humanas como nós somos.

E como nós somos?

Nós somos Humanos. Nos não enterramos cães vivos nem os abandonamos nas ruas. Alguns de nós são contra touradas, ou contra a caça de baleias , golfinhos e focas, tudo isso é Des-Humano, nós ao contrário somos contra tudo isso pois somos humanos.

Mas tem um porém, nós comemos carne, comemos porque não nos preocupamos com o boi, ora, ele foi criado para nascer, ser separado da mãe, crescer e ser morto para virar alimento. O mesmo ocorre com os porcos, com os frangos, que me importa  o que são ou o que significam, afinal, eles não são cães.Em relação a carne nós não nos achamos Des-Humanos, ao contrário, é nossa "Humanidade" que permite que nós os matemos.

Nunca paramos para refletir que, se ao invés de um boi ser atordoado, içado e fatiado, fosse um cão, nós veríamos isso como Des-Humano, aliás, chegamos ao ponto de chamar de Des-Humanos, países ocidentais que fazem isso com cães... como se apenas os cães fossem sencientes....

Talvez até mesmo o conceito de desumanidade esteja errado em relação a nossa espécie, porque nós não sabemos nem mesmo  ser humanos para poder a partir dele, criar o conceito de que algo sela Des-humano. 

Somos incompletos seres H-Umanos que não conseguem respeitar a própria espécie, que manipula as palavras para poder matar, que manipula seus atos par esconder verdades que lhe refletem mal.

Qual a nossa definição???

Nem nós mesmos sabemos.....


Simone Nardi






Gostou deste artigo?
Mande um recado pelo
Nos Ajude a divulgar 
Twitter 
Facebook 
Enviar por email




©Copyright Blog Irmãos Animais-Consciência Humana - Simone Nardi -2014 
 Todos os direitos reservados 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS - CÓPIA E REPRODUÇÃO  LIBERADAS DESDE QUE CITADA A FONTE - 2014