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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Peixes,dor, alma grupo e muita confusão

Peixe pego pelo anzol.
"Os peixes gritam tanto de dor quanto de medo." 
 Michael Fine, biólogo marinho



É muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que são vegetarianas e que comem apenas peixe, como se a carne de peixe fosse diferente da carne de qualquer outro animal. Também é muito comum ouvirmos alguns espíritas alegarem que é permitido a alimentação a base de peixes por dois motivos:

* Eles não possuem uma alma individual e sim uma alma grupo
* Eles não sentem dor

Peixe fisgado
Vamos estudar sobre isso e desmistificar esse pensamento  antigo de que peixes podem ser mortos para a alimentação pois nada significam, nem materialmente nem espiritualmente.


Podemos começar indicando a leitura do excelente artigo :

  
Aliás, podemos indicar toda a revista , já que se especializou em artigos abolicionistas : Revista Cahiers-Antispecistes

Esse artigo sozinho já no mostra o quanto os peixes, esses animais tão esquecidos, são sencientes  e tão sencientes quanto os mamíferos.

Já para falarmos da alma grupo, indicamos o artigo que se encontra aqui mesmo no Blog :

Quando desencarnam os animais voltam a Alma grupo?

Isso apenas para que angariemos os conhecimentos necessários para podermos debater o assunto da total falta de alteridade para com estes animais.

Peixes presos em rede de pesca

No primeiro artigo reconheceremos a capacidade de sentir , pensar e planejar dos peixes e no segundo aprenderemos o real significado de Alma Grupo, que normalmente visa excluir os peixes do processo de alteridade ao invés de incluí-los.

Sendo assim e depois de vermos o quanto são sensiveis e que o conceito Alma Grupo sequer é um conceito espírita, como manter a ideia de que eles nem sofrem nem possuem alma individual?

Apenas demonstrando que estudamos pouco, mas muito pouco sobre esse assunto. 

Para não sermos repetitivos e para auxiliar aqueles que porventura não conseguiram ler todos os outros artigos por falta de tempo, vamos colocar abaixo o que sabemos sobre esses animais:

Física e psicologicamente

1-possuem compaixão

2-são maquiavélicos(capazes de planejar o futuro)

3-vocalizam a sua maneira comunicando estados diferenciados (medo, aproximação, alegria, etc)

Peixe com a boca perfurado por anzol

4-são capazes de detectar leves vibrações através da pele (sensibilidade inclusive a luz)

5- possuem papilas gustativas que lhes permite escolher o alimento

6- reconhecem odores

7- possuem capacidade de sentir física(dor) e psicológica(medo), o que se evidencia quando são feridos e tentam fugir, ou se contorcem quando pegos pelos anzóis.

8-possuem memória capaz de lhes mostrar de quem ou não fugir ou se aproximar

Concluindo: Biologicamente, anatomicamente e fisiologicamente , o sistema de dor dos peixes é idêntico ao das aves, outro animais muito esquecido pela maioria.

Espiritualmente

1- Alma grupo é apenas um conceito que veio da Teosofia e foi "absovido" por alguns estudiosos que mesclaram Teosofia com Espiritismo

2- Embora vivam juntos, cada peixe, individualmente já possui seu PI, que lhe possibilita escolher, pensar e planejar de modo próprio, isso seria impossível se fossem um amalgama de almas.

Concluindo: Mesmo que o conceito de alma grupo fosse válido , o que não é, o que nos daria o aval de matá-los se já fomos capazes de reconhecer que eles são seres sencientes?

Peixe se retorce para se livras do anzol

O que nós fazemos: Algumas pessoas acreditam que os peixes não sofram, mas na pesca com redes/anzóis eles morrer asfixiados. Outros, adeptos da falaciosa e cruel pesca esportiva ou pesque e solte, não tem, ou não querem, ter noção da crueldade que praticam, primeiro porque o anzol perfura uma parte extremamente sensível do peixe que é a boca, e que pode inflamar, infeccionar impedindo que o peixe depois de solto se alimente e possibilitando que oputros peixes o ataquem devido a ferida aberta, o que culmina,cedo ou tarde, em sua morte, mas isto é um fato longe dos olhos do pescador.

Muitos peixes de porte grande, quando capturados, são erguidos pelo próprio anzol para que o pescador cruel tire fotos,  o que aumenta a perfuração do anzol e aumenta a possibilidade de morte do animal.Alguns sites citam a possibilidade de se destroncar o maxilar do animal.Mas , mesmo que tais fatos não ocorressem, somente o fato de perfurarmos a boca de um animal senciente por mera diversão já caracteriza o quanto somos cruéis com as demais espécies.

Anzol de pesca

Ouvimos certa feita uma palestra sobre "vegetarianismo" que prosseguia até bem, até que a palestrante ao falar sobre os peixes alegou que ele não sentiam dor e que pertenciam a uma alma grupo, por isso, nas palavras dela que repetiremos aqui , em termos de alimentação " os peixes estão liberados".

Questionada sobre o que acabamos de ler, sobre a senciência dos peixes, a palestrante  demonstrou não saber responder, por isso acreditamos que,aqueles que ainda usam tais termos como não sentir dor ou pertencer a alma grupo, não o fazem por maldade, mas por puro desconhecimento.

Cabe a cada um questionar tais termos durante as palestras, afim de acabar com tal confusão que faz dos peixes meros objetos de consumo,mesmo para alguns vegetarianos.


Simone Nardi

 

Vídeo


 



Referências


Os Peixes: uma sensibilidade fora do alcance do pescador 

Peixes, uma sensibilidade: Vídeo

Quando desencarnam os animais voltam a Alma grupo?

Revista Cahiers-Antispecistes

 



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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Animais, nossos irmãos (Estudo) Parte 7



“Cuidado significa, então, desvelo, solicitude, diligência, zelo, atenção, bom trato... estamos diante de uma atitude fundamental, de um modo de ser mediante o qual a pessoa sai de si e centra-se no outro com desvelo e solicitude”. Leonardo Boff Encontrando o Caminho
 

Estamos desvendando juntos um mundo que para alguns é realmente novo, um mundo onde a inclusão da responsabilidade moral para com os animais se faz presente, os laços de afeto, as relações de irmandade a qual sempre nos referimos ao falarmos sobre suas almas, agora realmente começam a existir na prática, não apenas nas palavras. Seguimos então o caminho tortuoso de mostrar que muita coisa em que acreditávamos não passavam de mentiras que nos foram ensinadas ao longo do tempo, e que hoje precisam sumir na poeira dos desenganos. Eles não apenas possuem alma, mas são seres sencientes e inteligentes; diante desse novo conhecimento algo precisa mudar : Nosso comportamento diante deles, nossa exploração por seus corpos está baseada exatamente no fato de que não acreditávamos que eles eram iguais a nós, não em forma corporal, mas emocional e sensorial. E agora sabemos: eles são iguais a nós.

Que atitude tomar então?

É inegável que muitos irão continuar ignorando esse fato, como também é inegável que muitos irão mudar. Caridade e compaixão. Pode até haver alguém que diga que um bifinho “não faça mal”, é aquele que pensa em si mesmo apenas, não se enxergando como irmão daquele Ser ainda em condição inferior ( na escalada evolutiva) à ele .

Sabemos há muito, faz parte da índole humana pensar em si, depois nos demais; só que o desprendimento do mundo material só vai ocorrer quando pensarmos igualmente no próximo e então em nós mesmos, ainda mais quando a vida desse próximo depende inteiramente de uma mudança de atitude moral da nossa parte.

Para aqueles que não querem mudar, nada mais podemos fazer além de acreditar que cedo ou tarde, eles realmente verão que os animais não foram criados para o uso que fazemos deles. Para aqueles que querem mudar, o que podemos fazer é incentivar, auxiliar e dizer o quanto nos sentimos felizes com essa mudança, por isso traremos dois assuntos importantes que são conseqüências da conscientização: O vegetarianismo e o veganismo.

Desde que me propus a escrever sobre a inclusão moral dos animais não-humanos dentro de nossa visão ética e religiosa, jamais havia tocado diretamente no fato das pessoas se tornarem vegetarianas ou veganas. Falava sobre como devemos agir com amor, com compaixão e misericórdia para com esse nossos irmãos, contudo, acredito que seja tempo de falar mais claramente sobre esse assunto que assusta tanto alguns espíritas : o que é o vegetarianismo e o que é veganismo, para aqueles que estão em mudança e para aqueles que já mudaram. Nesses 4 anos na Feal, pude sentir que muitas pessoas compartilham da visão de que realmente os animais são nossos irmãos, de que merecem nosso respeito e nossa compaixão; alguns mudaram, alguns deixaram de se acanhar diante do assunto e se mostraram interessados, questionando, buscando por mais respostas, o que demonstra que ao se descobrir uma verdade deve-se fazer isso racionalmente, sem fanatismos, sem se deixar levar pelo entusiasmo. Pude ver que foi um espaço democrático para que outros amigos trouxessem a tona suas experiências, suas angustias, suas alegrias, demonstrando que o trabalho ao qual havíamos nos proposto a realizar realmente estava trazendo resultados, e quando me refiro a nós, me refiro aos amigos espirituais que muito se dedicam a essa causa, amigos desconhecidos que trabalham em silêncio por esses irmãos em ascensão, que dia a dia travam uma guerra sem fim contra a crueldade que impomos aos animais, amigos que me pediram: trabalhe por eles. Amigos que passaram mensagens já postadas aqui e que se mantiveram anônimos porque para eles o trabalho pelos animais é o que importa. E aos poucos pudemos notar que muitas pessoas se interessaram pelos animais, não apenas espiritualmente, mas pelo que lhes acontecia enquanto encarnados e por isso esse trabalho tem sido recompensado com emails e palavras de incentivo. Mas vamos ao que realmente nos interessa, lembrando sempre que, seja qual for a alimentação , sempre serão necessários cuidados nutricionais:

Vegetarianismo [1]: esse é com certeza o primeiro passo para quem descobriu nos animais uma irmandade que lhe ficava oculta, muitos colocam como um modelo, como uma filosofia de vida, mas na verdade tornar-se vegetariano é muito mais que isso, é uma atitude que denota verdadeiro interesse pelo Planeta e por aqueles que sofrem, pois a abstenção de fazer o mal começa também pela boca. Cada um deve levar em conta o seu tempo pois o desligamento da alimentação carnívora para uns pode ser fácil, enquanto que para outros pode ser mais difícil, essa mudança de hábito cultural, contudo, denota grande coragem em encarar os problemas de frente, de se posicionar, de praticar a caridade. Mas, pelos motivos certos, nenhum ideal deixa de ser erguido dentro de nós. Algumas pessoas simplesmente abandonam de uma só vez todos os tipos de carne, se mantendo apenas nos derivados do leite (queijos e laticínios) os conhecidos lacto-vegetarianos. Outras precisam de um tempo maior e vão abandonando aos poucos primeiro a carne bovina, depois a suína, a de frango, peixes, numa caminhada Ética até o topo. Em todos os casos é preciso reaprender a se alimentar, o novo vegetariano não pode simplesmente abdicar da carne e comer apenas salada, é preciso que ele coloque em suas refeições pratos que até hoje ele considerava apenas como secundários (acompanhamentos). É o equilíbrio alimentar que o deixará saudável, por isso a importância em buscar informações sobre o assunto em sites especializados, comunidades ou mesmo com amigos, para que a mudança seja realizada sem problemas. Veganismo [2]: é a principal mudança que as pessoas podem fazer em relação aos animais. Um degrau mais alto que o vegetarianismo onde alguns ainda fazem uso de ovos, do leite e seus laticínios; o veganismo toma um rumo Ético ainda mais prático, eliminando do uso diário qualquer tipo de produto que provenha da exploração animal. Não se faz uso de roupas de couro, seda, lã ou peles, de produtos que assumidamente tenham realizado testes em animais, não se utiliza mel de abelha, cera ou própolis, não se come peixes, ovos ou laticínios, ou seja, o vegano se exime completamente do uso de qualquer coisa que provenha da exploração animal. É uma mudança que exige muito mais do que apenas tornar-se vegetariano, porque se pode ver através do veganismo os inúmeros abusos cometidos contra os animais em nosso dia a dia. E é uma mudança que obrigou muitas empresas a mudarem também. Hoje existem no mercado inúmeros produtos isentos de crueldade, a pressão dos que lutam pelos animais tem conseguido fazer com que as empresas troquem os testes realizados em animais e partam em busca de métodos alternativos. Hoje também existe uma gama enorme de cosméticos isentos de crueldade, isentos de produtos de origem animal, provando que é possível mudar de atitude e criar novas mudanças com isso. Agora se espalham pelas prateleiras dos supermercados produtos para vegetarianos e veganos, porque é um mercado que cresce e cresce simplesmente porque cada vez mais pessoas abriram os olhos para essa cruel realidade que aflige os animais não-humanos.

Claro que existem ainda muitas barreiras que são levantadas contra o vegetarianismo e o veganismo, ora alguém aponta a falta de vitamina B12 que só é encontrada em produtos de origem animal e embora seja verdade, sabemos que ela pode ser suplementada através de comprimidos igualmente isentos de produtos de origem animal. Ainda há quem diga que veganos e vegetarianos não consomem proteínas, o que não é verdade e sim desconhecimento, pois existem boas fontes de proteína que não são de origem animal e que muitos ignoram porque só possuem olhos para a “carne”. Sementes de gergelim e girassol, grão de bico, feijão, lentinhas, ervilhas, castanhas, amêndoas, nozes e a soja, todas são fontes de proteína. Para se manter saudável é preciso apenas começar a prestar atenção na imensa quantidade de alimentos que deixamos de lado durante todos esses anos. Quando fazemos isso notamos que não precisamos obter o ferro apenas da ingestão de animais, além de estar presente nos alimentos já mencionados, ele se encontram em vegetais verde-escuros, aqueles mesmos que só são ingeridos uma vez ou outra, e como mero acompanhamento do prato principal. Igualmente o cálcio que muitos insistem em dizer que só existe no leite e seus derivados, pode ser encontrado nas leguminosas, nas oleaginosas, nos mesmos vegetais verde-escuros onde encontramos o ferro ou seja, em fontes vegetais que passarão de mero acompanhamento à pratos principais até porque, somente os seres humanos é que continuam tomando leite na fase adulta. Existem inúmeros sites dirigidos a veganos e vegetarianos, existem nutricionistas especializados para esclarecer essas questões, demonstrando que ninguém mais precisa repetir que a carne nutre a carne quando a ciência começa a provar que ela não é mais necessária ao corpo, que podemos viver bem sem nos utilizarmos da morte de animais, porque é isso o que fazemos, não ligamos a “carne” dita no Livro dos Espíritos aos milhares de animais que são mortos diariamente, porque essa conexão não nos interessa e não nos interessa porque nos fará pensar e pensando seremos forçados a nos ver como seres totalmente isentos de compaixão.

Claro que muitos irão dizer que o vegetarianismo ou o veganismo não torna alguém melhor, inúmeras vezes ouvimos dizerem que Chico comia carne e que Hitler era vegetariano(3), mas sabemos que é a conscientização que torna a pessoa melhor, existem muitas pessoas que se tornam vegetarianas por modismo, essas pessoas não fazem isso para o bem do próximo mas por interesses próprios e isso é egoísmo não altruísmo. Ninguém que se esforce para ajudar os animais é uma pessoa má como alguns querem colocar, há o mito de que as pessoas que cuidam de animais não ajudam outras pessoas, que são misantropos, mas sabemos que muitos que auxiliam apenas humanos também o fazem por um interesse próprio, sabemos que muitos que batem no peito e se dizem caridosos às vezes só os são nas ruas, e são verdadeiros tiranos em casa, mesmo assim não podemos generalizar dizendo que a caridade entre pessoas não torna alguém melhor. O mundo se tornará melhor na medida em que nós nos tornarmos melhores, na medida em que deixarmos essas acusações absurdas de lado e partirmos para o trabalho, queiramos ou não, a compaixão pelos animais irá fazer parte da nossa evolução.

As respostas estão aqui, as informações foram passadas e as portas estão abertas, agora é direito de cada um pensar por si mesmo, mas não há como se esconder mais atrás de antigos tabus. Isso é o que fazemos com os animais, isso é o que podemos ou não fazer. Quando mudamos outras mudanças decorrem dessa primeira mudança. Quando nada fazemos, nada acontece, nada muda e os animais continuam a sofrer.

Está em nossas mãos o destino dos animais. 



  Notas: 

  [1] Vegetarianismo: devemos lembrar que a quantidade de animais que sofrem é muito grande e esse primeiro passo é muito significativo, porém não é o último. Encontramos dentro do vegetarianismo diversas formas de alimentação: os ovo-vegetarianos, lacto-vegetarianos, ovo-lacto-vegetarianos, que dentro de cada parcela, ainda se utiliza de um tipo de exploração animal. 

  [2] Veganismo: conhecidos também como vegetarianos estritos ou éticos; o fato é que o veganismo recusa-se a qualquer forma de exploração animal, tirando do uso diário tudo que possa vir da tortura animal: leite e seus laticínios(queijos, manteiga, cremes, maionese), ovos, peixes, não fazendo uso de objetos que igualmente compactuem com a tortura animal como couro, pérola, marfim, sabonetes feitos com gordura animal, cosméticos testados em animais, perfumes . O mesmo ocorrendo com o aprisionamento de animais para diversão como circos e zoológicos, pesca , corridas , caça, gaiolas e tantas outras formas de exploração animal.Um problema levantado por muitos médicos é a ingestão de vitamina B12, mas ela pode , tranquilamente, ser administrada via oral com medicamentos que não provenham da exploração dos animais. 

  [3] O mito de que Hitler era vegetariano é uma ideia compartilhada por muitos escritores, segundo alguns , foram os médicos de Hitler que lhe indicaram uma dieta vegetariana devido a problemas estomacais crônicos, já que muitos de seus biógrafos afirmam sua preferência por carnes. Sua cozinheira deixou registrado no livro intitulado "Gourmet Cooking School Cookbook “ que ele adorava um prato onde o recheio era filhote de pombo. 

  Para conhecer mais: 

  Chico Xavier/Irmão X - Contos e Apólogos e Treino para a Morte Instituto Nina Rosa - A Carne é Fraca (vídeo) e Não matarás (vídeo) Earthilings (Vídeo) - Terráqueos SVB - Sociedade Vegetariana Brasileira Galáxia Alfa Sítio Vegetariano Nutriveg Centro vegetariano Revista dos Vegetarianos - Edição mensal em bancas de todo País. Guia Vegano Animais tem senso de Moral ANDA - Agência de Notícias dos Direitos Animais Pensata Animal – Revista Eletrônica dos Direitos Animais Rádio Boa Nova - Nossos Irmãos Animais Egroup Clara Luz - OS ANIMAIS TÊM ALMA!










Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.





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terça-feira, 22 de abril de 2014

Qual a definição?


Humano ou H-Umano?

 
O Pensador e o Fazedor


Qual a definição que podemos dar a nós mesmos?

Nomeamos tudo e assim nos nomeamos também, nos chamamos de Humanos, seres racionais, inteligentes, exemplos de seres capacitados, por definição, para nós, a palavra Humano significa todas as qualidades exemplares num ser.

Quando alguém comete uma atrocidade, seja de humano para humano ou de humano para animal, costumamos dizer que tal ser fez algo Des-Humano, que não está colocada dentro das qualidades  excepcionais que  outorgamos a nossa própria espécie. Ser Des-Humano é não ser humano, só nos esquecemos que ser humano, infelizmente não é sinônimo de ser Bom.

SP cao111B
Cão morreu após ter sido salvo de ser enterrado vivo em Registro (Foto: Márcia Colla/Arquivo Pessoal)


Quando lemos a notícia, ou vemos imagens de animais que foram enterrados vivos por seus donos (dono é diferente de tutor), alguns ficam perplexos, outros horrorizados, mas todos concordam numa coisa: foi um ato bárbaro, um ato Des- Humano.

O mesmo acontece quando alguns humanos, filmam outros humano espancando cães, ou abandonando-os a própria sorte nas ruas da cidade: chamamos de pessoas Des-humanas, porque achamos que essas pessoas não são humanas como nós somos.

E como nós somos?

Nós somos Humanos. Nos não enterramos cães vivos nem os abandonamos nas ruas. Alguns de nós são contra touradas, ou contra a caça de baleias , golfinhos e focas, tudo isso é Des-Humano, nós ao contrário somos contra tudo isso pois somos humanos.

Mas tem um porém, nós comemos carne, comemos porque não nos preocupamos com o boi, ora, ele foi criado para nascer, ser separado da mãe, crescer e ser morto para virar alimento. O mesmo ocorre com os porcos, com os frangos, que me importa  o que são ou o que significam, afinal, eles não são cães.Em relação a carne nós não nos achamos Des-Humanos, ao contrário, é nossa "Humanidade" que permite que nós os matemos.

Nunca paramos para refletir que, se ao invés de um boi ser atordoado, içado e fatiado, fosse um cão, nós veríamos isso como Des-Humano, aliás, chegamos ao ponto de chamar de Des-Humanos, países ocidentais que fazem isso com cães... como se apenas os cães fossem sencientes....

Talvez até mesmo o conceito de desumanidade esteja errado em relação a nossa espécie, porque nós não sabemos nem mesmo  ser humanos para poder a partir dele, criar o conceito de que algo sela Des-humano. 

Somos incompletos seres H-Umanos que não conseguem respeitar a própria espécie, que manipula as palavras para poder matar, que manipula seus atos par esconder verdades que lhe refletem mal.

Qual a nossa definição???

Nem nós mesmos sabemos.....


Simone Nardi






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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

As Plantas

Imagem: Rosa



Vamos tocar num assunto muito conhecido dos vegetarianos/veganos: as plantas. Esse tema não é novo, em 2006(1) escrevi um pequeno ensaio (Reflexão sobre a atribuição de sensibilidade as Plantas)que rodou a internet e incentivou alguns amigos a pensarem sobre o assunto e hoje, alguns anos depois, posso ver como ainda desconhecia muita coisa, por isso é preciso muito cuidado com o que vai ser respondido, pois nosso futuro pode sempre mudar. Muitos estudos já se baseiam na inclusão delas em nossa esfera moral(2) e, embora possa parecer complicado, não é impossível que tal fato venha há ocorrer daqui a alguns anos. Mas a questão das plantas continua sendo uma das melhores “armas’” de defesa para pessoas que se negam a aceitar o fato de que os animais sofrem ao serem explorados. A grande maioria, não sabendo como se defender do que é óbvio frente aos olhos de qualquer pessoa, mas que as assusta ao ponto tentarem ridicularizar os próprios amigos, indagam sempre a mesma coisa: “Vocês não comem animais, mas e as plantas, afinal, elas também são seres vivos e sentem dor!?” Mal sabem elas que armam uma perigosa armadilha contra si mesmas, porque desconhecem tal assunto, e porque uma ética para as plantas, exige antes do que qualquer outra coisa, uma ética para com os animais.


Até quando vamos buscar por uma ética antropocêntrica, centrada no homem, enquanto que a verdadeira ética jaza moribunda debaixo do nariz de cada um?


Não comemos animais somente porque sabemos que eles sentem dor ou prazer, mas porque, tal como nós, possuem o interesse em permanecerem vivos. Não sabemos ainda se as plantas sentem realmente dor, mas sabemos que elas possuem uma singularidade conosco e com os animais: o mesmo “desejo” de permanecerem vivas. E o Biocentrismo acata a esse “desejo”, colocando-as como seres aceitáveis dentro de nossa comunidade moral. É, porém, uma nova ética a ser ainda estudada, debatida e compreendida, mas demonstra o avanço rumo à moralização humana, moralização que se iniciou há muitos séculos atrás quando deixamos de acreditar que as mulheres não possuíam alma, depois os negros, os indígenas e agora com a recusa a exploração animal, é assim que a ética trabalha, mudando a moral e as antigas tradições, restaurando e mudando conceitos, dando mais eticidade aos seres para que possam conviver em harmonia com o Planeta.


A questão, para o momento, pois nem todos conseguiram alcançar o grau biocêntrico ainda é: as plantas sofrem tanto quanto os animais? Cientificamente já foi comprovado que animais em geral, e vamos frisar aqui os peixes que algumas pessoas insistem em dizer que sofrem menos, todos sentem dor, sentem medo e fogem daquilo que os ameaça. Todos buscam pela preservação da vida, ao menos nesse primeiro momento é incomparável a dor que notamos nos animais diante da comparação que podemos fazer com as plantas. Porém, ao contrário do que possamos ter lido ou ouvido falar, as plantas não são como objetos, pratos, talheres ou carros. Elas buscam a melhor forma de viver, de sobreviver ao meio que as cerca, evoluíram assim como os animais num território extremamente feroz e competitivo e são, também como os animais, seres pluricelulares(3) que também, ao contrário do que achávamos há alguns anos e do que muitos ainda hoje insistem em dizer, não são seres totalmente inertes e passivos diante das agressões externas que possam vir a sofrer, sejam doenças ou insetos, pois desenvolveram mecanismos de defesa que são acionados diante de qualquer agressão. O fato de não poderem fugir quando são queimadas, por se tratarem de organismos sésseis(4), não significa que estejam totalmente impassíveis ou que sejam seres inanimados diante de determinadas ameaças. Como as víboras, escorpiões e aranhas, as plantas também possuem seu próprio arsenal químico, com venenos tão tóxicos que podem, igualmente aos de aracnídeos e serpentes, levar os animais humanos a morte se houver desrespeito em relação a elas. O mecanismo pelo qual elas reconhecem as agressões talvez ainda não esteja totalmente descrito, porém, apenas o fato de sabermos que elas buscam esses mecanismos, que buscam o Sol para realizarem a fotossíntese a fim de continuarem vivendo, já deixa claro que não são objetos inanimados. Evoluíram, cada qual ao seu tempo, de folhagens apenas, para flores, porque descobriram a necessidade de se tornarem chamativas aos insetos que as polinizam, criaram cores e odores, e ainda evoluem.


Imagem: Flor
A grande maioria das pessoas ainda não consegue vê-las como seres vivos, mas apenas como artigos de paisagismos, desconhecendo e desrespeitando muitas vezes suas reais necessidades de sobrevivência (reprodução, defesa a agressões, respiração, etc.). O conhecido diretor de cinema M. Night Shyamalan, contou numa entrevista, que antes de realizar seu filme “Fim dos Tempos”, estudou sobre os mecanismos das plantas e ficou surpreso ao descobrir como elas, esses seres vistos como inanimados, reagiam diante de ameaças e como haviam desenvolvido sistemas incrivelmente complexos para lidar com problemas:


“Um campo de algodão, por exemplo, ao ser atacado por um parasita por um dos lados, envia um sinal para o outro para avisar a tempo que está sendo atacado e para que as plantas do lado de lá liberem algum tipo de substância química contra os predadores. É um sistema de comunicação impressionante. ”

De onde provém essa estratégia de defesa das plantas, seja por barreiras físicas ou químicas(5)? A excreção de substâncias, a produção de enzimas, proteínas e de fitoalexinas(6)? É inegável que as plantas demonstram vida ao crescerem, se desenvolverem e reagirem diante de estímulos exteriores, retorcendo-se para escapar da escuridão em busca de um raio de Sol, da qual dependem para sobreviver. Sua interação com o mundo se dá através das cores de suas flores, algo que desenvolveram ao longo de sua evolução conforme suas próprias necessidades, dos espinhos que afugentam, das toxinas, da doçura de sua seiva que lhes permite a polinização através do pólen e de sementes, da sinalização através de odores repulsivos ou adocicados, uma complexidade que não pode ser totalmente ignorada; diante dessa luta pela autopreservação até mesmo a senciência acaba se tornando irrelevante(7), descobrir como lutam para sobreviver, como conseguem se comunicar com outras a distância, mesmo que através de agentes químicos ou elétricos para que não sejam devoradas, é uma coisa a ser totalmente desvendada pela biologia; até pouco tempo havia quem achasse que os animais também não eram sencientes, ou seja, não sabemos tudo, não podemos julgar o que desconhecemos, não sendo possível afirmar que a planta não tenha qualquer interesse, posto que para sobreviver ela se aperfeiçoa, se protege e se torna mais atrativa, tudo com um propósito, o que a leva a isso ainda nos é desconhecido. Se usarmos da senciência para separarmos o que deve viver ou não, cairemos na mesma questão que levou Peter Singer a ser proibido de realizar palestras na Alemanha por defender a senciência como base/cisão, criando uma brecha para que fossem aceitos tanto a eutanásia quanto o aborto, por tratar-se nesse caso, do feto ainda não ter interesse nem ser senciente, e não podemos esquecer que até pouco tempo, muita gente também afirmava que os animais igualmente, não tinham qualquer interesse, apenas existiam.


“Embora o feto, depois de certa altura seja capaz de sentir dor, não há fundamento para julgá-lo racional ou auto consciente. [...] bebês humanos não nascem conscientes nem capacitados a entender que existem no tempo”


Não queremos comparar as plantas com animais, sejam eles humanos ou não-humanos, o interesse aqui é apenas demonstrar que a senciência não é mais uma fonte tão segura para nos espelharmos na defesa da vida em si. Será que já compreendemos tão bem assim o significado da frase: “Valor da vida”? Antes nossa compreensão nos permitia dizer que apenas a vida humana possuía valor, com o tempo descobrimos que a vida dos animais igualmente possuía valor, aos poucos o Biocentrismo nos mostra que qualquer vida possui bem inerente8, sendo assim, nos surge outra questão: assim como a razão foi um dia a fronteira entre homens e animais, por que hoje, apenas a vida dos sencientes deveria ter valor? Será que alcançamos um patamar de conhecimento tal, que a senciência deva mesmo ser a última fronteira a definir o limite para a expansão de nossa comunidade Moral?


“A Terra é um estágio muito pequeno numa vasta arena cósmica. As nossas presunções, a nossa imaginada auto-importância, a ilusão de que nós temos alguma posição privilegiada no universo são desafiadas por este ponto de luz pálida”. (Carl Sagan)

Esse mesmo astrônomo também afirmou um dia, que as plantas eram nossos parentes distantes, e que nós e os animais nada mais éramos do que simples parasitas delas.

“As plantas são o resultado. [...] os animais, tal como os seres humanos, são parasitas das plantas. ”

E um pouco mais adiante ele prossegue, numa frase que seria própria a moral e a ética biocêntrica, embora ele mesmo ainda não o fosse.


“Houve o surgimento de uma organização celular semelhante às células atuais, que se tornou o ancestral comum de plantas e animais; o que implica em um distante grau de parentesco entre o ser humano e as plantas que o rodeiam. Logo, quando o homem corta uma árvore, está destruindo um parente distante; ou próximo [...] Nós, seres humanos, parecemos bem diferentes de uma árvore. Sem dúvida, percebemos o mundo de uma maneira bem diferente de um vegetal. Mas no fundo, no íntimo molecular da vida, árvores e nós somos essencialmente idênticos. Consideremos a enorme diversidade de formas  de vida na Terra, todas compartilhando do mesmo planeta e de idêntica biologia molecular.”

Imagem: Pássaros
Ou seja, apesar da diversidade de seres que existem nos mais variados reinos, todos apresentam o mesmo material genético que proporciona o bom funcionamento da vida. Não seria o caso então de revermos antigos conceitos, de fazermos uma limpeza moral, ética e estrutural em nós mesmos? Uma revisão na busca pela verdade que nos faça, de certa maneira, abandonarmos qualquer conhecimento que possa nos trazer o mais leve erro interpretativo, afinal, o biocentrismo já colocou a senciência em dúvida; Seria mesmo ela a última barreira? Será que ainda devemos, como Aristóteles e Descartes, continuar acreditando que a razão é o que nos separa dos demais ou que somente porque pensamos é que existimos? Sabemos que esses mesmos pensamentos culminaram em maior desrespeito pelos animais e que ainda hoje, são os principais responsáveis pelo especismo, afinal, como os animais não possuíam uma linguagem falada significava para Descartes, que também não pensavam, não conseguindo pensar, nada mais seriam do que máquinas insensíveis(9). O que nos leva a notar claramente que muitos hoje possuem essa mesma visão em relação às plantas por elas não “sentirem”, não se locomoverem e não pensarem; mais uma vez repetimos pensamentos antigos em relação a seres que ainda desconhecemos. Fica ainda mais fácil notarmos a comparação ao colocarmos o pensamento de Descartes sobre os animais e posteriormente o compararmos com o que hoje, muitos autores se referem quando tratam do assunto “plantas”.


Para o filósofo, os animais não eram seres auto conscientes, não possuíam faculdades cognitivas ou linguagem inteligível, não possuíam interesse e nem sabiam que existiam no mundo; Descartes por sua vez, evitava usar o termo “animais” para cães, gatos ou macacos, que eram rotulados por ele como “bestas”, que nada mais eram do que seres autômatos mecânicos – embora, como nas plantas, fosse perceptível um “comportamento intencional” como o de buscar comida ou reagir ao perigo – o que causou uma perturbadora implicação no uso dos animais: “Com efeito, no século subsequente ao da morte de Descartes, seus seguidores celebrizaram-se pelo tratamento cruel que davam aos animais no curso da pesquisa experimental em fisiologia; sabemos que o próprio Descartes praticava a vivissecção com aparente serenidade”. (Dicionário Descartes de John Cottingham)

“Parece seguir-se daí que, uma vez que os animais não são coisas pensantes, são eles meras massas de matéria extensa – complexos, é verdade, na organização de suas partes, mas completamente destituídos de qualquer coisa a que se pudesse chamar consciência. A importância da linguagem, como “o único sinal seguro de pensamento interior”, foi salientada por Descartes como crucial evidência da ausência completa de pensamento nos animais. ” (Dicionário Descartes de John Cottingham)

Muitos autores hoje colocam o mesmo sobre as plantas e ensinam veganos e vegetarianos a pensarem assim, o fato de não sabermos como reagem nesse caso parece não ser levado em consideração, elas são consideradas seres desprovidos de qualquer interesse e consciência, o que as torna seres insensíveis e para alguns, inanimados, quase objetos, se antes havia a teoria do animal-máquina, hoje as plantas tomaram esse lugar e se tornaram plantas-máquinas; mesmos pensamentos para outros seres singulares(10). Se antes a razão dividia os seres, hoje a senciência é que ocupa esse lugar, mas então nos surgem novas e novas indagações: se a planta busca o Sol para poder sobreviver, o faz “mecanicamente” ou porque reconhece, de alguma forma, que o Sol lhe é benfazejo? Se “reconhece” é porque seria senciente? Se lhe é possível reconhecer as ameaças a sua sobrevivência, o faz de que modo? Como se comunica, como “sente” essa necessidade de expelir odores ou criar espinhos para se defender? São questões que ainda estão sendo estudadas e que não nos permitem afirmar categoricamente, que sejam realmente seres desprovidos de qualquer sensibilidade.


“Se a capacidade racional, a linguagem conceitual e o pensamento lógico forem critérios morais distintivos, isto é, indicadores de quem é digno de consideração moral, ou não, esses critérios excluem do âmbito da comunidade moral não apenas todas as espécies vivas não-humanas, mas também muitos humanos que não possuem as habilidades típicas, ou que já as perderam, por doença, idade ou acidente. Considerando-se que a ética e a justiça são a expressão máxima da razão humana, norteada pelo princípio da igualdade, a discriminação moral de seres semelhantes, por parte dos humanos, deve ser questionada. ” (Sonia T. Felipe)

“Nem a racionalidade nem a capacidade para sentir prazer e dor me parecem condições necessárias (embora possam ser suficientes) para a consideração moral. (…) Nada menos que a condição de estar vivo me parece um critério plausível e não arbitrário. ” (Kenneth Goodpaster)

O fato de aceitarmos que um ser tão renegado quanto às plantas possa um dia vir a ser respeitado como um ser que busca a vida, nos trará ainda mais força na lua pelos Direitos Animais, já que os animais são seres sencientes, que se movimentam, que fogem da dor, que buscam carinho. Ao aceitarmos que sim, como nos dizem os onívoros, que as plantas sofrem, temos ainda mais força para questioná-los porque então não pararam ainda de explorar os animais, já que possuem plena consciência de que o sofrimento das plantas também é importante e deve ser diminuído até que não mais exista. Esse pensamento de compaixão que eles dizem possuir pelas plantas seria ainda mais benéfico em relação aos animais, o que os deixaria numa posição muito incômoda afinal, a preocupação com as plantas requer um grau de sensibilidade ainda maior do que aquele que temos em relação aos animais.


Assim como coloquei no ensaio anterior sobre as plantas, sabemos que no momento devemos praticar a velha frase que nos diz: “Dos males o menor”. Somente essa frase bastaria para vencer esse argumento. O animal sofre, eu vejo, a planta eu ainda “imagino”, mas é com certeza um salto gigantesco passarmos direto do onivorismo para o biocentrismo e como estamos aprendendo a cada dia, nos moralizando a cada dia, do onivorismo passamos para o vegetarianismo e/ou para veganismo e um dia, quem pode dizer quando, para o Biocentrismo, o certo é que, no momento no qual nos encontramos devemos sempre nos questionar: diante de nossos olhos de aprendizes da harmonia com o Planeta e com os seres que nele vivem, qual sensibilidade nos toca mais? As Plantas sofrem? Claro, porque criam mecanismos de defesas contra doenças que, de algum modo elas “sabem”, poderiam matá-las. E os animais, não sofrem? Fazemos o primário antes da faculdade ou fazemos a faculdade antes do primário? Se já somos biocêntricos é porque já passamos pela fase do veganismo, não há qualquer outra saída para essa questão.


Na verdade o argumento das plantas é a fuga mais fraca que pode ser usada contra os veganos, não há porque temer tal questão, ela só rebaixa mais a pessoa que pergunta do que o vegano que luta por uma ética melhor, não há porque alegar sobre SNV (Sistema Nervoso Central), sinapses, sobre a dor que podem ou não sentir, sobre lóbulos ou córtex cerebrais, nem sua individualidade ou racionalidade de escolher o que desejam, o Biocentrismo derruba tudo isso quando coloca a Vida, como “Bem primordial”, e se somos capazes de pensar nos animais, pensaremos um dia nas plantas e se eles se preocupam mesmo com as plantas ao questionarem sobre elas a um vegano, nada mais provam do que sua total ignorância sobre o assunto. Não é possível ter compaixão pelas das plantas e continuar devorando animais, isso sim é irracional.


Talvez agora ainda não possamos defender o biocentrismo com o mesmo grau de força com que lutamos pelos Direitos Animais, embora haja quem já o defenda, mas com certeza ele não deve ser um assunto que deva permanecer escondido, aguardando o momento certo para aparecer, ele pode ser discutido, ampliado, estudado de forma a que, quando chegue sua hora, não tenhamos que nos debater novamente sobre antigas questões como razão, sensibilidade, senciência, porque as barreiras que erguermos hoje contra as plantas, seguramente um dia terão que ser derrubadas por aqueles que virão depois de nós.


Flor
Um degrau de cada vez todos subiremos ao topo da harmonia planetária e, assim como ocorre hoje com a abolição animal, sabemos que o Biocentrismo vai acontecer, e tal como está sendo difícil propagar pelo Planeta o fim da crueldade contra os animais, será difícil fazer o mesmo em relação às plantas, o que não podemos é fechar os olhos e estacionarmos na abolição animal como se ela fosse a última barreira a ser quebrada, porque estamos igualmente em evolução e caminhar por essa trilha pedregosa chamada ética, será sempre nosso objetivo. A intenção agora é fazer surgir na mente de cada um, uma nova reflexão que nos leve a questionar quais seriam as reais condições para que qualquer espécie possa ou não ser incluída em nossa comunidade moral, o objetivo não é se vamos ou não levantar a bandeira de uma ética Biocêntrica, mas impedir que as portas se fechem para ela bem como para qualquer um dos seres sésseis. Talvez ainda não tenhamos alcançado o biocentrismo, mas alcançaremos, assim como todos um dia alcançarão o veganismo, é assim que caminhamos sem nunca parar. O Biocentrismo virá para nós assim como o veganismo para os onívoros, talvez não seja o caso de lutarmos agora, talvez seja, quem pode dizer, pois sabemos que é preciso vencer uma guerra de cada vez, talvez também não seja o caso de nos incomodarmos tanto com quem questiona sobre as plantas, porque sabemos que é o medo da mudança que os faz agir assim e questionarem sobre coisas as quais eles desconhecem, sabemos que eles não querem ouvir a verdade sobre o que fazem e que não possuem outra munição a não ser os velhos chavões de sempre, para eles a vida dos animais é insignificante, tanto quanto a vida das plantas, afinal, basta questioná-los: eles são biocêntricos? São sim, seres antropocêntricos, que não conseguiram ainda reverenciar a Natureza, acham-se acima dela, sem contudo saberem que quando a destruírem, farão isso a eles e aos seus.


“Se a vida, a liberdade e a vulnerabilidade são critérios morais relevantes, e, se o sujeito moral deve considerar os sujeitos dessas características merecedores de apreço moral, suas decisões, projetos, ações e interações não podem violar nem prejudicar sujeitos vivos, livres e vulneráveis, pois essas características incluem no âmbito da comunidade moral todos os que as possuem, ainda que apenas na condição de pacientes e não de agentes morais” (Paul Taylor).

Imagem: Fungos
Se as plantas são agentes morais ou pacientes morais, se temos deveres morais ou não com elas, talvez ainda seja cedo para sabermos, já que a grande maioria do rebanho social precisa ainda aceitar que os animais devem sim, ser incluídos em nossa comunidade moral, porém o que deve ficar claro é que elas não podem, mais adiante, ficar fora dessa discussão, nem podem ser comparadas com objetos que nada sentem e nada buscam, elas estão vivas e possuem algo que as impele a lutar pela sobrevivência, se é algum tipo de consciência ou senciência, só o tempo nos dirá; o que devemos como abolicionistas, é jamais erguer barreiras mecanicistas porque sabemos hoje, o que tal atitude no passado, nos acarretou: o total desrespeito pelos animais. Devemos nos guiar, ao menos nesse primeiro momento, pelo princípio de nos alimentarmos de forma a causar o mínimo sofrimento possível, o que significa evitar a matança de animais e seres de consciência mais desenvolvida. Não repetir os mesmo erros é tornar o futuro um campo aberto para a moralidade e a ética da humanidade. Esse com certeza é o maior de todos os desafios da ética. 




Referências Bibliográficas


DESCARTES, René- Discurso do Método / Meditações

FELIPE, Sonia T. – Da Considerabilidade Moral dos Seres Vivos: A Bioética Ambiental de Kenneth E. Goodpaster 


ARANTES, Tadeu – A mente oculta das plantas. A ciência descobre o surpreendente domínio da consciência vegetal- Disponível em http: //galileu. globo. com/edic/98/conhecimento5. htm

SINGER, Peter – Ética Prática / Vida Ética 

RAVEN, P. H. ; EVERT, R. F. ; EICHHORN, S. E. – Biologia Vegetal. – 7º. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007

COTTINGHAM, John – DICIONÁRIO DESCARTES – Jorge Zahar Editor – RJ

PINHEIRO, Márcia. – A defesa das plantas contra doenças- Laboratório de genética Molecular Vegetal – Depto de Genética.

SCHULTE, Neide Köhler – Da estética a ética ambiental Biocêntrica 

SAGAN, Carl – Ligações Cósmicas 

Entrevista de M. Night Shyamalan à George Musser, da Scientific American; Disponível em: http: //www2. uol. com. br/sciam/artigos/eu_vejo_pessoas_condenadas_imprimir. html


Agradecimento especial ao amigo Giridhari Das.


Notas

1 Texto original em http: //www. uniblog. com. br/conscienciahumana/149874/reflexoes-sobre-a-atribuicao-da-sensibilidade-as-plantas. html

2 Biocentrismo, é uma ética que tira dos animais humanos toda sua falsa superioridade, colocando-os como iguais diante de qualquer ser que busque sobreviver, que busque a vida; um ponto de equilíbrio entre todos os seres vivos.

3 Entretanto, têm uma característica que as distingue desses seres – são autotróficas. Autotróficos são aqueles que produzem o próprio alimento pelo processo da fotossíntese.

4 Organismos que não possuem capacidade de se locomoverem, vivendo presos a qualquer substrato, foram durante muito tempo, interpretados erroneamente, como se tais organismos não pudessem, de forma alguma, reagir a agentes externos, sendo que é possível as plantas reagirem a insetos e a outras plantas.

5 Barreiras químicas são as toxinas que uma grande variedade de plantas possuem, um exemplo seria a citronela que espanta os insetos, já as barreiras físicas, como veremos, são os espinhos, as ceras, a espessura das folhas, que as impeçam de serem devoradas.

6 Fitolalexinas são conhecidas como substâncias repelentes produzidas pelas plantas, possuem inibidores contra fungos e são tóxicos para animais.

7 Nota-se aqui a planta não necessita ser senciente para reagir diante daquilo a qual se sente ameaçada, nem necessita dela para sobreviver como tem sido colocado por algumas pessoas. Embora as plantas não possam fugir, “criam” mecanismos para afastar os agentes agressores, o fato de não poderem se mover não as torna menos insensíveis a agentes externos, e não podemos desta feita, sair alegando que algo que não conhecemos não possui interesse quando vemos, que cria sozinha, mecanismos de defesa; não se pode julgar aquilo que não se compreende. Como ocorre tal mecanismo, é a questão não esclarecida pela ciência ainda, e que nos leva também a imaginar o porque de, mesmo desconhecendo a verdade, afirmarmos que elas não merecem nenhuma consideração que não seja a mesma com a qual julgávamos os animais há anos atrás, ou seja: Matar um animal ou arrancar uma árvore, qualquer dos dois atos fará mal a mim ou não? Não importando nesse caso, se fará mal à eles.

8 Segundo Paul Taylor, deve ser atribuído apenas a entidades possuidoras de bem próprio, seu reconhecimento é declarado de dois modos: independentemente de uma entidade ser valorizada de forma intrínseca ou instrumental, por algum avaliador humano; independentemente de uma entidade ser de fato útil para a busca da realização do bem de algum outro ser, humano ou não-humano, consciente ou não-consciente. Portanto, na teoria de Taylor, se um ser vivo possui bem inerente, este possui tal valor independentemente de qualquer valor instrumental ou inerente, e sem referência ao bem de qualquer outro ser. Se considerarmos as pessoas como possuidoras de bem inerente, então todas elas possuem o mesmo valor, sendo que é a personalidade a base de seu valor. É possível estabelecer a verdade da afirmação, de que uma pessoa possui bem inerente, ao mostrar que apenas esta forma de considerar as pessoas é coerente com a concepção de toda pessoa, como um ser racional, valorizado um centro autônomo de vida consciente. O mesmo tipo de argumento, segundo Taylor, também sustenta a afirmação de que todos os animais e plantas, no mundo natural, possuem bem inerente. ( Neide Köhler Schulte- Da estética a ética ambiental biocêntrica)

9 O Cogito (Penso, logo existo) não demonstrava, contudo, que os animais não eram seres vivos, tal como ninguém hoje descarta que as plantas o sejam, porém que os animais nada mais eram do que “vidas” ligadas a processos de natureza puramente mecânicos, assim como muitos acreditam que hoje, as plantas o sejam.

10 Talvez uma das maiores singularidades entre nós e as plantas seja o fato de que, tanto elas quanto os, animais, serem seres pluricelulares: “Os vários sistemas ou aparelhos – como o circulatório, o respiratório, o esquelético, etc. – constituem o organismo. São organismos: um pé de alface, uma laranjeira, um lobo ou uma ameba. No caso da ameba, que é unicelular, não encontraremos todos os níveis de organização, visto que, não existem tecidos, órgãos ou sistemas.





Simone Nardi




Leia também: 

REFLEXÕES SOBRE A ATRIBUIÇÃO DA SENSIBILIDADE AS PLANTAS

 

 

 



Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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