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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Da Criação

Universo


 
É criação de Deus todo o Universo


A estrelas que brilham na noite, é certo


A lua que encanta e o sol que aquece


São Dele os planetas e os cometas que aparecem


O Mar! 

As montanhas! 

O ar!


Os peixes nos rios, os animais a pastar, a ave a voar


Muitas raças Deus criou


E o homem então forjou


Negros, brancos , amarelos


Todos filhos seus de Espíritos eternos


Mas disseram que em seis dias tudo Ele criou


Mas hoje a razão nos mostra, milhões de anos isso levou


E de descanso com certeza, Deus nunca precisou.





14/03/05

Simone Nardi



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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O Caderno de Deus

Pergaminho



Dizem que Deus já havia criado todo o Universo quando ele surgiu: O Caderno.

Haviam milhões de mundos, milhões de estrelas e trilhões, talvez até mais, de seres criados por Ele.Tudo agia ao Seu comando. A todos, Ele olhava com carinho e os acudia. Ouvia-lhes as preces e os pedidos. As dores e as lamúrias.Uns poucos Lhe agradeciam.

Mas eram muitos, e Deus continuava a criar cada dia mais, incessantemente e amorosamente. Foi quando um dos anjos, vendo-o tão atarefado, carinhosamente agradecido pela dedicação, soprou-lhe aos ouvidos:

— Senhor, por que não divide as tarefas entre nós? Nós que já galgamos das esferas mais baixas e hoje nos reunimos ao Teu lado, estamos prontos para Te ajudar.

— Mas nem todos vocês juntos, dariam conta de cuidar, auxiliar e proteger cada um dos meus filhos.

O anjo pensou e olhou para Deus que continuava a trabalhar incessantemente.

— Então Senhor, por que não divide essa tarefa entre todos os seres do Universo?

— Dividir as tarefas?

— Exatamente. Todos nós, seus filhos, auxiliaremos ao Senhor e a nossos irmãos que tanto pedem auxilio.

Verificaremos outros que, como nós, estejam dispostos a ajudar. Aqueles a quem Tuas palavras já tocaram e que sabemos, não se recusariam a estender a mão e o coração aquele irmão que lhe batesse a porta.

— Isso seria muito bom. Irmão auxiliando irmão. O amor se propagaria ainda mais rapidamente - concluiu Deus sorrindo para o anjo.-Mas como faremos isso?-perguntou Deus já ciente da resposta, afinal Ele era Deus, Pai onisciente e onipresente.

— Um caderno!

Deus olhou para o anjo e tornou a sorrir.

— Sim, claro.Um Caderno - começou Deus a falar- Nele eu poderia colocar o nome daqueles filhos dispostos a auxiliar e vocês, como seres alados, poderiam encaminhar até eles os meus filhos mais necessitados.

— E o Senhor teria mais tempo para criar...

— Perfeito! – respondeu Deus satisfeito pelo anjo se propor a ajudar. Tragam-me um caderno, vou começar a anotar agora mesmo os nomes daqueles para quem designarei as minhas tarefas.Aqueles com quem sei, poderei sempre contar.

E Deus começou a escrever nomes e endereços em seu Caderno de páginas infinitas e em pouco tempo, seus anjos, que recebiam de suas mãos os pedidos de ajuda, tratavam de encaminhar os necessitados, cada qual, para a casa indicada por Deus.

“Uma criança foi abandonada perto de uma lixeira” Falava-lhe o anjo.

Deus então corria o olho pelo enorme caderno e apontava para um nome.
“Leve Pedro, o alfaiate, até ela. Ele saberá o que fazer”.

Curiosamente o homem passava pela rua e ouvia o choro do bebê, seu coração bondoso a acolhia e a criança era resgatada para braços amorosos que lhe davam um novo lar.

“Filhote perdido nas ruas Senhor, os donos o abandonaram”.

Sim, Deus não se esquecia de nenhum de seus filhos.

“Acompanhe-o até a casa de Maria, deixe-o em frente ao portão, sei que ela não lhe negará abrigo”.

E Maria ao ver o filhote perdido, o enlaça e o cobre de carinho, tirando-o das ruas frias e perigosas, onde certamente acabaria morrendo.

E assim foi, e assim é, desde que Deus começou a usar seu Caderno.

Você já parou para se perguntar o “por que” das pessoas o procurarem? O “por que” dos animais que chegam a sua porta? O “por que” de você estar sempre no lugar certo na hora certa? Ou simplesmente rodeado de pessoas que querem ouvir uma palavra sua?

É porque, na certa, seu nome se encontra no Caderno de Deus. Por isso, da próxima vez que alguém bater a sua porta, não reclame. Agradeça. Pois Deus se lembrou de você e depositou em suas mãos, uma jóia, para Ele, muito preciosa.
O quê? Ninguém tem te procurado para nada? Nem um gatinho abandonado?

Meu amigo, é melhor começar a trabalhar logo e conquistar a confiança do Pai, há ainda muito trabalho a ser feito e melhor do que ser recebido por alguém numa hora de necessidade é ter sempre os braços abertos para receber aquele que necessita e nos foi confiado por Deus.

Vai lá, deixe que Deus também coloque seu nome no Caderno Dele.



Simone Nardi




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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Se os Homens Fossem Tubarões




Se os homens fossem tubarões, eles seriam temidos pelos peixes pequenos. 

Se os homens fossem tubarões, eles destruiriam os recifes no mar, para que os peixes pequenos não pudessem se esconder deles, servindo-os de alimento. 

Eles construiriam campos de concentração, sem comida, sem água, sem higiene, pouco se importando com os pequenos peixinhos. Usando neles, novos experimentos, sem importar-se com a dor do outro. A morte seria a liberdade.

Fariam festas grandiosas, explorando a miséria alheia, pois seriam poderosos e o mundo estaria aos seus pés. Destruiriam os livros, pois considerando os pequenos, seres inferiores, saberiam que não deveriam aprender a ler, pois quem aprende questiona, e quem questiona, um dia aprende a se libertar do jugo dos poderosos.

Sua geometria seria usada para conquistar ao mares, os rochedos, afim de destruir seus inimigos. Ninguém poderia ousar ser maior que eles. Sua moral, distante da verdade, não distinguiria o mal do bem. Caridade, seria uma palavra abstrata.

Eles ensinariam seus filhos-peixinhos a se armarem. Ensinariam que a vida não tem valor, e que jamais deveriam confiar em alguém a não ser em si mesmos. O caos seria o futuro da mundo.

Ensinariam a obediência através de castigos. A morte servindo de exemplo.

Ai daquele que ousasse se rebelar contra seu líder. A humilhação e a vergonha seriam-lhe aliadas. Corrupção, depravação , exprobração seriam as palavras de ordem no mar.

Se os homens fossem tubarões, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar a fraqueza dos peixes menores. As guerras seriam conduzidas pelas suas próprias crias. Eles ensinariam as crias, que tudo que for diferente é perigoso. Ensinariam a desrespeitar outras crenças e outros hábitos.

Depois de terminada a guerra, seus mais sádicos oficiais seriam condecorados por suas brutalidades.

Se os homens  fossem tubarões, não haveria equilíbrio no mar. Nem belezas, nem riquezas. Os recifes de corais estariam destruídos. As estrelas devoradas. Os peixes-palhaços por certo, desapareceriam.

A areia, outrora tão alva, estaria enegrecida pela sujeira e pelos corpos dos mais humildes.

Nem as baleias cantariam. Nem os golfinhos poderiam brincar. Pensar, imagina e sonhar, seriam proibidos.

Não haveria mais religião, o conhecimento de Deus, não permite a barbárie.

Se os homens fossem tubarões, eles se esqueceriam de Deus. “ Quando não há Deus, tudo é permitido.”

Ademais, se os homens fossem tubarões, a desigualdade aumentaria, pois ele se acharia cem vezes superior ao que acha ser hoje. Apenas os mais fortes sobreviveriam. Não haveriam algas para todos. Ninguém teria direito ao seu espaço, tudo o que é seu seria cobiçado. Roubado. Destruído. Massacrado. Perseguido. Não haveria civilização no mar, se os homens fossem tubarões


Simone Nardi


Inspirado no trabalho "Se Os Tubarões Fossem Homens" de Bertold Brecht


 

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