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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Sorria Como Jesus

Imagem que deu origem ao artigo



Há algumas semanas me aconteceu uma coisa muita engraçada, vou usar esse termo para um momento que agora, eu acho, foi muito infeliz por parte de alguns espíritas.

Sim, pois que a doutrina tão maravilhosa prega o amor, sempre o amor e a caridade. E como nos sentimos quando trabalhamos pelo próximo?

Felizes, me dirá você. E eu voltarei a perguntar.

E o que fazemos quando estamos felizes?

Ora, sorrimos. É obvio!

Obvio? Será?

E por que sorrimos tão pouco? Por que em algumas casas a máscara da "seriedade" é tão usada e venerada? Quando muito, conseguimos um sorriso de meio fio, aquele em que o sujeito finge que sorri, mas não sorri.

Aquele sorriso em que o camarada dá uma leve repuxadinha no lábio e logo abaixa a cabeça ou se vira de costas para que ninguém o veja. Como se sorrir fosse vergonhoso.

Claro que não prego aquelas gargalhadas eufóricas e sonoras, ainda mais quando em reunião mediúnica, mas o riso faz bem e cabe em qualquer lugar.

Tanto que a risoterapia é utilizada largamente na medicina, basta lembrar os Doutores da Alegria. O riso estimula o hipotálamo, aumentando dessa forma as endorfinas que são substâncias analgésicas, diminuindo assim o sofrimento das crianças e dos adultos.

Tudo isso só para dizer que encontrei uma gravura, maravilhosamente inédita, de Jesus, onde o Mestre sorri abertamente. O sorriso espontâneo e a mão no peito nos convidam a seguí-lo sem medo.

"Vens comigo"

Nos diz a imagem.

"Siga-me sem medo, é bom seguir-me, meu mundo é de pura alegria".

Que fiz então, eufórica por compartilhar daquela mensagem tão alto astral? Tomei a gravura nas mãos e fui mostrá-la aos amigos, queria dividir com eles essa alegria que era e que é, Jesus de Nazaré.Mas eis que me deparei com espiritas que não estavam prontos para sorrir.

" Nossa, que é isso, Jesus sorrindo? Que horror!"- disse-me um.

" Que escracho"- rebateu outro.

Sim, pois que jamais seria admissível que Jesus sorrisse. Não, guardamos apenas a lembrança dos piores momentos pelo qual nosso Mestre passou. O açoite, a crucificação, as dores da morte. Guardamos a imagem do Jesus de mãos perfuradas. Da coroa de espinho que lhe fez sangrar as têmporas. Do sangue que escorre pelo seu rosto. Guardamos a imagem do Jesus supliciado, triste e amargurado. Outras vezes, em pensamentos tristes e sofridos.

Mas quê!

Por onde anda aquele Mestre que ressuscitou, que apareceu a seus discípulos mostrando que a vida é eterna, e que a felicidade realmente não é desse mundo?

Por onde anda o Jesus que fica feliz por cada filho que caminha até Ele, que O segue, que abandona a tudo e a todos em seu Nome?

Descobri que para muitos não há lugar para esse Jesus. Que só há lugar para a dor e o sofrimento. Mostre a esses o rosto ensangüentado da Paixão do Cristo e ouvirá o coral dizer:

"Nossa, que lindo"

Lindo? Por quê?

Por que é mais fácil chorar do que sorrir?

Jesus sorrindo

Não nos prometeu o Mestre a felicidade eterna? Devemos então chorar ao invés de sorrir? Não meus amigos, sorrir é o meio mais fácil de chegarmos ao Pai. É a alegria que deve mover nossos braços quando trabalhamos em prol do próximo. Como gostamos de ser atendidos por uma recepcionista sorridente. Por um médico que se levanta, nos estende a mão e sorri. É um gesto barato, simples e possível a qualquer um e em todos os lugares.

Meu Jesus está aqui, diante de mim, sorrindo no momento em que escrevo esse artigo e Ele me diz.

"Sim, faça isso, peça ao povo que sorria ao lembrar-se de mim, pois eu sou a bússola do amor. Peça que se amem como eu os amo e que jamais se esqueçam que, embora a felicidade não seja desse mundo, é bem mais fácil levar a vida com alegria do que entre lágrimas. Eu já deixei a cruz".

Por isso meus amigos sorriam, assim como sorri Jesus.


Simone Nardi

Fonte: Feal 

Republicação



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terça-feira, 27 de maio de 2014

A morte dos deuses

 

"Deus está morto", bradou Nietzsche em sua feroz crítica ao cristianismo, ao passo que o declínio da tragédia, também detectado pelo filósofo alemão, representou também uma passagem do pensamento mítico para o lógico...

por Simone Nardi Grama*





Os gregos foram os responsáveis por espalhar pelo mundo a sabedoria acerca da ciência e da religião. Para eles a Grécia era o centro da Terra, e o Monte Olimpo , na Tessália, era a morada de todos os deuses, de onde eles comandavam a bel prazer o destino dos homens. Havia um deus para cada ato, para cada sentimento dos filhos da Grécia. Ares, deus da guerra; Eros, deus do amor; Afrodite , deusa da beleza; Apolo, deus da música; Dionísio, deus do vinho, entre tantos outros deuses que faziam parte e regiam a vida grega.
O mundo grego era sagrado. E essa estreita ligação com os deuses igualmente permitia uma profunda união com a natureza, propiciando o que seria para eles uma vida harmoniosa e equilibrada, graças a duas potências cósmicas: Dionísio e Apolo. Porém, ocorreu um distanciamento em algum ponto da história grega, que acabou por causar o que Nietzsche chamaria de decadência do modo de viver grego, a tragédia havia sido esquecida, a morte precoce da Filosofia teria sido então anunciada, segundo o filósofo , por culpa da dialética socratiana. Nietzsche expõe claramente em suas obras esse conflito e esse distanciamento entre homens, deuses e natureza, dois mundos artísticos e antagônicos que uniam homem e natureza, cada um em seu mundo, um de sonhos e de beleza onírica , outro de uma profunda realidade. No entanto um deles havia morrido para o mundo.

Monte Olimpo
Mais alta montanha da Grécia, com 2.917 metros de altitude, o Monte Olimpo ao qual se refere o texto fi ca próximo ao Mar Egeu, na Tessália, local que, de acordo com a mitologia grega, seria a morada dos principais deuses do panteão. No entanto, o nome é comum na Grécia e há diversos lugares com essa denominação. E até o planeta Marte tem o seu Monte Olimpo: em 1971, a sonda espacial da NASA Mariner 9 detectou um vulcão extinto em Marte, o maior do sistema solar, que sendo batizado com o nome Olympus Mons.

Afrodite
Amor, beleza, sexualidade... Eis os atributos, para a mitologia grega, de Afrodite, a deusa de tantos amantes. Em outras tradições míticas e culturais, há deusas com características análogas, como a Cypris (no Chipre) e Hátor (Egito), além, é claro, da deusa romana Vênus.

Mas, seria possível relacionar a ideia da “Morte de Deus” em Nietzsche com a morte do deus grego e, consequentemente, da tragédia na Grécia, buscando na passagem do pensamento mítico para o pensamento lógico um dos pontos principais e que teria sido o causador da decadência dos deuses gregos, já que parece ocorrer uma perda maior na crença em Dionísio nessa transição, tal como se o autor dissesse que a metafísica platônica do mundo sensível e o mundo das ideias, que subjetivamente iremos comparar a Apolo e Dionísio ou da necessidade de um deus, houvesse perdido qualquer sentido de existir dentro de uma nova racionalidade que, para Nietzsche, havia sido decretada por Sócrates?

DEUS ESTÁ MORTO, A TRAGÉDIA ESTÁ MORTA!

Essa importância dos deuses na Grécia é narrada em o Nascimento da Tragédia, que foi publicado em 1872, nele Nietzsche fala sobre a oposição entre o apolíneo e o dionisíaco, entre a razão e a emoção, dois deuses cultuados pelos gregos, duas pulsões cósmicas poderosas e diferentes entre si. De um lado, Dionísio, deus do vinho, inebriador dos sentidos humanos, tomando-os de prazer e libertando-lhes os instintos, o coro da tragédia grega, no entanto, libertos de Dionísio, retornariam os homens ao estado apolíneo, da razão cotidiana. Apolo, deus da música e da arte que, diferentemente de Dionísio, é um deus mais racional, intelectual, estético e moderado. A dialética entre esses dois deuses é que permitia aos gregos viverem em equilíbrio. Toda a vida grega era retratada nesse modo de viver equilibrado, na alternância das pulsões cósmicas desses dois deuses, o que teria permitido o surgimento da cultura trágica na sociedade grega, sendo que essas duas potências transitavam na ética, na estética e na religião dos gregos.

Para Nietzsche, os seres humanos eram a ligação entre essas duas potências e jamais deveriam ter se afastado delas. Foi esse afastamento que teria causado o desequilíbrio dos dias atuais, muito mais ligado às ações racionais do que às ações inebriantes, para ele o culpado desse afastamento teria sido Sócrates, que teria feito com que a natureza acabasse por ser humanizada e racionalizada ao extremo. “(...) A grande tragédia grega se apresenta como característica do saber místico da unidade da vida e da morte, nesse sentido, constitui uma ‘chave’ que abre o caminho essencial do mundo. Mas Sócrates interpretou a arte trágica como algo irracional, algo que apresenta efeitos sem causas e causas sem efeitos, tudo de maneira tão confusa que deveria ser ignorada [...] Segundo Sócrates a tragédia desvia o homem do caminho da verdade: ‘uma obra só é bela se obedece à razão’”. (Pensadores,1999,p.9)

As antigas religiões gregas, bem como seus deuses, desapareceram ao deixarem de ser cultuados pelos seres humanos, a razão socrática venceu, os deuses morreram.

Vejamos como Nietszche anuncia em seu aforismo 125, A Gaia Ciência , a morte divina:

O Insensato – Não ouviram falar daquele homem louco que em plena manhã acendeu uma lanterna e correu ao mercado, e pôs- -se a gritar incessantemente: ‘Procuro Deus! Procuro Deus?!’ – E como lá se encontrassem muitos daqueles que não criam em Deus, ele despertou com isso uma grande gargalhada. Então ele está perdido? Perguntou um deles. Ele se perdeu como uma criança? Disse um outro. Está se escondendo? Ele tem medo de nós? Embarcou num navio? Emigrou? – gritavam e riam uns para os outros. O homem louco se lançou para o meio deles e trespassou- os com seu olhar. ‘Para onde foi Deus?’, gritou ele, ‘já lhes direi! Nós o matamos – vocês e eu. Somos todos seus assassinos! Mas como fi zemos isso? Como conseguimos beber inteiramente o mar? Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte? Que fi zemos nós, ao desatar a terra do seu sol? Para onde se move ela agora? Para onde nos movemos nós? Para trás, para os lados, para frente, em todas as direções? Existem ainda ‘em cima’ e ‘em baixo’? Não vagamos como que através de um anda infi nito? Não sentimos na pele o sopro do vácuo? Não se tornou ele ainda mais frio? Não anoitece eternamente? Não temos que acender lanternas de manhã? Não ouvimos o barulho dos coveiros a enterrar Deus? Não sentimos o cheiro da putrefação divina? – também os deuses apodreceram! Como nos consolar, a nós, assassinos entre os assassinos? O mais forte e o mais sagrado que o mundo até então possuíra sangrou inteiro sob os nossos punhais – quem nos limpará esse sangue? Com que água poderíamos nos lavar? Que ritos expiatórios, que jogos sagrados teremos de inventar? A grandeza desse ato não é demasiado grande para nós? Não deveríamos nós mesmos nos tornar deuses, para ao menos parecer digno dele? Nunca houve um ato maior – e quem vier depois de nós pertencerá, por causa deste ato, a uma história mais elevada que toda a história até então!’ Nesse momento silenciou o homem louco, e novamente olhou para seus ouvintes: também eles fi caram em silêncio, olhando espantados para ele. ‘Eu venho cedo demais’, disse então, ‘não é ainda meu tempo. Esse acontecimento enorme está a caminho, ainda anda: não chegou ainda aos ouvidos dos homens. O corisco e o trovão precisam de tempo, a luz das estrelas precisa de tempo, os atos, mesmo depois de feitos, precisam de tempo para serem vistos e ouvidos. Esse ato ainda lhes é mais distante que a mais longínqua constelação – e, no entanto, eles o cometeram!’ – conta-se também que no mesmo dia o homem louco irrompeu em várias igrejas, e em cada uma entoou o seu Requiem aeternam deo. Levado para fora e interrogado, limitava-se a responder: ‘O que são ainda essas igrejas, se não os mausoléus e túmulos de Deus’?


A Gaia Ciência
Lançado em 1882, A Gaia Ciência (Die fröhliche Wissenschaft) foi escrito no estilo aforismático característico de Friedrich Wilhelm Nietzsche. Nessa obra, Nietzsche mencionou pela primeira vez Zaratustra, o profeta persa, personagem central de seu livro mais famoso, Assim Falou Zaratustra.

Não se deve compreender o aforismo acima através de uma visão ateísta, mas deve-se compreendê- lo tal como é analisado por Nietzsche a morte dos deuses gregos, na verdade a morte dionisíaca, o afastamento da emoção pela razão extrema, o desequilíbrio entre homens e natureza, a perda do equilíbrio entre duas pulsões cósmicas que permitiam e forneciam aos homens a vontade de viver. O que teria de semelhante a morte desses deuses com a morte do deus nietzscheniano?

A princípio pode-se questionar: Quem anuncia no aforismo a morte de deus? O Insensato, o homem louco, aquele que estava mais próximo à natureza, que ainda consegue ver em tudo o verdadeiro conceito do realmente sagrado, do trágico. Quem questiona sobre a morte de deus bem pode ser o homem dionísico, com seu lado desmedido e cheio de uma vontade de viver embriagante, aquele mais ligado a Physis que conhecia e não temia os trágicos momentos do existir, assim como a religiosidade em torno deste que bem poderia ser o epicentro da religião grega, Dionísio havia morrido, o Deus que havia igualmente sido morto e enterrado pelos homens era igualmente procurado por ele, pelo insensato, pelo louco.

Se Dionísio trazia em si, como refere Nietzsche, aquela potência que permitia aos homens arrebatar-se pelo êxtase, transformando-os muitas vezes em algo para além de si mesmos - do homem do dia a dia, com suas elucubrações e deveres – sua morte seria inevitável diante da racionalidade apolínea, tal como o deus morto. Tal como a racionalidade socrática matou os deuses, a racionalidade humana havia matado Deus, não havia mais espaço para a divisão entre o mundo das ideias e o mundo sensível, por isso o anúncio “deus está morto”.

Se Nietzsche teve coragem de proclamar que Deus estava morto, teve ainda mais coragem de dizer que a decadência da Filosofi a e dos seres humanos havia ocorrido no exato momento em que ele, o ser humano, decidira romper com o equilíbrio entre ele e a natureza. Esse rompimento com a natureza é de onde viria a verdadeira força vital dos seres humanos segundo Nietzsche, era expressa na visão de Tragédia, responsável pela unidade entre vida e morte e com o qual os gregos viveram durante anos.

E assim como o louco que diz: “‘Para onde foi Deus?’, gritou ele, ‘já lhes direi! Nós o matamos – vocês e eu.’” (Nietzsche), podemos dizer que para Nietzsche, a superação da razão encontrada na pulsão apolínea matou não somente os deuses gregos, mas o deus morto por Nietzsche ao separar Mythos e Logos, e esse ato trágico é bem claro na frase do louco que mais uma vez questiona: “Que fi zemos nós, ao desatar a terra do seu sol? Para onde se move ela agora? Para onde nos movemos nós?” (Nietzsche).


SEPARAÇÃO ENTRE APOLO E DIONÍSIO

Que fizeram os seres humanos ao separar o dionisíaco do apolíneo? Ao matar aquilo que era mais sagrado e que, nas mãos dos seres humanos, sangrou? Seria necessário reaprender a viver com o peso desse assassínio, já que nos afastamos, por opção, do equilíbrio com a natureza. A verdade que buscávamos no Logos, com a morte de deus virou ficção e sequer nos apercebemos disso. Assim também, a morte dionisíaca não nos levou à verdade que Sócrates esperava, mas acabou por nos levar a viver uma farsa de uma natureza que não nos pertence: “Abolimos o mundo verdade: que nos restou? O aparente, talvez?... Não! Com o mundo verdadeiro abolimos também o mundo aparente”. (Nietzsche). Um mundo meramente aparente que carregamos como um mundo verdadeiro, não morrem apenas os deuses, mas morre também a natureza trágica humana, não apenas a grega.

Preciso é também, nos atentarmos a quem o louco, o insensato pergunta sobre deus: “E como lá se encontrassem muitos daqueles que não criam em deus, ele despertou com isso uma grande gargalhada. Então ele está perdido? Perguntou um deles. Ele se perdeu como uma criança? Disse um outro. Está se escondendo? Ele tem medo de nós? Embarcou num navio? Emigrou? – gritavam e riam uns para os outros” (Nietzsche).

O louco pergunta por deus àqueles que não mais acreditavam nele. Nós que aqui estamos, não mais acreditamos em Mythos, nos habituamos ao Logos como se fosse ele nossa única razão de viver, nosso único modo de vida. Temos medo de experimentar o dionisíaco, de nos deixarmos ser o que realmente somos, por isso somos todos razão, questionados por um louco sobre nosso equilíbrio com a natureza, equilíbrio este que antes existia, mas que nossa razão fez desaparecer e dia a dia enterramos os deuses, ao manter essa cisão: “Com tua espada de fogo, despedaçaste o gelo da minha alma, e esta já corre ao mar da alta esperança como corre a torrente impetuosa... deslumbrante de alegria e liberdade.” (Nietzsche).

O culto dionisíaco deixou de existir na Grécia, sua ação inebriante que exaltava o lado humano, considerado por Nietzsche o mais puro e o melhor, foi esquecido e enterrado, o mito sucedia assim à lógica. O que no leva a relembrar o aforismo 124 de Nietzsche em A Gaia Ciência:

No horizonte do infinito – Deixamos a terra firme e subimos a bordo! Destruímos a ponte atrás de nós, e mais, destruímos todos os laços com a terra atrás de nós. E agora, barquinho, toma cuidado! Junto a ti está o oceano, é verdade que nem sempre ele ruge; e estende-se às vezes como sede e ouro, e um sonho de bondade. Mas, virão horas em que reconhecerás que ele é infinito e que não existe nada que seja mais terrível que o infinito. Ah, pobre pássaro, que te sentias livre e que esbarras agora contra as grades desta gaiola! Pobre de ti se fores dominado pela nostalgia da terra, como se lá tivesse havido mais liberdade... agora, já não há mais “terra” ! (Nietzsche,2007,p.115)

A morte de deus é mais uma vez a superação da metafísica, pois a compreensão de deus como Arché e Telos de todas as coisas, e tal como a separação entre o que era apolíneo e dionisíaco, a morte de deus ou no caso dos gregos a morte da tragédia, deixou a todos nós sem um rumo a seguir, não há mais a mesma estabilidade de outrora ou fundamentos que nos permitam enxergar mais adiante, sua morte roubou nossa referência.

Arché
Arché é a expressão utilizada pelos filósofos pré-socráticos para designar a origem das coisas, ou melhor, o princípio que rege o início e o desenvolvimento da vida. Tales de Mileto considerava a “água” o arché; Xenófanes, a terra etc.

A morte de deus em Nietzsche é uma clara crítica ao cristianismo platônico, porém a morte da tragédia é também a morte a Dionísio e a sua pulsão na natureza humana. A tragédia, ao contrário do que dissera Sócrates, não tinha a função de iludir os homens, mas de mostrar-lhes toda a profundeza do mundo no qual existiam, para que percebessem a verdadeira natureza, fosse ela maravilhosa ou terrível dentro da existência dos homens, o certo é que ela só era possível se houvesse equilíbrio entre o apolíneo e o dionisíaco, sem um ou outro, a tragédia se findaria: “Eis a nova contradição: o dionisíaco e o socrático, e por causa dela a obra de arte da tragédia grega foi abaixo”. (Nietzsche).

Com o fim da ideia platônica de mundo sensível e mundo das ideias, a morte de Deus igualmente havia sido decretada, não havia espaço para ele na realidade humana, tal como não havia mais espaço para a tragédia e para Dionísio na vida dos gregos, os deuses assim vencidos pela razão humana, morreram.


*Simone de Nardi Grama é graduada em Filosofia e especialista em Filosofia Contemporânea e História pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).



Fonte Filosofia: Conhecimento Prático










Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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domingo, 26 de janeiro de 2014

O que os cachorros sentem ?



O pastor-belga Mal feliz, triste e com medo (da esquerda para a direita)


Segundo pesquisa da Universidade da Flórida, a maioria das pessoas é capaz de entender as expressões dos cães.

Basta olhar para o rosto de uma pessoa para presumir o que ela está sentindo ou pensando. A empatia, como é chamada a habilidade de distinguir e fazer suposições sobre o que se passa na mente alheia, demanda circuitos neurais sofisticados e tem papel-chave, por exemplo, na socialização, na criação de vínculos e na aquisição de cultura. E essa capacidade, segundo pesquisadores da Universidadeda Flórida, não se restringe a teorizar apenas sobre os membros da nossa espécie – em estudo publicado no European  Journal of Social Psychology, eles mostram que a maioria das pessoas é capaz de interpretar o que os cães estão sentindo.

No experimento, os psicólogos despertaram algumas emoções em Mal, um pastor-belga adestrado pela polícia local. Para isso, deram remédio de sabor desagradável, brincaram com ele, fingiram repreendê-lo e simularam um assalto. A intenção era provocar no animal reações de nojo, alegria, medo, agressividade, enquanto filmavam e fotografavam suas expressões. Em seguida, com a ajuda de especialistas em comportamento canino, os pesquisadores selecionaram fotos para serem mostradas a 50 voluntários, metade deles “inexperiente” com cães, isto é, não convivia diariamente com ao menos um.

Ao contrário do esperado, a capacidade de interpretar as expressões de Mal diferiu pouco entre os dois grupos de voluntários.  Curiosamente, os menos experientes com cães foram ligeiramente mais hábeis em identificar agressividade. Na média geral, mais de 80% das pessoas acertaram quando o animal estava alegre (feição marcada pela língua de fora e as orelhas em pé); quase metade distinguiu o medo; 37% e 13% identificaram, respectivamente, tristeza e nojo.

 






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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Os animais pensam como nós?

Franguinho
Será que o homem é realmente tão mais inteligente do que as outras espécies?

por Rodrigo Cavalcante

Nenhum pesquisador duvida que o pensamento abstrato do Homo sapiens é um feito inédito no mundo animal. Mas, quanto mais os cientistas sabem sobre espécies como chimpanzés, gorilas, orangotangos, baleias e golfinhos, mais eles chegam à conclusão de que a barreira intelectual que separa os homens desses animais é bem menor do que se imaginava.

Dois estudos pioneiros, nas décadas de 1950 e 1960, foram fundamentais para diminuir essa distância. O primeiro, realizado na ilha de Koshima, no Japão, detectou que os macacos da região eram capazes de aprender novas técnicas para se alimentar a partir da mudança do hábito de um dos seus pares. A pesquisa revelou que um jovem macaco provocara uma pequena revolução na ilha ao passar a lavar a batata-doce num pequeno braço d’água antes de comê-la, ato que passou a ser repetido por três quartos de todos os macacos jovens da ilha. A descoberta provou que o homem não era o único a transmitir um comportamento socialmente adquirido – não transmitido geneticamente nem aprendido individualmente. O segundo estudo foi o da inglesa Jane Goodall que, ao conviver com chimpanzés na Tanzânia, provou que esses primatas tinham uma complexa vida social, uma linguagem primitiva com mais de 20 sons e a capacidade de usar diversas ferramentas para obter alimento – algo considerado exclusivo da nossa espécie. Além disso, os pesquisadores sabem que mamíferos como baleias, golfinhos e elefantes conseguem aprender e ensinar.

Cultura e política

Como até a ONU já reconheceu que não dá mais para tratar os grandes primatas como animais comuns (o secretário-geral da ONU Kofi Annan escreveu que, “assim como nós, eles têm autoconsciência, cultura própria, ferramentas e habilidades políticas”), é bem possível que, no futuro, o homem venha a descobrir que se comportou diante dessas espécies com a mesma arrogância das velhas teorias de superioridade racial.


Fonte: Super Abril




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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Animais pensam? Quem come carne acha que não...

Gato
Na selva, um leão abate sua presa sem hesitar. Mas, para muitos humanos, imaginar que animais sentem dor, prazer ou medo é suficiente para abrir mão de saborear carne. Uma pesquisa divulgada pelo Personality and Social Psychology Bulletin mostra que a maioria das pessoas que come carne reluta em acreditar que os animais tenham habilidades mentais capaz de fazê-los pensar e sofrer antes da morte.

A negação parece uma tentativa de se justificar moralmente”, diz o psicólogo Brock Bastian, da Universidade de Queensland, na Austrália. O pesquisador e seus colegas questionaram os participantes se queriam comer fatias de carne ou de maçã depois que fizessem uma tarefa. Em seguida, pediu que descrevessem, em um texto breve, como imaginavam o ciclo de vida completo de um animal abatido e como avaliavam as faculdades mentais de um bovino. Os voluntários que escolheram comer carne depois do teste tinham ideias mais “conservadoras” sobre a mente dos animais. A maioria negou que pudessem pensar e ter sentimentos.

“A empatia, que é a capacidade de reconhecer e até mesmo experimentar as emoções dos outros, nem sempre é útil. Pessoas que vivem em sociedades que se alimentam de carne recorrem à negação para alinhar sua moral às tradições e comer sem culpa”, diz Bastian.


Fonte: Mente e Cérebro




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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Os animais são ou não capazes de pensar?

Imagem:Chimpanzé pensativo


Séculos de estudo: afinal, os animais são ou não capazes de pensar?



Imagine um animal em situação de perigo. Antes de se aproximar do objeto ameaçador, ele apenas observa de longe seus movimentos. Depois, vencido pela curiosidade, se aproxima, não sem saltar para trás em apreensão – e precaução. Quando considera que não há perigo, ganha confiança e volta a agir normalmente.

Esse comportamento certamente parece inteligente. Os humanos poderiam muito bem se comportar de forma similar quando se deparassem com algo estranho e potencialmente perigoso. Mas o que realmente acontece com os animais: um processo de pensamento deliberado ou mero instinto animal?

A questão é antiga. Aristóteles e René Descartes acreditavam que o comportamento animal era governado puramente por reflexos. Já Charles Darwin e o psicólogo William James argumentaram que os animais deveriam ter uma vida mental complicada.

Agora, estamos mais perto do que nunca de resolver esse debate. Uma grande quantidade de relatos de comportamentos animais está fazendo muitos biólogos acreditarem que certas criaturas realmente têm pensamentos rudimentares. 

Enquanto isso, as últimas imagens cerebrais de experimentos estão ajudando os cientistas a compreender que tipo de anatomia é necessária para um cérebro pensante.Embora seja improvável que as vidas mentais dos animais sejam tão complexas quanto a nossa, há muito mais acontecendo em suas cabeças do que se pode imaginar.

Na década de 1970, o zoólogo americano Donald Griffin começou a esquentar esse debate. Ele foi uma das primeiras pessoas a descobrir a “ecolocalização” dos morcegos, e comportamentos tais como a capacidade dos castores de cortar pedaços de madeira para encaixar precisamente nos furos particulares de suas barragens, bem como a capacidade dos macacos de usar suas vozes (chamadas diferentes) para enganar os outros – tudo sugeria que os animais podiam pensar.

Os céticos achavam que isso era muito subjetivo. As observações de Donald perderam credibilidade por ele achar que todos os animais eram conscientes – ele queria provar que, cada vez que qualquer animal fazia qualquer coisa com qualquer ingenuidade, tão primitivo quanto um vaga-lume brilhando no escuro, ele estava consciente. 

Hoje, no entanto, apesar do valor do trabalho de Donald, a pesquisa está mais objetiva e sistemática. Mais popular é a ideia de que as experiências mentais de outros animais se encontram em uma espécie de espectro, variando de um tipo primitivo de consciência ao fluxo rico e complexo de pensamentos da mente humana.

A mosca da fruta é o animal perfeito para explorar uma das extremidades desse espectro. Ao longo dos últimos anos, cientistas mostraram que esses insetos têm um pré-requisito essencial para a consciência: ao invés de responder aleatoriamente a tudo à sua volta, eles podem selecionar em que prestam atenção com base em suas memórias. 

Por exemplo, as moscas são mais propensas a explorar novos objetos adicionados ao ambiente do que coisas que estiveram lá por um tempo. Quando os pesquisadores reduziram a capacidade da mosca da fruta de formar memórias, isso prejudicou sua capacidade de atender a novidade, de modo que os insetos responderam mais ao acaso.
Atenção flexível existe, provavelmente, até no mais simples cérebro, o que significa que muitas criaturas, incluindo peixes, anfíbios e répteis, também pode ter esse tipo de consciência. Sendo assim, quais animais, se houver algum, mostram sinais mais avançados de experiência mental?

Os melhores indícios até agora são de animais que exibem formas particularmente complexas de comportamento, como a capacidade de planejar o futuro. 

Até recentemente, os cientistas acreditavam que essa característica era unicamente humana. No final de 1990, pesquisadores descobriram que o pássaro gaio-azul pode usar memórias específicas de acontecimentos do passado para fazer planos para os tempos à frente. 

Em 2006, pesquisadores descobriram que essa capacidade se estendia aos beija-flores. Eles podem se lembrar da localização de certas flores e quão recentemente estiveram em um local, e usar essas informações para orientar seu comportamento futuro. 

Desde então, os estudos sugerem que primatas, ratos e polvos mostram alguma aptidão para o planejamento futuro, também.

O problema é se esse comportamento é flexível. Se não, o ato pode ser apenas um instinto evoluído, por mais complexo que pareça ser. Por exemplo, corvos conseguem usar uma ferramenta “antiga” para um novo uso (um galho para verificar objetos potencialmente perigosos foi usado mais tarde para pegar comida dentro de um tubo).

Corvídeos podem até ser capazes de adivinhar o comportamento de outra ave. Por exemplo, experiências constataram que os corvos tomam medidas para proteger alimentos de outros corvos que poderiam tê-los visto escondendo-os, mas ficam despreocupados com corvos presos atrás de um obstáculo que teriam bloqueado a sua visão (e assim não teriam visto onde eles esconderam a comida). Em outras palavras, eles têm uma “teoria da mente” básica, que não é possível sem algum tipo de processo de pensamento.

Algumas outras criaturas também devem ter essa capacidade; não surpreendentemente os primatas estão entre essa elite. Se os chimpanzés roubam comida, por exemplo, são extremamente silenciosos se outro membro do grupo estiver ao alcance de sua voz. Mais impressionante ainda, eles parecem ser capazes de adivinhar como outro pode ter agido no passado. 

Durante uma caça à comida, os chimpanzés tentam adivinhar onde seus concorrentes poderiam ter procurado primeiro, para que eles possam procurar em locais menos óbvios. Baleias, ursos e cães ainda não provaram suas habilidades neste tipo de tarefa, mas não deixam de mostrar alguns sinais de empatia que sugerem que eles também devem ter uma vida mental relativamente avançada.

No entanto, ainda falta uma característica importante do pensamento humano nos animais, chamada de “metacognição”: a habilidade de monitorar e controlar memórias e percepções, permitindo-nos pensar, por exemplo, “eu sei que eu sei isso” ou “eu não tenho certeza de que estou certo”, ou ainda sentir que o nome de alguém está na ponta de sua língua.

A importância disso para o pensamento humano é comparável ao uso da linguagem e das ferramentas. Evidência de metacognição em outros animais, portanto, seria uma grande prova da existência da mente animal.

Alguns cientistas começaram a explorar o assunto no início de 2000. Por exemplo, em um experimento, um grupo de macacos observou uma imagem e, depois de um tempo, tiveram que tentar selecionar a imagem de um grupo de quatro. Para quem acertasse, o prêmio era um amendoim. 

Em um fluxo de experiências, no entanto, os macacos poderiam perder a chance de ganhar o amendoim, em troca de um prêmio garantido – um alimento processado de macaco menos desejável. Os cientistas suspeitam que os macacos deixavam “passar” essa opção quando não tinham certeza da resposta.

Ele estava certo. Macacos que tinham a oportunidade de “passar” para a frente desempenharam muito melhor nos testes do que 0s do experimento “tudo-ou-nada”. Isto sugere que, quando dada a oportunidade, eles eram totalmente capazes de avaliar a sua confiança na tarefa, fornecendo evidências convincentes para a metacognição no macaco.

Novas pesquisas sugerem que eles são parte de um conjunto selecionado com essa capacidade. Os chimpanzés, como os macacos, demonstraram metacognição, mas os macacos-prego, embora inteligentes em outras áreas, parecem cair nesse obstáculo. Os resultados para os golfinhos não são claros, mas já ficou certo que criaturas como o pombo não estão à altura do desafio.

Descobrir se outras espécies inteligentes como os golfinhos e, talvez, os corvos, possuem metacognição é crucial para nosso entendimento da mente. Os cientistas precisam saber se a metacognição desenvolveu apenas uma vez, na linha dos primatas (que leva a macacos e humanos), ou se a característica se desenvolveu repetidamente e convergentemente, com picos de sofisticação cognitiva, em golfinhos, corvos, macacos e pessoas. Se esse for o caso, mudaria toda a nossa compreensão da evolução do cérebro dos primatas.

Muitos cientistas, entretanto, continuam achando que os humanos estão em um nível completamente diferente e muito maior de pensamento. Os chimpanzés, por exemplo, simplesmente não entendem conceitos físicos abstratos, como peso, gravidade e transferência de força. 

Tente colocar uma banana perto da gaiola um chimpanzé e fornecer-lhe algumas ferramentas para alcançar seu potencial lanche. Ele estará tão propenso a tentar usar um material desajeitado e mole quanto um objeto rígido para alcançar a banana. 

Ou seja, os chimpanzés podem raciocinar sobre coisas diretamente perceptíveis, mas somente os seres humanos têm um nível superior de pensamento que não depende apenas de estímulos sensoriais, permitindo-os formar conceitos mais abstratos, como gravidade ou força. 

Esses cientistas céticos são minoria, mas continuam achando que os animais não têm consciência. Como Descartes, eles chegaram à conclusão de que a linguagem é essencial para o pensamento. Isso porque mesmo um comportamento engenhoso – que não envolva linguagem – pode ser feito sem estar consciente (veja os humanos dirigindo um carro sem nem pensar nisso). Os comportamentos que eles não concebem fazer inconscientemente são os que envolvem o uso de linguagem.

Um dos problemas nessa área é que os estudos de comportamento só podem chegar a um certo ponto: você poderia mostrar um animal como uma mosca colocando chapéu e vestindo roupas, e ainda algumas pessoas poderiam dizem que é apenas uma série de reflexos.

Por essa razão, alguns pesquisadores estão tentando novas abordagens que possam resolver o argumento de uma vez por todas. Imagens do cérebro é uma das possibilidades mais promissoras. 

Por exemplo, pesquisadores usaram ressonância magnética funcional para estudar assinaturas de consciência do cérebro humano. Eles descobriram que existe um padrão similar de atividade neural cada vez que nos tornamos conscientes da mesma imagem de uma casa ou de um rosto, mas não processamos a informação da imagem inconscientemente. O trabalho sugere que o pensamento consciente não depende de qualquer região exclusivamente humana do cérebro, ou seja, não há nenhuma razão anatômica para dizer que o pensamento é exclusivo das pessoas.

Outro trabalho neurocientífico revelou alguns pré-requisitos importantes para a consciência que podem estar presentes em alguns animais. Conexões neurais que permitem que o tálamo transmita informações de sentidos para o córtex, por exemplo, parecem ser vitais para a percepção consciente. Outros mamíferos além de nós possuem tal conexão, por isso, eles têm pelo menos substratos para a consciência. Provavelmente podemos dizer o mesmo sobre as aves, o que parece se encaixar com as conclusões dos estudos comportamentais.

Algumas pessoas nunca vão se convencer do pensamento animal, já que acham que não há dados que possam responder a essa pergunta. Já outros estão otimistas com a procura dos equivalentes animais ao tálamo e córtex para resolver de vez o argumento. 

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Fonte: HypeScience



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