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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Animais ,Nossos Irmãos (estudo)- Parte 6

“O Homem não é o único animal que pensa!
É o único animal que pensa que não é animal.”
Pascal
A Inteligência dos Animais

 

Muito se discute sobre a inteligência animal. Cientistas do mundo todo fazem teses e testes a esse respeito, criam meios mirabolantes de testar tal e tal raciocínio e terminam, uns por achar que os animais não pensam, outros por achar que agem apenas pelo instinto e, muitos outros, de que a capacidade deles em resolver problemas de ordem lógica é bem alta.

Chamem como o quiserem, o certo é que alguns animais ultrapassam a linha de raciocínio que lhes é testada. Não pegando bolinhas ou fazendo gracejos para seus tutores em troca de biscoitos, mas sim, conseguindo compreender as coisas que acontecem ao seu redor. Exemplo disso foi a gorila Washoe(falecida) que através de sinais conseguia articular frases gramaticalmente corretas e expressar o que quer que sentisse no momento, raiva, ciúme, inveja, amor, e além de tudo, ainda ensinou outros gorilas a se comunicarem através da linguagem de sinais.

Muitos estudos científicos já chegaram à conclusão de que a inteligência não é mais um privilégio humano ,e que alguns animais possuem a capacidade de aprender a lidar com alguns instrumentos ou criar outras ferramentas que possam facilitar-lhes a vida com extrema habilidade, alguns cientistas até sugerem que os golfinhos são infinitamente mais inteligentes que os humanos, que se reconhecem e se chamam por nomes e que a linguagem usada por eles ultrapassa o número de “palavras” em comparação com a nossa. Relataremos abaixo algumas experiências sobre a dimensão da inteligência animal, e que o amigo leitor tire, ele mesmo, suas conclusões, sabendo que não é a inteligência ou a senciência, que podem fazer com que existam seres superiores ou inferiores, visto que afirmamos mais uma vez, viemos de um mesmo Pai: 



“A melhor definição para inteligência é a habilidade de resolver problemas", Culum Brown, Pesquisador da Universidade de Edimburgo, Escócia.
1. Betty, um corvo fêmea, depois de ver que o corvo macho desistira de buscar comida no fundo de um vidro, aproximou-se com um pedaço de arame, dobrou-o na forma de um gancho e enfiou-o no tubo até o fundo, fisgando o petisco. Ou seja, o corvo criou uma ferramenta que o auxiliasse a retirar o alimento de dentro do vidro. 2. Muitos devem se lembrar e não é necessária tanta explicação. A gorila que há alguns anos surpreendeu o mundo comunicando-se com a veterinária na linguagem dos sinais, Washoe, a quem já nos referimos aqui. Fácil lhe seria decorar os sinais, mas manifestar seus desejos e seu amor pelo ser humano, chegando a pedir que lhe fossem ensinadas palavras com as quais pudesse demonstrar esses sentimentos é algo diferente, sem contar que numa recente competição de memorização entre chimpanzés e universitários, os símios deram um verdadeiro show de inteligência e capacidade, o que demonstra com certeza que há muita coisa neles que desconhecemos e ignoramos. 3. Em 28/08/2007, na praia Marina State(EUA), Todd Endrin teve sua vida salva por um bando de golfinhos nariz de garrafa. Todd surfava quando foi atacado por um tubarão - sabemos que os tubarões não comem carne humana e os acidentes acontecem por que os animais confundem os surfistas com focas e leões marinhos-. Os estudos demonstraram que os golfinhos ouvem sons há km de distância e muitos deles, embora inteligentes, também são alvos dos tubarões. Eles nadavam perto de Todd Endrin no dia do ataque. No momento do primeiro ataque, os gofinhos nadaram em direção ao surfista, no segundo ataque eles fizeram um anel ao redor dele, tentando manter o tubarão longe do rapaz, batendo as caudas na água em círculo para que o tubarão se espantasse. No terceiro ataque, onde o tubarão conseguiu romper o anel de proteção dos golfinhos, e em uma atitude desesperada, os golfinhos começaram a atacar o tubarão com cabeçadas, saltavam na água e circulavam o surfista em ações coordenadas para tentar salvá-lo. E finalmente conseguiram. Vemos nisso um ato deliberado e consciente, os golfinhos foram altruístas diante do perigo no qual se colocaram para salvar um ser humano que não é da mesma espécie deles, a vontade deles em salvar o surfista foi maior do que o instinto que lhes obrigaria a preservar as suas vidas. 4. O Psicólogo Marc Hauser presenciou uma cena inusitada em 1987 numa floresta de Uganda. Alguns chimpanzés se alimentavam em uma figueira, depois da refeição, a mãe e dois de seus filhotes pularam para outra árvore, o mais novo, inexperiente, ficou com medo de segui-los. A dedicada mamãe começou então a gritar e se aproximou dos galhos da figueira, forçando-os a se aproximarem da árvore onde estava o filhote, de modo que se formasse uma ponte por onde o filhote conseguiu atravessar. Há pouco tempo atrás, a mídia também relatou o fato dos chimpanzés usarem pedaços de árvores, para medir a profundidade de rios que precisavam atravessar, para coletar frutos, sem contar ferramentas utilizadas para quebrar nozes, castanhas, coquinhos, processo esse que é ensinado a todos do grupo.Queremos abrir um parênteses aqui, pois muitas pessoas diante disso alegam que tal aprendizado entre os animais é a “repetição”, mas voltando a nossa infância, vemos que nossas primeiras palavras também nos foram ensinadas por repetição até a compreensão, aprendemos a escrever repetindo as letras tanto em um caderno quanto mentalmente e transmitimos nosso conhecimento de geração para geração tal como os animais . 5. Na ilha de Koshima, alguns pesquisadores se surpreenderam quando Imo, uma macaca, começou a lavar suas batatas-doce tirando a terra, antes de levá-las a boca, comportamento esse que rapidamente se espalhou pelo grupo. Ela também foi a responsável por ensinar o grupo a separar os grãos de trigo que seriam ingeridos da areia onde eles caiam, apanhando um punhado deles e mergulhando na água para que se separassem.

"Convivemos nesse planeta com animais pensantes. Cada espécie, com sua mente única, favorecida pela natureza e moldada pela evolução, é capaz de enfrentar os mais fundamentais desafios que o mundo apresenta.” Marc Hauser
São pequenos relatos que comprovam cientificamente a inteligência dos animais, não sendo mais possível dizermos que abatemos animais pelo simples fato de que eles não são inteligentes.

Seres tão curiosos e agradáveis; almas consideradas puras, mesmo assim os animais sofrem.E A pergunta as vezes martela nosso cérebro: Se não há carma, por que o sofrimento? Não sabemos ainda todas as respostas do reino animal, mas sabemos que como nós, os animais humanos, os animais não-humanos sofrem, sentem dor , se comunicam (Livro dos Espíritos), e até se suicidam.

Partindo do princípio de que todo animal irá evoluir, mesmo que isso leve muitas e muitas encarnações, o fato é que um dia ele chegará ao reino hominal. Mas, e o que levaria os animais a se suicidarem?

“Em Viena, Áustria, uma macaca fez grande amizade com uma raposa, e passavam ambas, horas a se divertirem. Separadas um dia, notou-se que a macaca começou a desesperar-se e lançou-se num tanque d’água. Alarmado, o guarda conseguiu salvá-la e para evitar o suicídio, soltou-a novamente com a raposa , porém as ordens eram separá-las e assim , mais uma vez foi feito. Na manhã seguinte encontraram a macaquinha morta no tanque d’água. Suicidara-se.”

“O jornal Morning Post noticiou outro caso de suicídio animal. Dessa vez um cão tido como detentor de hidrofobia. Afastado de todos a quem amava, o cão vagou durante dias pela pequena cidade buscando alguém que se apiedasse dele. Como todos os repeliam, afastou-se em direção ao rio e ali mergulhou, vindo a morrer diante de alguns moradores que olhavam a cena espantados.”

Kardec elucidou casos semelhantes dizendo que essa seria a prova de que o animal tem consciência de sua existência e individualidade, compreendendo o que é a vida e o que é a morte, escolhendo dessa forma, uma ou outra. Seria um livre arbítrio?. O instinto o impediria de cometer suicídio, mesmo assim eles o fizeram.

Por falar em instinto, o que levou os elefantes da Ásia a escaparem com vida do perigoso tsunami de dezembro de 2004 enquanto milhares de pessoas morreram? Pressentimento, premonições, o que seria?

O fato é que não só eles, mas muitos outros animais conseguiram perceber, seja pelo ar ou pela terra, que algo de muito errado iria acontecer por ali. Pesquisas já comprovaram que em lugares assolados por terremotos, imediatamente as formigas abandonam os formigueiros. Os animais sempre conseguiram perceber as grandes catástrofes, isso desde 481 a.C. Muito depois em Kracatoa, as aves debandaram da ilha pouco antes da explosão do vulcão. Os cães tentaram escapar e outros animais atiraram-se ao mar. Os homens, e apenas eles, não perceberam nada.

Os gatos em Londres sempre pressentiam os bombardeios alemães, e seus tutores se salvavam dirigindo-se aos refúgios antiaéreos. Max, um cavalo, em 1958 foi capaz de salvar sua dona do ataque de um touro, abandonando o fazendeiro que o fazia arar a terra e correndo de volta para a fazenda.

Diante dessas maravilhas que lemos, ainda existem pessoas que não se preocupam com os animais, que abusam de suas fraquezas, que os caçam por “esporte”, que não os respeitam, e pensamos: Nós conseguimos ver os motivos que levaram Deus a nos presentear com essas criaturas magníficas. Nosso aprendizado, nossa pequena doação de amor. Como ser insensível então, diante de tanto sofrimento que lhes causamos, seja no abate para alimentação ou por qualquer outro tipo de exploração que lhes dirigimos? O que dizer agora diante de tudo o que sabemos? Que somos fracos? Que ainda nos falta informação para mudarmos? Ou que nos acostumamos a essa barbárie e dela não desejamos nos afastar? Precisamos refletir mais, pesar mais nossas ações, não basta falar dos animais, é preciso fazer por eles.

Esperamos ter conseguido, nesse curto espaço, proporcionar umas poucas parcelas de conhecimento sobre a alma dos animais, sua inteligência e senciência, lembrando sempre que são eles também “Nossos irmãos nesse mundo”, sendo que não é mais possível tratar da alma dos animais e esquecer o que fazemos com seus corpos. Nesse pequeno passeio, descobrimos que Deus criou os animais assim como criou os homens, deu-lhes uma alma assim como a que tivemos um dia, a mesma que chegará a arcanjo. Descobrimos que são sencientes, inteligentes e companheiros, a mudança agora depende apenas de cada um. Sem o peso das mentiras e sem o medo do conhecimento. Erguemos então uma nova barreira : da omissão, do esclarecimento sobre o que fazer pelos animais. Quantas vezes ouvimos um palestrante versar sobre vegetarianismo ou veganismo? Por que o medo avassalador quando se ouve essas duas palavras? Eis aí mais uma barreira a ser vencida. O bem e o mal dependem unicamente de nossas próprias ações. 


Reflexão: Imaginemos que Deus nos tratasse como tratamos os animais ! 

Como estaríamos sendo tratados agora? 



 Referência bibliográfica 


  EMAMANUEL, Chico Xavier – O Consolador Inteligência Animal e Memória Animal Disponível: http://super.abril.com.br/superarquivo/2005/conteudo_125520.shtml E Agora Animal ? - Revista Sapiens BOFF, Leonardo – Ecologia, grito da terra, grito dos pobres Videos: Consciência Humana no YOUTUBE
Egroup Clara Luz - OS ANIMAIS TÊM ALMA!


Simone Nardi

* Na última parte falaremos sobre nosso caminho de volta ao Bem, em relação aos animais.






Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Animais, Nossos Irmãos - (Estudo) Parte 5

“Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão”
Paulinho da Viola

 
Senciência Animal

Sempre que levantamos a questão da carne, obtemos duas respostas distintas, que , com o esforço de muitas pessoas que lutam pela libertação animal, aos poucos estão desaparecendo. A primeira era a antiga crença de que os animais não eram sencientes (seres que podem ter emoções, sensações, vontades), a segunda é que poderiam ser explorados porque não eram inteligentes (raciocínio na resolução de problemas, memória, etc). No entanto, são duas barreiras que iremos quebrar de uma vez por todas. Seria bem simples dizermos de pronto, que o fato de um Ser qualquer , não ser considerado inteligente, não nos permite fazermos com ele as atrocidades que cometemos para com os animais, esse é um principio apenas, mas vamos fortalecer ainda mais nossas argumentações para que não restem dúvidas.

Qual ser humano poderia fazer mal a um ser senciente, que tem emoções, que sente dor, que sente alegria? Logicamente nenhum, não podemos nos permitir proporcionar dor ou sofrimento, tristezas ou amarguras. Por isso algumas pessoas relutavam –algumas ainda relutam- em aceitar que os animais são seres sencientes. As que aceitam, logo se propõe a dizer que, por eles não serem inteligentes, poderiam ser abatidos de um modo que não sentissem dor. O problema é que a senciência não se restringe ao campo da dor material simplesmente no momento do abate. Quando nós estamos solitários e tristes, sabemos o que é a tristeza, embora seja uma dor palpável, e sabemos que os sentimentos não são palpáveis, não são materiais, compreendemos que eles provêm sim, de algo material para poderem ocorrer, a tristeza provêm da dor do encarceramento do corpo, a alegria provêm da felicidade do corpo de ser livre, tudo isso torna-se ou não, dor. Os animais sofrem desde o nascimento, encarcerados em celas minúsculas, ora com excesso de indivíduos, sendo forçados de um lado a outro, ficando confinados para que a carne fique tenra, entre outras torturas. O sofrimento deles não ocorre apenas no momento do abate como muitos querem crer, mas durante toda sua vida, isso devido à senciência: eles sentem dor, sentem tristeza e o pior, sentem medo, muito medo e esse já é um aspecto psíquico que deve ser levado em alta conta por qualquer pessoa que se coloque como racional.

Por isso a necessidade de quebramos essa barreira erguida pelos seres humanos em relação aos animais. Não nos será possível, dentro do campo da compaixão e da caridade, fazermos qualquer ato de crueldade para seres que reconhecemos como sencientes, não teremos mais desculpas para explorá-los quando conseguirmos notar que eles, tal como nós, sofrem, não importa aí se a dor é apenas moral ou física, dor é dor, e nenhum ser, mesmo os considerados não inteligentes, apreciam sofrer. Não podendo mais mentir ou omitir a consciência animal, será necessário que assumamos uma nova postura diante deles. Negar isso hoje em dia já é algo ultrapassado, a ciência prova que eles sentem dor, então passaram a anestesiar os animais para aliviar essa dor, inventaram o abate humanitário, mesmo sabendo que a humanidade ainda não é tão humana quanto se imagina. Esse é o chamado Bem-Estar animal, a qual tantas pessoas, entre elas espíritas, se referem; nada mais é do que uma exploração disfarçada, uma tortura consentida, o fato de tratá-los com “menos dor”, significa ainda que a dor está ali presente, mesmo que em menor intensidade, melhorar a dor não é caridade, eliminar a dor e o sofrimento sim, e nós temos essa opção, e não se trata mais da exploração inconsistente que temos ao dizer que podemos ou não usar de nosso livre arbítrio, temos que ter consciência de que fazemos um mal, e podemos ou não, evitar fazer esse mal.. Se tomarmos a senciência como ponto de partida, e nos colocarmos no lugar da vítima, como seres sencientes que somos, veremos que não será melhor que vivamos confinados, mesmo que com boa comida. Veremos que não será vantajoso, nem satisfatório que vivamos sendo furados, obrigados a ingerir medicamentos, anestesiados, abertos e costurados, mesmo que no fim de tudo, sejamos eutanasiados “sem dor” . O medo é algo que não pode ser anestesiado, nem apagado da mente, e medo nada mais é do que reflexo da experiência da dor.

Sabemos que nosso cão está alegre porque vemos a expressão corporal dele, alegria é sinal de senciência, e reconhecemos isso. Sabemos que está com medo quando lhe damos uma bronca e ele corre se esconder, outro sinal de senciência que reconhecemos. O que devemos ter em mente agora é que nenhum animal é tão diferente como queremos acreditar. Bois, galinhas, suínos, elefantes, conseguem manifestar seus sentimentos tal como o nosso animal de estimação então, assim como não maltratamos nosso mascote, não podemos maltratar qualquer outro animal que , reconhecidamente agora sabemos, é também senciente.

Todos os casos que narramos anteriormente, nada mais são do que provas da senciência animal, em cada um dos casos, podemos notar a vontade, o desejo, a dor ou a alegria de cada animal, então não há porque nos enganarmos mais.Nós, como seres sencientes, devemos sentir alguma coisa em relação a isso. Esse sentimento nada mais seria do que compaixão, e a mudança de comportamento, a caridade. Mas ainda resta uma barreira. A Inteligência Animal... 




  Referências Bibliográficas
KREISLER, Kristin Von - A Bondade nos Animais
REGAM, Tom – Jaulas Vazias
SINGER, Peter- Libertação animal,Ética Prática e Vida Ética
MASSON, J. Moussaieff - Quando os elefantes choram
TREZ, Thales e GREIF, Sérgio – A Verdadeira face da experimentação animal





* Na próxima parte trataremos sobre a inteligência animal, até lá.






Simone Nardi





Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.





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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Vegetarianos? Quem são esses caras????

Imagem: Pigley Winks

Você!


É você mesmo que está lendo esse artigo. Você tem ou conhece algum amigo Vegetariano?
Sim? ?
Se não tem deveria ter, já que é cômico ver um amigo sofrendo nos restaurantes para conseguir comer algo nessa cidade, aliás, nesse Mundo.Muito embora as coisas estejam melhorando.
Mas os vegetarianos ainda são vistos como verdadeiros Et´s pelas pessoas, principalmente, pelos garçons. Veganos então, nem se fale.
Para quem é ou tem um Et, opssss um amigo vegetariano e muito ao contrário do que um certo cartão de crédito diz, é impagável ter um amigo no mínimo "diferente" da massa em geral, sabe perfeitamente sobre o que estou falando.
A primeira coisa que fazem quando descobrem que você, ou seu tal amigo é vegetariano e que não come carne é te olharem com aqueles olhos esbugalhados, cheios de terror, como se você fosse uma criatura estranha vinda no mínimo de Plutão, que agora nem mesmo é um Planeta, por isso você passa a ser tão, tão fora de compasso.
Coma mais vegetais
Impressionante não é?
Depois do susto, as pessoas logo soltam aquela pergunta manjada:
Você não come carne? Mas frango você come não é?
Tente você(ou seu amigo, por isso digo que é engraçado ter um amigo assim, ele se mete em cada sinuca e você fica lá, só olhando), mas tente você, um Et de Plutão explicar para o cara esperto diante de você que frango, peixe, mortadela, presunto tudo se encaixa no mesmo rol das "carnes", sorte dele não viver no continente asiático, pois as perguntas prosseguiriam assim: mas gato você come? Cachorro? Golfinho?Baleia?????.
Mesmo aqui no País Tropical eles se negam a acreditar e dizem de pronto:
Ah, mas carne branca você come?
Normalmente é nessa hora em que os vegetarianos respiram mais fundo e tentam explicar os motivos que o tornaram um ser tão desenquadrado da sociedade como ele é. Mal sabe ele que o pior está por vir.E vem mesmo, lá do fundo da mesa, quando uma pessoa mais intrigada chega até mesmo a gritar para tentar entender a linguagem complicada do cara que não come carne:
E por quê?
Nessa hora é quase como se o mundo ao seu redor parasse.Um verdadeiro Matrix vegetal. Até as moscas parecem parar de voar para ouvir o que você vai responder.
As goteiras cessam.A respiração para. E parece que o restaurante inteiro está com os olhos voltados em sua direção(não se esqueça, ou na direção do seu amigo).
Claro que sabemos os motivos que levam algumas pessoas a se tornarem vegetarianas, mas a resposta mais polêmica é aquela que você/seu amigo vai soltar, é quase como o som de um míssil solto voando em direção aos ouvidos inocentes dos telespectadores e caindo em cima deles como uma bomba:
·         Pelos animais.

Queixos caem. 

Mãos estremecem.

Rosto empalidecem.

Alguns recuam as cadeiras.

Outros levam as mãos a boca totalmente aparvalhados, apopléticos,paralisados.
Sorrisos irônicos brotam, alguns tentam disfarçar mas não conseguem.

Espanto.

Incredulidade.

Se alguém ali ainda estivesse em dúvida de que você ou seu amigo era um Et de Plutão, acabaram de ter certeza.

Caracol
Isso é o ser vegetariano.Um ser de outro fragmento rochoso que, quando vai num rodízio de Pizza, paga seus 15 Reais como todos os outros, sai de lá com fome, pois só consegue comer duas ou três pizzas e todas do mesmo sabor:

Rúcula com tomate seco  ou escarola com tomate seco.

Diante dos olhos assustados da plateia ele deixa passar as pizzas de camarão, presunto com ovos, bacon com lombo canadense e bravamente, corajosamente, consegue comer a terceira fatia repetida de rúcula com tomate seco.
Ele incrivelmente não frequenta lanchonetes que vendem hambúrgueres, não come mais cachorro quente no parque, odeia feijoada(quase um herege nesse País) e nem passa perto de açougues.

O sadismo dos amigos é convidá-lo para aquela churrascada de fim de semana: leve espeto para assar a alface, faremos churrasco de brocoli para você.Isso quando não te falam:
·         Abra uma exceção.

Ninguém, ou bem poucos compreendem os motivos que nos levam a ser vegetarianos.Não entendem que não há exceção em nossos ideais.Nós somos completos como somos, pois entendemos a vida de uma forma muito melhor do que muitos pensam entender. 

Nossa consciência nos mostrou que é o certo e o que é o errado e nós escolhemos fazer o certo, não se pode fazer uma exceção e deixar de amar a vida.Somos diferentes porque não conseguimos fechar os olhos para a verdade quando ela apareceu diante de nós, ao contrario de virarmos o rosto nos revoltarmos, optamos por fazer o melhor, por tornar o mundo melhor.

Sim, é muito bom ser vegetariano e melhor ainda ter um amigo vegetariano para conhecermos a força de um ideal, de uma luta por uma mudança no Planeta, pois ser vegetariano num mundo de carnívoros, por si só já é ser um grande vencedor.


Simone Nardi







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domingo, 24 de agosto de 2014

Alma-grupo - isto existe (Parte II)


Quando o assunto abordado é a espiritualidade dos outros animais, muito se ouve que os animais não-humanos são seres que não possuem alma ou que se possuem faz parte de um "todo coletivo', negando-se suas individualidades como seres espirituais.
Aceitar que os animais não-humanos são seres que não possuam alma ou que possuam uma alma sem individualidade é o mesmo que negar os preceitos espíritas e a justiça de Deus, pode-se questionar esta teoria analisando a seguinte frase: "Os animais conservam depois da morte a sua individualidade" (O Livro dos Espíritos).
Esta tese de alma-grupo teria se iniciado na Antiguidade e depois foi absorvida pelos hindus. Em seguida foi introduzida em uma filosofia chamada teosofia, que surgiu em época próxima à Codificação Espírita.
Em relação a "alma-grupo", segundo o hinduísmo e a teosofia temos:
"Um animal durante sua vida no plano físico e durante algum tempo depois
no plano astral tem uma alma tão individual e separada como a do homem,
Mas quando o animal termina sua vida astral, não se reencarna em outro
corpo, e sim retorna a uma espécie de reservatório de matéria anímica que
se chamamos de Alma-grupo"
(Os mestres e a senda - C.W. Leadbeater)
Este conceito de alma-grupo, que muitos espíritas conhecem como o que foi exposto por Leadbeater não condiz com a Doutrina Espírita, pois o Espiritismo assinala que os Espíritos estagiários do reino animal são Espíritos em evolucão.
Analisemos as citações para melhor refletir:
-      "Todos nós já nos debatemos no seu círculo evolutivo (dos animais)" (Emmanuel);
-      "Por ter passado pela fieira da animalidade, com isso o Homem não seria menos Homem e nem mais animal” (Kardec);
-      "O Princípio inteligente se individualiza e se elabora passando pelos diversos graus da animalidade” (Espírito da Verdade);
-      "Os animais conservam depois da morte a sua individualidade" (Kardec).
-      "Somos espíritos que animaram animais de antes" (Emmanuel).
Se a alma não conservasse a individualidade, quer dizer, se ela fosse se perder no reservatório comum chamado grande todo, como as gotas de água no oceano, isso seria como se não tivesse alma" (Obras Póstumas), o que não se aplica ao Reino Animal, no qual o homem também está incluído.

Este texto foi baseado em grande parte no texto Individualidade da Alma Animal (Comunidade Espírita)
Blog: Alma Animal



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sábado, 23 de agosto de 2014

Alma-grupo - isto existe? -pt 1


É muito comum ouvir/ler que nos animais não-humanos existe o que se denomina “alma-grupo”.

De maneira geral, alma-grupo seria o princípio inteligente, sem consciência, conduzido por um “princípio inteligente grupal” que atuaria na matéria segundo a Lei da Evolução que rege tudo o que conhecemos.

Pensemos de maneira lógica, baseados nas obras da Codificação. Kardec e os Espíritos Superiores escrevem na questão 597 em O Livro dos Espíritos (LE) que “há nos animais um princípio independente da material e que sobrevive ao corpo.”

1ª afirmação: os animais têm alma. Alma é o espírito encarnado, portanto todos – homens e outros animais – são espíritos encarnados (alma) ou desencarnados (espíritos).

Na questão 79 do LE, Kardec e os Espíritos esclarecem: Os espíritos são individualizações do princípio inteligente, como os corpos são individualizações do princípio material.”

2ª afirmação: animais não são alma-grupo. São espíritos que possuem sim individualidade quando encarnados e também quando desencarnados.

Sabe-se de duas frentes em relação a este estudo: 

1) A que admite a individualização durante o processo de evolução do princípio inteligente;

2) A que admite a individualização desde o princípio.

Vejamos o que Irvênia Prada em seu livro A Questão Espiritual dos Animais (pp.43) escreve:
                           
  “Aceito plenamente a ideia de que a célula já é um indivíduo e que corresponde a um princípio inteligente rudimentar. Penso que a noção de alma-grupo apenas pode ser entendida como o estado de sintonia e consequentemente de interação energética e vibratória, em que vivem seres afins.

Ainda em LE, os Espíritos abordam sobre a vontade dos outros animais: “É verdade que na maioria dos animais domina o instinto. Mas, não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? É que têm inteligência, porém limitada.”

Como poderíamos discutir sobre vontade sem individualizar o ser? Não observamos nossos amigos animais em casa e presenciamos diversas cenas em que a inteligência, raciocíno e sensiblidade nos aguça a curiosidade? E nem que estas demonstrações de vontade são diferentes e variam muito de ser para ser? 

De maneira lógica, para animais não-humanos, acreditar no que se chama “alma-grupo” como colocamos aqui, é desacreditar na inteligência superior e nas evidências que todos os dias observamos.


Referências Bibliográficas

O Livro dos Espíritos – Allan Kardec





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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Ciência revela a inteligência das plantas

Floresta
 

Pesquisas recentes mostram que as plantas têm linguagem, memória, cognição e são capazes de fazer escolhas. Ao site de VEJA, pesquisadores desvendam o mecanismo da inteligência vegetal e mostram como as plantas passaram a dividir com os animais o status de criaturas autônomas e sensíveis

 

Plantas e sua "inteligência"

 

 

Em 1880, o naturalista britânico Charles Darwin foi o primeiro a escrever que as extremidades das raízes vegetais "agem como o cérebro de animais inferiores". Desde então, cientistas descobriram que as plantas atuam também como se tivessem linguagem, memória, visão, audição, defesas e cognição. Percebem-se como indivíduos e são capazes de fazer escolhas. Em outras palavras, elas têm o que Darwin previa no último parágrafo de seu livro O Poder do Movimento nas Plantas: inteligência.

As evidências para isso vêm de diversos países ao redor do globo, em instituições de pesquisa como a Universidade da Califórnia e a Universidade de Washington, nos Estados Unidos, o Instituto Max Planck e a Universidade de Bonn, na Alemanha, a Universidade de Lausanne, na Suíça, além de institutos de pesquisa no México, França, Itália e Japão.

Nos últimos meses, diversos estudos, publicados em revistas científicas como Nature, Science ou Plos One têm demonstrando o funcionamento dessas até então desconhecidas habilidades vegetais. E provado que as plantas estão longe de ser criaturas passivas, como se acreditava. Um dos estudos mais recentes, divulgado no fim do ano passado na revista Ecology Letters, mostrou como as plantas se comunicam por meio de compostos voláteis. Viajando pelo ar, eles avisam outras árvores sobre a presença de herbívoros potencialmente perigosos — as folhas recebem a mensagem e tornam-se mais resistentes às pragas.

Planta carnívora
As plantas são capazes de comportamentos muitíssimo mais sofisticados do que imaginávamos”, afirma o biólogo Rick Karban, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo sobre comunicação vegetal. “Elas passaram por uma seleção em que tiveram de lidar com os mesmos desafios que os animais e desenvolveram soluções que, às vezes, guardam semelhanças com as deles.” É o avanço dos estudos em biologia e fisiologia vegetal, aliado a tecnologias mais potentes para conduzir experimentos e recolher dados, que está fazendo com que os cientistas percebam que árvores e arbustos são criaturas sensíveis, que dividem o mesmo espaço com os animais na escala evolutiva.

A língua das plantas 


Quem está mostrando as evidências mais contundentes de uma cara característica animal — a linguagem — nos vegetais são pequenas artemísias. Há mais de uma década, Karban cuida do cultivo de quase cem delas em um campo aberto na Califórnia. Regularmente, suas folhas ganham pequenos cortes que imitam dentadas de insetos para que emitam os compostos orgânicos voláteis, conhecidos pela sigla VOC. O objetivo é entender o papel desses elementos perfumados na natureza, que parecem enviar mensagens muito precisas de uma planta para outra.

Com seu campo californiano, Karban não só provou que esses compostos existem, como percebeu que eles viajam a até 60 centímetros de distância e são percebidos por outros ramos da planta, por pés vizinhos da mesma espécie e, por vezes, por outras espécies que estão ao lado. “As plantas coordenam suas defesas e as de seus parentes”, afirma Karban, que estuda o tema há mais de trinta anos. “Esse e outros trabalhos indicam que a comunicação entre os vegetais é um fenômeno real que ocorre na natureza.”

Planta carnívora
Pelas contas do pesquisador, outros 48 estudos de comunicação vegetal confirmam que as plantas detectam esses sinais aéreos. E dominam mais de uma língua: algumas conseguem também enviar mensagens para predadores de herbívoros que, atraídos pelos compostos emitidos, evitam que as folhas sejam comidas. ”Plantas reconhecem os herbívoros que as atacam, às vezes até antes que eles cheguem”, diz o pesquisador. “Descobrir essa linguagem das plantas, além de ser muito interessante, pode nos mostrar como manipular a defesa de safras inteiras.”

 

Sinapses vegetais 


Afora as mensagens voláteis, as plantas emitem sinais elétricos — semelhantes a sinapses dos neurônios — para enviar informações entre uma célula e outra. Edward Farmer, o biólogo pioneiro em pesquisas sobre comunicação vegetal da Universidade de Lausanne, na Suíça, descobriu, há alguns meses, uma maneira até então inédita de transmissão de sinais elétricos vegetais, com pulsos que seguem por longas distâncias entre as membranas da planta. É como um rudimento das sinapses animais.

“Esses sinais elétricos que viajam através dos tecidos resultam em diversas respostas, afetando a expressão dos genes ou ativando processos bioquímicos. Mostramos que alguns deles são importantes para comunicar ferimentos sofridos pelo vegetal”, afirma Farmer. É mais ou menos o mesmo princípio que nos faz perceber estímulos e responder a eles, mas em sua versão vegetal.

O bioquímico, no entanto, é cuidadoso ao relacionar plantas a outros seres vivos. Para ele, as capacidades dos vegetais devem ser conhecidas e estudadas por suas características próprias. “Não devemos antropomorfizar as plantas. E é importante notar que as plantas têm um sistema nervoso diferente dos animais”, afirma o pesquisador.

 

Defesa vegetativa 


Plantas, afinal, têm maneiras especiais de enfrentar desafios. Martin Heil, biólogo do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional do México, costuma dizer que o principal valor dos vegetais é sua maneira inusitada de lidar com os problemas. “É preciso evitar a impressão de que os vegetais seriam mais valiosos se fossem mais similares a nós”, diz o pesquisador. “É fascinante ver o quanto as plantas são muito mais ativas do que pensávamos e desenvolveram milhões de estratégias que as ajudam a sobreviver a condições ambientais complexas e incertas.”


Bosque
Heil começou a estudar há quase vinte anos, na Alemanha, os mecanismos extremamente sofisticados que folhas e ramos desenvolveram para driblar sua falta de mobilidade e escapar de predadores. Nos últimos meses, descobriu como funciona a clássica associação entre plantas e as formigas que as defendem de pragas e animais herbívoros como vacas e cavalos. “Os vegetais manipulam os insetos e os deixam sem outra alternativa para buscar alimento”, diz o pesquisador. Isso acontece por meio de elementos químicos secretados pela planta que “viciam” as formigas e fazem delas uma verdadeira tropa de defesa.

Nos próximos meses, o pesquisador entrará em um time de especialistas em imunologia para descobrir como folhas e ramos respondem a agressões externas. “Nesse contexto, plantas e humanos são realmente semelhantes. Nós usamos exatamente os mesmos mecanismos de percepção de ferimentos e agressões”, diz.

Para o biólogo eslovaco Frantisek Baluska, de 56 anos, a espécie humana sofre de bloqueio psicológico que a impede de aceitar que as plantas podem ser inteligentes. “Gostamos de nos considerar o topo da evolução, essa é a nossa natureza”, afirma o pesquisador da Universidade de Bonn, na Alemanha, um dos nomes mais importantes em todo o mundo no estudo de neurobiologia vegetal.

O título controverso do seu campo de estudos foi criado por ele e por mais quatro colegas em 2007, em um manifesto que pretendia chamar a atenção para o estudo de sistemas vegetais extremamente refinados. Com isso, Baluska não queria dizer que as plantas têm cérebro ou neurônios, mas que dispõem de ferramentas biológicas que lhes permitem resolver problemas. Uma capacidade chamada por ele de inteligência.

Além de conduzir pesquisas na universidade alemã, o biólogo faz parte do Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal, em Florença, na Itália, é co-fundador da Sociedade de Comportamento e Sinalização Vegetal e edita uma revista científica dedicada a pesquisas na área. Depois de quase trinta anos estudando a biologia e fisiologia das plantas, ele encontrou, nos últimos meses, evidências de que as raízes têm sua própria versão de processos que, nos animais, são chamados de sinapses. Em entrevista ao site de VEJA, Baluska discute a resistência a suas pesquisas e, com sua visão de neurocientista das plantas, explica o que é a cognição vegetal.

Veja-Qual o seu conceito de inteligência? 

Baluska- Há muitas definições, a maior parte antropocêntrica. Sigo aquela que vê na inteligência a habilidade para resolver problemas apresentados pelo ambiente.

Veja- Sob essa ótica, plantas são seres inteligentes?  

Baluska- Sim. Elas resolvem problemas o tempo todo. E como são imóveis, arraigadas no solo, seus problemas são ainda mais sérios que aqueles dos animais.

Veja-No entanto, a maior parte de seus colegas não concorda que exista uma inteligência vegetal.  

Baluska- Isso é muito interessante. Acredito que a fonte desse problema está em nossa natureza humana: gostamos de nos considerar como o topo da evolução. Temos um bloqueio psicológico em reconhecer que existam outros seres tão ou mais inteligentes que nós. No entanto, não temos a capacidade de sustentar a civilização sem os vegetais. Na verdade, se todos eles se extinguissem subitamente, sobreviveríamos alguns meses, anos nos máximo. Por outro lado, a maior parte das plantas viveria se todos os animais e a raça humana desaparecessem.

Veja- Você e seus colegas publicaram uma carta em 2007, no periódico Trends in Plant Science, defendendo o uso de termos como inteligência e comportamento em plantas. Por que, até hoje, é difícil que esses termos sejam empregados para descrever vegetais? 

Baluska- A situação melhorou desde então. Alguns termos – comportamento, comunicação e sinalização – são aceitos agora. Mas as maiores dificuldades ainda persistem: não é possível obter recursos de agências de fomento se o projeto for escrito com palavras como inteligência, cognição ou neurobiologia vegetal.

Inteligência vegetal
Veja-Falar em neurobiologia significa dizer que plantas fazem sinapses? 

Baluska- Desde que Charles Darwin se interessou por plantas carnívoras, no fim do século XIX, sabemos que elas funcionam por meio de pulsos elétricos. Sabemos que há versões vegetais de neurotransmissores e receptores que integram e talvez ‘animem’ o corpo das plantas, da mesma forma que animam nosso corpo. Sinais elétricos controlam também a respiração e a fotossíntese em qualquer vegetal. Dados preliminares sugerem que esses sinais elétricos transmitidos por longas distâncias também controlam o tropismo nas raízes.

Veja-Como assim?  

Baluska- Estamos estudando a endocitose, processo em que as células absorvem materiais através da membrana celular, o principal processo de comunicação sináptica neuronal em nossos cérebros. Encontramos processos muito semelhantes nas raízes.

Veja-Em um seu livro Communication in Plants – Neuronal aspects in plant life (Comunicação em Plantas – Aspectos neuronais da vida das plantas, publicado em 2007 e sem tradução no Brasil), você afirma que as plantas “reconhecem outros organismos como bactérias, fungos, outras plantas, insetos, pássaros e animais que, provavelmente, incluem os humanos”. Isso quer dizer que elas têm consciência de si e do ambiente em que vivem?  

Baluska- Ninguém sabe isso porque, como expliquei, ainda não é possível estudar esses assuntos com toda a liberdade. No entanto, a comunidade científica aceita que as plantas têm sistemas sensoriais que permitem que elas conheçam os vegetais ao redor, bactérias, insetos, animais e, sim, humanos. É muito provável que elas tenham a sua própria consciência e compreensão vegetal. Elas podem manipular insetos, animais e, talvez, os homens (por meio de aromas, formas, cores e substâncias que alteram a consciência) para o seu proveito.

Veja-E essas habilidades foram comprovadas por estudos científicos?  

Baluska- Sim, todos esses aspectos já foram muito bem estudados, mas ainda não foram interpretados pela perspectiva da neurobiologia vegetal. Eles são muito importantes para a ciência agrícola.

Veja-Várias das novas descobertas em neurobiologia vegetal admitem que haja novos significados para o tropismo, a conhecida capacidade das plantas de se movimentar segundo estímulos como luz ou água. O que você afirma é que os vegetais não respondem automaticamente a esses sinais, mas escolhem fazer isso?

Baluska- As plantas leem ao menos vinte parâmetros diferentes do ambiente e integram todas essas informações em suas células e tecidos para responder de maneira inteligente – senão, elas não sobreviveriam. Isso requer memória, aprendizado, atenção e cognição. Mas é preciso lembrar que elas têm sua própria versão dessas habilidades, ditada por sua vida vegetal. Nesse aspecto, a parte da planta mais interessante é a raiz, que busca água e minerais no solo, um lugar muito heterogêneo. Essa é uma tarefa difícil e ela se une a fungos e bactérias para ser bem-sucedida. Recentemente, além desse comportamento de busca, foram identificados na raiz também os de fuga e evasão. Raízes são capazes de comunicar suas experiências de stress, reconhecer a si e a outras raízes, identificar plantas da sua família e as estranhas e ter comportamento coletivo. Um único pé de centeio precisa coordenar suas 13 815 672 raízes e radículas, com um comprimento total de 622 quilômetros. 

Veja-Você mencionou a memória. Plantas se lembram de suas experiências passadas? 

Baluska- É claro que as plantas têm memória. Ela é necessária para sua adaptação e sobrevivência em ambientes que estão, o tempo todo, se modificando. Mas reforço: são memórias específicas de vegetais e nossa compreensão a seu respeito ainda é muito restrita.

Veja-Você é especialista em comunicação entre as plantas. Por que resolveu pesquisar um tema tão controverso?  

Baluska- A sobrevivência humana depende das plantas. Na verdade, nossa evolução foi dividida com os vegetais cultivados por nós e, como a comunicação entre as árvores é muito importante para nos manter vivos, devemos entendê-la. Além disso, jamais seremos capazes de compreender a biosfera e a natureza humana sem ter um melhor conhecimento dos vegetais em toda a sua complexidade sensorial e neurobiológica.

Árvore
Veja-Muitos biólogos argumentam que não devemos antropomorfizar as plantas. Por que vocês gostam de usar o mesmo vocabulário para descrever plantas e animais?  

Baluska- Acho que o antropocentrismo de nossa ciência é um problema muito maior. Todo o nosso esforço científico começou com humanos, depois se dirigiu aos animais e só então chegou às plantas. Toda a terminologia científica é recheada de termos antropomórficos. É muito interessante como o conceito de inteligência bacteriana recebe uma oposição menor, indicando que, realmente, temos algum problema psicológico em relação aos vegetais.

Veja-Árvores têm um sistema neuronal semelhante ao animal? 

Baluska- Sim, plantas têm seu próprio sistema neuronal específico e vegetal espalhado por todo o seu corpo. Raiz e flores representam os dois polos da planta e estão ligados não só por sistemas vasculares especializados em transporte de nutrientes, água e químicos, mas também por meio de sinais elétricos vegetais.

Veja-Sendo assim, elas sentem dor?  

Baluska- Não sabemos. Mas podemos especular que elas tenham versões específicas de dor, pois sintetizam diversos anestésicos, como etileno e éter, quando são feridas ou estão sob stress. Para qualquer organismo vivo é importante estar a par dos estragos sofridos e a dor é um sinal fundamental. Plantas são também sensíveis a todos os anestésicos e têm suas próprias versões de olhos, audição e olfato. Necessitam tudo isso para sobreviver na natureza.

Veja- O naturalista britânico Charles Darwin foi o primeiro a perceber as habilidades “inteligentes” das plantas. Você se considera um de seus seguidores? 

Baluska- Ele foi um visionário nesse assunto também e, por isso, o consideramos o “pai” da neurobiologia vegetal. Mas seu avô Erasmus e seu filho Francis também eram muito ativos nesse tema. Inclusive, para o primeiro simpósio de neurobiologia vegetal organizado por mim e pelo biólogo italiano Stefano Mancuso em maio de 2005, criamos um logo com a foto de Darwin sobre uma raiz.






Ver mais em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/ele.12205/full


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