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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Sorria Como Jesus

Imagem que deu origem ao artigo



Há algumas semanas me aconteceu uma coisa muita engraçada, vou usar esse termo para um momento que agora, eu acho, foi muito infeliz por parte de alguns espíritas.

Sim, pois que a doutrina tão maravilhosa prega o amor, sempre o amor e a caridade. E como nos sentimos quando trabalhamos pelo próximo?

Felizes, me dirá você. E eu voltarei a perguntar.

E o que fazemos quando estamos felizes?

Ora, sorrimos. É obvio!

Obvio? Será?

E por que sorrimos tão pouco? Por que em algumas casas a máscara da "seriedade" é tão usada e venerada? Quando muito, conseguimos um sorriso de meio fio, aquele em que o sujeito finge que sorri, mas não sorri.

Aquele sorriso em que o camarada dá uma leve repuxadinha no lábio e logo abaixa a cabeça ou se vira de costas para que ninguém o veja. Como se sorrir fosse vergonhoso.

Claro que não prego aquelas gargalhadas eufóricas e sonoras, ainda mais quando em reunião mediúnica, mas o riso faz bem e cabe em qualquer lugar.

Tanto que a risoterapia é utilizada largamente na medicina, basta lembrar os Doutores da Alegria. O riso estimula o hipotálamo, aumentando dessa forma as endorfinas que são substâncias analgésicas, diminuindo assim o sofrimento das crianças e dos adultos.

Tudo isso só para dizer que encontrei uma gravura, maravilhosamente inédita, de Jesus, onde o Mestre sorri abertamente. O sorriso espontâneo e a mão no peito nos convidam a seguí-lo sem medo.

"Vens comigo"

Nos diz a imagem.

"Siga-me sem medo, é bom seguir-me, meu mundo é de pura alegria".

Que fiz então, eufórica por compartilhar daquela mensagem tão alto astral? Tomei a gravura nas mãos e fui mostrá-la aos amigos, queria dividir com eles essa alegria que era e que é, Jesus de Nazaré.Mas eis que me deparei com espiritas que não estavam prontos para sorrir.

" Nossa, que é isso, Jesus sorrindo? Que horror!"- disse-me um.

" Que escracho"- rebateu outro.

Sim, pois que jamais seria admissível que Jesus sorrisse. Não, guardamos apenas a lembrança dos piores momentos pelo qual nosso Mestre passou. O açoite, a crucificação, as dores da morte. Guardamos a imagem do Jesus de mãos perfuradas. Da coroa de espinho que lhe fez sangrar as têmporas. Do sangue que escorre pelo seu rosto. Guardamos a imagem do Jesus supliciado, triste e amargurado. Outras vezes, em pensamentos tristes e sofridos.

Mas quê!

Por onde anda aquele Mestre que ressuscitou, que apareceu a seus discípulos mostrando que a vida é eterna, e que a felicidade realmente não é desse mundo?

Por onde anda o Jesus que fica feliz por cada filho que caminha até Ele, que O segue, que abandona a tudo e a todos em seu Nome?

Descobri que para muitos não há lugar para esse Jesus. Que só há lugar para a dor e o sofrimento. Mostre a esses o rosto ensangüentado da Paixão do Cristo e ouvirá o coral dizer:

"Nossa, que lindo"

Lindo? Por quê?

Por que é mais fácil chorar do que sorrir?

Jesus sorrindo

Não nos prometeu o Mestre a felicidade eterna? Devemos então chorar ao invés de sorrir? Não meus amigos, sorrir é o meio mais fácil de chegarmos ao Pai. É a alegria que deve mover nossos braços quando trabalhamos em prol do próximo. Como gostamos de ser atendidos por uma recepcionista sorridente. Por um médico que se levanta, nos estende a mão e sorri. É um gesto barato, simples e possível a qualquer um e em todos os lugares.

Meu Jesus está aqui, diante de mim, sorrindo no momento em que escrevo esse artigo e Ele me diz.

"Sim, faça isso, peça ao povo que sorria ao lembrar-se de mim, pois eu sou a bússola do amor. Peça que se amem como eu os amo e que jamais se esqueçam que, embora a felicidade não seja desse mundo, é bem mais fácil levar a vida com alegria do que entre lágrimas. Eu já deixei a cruz".

Por isso meus amigos sorriam, assim como sorri Jesus.


Simone Nardi

Fonte: Feal 

Republicação



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sexta-feira, 10 de março de 2006

Somos Antropomórficos ou Antropocêntricos?

Para os amigos que ainda não ouviram falar nessa palavra esquisita, vou dar uns exemplos antes de dizer o que significa:

Quantos de nós, pequeninos ou adultos, já não imaginamos Deus como um velhinho de barbas longas e encurvado com o peso dos séculos, diga-se de passagem, milhares de séculos.

Quantas vezes não nos pegamos falando por Deus: “Deus fez o homem, errou depois fez a mulher”. “Deus não diria isso”. “Deus se esqueceu de parar de fazer chover.” E por aí segue nossa comparação para com o Altíssimo.

Isso é nada mais nada menos que Antropomorfismo, ou seja, quando atribuímos à Deus, forma ou atributos puramente humanos, linguagens ou comportamentos que Ele jamais teria, pois nós somos iguais a Ele e não Ele igual a nós.

Ainda bem, não é?

Pois isso é o Antropomorfismo e minha pergunta é, o que somos nós: Antropomórficos ou Antropocêntricos?

O leitor ou leitora devem estar se perguntando, e o que é esse tal de Antropocentrismo? Eu explico.

Antropocentrismo é quando nos consideramos o centro do Universo. Achamos que Deus criou tudo para nos satisfazer. Desde a mais humilde semente até a mais gigantesca criatura da Terra.

Sim, Deus fez tudo isso para nos agradar. Para que ficássemos felizes. Ele nos criou para sermos como Ele. Deuses.

Ops, onde será que erramos? E onde será que eu quero chegar?

Vamos raciocinar um pouco.

Atribuímos a Deus os mesmos valores que possuímos e ao mesmo tempo, achamos que Ele criou tudo para que desfrutássemos de uma boa vida na Terra.Achamos que somos os únicos seres que merecem atenção e respeito, tanto de nossa parte como por parte Dele. Achamos que nascemos para decidir o destino dos seres, para nós, inferiores. E assim o fazemos.

Esquecemos que também somos animais.

Animais? Nós? Não! Nós somos deuses, nascemos para reinar.

E o que fazemos então? Acreditamos que os animais nasceram para nos servir.Antropocentrismo.

Acreditamos que temos sobre eles o dom de decidir quem vive e quem morre.Antropocentrismo.

Acreditamos que jamais Deus nos culpará por suas mortes, sejam elas brutais ou não, afinal eles não passam de animais e tudo o que fazemos é pelo bem da ciência. Antropocentrismo.

Não conseguimos admitir que como nós, eles também evoluem e que evoluindo a cada dia, sobem também os degraus que os levarão para Deus.Do átomo ao Arcanjo.

Nós espíritas acreditamos nisso. Nos três reinos, mineral, vegetal, animal. Mas somos, quando hominais, incapazes de nos lembrarmos disso. As outras religiões ou os ateus não acreditam e fazem o cometem o mesmo erro.
Antropomorfismo.

Nos tornamos deuses.Deuses baratos que não respeitam a Criação do verdadeiro Deus.

Nós queremos dominar, mas pela força. Nos queremos servidão, mas através da dor. Nós queremos diversão, mas através da morte.

Outro dia, lendo um artigo que tratava sobre a alma dos animais, o companheiro alegou que a evolução animal começou no mineral e que seguiria até as alturas angelicais, e que éramos, nós humanos, tratados pelos anjos, assim como tratamos os animais.

Senti um frio tremendo no estômago.Um medo enorme em imaginar que os anjos um dia poderiam fazer conosco o que fazemos aos indefesos animais.

Não preciso ir buscar exemplos lá fora, basta vermos a farra do boi aqui mesmo no Brasil. Os rodeios, as rinhas e tantos outros maus tratos que cometemos sem um pingo de remorso no coração.

Tudo porque achamos que eles não sentem dor como nós.Que não possuem medo ou qualquer outro tipo de emoção que nós, humanos, sentimos.Jamais admitiríamos então que eles possam ser inteligentes, no seu grau de evolução claro. Não, imaginar isso seria compará-los conosco.

Quem se tornou Deus agora?

Deus tem barbas brancas, pensamos nós. Ora, mas nós podemos imaginar isso. Agora admitir que um animal possa pensar, isso jamais.

Tomara que os anjos não pensem isso de nós, pobres mortais, no final das contas, antropocêntricos e antromórficos.

E o amigo leitor, já descobriu o que somos?



Simone Nardi



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