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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Meu Grande Tutor (História)

Foto by SN: Yannis

(Baseado num fato real)




Eu cheguei naquele lugar sozinha. Não vi meus pais e olha que eles sempre estavam comigo. Continuei a andar vendo que outros como eu também caminhavam um tanto assustados. Me enchi de coragem, sim pois que meus pais sempre me chamavam de “Grande Cão de Guarda”,  por isso achei que deveria agir como um.

Olhei com olhos antigos um mundo novo diante de mim, então percebi que havia uma rodinha de outros cães, todos sentados conversando uns com os outros. Um velho humano fez sinal para que eu me juntasse a eles, obedeci, afinal sempre fui muito obediente mesmo.

Aproximei-me e sentei descuidadamente sobre o rabo de um de meus novos amigos, desculpei-me e sorri mostrando meus dentes brancos para ele. Minha mãe gostava quando eu fazia isso para ela.

Fiquei ali parada, ouvindo eles contarem sobre suas experiências sem saber ainda aonde estava. Sentia falta dos meus pais, mas sabia que cedo ou tarde eles viriam me apanhar, sempre diziam assim:

“ Nossa que saudades do amor da mãe”, ou então: “Cadê o amor da mãe? “ .

E eu balançava meu toquinho de rabo e sorria para eles. Não, eu não devia me preocupar, eles viriam me pegar a qualquer momento.

Notei com estranheza que meu peito não estava mais inchado e notei também que algumas gotinhas d’água brotavam dos meus pelos umedecendo-os levemente. Não dei muita importância , então percebi que aquele senhor velhinho, o humano, olhava fixamente para mim .

— Você sabe onde está agora?

Victoria
Claro que eu sabia! Devia estar na clínica veterinária. Meus pais sempre me levavam lá.

— No médico eu acho- falei meia atrapalhada - Só que acho que ele já me curou e espero apenas meus tutores virem me buscar, estou louca para brincar de  paninho com minha mãe.

— Você se lembra do que houve ?

Se eu me lembrava ? Era claro que sim...

— Eu havia ficado doente, minha perna doía  - comecei a dizer - aí meus pais haviam me levado no veterinário, tiraram fotos minhas e quando saí para encontrá-los eles estavam chorando, não soube bem o motivo . Ouvi o médico falar algo como: “Vai chegar a hora em que teremos que sacrificar".

Não sabia o que era , então brinquei para tentar alegrá-los. Fomos para casa e eles não pararam de chorar, no dia seguinte fomos a outro médico, a mesma coisa, eles choravam mais e mais. Minha mãe brincava comigo , mas com um pouco mais de cuidado, pois minha perna ainda doía.

Mais uns dias e fomos à outro médico, esse eu já conhecia e não tinha medo dele, era muito bonzinho. Ao contrário dos outros, ele não falou a palavra sacrificar nem uma vez. Sequer sei para que usavam essa palavra, mas achei que era por causa dela que meus tutores choravam tanto.

Comecei a sentir dores mais fortes, mas meus pais me compraram um colchão enorme de espuma e ali eu comecei a passar a maior parte do meu tempo. Saia para fazer xixi e  bem, você sabe o quê, depois voltava. Até comer era fácil, meus pais me davam ali mesmo, na boca. Comecei a tomar umas bolinhas doces que me davam mais animo, mas eu sentia que havia alguma coisa errada.

Já não conseguia mais correr como antes e nem tinha mais animo para brincar com o paninho, mesmo quando minha mãe pedia, então para disfarçar , eu enchia ela de beijos e fazia ela coçar minhas costas. Acho que ela ficava triste comigo, porque ela chorava muito.

Os dias passaram e eu fui piorando. Já quase não conseguia mais andar, então meus pais me ajudavam a caminhar lentamente. Me seguravam enquanto eu fazia xixi e me enxugavam, afinal sempre fui muito cuidadosa com minha aparência. Depois eles me deitavam e me ofereciam água, eu tomava tudo, mesmo que não estivesse com sede. Era meu jeito de agradecer à eles pela ajuda, sabia que quando ficasse forte novamente poderia recompensá-los melhor.

Yannis
Mas parecia que eu não melhorava, nem fome eu sentia mais e olhe que eu comia muito bem. Mas lá estava minha mãe de novo. Ela comprou
uma ração super gostosa, era especial - eu os ouvia falar -  para eu comer. Vejam só, ela dava ração na minha boca com  aquela colher que os humanos usam. Então, para não fazê-la chorar eu comia tudo. Depois vinham aquelas massagens gostosas no meu braço e no meu peito, água e muito carinho. Depois eu dormia e quando acordava sempre um deles estava do meu lado.

Eu não conseguia mais andar quando nos voltamos naquele veterinário bonzinho. Fiquei "esticadona" no carro e vi ele vir todo preocupado para meu lado. Disse que havia inchado muito, olhou para meus pais e disse que estava indo tudo bem, depois sorriu para mim e esfregou minhas costas, então todos foram lá para dentro. Minha mãe voltou chorando, mas eu sabia que estava prestes a melhorar.

Quando voltei para casa naquele dia eu não me sentia muito bem, estava muito cansada , dormi. Minha mãe me acordou só mais tarde para comer, comi e voltei a dormir. Logo aprendi que precisava da ajuda deles para tudo.

Quando estava com sede ou com fome .

Foi assim que aprendi que se eu chorasse, mesmo que baixinho, um deles sempre vinha correndo para me ajudar.

Eu chorava baixinho.

Meus pais vinham e me perguntavam o que eu queria, eu olhava o pote d’água e eles me davam de beber. Chorava só para eles ficarem ao meu lado . Eles aprenderam rápido o que eu queria.

Renno
Quando a dor me incomodava, me davam um remédio docinho, minha mãe dizia que tinha um tal de “açuquinha” não sei o que era mas era bom. Eu dormia e não sentia mais nada.

De noite todos se reuniam em volta de mim e proferiam o que eles chamavam de oração. Era muito bom. Eu relaxava muito e podia ter todos
eles ao meu redor por mais tempo e era naquela hora que eu dava beijinho de esquimó na minha mãe. Meu nariz roçando no dela, era divertido, as vezes eu não aguentava e dava uma lambida nela, mas ela gostava e começava a sorrir para mim. Fazia isso também quando eu tentava abanar o rabinho , mas eu estava sempre muito cansada para isso.

Foi quando comecei a entender que talvez eu estivesse mesmo muito doente. Não conseguia me mexer mais e meus pais arranjaram um travesseiro para mim, viviam trocando as fronhas pois eu babava muito nele, mas era gostoso, sempre um deles estava perto de mim.

Eu sabia que estava acontecendo alguma coisa errada, mas não sabia o que era. Quando não pude mais me mover minha mãe comprou fraldas para mim, então eu podia fazer xixi e tudo mais sem  eles terem que ficar me arrastando de um lado para o outro como faziam antes. Aí eu fazia xixi, chorava e eles vinham trocar aquele paninho úmido que ficava por baixo de mim.

Fui piorando.

Agora só meus olhinhos se moviam. Eu chorava mais, não por que queria comer ou beber, simplesmente  chorava porque tinha medo de ficar sozinha e meus tutores aprenderam rapidamente a ler isso nos meus olhos. Minha mãe se deitava por horas sem fim ao meu lado, falando comigo e me fazendo companhia.

Então um dia notei que todos eles estavam chorando muito, acho que é por que eu não havia comido toda minha comida, bebi muita água e não me sentia bem. Meu corpo estava dolorido e pesado, só dei um beijo de esquimó na minha mãe e uma ou duas lambidinhas neles. Estava com muito sono, não sei como foi, acordei com minha mãe chorando e trocando a fronha onde eu sem querer vomitara. Ela pedia para eu ficar e eu queria realmente ficar com ela.

Mel
Abri meus olhos para ela ver que eu queria ficar ali. Eu a vi chorar . Todos eles. Fechei meus olhos e senti ela me beijar e me abraçar, foi aí que ela me disse que me amava muito. Eu não queria ir, então o sono me fez dormir..........é ......acho que estou sonhando agora.”

Olhei para aqueles rostinhos curiosos diante de mim, um dos meus amiguinhos chorava baixinho e eu não pude deixar de notar isso.

— E você meu amigo, como são seus tutores? - Perguntei à ele tentando animá-lo, afinal, os humanos deviam ser todos iguais, ao menos os que eu conhecia eram bons.

Ele me olhou tristinho e todos nós ficamos quietos. Notei que ele não parecia bem, seu corpo tremia como se estivesse com frio.

— Meu "dono" me levou ao médico, parece que era um problema que dava para resolver, mas a cirurgia ia custar muito caro. Coitado do meu "dono", ele quase nem tem dinheiro, trocou o carro porque fiz xixi nas rodas e elas enferrujaram. Dei muito gasto para ele. Pois é, ele não tinha dinheiro, aí ele mandou o homem de branco me sacrificar. Não o vi sair, fiquei esperando ele voltar e me levar para casa , mas ele não voltou. Nem sei se vai voltar para me buscar.

— O meu fez igual, ele me sacrificou por que eu latia demais defendendo a casa....falou um outro ao lado dele.

Fiquei tão triste com as histórias deles e olhei para o velhinho que havia começado a conversar comigo.

— Você sabe onde está agora?

Olhei para aquele rosto carinhoso e finalmente entendi o que havia acontecido.

Meus tutores não poderiam vir me buscar e sei o quanto desejavam. Eu havia morrido. Ficara doente e havia morrido, por isso aquelas gotinhas de água que molhavam meus pelos.

Eram lágrimas. 

As lágrimas dos meus pais que ainda choravam por mim.





Foto by SN; Yannis












Yannis, morta por Osteosarcoma em 14 de setembro de 2001.







Simone Nardi 




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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Cão

Foto de Simone Nardi
Imagem: Cão Tayler,Foto by, SN


Cão é o amigo ideal

Em qualquer hora ou situação
No momento em que você está mal
Ele chega lhe oferecendo o coração

Cão é o amigo matreiro

Que te agrada junto ao portão
É seu amigo mais arteiro
Mas que te ama com devoção

É o amigo sincero de todas as horas

Aguardando silencioso ao seu lado
Que fica quieto, quando você chora
Mas que vem correndo, ao mais simples chamado

É fiel nas tempestades

Quem dirá quando rugir o vento
Te esperando, quando chegas tarde
Ficando ao seu lado, a todo momento



Simone Nardi

04/02/03





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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Osteosarcoma,Homeopatia: o que é e como lidar com isso

Foto by S.N : Yannis

Tenho cães há mais de vinte anos e nesses últimos anos tenho notado, entre amigos que recolhem animais de rua, um crescimento assustador de Osteosarcomas.

Minha primeira experiência com um cão acometido de osteosarcoma foi com a Yannis, em 2001, uma rottweiler de 8 anos. Em 3 meses ela nos deixou, sem a necessidade de eutanásia - precisamos deixar claro.

Osteossarcoma  é uma neoplasia maligna, um câncer que atinge a parte óssea dos animais, alguns veterinários relatam que as raças maiores possuem mais predisposição e que os ossos longos são os mais atingidos, porém, dos 5 casos dos quais tive que tratar, a doença distribuiu-se pelos ossos do maxilar, do crânio, das “canelas" e escápulas, pélvis.

Nos trabalhos acadêmicos de veterinária, a média de idade de acometimento desta doença é em animais acima de 7 anos.

A maioria dos cães de quem cuidei tinham entre 8 e 9 anos, todos de grande e médio porte.

Os sintomas perceptíveis que o tutor deve observar é a claudicação( o animal passa a mancar). Vale a pena salientar que o tutor, sempre que possível, deve observar todo o corpo do animal através da palpação, deste modo é que se descobrem várias doenças.

Ao notar que o animal passa a mancar de uma das pernas, o tutor deve correr a mão pelo membro afetado, se for um início de osteosarcoma ele perceberá uma leve protuberância no osso, as vezes discreta, mas que irá aumentar consideravelmente com o tempo.

Normalmente um RX é indicado pelo veterinário a fim de dissipar as dúvidas, deve-se atentar que em muitos resultados de RX surgem duas suposições: uma de osteosarcoma e outra de osteomielite, mas a chance maior é que sempre seja um osteosarcoma.

Dependendo da localização da doença , do osso afetado, alguns veterinários indicam a amputação do membro, o que não significa cura total. Tive a experiencia de amputar um animal e o sofrimento, infelizmente, foi ainda maior , pois o câncer se espalhou pelo pélvis e posteriormente para os pulmões. Normalmente sem amputação - e especificamente neste caso da amputação - os cães sobrevivem ,apenas, por cerca de 3 meses. Há relatos em tratados de veterinária onde, além da amputação, medicamentos quimioterápicos são utilizados o que pode dar uma sobrevida ao animal de cerca de 1 à 1 ano e meio de vida.

Claro que cada caso é um caso, e que o tutor deve sempre recorrer ao tratamento que melhor for indicado para o animal, menos a eutanásia, e explicaremos o motivo mais adiante.


Nossas experiências e como tratamos nosso amigo canino


O diagnóstico de qualquer doença nos animais é sempre aterrador, porém nenhum diagnóstico parece ser pior do que uma neoplasia, ainda mais em se tratando de osteosarcomas.

Quando levamos a Yannis(foto acima) no veterinário após notar uma claudicação discreta da pata dianteira, nos parecia que seria nada mais, nada menos que um entorse, afinal ela havia sido castrada e talvez os vets ao tirar e colocar o animal na maca, a houvessem pego pela perna e machucado o membro.  

Tiramos o RX, aguardamos e o veterinário surgiu com o RX numa mão e um livro sobre anatomia animal na outra. Era um osteosarcoma entre o húmero e a escápula.

Neste caso não havia qualquer indicação de amputação. Questionamos sobre tratamentos quimioterápicos: o veterinário disse que não seria indicado porque não iria surtir o efeito desejado e o animal iria morrer em torno de 2 a 3 meses, com ou sem quimio. Antes de sairmos, ele recomendou : “Quando chegar a hora tragam ela para cá”. Ele se referia a eutanásia

Depois de chorar muito, nos desesperarmos, afinal Yannis era nosso primeiro Rottweiller, estava conosco há 8 anos , perdê-la para uma doença tão terrível destruía o coração da família.

Nos lembramos então da Homeopatia e de um veterinário que muito já havia nos ajudado no passado, o Dr Célio Morooka, e levamos a Yannis para uma consulta homeopática.


Raio X - 2001: Yannis



Lesão no osso "pulverização"
Bordas irregulares,osso poroso
                         


Fragmentação do osso
Contorno ósseo irregular
                                 

Homeopatia trata o doente e não a doença. Depois de examinar a Yannis, olhar o RX e nos explicar novamente sobre a doença e o caminho que nos aguardava pela frente, Dr. Célio receitou um único medicamento. Até então a indicação do veterinário anterior havia sido uma ração úmida em lata, que deveria ser o único alimento a ser oferecido até o fim da vida dela, tramadol e condroitina.


Dr Célio solicitou a retirada de todos esses medicamentos e indicou o uso de 3 glóbulos da medicação receitada 3 vezes por dia. O equilíbrio material do animal iria permitir a vida digna até a hora do desencarne.

Alimentação?

Oferecer para ela tudo o que ela desejasse comer.

Bricamos dizendo:

“Ela adora salsicha”

E um sorridente dr Célio respondeu:

“ E porque não dar ?”

Ele sabia que pouco tempo nos restava e restringir a alimentação não iria impedir o avanço do osteosarcoma.Comentamos também a indicação do vet anterior sobre a eutanásia, a resposta foi:

"Nem pensem nisso, eutanásia não".


Fizemos como nos foi receitado, 3 glóbulos do medicamento homeopático 3 vezes por dia, durante os 3 meses de vida que restou a nossa grande amiga.



                       A doença x os tutores: o passo a passo                                     


Muitos tutores se abalam com o diagnóstico da doença, a diferença é saber lutar e não desistir do seu animal. Muitos “donos”, realizam a eutanásia no animal assim que os sintomas ficam cada vez mais evidentes.

Lutar sempre,mesmo que a doença nos vença.

Depois da consulta com o homeopata, compramos tudo o que a Yannis gostava, incluindo a salsicha, não, os condimentos não fizeram mal a ela, pois, mantinhamos a alimentação a qual ela estava acostumada e a salsicha era o brinde por ter almoçado, jantado, tomado café da manhã, da tarde da noite. Não, em nenhum momento ela parou de se alimentar e de brincar.

Enquanto conseguia andar brincava de correr, conforme a perna foi inchando, as corridas diminuíram, ela brincava de morder seus brinquedos, de puxa-puxa,. O membro continuou a inchar, tínhamos que carregá-la de um lado para o outro, detalhe, ela pesava 60 quilos, eu 45, minha mãe 48, meu pai uns 66.

Quando não mais andava optamos pelas fraldas, hoje, com mais experiência e neste momento cuidando de uma labrador que está com osteosarcoma, resolvemos utilizar aqueles tapetinhos de xixi.

Fato é que, com a medicação homeopática indicada, Yannis não deixou um só dia de comer e de brincar, só deixando de jantar no dia de seu desencarne.


Vitória - 2004

Foto By S.N : Vitória

Depois dela, tivemos mais um cão acometido por essa doença, a Vitória.Ela teve um passado ruim, o “dono” não lhe dava comida e a fome causou sérios problemas de saúde. Fomos até a casa dele e tiramos a Debra (posteriormente rebatizada de Vitória) de seu quintal, sob a ameaça de chamarmos a policia para prendê-los por crueldade.

Com cerca de 8 para 9 anos ela também apresentou claudicação; no RX era evidente o osteosarcoma.

A desconfiança da doença surgiu com a palpação, havia um calombo na "canela", depois o RX confirmou as suspeitas. Foi porém indicada a amputação, pela possibilidade de sobrevida, até porque o inchaço da perna foi muito rápido e abriu uma ferida que não cicatrizaria. Aceitamos a indicação do veterinário, até hoje nos questionamos o motivo pelo qual não passamos novamente no homeopata, talvez porque estivéssemos tratando na USP, cercados de vets, seja como for, o membro foi amputado , porém o osteosarcoma evoluiu em outro local e logo a metástase já estava nos pulmões.




Localização  do osteosarcoma na Vitória,notamos o inchaço através da palpação, assim que percebemos que ela começou a mancar. O segundo passo foi solicitar um Rx para comprovação.






Como já comentamos anteriormente, muitos laudos nos deixam na dúvida trazendo possíveis diagnósticos entre osteosarcoma e osteomielite (infecção do osso)

Raio X Vitória

Assemelha-se a um "inchaço
Região óssea pulverizada
                                    
Infelizmente a Vitória foi tratada com medicamentos alopáticos , que não surtiram o efeito que a homeopatia havia realizado na Yannis, ela ficou conosco também por 3 meses, mas as doses de morfina , tramadol, entre outros, eram aumentadas constantemente.


A metástase se espalhou e quando atingiu os pulmões ela desencarnou. Na mesma época, dezenas de animais se tratavam de osteosarcoma na USP, algumas pessoas com quem fizemos amizade perderam seus cães, amputados ou não, em prazos de 2 a 4 meses.

Tal como fizemos com a Yannis, compramos um colchão para ela e utilizamos fraldas para que ela urinasse e evacuasse nelas sem precisar se locomover.


Lobinho - 2007

Foi mais um caso de osteosarcoma, dessa vez em uma região muito delicada: a cara.


Lobinho,não tivemos tempo de socorrer
Nós recolhemos o Lobinho da rua, em frente a uma residência onde as pessoas acreditavam que, apenas por colocar água e um pouco de comida, já estavam auxiliando. Não sabemos por quanto tempo o Lobinho permaneceu no abadono, mas nós o recolhemos na seguinte situação:

- A região crânio facial estava extremamente edemaciada devido ao sarcoma.

- Um dos olhos vazava sangue, não sendo possível constatar a situação do globo ocular

- O exame dentro da região bucal revelou o avanço da doença, a língua estava edemaciada, o pálato perfurado e ao tocarmos os dentes, eles se soltaram com facilidade.

Mesmo extremamente debilitado, Lobinho era muito carinhoso e brincalhão.

Não temos RX, laudos , nem outros exames do Lobinho, visualmente a doença já nos deixava clara a situação.

Infelizmente ele foi eutanasiado, já que a situação era desesperadora, ele não comia nem conseguia tomar água. Demoramos para encontrar esse amigo e quando finalmente nos encontramos era tarde demais para qualquer tratamento, ficou pouco conosco, mas foram momentos extremamente felizes, dele e nosso.

Lobinho, animal resgatado na rua com osteosarcoma na cabeça e no focinho, estava abandonado há dias, recebia água e comida vez ou outra, ninguém se incomodava com a dor do câncer que o matava aos poucos. Lobinho já não enxergava mais do olho direito, e a carreira de dentes do mesmo lado caía ao mais leve toque.O Pálato estava perfurado e a exposição do tumor  deixou campo aberto para infecção secundária. 


Mel - 2012

A Mel foi mais um, dos muitos que temos, que foi recolhida das ruas em situação desesperadora. Um SRD, nos padrões de um Dogue Alemão, estava raquítica devido a fome que seus “donos humanos” lhe impunham, ela crescera demais, por isso foi colocada na rua.

Apesar do tamanho era extremamente dócil, tinha cerca de um ano quando a recolhemos e foi entre os 8 e 9 anos que o sarcoma apareceu.

Alguns trabalhos médico relatam que traumas ósseos (pancadas) igualmente podem desencadear o osteosarcoma. Talvez a Mel tenha sido um desses casos. A levamos ao veterinário (homeopata), para verificar uma “massa” que descobrimos ao apalpar sua barriga. Já experimentados em doenças, sempre sabemos o que é, e vamos ao vet para ter a confirmação de nosso próprio diagnóstico.

Estabanada, Mel saltou do carro e torceu o joelho. Alguns dias depois, em novo exame caseiro (palpação) notamos o pequeno caroço próximo ao joelho. Desconfiamos de osteosarcoma. O veterinário da época negou nosso diagnóstico e nosso pedido de RX. Solicitamos o Rx a outro vet e com ele veio a confirmação.




Raio X Mel

Início do inchaço
Ainda leve pulverização óssea


A confirmação do RX já nos fez relembrar todos os problemas anteriores e novamente voltamo a procurar o dr Célio para que o tratamento fosse homeopático e a Mel pudesse desencarnar com tranquilidade. A indicação de amputação foi descartada, porque a massa que havíamos apalpado na barriga estava grande demais e qualquer cirurgia poderia levá-la a morte.

Mais uma vez a confirmação

A Mel, tal como havia ocorrido com a Yannis, passou a tomar 3 glóbulos de homeopatia , 3 vezes por dia, o tramadol e a dipirona foram cortados, assim como havia ocorrido anteriormente. Aos poucos o inchaço foi aumentando e tal como nas outras vezes, foi preciso recorrer a fraldas(tapetinhos higiênicos), colchões, cobertores e muito carinho.

A Mel não se alimentou na noite em que nos deixou, a todo momento brincava, pedia carinho e era a Mel de sempre, sem dor.

Em contato com o dr Célio, para enviar fotos da evolução do caso , este foi o último email sobre a Mel que enviei à ele:

Email:
No dia 13/11/12 a Mel já não conseguia mais se locomover, trouxemos ela para dentro, num quartinho, com colchão e cobertores. Ela comeu bem, porém não se sentia vontade para urinar. Colocamos fraldas, estimulamos a urinar, mas ela só conseguiu fazê-lo no dia seguinte.

Novamente ela comeu, não como comia antes, mas almoçou e jantou. Só conseguiu defecar no dia 16 a noite depois de muita estimulação.

A semana passou assim, cada vez mais difícil de comer, a posição incômoda pois só conseguia ficar deitada na mesma posição.

Urinava apenas uma vez por dia,no máximo duas. Defecar era bem mais complicado, o que notei era um aumento no cansaço, na respiração mais pesada, a ausculta do pulmão parecia limpo, mas fraco. Na semana do dia 19 passamos a dar comida na boca, apenas água ela tomava sozinha, a noite passamos a dar novalgina(20 a 25 gotas) para que dormisse bem.Dia 21 o cansaço aumentou, ela se recusava até mesmo a comer na boca. Forcei para ela comer, dei comida na marra(carne batida no liquidificador com cenoura e batata, como um creme), ela urinou e a estimulei a defecar, ela defecou, porém parece que após isso ficou ainda mais cansada, teve algumas ânsias de vômitos(não chegou a vomitar), mas ficava tremula e em seguida melhorava

De madrugada começou a chorar, deitava, chorava e tentava sentar-se. Demos um Tramaldeido porque já parecia estar com muita dor, meia hora acalmou-se, embora estivesse acordada parou de chorar. Tomou água algumas vezes, pediu carinho e se manteve deitada, mas de cabeça erguida.

As 4:30 da manhã ela estava calma, havia parado de chorar, tomou mais água e demorou a dormir. Às seis da manhã ela chorou e antes que pudéssemos ver o que havia acontecido, morreu.
                                 

Acima Mel 15 dias após a descoberta do osteosarcoma
Ao lado Mel 40 dias após a descoberta do ossteosarcoma



Foto by SN; July
July - 2013
  
A July , uma labrador preta, era do meu tio, estranhamente o problema inicial era um câncer em um dos dedinhos do pé direito. Levada o vet, a primeira opção foi amputação do dedo.Cicatrizada a cirurgia, eis que o mesmo tumor surge num segundo dedo, novamente amputação. Porém, acostumados a correr as mãos pelo animal, descobrimos no pélvis e no tornozelo aqueles insuportáveis “inchaços” que denunciavam o osteosarcoma.


Levamos ao vet para o costumeiro RX. Mais uma vez positivo.

Raio X July


Pulverização do osso
Inchaço ósseo







Houve no primeiro momento a indicação de amputação da pata, porém, desconfiados de um possível osteosarcoma em outra região, nos negamos a operar e optamos pela homeopatia.








Não demorou muito para começar a aparecer, visivelmente, o osteosarcoma na região superior, ou seja, se houvéssemos amputado, o sofrimento seria ainda maior, já que o câncer já se encontrava instalado em outras partes.


O laudo, assim como os anteriores veio com dois possíveis diagnóstico, o de neoplasia óssea e o de osteomielite, mas, na grande maioria das vezes prevalece apenas o osteosarcoma. 


Imagem abaixo





Vamos parar por aqui, o tema ainda é extenso, na próxima parte colocaremos como aprendemos, ao longo dos anos a cuidar desse nossos companheiros doentes e porque a eutanásia ficou uma coisa distante e até, proibitiva para nós.

Esperamos que , até aqui, estas informações possam ter auxiliado ao grande número de tutores que sabemos, enfrentam este problema. Troquem informações, nos escrevam, deixem seus depoimentos, vamos nos auxiliar.

Até mais
Simone



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