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| Foto by S.N : Yannis |
Tenho
cães há mais de vinte anos e nesses últimos anos tenho notado, entre amigos
que recolhem animais de rua, um crescimento assustador de Osteosarcomas.
Minha
primeira experiência com um cão acometido de osteosarcoma foi com a Yannis, em 2001, uma rottweiler de 8 anos. Em 3 meses ela nos deixou, sem a necessidade de
eutanásia - precisamos deixar claro.
Osteossarcoma é uma neoplasia maligna, um câncer que atinge
a parte óssea dos animais, alguns veterinários relatam que as raças maiores
possuem mais predisposição e que os ossos longos são os mais atingidos, porém,
dos 5 casos dos quais tive que tratar, a doença distribuiu-se pelos ossos do
maxilar, do crânio, das “canelas" e escápulas, pélvis.
Nos trabalhos acadêmicos de veterinária, a média de
idade de acometimento desta doença é em animais acima de 7 anos.
A maioria dos cães de quem cuidei tinham entre 8 e
9 anos, todos de grande e médio porte.
Os sintomas perceptíveis que o tutor deve observar
é a claudicação( o animal passa a mancar). Vale a pena salientar que o tutor,
sempre que possível, deve observar todo o corpo do animal através da palpação,
deste modo é que se descobrem várias doenças.
Ao notar que o animal passa a mancar de uma das
pernas, o tutor deve correr a mão pelo membro afetado, se for um início de
osteosarcoma ele perceberá uma leve protuberância no osso, as vezes discreta,
mas que irá aumentar consideravelmente com o tempo.
Normalmente um RX é indicado pelo veterinário a fim
de dissipar as dúvidas, deve-se atentar que em muitos resultados de RX surgem
duas suposições: uma de osteosarcoma e outra de osteomielite, mas a chance
maior é que sempre seja um osteosarcoma.
Dependendo da localização da doença , do osso
afetado, alguns veterinários indicam a amputação do membro, o que não significa cura total. Tive a experiencia
de amputar um animal e o sofrimento, infelizmente, foi ainda maior , pois o câncer
se espalhou pelo pélvis e posteriormente para os pulmões. Normalmente sem
amputação - e especificamente neste caso da amputação - os cães sobrevivem ,apenas, por cerca de 3
meses. Há relatos em tratados de veterinária onde, além da amputação, medicamentos quimioterápicos são utilizados o que pode dar uma sobrevida ao animal de cerca de 1 à 1 ano e meio de vida.
Claro que cada caso é um caso, e que o tutor deve
sempre recorrer ao tratamento que melhor for indicado para o animal, menos a
eutanásia, e explicaremos o motivo mais adiante.
Nossas
experiências e como tratamos nosso amigo canino
O diagnóstico de qualquer doença nos animais é
sempre aterrador, porém nenhum diagnóstico parece ser pior do que uma
neoplasia, ainda mais em se tratando de osteosarcomas.
Quando levamos a Yannis(foto acima) no veterinário
após notar uma claudicação discreta da pata dianteira, nos parecia que seria
nada mais, nada menos que um entorse, afinal ela havia sido castrada e talvez
os vets ao tirar e colocar o animal na maca, a houvessem pego pela perna e
machucado o membro.
Tiramos o RX, aguardamos e o veterinário surgiu com
o RX numa mão e um livro sobre anatomia animal na outra. Era um osteosarcoma entre
o húmero e a escápula.
Neste caso não havia qualquer indicação de amputação. Questionamos sobre
tratamentos quimioterápicos: o veterinário disse que não seria indicado porque
não iria surtir o efeito desejado e o animal iria morrer em torno de 2 a 3
meses, com ou sem quimio. Antes de sairmos, ele recomendou : “Quando chegar a
hora tragam ela para cá”. Ele se referia a eutanásia
Depois de chorar muito, nos desesperarmos, afinal Yannis era nosso
primeiro Rottweiller, estava conosco há 8 anos , perdê-la para uma doença tão
terrível destruía o coração da família.
Nos lembramos então da Homeopatia e de um veterinário que muito já havia
nos ajudado no passado, o Dr Célio Morooka, e levamos a Yannis para uma
consulta homeopática.
Raio X - 2001: Yannis
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| Lesão no osso "pulverização" |
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| Bordas irregulares,osso poroso |
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| Fragmentação do osso |
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| Contorno ósseo irregular |
Homeopatia trata
o doente e não a doença. Depois de examinar a Yannis, olhar o RX e nos
explicar novamente sobre a doença e o caminho que nos aguardava pela frente, Dr. Célio receitou um único medicamento. Até então a indicação do veterinário
anterior havia sido uma ração úmida em lata, que deveria ser o único alimento a
ser oferecido até o fim da vida dela, tramadol e condroitina.
Dr Célio
solicitou a retirada de todos esses medicamentos e indicou o uso de 3 glóbulos
da medicação receitada 3 vezes por dia. O equilíbrio material do animal iria
permitir a vida digna até a hora do desencarne.
Alimentação?
Oferecer para ela
tudo o que ela desejasse comer.
Bricamos dizendo:
“Ela adora
salsicha”
E um sorridente
dr Célio respondeu:
“ E porque não
dar ?”
Ele sabia que
pouco tempo nos restava e restringir a alimentação não iria impedir o avanço do
osteosarcoma.Comentamos também a indicação do vet anterior sobre a eutanásia, a resposta foi:
"Nem pensem nisso, eutanásia não".
Fizemos como nos
foi receitado, 3 glóbulos do medicamento homeopático 3 vezes por dia, durante
os 3 meses de vida que restou a nossa grande amiga.
A doença x os tutores: o passo a passo
Muitos
tutores se abalam com o diagnóstico da doença, a diferença é saber lutar e não
desistir do seu animal. Muitos “donos”, realizam a eutanásia no animal assim
que os sintomas ficam cada vez mais evidentes.
Lutar
sempre,mesmo que a doença nos vença.
Depois
da consulta com o homeopata, compramos tudo o que a Yannis gostava, incluindo a
salsicha, não, os condimentos não fizeram mal a ela, pois, mantinhamos a
alimentação a qual ela estava acostumada e a salsicha era o brinde por ter
almoçado, jantado, tomado café da manhã, da tarde da noite. Não, em nenhum
momento ela parou de se alimentar e de brincar.
Enquanto
conseguia andar brincava de correr, conforme a perna foi inchando, as corridas diminuíram,
ela brincava de morder seus brinquedos, de puxa-puxa,. O membro continuou a
inchar, tínhamos que carregá-la de um lado para o outro, detalhe, ela pesava 60
quilos, eu 45, minha mãe 48, meu pai uns 66.
Quando
não mais andava optamos pelas fraldas, hoje, com mais experiência e neste
momento cuidando de uma labrador que está com osteosarcoma, resolvemos utilizar
aqueles tapetinhos de xixi.
Fato
é que, com a medicação homeopática indicada, Yannis não deixou um só dia de
comer e de brincar, só deixando de jantar no dia de seu desencarne.
Vitória - 2004
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| Foto By S.N : Vitória |
Depois
dela, tivemos mais um cão acometido por essa doença, a Vitória.Ela teve um
passado ruim, o “dono” não lhe dava comida e a fome causou sérios problemas de saúde.
Fomos até a casa dele e tiramos a Debra (posteriormente rebatizada de Vitória)
de seu quintal, sob a ameaça de chamarmos a policia para prendê-los por crueldade.
Com
cerca de 8 para 9 anos ela também apresentou claudicação; no RX era evidente o
osteosarcoma.
A desconfiança da doença surgiu com a palpação, havia um calombo na "canela", depois o RX confirmou as suspeitas. Foi porém indicada a amputação, pela possibilidade de sobrevida, até porque o inchaço da perna foi muito rápido e abriu uma ferida que não cicatrizaria. Aceitamos a indicação do veterinário, até hoje nos questionamos o motivo pelo qual não passamos novamente no homeopata, talvez porque estivéssemos tratando na USP, cercados de vets, seja como for, o membro foi amputado , porém o osteosarcoma evoluiu em outro local e logo a metástase já estava nos pulmões.
Localização do osteosarcoma na Vitória,notamos o inchaço através da palpação, assim que percebemos que ela começou a mancar. O segundo passo foi solicitar um Rx para comprovação.
Como já comentamos anteriormente, muitos laudos nos deixam na dúvida trazendo possíveis diagnósticos entre osteosarcoma e osteomielite (infecção do osso)
Raio X Vitória
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| Assemelha-se a um "inchaço |
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| Região óssea pulverizada |
Infelizmente a Vitória foi tratada com medicamentos alopáticos ,
que não surtiram o efeito que a homeopatia havia realizado na Yannis, ela ficou
conosco também por 3 meses, mas as doses de morfina , tramadol, entre outros, eram
aumentadas constantemente.
A metástase se espalhou e quando atingiu os pulmões ela
desencarnou. Na mesma época, dezenas de animais se tratavam de osteosarcoma na
USP, algumas pessoas com quem fizemos amizade perderam seus cães, amputados ou
não, em prazos de 2 a 4 meses.
Tal como fizemos com a Yannis, compramos um colchão para ela e
utilizamos fraldas para que ela urinasse e evacuasse nelas sem precisar se
locomover.
Lobinho - 2007
Foi mais um caso de osteosarcoma, dessa vez em uma região muito
delicada: a cara.
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| Lobinho,não tivemos tempo de socorrer |
Nós recolhemos o Lobinho da rua, em frente a uma residência
onde as pessoas acreditavam que, apenas por colocar água e um pouco de comida,
já estavam auxiliando. Não sabemos por quanto tempo o Lobinho permaneceu no abadono, mas nós o recolhemos na seguinte situação:
- A região crânio facial estava extremamente edemaciada devido
ao sarcoma.
- Um dos olhos vazava sangue, não sendo possível constatar a
situação do globo ocular
- O exame dentro da região bucal revelou o avanço da doença, a
língua estava edemaciada, o pálato perfurado e ao tocarmos os dentes, eles se soltaram com
facilidade.
Mesmo extremamente debilitado, Lobinho era muito carinhoso e
brincalhão.
Não temos RX, laudos , nem outros exames do Lobinho,
visualmente a doença já nos deixava clara a situação.
Infelizmente ele foi eutanasiado, já que a situação era
desesperadora, ele não comia nem conseguia tomar água. Demoramos para encontrar esse amigo e quando finalmente nos encontramos era tarde demais para qualquer tratamento, ficou pouco conosco, mas foram momentos extremamente felizes, dele e nosso.
* Lobinho, animal resgatado na rua com osteosarcoma na cabeça e no focinho, estava abandonado há dias, recebia água e comida vez ou outra, ninguém se incomodava com a dor do câncer que o matava aos poucos. Lobinho já não enxergava mais do olho direito, e a carreira de dentes do mesmo lado caía ao mais leve toque.O Pálato estava perfurado e a exposição do tumor deixou campo aberto para infecção secundária.
Mel - 2012
A Mel foi mais um, dos muitos que temos, que foi recolhida das
ruas em situação desesperadora. Um SRD, nos padrões de um Dogue Alemão, estava
raquítica devido a fome que seus “donos humanos” lhe impunham, ela crescera
demais, por isso foi colocada na rua.
Apesar do tamanho era extremamente dócil, tinha cerca de um ano
quando a recolhemos e foi entre os 8 e 9 anos que o sarcoma apareceu.
Alguns trabalhos médico relatam que traumas ósseos (pancadas)
igualmente podem desencadear o osteosarcoma. Talvez a Mel tenha sido um desses
casos. A levamos ao veterinário (homeopata), para verificar uma “massa” que
descobrimos ao apalpar sua barriga. Já experimentados em doenças, sempre
sabemos o que é, e vamos ao vet para ter a confirmação de nosso próprio
diagnóstico.
Estabanada, Mel saltou do carro e torceu o joelho. Alguns dias
depois, em novo exame caseiro (palpação) notamos o pequeno caroço próximo ao
joelho. Desconfiamos de osteosarcoma. O veterinário da época negou nosso
diagnóstico e nosso pedido de RX. Solicitamos o Rx a outro vet e com ele veio a confirmação.
Raio X Mel
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| Início do inchaço |
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| Ainda leve pulverização óssea |
A confirmação do RX já nos fez relembrar todos os problemas
anteriores e novamente voltamo a procurar o dr Célio para que o tratamento
fosse homeopático e a Mel pudesse desencarnar com tranquilidade. A indicação de
amputação foi descartada, porque a massa que havíamos apalpado na barriga
estava grande demais e qualquer cirurgia poderia levá-la a morte.
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| Mais uma vez a confirmação |
A Mel, tal como havia ocorrido com a Yannis, passou a tomar 3 glóbulos de homeopatia , 3 vezes por dia, o tramadol e a dipirona foram cortados, assim como havia ocorrido anteriormente. Aos poucos o inchaço foi aumentando e tal como nas outras vezes, foi preciso recorrer a fraldas(tapetinhos higiênicos), colchões, cobertores e muito carinho.
A Mel não se alimentou na noite em que nos deixou, a todo momento brincava, pedia carinho e era a Mel de sempre, sem dor.
Em contato com o dr Célio, para enviar fotos da evolução do caso , este foi o último email sobre a Mel que enviei à ele:
Email:
No
dia 13/11/12 a Mel já não conseguia mais se locomover, trouxemos ela
para dentro, num quartinho, com colchão e cobertores. Ela comeu bem,
porém não se sentia vontade para urinar. Colocamos fraldas, estimulamos a
urinar, mas ela só conseguiu fazê-lo no dia seguinte.
Novamente
ela comeu, não como comia antes, mas almoçou e jantou. Só conseguiu
defecar no dia 16 a noite depois de muita estimulação.
A semana passou assim, cada vez mais difícil de comer, a posição incômoda pois só conseguia ficar deitada na mesma posição.
Urinava
apenas uma vez por dia,no máximo duas. Defecar era bem mais complicado,
o que notei era um aumento no cansaço, na respiração mais pesada, a
ausculta do pulmão parecia limpo, mas fraco. Na semana do dia 19 passamos
a dar comida na boca, apenas água ela tomava sozinha, a noite passamos a
dar novalgina(20 a 25 gotas) para que dormisse bem.Dia 21 o cansaço
aumentou, ela se recusava até mesmo a comer na boca. Forcei para ela
comer, dei comida na marra(carne batida no liquidificador com cenoura e
batata, como um creme), ela urinou e a estimulei a defecar, ela defecou,
porém parece que após isso ficou ainda mais cansada, teve algumas
ânsias de vômitos(não chegou a vomitar), mas ficava tremula e em seguida
melhorava
De
madrugada começou a chorar, deitava, chorava e tentava sentar-se. Demos
um Tramaldeido porque já parecia estar com muita dor, meia hora acalmou-se,
embora estivesse acordada parou de chorar. Tomou água algumas vezes,
pediu carinho e se manteve deitada, mas de cabeça erguida.
As
4:30 da manhã ela estava calma, havia parado de chorar, tomou mais água
e demorou a dormir. Às seis da manhã ela chorou e antes que pudéssemos
ver o que havia acontecido, morreu.

Acima Mel 15 dias após a descoberta do osteosarcoma
Ao lado Mel 40 dias após a descoberta do ossteosarcoma
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| Foto by SN; July |
July - 2013
A July , uma labrador preta, era do meu tio, estranhamente o
problema inicial era um câncer em um dos dedinhos do pé direito. Levada o vet,
a primeira opção foi amputação do dedo.Cicatrizada a cirurgia, eis que o mesmo
tumor surge num segundo dedo, novamente amputação. Porém, acostumados a correr
as mãos pelo animal, descobrimos no pélvis e no tornozelo aqueles insuportáveis
“inchaços” que denunciavam o osteosarcoma.
Levamos ao vet para o costumeiro RX. Mais uma vez positivo.
Raio X July
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| Pulverização do osso |
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| Inchaço ósseo |
Houve no primeiro momento a indicação de amputação da pata,
porém, desconfiados de um possível osteosarcoma em outra região, nos negamos a
operar e optamos pela homeopatia.
Não demorou muito para começar a aparecer, visivelmente, o
osteosarcoma na região superior, ou seja, se houvéssemos amputado, o sofrimento
seria ainda maior, já que o câncer já se encontrava instalado em outras partes.
O laudo, assim como os anteriores veio com dois possíveis
diagnóstico, o de neoplasia óssea e o de osteomielite, mas, na grande maioria
das vezes prevalece apenas o osteosarcoma.
Imagem abaixo
Vamos parar por aqui, o tema ainda é extenso, na próxima parte colocaremos como aprendemos, ao longo dos anos a cuidar desse nossos companheiros doentes e porque a eutanásia ficou uma coisa distante e até, proibitiva para nós.
Esperamos que , até aqui, estas informações possam ter auxiliado ao grande número de tutores que sabemos, enfrentam este problema. Troquem informações, nos escrevam, deixem seus depoimentos, vamos nos auxiliar.
Até mais
Simone
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