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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Osteosarcoma,Homeopatia: o que é e como lidar com isso

Foto by S.N : Yannis

Tenho cães há mais de vinte anos e nesses últimos anos tenho notado, entre amigos que recolhem animais de rua, um crescimento assustador de Osteosarcomas.

Minha primeira experiência com um cão acometido de osteosarcoma foi com a Yannis, em 2001, uma rottweiler de 8 anos. Em 3 meses ela nos deixou, sem a necessidade de eutanásia - precisamos deixar claro.

Osteossarcoma  é uma neoplasia maligna, um câncer que atinge a parte óssea dos animais, alguns veterinários relatam que as raças maiores possuem mais predisposição e que os ossos longos são os mais atingidos, porém, dos 5 casos dos quais tive que tratar, a doença distribuiu-se pelos ossos do maxilar, do crânio, das “canelas" e escápulas, pélvis.

Nos trabalhos acadêmicos de veterinária, a média de idade de acometimento desta doença é em animais acima de 7 anos.

A maioria dos cães de quem cuidei tinham entre 8 e 9 anos, todos de grande e médio porte.

Os sintomas perceptíveis que o tutor deve observar é a claudicação( o animal passa a mancar). Vale a pena salientar que o tutor, sempre que possível, deve observar todo o corpo do animal através da palpação, deste modo é que se descobrem várias doenças.

Ao notar que o animal passa a mancar de uma das pernas, o tutor deve correr a mão pelo membro afetado, se for um início de osteosarcoma ele perceberá uma leve protuberância no osso, as vezes discreta, mas que irá aumentar consideravelmente com o tempo.

Normalmente um RX é indicado pelo veterinário a fim de dissipar as dúvidas, deve-se atentar que em muitos resultados de RX surgem duas suposições: uma de osteosarcoma e outra de osteomielite, mas a chance maior é que sempre seja um osteosarcoma.

Dependendo da localização da doença , do osso afetado, alguns veterinários indicam a amputação do membro, o que não significa cura total. Tive a experiencia de amputar um animal e o sofrimento, infelizmente, foi ainda maior , pois o câncer se espalhou pelo pélvis e posteriormente para os pulmões. Normalmente sem amputação - e especificamente neste caso da amputação - os cães sobrevivem ,apenas, por cerca de 3 meses. Há relatos em tratados de veterinária onde, além da amputação, medicamentos quimioterápicos são utilizados o que pode dar uma sobrevida ao animal de cerca de 1 à 1 ano e meio de vida.

Claro que cada caso é um caso, e que o tutor deve sempre recorrer ao tratamento que melhor for indicado para o animal, menos a eutanásia, e explicaremos o motivo mais adiante.


Nossas experiências e como tratamos nosso amigo canino


O diagnóstico de qualquer doença nos animais é sempre aterrador, porém nenhum diagnóstico parece ser pior do que uma neoplasia, ainda mais em se tratando de osteosarcomas.

Quando levamos a Yannis(foto acima) no veterinário após notar uma claudicação discreta da pata dianteira, nos parecia que seria nada mais, nada menos que um entorse, afinal ela havia sido castrada e talvez os vets ao tirar e colocar o animal na maca, a houvessem pego pela perna e machucado o membro.  

Tiramos o RX, aguardamos e o veterinário surgiu com o RX numa mão e um livro sobre anatomia animal na outra. Era um osteosarcoma entre o húmero e a escápula.

Neste caso não havia qualquer indicação de amputação. Questionamos sobre tratamentos quimioterápicos: o veterinário disse que não seria indicado porque não iria surtir o efeito desejado e o animal iria morrer em torno de 2 a 3 meses, com ou sem quimio. Antes de sairmos, ele recomendou : “Quando chegar a hora tragam ela para cá”. Ele se referia a eutanásia

Depois de chorar muito, nos desesperarmos, afinal Yannis era nosso primeiro Rottweiller, estava conosco há 8 anos , perdê-la para uma doença tão terrível destruía o coração da família.

Nos lembramos então da Homeopatia e de um veterinário que muito já havia nos ajudado no passado, o Dr Célio Morooka, e levamos a Yannis para uma consulta homeopática.


Raio X - 2001: Yannis



Lesão no osso "pulverização"
Bordas irregulares,osso poroso
                         


Fragmentação do osso
Contorno ósseo irregular
                                 

Homeopatia trata o doente e não a doença. Depois de examinar a Yannis, olhar o RX e nos explicar novamente sobre a doença e o caminho que nos aguardava pela frente, Dr. Célio receitou um único medicamento. Até então a indicação do veterinário anterior havia sido uma ração úmida em lata, que deveria ser o único alimento a ser oferecido até o fim da vida dela, tramadol e condroitina.


Dr Célio solicitou a retirada de todos esses medicamentos e indicou o uso de 3 glóbulos da medicação receitada 3 vezes por dia. O equilíbrio material do animal iria permitir a vida digna até a hora do desencarne.

Alimentação?

Oferecer para ela tudo o que ela desejasse comer.

Bricamos dizendo:

“Ela adora salsicha”

E um sorridente dr Célio respondeu:

“ E porque não dar ?”

Ele sabia que pouco tempo nos restava e restringir a alimentação não iria impedir o avanço do osteosarcoma.Comentamos também a indicação do vet anterior sobre a eutanásia, a resposta foi:

"Nem pensem nisso, eutanásia não".


Fizemos como nos foi receitado, 3 glóbulos do medicamento homeopático 3 vezes por dia, durante os 3 meses de vida que restou a nossa grande amiga.



                       A doença x os tutores: o passo a passo                                     


Muitos tutores se abalam com o diagnóstico da doença, a diferença é saber lutar e não desistir do seu animal. Muitos “donos”, realizam a eutanásia no animal assim que os sintomas ficam cada vez mais evidentes.

Lutar sempre,mesmo que a doença nos vença.

Depois da consulta com o homeopata, compramos tudo o que a Yannis gostava, incluindo a salsicha, não, os condimentos não fizeram mal a ela, pois, mantinhamos a alimentação a qual ela estava acostumada e a salsicha era o brinde por ter almoçado, jantado, tomado café da manhã, da tarde da noite. Não, em nenhum momento ela parou de se alimentar e de brincar.

Enquanto conseguia andar brincava de correr, conforme a perna foi inchando, as corridas diminuíram, ela brincava de morder seus brinquedos, de puxa-puxa,. O membro continuou a inchar, tínhamos que carregá-la de um lado para o outro, detalhe, ela pesava 60 quilos, eu 45, minha mãe 48, meu pai uns 66.

Quando não mais andava optamos pelas fraldas, hoje, com mais experiência e neste momento cuidando de uma labrador que está com osteosarcoma, resolvemos utilizar aqueles tapetinhos de xixi.

Fato é que, com a medicação homeopática indicada, Yannis não deixou um só dia de comer e de brincar, só deixando de jantar no dia de seu desencarne.


Vitória - 2004

Foto By S.N : Vitória

Depois dela, tivemos mais um cão acometido por essa doença, a Vitória.Ela teve um passado ruim, o “dono” não lhe dava comida e a fome causou sérios problemas de saúde. Fomos até a casa dele e tiramos a Debra (posteriormente rebatizada de Vitória) de seu quintal, sob a ameaça de chamarmos a policia para prendê-los por crueldade.

Com cerca de 8 para 9 anos ela também apresentou claudicação; no RX era evidente o osteosarcoma.

A desconfiança da doença surgiu com a palpação, havia um calombo na "canela", depois o RX confirmou as suspeitas. Foi porém indicada a amputação, pela possibilidade de sobrevida, até porque o inchaço da perna foi muito rápido e abriu uma ferida que não cicatrizaria. Aceitamos a indicação do veterinário, até hoje nos questionamos o motivo pelo qual não passamos novamente no homeopata, talvez porque estivéssemos tratando na USP, cercados de vets, seja como for, o membro foi amputado , porém o osteosarcoma evoluiu em outro local e logo a metástase já estava nos pulmões.




Localização  do osteosarcoma na Vitória,notamos o inchaço através da palpação, assim que percebemos que ela começou a mancar. O segundo passo foi solicitar um Rx para comprovação.






Como já comentamos anteriormente, muitos laudos nos deixam na dúvida trazendo possíveis diagnósticos entre osteosarcoma e osteomielite (infecção do osso)

Raio X Vitória

Assemelha-se a um "inchaço
Região óssea pulverizada
                                    
Infelizmente a Vitória foi tratada com medicamentos alopáticos , que não surtiram o efeito que a homeopatia havia realizado na Yannis, ela ficou conosco também por 3 meses, mas as doses de morfina , tramadol, entre outros, eram aumentadas constantemente.


A metástase se espalhou e quando atingiu os pulmões ela desencarnou. Na mesma época, dezenas de animais se tratavam de osteosarcoma na USP, algumas pessoas com quem fizemos amizade perderam seus cães, amputados ou não, em prazos de 2 a 4 meses.

Tal como fizemos com a Yannis, compramos um colchão para ela e utilizamos fraldas para que ela urinasse e evacuasse nelas sem precisar se locomover.


Lobinho - 2007

Foi mais um caso de osteosarcoma, dessa vez em uma região muito delicada: a cara.


Lobinho,não tivemos tempo de socorrer
Nós recolhemos o Lobinho da rua, em frente a uma residência onde as pessoas acreditavam que, apenas por colocar água e um pouco de comida, já estavam auxiliando. Não sabemos por quanto tempo o Lobinho permaneceu no abadono, mas nós o recolhemos na seguinte situação:

- A região crânio facial estava extremamente edemaciada devido ao sarcoma.

- Um dos olhos vazava sangue, não sendo possível constatar a situação do globo ocular

- O exame dentro da região bucal revelou o avanço da doença, a língua estava edemaciada, o pálato perfurado e ao tocarmos os dentes, eles se soltaram com facilidade.

Mesmo extremamente debilitado, Lobinho era muito carinhoso e brincalhão.

Não temos RX, laudos , nem outros exames do Lobinho, visualmente a doença já nos deixava clara a situação.

Infelizmente ele foi eutanasiado, já que a situação era desesperadora, ele não comia nem conseguia tomar água. Demoramos para encontrar esse amigo e quando finalmente nos encontramos era tarde demais para qualquer tratamento, ficou pouco conosco, mas foram momentos extremamente felizes, dele e nosso.

Lobinho, animal resgatado na rua com osteosarcoma na cabeça e no focinho, estava abandonado há dias, recebia água e comida vez ou outra, ninguém se incomodava com a dor do câncer que o matava aos poucos. Lobinho já não enxergava mais do olho direito, e a carreira de dentes do mesmo lado caía ao mais leve toque.O Pálato estava perfurado e a exposição do tumor  deixou campo aberto para infecção secundária. 


Mel - 2012

A Mel foi mais um, dos muitos que temos, que foi recolhida das ruas em situação desesperadora. Um SRD, nos padrões de um Dogue Alemão, estava raquítica devido a fome que seus “donos humanos” lhe impunham, ela crescera demais, por isso foi colocada na rua.

Apesar do tamanho era extremamente dócil, tinha cerca de um ano quando a recolhemos e foi entre os 8 e 9 anos que o sarcoma apareceu.

Alguns trabalhos médico relatam que traumas ósseos (pancadas) igualmente podem desencadear o osteosarcoma. Talvez a Mel tenha sido um desses casos. A levamos ao veterinário (homeopata), para verificar uma “massa” que descobrimos ao apalpar sua barriga. Já experimentados em doenças, sempre sabemos o que é, e vamos ao vet para ter a confirmação de nosso próprio diagnóstico.

Estabanada, Mel saltou do carro e torceu o joelho. Alguns dias depois, em novo exame caseiro (palpação) notamos o pequeno caroço próximo ao joelho. Desconfiamos de osteosarcoma. O veterinário da época negou nosso diagnóstico e nosso pedido de RX. Solicitamos o Rx a outro vet e com ele veio a confirmação.




Raio X Mel

Início do inchaço
Ainda leve pulverização óssea


A confirmação do RX já nos fez relembrar todos os problemas anteriores e novamente voltamo a procurar o dr Célio para que o tratamento fosse homeopático e a Mel pudesse desencarnar com tranquilidade. A indicação de amputação foi descartada, porque a massa que havíamos apalpado na barriga estava grande demais e qualquer cirurgia poderia levá-la a morte.

Mais uma vez a confirmação

A Mel, tal como havia ocorrido com a Yannis, passou a tomar 3 glóbulos de homeopatia , 3 vezes por dia, o tramadol e a dipirona foram cortados, assim como havia ocorrido anteriormente. Aos poucos o inchaço foi aumentando e tal como nas outras vezes, foi preciso recorrer a fraldas(tapetinhos higiênicos), colchões, cobertores e muito carinho.

A Mel não se alimentou na noite em que nos deixou, a todo momento brincava, pedia carinho e era a Mel de sempre, sem dor.

Em contato com o dr Célio, para enviar fotos da evolução do caso , este foi o último email sobre a Mel que enviei à ele:

Email:
No dia 13/11/12 a Mel já não conseguia mais se locomover, trouxemos ela para dentro, num quartinho, com colchão e cobertores. Ela comeu bem, porém não se sentia vontade para urinar. Colocamos fraldas, estimulamos a urinar, mas ela só conseguiu fazê-lo no dia seguinte.

Novamente ela comeu, não como comia antes, mas almoçou e jantou. Só conseguiu defecar no dia 16 a noite depois de muita estimulação.

A semana passou assim, cada vez mais difícil de comer, a posição incômoda pois só conseguia ficar deitada na mesma posição.

Urinava apenas uma vez por dia,no máximo duas. Defecar era bem mais complicado, o que notei era um aumento no cansaço, na respiração mais pesada, a ausculta do pulmão parecia limpo, mas fraco. Na semana do dia 19 passamos a dar comida na boca, apenas água ela tomava sozinha, a noite passamos a dar novalgina(20 a 25 gotas) para que dormisse bem.Dia 21 o cansaço aumentou, ela se recusava até mesmo a comer na boca. Forcei para ela comer, dei comida na marra(carne batida no liquidificador com cenoura e batata, como um creme), ela urinou e a estimulei a defecar, ela defecou, porém parece que após isso ficou ainda mais cansada, teve algumas ânsias de vômitos(não chegou a vomitar), mas ficava tremula e em seguida melhorava

De madrugada começou a chorar, deitava, chorava e tentava sentar-se. Demos um Tramaldeido porque já parecia estar com muita dor, meia hora acalmou-se, embora estivesse acordada parou de chorar. Tomou água algumas vezes, pediu carinho e se manteve deitada, mas de cabeça erguida.

As 4:30 da manhã ela estava calma, havia parado de chorar, tomou mais água e demorou a dormir. Às seis da manhã ela chorou e antes que pudéssemos ver o que havia acontecido, morreu.
                                 

Acima Mel 15 dias após a descoberta do osteosarcoma
Ao lado Mel 40 dias após a descoberta do ossteosarcoma



Foto by SN; July
July - 2013
  
A July , uma labrador preta, era do meu tio, estranhamente o problema inicial era um câncer em um dos dedinhos do pé direito. Levada o vet, a primeira opção foi amputação do dedo.Cicatrizada a cirurgia, eis que o mesmo tumor surge num segundo dedo, novamente amputação. Porém, acostumados a correr as mãos pelo animal, descobrimos no pélvis e no tornozelo aqueles insuportáveis “inchaços” que denunciavam o osteosarcoma.


Levamos ao vet para o costumeiro RX. Mais uma vez positivo.

Raio X July


Pulverização do osso
Inchaço ósseo







Houve no primeiro momento a indicação de amputação da pata, porém, desconfiados de um possível osteosarcoma em outra região, nos negamos a operar e optamos pela homeopatia.








Não demorou muito para começar a aparecer, visivelmente, o osteosarcoma na região superior, ou seja, se houvéssemos amputado, o sofrimento seria ainda maior, já que o câncer já se encontrava instalado em outras partes.


O laudo, assim como os anteriores veio com dois possíveis diagnóstico, o de neoplasia óssea e o de osteomielite, mas, na grande maioria das vezes prevalece apenas o osteosarcoma. 


Imagem abaixo





Vamos parar por aqui, o tema ainda é extenso, na próxima parte colocaremos como aprendemos, ao longo dos anos a cuidar desse nossos companheiros doentes e porque a eutanásia ficou uma coisa distante e até, proibitiva para nós.

Esperamos que , até aqui, estas informações possam ter auxiliado ao grande número de tutores que sabemos, enfrentam este problema. Troquem informações, nos escrevam, deixem seus depoimentos, vamos nos auxiliar.

Até mais
Simone



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