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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Livro: A Espiritualidade dos Animais: Pela Ótica do Espiritismo



Nosso segundo livro já está disponível na Amazon:


A Espiritualidade dos Animais: Pela Ótica do Espiritismo



A Espiritualidade dos Animais é um livro que veio para esclarecer um pouco mais a respeito de alguns pontos como a alma dos animais, o desencarne e a reencarnação, o período que passam no plano espiritual, sua evolução da mônada até o reino maior, sua senciência e a responsabilidade que ela traz aos seguidores da Doutrina Espirita, tudo baseado na Codificação e alicerçado pela Ciência e pela Filosofia , desvelando de forma clara o preconceito e os dogmas existentes sobre a alimentação carnívora, alma grupo e sua inteligência nos aproximando assim, ainda mais destes nossos irmãos.

Boa leitura




Contamos com a colaboração de nossos leitores na divulgação desta segunda obra, e já nos preparamos para lançar o terceiro livro em breve. 

Grande abraço

Simone Nardi

sexta-feira, 10 de março de 2017

Alimentação e Evolução Espiritual


Este é o excelente livro do Professor Edson Siqueira, us estudo profundo acerca da relação existente entre a alimentação e a nossa evolução espiritual, que é o grande objetivo da vida.

Sua análise nos levará a entender que a prática dos ensinamentos Espíritas, nos conduzirá, inevitavelmente, a transformar nossa forma de alimentação, ditando nossa responsabilidade diante da vida.






Para Adquirir:


Editora Solidum




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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Fanatismo Religioso , a Cura - Parte 3

Filhote raposa


"Se o redentor viesse, ele viria contando piadas (...). No momento em que aprendermos a rir de nós estaremos imunes ao fanatismo" 

 AMÓS OZ


Lendo um artigo muito interessante sobre fanatismo religioso, algo me chamou a atenção, até porque há algum tempo atrás escrevi um texto sobre o riso que se chamava "Sorria como Jesus". Na época eu notara que poucos espíritas sorriam e confesso que ao ler o texto de José Medrado sobre o mesmo assunto, percebi através dele que nada parece ter mudado muito. Voltando ao principal; o texto dizia claramente que a grande maioria dos fanáticos carecia de alguma doença psicológica: o mau humor e o desapego à vida.Normalmente as pessoas mal humoradas são assim, desapegadas de tudo.

Amós Oz, pacifista israelense, nesse mesmo texto, dizia ter encontrado a cura para o fanatismo : O Bom Humor. "nunca vi um fanático bem-humorado, nem alguém bem-humorado se tornar fanático".

Realmente falta em muitas pessoas, sejam espíritas ou não, a Alegria e para quem ainda não sabe, o riso faz parte da alegria.Quando se fala em Deus, devemos sentir a alegria fluir de nossos corações.Ao estudarmos o Pentateuco, igualmente devemos nos sentir felizes por isso.Para que fechar a cara e discutir que na pergunta tal, número tal, não está escrito isso ou aquilo? Será que muitos não sorriem porque no Livro dos Espíritos não está escrito: Na pagina tal pelo espirito tal "Sorria" ? Ou porque os filme hollywoodianos nos mostram sempre um Jesus triste e amargurado trazendo a Boa Nova? Não seria uma Boa Nova se fosse nos trazer apenas tristeza e fanatismo.

Herculano Pires em seu livro " A Agonia Das Religiões", nos diz : 

"Mas se não procurarmos compreendê-lo em toda a sua grandeza(referindo-se ao espiritismo), é certo que o reduziremos a uma seita fanática de crentes obscurantistas. Evitemos essa queda no passado, para nós mesmos e para o mundo. Tenhamos a coragem de avançar sem muletas e sem temor para a Civilização do Espírito."

Não, nós espíritas não estamos ilesos do fanatismo; nossa única diferença talvez seja que coloquemos nos obsessores todas as culpas de nossos erros. Muitos de nós espíritas também não sorrimos, como se fosse um ato criminoso sorrir. A alegria não é crime. Devemos viver a vida com a felicidade que nos cerca, sorrir faz parte dela, lembre-se, o Bom Humor faz parte da cura de muitos males do corpo e do espírito e o fanatismo religioso é um dos piores males que pode nos afligir nos dias de hoje.

Vamos seguir o Pentateuco sim, mas sem fanatismo, sem decorar e nada compreender, há muitas verdades que Jesus não contou quando esteve entre os homens, nem por isso negamos o Espiritismo quando ele surgiu, as verdades nos são passadas aos poucos, talvez porque não tenhamos capacidade de compreende-las tudo de uma só vez, mas chegaremos lá, esse é o nosso destino.

Simone Nardi






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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Fanatismo Religioso , a Kardeclatria - Parte 2

Flores de cactos


"O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma única verdade"(Emil Cioran)



Sempre que escrevo um artigo o faço baseado em casos que aconteceram ao meu redor ou que alguém contou ou que presenciei ao observar o mundo que me cerca. Muitas dessas vezes quando procuro falar de algo especifico, como é o caso agora, busco mais informações e referências sobre o assunto em livros ou até mesmo na Internet. O mais incrível quando se digita: "Fanatismo Religioso", é que se abrem inúmeras páginas, a grande maioria incriminando algumas religiões a qual nem preciso me referir, já que o noticiário sempre nos mostra as guerras religiosas em outros países.

Entre tantos artigos, acusações, refutações, deparei-me com uma frase que me enregelou o corpo: 

“libertamo-nos dos dogmas e do fanatismo. A fé raciocinada sobre a égide desta humildade, aconselhada e praticada pelo mestre lionês, levou-o na busca incessante da verdade, que sempre caracterizou suas ações, a correta elucidação conceptual de possessão, incitando-nos também a libertarmo-nos de duas outras; a dos ´dogmas´ e a do ´fanatismo´.”

Imediatamente voltou-me a lembrança do motivo pelo qual, estava eu, escrevendo novamente sobre o fanatismo religioso. A kardeclatria.

Como os fanáticos religiosos que repetem centenas de vezes as frases de seus livros sagrados o kardeclatra repete, de cor e salteado, de frente para trás e nas diagonais o Livro dos Espíritos. Posta perguntas e respostas em dezenas de sites, repete sem parar a todos que conhece, na porta do mercado, no centro espírita, repete, porém não explica. Ora bolas, afinal ele sabe de cor para que explicar?

Para ele apenas as obras básicas são passíveis de estudo. Enterrem as obras de Chico, Divaldo, Medrado e tantos outros por aí.Os espíritos que falam através deles como André Luiz , Emmanuel e sua turma, nada sabem. Aí deles se contrariarem a codificação. Hereges, não são espíritas, apesar de serem espíritos.

O fato é que na verdade, não há realmente essa contrariação da codificação, há o raciocínio lógico que leva as pessoas a dizerem coisas que não estão implicitamente escritas na obra, mas que não deixam de estar dentro dela. Tudo parte de uma questão de lógica e estudo sério que nos levará a todos, menos aos mais fanáticos, as mesmas respostas. Isso porque algumas vezes o kardeclatra se esquece que o próprio Allan Kardec disse, que a obra não estava acabada com o pentateuco, mas isso não vem ao caso, não para o kardeclatra, o que ele quer é repetir o que decorou: Na pergunta tal, numero tal, tem a resposta tal numero tal do espirito fulano de tal, nascido em tal lugar. Só. Silêncio. Sem explicação, porque ele não procurou fazer o que seu "ídolo" tanto pede: Fé raciocinada.

Não importa se está escrito no pentateuco " Não matarás", ao estudá-lo, a lógica dele o levará à pensar assim:" Não posso matar ". Mas não posso matar o quê? Quem? Quando? Por que fechar os olhos a tudo o que está escrito nas entrelinhas? Por que decorar perguntas e respostas ao invés de tirar delas, todas as lições que nos trazem a cada dia? Não, não posso matar e isso não se refere somente aos seres humanos, mas não posso matar animais, não posso matar plantas, não posso matar esperanças e alegrias, não posso matar o planeta.....

Somos todos criados por Deus? 

Quando me refiro a todos não coloco a classe humana acima de nenhuma outra diante da Criação. O Pentateuco diz que sim, que viemos da Luz de um mesmo Pai. É preciso então que esteja escrito lá : " Respeite os que não são da tua cor, respeite os que não são da tua religião, respeite os que lhe são inferiores pelos degraus da evolução, respeite as opções sexuais, respeite os que são altos, respeite os que são baixos, os que são obesos , os magrelos(essa é pra mim) porque, independente da tua visão limitada e da tua vontade, foi Deus quem Criou o Universo em que vive, seja mineral, vegetal ou animal?..... Se é preciso mesmo que esteja escrito, é porque ainda não aprendemos a ter a Fé raciocinada pedida por Kardec e como muitos outros descobriremos que somos fanáticos.

Agora, se já conseguimos ler nas entrelinhas, se conseguimos ir além da pergunta tal resposta tal do espirito tal, e tiramos dela algo escondido ali conseguimos compreender que a obra não termina -em cinco livros-  aí sim estamos exercitando a nossa lógica, nosso raciocínio e nossa fé. Seria mesmo o Espiritismo destinado a retroceder no tempo ao invés de avançar? Será que o Espiritismo hoje se resume mesmo em apenas cinco livros ou serão eles os alicerces da gigantesca casa espírita que ainda continua em construção?

Para achar um resposta, basta saber que a obra de Deus jamais termina e que nossa evolução lhe segue os passos. Tudo evolui, tudo mesmo, até as religiões.


Simone Nardi







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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

VENIT

Amigos, é com grande alegria que anunciamos o lançamento e a venda on-line  do Livro VENIT, de nossa autoria.


VENIT, capa de Lucilaine Napoleão





Venit -em latim- ou Vinde - em português - é uma obra de ficção, um romance histórico que retrata um período emblemático para o Cristianismo : O momento inicial da perseguição dos cristãos primitivos. De forma clara a obra narra a força e a coragem daqueles homens e mulheres que escreveram as primeiras linhas do cristianismo com seu próprio sangue, retratando de forma romanceada o que viria a se consagrar como uma demonstração histórica de fé e amor a uma causa , entremeando-se a vida de um romano que possuía enorme ojeriza pela tal " Doutrina do carpinteiro".

Contamos com sua visita, indicação,compra e divulgação para que possamos perseverar nesse trabalho.


Para acessar a página no Amazon:




Simone Nardi

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

“A Escola de Atenas” atual e precisa

Platão e Aristoteles


...e o justo meio de Aristóteles




A obra do pintor renascentista Rafael Sanzio “Causarum cognitio” mais conhecida como “A Escola de Atenas”, retrata a Academia de Platão. Pelo Átrio da Escola figuram alguns filósofos representando diversos períodos do pensamento filosófico. Destacam-se, entretanto, no centro da figura, dois dos mais importantes pensadores que o mundo já conheceu: Platão, discípulo de Sócrates e Aristóteles, discípulo do próprio Platão.
Platão carrega consigo O “Timeo” diálogo no qual afirma o Mundo das ideias como o mundo das coisas perfeitas, por isso mesmo aponta para o alto. Ao seu lado Aristóteles indica o mundo concreto, por isso mesmo tem a mão espalmada para baixo. Segura na mão esquerda, a “Ética,” tratado no qual afirma o mundo sensível como lugar privilegiado da Filosofia natural e empírica.
Qual seria a excelência máxima proposta pela ética Aristotélica? A Virtude – Areté.
Aristóteles alça a virtude ao patamar de excelência, expressão da nobreza, dignidade e integridade do ser humano. E é através do meio termo entre os extremos que se abre a possibilidade ao ser humano alcançar a razão, que segundo Aristóteles, é o elemento fundamental para alcançar a virtude.
Diz-nos ainda Aristóteles que a paixão, por exemplo, é um excesso que embota nossa razão. Alguém dominado pela paixão inclina-se ao vício, ou seja, ao excesso de prazer, ou à falta deste.  A Temperança ou o justo meio entre esses excessos faculta ao ser humano alcançar o pleno uso de sua razão, portanto, para Aristóteles a virtude esta intimamente ligada à razão - a racionalidade comandando as atitudes humanas.
Esse conhecimento refletido ha 2.400 anos ainda hoje é de uma atualidade estonteante. O ser humano ainda hoje está longe de alcançar este patamar proposto por Aristóteles. Pelo menos é o que nos apresenta a realidade que nos cerca.
Mesmo antes de Aristóteles e dos Filósofos da Magna Grécia, sábios na antiguidade já apresentavam a humanidade propostas semelhantes a essa.
Siddartha Gautama – o Buda (563ac-483ac), por exemplo, propunha O Caminho do meio o caminho para a moderação, afastando-nos dos extremismos. Salvo as diferenças conceituais entre as reflexões de Aristóteles e o iluminado Buda, ambos propõe a prudência, a racionalidade e a moderação em nossos comportamentos para que possamos atingir a plenitude de nós mesmos: a harmonia, o equilíbrio a felicidade enfim.
Belos ensinamentos milenares. Conceitos tão concretos e racionais, mas, que carrega em si ao mesmo tempo a leveza do equilíbrio e da serenidade.
Porque somos tão reticentes à tão belos ensinamentos em pleno século XXI?
Século onde predomina o imediatismo, o consumismo desenfreado proposto pela sociedade que induz e molda o ser humano de todas as formas possíveis.
A alucinação contemporânea do consumo compulsivo leva-nos a passar por cima de princípios dados como cristalizados há milênios. Dentre esses princípios, o maior deles, a vida em todas as suas dimensões – de humanos, de não humanos e do proprio planeta, como temos presenciado nessa era de incertezas – Restou-nos apenas as paixões desenfreadas.
Diminuímos aquilo que deveríamos por simples raciocínio lógico engrandecer: A vida. Em que recôndito e remoto lugar dentro da consciência coletiva (Se é que há uma) ficou escondido todos os ensinamentos que, se colocados em prática, salvaguardariam plenamente a vida de todos nós? Todos nós indiscriminadamente – Seres (h)umanos, animais, etc .... etc .... etc.

Fica, portanto aqui, o desafio de encontrarmos respostas ou saídas definitivas ou parciais mesmo, para o tão desafiador momento de nossa história.


Antonio Simões, colaborador do Blog


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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ensaio sobre a cegueira

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
Citado no “Livro dos conselhos”,
de El-Rei Dom Duarte.





A maioria já deve ter lido ou ao menos ouvido falar do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago; vamos apenas pincelar o livro que narra como de repente uma cegueira branca vai se espalhando, contaminando e tomando conta das pessoas; a princípio parece ser incurável e aos poucos toda a humanidade vai ficando cega, reduzida a seres meramente instintivos. Em meio a tanto terror, apenas uma pessoa não perde a visão e é ela, sozinha, que os guia dentro dessa cegueira branca, dentro desse mundo desconhecido e assustador. O filme retrata como o ser humano é capaz de perder anos de civilização ao ser privado de um de seus sentidos. É possível compreender no livro a necessidade dos “cegos”, em confiarem naquele único ser que enxerga, de modo a poderem se humanizar e se socializar novamente, pois o governo os envia a um sanatório e, quanto mais pessoas chegam, mais deplorável fica o lugar. Começam a surgir disputas pela comida e pelo domínio do sanatório, situações constrangedoras fazem com que os personagens comecem a se questionar sobre sua dignidade, seu auto-respeito e seu orgulho.

Por trás do livro podemos notar que Saramago não trata apenas da cegueira física, mas da cegueira moral dentro da qual a sociedade se encontra, e sabemos que todo esse orgulho e dignidade são deixados de lado quando o animal humano é posto diante do animal não humano. Em confronto com um ser que ele julga inferior, o animal humano esquece que é civilizado e se bestializa de tal forma que perde sua verdadeira identidade, seu orgulho e seu auto respeito, descendo a níveis que os animais não humanos não conseguem alcançar, a própria “miséria moral”. Foi há muitos anos atrás que essa cegueira branca teve início, ao matar no animal humano todo seu senso de moral, compaixão é ética pelos animais não humanos. A ética social, tal como no livro, desmoronou desde então. O animal humano cego pelo orgulho e pela vaidade separou-se da natureza, espezinhou-a e aos seus outros filhos, os animais, com a mesma crueldade com que trata tudo aquilo que lhe é diferente. Nessa sua cegueira, a humanidade é capaz de ignorar o fato de que há uma igualdade senciente entre nós e os animais, é capaz de se manter cega diante de tanto sofrimento, ensaiando o dia em que consiga obter a coragem de enfrentar seus medos em resistir à cegueira a qual a condicionaram.

“O medo cega, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.[...] Quantos cegos serão preciso para fazer uma cegueira, Ninguém soube responder.” (J. Saramago)

Quanto ainda será preciso mostrar, demonstrar, expor, falar ou escrever sobre o sofrimento animal, antes que os “cegos da ética” notem que estão errados, que estão com medo e que esse medo os cega. Quanto ainda teremos que pedir para que abram seus olhos, pois somente assim essa cegueira se dissipará e a ética voltará a se fazer parte da sociedade? Esse cegos contemporâneos são cegos do coração e da alma, são cegos da moral e da ética, guiam outros cegos e conhecemos a velha frase que nos diz: “Cegos guiando cegos,ambos cairão no abismo”. Já estamos caindo no “abismo” a cada dia que passa, por todo o desrespeito que as pessoas mostram em relação aos animais; é a humanidade quem polui o seu próprio ar, que contamina sua própria água, que apodrece sua própria terra, que desrespeita a eles, os animais não humanos e em igualdade, a si mesma, mas a maioria ainda deseja se manter cega diante disso. Essa cegueira não os deixa ver aonde pisam nem em quem pisam, não os deixa livres para escolherem qual caminho tomar, qual posição escolher.São cegos que temem enxergar, porque fazem tantas coisas ruins aos animais que se envergonham, e se fecham cada vez mais dentro de uma cegueira manipulada e cruel.

“Por que cegamos, não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem” (J. Saramago)

Essa á a grande parcela da humanidade hoje diante da exploração animal, cegos que vendo, ainda assim fingem não ver, que diante da repulsa que a visão do sofrimento animal acarreta, com uma insensibilidade fora do normal, conseguem ignorar o que lhes mostrado, que hibernam em seus costumes e tradições bárbaras com medo de enxergar a verdade de seus atos cruéis.


“Por que cegamos?”

Porque passamos a nos achar seres privilegiados, seres mais fortes, mais poderosos e, no entanto, nos tornamos seres mais cruéis, mais frios, mais irracionais. Não somos cegos, estamos cegos diante daquilo que não desejamos ver, a agonia animal que praticamos todos os dias.

Assim como os personagens de Saramago perderam o senso de civilidade, hoje, os cegos contemporâneos, perderam o senso de civilidade junto a natureza, junto aos animais, tornaram-se egoístas ao fazerem da Terra, um Planeta para uso exclusivo de animais humanos.Não dividem, não doam, ao contrário, tomam a força, ameaçam, humilham, matam, violam e desmoralizam qualquer ser que se oponha a essa cegueira.
Saramago diz que deseja que seu leitor sofra ao ler o livro, tanto quanto ele sofreu as escrevê-lo. E hoje nós sofremos por essa cegueira que perdura há séculos, séculos de tortura, de morte e muito sangue. Tal como o livro, a vida dos animais tem sido um capítulo brutal e violento, repleto de experiências dolorosas e aflições sem fim.

“Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.” (J. Saramago)

O que nos falta para reconhecermos isso, então? O que nos falta para enxergarmos que, o que fazemos com os animais se opõe a qualquer ética que tentemos criar para nos proteger uns dos outros? Que falta para as pessoas abrirem os olhos e enxergarem que os gritos de agonia só irão cessar quando elas mudarem? Não somos cegos, repito, estamos cegos, e ser cego é uma opção.


A cura para essa cegueira nada mais é do que a aceitação verdade, e a verdade é que realmente não somos bons que, embora o veganismo nos guie para a moralização ética, nós nos afastamos desse guia por medo de descobrirmos que não somos aquilo que pensamos que éramos: seres bondosos e racionais. Temos medo, tanto quanto os cegos de Saramago, de caminharmos por esse mundo desconhecido e assustador que é o respeito aos animais não humanos, não estamos acostumados a respeitá-los, somos orgulhosos demais, porém a cegueira nos tem feito viver num mundo igualmente deplorável ao sanatório onde os cegos de Saramago viviam, fingimos não ver, mas sentimos o cheiro da morte e da nossa sujeira.

Quando será que a humanidade se desvencilhará dessa cegueira para alcançar a sua lucidez, pois qualquer pessoa que saiba sobre o sofrimento animal e nada faça a esse respeito, está cego e perdeu parte de sua sanidade. Seria irracional nos colocarmos como seres racionais diante da visão do abate de um animal, diante da vivissecção, diante das touradas, bem mais fácil realmente seria essa posição ocupada pela grande massa, a de seres cegos e insensíveis a dor, não há como explicar de outro modo como alguém que tendo conhecimento sobre o que acontece com os animais, não mude, nem tente mudar.

É preciso que nos se humanizemos e nos socializemos novamente com a natureza, com os animais, com o mundo no qual vivemos, precisamos ter coragem para abandonarmos a cegueira de anos e anos de exploração animal, por uma conduta mais digna, pois o ser humano que usa de sua força contra um ser qualquer, não é digno, nem possui qualquer valor moral e os animais humanos necessitam, urgentemente, se moralizarem perante a natureza e sobretudo, diante dos animais não humanos.

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”1
Se podes enxergar e reparar, então que esperas para mudar?



Nota
1 Metáfora sobre aqueles que tendo visão, se recusam a ver, pois é bem mais fácil ignorar as coisas que fazemos de mal aos outros seres do que passarmos a nos enxergar como verdugos cruéis.

 Simone Nardi


Referência

José Saramago -Ensaio sobre a cegueira











Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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sábado, 15 de dezembro de 2012

Espiritismo e Alimentação


Em qualquer época e em qualquer lugar, quando o homem tenha perdido os seus pêlos, é provável que habitasse então um país quente, condições favoráveis para um regime Vegetariano que, segundo as Leis da Anatomia, devia ser o seu.
Charles Darwin



Atualmente, graças ao movimento de proteção animal e ao surgimento de Casas Espíritas que recebem animais, o tema “Alimentação” vem aguçando a curiosidade de muitas pessoas que, ao passarem a aceitar que os animais possuem senciência e uma alma semelhante a dos seres humanos, começaram a rever suas atitudes em relação a estes irmãos. Uma delas é a reeducação alimentar através da opção vegetariana. Embora muitas ideias a favor da alimentação a base de animais tenha, durante alguns anos, se alicerçado em algumas questões do Livro dos Espíritos , publicado em 18 de Abril de 1857, hoje, através do estudo mais refinado dessas mesmas questões, é possível notar que foi um erro interpretativo que fez com muitos acreditassem que Kardec e os Espíritos fossem a favor a morte de outros irmãos que estagiam conosco no orbe terrestre.

Seria impossível em poucas páginas realizarmos todo um estudo sobre o conteúdo do Livro dos Espíritos no que toque a alimentação de carne animal, por isso e com intuito de aguçar a curiosidade do querido leitor, escolhemos uma única questão que é capaz, também, de dar conta de toda a confusão que muitos fizeram em torno desta e de outras questões. Mas o que poderia ter causado tal confusão? Talvez o fato de não sabermos, em relação aos animais, o que sabemos hoje, a certeza de que possuem alma , de que são seres sencientes e de que possuem, cada um dentro de suas necessidades, um grau de inteligência.

Foram todas essas mudanças dentro do campo físico terrestre, nosso e dos animais, que fizeram com que hoje tenhamos a obrigação moral de ressignificar nossos antigos conhecimentos, olhando com ingenuidade para essas mesmas questões, a fim de poder enxergar tudo com um novo olhar. As questões 722, 723 e 724 são algumas das muitas questões que também tratam da alimentação a base da carne de nossos irmãos animais, mas que deixaremos para estudar numa outra oportunidade.

Em meados do século 19, época em que o Livro dos Espíritos foi publicado, bem pouco se conhecia sobre os animais. A Revista Espírita de Janeiro de 1866 ainda precisava reafirmar a realidade da alma das mulheres coisa que hoje em dia , somente a menção de que as mulheres , os índios e os negros não possuam alma, passa a ser ridícula. O conhecimento evoluiu desde então.

A questão 722 do Livro dos Espíritos trata - se nos atentarmos melhor a pergunta elaborada por Kardec - dos valores culturais de cada povo e da proibição de determinados alimentos , não necessariamente fala sobre a carne. Em muitas religiões consideravam-se duas categorias de animais : os limpos e os imundos. Os limpos seriam todos os animais que possuíssem unhas fendidas e ruminassem como os bois, cordeiros, carneiros entre outros. Os animais considerados imundos seriam todos os que possuíssem apenas as unhas fendidas ou apenas os que ruminassem tais como o porco, que possui a unha fendida, porém não é ruminante. Era proibido, portanto, alimentar-se da carne dos animais considerados imundos.

O que nos esquecemos é que também nós,nos dias atuais,temos nossos tabus culturais. Nos é proibido moralmente a alimentação a base de carne de cães e gatos, porém não a base de carne de bois e frangos, isso implica em um tabu cultural nosso, enquanto que por outro lado nos revoltamos ao saber que alguns povos orientais comem cães e gatos sem o menor constrangimento. Daí surge a questão 722 e é necessário estar atento ao enunciado para que se possa, realmente, compreender a resposta.

722. Será racional a abstenção de certos alimentos, prescrita a diversos povos? R. “Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde. Alguns legisladores, porém, com um fim útil, entenderam de interdizer o uso de certos alimentos e, para maior autoridade imprimirem às suas leis, apresentaram-nas como emanadas de Deus.”

Vamos rever esse trecho em particular: “Alguns legisladores, porém, com um fim útil, entenderam de interdizer o uso de certos alimentos e, para maior autoridade imprimirem às suas leis, apresentaram-nas como emanadas de Deus”. O Espírito que responde a questão coloca que alguns “Legisladores” criaram leis próprias a atribuindo posteriormente a Deus, por isso, e somente por atribuir ao homem a criação de uma “verdade”, é que o Espírito coloca que é “Permitido ao homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde”. O que não significa, como geralmente é interpretado, que Deus tenha fornecido aos seres humanos uma autorização para matar seus outros filhos, os animais, em nome da manutenção de seus organismos, tal como não autorizou aos homens e mulheres a se matarem como ocorre desde a antiguidade.

Seja como for, a questão 722 foi perfeitamente respondida a partir do momento em que seu enunciado foi perfeitamente compreendido, afinal até bem pouco tempo muitos acreditavam que comer manga e tomar leite levava a morte. O tomate mesmo era tido como fruto venenoso e cultivado apenas como ornamento, até o Coronel Robert Gibbon Johnson subir nas escadarias do Tribunal de Salem, New Jersey em 26 de setembro de 1820 e comer uma cesta repleta de tomates, mais de 2000 mil pessoas assistiam o que acreditavam ser total suicídio. Johnson não morreu e encerrou ali um tabu alimentar.

O que ocorre é que, normalmente, o trecho onde se lê que tudo é permitido remete a alguns, a ideia de que Deus criou os animais para os seres humanos se alimentarem, como se nossos irmãos menores fossem meros objetos utilizados a cada toque de nossos desejos. Mas, seria correto? Para responder a essa questão seria preciso repetir aqui o Paradoxo de Epicuro para nos lembrarmos o que é Deus:

Ou Deus quer eliminar o mal e não pode; ou pode e não quer; ou não pode nem quer; ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente, o que não corresponde a Deus; se pode e não quer, é mau, o que é estranho a Deus. Se não pode nem quer, é ao mesmo tempo impotente e mau, logo não é Deus. Se quer e pode, o que corresponde somente a Deus, de onde então vem o mal ou por que Deus não o suprime? (Epicuro)

Livre Arbítrio, esta seria a resposta para a questão de Epícuro. Podemos acusar a Deus, mas, se Deus é bom, inteligência suprema e força primária de todas as coisas, podemos pensar: Que tipo de Deus permitiria este massacre diário que se torna ainda mais voraz no Natal, nascimento de Jesus?

Segundo a resposta do Espírito , quando os legisladores proibiram determinados alimentos alegando ordens divinas, o fizeram em beneficio próprio, contudo, hoje muitos de nós fazemos o mesmo ao atribuir ao Livro dos Espíritos a permissão para o extermínio de animais . Tais como os antigos legisladores hoje nós nos escondemos atrás de “leis divinas” para permitir que os animais sejam abatidos, tudo em benefício próprio. Por isso a necessidade de rever esses antigos conceitos que durante anos acabaram por sedimentar hábitos que se apropriam de vidas alheias com total naturalidade. Muitas podem ter sido as razões que levaram a proibição da alimentação, teníase, intoxicações, alergias e uma infinidade de outras doenças, porém, em nenhum momento recebemos a habilitação Divina para matarmos outros animais, façam eles bem ou mal a nossa saúde.


Referências 

Allan Kardec – Livro dos Espíritos e Revista Espírita -Jornal de Estudos Psicológicos -ANO IX JANEIRO de 1866 Nº1

Tomatoes Lore and Legend http://homecooking.about.com/od/foodlore/a/tomatolore.htm

The Problem of Evil(Paradoxo de Epícuro) http://plato.stanford.edu/entries/evil/


Simone Nardi



Redação do blog Irmão  Animais- Consciência Humana



Este artigo pode ser lido no site da Feal.


Imagem de Maria, Mãe de Jesus e de todos nós : SirioArt






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