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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Relação entre Filosofia e Religião: Confronto entre fé e razão

Aristóteles

Há muito que o confronto entre fé e razão ocorre, não foi privilegio apenas da antiguidade, mas é um embate que ainda hoje é provocativo, no entanto, talvez o mais feroz confronto tenha realmente ocorrido quando do surgimento do cristianismo, pois ele veio para modificar de forma mais contundente a visão dos povos sobre a existência de um Deus. Os deuses gregos erravam tal como seus filhos humanos e a razão não permitiria que se adorasse alguém com os mesmos problemas e defeitos; o cristianismo vem então criticar a postura desse deus, mostrando um Deus que ama aos homens, um Deus perfeito e infalível.

Contudo, como firmar o cristianismo num terreno onde inúmeras outras religiões já coexistiam e fazer dele uma religião superior as demais? A razão filosófica em seu início exigia respostas que até então a fé cristã não conseguia dar a não ser através da Revelação, por isso os textos apologéticos criticavam os filósofos colocando-os como pessoas que nunca conseguiram alcançar aquilo que tanto buscavam.

Era, porém ineficaz argumentar-se contra a filosofia sem levar-se em conta toda a tradição filosófica e uma reaproximação entre filosofia e religião se tornou necessária, afim de fortalecer o pensamento cristão e embasar o que antes surgiam como dogmas apenas. Fé e razão se cruzaram pelas mãos de Santo Agostinho pois que, separadamente, nenhuma delas conseguia responder a todas as questões e criou-se uma “relação de mão dupla “ entre filosofia e religião. Thomas de Aquino, utilizou-se da filosofia de Aristóteles para embasar a religião e chegou a quase, “cristianizar” ,o filósofo nesse trabalho de união entre fé e razão, onde sempre a Fé, deveria ser a primeira a ser escolhida diante de um impasse entre Fé e Razão.

“ Qualquer pessoa por uso da  sua Razão, pode chegar a conclusão de que há uma causa primária, que Deus existe.”[1]

Foi durante a secularização que a religião perdeu seu papel principal na sociedade, esvanecendo-se a ideia de que a filosofia era a serva da teologia, pois na secularização a razão vem em primeiro lugar.

Heidegger

Com o passar dos anos, ocorre novamente um retorno a religião, pois a neutralidade dela na sociedade não melhorou o mundo, outras questões são levantadas e Heidegger surge com uma teoria para muitos problemas enfrentados por teólogos e filósofos : O Ser

O que é o Ser dentro da religião e da filosofia?

Para Heidegger houve uma confusão entre o ente e o ser, o que ele chama de onto-teo-logia; ele não nega a existência de Deus, porém também não a afirma, o que faz é mudar a questão - “Deus existe?”- pela - O que é o ser, o que é ente?- sendo assim não é possível através da metafísica formular a questão da existência de Deus, é necessário reconhecer a diferença entre Ser e Ente, criando agora a ruptura entre ontologia e teologia.

“ A questão do ser significa de início a questão do ente como ente[2].”

E Heidegger vai retrabalhar toda a questão do ser e do tempo, pois não é possível tratar a questão do ser sem levar em consideração a finitude humana diante do tempo, ou seja, o tempo só existe no homem, não existe em Deus.

“ Esse é o grito de Heidegger contra a metafísica tradicional que viveu iludida pensando estar tematizando o ser, quando na verdade estava tematizando o ente.”[3]

Pois na tradição filosófica a pergunta sobre o ser recebe uma resposta como ente, que seria Deus, e é essa ruptura entre ser-tempo e ente-atemporal que Heidegger faz , distinguindo o que é somente fé, do que é somente razão.

Perispíritos

E hoje, não podemos nos ater somente a dois conceitos, mas urge que utilizamos a Ciência como método de tese, antítese e síntese.

A alma existe?

Os animais tem alma?

Através da alma é que os animais são sencientes?

Não é mais necessário o confronto, mas a união para que se reforce a ideia de que sim, os animais possuem alma, são sencientes e merecem nosso respeito. Pensar o contrário é ir realmente na contramão da Fé, da Razão e da Ciência.


Simone Nardi

Notas:
[1] citação em aula , prof. Frederico Pieper 24/02/2009
[2] citação em aula , prof. Frederico Pieper 24/02/2009
[3] Deus na filosofia de Heidegger  - Reginaldo José dos Santos

Referências
PIEPER, Frederico, citação em aula
SANTOS, Reginaldo José dos-  Deus na filosofia de Heidegger  : Disponível em : http://www.revistatheos.com.br/Artigos%20Anteriores/Artigo_01_02.pdf. Acesso em 19/03/2009


Para Ler mais:


A religião, o ateísmo e os animais






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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Tu tens fé, e eu tenho obras

 

Mãos:Deus e o homem

 

 

Mostra-me a tua fé

sem obras e eu te mostrarei a minha fé 

pelas minhas obras.

Tiago




Todo esclarecimento tem como premissa a eliminação do misticismo e dos dogmas que nós mesmos vamos construindo ao longo da vida .

Em artigo anterior (Sem ação a oração é inútil e estéril) , falávamos das ideias que as pessoas geralmente dogmatizam de que , ao verem um animal em dificuldade, se orarem para Francisco de Assis  ele, o Santo, resolverá o problema do animal.

Cão deixado para morrer em exposição de "Arte"
Vamos então dar uma lida na "Epístola  de Thiago" 

14. De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo?

15. Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano,

16. e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos,
mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?

17. Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma.

18. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé
sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.

19. Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios creem e tremem.


Tiago, embora se referisse, em sua Epístola ao bem que se deveria fazer a  outro ser humano  é bem claro ao dizer que de nada nos servirá orar se não oferecermos , aquele que necessita, agasalho ao estômago e ao corpo.

Fêmea abandonada e desnutrida
Quem de nós, em grande dificuldade preferirá apenas a oração que sai dos lábios ao invés da mão que auxilia, abriga e aquece o coração?

Algumas pessoas dirão: "Ah , mas orar é tudo o que eu posso fazer, não tenho lugar para abrigar o animal ferido ou faminto, não tenho espaço para ele em meu lar, não posso fazer nada além de orar a Francisco para que ele acolha o animal." 

Será?

Faça o que puder, com o que tiver, onde estiver. 
Theodore Roosevelt


Por quê insistimos em dizer que devemos agir ao invés de apenas orar?

Porque somos todos responsáveis pela vida uns dos outros.Porque se determinado animal surgiu em nosso caminho não o fez por acaso. Porque se lhe virarmos as costas sabemos que dez, vinte, trinta outras pessoas também o farão e só não o fará aquela que está sobrecarregada de trabalho.

Nina, filhote de SRD recolhido das ruas
Os animais, no plano espiritual, são sim "objetos" de atenção da espiritualidade , como nos coloca Emmanuel:

O Consolador – Emmanuel -  Francisco Cândido Xavier


78 – A Zoologia é também objeto de atenção dos planos espirituais?  – Sem dúvida, também a Zoologia merece o zelo da esfera invisível, mas é indispensável  considerarmos  a  utilidade  de  uma  advertência  aos  homens,  convidando­ os a examinar detidamente os seus laços deparentesco com os animais,  dentro das linhas evolutivas,sendo justo que procurem colocar os seres inferiores da vida planetária sob o seu cuidado amigo.  Os  reinos  da  Natureza,  aliás,  são  o  campo  de  operação  e  trabalho  dos  homens, sendo razoável  considera-los mais sob  a sua responsabilidade  direta  que  propriamente dos Espíritos, razão por que responderão perante as leis Divinas pelo  que fizerem, em consciência, com os   patrimônios da natureza terrestre. 

Emmanuel deixa claro que os animais, em matéria,estão muito mais sob nossa tutela do que sob a tutela dos Espíritos; é fácil compreender o que dizemos, basta fazer um exercício de Alteridade (colocar-se no lugar do outro) toda vez que defrontar-se com um caso onde orar seria a primeira opção.

Lhes pesa a consciência agora?

Provavelmente sim, pois durante séculos usamos a oração apenas como recurso para aliviar o peso do remorso por nunca estendermos as mãos, por buscarmos desculpas ao invés de praticar o auxilio.

Sim, sabemos que realmente existem casos em que não podemos recolher o animal, mas podemos tentar alimentá-lo, saciar-lhe a sede, afastá-lo do perigo , ou seja, fazer o que puder, com o que tiver e onde estiver, mas jamais podemos virar as costas e dizer a Francisco:

"De um jeito de cuidar desse animal."


Até que ele recorra a outra pessoa pode ser tarde demais para aquele que necessita de cuidados....





Simone Nardi e Ricardo Luiz  Capuano







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