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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Do Triste Duque ao Feliz Bidu




Vovó Aninha , a flor mais linda que já enfeitou meu jardim e hoje enfeita o céu , também amava os animais .


Vovô Delduque , mais conhecido como Duque , seu companheiro de uma vida toda , também nutria amor pelos bichinhos .

Eles ajudaram na minha criação e faziam questão de me ensinar a respeitar todos os seres vivos .

Certo dia ,  em visita a uma sobrinha de vovó , ela me relatou estar preocupada com o Duque , o cachorrinho idoso de uma vizinha que fora atropelado e que a dona o abandonara no quintal  em meio a dores , fome , sede e muito frio .

Ao ouvir tal relato , fui até a casa da tal vizinha e me deparei com uma cena deprimente e cruel . Duque estava jogado no fundo do quintal , sem nenhum tipo de assistência e  minha prima não exagerou em nada , ele tremia , chorava e sequer levantava a cabecinha pra me olhar .

Depois de um resgate complicado , pois sua dona não cuidava dele e não permitia que outras pessoas o fizessem , o levei pra uma clínica veterinária .A profissional foi o olhando e dizendo que era necessário fazer eutanásia .

Me posicionei contra , pois só concordo com tal procedimento em casos extremos e apesar da gravidade do caso dele , não achei que sua hora havia chegado .

E lá vai eu olhar pro céu e pedir orientação ... a ajuda veio em forma de brisa e soprou no meu coração .

- Não permita que matem o Duque ! Salve-o !

Da janela da clínica ,  olhei novamente pro infinito e perguntei :

- Vovô , é o Senhor ? É o Senhor que está me falando isto ?

E eu que chorava copiosamente porque não queria que meu "filhinho" morresse , comecei a sorrir , aí estava a resposta ...

O tirei de lá e fomos a outra clínica .

A nova veterinária  o operou e a operação foi um sucesso , só que ela me disse que ele não andaria mais .

Eu sabia que ela estava enganada  , pois quem o enviou pra mim , o ajudaria até o fim .

Encomendei uma cadeirinha de rodas , sabendo que nunca ia usá-la .

Eu mesma fazia fisioterapia nele e aproveitava este tempo pra conversar e explicar que ele precisava acreditar em mim , que eu ia ajudá-lo a ser feliz , a viver uma nova vida rodeada de amor e carinho , que o passado triste de abandono e maus tratos não mais existia ...

Devido a seu enorme sofrimento , Duque era muito melancólico , ficou seis meses sem latir , tinha medo de tudo , assustava a toa , mas fui conversando , fui amando , fui dedicando , fui ajudando , até que a cadeirinha de rodas ficou pronta .

Expliquei  que ele não precisava dela , que podia andar sozinho ............ E ELE ANDOU !

Sim , Duque acreditou nele mesmo e em mim , ANDOU , LATIU E SORRIU !!! Ele não precisou da cadeirinha porque sentiu que era capaz de ser independente e feliz ! 

Sua história mudou , inclusive o nome , hoje ele é Bidu , o cachorrinho mais amado do mundo .

Bom , em uma outra conversa com a sobrinha da vovó Aninha , fui surpreendida por mais informações .

Quem maltratava o Duque , era a filha da verdadeira dona dele ,a Dona Tunica que o adorava , mas que havia falecido o deixando nas mãos da filha que não gostava dele .

E Dona Tunica foi amiga de vovó . E antes de fazer sua passagem , vovó todos os dias passava perto da casa dele no mesmo horário , que ficava a aguardando, pois ela sempre comprava um pastel para ela e dividia com ele .

Quer dizer então que as duas se encontraram no céu  e articularam pra eu salvá-lo ?

Sim , foi isto que aconteceu !

Como eu sei disto ? Já perguntei e ele me confirmou .

Obrigada Vovó Aninha , Vovô Duque e Dona Tunica por me confiarem esta missão !  Venci com muito amor , dedicação e ajuda de vocês ! E vovô volta a ser o único Duque da minha vida , pois meu "filho" agora é o Bidu .

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Sofrimento dos Animais: de quem é a Culpa?




Sabemos que o sofrimento dos animais é um tema que comove, intriga, causa revolta e aguça a curiosidade daqueles que se interessam pelo bem estar geral dos animais.

Embora a resposta a questão :  Por que sofrem os animais? ; seja tão cristalina e evidente, constantemente empreendemos uma busca distante do agressor para encontrarmos um culpado a altura do sofrimento que assistimos, buscamos sempre encontrar Um Culpado que consiga tranquilizar nossa consciência.

A grande maioria culpa Deus utilizando-se das mesmas razões milenares : 

"Ele ama somente os seres humanos."

"Ele pune uns e poupa outros"

"Ele é cruel".

E são tantos Ele é isso ou Ele é aquilo , isso quando Ele sequer existe, sua Não existência é o que causaria o sofrimento dos animais, ou seja, de qualquer modo só há um culpado para o sofrimento animal e seu nome é : DEUS.

É sempre bem mais fácil e comodo culpar um Ser no qual , primeiramente não se acredita e posteriormente, que não reclama de ser acusado de algo. Se um trem bateu porque o maquinista  ou seus controladores falharam e milhares de pessoas morreram logo surge a Frase : Por que Deus não fez nada?

Ora porque uma outra parcela da população também alega que Ele não existe e não existindo, inclusive para alguns que se encontravam no trem, o que Ele poderia fazer? Mas existindo e nada fazendo, Ele repentinamente se torna um Ser cruel.

Não existe escapatória para Ele.

Mas aí eis que surge outro grande problema. Alguns que alegam que Deus não existe o fazem porque afirmam que se Ele, caso existisse, não permitiria tanto sofrimento , não permitindo que sob seu reino existisse tanta dor.


Mas existem tantos filhos humanos que cometem atrocidades bestiais mundo afora. 

Concordamos que alguns são filhos de pais realmente ausentes, que pouco se importam com os caminhos que o filho seguir já que também eles estão perdidos no Mundo, mas há outros porém que são filhos de pais devotados e amorosos, que tudo fazem para o bem estar do filho, que de todas as formas lutam para que aquele filho, hoje criminoso e causador de sofrimento, retorne ao caminho do bem, muitas vezes sem sucesso.

O que dizer a respeito disso? 

Que quando erramos, seja muito ou seja pouco, a culpa sempre será de nossos pais : ou por não se incomodarem com o rumo que tomamos ou por , mesmo amorosos, nos permitirem a confiança do Livre Arbítrio, a confiança de que como seres do Mundo temos o total direito de escolher para onde rumar, independente de seus valorosos conselhos?

Seria mesmo perfeito se não existisse um Deus, pois assim os seres humanos olhariam sua crueldade para com os animais por um outro ângulo, veriam sua bestialidade incessante realmente desvelada.

Eles deixariam de se endeusar como se aqueles que hoje cobram e apontam para um único culpado, nunca antes em suas vidas houvessem cometido qualquer delito contra os animais. Porque hoje, do lado que julgam ser o Bem, ele se vê na condição de culpar a quem - ainda - não pensa como ele.

Assim começam os fanatismos. 

Vagarosamente, procurando um culpado para que sua "Causa" possa existir, procurando diferenças que sempre irão existir e com dedos em riste sempre explosivos, zangados, vingativos e revoltados, cuspindo ódio ao invés do amor:

"Se não for da minha religião, não presta"

"Se não for ateu, não presta"

"Se não for vegetariano, não presta"

E vamos colocar que, ao contrário do que muitas pessoas repetem como papagaios :

"Se não vier pelo amor, vem pela dor"

O esperado é que se venha sempre pelo amor. Sempre é mais benfazejo conquistar um coração pelo amor, jamais pela dor.

A vida só é injusta quando a esperança morre, quando o amor desaparece, quando se vive no fanatismo cego de que só minha palavra é lei.

Os animais sofrem sim, porque muitos que hoje lutam por eles já comeram suas carnes, já lhes devoraram as entranhas, já os ignoraram um dia.

Sofrem porque muitos de nós já nos mantivemos por anos a fio cegos as suas súplicas, tais como os que hoje ainda os ignoram. E os animais sofrem mais ainda para nos mostrar o que somente HOJE conseguimos enxergar;

"Cegos guiando cegos, ambos cairão no abismo"



Deus não é o culpado pelos erros humanos nem pela dor dos animais, existindo ou não.

Os animais sofrem e continuarão sofrendo enquanto não formos capazes de mudar e sobretudo de amar, não em nome de Deus, nem em nome de nossa saúde, mas por respeito à eles mesmos.

Àqueles que creem, fiquem com Deus.

Aos amigos ateus, fiquem em paz.


Simone Nardi


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terça-feira, 14 de maio de 2013

A criminologia e o maltrato animal

Por Loren Claire Canales (da Redação do ANDA)

“Embozalado” (Amordaçado), obra de Daniel Segura Bonnet, artista colombiano.

Em um interessante artigo reproduzido esta semana nas redes sociais, Laurent Bègue, professor de Psicologia Social na Universidade Pierre Mèndes-France de Grenoble, se refere ao maltrato animal como um novo medidor que está servindo a criminologia internacional para analisar a extrema violência que o ser humano pode desenvolver no meio social.

Maltratar um animal é, em muitos casos, a consequência de uma frustação ou de um trauma e é um comportamento que se adquire durante a infância. Pode se desenvolver também na adolescência. O maltrato animal nasce no seio familiar ou escolar e pode se transformar em um comportamento anti-social.

O maltratado e em especial o maltrato aos animais de companhia está presente em qualquer grupo humano, pois as crianças assim como os animais domésticos são os primeiros catalizadores de nossas frustrações.

No entanto, em nossa época, o maltrato animal chegou a um nível considerável de tortura. Um exemplo disso é a denúncia que um colaborador do Soyperiodista.com fez há pouco tempo. “Os animais importam”, publicado dia 03 de maio e que se referia ao caso de um homem em Ibagué (Tolima, Colômbia), que matou um cachorro segurando pela cauda e lançando o animal violentamente contra o chão.

A violência contra os animais é mais frequente do que imaginamos, ainda que uma proteção para não vê-la e não sofrê-la seja a de tomá-la como uma violência banal: “são somente animais”.

Os atos de crueldade contra os animais falam muito sobre a personalidade de quem os comete. Esse tipo de crueldade pode variar desde golpes até a retirada da pele dos animais ainda vivos (cachorros e gatos pequenos), sem contar a utilização para fins sexuais a que são submetidos.

Essa relação de violência do homem com o animal impulsionou os pesquisadores de criminologia a tomá-la como um medidor fiável do grau de violência em indivíduos que cometeram ou que podem cometer crimes e outros delitos graves.

Psiquiatras e especialistas em Psicologia Social da Universidade do Pacífico, na Califórnia, comprovaram, por exemplo, que 45% dos autores de nove massacres cometidos em escolas nos Estados Unidos durante os últimos 20 anos haviam praticado atos de barbárie contra seus animais domésticos.

O professor Laurent Bègue cita um estudo que merece atenção, é o caso que aconteceu após o massacre na Escola de Columbine, Colorado, dia 20 de abril de 1999.

Os criminologistas constataram que Eric Harris e Dylan Klebold, os dois estudantes que mataram 12 de seus colegas de escola, um professor e feriram mais 20 pessoas antes de cometerem suicídio, haviam confessado que quando eram crianças gostavam de praticar mutilações e provocar sofrimento aos seus animais.

O professor Bègue se refere a outros dois casos: “Em um estudo retrospectivo realizado em uma prisão com 36 autores de assassinatos, 36% deles admitiram ter matado ou torturado animais durante a infância e 46% cometeram atos de crueldade durante a adolescência. Em outro estudo realizado em um meio carcerário com 180 presos, Brandy Henderson, da Universidade do Tennessee, comprovou que os atos de violência contra animais que os detidos declararam haver cometido eram particularmente frequentes”.

Tipos de maus-tratos que os detidos praticam com os seus animais ou com outros animais:

- afogamento (17,5%);
- espancamento (82,5%);
- disparos (33,0%);
- pontapés (35,9%);
- estrangulamento (17,5%);
- queimaduras (15,5%);
- utilizam para fins sexuais (22,3%)


A crueldade com os animais segundo Franck Ascione, da Universidade de Denver, é um comportamento socialmente inaceitável, pois o intuito do torturador é causar dor, sofrimento, angústia e/ou morte do animal por puro prazer.

A psiquiatria permite afirmar que os atos de crueldade cometidos por uma criança podem revelar uma precoce predisposição para desenvolver condutas anti-sociais. Uma criança torturadora de animais é suscetível a ter problemas com a justiça quando for adulta.

As razões que levam um indivíduo a maltratar um animal

Os americanos Stephen Kellert e Alan Felthous, das Universidades de Yale e do Texas, citam oito razões que levam um indivíduo a maltratar ou torturar os seus animais domésticos:
1-      Controle: o animal é golpeado para que não continue manifestando comportamentos indesejados (latir, saltar, brincar…);

2-      Castigo: aplicar um castigo extremo para que não volte a repetir algum hábito incômodo (ensujar ou vomitar em lugares que são proibidos para ele);

3-      Falta de respeito: Está relacionado a preconceitos culturais. É quando uma pessoa acredita que pode maltratar ou negligenciar um animal já que sua condição de inferioridade não o faz merecedor de nenhuma consideração;

4-      Instrumentalização: Utilizar os animais para “dramatizar” a violência, é o caso das rinhas de cães;

5-      Amplificação: o animal é utilizado para impressionar, ameaçar ou ferir uma pessoa. Aqui se verifica a transferência da violência humana contra o animal;

6-      A violência como provação ou como exemplo: Maltratar um animal perante um grupo com a finalidade de fazer com que os seus membros se convertam em testemunhas de uma forma de superioridade do agressor. O indivíduo também pode torturar por diversão;

7-      Vingança: O indivíduo agride um animal para vingar-se de seu proprietário;

8-      Por deslocamento: O animal é maltratado porque o indivíduo não tem a possibilidade ou é incapaz de maltratar quem lhe provocou uma frustração ou uma decepção. Não consegue fazê-lo porque tem medo ou porque a pessoa é inatingível. É o caso do empregado que espera uma promoção e que na impossibilidade de tê-la, regresa a casa e dá pontapés em seu animal doméstico.


A análise do professor Laurent Bègue nos leva a concluir que a tortura contra os animais nasce de uma má qualidade de vida. Os animais pagam pela nossa dificuldade para viver, pagam por serem testemunhas inocentes da nossa própria mediocridade.


Fonte: ANDA 




* O artigo saiu logo após o espancamento de  um filhote de poodle, o que causou indignação à muitas pessoas, mas não podemos nos esquecer também, que dentro dos frigorificos e granjas, trabalhadores cometem as mesmas atrocidades e dessa vez com a nossa permissão, pois pagamos a eles para que matem/maltratem os animais, que será consumido posteriormente.Não podemos nos indignar somente quando é um cão, mas devemos nos indignar pelo ser vivo que sofre, seja cão, gato, boi, galinha ou suino.




Redação do blog Irmão  Animais- Consciência Humana