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segunda-feira, 20 de março de 2017

Os animais também possuem livre arbítrio






O homem, apesar das regras sociais e dos outros tipos de restrições, goza de livre arbítrio. Segundo pesquisadores, os animais também, desde as moscas até os mais evoluídos.
Claro que a ideia de “livre arbítrio” precisa ser redefinida. Entre os animais, o processo é semelhante, não idêntico.

Os animais têm sempre uma variedade de opções disponíveis para eles. Essas “escolhas” se encaixam numa probabilidade complexa. Entre os seres humanos, as escolhas são vistas como decisões conscientes. E nos animais?
Foi estabelecido há muito tempo que o “comportamento determinístico” – a ideia de que um animal provocado de tal forma vai reagir com a mesma resposta toda vez – não é uma descrição completa do comportamento animal.
Segundo os pesquisadores, mesmo os animais mais simples não são previsíveis. No entanto, a ausência de determinismo não sugere um comportamento completamente aleatório também – é por isso que a pesquisa mostra que o comportamento animal não é nem totalmente restrito, nem totalmente livre.
Experimentos com moscas revelaram que, embora o comportamento animal possa ser imprevisível, as respostas parecem vir de uma lista fixa de opções. Os cientistas acreditam que o livre arbítrio seja uma propriedade biológica, um traço de personalidade: o cérebro possui a liberdade de gerar comportamentos e opções.
O mecanismo exato pelo qual os cérebros de todos os animais produzem essa liberdade continua a ser uma questão sem resposta convincente.
Os pesquisadores utilizaram modelos matemáticos para simular a atividade do cérebro em um computador, descobrindo que o que funcionou melhor foi uma combinação de comportamento determinístico e um outro comportamento conhecido como estocástico (que parece aleatório, mas na verdade, segue um conjunto definido de probabilidades).
Essa “estocasticidade” mostra-se, por exemplo, em terremotos. Eles não podem ser previstos com precisão, mas ao longo do tempo se pode perceber que eles se encaixam perfeitamente em uma curva.
Tal como acontece com o comportamento animal, há uma ordem subjacente e a probabilidade de um processo que pode aparecer ao acaso. Segundo os pesquisadores, a probabilidade é a melhor descrição para a “livre escolha animal”, já que lidamos com a situação de que animais não pensam.
Ao pensar, os seres humanos têm todas as opções e, teoricamente, todas as opções têm a mesma probabilidade. Mas na vida real não é bem assim. Existem opções com probabilidades extremamente raras. Os pesquisadores também afirmam que os cérebros podem criar mecanismos que transtornem o elemento probabilístico do comportamento, dependendo da situação em mãos.
Os cientistas acreditam que o livro arbítrio animal seja resultado de uma evolução. A variabilidade que é inerente ao comportamento é um pré-requisito para a sobrevivência em um ambiente competitivo.
Ou seja, um predador não deve ser sempre capaz de adivinhar as ações de sua vítima, mas as ações não devem ser tão aleatórias que incluam opções ainda mais perigosas do que o predador.
No mundo da neurobiologia, a ideia tem certo apoio. Porém, são necessários mais resultados experimentais que correspondam aos modelos matemáticos.
Ainda assim, o debate sobre livro arbítrio é muito mais complexo, e a discussão atual não aborda temas como a consciência, as suas origens, ou se os animais a compartilham.
O livre-arbítrio, como descrito neste estudo, vem com um significado geral, um pré-requisito necessário, mas não está nem perto de ser suficiente para lidar com coisas como moralidade e responsabilidade. Ainda assim, lembram os cientistas, sem essa capacidade muito básica de escolher entre as opções, nós não teríamos que pensar em todas as outras coisas que vêm antes: consciência, educação, etc. [BBC]


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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Problemas No Gmail/Blog


A todos os amigos


Estamos retornando as nossas atividades no Blog/Gmail, devido a falta de espaço , ficamos com sérios problemas para receber emails e acessar o blog, mas já descobrimos o erro(nosso por sinal e não do Gmail) e resolvemos.

Estamos atrasados nas respostas, sabemos, e nos artigos (tanto os nossos quanto aqueles que nos faram enviados) , pedimos desculpas e prometemos nos acertar aos poucos.

A volta é sempre mais difícil que o inicio, e o horário/ tempo não tem auxiliado, já que somente eu estou cuidando do blog agora.

Não vamos desistir nunca, aqueles que nos enviaram seus artigos saibam, já foram lidos e serão postados, aqueles a quem demoramos a responder, lamentamos nosso descuido e contamos com o auxilio de todos para fazer este trabalho prosseguir.


Grata sempre pelo apoio de vocês
Lamentamos a demora


Simone Nardi



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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Racionalidade Irracional- José Saramago


Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a razão a nossa espécie. E o instinto serve melhor os animais porque é conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terríveis entre animais, o leão que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso coração sensível dirá «que coisa tão cruel». Não: quem se comporta com crueldade é o homem, não é o animal, aquilo não é crueldade; o animal não tortura, é o homem que tortura. Então o que eu critico é o comportamento do ser humano, um ser dotado de razão, razão disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria sê-lo e que não o é; o que eu critico é a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno. 
Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos, são adoráveis, mas deixemos que cresçam para sabermos quem realmente são. E quando crescem, sabemos que infelizmente muitas dessas inocentes crianças vão modificar-se. E por culpa de quê? É a sociedade a única responsável? Há questões de ordem hereditária? O que é que se passa dentro da cabeça das pessoas para serem uma coisa e passarem a ser outra? 
Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas, essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar (se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons para se alcançar aquilo que se quer. 
Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas grandes angústias. 



José  Saramago, do Livro 'Diálogos com José  Saramago"


* O trecho inicial deste artigo foi citado na Palestra que ocorreu no GFFA sobre o Manifesto da Consciência Animal, no dia 04/08/2012.




Redação do blog Irmão  Animais- Consciência Humana