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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Trabalho Voluntário (Espírita ou não)



Voluntário dá agua a um coala após incêndio

(Sandra)




Sem dúvida, as cenas de socorro e salvamento, onde voluntários se expõem a perigos de toda a sorte para salvar outras vidas – é simplesmente EMOCIONANTE!

Estes resgates nos incêndios, inundações, guerras, desmoronamentos, abalos sísmicos, etc em que atuam os Ativistas do Bem, não raro levam os espectadores às lágrimas de aflição, enquanto não chega o final feliz do salvamento.

Arriscando suas vidas, o que menos importa, nestes momentos, para quem é salvo, é saber qual a religião professada pelo seu salvador, se é que professa alguma.

Gatinho sendo alimentado por voluntário
Na tentativa destes resgates arriscados, quantos salvadores perecem abraçados aos seus libertados, mantendo no rosto a luminosa expressão de sua intenção abnegada, os consagrados heróis, ainda que mortos.

No geral até compreende-se que um homem arrisque a sua vida para salvar outro de sua espécie, porém quando se trata  de considerar a importância do salvamento de um animal, as opiniões se dividem.

Heróis humanos, não raro, se atiram em águas geladas de rios ou mares turbulentos para salvar, às vezes, a vida de um cão sarnento e anônimo ou escalam prédios em chamas para recolher o bichano de ninguém que a ninguém faria falta... Mas nem todos o apóiam.

O que leva um determinado indivíduo a se destacar  da multidão que apenas observa, e investir na direção do perigo, talvez nem mesmo ele explique. Porém fará a diferença para a vida salva, seja ela a de um humano ou não.

Rapaz se joga no rio para salvar cão
Entidades Voluntárias de Proteção Animal, no mundo inteiro, não se surpreendem com esses salvamentos, para elas, corriqueiros em que denodo, coragem, estoicismo e compaixão são o pão de cada dia na tentativa de representar a espécie humana no seu lado mais nobre e belo.

Quando escalam muros de propriedades particulares, destruindo laboratórios de vivissecção e tortura de animais, resgatando-os, das jaulas e gaiolas, onde eram supliciados, diariamente,  são considerados apenas foras da lei e, por isso, perseguidos e sentenciados na forma da justiça, por invasão de domicílio e dano ao patrimônio público.

Sem querer polemizar o demérito dessas ações abolicionistas, diante das autoridades constituídas, destaque-se o móvel dos atos revolucionários e ilegais, considerados, segundo os Ativistas, as atitudes mais adequadas diante da crueldade testemunhada contra criaturas em cativeiro para exploração, sofrimento e morte.

Exauridos todos os recursos e apelos às autoridades, optaram pelo extremismo de práticas “ilegítimas”, fiéis a si mesmos e àquelas vidas pelas quais se consideram, diante de Deus, os responsáveis mais diretos.

Certos ou errados, o fato é que Terráqueos parecem haver chegado a um ponto evolutivo em que não é mais possível permanecer sobre o muro das opiniões dúbias, dos pareceres sem preferência definida porque, a neutralidade, em se tratando de julgar sentimentos altruístas, é perigosa indefinição, prejudicial ao Progresso da vida em si mesma.
              
Impossível será, para espíritas ou não, desconsiderar as intenções de quem quer que se defina no rumo do auxílio ao próximo, afrontando os riscos e perigos que isso possa acarretar, doa quem doer.

Filhote de cão
Fôssemos, um de nós, aquele que por detrás das grades  aguarda braços resgatadores de amigos e irmãos e o sol, brilhando forte lá fora, apagaria todo o questionamento sobre a origem e conveniência deles, porque a felicidade possui esta magia de enxugar lágrimas sem nada perguntar a quem chora; e, quem se liberta de injusto cativeiro, encontra, na liberdade, todas as respostas e ressarcimentos.

Estes exemplos podem ser pensados, caso não possam ser seguidos:


 

Ativistas pelo direito dos animais resgataram 50 beagles de um criadouro que destinava os cachorros para experimentos científicos . O fato ocorreu no criadouro Green Hill que tinha cerca de 500 cães e fica na cidade de Montichiari, na Itália.
Sentença: 30 anos de prisão. Um grupo de 38 chimpanzés mantidos em cativeiros num laboratório austríaco foi resgatado ao fim de uma batalha judicial de 14 anos. Os primatas não viam a luz do dia há 30 anos. Os animais eram propriedade de um laboratório desde 1981, tendo sido separados dos progenitores assim que nasceram. Durante três décadas foram infectados com vírus da Sida e hepatite, como cobaias. Assustados, os chimpanzés mostram-se satisfeitos, rindo-se e abraçando-se. -parceirosdaverdade.blogspot.com 



 Lembrando o artigo 150, §3º, inciso II, do Código Penal: “Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências: a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser“.

www.garranimal.com.br (Grupo de Ação, Resgate e Reabilitação Animal)
www.soama.org.br (Sociedade Amigos dos Animais)
www.msf.org.br (Médicos Sem Fronteiras)






   
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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Regras, Leis, Direitos

Beagles do Instituto Royal

Nas últimas semanas temos ouvido algumas pessoas falarem em regras, em leis, e direitos. O caso marcante do instituto Royal, com o uso de animais – não apenas Beagles- na experimentação tentou a todo custo deixar velado o que realmente é a experimentação animal.

A primeira vista, ao menos é o que garantiam os diretores do IR, eles andavam dentro das regras e seguiam as diretrizes da lei, portanto possuíam todo direito de utilizar os animais em suas pesquisas.

Muita gente, inclusive jornalistas, embarcaram nessa onda de “se está tudo dentro das regras e das leis eles tem mesmo direito”.

Será?

Regras e leis dão ao cidadão o Direito de dispor da vida de outro? Regras, leis e Direito isentam o outro de sofrer, só porque foram feitas para permitir que se disponha de seus corpos?

Lembremos que a guerra, que mata inocentes também possui suas regras, leis e direitos, e que a morte numa guerra, desde que dentro deste três conceitos, não é considerado assassinato.

A própria Convenção de Genebra estabelece regras, leis e direitos de como “matar” com menor sofrimento a fim de diminuir os tais efeitos colaterais, que seriam na verdade a morte de civis inocentes, entre eles mulheres, crianças e velhos. Ou seja, é também um conjunto de regras que visa diminuir, limitar, não banir, os efeitos de uma guerra. 



Imagem: Macacos para experimentação


Você pode atirar em seu inimigo, isto está dentro das regras de guerra, você pode prendê-lo, pode abater seus avião, mas não pode passar com um tanque de guerra por cima dele, nem privá-lo de alimento e água, nem torturá-lo, isso já seria, pelas regras, considerado um crime de guerra. Mas nós todos sabemos ocorre não apenas isso, mas estupros, torturas, assassinatos brutais e que ficam todos muito bem velados pelos governos envolvidos.


O caso mais recente de crime de guerra está sendo o caso dos EUA e seus Drones que, em busca de pacificar e exterminar o “terrorismo”, tem eliminado centenas de inocentes, espalhando seu terrorismo particular por onde sobrevoa.No entanto a Convenção de Genebra é clara ao dizer que:


Protecção da população civil

1 - A população civil e as pessoas civis gozam de uma protecção geral contra os perigos resultantes das operações militares. Com vista a tornar essa protecção eficaz, serão observadas em todas as circunstâncias as regras seguintes.

2 - Nem a população civil, enquanto tal, nem as pessoas civis deverão ser objecto de ataques. São proibidos os actos ou ameaças de violência cujo objectivo principal seja espalhar o terror na população civil.

3 - As pessoas civis gozam da protecção atribuída pelo presente título, salvo se participarem directamente nas hostilidades e enquanto durar tal participação.



Porém não é o que vimos nas guerras passadas, nem o que vemos nos atuais ataques com Drones.

Mas o que tem a ver crimes de guerra com o caso do IR?

Tudo.

Em diversos canais os diretores no IR vieram, assim como o EUA tem feito, alegar que todo o processo que ocorre está dentro das regras e obedecendo a leis que foram escritas, dando-lhes assim, todo o direito de fazer o que fazem.

Uma dúvida ainda nos atormenta: o que é feito dentro das regras, da lei permite mesmo o direito de dispor de outras vidas?

É óbvio que não;

Vamos primeiro analisar o caso de uma guerra.

Só se chega a uma guerra quando não se consegue fazer ouvir ou não se ouve o outro. Só se chega a uma guerra quando os interesses de um, se sobrepõe aos interesses do outro. 
Toda guerra mata mais inocentes do que “culpados”.

Como querer regular algo que tem por princípio a Morte?

Não seria cômico dizermos em alto e bom tom –pois tudo isso nos fica velado – que podemos matar o outro desde que seja dentro das regras?

Mas, e se esse outro for eu, meu filho, meu marido, minha esposa,como ficam as regras?

O simples fato de existirem regras, leis que dão o tal “direito” de matar já demonstra que elas existem porque há um imenso sofrimento que pode, talvez, ser limitado mas nunca eliminado.Ou seja, o sofrimento existe e se existe , por si só, já torna a guerra algo ilícito.

Se, e vamos pensar como aqueles que poderão morrer numa guerra, a guerra passar a ser um ato ilícito, pois mata e sabemos que não é possível controlar os atos de guerra, como podemos alegar que é um direito de guerra matar? Como pode ser um direito permitir alguém de praticar um crime?

Assim ocorre com o IR e com os jornalistas que embarcaram nessa onda do “direito ao crime”.

Como querer regular algo que tem por princípio a Morte? Esse é o fim das “cobaias”.

O IR pode seguir as tais regras que batem de frente com as leis de Crimes Ambientais, mas não poderá alegar que seu “trabalho” não gera um ato impiedoso para com os animais. Eles podem também alegar que os animais recebiam “carinho”, que comiam bem, que dormiam bem,mas tolos os que não leem nas entrelinhas e não compreendem que o IR não fazia isso pelos animais e sim em proveito próprio, pois cobaias doentes não servem para nada.

Não seria cômico dizermos em alto e bom tom –pois tudo isso também nos fica velado – que podemos forçar um animal a ingerir algum produto ou algum medicamento que poderá lhe fazer mal, mas o fazemos porque estamos dentro das regras? Não fica estranho dizermos que necessitamos gerar uma doença num animal saudável para analisarmos como a medicação irá agir sobre seu metabolismo, lembrando que, dependendo do processo o animal não poderá ser tratado nem tampouco anestesiado para que isso não influencie nos resultados.

Será que as regras, as leis ainda assim permitem que pensemos que temos o direito de gerar doenças, experimentar produtos/fármacos, abrirmos,congelarmos e descartarmos seres conscientes/sencientes?

Ou aprendemos a compreender os velhos discursos vivisseccionistas, ou vamos continuar a falar bobagens como muitos canais de televisão fizeram nos últimos dias, fruto de apenas um problema: pura falta do "Pensar". 



Simone Nardi 





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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A Grande Batalha


“Certamente é doloroso arrancar a venda dos olhos,
deixar de viver na ficção que criamos dia a dia
para poder contemplar a realidade tal qual ela é,
além das fantasias comodistas. ”(N.Acrópole)


Um campo de batalha! Ali está prestes há ocorrer uma grande guerra. Existem dois grandes exércitos poderosos e bem armados dispostos a se enfrentar até a morte. Todo o céu parou para assistir essa grande luta, tamanha sua importância para a humanidade, mas essa guerra somente irá ocorrer se um guerreiro, um único guerreiro resolver lutar.

Nosso valoroso guerreiro se encontra agora no meio do campo de batalha, de um lado o exército dono das terras que serão ou não conquistadas, os verdadeiros donos, aqueles a quem por direito o guerreiro deve defender. De outro, o exército invasor, que deseja algo que não lhes pertence e que deseja tomar à força a terra que já é morada de outros.

O guerreiro olha para ambos os exércitos, aqueles a quem deve defender e os invasores, então descobre que entre os invasores se encontram seus parentes, pais, tios e irmãos, e do outro os verdadeiros possuidores da terra. De que lado lutar então?

Esse guerreiro é Arjuna e a batalha se passa no livro Bhagavad Gita, do Mahabarata hindu, guerra essa travada entre dois poderosos exércitos, os Pandavas e os Kuravas. E é Khirsna quem vai guiar com sabedoria os passos do jovem guerreiro.

O mais interessante nessa batalha é que ela não é travada fora do guerreiro, mas é uma batalha interna do homem contra si mesmo.

A terra pela qual os dois exércitos lutam é Hastinapura, a Sabedoria, conhecida pelos hindus como a Cidade do elefante; o exército Pandava nada mais é do que nossas virtudes, nossa essência espiritual, o altruísmo universal, nossa essência Divina, os Kuravas as nossas emoções, nossos apegos materiais e todo nosso egoísmo, ou seja , nosso lado materialista. O campo de batalha, Antakarana, é nosso corpo que luta pela busca de nossa essência Divina enquanto nos deixamos envolver pelo lado material. A Batalha é a busca pela posse de nossa própria Sabedoria, o retorno ao Bem , ao verdadeiro Eu que é imagem e semelhança de Deus e da qual a entrada no mundo do material nos desvirtuou. Os Kuravas usurparam o trono do rei, ou seja, usurparam de nós, os Arjunas, a nossa essência Divina, cegando-nos em busca do que é apenas material. Nossa personalidade egoísta usurpou o trono da alma em troca daquilo que desejamos ardentemente. Essa guerra é o que vai nos tornar, dependendo claro do lado que vamos escolher, mestres de nós mesmos, realizando o dever por dever, não mais por uma expectativa de recompensas vindouras.

É no Bhagavad Gita que encontramos o momento de mudança em um guerreiro.Toda nossa vida é assim, guerreando contra nós mesmos para vencer a batalha mais importante de nossas vidas que é o retorno ao Pai.

Em meio ao campo de batalha, assim como Arjuna, nós não queremos lutar, não queremos “matar” nossos vícios, nossos desejos materiais pela posse de Hastinapura, optamos sempre pelo mais fácil porque gostamos de nos sentir fracos e despreparados para essa batalha. Não lutamos por medo e não por fraqueza, porque assim como Khrisna confiou em Arjuna, temos a confiança Divina de que se tivermos coragem para lutar, venceremos.

Mas tal como Arjuna : Não queremos lutar. Como matar aqueles a quem estamos tão intimamente ligados, o desejo, o prazer, os vícios?? Como viver sem isso depois de tantos anos na matéria? Como lutar se somos acariciados com palavras de consolo sobre nossas fraquezas de que temos o nosso livre arbítrio, de que ainda não temos força, que errar faz parte de nossa jornada. Como lutar se nos espelhamos na fraqueza e não na coragem de mudar?

E os anos se passam e o tempo se escoa e vamos perdendo uma batalha após a outra porque somos vítimas de nós mesmos e porque ocupar esse lugar de vítima nos faz bem.

Porque ocupar esse lugar de fracos, de seres que necessitam de auxilio a todo o momento nos faz bem, só que esquecemos que temos ao nosso lado alguém que sabe que só poderemos vencer se deixarmos de nos comportar como crianças fracas e mimadas e nos tornarmos realmente guerreiros, guerreiros que honram a confiança depositada nele.

A Grande Batalha já está ocorrendo, só precisamos de uma coisa: Decidir lutar ou permanecer estagnados em nossas fraquezas, nos tornarmos guerreiros ou permanecermos como Vítimas eternas de nós mesmos.

A escolha é nossa. 



Simone Nardi

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