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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

ESPIRITUALIDADE DOS ANIMAIS

ANIMAIS ESPIRITUAIS?

Espiritualidade dos animais


Começo esse texto com uma conversa que há um tempo tive com uma conhecida. Ela me perguntava sobre sua cadelinha que havia falecido há pouco e sobre o destino que ela teria após a sua morte.
No meu momento de “achismo” acabei dizendo a ela a grande besteira de que os animais não continuariam latindo, saltitantes e felizes nos campos verdes do espaço. Que seriam apenas energia em estágio constante de transformação...
Resultado, ela começou a chorar e eu fiquei me sentindo a pior das criaturas do mundo por fazê-la crer em algo que eu nem tinha certeza! Ou seja, errei duas vezes. O primeiro erro foi de responder algo sem entender realmente o que eu estava falando e o segundo, foi de não pensar em seus sentimentos ao falar sobre alguém por quem ela nutria um sentimento puro e verdadeiro.
Recuperada do choque de ter causado uma catástrofe nas esperanças da minha conhecida, decidi que a única maneira de tentar remediar a situação era aprender um pouco mais sobre os animais para que, de uma próxima vez, eu pudesse deixar bem claro que, assim como os cães, todos os animaizinhos merecem o céu!
Na primeira oportunidade que tive, corri para a vovó Antonieta e falei sobre o que eu havia feito e pedi a ela que me explicasse o que realmente acontecia com os animais ao partirem dessa para uma muito melhor! Com toda paciência do mundo, vovó passou um bom tempo me explicando a respeito da vida dos bichinhos e de como acontecia a sua evolução energética!
Não acredito que vou conseguir explicar aqui tão bem quanto ela me falou, mas de qualquer forma vou tentar. Uso também o que os Espíritos nos ensinam através dos livros para tratar sobre o assunto... Vamos lá!
IMPOSSÍVEL CONTER A EVOLUÇÃO
É importante saber que a evolução do mundo mundos não pára nunca... A ciência explica através da Teoria de evolução das espécies, que tudo que há na terra está em constante aprimoramento e adaptação. No caso dos seres inanimados e dos animais, essa mudança é clara e visível. Quem nunca viu os Dinossauros, que deixaram de existir para dar lugar à novas espécies? Locais onde existiam desertos e hoje há grandes lagos, mares e etc? Tudo está em constante mudança e crescimento.
Da mesma forma que os animais “irracionais” e o mundo material, o homem também possui essa capacidade de melhoramento e adaptação. Porém, por ser dotado de inteligência, suas mudanças se realizam tanto no aspecto físico quanto no aspecto emocional. Sendo assim, estamos submetidos às transformações de ordem física na terra, e de ordem emocional, tanto na terra quanto no espaço.
Quando tratamos de evolução energética, tudo aquilo que é formado de fluido vital ou energia está englobado. Por isso, entendemos que os animais sofrem processo de melhoramento lento e gradual, mas estão sempre se desenvolvendo assim como os homens e o próprio mundo.
Podemos observar com facilidade que os homens possuem algumas caraterísticas físicas que os tornam mais fracos do que alguns animais. Vemos animais de grande força física e habilidades incríveis das quais Deus não dotou o homem como, por exemplo, o dom de voar, tecer teias de material próprio, visão noturna, força física extrema, entre outras. Entretanto, Deus deu a inteligência aos homens para que eles suplantassem a falta de habilidades com idéias e pensamentos. Dessa forma faz com que o homem desenvolva seu aspecto emocional associado às grandes transformações físicas necessárias para adaptação de todos os seres.
Para que entendamos bem o que vai ser dito, é necessário entender primeiro a diferença entre instinto e inteligência. Podemos contar com A Gênese nesse momento. No instinto não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. Já com a inteligência, ela se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma. A inteligência, pelo fato de ser livre, está sujeita a errar. O instinto não tem essa oportunidade.

Seguem algumas curiosidades:

ALGUMAS PERGUNTAS

1.                  Animais têm espírito?
R: Tanto os homens quanto os animais são animados por fluido vital, possuindo dentro de si algo que transpõe a vida material, que lhes dá a características de serem animados e agirem sobre a matéria. Segundo O Livro dos Espíritos, se denominarmos o princípio vital dos animais de alma, eles teriam sim espírito, porém este seria de uma natureza bastante diferente do espírito dos homens. Espírito como o do homem é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade pois não têm a consciência de suas próprias escolhas. Ou seja, a alma de um animal não pode animar o corpo de um homem e nem vice-versa, apesar da inteligência inerente às duas.

2.                  Então os animais são inteligentes?
R: Sim, os animais tem uma inteligência mas esta é bastante limitada. A inteligência dos animais é a da vida material; a inteligência do homem produz a vida moral. A inteligência dos animais é voltada para satisfazer suas vontades físicas e garantir a preservação. Os animais não são criativos, não buscam se melhorar. A educação que alguns deles possuem são resultado da ação do homem sobre eles, condicionando-os e disciplinando-os até certos limites. Os animais não progridem por si só, se abandonados à sua própria sorte, voltam a agir conforme sua natureza. (Fonte: O Livro dos Espíritos).

3.                  De onde vem a inteligência dos animais?
R: Vem do elemento inteligente do Universo, mergulhado em fluido vital, da mesma forma que a do homem. A diferença é que a do homem passou por uma elaboração maior.

4.                  Se os animais não são capazes de elaborar pensamentos lógicos, como se explica que consigam elaborar grandes obras na natureza?
R: O importante a se notar nesse caso, não são as obras que realizam, mas a freqüência com que as melhoram. A formiga constrói seu formigueiro sempre da mesma forma. Os passarinhos não mudam o modo de fazerem seu ninho porque surgiu um material mais resistente. O fato se ser bem elaborado não pode ser atribuído à sua própria inteligência, mas ao instinto primitivo do qual Deus os dotou. (Fonte: O Livro dos Médiuns).

5.                  Os animais continuam existir após deixar o corpo físico?
R: Segundo o livro dos Espíritos, há vida independente da matéria. Como vimos anteriormente, esses animais e aquilo que os anima são formados de fluido vital e este não deixa de existir quando a matéria é dispensada. Os animais conservam sua invidualidade, mas não têm consciência de sua existência após a morte, ou seja, não sabem que estão na vida espiritual. O que fica é a energia de cada um.

6.                  Os animais evoluem como os homens?
R: Claro. Tudo evolui. Até mesmo aquilo que não é animado, como as pedras, a terra... Assim como os homens, nos mundos superiores os animais também são mais adiantados, se comunicando com mais facilidade. Mesmo assim, são sempre inferiores ao homem, sendo servidores destes. Sua evolução é forçada e lenta, produzida por influências exteriores.
A evolução dos animais não se dá pelo seu adiantamento moral. Não existe mundo de expiação para eles. O que existe é o progresso devido à imposição das necessidades do mundo material. O animal não progride no espaço e na Terra, como ocorre co os homens. Seu progresso se dá apenas em ambiente terreno, bem material. (O Livro dos Médiuns).

7.                  Os animais têm livre-arbítrio?
R: Claro que não. Eles não funcionam como as máquinas, fazendo sempre as mesmas coisas, mas as suas ações são coordenadas apenas pelas suas necessidades. Não tem os mesmos deveres ou vontades que os homens. Sua liberdade se restringe apenas à sua conservação. Se sentem fome, procuram comida; se sentem frio, procuram abrigo; se notam o perigo, se resguardam do mesmo... E assim por diante..

8.                  Se eles não possuem livre arbítrio, porque Deus deu a eles a inteligência?
R: Deus colocou os animais ao lado dos homens na Terra para que eles pudessem alimentar os homens, vesti-los e ajudá-los. Deu uma porção de inteligência porque para auxiliar, os animais precisam entender e condicionar sua inteligência para a realização das atividades. 

9.                  Se sua inteligência é tão limitada, como alguns deles parecem conversar entre si?
R: Alguns realmente se comunicam, mas não por uma linguagem formada, com palavras e pensamentos lógicos. Sua comunicação é bastante limitada às necessidades de sobrevivência. Eles não elaboram pensamentos, apenas utilizam dos meios que possuem para viver em conjunto com os da mesma espécie.
Aqueles animais que tentam imitar o homem, pronunciando paravras, como o papagaio, por exemplo, é fruto de uma aptidão de seu corpo, onde suas cordas vocais são adequadas ao tipo de som que produzem, que facilita a atuação do instinto da imitação.

10.              Os animais têm sentimentos de verdade?
R: Alguns sentimentos idênticos aos dos homens podem sim existir entre os animais. Vemos animais sensíveis e reconhecidos, vingativos, rancorosos e assim por diante, segundo o tratamento que o homem dá a eles. Deus deu a cada animal servidor e companheiro do homem certas qualidades de sociabilidade, que faltam aos outros animais ainda selvagens.
Ainda, segundo André Luis explica no livro Mecanismos da Mediunidade, afinidade e sintonia energética são elementos básicos para o relacionamento entre os seres. Portanto, há sim o sentimento em alguns animais, mas esses são principalmente motivados pela troca energética entre ele e o meio no qual se encontra. Animais tratados com carinhos demonstrarão mais carinho em suas ações. Aqueles tratados com desprezo demonstrarão menos apego aos que os cercam.

11.              Mas quando eu converso com meu animal, ele parece entender o que eu digo. E aí. Pode?
R: Tanto os animais quanto os vegetais, bem como tudo que nos cerca, estão imersos em fluido vital, que sabemos ser manipulado com auxílio do pensamento, dos nossos sentimentos. Sendo assim, dentro desse fluido, passam a ser sensíveis às suas modificações. Esse é o motivo de parecer, muitas vezes, que os animais entendam quando conversamos com eles, as plantas fiquem mais vivas quando seus donos conversam com elas, entre outras situações que acreditamos funcionarem no tratos com a fauna e a flora.

12.              Dizem que os animais vêm espíritos. Pode ser?
R: Sim. Alguns animais podem enxergar os Espíritos. Mas nem por isso podemos considerá-los médiuns videntes. Sabe quando um cachorro de repente se assusta por nada? Pois é, muitas vezes ele está vendo um Espírito (aqui recomendo que não achem que qualquer atitude do seu animalzinho é porque sua casa está cheias de espíritos, nem sempre é isso...).
É comum vermos cavalos empinando sem motivo aparente, burros empacados. Essas atitudes quase sempre são resultado da ação de espíritos que se tornam obstáculos ao seu movimento.

13.              Animais podem ser médiuns?
R: Nunca! Os Espíritos utilizam matéria física semelhante a sua para realizar as comunicações. O médium é um intérprete do mundo espiritual, traduzindo em palavras e gestos humanos o que o mundo Espiritual precisa que seja dito à humanidade. Como alguém que não fala a língua dos homens, não se movimenta como os homens, não têm as formações energéticas semelhantes às dos homens poderá traduzir algo para a humanidade? Impossível, não acham? Imaginem se pedirmos a um japonês para traduzir um turista francês que tenta falar com um brasileiro? Não dá, né gente?

14.              Os animais reencarnam?
R: Sim. As almas dos animais só podem evoluir com a vivência no mundo material. Portanto, precisam reviver várias e várias vezes na Terra para que possam melhorar sua condição energética. Sua alma evolui junto com a evolução do mundo e com o condicionamento de sua inteligência.
Apesar de sua permanência no mundo espiritual ser bastante breve, alguns continuam na forma de energia vital, na forma de perispírito, com seu princípio inteligente latente, quando são necessários para alguma coisa ou quando precisam de tratamento após terem sofrido maus tratos, agressões ou doenças quando em vida terrena.

15.              Os animais tem carmas, resgates a cumprir?
R: De forma alguma, mesmo porque além deles não formarem pensamentos lógicos, eles não têm livre arbítrio. O que deveriam resgatar então?

16.              Se é assim, porque alguns animais nescem com problemas físicos que, para a maioria dos homens, seria fruto de um resgate necessário?
R: Segundo o Grupo Espírita Bezerra de Menezes, os animais possuem um espírito evolutivo numa fase evoluída bastante inferior a dos homens. Suas dores não servem para depurar seu caráter e ajudar em seu desenvolvimento moral. Portanto não tem resgates a cumprir na terra. Assim, os problemas físicos que por acaso apresentem são fruto de má formação de seu corpo físico e nada tem a ver com outras encarnações. O bom é saber que esses animais que passam também por dificuldades físicas estão aprendendo com experiências mais difíceis, fazendo com que a sua vivência material seja um estágio bastante proveitoso para a sua evolução energética.

17.              Quando os animais com problemas físicos chegam ao mundo espiritual o que acontece?
R: Segundo relatos da vovó Antonieta e da Dra. Irvência Prado, os animais ao chegarem ao espaço, são assistidos por espíritos que tem por missão cuidar deles. A Folha Espírita (dez. 1992) descreve que um zoólogo e sociólogo chamado de Konrad Lorenz continua trabalhando, no plano espiritual, recebendo com carinho e atenção, animais desencarnados.
Há vários tipos de atendimento para os animais desencarnados, dependendo da situação, especialmente para os casos de morte brusca ou violenta, possibilitando melhor recuperação de seu perispírito. Existem ainda instalações e construções adequadas para o atendimento das diferentes necessidades.

18.              Como o Espiritismo enxerga o sacrifício de animais que passam por dores físicas intensas?
R: A eutanásia nos animais não pode ser analisada da mesma forma como nos homens. Tendo o sacrifício dos animais um fim útil, não sendo para satisfazer desejos insanos (como, por exemplo, as brigas de galo, os clubes de caça etc.), não pode se configurar em delito.
Quando ficam doentes, os animais não sofrem no sentido em que normalmente se entende o sofrimento. No homem, o sofrimento funciona como um depurador de suas imperfeições, estimulando seu desenvolvimento moral. O animal não tem vida moral e por isso suas dores são apenas físicas. A eutanásia deve ser o último recurso utilizado; o veterinário deve fazer todo o possível para salvá-lo. Se o animal estiver sofrendo muito e não existir outra maneira, o plano espiritual não condena, porque é um aprendizado tanto para o animal quanto para o dono que precisa tomar a decisão. Portanto, o sacrifício dos animais em fase terminal de doença não constitui uma infração à lei. Mas se esse ato trouxer dor e remorso para quem o faz ou o autoriza, melhor não praticar e esperar a morte naturalmente.

19.              Os animais têm anjo da guarda?
R: Eles têm espíritos responsáveis por acompanhar grupos de animais. Conforme vão se depurando, o cuidado vai sendo mais restrito ao ser individualizado.

20.              Os espíritos reencarnam próximos àqueles por quem têm afinidade?
R: O Espírito Álvaro responde que sim. Existe uma atração entre os animais, tanto naqueles que formam grupos como naqueles que reencarnam domesticados. Eles procuram colocar juntos espíritos que já conviveram, o que facilita o aparecimento e a elaboração de laços afetivos.

21.              Podemos dizer então que somos a reencarnação de um animal?
R: Não. Somos frutos da depuração energética de uma série de fluidos vitais que sofreram evolução e adaptação ao longo de suas passagens pelos mundos terrenos. Parte da energia que nos forma é fruto do fluido energético que um dia já animou e permitiu a existência de outras qualidades de vida.  
Nos seres primitivos da criação o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco. A vida primitiva é como um trabalho preparatório, onde há a transformação do princípio inteligente primitivo em ser realmente elemento realmente pensante. É nesse momento que se inicia para o Espírito o período de ser humano e a consciência do seu futuro, a distinção do bem e do mal e a responsabilidade dos seus atos.
O seu cachorro não será um homem amanhã. Mas a energia que o forma, ao ser depurada, passará a compor o Espírito de um ser humano, mesmo que isso demore séculos e séculos.

22.              Se é assim, podemos dizer que se eu fizer uma regressão a vidas passadas eu posso me lembrar de um estágio primitivo de criação?
R: Da mesma forma que não podemos nos lembrar da vida de embrião e de feto, não estamos habilitados a nos lembrar dos elementos que nosso princípio vital já pôde animar antes de nascermos humanos.

23.              Eu posso trazer características que me aproximem dos meus elementos primitivos?
R: Pode ser que nos estágios primitivos de vida, o espírito habite corpos materiais que ainda tragam resquícios dos elementos dos quais foram resultados, mas com a depuração da matéria essas características vão se perdendo, se eliminando com o fortalecimento de seu livre arbítrio.

Bom queridos leitores, fico por aqui hoje! Espero ter ajudado a reunir as informações sobre esse reino tão importante para a sobrevivência do planeta e para a continuação da vida espiritual. Ainda, espero que minha conhecida, após ler essas linhas me desculpe as palavras mal colocadas e o susto que fiz com que tivesse!
De tudo, o bom é a certeza que nesse assunto, vou tentar não errar mais!
Um grande beijo a todos, com amor, Nise.



Fonte:
Centro espirita de estudos nossa casa






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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ética e Moral

A ética exige que extrapolemos o “eu” e o “você” e cheguemos à lei universal,
ao juízo universalizável, ao ponto de vista do espectador imparcial,
ao observador ideal, ou qualquer outro nome que lhe dermos.
(SINGER, 2002, p. 19-20).


Peter Singer



Ethos e Mores.


Esses dois conceitos nos dias de hoje, se bem compreendidos, assustariam muitas pessoas que se dizem éticas em relação à vida animal. A teoria e a prática, a ética e a moral, ambas foram esquecidas e enterradas, por isso o declínio da humanidade nos dias atuais. Atualmente, inúmeros comitês de ética se dizem éticos por não compreenderem a essência do conceito de Ética, pois se esqueceram que, se fôssemos verdadeiramente Éticos não existiriam no mundo, um sem número de códigos de ética, um para cada ocasião, um para cada profissão; esqueceram que se fôssemos verdadeiramente Éticos, nossas ações por si mesmas, seriam Éticas, não havendo necessidade dos famosos “Comitês de ética” que dizem “regulamentar” o modo como devem ser conduzidos os experimentos em seres vivos e sencientes já que a ética humana, normalmente já perdida, extrapola em desumanidade diante dos mais fracos.

O maior problema foi a transformação da Ética Atemporal numa ética temporal, ou seja, aquela que muda conforme as nossas necessidades. Esse total abandono da Ética atemporal, que não nos permitiria cometer os crimes que cometemos hoje em relação aos animais e mesmo em relação a outros seres humanos, foi o que nos tornou desumanos e o que fez com que a Filosofia buscasse por uma Ética da qual ela mesmo se esqueceu ao aceitar a ética temporal, como realidade. Para talvez, coibir crimes mais atrozes, houve então a necessidade da criação desse Freio – que alguns costumam chamar de ética – como já dissemos, nas mais diversas profissões, nos mais diversos caminhos humanos, segundo alguns para moralizar aqueles que, em sua maioria, não fazem ideia do que é Moral ou Ética.

Vivissecção, cão de pavlov
A verdadeira Ética nos impediria de cometermos qualquer atitude cruel para com os animais porém, tentamos ludibriá-la e criamos um código de ética para a nossa moral violenta e irracional, uma ética que nos permitisse “moralizar” a tortura, “moralizar” a morte e o sofrimento, “moralizar” o encarceramento de seres sencientes porque nossa moral e nossa ética faz de nós, seres intelectualmente superiores. Achamos, portanto, “ético” matar aqueles que estão em desvantagem intelectual, aqueles que, embora reconheçamos como sencientes, tiveram a má sorte de serem mais fracos que nós, seres éticos e morais. Precisamos desse freio que nos acostumamos a chamar de ética para não falar da doença de determinado paciente para com outra pessoa que não seja da área de medicina, precisamos desse freio para não cortar os animais vivos, porque eles sentem dor e não suportamos seus gemidos, precisamos desse freio para não falar mal de um colega nos emails da empresa, pois lá também há um código de ética a ser seguido, e precisamos desse freio para aumentar as jaulas dos seres sencientes que irão morrer nas mesas de vivissecção para salvar uma humanidade que chafurda em vícios e cria suas próprias doenças.

E criamos os “Comitês de ética” para o uso de animais durante experimentações que teria, como finalidade, frear o excesso e permitir a tortura que usa, dentro dessa nova ética, um nome diferente e que se chama “Progresso da Ciência”. Os comitês alegam que se baseiam em princípios éticos no campo da vivissecção, do encarceramento, da tortura pela privação de alimentação e água, pela ingestão de produtos tóxicos, pela indução de doenças , pela dor e pelo assassinato ao fim de tudo.

Criam protocolos de pesquisa para que determinada Cobaia – eles evitam tal como Descartes o fazia, utilizar o termo animal pois isso os aproximaria da realidade de dor e sofrimento pela qual aqueles seres passam diariamente e isso os impediriam de agirem, pois há em todos os seres,sempre latente, o principio vital da verdadeira Ética, que acaba sendo ignorado aos poucos – não seja usada em experiências já realizadas por outras, ou que não repita ela própria, duas vezes a mesma experiência pela qual passou. Eles criam modos de dissecar, modos de induzir dor, modos de encarcerar , tudo dentro desse campo “ético” temporal e esse utilitarismo ético mata milhares de animais sencientes todos os anos em benefício de uma só espécie. Há como acreditar que possa realmente existir uma ética quando um Ser senciente é encarcerado, privado de alimentação e seu organismo é minado das forças pela indução de doenças que sequer fariam parte de sua vida?

Algumas normas dos comitês de ética pedem:

1- Respeito

2- Consciência e sensibilidade

3-Ética e responsabilidade moral

Platão e Aristóteles que carrega na mão um livro com a inscrição: Ética
Mas, diante da indução da dor para observação sem que o animal seja aliviado de seu sofrimento, pode-se dizer que há uma Ética? Que tipo de Ética permitiria que um determinado Ser, somente por estar abaixo de outro intelectualmente, sofresse dores, doenças ou encarceramento? Somente uma ética que não estivesse fundamentada na verdadeira Ética. Por isso o nome correto seria “Freio”, pois os próprios cientistas reconhecem que existem inúmeros abusos entre as brancas paredes de um laboratório. Os agora, comitês de freio, seriam os responsáveis por coibir tais abusos sem, contudo, coibir os demais sofrimentos onde, somente o verdadeiro conceito de Ética é que poderia impedir de uma vez por todas qualquer tipo de sofrimento animal.

Em todos os princípios da experimentação animal, vamos notar que entre esse Freio ético e a verdadeira Ética há uma diferença substancial. Os artigos dizem que é primordial que as pessoas que irão manipular os animais – para eles meras cobaias – respeitem a cobaia/animal como um ser vivo dotado de senciência, de memória , que sofre dor exatamente por sua senciência, e sofre dor porque não lhe é possível reagir e fugir. Sabemos que senciência significa sensibilidade, capacidade de sentir dor, de sentir medo, angústia e de sofrer. Como é possível então, alegar-se que é ético proporcionar qualquer tipo de sofrimento a um ser em que reconhecemos tais sensibilidades? Seria mesmo possível chamar a isso de ética? Com certeza não, porque usamos da capacidade intelectual um pouco acima da deles para transformá-los em seres objetos e não há como dizer que se respeita um animal quando o tratamos como objeto, por melhor que afirmemos que tal objeto seja “carinhosamente” manipulado. Se tivermos mesmo consciência de que a dor no animal é similar a dor que sentimos, não podemos nos colocar como seres éticos ao infligirmos neles qualquer tipo de sofrimento, não se a essa ética da qual tratam os comitês de experimentação estiver mesmo ligada à verdadeira Ética, que nos obriga a respeitar qualquer ser vivente; como já foi colocado antes, essa ética nada mais é do que um Freio que tenta maquiar o que realmente acontece pode detrás das paredes de um laboratório, para fazer com que as pessoas leigas aceitem essa “regulamentação do sofrimento” como algo totalmente aceitável. Como dizer, eticamente, que o experimentador é responsável por suas escolhas e seus atos na utilização de um animal, se não for colocado nele um freio que o impeça de realizar verdadeiras barbaridades?

Muitos cientistas, na ânsia de defender sua posição vivisseccionista, também alegam que os animais são mantidos em condições de abrigo e alimentação bem melhores do que muitas pessoas da classe baixa, porém tal argumento lhes é tão contraditório quanto sua convicção de usar palavras como “melhor tratamento”, pois faz parte de um dos artigos dos comitês que as tais “cobaias” que serão utilizadas tenham a saúde perfeita, não para o Bem dos animais, como eles tantas vezes alegaram sobre as boas condições de tratamento, mas para o Bem das experimentações que eles escolherem fazer com determinadas cobaias. Há tantas contradições entre o que os comitês pedem e entre o que os cientistas alegam quando são questionados sobre a relevância dos testes em animais, que fica difícil compreendê-los.

Alguns artigos são claros ao solicitar aos experimentadores que os animais sejam utilizados de maneira adequada, de modo a evitar qualquer desconforto, qualquer angústia, qualquer dor, considerando-se mais uma vez que os animais sintam tal como nós. Por outro lado vemos nas TVs , rádios, nas revistas científicas, imagens que nos chocam de camundongos com queimaduras enormes na pele para o teste de um novo medicamento e que não podem ser anestesiados para que não haja qualquer influência nos testes; vemos animais enjaulados sem água ou comida, para que sejam analisados seus sofrimentos em paralelo com os sofrimentos de alguns seres humanos, vemos estudos do grau da decorrência de uma determinada dor sem que sejam usados quaisquer analgésicos ,o que causa alto sofrimento e stress nos animais, tudo para que surjam novas drogas que irão concorrer com a quantidade enorme de medicamentos que já existem no mercado. Eles insistem em dizer que há um controle da dor, mas tal controle, e eles mesmos hão de concordar, causa sofrimento, angústia e stress, ou seja, nem mesmo o Freio consegue impedir que esse ou aquele animal senciente sofra, e qualquer Ser que se acredite intelectualmente superior, não pode dizer que a Ética permita o sofrimento de qualquer outro Ser nas mesmas Condições de Sensibilidade que ele. Fica demonstrado que, embora a senciência não possa ser considerada como o marco definitivo na separação das espécies existentes no Planeta, ainda assim demonstra claramente que os animais não-humanos possuem as mesmas Condições de Sensibilidade que os animais humanos, ou seja, a dor é idêntica, a fome é idêntica e o stress pode ser ainda maior pela dificuldade que os animais não-humanos têm de compreender o motivo do sofrimento pelo qual passam. Sendo as Condições de Sensibilidade idênticas, o sofrimento infligido a um animal não-humano é tão antiético quanto se fosse infligido a um animal humano, isso é fato.

A discrepância disso nos leva a crer que existem animais e animais dentro desse campo ao qual alguns chamam de ética: A Lei de Crimes Ambientais fala de maus-tratos e a questão que nos surge agora é: maus-tratos que são considerados “controláveis” deixam de ser vistos como maus-tratos, mesmo dentro do parâmetro das Condições de Sensibilidades entre animais humanos e animais não-humanos? O boi de rodeio; o cão morto no CCZ; o macaco que sofre no circo; algum deles possui maior sensibilidade do que um macaco ou que um cão usado em experimentação, por isso pode ter uma lei que o proteja de qualquer sofrimento enquanto que ao cão e ao macaco a dor é liberada por se tratar de uma dor diferenciada, realizada por doutores?  E, sendo as Condições de Sensibilidade iguais entre animais humanos e não-humanos o que permitiria proporcionar dor a um e não a outro? Pois dor é dor, seja humana ou animal, afinal é isso que está escrito em alguns artigos dos “Princípios éticos”:

 Artigo 1º – Todas as pessoas que praticam a experimentação biológica devem tomar consciência de que o animal é dotado de sensibilidade, de memória e que sofre sem poder escapar à dor; (Segundo o Colégio Brasileiro de Experimentação Animal – CBEA )

Artigo 2º – Ter consciência de que a sensibilidade do animal é similar à humana no que se refere a dor, memória, angústia, instinto de sobrevivência, apenas lhe sendo impostas limitações para se salvaguardar das manobras experimentais e da dor que possam causar. (Comitê de conduta ética no uso de animais em experimentação – CEAE)

Eis novamente a contradição lógica da experimentação.

São contraditórias as palavras “Ética” e “Experimentação animal”, tal como é totalmente contraditório o uso da palavra “Respeito” com o ato de inflição de sofrimento,e voltamos a questionar : Se é sabido que eles sentem dor e que a dor é similar a dor humana, o que diferenciaria os maus-tratos entre um e outro?

Primata usado em experimentação
Nada diferenciaria na verdade, é que os humanos, revestidos de sua alta intelectualidade conseguem perpetrar na ética, não na verdadeira Ética, uma falsa confiabilidade que os proteja e que garanta o uso de animais que são sencientes para experimentos. Embora muitos cientistas aleguem que a experimentação jamais irá terminar, o fato que esse é o mesmo discurso cartesiano de que não havia qualquer problema em se utilizar um animal em experimentos com altos graus de sofrimento afinal, os cientistas não acreditavam que os animais fossem dotados de alma e que sentissem qualquer tipo de dor. Sendo esse pensamento rebatido e comprovada então a verdade sobre o sofrimento animal, o discurso mudou rumo ao bem-estar, a necessidade, a falta de alternativas, o que demonstra apenas o que sabemos sobre os humanos: eles são resistentes a mudanças. Os cientistas que hoje dizem que a experimentação jamais irá acabar parecem não acompanhar o trabalho de outros colegas que se esforçam em criar novas alternativas que sejam melhores, mais seguras e que não utilizem mais animais sencientes para qualquer tipo de pesquisa.

Pedem soluções que eles mesmos não buscam, dizem e se contradizem, em determinado momento o animal não pode sentir dor, em determinado momento a dor é controlável, em determinado momento é preciso que se limite os movimentos do animal utilizado devido aos espasmos de dor que eles irão sentir, e fazem tudo isso mesmo sabendo que a dor neles é similar a nossa. A isso não se pode admitir que seja chamado de Ética.

Também ao contrário do que disse  Claude Bernard[1], nós não temos o direito total e absoluto de realizar experimentos em animais, porque ao contrário do que muitos afirmam, nós também não temos o direito de utilizar animais para a alimentação, divertimento, entre outros usos que a humanidade faz deles. Mais estranho do que as palavras de Bernard, é reconhecer que as pessoas que aprovam tal uso se proclamem como Éticas ao mesmo tempo em que dizem reconhecer que utilizam animais sencientes, com Condições de Sensibilidade similar a humana, para experimentos que causam angústia e que somente o fazem por se acharem Intelectualmente superiores. Esse discurso já é por demais contraditório.

Aceitem ou não, a Ciência só tem evoluído e encontrado alternativas, graças ao esforço e a luta dos ativistas que os cientistas tanto querem desprezar, se não fosse pela exigência ativista pelas mudanças, ainda estaríamos abrindo animais vivos e acenando para eles em ironia, ainda estaríamos comparando-os a molas de relógio e a seres que não merecem compaixão, outra palavra que assusta a ciência[2], que vê nas manifestações de Libertação Animal, apenas reclamações apaixonadas , ao invés de ver nelas uma oportunidade de inovação , superação e verdadeiro progresso. Nós não vamos parar até que a verdadeira Ética seja realmente compreendida, ao contrário deles nós não fechamos as portas para um futuro promissor dizendo que experimentação, bem como tudo que envolva o sofrimento de seres nas mesmas Condições de Sensibilidade que a nossa jamais irá acabar, nós exigimos mudanças e elas vão acontecer, pois em paralelo a esse pensamento estagnado há uma outra Ciência que está lutando para realmente se tornar realmente Ética, e é dessa Ciência, formada por doutores que acreditam e buscam por alternativas, que a Ética faz parte, porque eles não esperam, eles não duvidam, eles trabalham por um mundo realmente Ético.



Referências Bibliográficas

Colégio Brasileiro de Experimentação Animal CBEA / PRINCÍPIOS ÉTICOS NA EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL


NOTAS

1- Nós temos o direito de fazer experimentos animais e vivissecção? Eu penso que temos este direito, total e absolutamente. Seria estranho se reconhecêssemos o direito de usar os animais para serviços caseiros e alimentação, mas proibir o seu uso para o ensino de uma das ciências mais úteis para a humanidade.” (Claude Bernard, em 1865) em paralelo ao pensamento do filósofo Jeremy Bentham, que em 1789, já questionava: A questão não é podem eles raciocinar ?Ou então, podem eles falar ?Mas, podem eles sofrer?
2 – Somente claro, quando é colocada em cheque, pois quando necessita do apoio da população a ciência se coloca como grande mãe, cheia de compaixão apelativa a fim de conquistar terreno, aí sim ela muda seu discurso e passa a falar da mesma forma que acusa os ativistas, passa a falar com o coração.









Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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