sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Os animais pensam como nós?

Franguinho
Será que o homem é realmente tão mais inteligente do que as outras espécies?

por Rodrigo Cavalcante

Nenhum pesquisador duvida que o pensamento abstrato do Homo sapiens é um feito inédito no mundo animal. Mas, quanto mais os cientistas sabem sobre espécies como chimpanzés, gorilas, orangotangos, baleias e golfinhos, mais eles chegam à conclusão de que a barreira intelectual que separa os homens desses animais é bem menor do que se imaginava.

Dois estudos pioneiros, nas décadas de 1950 e 1960, foram fundamentais para diminuir essa distância. O primeiro, realizado na ilha de Koshima, no Japão, detectou que os macacos da região eram capazes de aprender novas técnicas para se alimentar a partir da mudança do hábito de um dos seus pares. A pesquisa revelou que um jovem macaco provocara uma pequena revolução na ilha ao passar a lavar a batata-doce num pequeno braço d’água antes de comê-la, ato que passou a ser repetido por três quartos de todos os macacos jovens da ilha. A descoberta provou que o homem não era o único a transmitir um comportamento socialmente adquirido – não transmitido geneticamente nem aprendido individualmente. O segundo estudo foi o da inglesa Jane Goodall que, ao conviver com chimpanzés na Tanzânia, provou que esses primatas tinham uma complexa vida social, uma linguagem primitiva com mais de 20 sons e a capacidade de usar diversas ferramentas para obter alimento – algo considerado exclusivo da nossa espécie. Além disso, os pesquisadores sabem que mamíferos como baleias, golfinhos e elefantes conseguem aprender e ensinar.

Cultura e política

Como até a ONU já reconheceu que não dá mais para tratar os grandes primatas como animais comuns (o secretário-geral da ONU Kofi Annan escreveu que, “assim como nós, eles têm autoconsciência, cultura própria, ferramentas e habilidades políticas”), é bem possível que, no futuro, o homem venha a descobrir que se comportou diante dessas espécies com a mesma arrogância das velhas teorias de superioridade racial.


Fonte: Super Abril




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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Animais pensam? Quem come carne acha que não...

Gato
Na selva, um leão abate sua presa sem hesitar. Mas, para muitos humanos, imaginar que animais sentem dor, prazer ou medo é suficiente para abrir mão de saborear carne. Uma pesquisa divulgada pelo Personality and Social Psychology Bulletin mostra que a maioria das pessoas que come carne reluta em acreditar que os animais tenham habilidades mentais capaz de fazê-los pensar e sofrer antes da morte.

A negação parece uma tentativa de se justificar moralmente”, diz o psicólogo Brock Bastian, da Universidade de Queensland, na Austrália. O pesquisador e seus colegas questionaram os participantes se queriam comer fatias de carne ou de maçã depois que fizessem uma tarefa. Em seguida, pediu que descrevessem, em um texto breve, como imaginavam o ciclo de vida completo de um animal abatido e como avaliavam as faculdades mentais de um bovino. Os voluntários que escolheram comer carne depois do teste tinham ideias mais “conservadoras” sobre a mente dos animais. A maioria negou que pudessem pensar e ter sentimentos.

“A empatia, que é a capacidade de reconhecer e até mesmo experimentar as emoções dos outros, nem sempre é útil. Pessoas que vivem em sociedades que se alimentam de carne recorrem à negação para alinhar sua moral às tradições e comer sem culpa”, diz Bastian.


Fonte: Mente e Cérebro




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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Os animais são ou não capazes de pensar?

Imagem:Chimpanzé pensativo


Séculos de estudo: afinal, os animais são ou não capazes de pensar?



Imagine um animal em situação de perigo. Antes de se aproximar do objeto ameaçador, ele apenas observa de longe seus movimentos. Depois, vencido pela curiosidade, se aproxima, não sem saltar para trás em apreensão – e precaução. Quando considera que não há perigo, ganha confiança e volta a agir normalmente.

Esse comportamento certamente parece inteligente. Os humanos poderiam muito bem se comportar de forma similar quando se deparassem com algo estranho e potencialmente perigoso. Mas o que realmente acontece com os animais: um processo de pensamento deliberado ou mero instinto animal?

A questão é antiga. Aristóteles e René Descartes acreditavam que o comportamento animal era governado puramente por reflexos. Já Charles Darwin e o psicólogo William James argumentaram que os animais deveriam ter uma vida mental complicada.

Agora, estamos mais perto do que nunca de resolver esse debate. Uma grande quantidade de relatos de comportamentos animais está fazendo muitos biólogos acreditarem que certas criaturas realmente têm pensamentos rudimentares. 

Enquanto isso, as últimas imagens cerebrais de experimentos estão ajudando os cientistas a compreender que tipo de anatomia é necessária para um cérebro pensante.Embora seja improvável que as vidas mentais dos animais sejam tão complexas quanto a nossa, há muito mais acontecendo em suas cabeças do que se pode imaginar.

Na década de 1970, o zoólogo americano Donald Griffin começou a esquentar esse debate. Ele foi uma das primeiras pessoas a descobrir a “ecolocalização” dos morcegos, e comportamentos tais como a capacidade dos castores de cortar pedaços de madeira para encaixar precisamente nos furos particulares de suas barragens, bem como a capacidade dos macacos de usar suas vozes (chamadas diferentes) para enganar os outros – tudo sugeria que os animais podiam pensar.

Os céticos achavam que isso era muito subjetivo. As observações de Donald perderam credibilidade por ele achar que todos os animais eram conscientes – ele queria provar que, cada vez que qualquer animal fazia qualquer coisa com qualquer ingenuidade, tão primitivo quanto um vaga-lume brilhando no escuro, ele estava consciente. 

Hoje, no entanto, apesar do valor do trabalho de Donald, a pesquisa está mais objetiva e sistemática. Mais popular é a ideia de que as experiências mentais de outros animais se encontram em uma espécie de espectro, variando de um tipo primitivo de consciência ao fluxo rico e complexo de pensamentos da mente humana.

A mosca da fruta é o animal perfeito para explorar uma das extremidades desse espectro. Ao longo dos últimos anos, cientistas mostraram que esses insetos têm um pré-requisito essencial para a consciência: ao invés de responder aleatoriamente a tudo à sua volta, eles podem selecionar em que prestam atenção com base em suas memórias. 

Por exemplo, as moscas são mais propensas a explorar novos objetos adicionados ao ambiente do que coisas que estiveram lá por um tempo. Quando os pesquisadores reduziram a capacidade da mosca da fruta de formar memórias, isso prejudicou sua capacidade de atender a novidade, de modo que os insetos responderam mais ao acaso.
Atenção flexível existe, provavelmente, até no mais simples cérebro, o que significa que muitas criaturas, incluindo peixes, anfíbios e répteis, também pode ter esse tipo de consciência. Sendo assim, quais animais, se houver algum, mostram sinais mais avançados de experiência mental?

Os melhores indícios até agora são de animais que exibem formas particularmente complexas de comportamento, como a capacidade de planejar o futuro. 

Até recentemente, os cientistas acreditavam que essa característica era unicamente humana. No final de 1990, pesquisadores descobriram que o pássaro gaio-azul pode usar memórias específicas de acontecimentos do passado para fazer planos para os tempos à frente. 

Em 2006, pesquisadores descobriram que essa capacidade se estendia aos beija-flores. Eles podem se lembrar da localização de certas flores e quão recentemente estiveram em um local, e usar essas informações para orientar seu comportamento futuro. 

Desde então, os estudos sugerem que primatas, ratos e polvos mostram alguma aptidão para o planejamento futuro, também.

O problema é se esse comportamento é flexível. Se não, o ato pode ser apenas um instinto evoluído, por mais complexo que pareça ser. Por exemplo, corvos conseguem usar uma ferramenta “antiga” para um novo uso (um galho para verificar objetos potencialmente perigosos foi usado mais tarde para pegar comida dentro de um tubo).

Corvídeos podem até ser capazes de adivinhar o comportamento de outra ave. Por exemplo, experiências constataram que os corvos tomam medidas para proteger alimentos de outros corvos que poderiam tê-los visto escondendo-os, mas ficam despreocupados com corvos presos atrás de um obstáculo que teriam bloqueado a sua visão (e assim não teriam visto onde eles esconderam a comida). Em outras palavras, eles têm uma “teoria da mente” básica, que não é possível sem algum tipo de processo de pensamento.

Algumas outras criaturas também devem ter essa capacidade; não surpreendentemente os primatas estão entre essa elite. Se os chimpanzés roubam comida, por exemplo, são extremamente silenciosos se outro membro do grupo estiver ao alcance de sua voz. Mais impressionante ainda, eles parecem ser capazes de adivinhar como outro pode ter agido no passado. 

Durante uma caça à comida, os chimpanzés tentam adivinhar onde seus concorrentes poderiam ter procurado primeiro, para que eles possam procurar em locais menos óbvios. Baleias, ursos e cães ainda não provaram suas habilidades neste tipo de tarefa, mas não deixam de mostrar alguns sinais de empatia que sugerem que eles também devem ter uma vida mental relativamente avançada.

No entanto, ainda falta uma característica importante do pensamento humano nos animais, chamada de “metacognição”: a habilidade de monitorar e controlar memórias e percepções, permitindo-nos pensar, por exemplo, “eu sei que eu sei isso” ou “eu não tenho certeza de que estou certo”, ou ainda sentir que o nome de alguém está na ponta de sua língua.

A importância disso para o pensamento humano é comparável ao uso da linguagem e das ferramentas. Evidência de metacognição em outros animais, portanto, seria uma grande prova da existência da mente animal.

Alguns cientistas começaram a explorar o assunto no início de 2000. Por exemplo, em um experimento, um grupo de macacos observou uma imagem e, depois de um tempo, tiveram que tentar selecionar a imagem de um grupo de quatro. Para quem acertasse, o prêmio era um amendoim. 

Em um fluxo de experiências, no entanto, os macacos poderiam perder a chance de ganhar o amendoim, em troca de um prêmio garantido – um alimento processado de macaco menos desejável. Os cientistas suspeitam que os macacos deixavam “passar” essa opção quando não tinham certeza da resposta.

Ele estava certo. Macacos que tinham a oportunidade de “passar” para a frente desempenharam muito melhor nos testes do que 0s do experimento “tudo-ou-nada”. Isto sugere que, quando dada a oportunidade, eles eram totalmente capazes de avaliar a sua confiança na tarefa, fornecendo evidências convincentes para a metacognição no macaco.

Novas pesquisas sugerem que eles são parte de um conjunto selecionado com essa capacidade. Os chimpanzés, como os macacos, demonstraram metacognição, mas os macacos-prego, embora inteligentes em outras áreas, parecem cair nesse obstáculo. Os resultados para os golfinhos não são claros, mas já ficou certo que criaturas como o pombo não estão à altura do desafio.

Descobrir se outras espécies inteligentes como os golfinhos e, talvez, os corvos, possuem metacognição é crucial para nosso entendimento da mente. Os cientistas precisam saber se a metacognição desenvolveu apenas uma vez, na linha dos primatas (que leva a macacos e humanos), ou se a característica se desenvolveu repetidamente e convergentemente, com picos de sofisticação cognitiva, em golfinhos, corvos, macacos e pessoas. Se esse for o caso, mudaria toda a nossa compreensão da evolução do cérebro dos primatas.

Muitos cientistas, entretanto, continuam achando que os humanos estão em um nível completamente diferente e muito maior de pensamento. Os chimpanzés, por exemplo, simplesmente não entendem conceitos físicos abstratos, como peso, gravidade e transferência de força. 

Tente colocar uma banana perto da gaiola um chimpanzé e fornecer-lhe algumas ferramentas para alcançar seu potencial lanche. Ele estará tão propenso a tentar usar um material desajeitado e mole quanto um objeto rígido para alcançar a banana. 

Ou seja, os chimpanzés podem raciocinar sobre coisas diretamente perceptíveis, mas somente os seres humanos têm um nível superior de pensamento que não depende apenas de estímulos sensoriais, permitindo-os formar conceitos mais abstratos, como gravidade ou força. 

Esses cientistas céticos são minoria, mas continuam achando que os animais não têm consciência. Como Descartes, eles chegaram à conclusão de que a linguagem é essencial para o pensamento. Isso porque mesmo um comportamento engenhoso – que não envolva linguagem – pode ser feito sem estar consciente (veja os humanos dirigindo um carro sem nem pensar nisso). Os comportamentos que eles não concebem fazer inconscientemente são os que envolvem o uso de linguagem.

Um dos problemas nessa área é que os estudos de comportamento só podem chegar a um certo ponto: você poderia mostrar um animal como uma mosca colocando chapéu e vestindo roupas, e ainda algumas pessoas poderiam dizem que é apenas uma série de reflexos.

Por essa razão, alguns pesquisadores estão tentando novas abordagens que possam resolver o argumento de uma vez por todas. Imagens do cérebro é uma das possibilidades mais promissoras. 

Por exemplo, pesquisadores usaram ressonância magnética funcional para estudar assinaturas de consciência do cérebro humano. Eles descobriram que existe um padrão similar de atividade neural cada vez que nos tornamos conscientes da mesma imagem de uma casa ou de um rosto, mas não processamos a informação da imagem inconscientemente. O trabalho sugere que o pensamento consciente não depende de qualquer região exclusivamente humana do cérebro, ou seja, não há nenhuma razão anatômica para dizer que o pensamento é exclusivo das pessoas.

Outro trabalho neurocientífico revelou alguns pré-requisitos importantes para a consciência que podem estar presentes em alguns animais. Conexões neurais que permitem que o tálamo transmita informações de sentidos para o córtex, por exemplo, parecem ser vitais para a percepção consciente. Outros mamíferos além de nós possuem tal conexão, por isso, eles têm pelo menos substratos para a consciência. Provavelmente podemos dizer o mesmo sobre as aves, o que parece se encaixar com as conclusões dos estudos comportamentais.

Algumas pessoas nunca vão se convencer do pensamento animal, já que acham que não há dados que possam responder a essa pergunta. Já outros estão otimistas com a procura dos equivalentes animais ao tálamo e córtex para resolver de vez o argumento. 

O que você acha?


Fonte: HypeScience



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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os Animais Pensam?

Imagem: Símio pensando

 

Sim. Como os autistas

Temple Grandin, pesquisadora norte-americana, afirma que os mecanismos do "pensamento" animal são os mesmos das pessoas autistas.



Estudiosa do autismo, a norte-americana Temple Grandin (ela própria autista) diz que sua forma de ver o mundo pode ajudar a compreender como pensam os animais. Ao comparar mecanismos do “pensamento” animal com os de autistas, ela aproxima os animais dos seres humanos e lança as bases de uma grande polêmica científica

Quem ainda não parou, tocado no fundo do coração, diante do olhar intenso e meigo de um cão labrador? Se você é ligado em animais, sejam selvagens ou domésticos, certamente já se pegou admirado diante de tanta expressividade e se perguntou: será que eles pensam? E, se pensam, o que pensam? Para a ciência, essa também é uma pergunta recorrente, origem de inúmeras pesquisas, centenas de dúvidas e muitas, muitas controvérsias. Uma delas diz respeito aos novos estudos realizados pela pesquisadora norte-americana Temple Grandin.

Recentemente, ela sacudiu os meios acadêmicos ao afirmar não apenas que os animais pensam, mas também ao lançar uma teoria para explicar como eles o fazem. Mais que isso: Temple deixou cientistas de cabelo em pé quando comparou a mente de um animal à mente de um ser humano autista. Para ela, animais e pessoas com autismo têm a mesma forma de ver mundo e os mesmos mecanismos de “pensamento”.

Absurdo? Pode parecer, embora boa parte dessa polêmica seja amenizada diante do fato de que a própria autora dessa teoria é autista e conhece o assunto de um ponto de vista muito particular, único na história da ciência. Aos 62 anos, Temple faz parte de uma estatística que aponta 20 casos a cada 10 mil pessoas (quatro vezes maior nos homens, de acordo com a Sociedade Americana de Autismo), com vários níveis de comprometimento do cérebro. No caso da pesquisadora, o autismo manifestou-se num grau considerado baixo, o que permite que ela leve uma vida muito próxima dos padrões de normalidade, interagindo perfeitamente com o mundo que a cerca.

O termo autista, que provém do grego (autos significa “de si mesmo”), foi usado pela primeira vez em 1906, pelo psiquiatra Plouller, mas foi entre 1943 e 1944 que os pesquisadores Leo Kanner e Hans Asperger lançaram as bases para o estudo mais sistemático do problema. Hoje, o que se sabe é que o autismo é um transtorno definido por disfunções físicas no cérebro, ocorridas antes dos 3 anos de idade, e caracterizado por perda da comunicação, distúrbios nas habilidades físicas e linguísticas, e em dificuldades na interação social.

Felizmente, nas últimas décadas, vários mitos em torno do autismo foram derrubados. Um deles é o de que pessoas autistas vivem isoladas “em seu mundo”. Na verdade, a falta de comunicação entre autistas e as outras pessoas deve-se às dificuldades que eles têm de estabelecer uma comunicação, muitas vezes até uma simples conversa, dependendo do grau do transtorno.

No caso de Temple, o autismo foi diagnosticado aos 2 anos e, embora ela tenha nascido num tempo em que o tema era muito pouco conhecido, em 1947, seus pais perceberam seu problema e deram estímulo e ensino adequados para ela se tornar uma profissional respeitada no meio acadêmico e científico. Formou-se em psicologia em 1976 e desenvolveu vários trabalhos científicos que vêm ajudando pesquisadores de todo o mundo a entender melhor essa lacuna na medicina. Hoje, possui vários livros publicados e o título de Ph.D. (equivalente ao doutorado no Brasil) pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Portadora de uma forma leve de autismo, Temple Grandin conquistou uma posição respeitável nos meios científicos e acadêmicos. Sua perspectiva de autista lhe proporciona abordagens inovadoras sobre esse transtorno.

Depois de se dedicar à mente humana, Temple se especializou em comportamento animal. Em 1975, fez seu mestrado em ciência animal e mais tarde doutorou-se na mesma área, aperfeiçoando ainda mais seu trabalho com animais e dando os primeiros passos em direção às atuais descobertas. Suas principais ideias sobre o pensamento dos animais estão defendidas no livro Na língua dos bichos, escrito em parceria com a jornalista Catherine Johnson e lançado no Brasil em 2005.

Antes mesmo de seus estudos, a relação de Temple com os animais já era marcante. Quando criança, estudou numa escola especial e descobriu que o contato com animais, em especial os cavalos, auxiliava na superação de vários problemas emocionais. Mais tarde, tornou-se referência mundial no que se costuma chamar hoje de estudos do bem-estar animal. Sua preocupação com eles está presente até na hora da morte, pois projetou um sistema de abate que poupa o gado do estresse e do pânico antes de ser sacrificado. Construído de forma circular e todo coberto, esse sistema é usado por metade dos matadouros dos EUA, pois evita que o gado se assuste com sons e movimentos bruscos vindos de fora e ao mesmo tempo impede que vejam o que há pela frente. Seja como for, o sistema dá certo e ajuda a explicar sua teoria de que os animais enxergam muito mais detalhes do que um humano. Segundo ela, um porco evita atravessar um local por ver poças d’água com reflexos, pois podem parecer coisas assustadoras. Para Temple, isso ocorre também com alguns autistas, mais sensíveis a mudanças insignificantes do ambiente onde vivem. Mas as comparações entre autistas e animais não param por aí.

Para ela, uma das semelhanças entre o funcionamento da mente de um animal e de um autista diz respeito à maneira de processar as informações visuais que chegam ao cérebro. “Pessoas normais veem e ouvem de forma seletiva, com uma ‘peneira’ que filtra o que vai ser realmente compreendido pelo cérebro”, diz Temple. A partir de várias pesquisas com animais em cativeiro, ela percebeu que eles possuem um processo distinto de absorver o mundo que os cerca, que permite acessar todas as informações sensoriais brutas.

Os animais pensam?


Para diversas pessoas, é muito difícil aceitar a ideia de que formas mais inferiores de vida, tais como vermes ou carrapatos, sejam capazes de pensar e exibir consciência, planejamento a longo prazo ou raciocínio abstrato, as marcas fundamentais de uma mente. Mas poucos duvidam de que os grandes símios, primatas antropoides, como gorilas, bonobos, orangotangos e chimpanzés (estes últimos compartilham impressionantes 98% do seu genoma com os seres humanos) possuam coisas que parecem ser pensamento e cultura.

Em artigo sobre a evolução da inteligência humana publicado na revista Cérebro & Mente, o neurocientista paulista Renato M. E. Sabbatini argumenta que a inteligência não é uma propriedade única aos seres humanos. “A inteligência humana parece ser composta de várias funções neurais correlacionadas e que cooperam entre si, muitas das quais também estão presentes em outros primatas, tais como destreza manual, visão colorida estereoscópica altamente sofisticada e precisa, reconhecimento e uso de símbolos complexos (coisas abstratas que representam outras), memória de longo prazo, entre outras.

De fato, a visão científica corrente é que existem vários graus de complexidade da inteligência presente em mamíferos e que compartilhamos com eles muitas das características que previamente pensávamos ser exclusivas do ser humano, tal como linguagem simbólica, que se comprovou também ser possível em antropoides. O estudo da evolução da inteligência humana forneceu evidências de que parece haver uma “massa crítica” de neurônios de maneira a conseguir consciência semelhante à dos humanos, linguagem e cognição, mas que essas propriedades da mente parecem estar já presentes em outras espécies com cérebros altamente desenvolvidos, embora em forma mais primitiva ou reduzida.

O problema é que os seres humanos sabem que outros humanos têm mentes iguais às suas, porque podemos compartilhar essas experiências entre nós, através da linguagem simbólica. Outros animais são incapazes de comunicar isso diretamente a nós, porque eles não têm linguagem ou introspecção. Entretanto, os estudiosos da comunicação simbólica dos antropoides, tais como os que fizeram experimentos que foram capazes de ensinar orangotangos, gorilas e chimpanzés a usar linguagens artificiais, são rápidos em afirmar que eles possuem fortes evidências de que isso é verdade. “Experimentos com os chimpanzés Koko e Washoe e com o gorila Kenzi demonstraram que eles eram capazes de inventar novas palavras, construir frases abstratas e expressar seus sentimentos através da Linguagem Americana de Sinais (para surdos-mudos) ou linguagens simbólicas baseadas em computadores”, escreve Sabbatini.

“É o que ocorre também no cérebro dos autistas”, afirma a pesquisadora. Segundo ela, pessoas normais usam os lobos frontais e o neocórtex para juntar os estímulos dos órgãos dos sentidos num todo coerente, que estabelece um limite de acesso a essas informações sensoriais brutas. Embora os autistas tenham essas partes do cérebro normais, elas não estão totalmente ligadas ao resto do cérebro, não permitindo essa filtragem. Para ela, o fato de os animais também terem o neocórtex pouco desenvolvido justificaria tal semelhança.

Para Temple, ainda existem semelhanças na forma de se relacionar emocionalmente com o mundo. “Emoções como raiva, medo, curiosidade, atração sexual e laços sociais como a amizade são básicas para ambos, pois tanto animais quanto autistas têm menor capacidade de associar coisas o tempo todo, o que ajuda a manter os sentimentos mais separados”, diz a pesquisadora. “Ambos têm uma percepção mais amena da dor por conta da possível falta de conexão entre a dor e sentimentos como a preocupação e a ansiedade.”

As afirmações de Temple causaram muita polêmica na comunidade acadêmica e, logo após ter lançado seus artigos, cientistas do mundo todo opuseram-se aos pontos de vista ali defendidos. Para muitos, ainda é difícil fazer essa equivalência de funções cognitivas, o que exigiria mais pesquisas tanto do cérebro animal como dos humanos. Para outros, é muito perigoso fazer esse tipo de comparação, que poderia gerar uma distorção do autismo e até mesmo suscitar comparações esdrúxulas entre humanos e animais, ou suscitar o preconceito com os autistas. Os pesquisadores também contestam que os animais tenham acesso privilegiado a níveis básicos de informação sensorial. Defendem que tanto os animais como os humanos processam a informação segundo regras, uma função especializada do hemisfério esquerdo do cérebro observada em ambos.

Para temple, o fato de animais e autistas terem o neocórtex pouco desenvolvido ajuda a explicar suas limitações no processo do pensamento

Em sua defesa, Temple diz que uma das causas da discórdia está no modo como as informações são apreendidas pelos não autistas, que pensam com linguagem, enquanto os autistas e animais pensam a partir de dados sensoriais brutos. Ela acrescenta que seu cérebro e o dos animais funcionam como a internet, na qual se pode acessar qualquer tema a partir de uma busca. “No nosso caso, porém, essa busca é 100% visual”, completa.

Diante dessa controvérsia, cientistas se apoiam principalmente no fato de as ideias de Temple não estarem baseadas em provas físicas concretas – em grande parte das vezes, elas se apoiam em sua própria experiência pessoal. No entanto, todos concordam que seu trabalho tem revelado um vasto conhecimento no que diz respeito ao autismo e à percepção dos animais. Enquanto isso, seguimos observando os olhos desses seres que sempre fizeram parte de nossa vida, do nosso meio, e que, muitas vezes, nos ajudam a compreender melhor o mundo. E a nós mesmos.

João Correia Filho


Para saber mais

• Temple Grandin e Catherine Johnson,Na língua dos bichos, Ed. Rocco, 2005
• Tim Radford, “Do animals think?”,Guardian, dezembro 2002
• Sabbatini, R.M.E., “The evolution of human intelligence”.Brain & Mind, 12, 2001


Fonte:Revista Planeta



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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Introdução: Os Animais Sentem?

Foto By S.N
Imagem:Cão SRD,Clara
Recebemos em 2013 um série de RECLAMAÇÕES através do Fale Conosco a respeito de oradores espíritas, apresentadores de rádio e alguns padres que alegavam que os animais não pensavam , não sentiam e não possuíam alma. Enviamos vários emails solicitando Direito de Resposta que não foi atendido em nenhuma das ocasiões, ao contrário, a coisa parece ter piorado e outros programas da RBN passaram a emitir a mesma opinião de que animais não sentem e não pensam.

Acreditamos que é a falta de informação que possibilita à apresentadores, padres, locutores , professores e tantos outros, a falar coisas sobre os animais que já foram descobertas pela ciência: Animais não pensam. Animais não sentem.Animais não tem alma. Essas são algumas das pérolas que temos ouvido mesmo com a enorme quantidade de informações que as contradizem.

Seria preguiça dos apresentadores? Dos religiosos? Dos professores?

Seria falta de interesse?

Pode até ser, porém a nenhum deles é permitido dizer tantas coisas errôneas num século onde a Tecnologia disponibiliza tantos canais para elevar o conhecimento.

Pensando na falta de vontade deles, na preguiça mental e em sua imensa falta de interesse pela realidade, vamos disponibilizar nos próximos dias uma série de artigos científicos que fundamentam, desvelam e desmentem alegações de que animais são meros objetos.

Sabemos que eles não possuem humildade suficiente para admitir seus erros, mas queremos informar a todos aqueles que por acaso tenham ouvido tais alegações falaciosas e dizer para que não acreditem nelas, ao contrário, busquem se informar e informar o locutor sobre as inverdades pronunciada por ele. 

Essa será uma semana somente sobre esse assunto, fique ligado e...

Boa leitura.



Filhote de macaco


Os animais têm emoções?

Marc Bekoff


Uma das perguntas mais quentes do estudo do comportamento animal é: "Os animais têm emoções?" E a resposta simples e correta é: "Claro que eles têm." Basta olhar para eles, ouvi-los e, se tiver coragem, sentir os odores que espalham quando interagem com amigos e inimigos. Olhe para os seus rostos, caudas, órgãos e, mais importante, os seus olhos. O que vemos do lado de fora nos diz muito sobre o que está acontecendo dentro das cabeças e dos corações dos animais . As Emoções animais deixram de ser um mistério.
 
Quando comecei meus estudos há três décadas atrás, a pergunta era: "Qual é a sensação de ser um cão ou um lobo?"-Pesquisadores , quase todos céticos, , passavam o tempo se perguntando se os cães, gatos, chimpanzés e outros animais sentiam . Mas sentimentos não se encaixam sob um microscópio .
 
Mas agora há muito menos céticos; revistas científicas de prestígio publicam ensaios sobre a alegria em ratos, a dor em elefantes e a empatia em camundongos e ninguém pisca. A questão de real importância não é se os animais têm emoções, mas como as emoções nos animais evoluíram. Simplificando, as emoções têm evoluído como adaptações em numerosas espécies. Elas servem como uma cola social de relacionamento uns com os outros animais e também catalisam e regulam uma grande variedade de encontros sociais entre amigos e inimigos.
 
Emoções permitem aos animais comportarem-se de forma adaptável e flexível, utilizando vários padrões de comportamento em uma grande variedade de locais. A pesquisa mostrou que os ratos são roedores empáticos, mas acontece que eles são amantes da diversão também. Também lemos relatos de iguanas na busca do prazer; baleias amorosas; babuínos irritados; elefantes que sofrem de flashbacks psicológicos e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT-elefantes têm um enorme hipocampo, uma estrutura cerebral no sistema límbico, que é importante no processamento de emoções ; pode ser observado o luto em lontras, gralhas e burros; o peixe é  sensível e foi possível encontrar um cão com visão que serve como um "cão guia" para seu amigo canino cego.  


Hoje o paradigma mudou a tal ponto que o ônus da "prova" agora recai sobre aqueles que ainda argumentam que os animais não sentem emoções.
 
Muitos pesquisadores também reconhecem que devemos ser antropomórficos (atribuir características humanas aos animais) quando discutimos as emoções animais, mas fazendo isso com cuidado, ainda podemos dar as devidas consideração aos pontos de vista dos animais. Não importa do que podemos chamar(antropomorfismo ou não),  pesquisadores concordam que os animais e os seres humanos compartilham muitas características, incluindo emoções. Assim, não estamos inserindo algo de humano em animais, mas sim, estamos identificando semelhanças e, em seguida, usando a linguagem humana para comunicar o que observamos. Ser antropomórfico nada mais é do que agir naturalmente, o que é  necessário para compreender as emoções animais.
 
Poderíamos mesmo esperar encontrar relacionamentos íntimos, duradouros e cativantes emocionalmente entre membros da mesma espécie, mas os relacionamentos improváveis ​​ocorrem também entre animais de espécies muito diferentes, mesmo entre os animais que são normalmente "predador e presa" ! Tal é o caso de Aochan, uma cobra que fez amizade com um hamster anão chamado Gohan, em Mutsugoro Okoku , no Zôo de Tóquio, e uma leoa no norte do Quênia, que adotou um bebê órix (geralmente um aperitivo antes de uma refeição maior) em cinco ocasiões diferentes.
 
É ruim para biologia argumentar contra a existência de emoções nos animais. A investigação científica em biologia evolucionária, etologia cognitiva (o estudo da mente animal) e a neurociência social, apoiam a visão de que numerosos e diversos animais têm vida emocional rica e profunda. (Aqui eu me concentro em mamíferos, embora haja dados mostrando que os pássaros e, talvez, a experiência de que peixe possuem emoções, bem como dor e sofrimento.)
 
Ideias bem aceitas por Charles Darwin, sobre a evolução, de continuidade que as diferenças entre as espécies são diferenças apenas em grau grau e não de tipo-argumentar, já que ele observava fortemente para a presença de emoções animais como empatia e comportamento moral. Essa continuidade nos permite ligar os "pontos evolutivos" entre espécies diferentes para destacar semelhanças nos traços evolutivos, incluindo sentimentos e paixões individuais. Todos os mamíferos (incluindo os humanos) partilham estruturas neuroanatomicas, como a amígdala e vias neuroquímicas no sistema límbico, que são importantes para os sentimentos.

 Os neurônios-espelho ajudam a explicar sentimentos como empatia. Pesquisas sobre esses neurônios apoiam a noção de que os indivíduos podem sentir os sentimentos dos outros(Alteridade- nota do Blog). Os neurônios-espelho nos permitem compreender o comportamento de outra pessoa, imaginando-nos realizar o mesmo comportamento e, em seguida, projetando-nos mentalmente no lugar do outro indivíduo.
 
Não sabemos ainda até que ponto várias espécies compartilham esta capacidade , mas não há evidências de que os seres humanos sejam os únicos a possuí-la. Macacos  ajudam um ao outro na busca de alimentos e elefantes consolam outros em perigo. Os neurônios-espelho também ajudam a explicar as observações de macacos rhesus que não aceitam alimentos se outro macaco sofre quando eles o conseguem e ratos empáticos reagem mais fortemente a estímulos dolorosos após observaram outros ratos com dor.
 
As fronteiras entre "eles" e "nós" são obscuras e permeáveis, e o estudo das emoções nos animais nos ajuda a responder a grande questão de "quem somos?". Outra questão importante para que as respostas sejam reveladas pelo estudo das paixões nos animais é: "Os animais podem ser seres morais?".  Em meu desenvolvimento do fenômeno que  chamo de "justiça selvagem", defendo que eles podem. Muitos animais distinguem o certo do errado e vivem de acordo com um código moral.
 
Quando as pessoas me dizem que amam os animais, porque eles são seres sencientes, mas  em seguida, abusam deles, eu lhes digo que estou feliz por não me amarem. Costumo perguntar aos pesquisadores que realizam trabalhos invasivos com animais ou pessoas que trabalham em fazendas industriais "você faria isso com seu cachorro?" Alguns se assustam ao ouvir essa pergunta, mas se as pessoas não vai fazer alguma coisa para seu próprio cão, por que fazem isso diariamente para outros cães ou camundongos, ratos, gatos, macacos, porcos, vacas, elefantes ou chimpanzés? Nós precisamos saber o por quê. Não há dúvida alguma de que, quando se trata de o que pode e não pode fazer para os outros animais, são as suas emoções que devem informar os nossos debates e nossas ações em seu nome.
 
As emoções são os dons dos nossos antepassados. Nós temos, e assim também as têm outros animais. Nunca devemos nos esquecer isso. Quando se trata de bem-estar animal, podemos sempre fazer melhor. Na maioria das vezes, "o bem-estar" não é bom o suficiente.



Fonte: UOL 




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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Os animais perdem a consciência ao desencarnarem??? (Estudo)



 

Foto by SN: Hime, raça Akita

Introdução: grifamos várias vezes Consciência destacando se é C maiúsculo ou minúsculo para facilitar a compreensão daqueles que estudam conosco e que possuem deficiência visual, aprendemos com eles, dia a dia, como melhorar o Blog . Pode ficar cansativo para os que enxergam, mas fica bem mais facil no caso de leitores para DVs que não distinguem letras maiúsculas ou minúsculas.

Agradecemos a ajuda e a compreensão de todos, sobretudo da nossa grande amiga e colaboradora, Fernanda Almada, pelas dicas preciosas.  Vamos aos estudos


  Questão : Os animais têm consciência, sentimentos e emoções?



O Livro dos Espíritos coloca o seguinte :

598. Após a morte, conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma?

“Conserva sua individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.”


Essa questão precisa ser revista com muita atenção.

Muitos palestrantes são taxativos ao afirmarem que o animal mantém sua individualidade porém não mantém sua consciência. Vamos pensar primeiro o que é Consciência e o que é consciência( com C maiúsculo e com c minúsculo).

Consciência (C maiúsculo) é a capacidade de relacionar-se com o meio onde vive, a capacidade de ser senciente, de sentir física e emocionalmente é o dar-se conta do qual nos fala César Ades. A memória faz parte da Consciência e muitos peixes se utilizam dela(quem afirma existir alma grupo geralmente diz que peixes pertencem a ela e deixam de ser tanto individuais quanto Conscientes ao desencarnarem).

Temos no Blog uma palestra que pode ser baixada sobre Consciência Animal e que traz as explicações de César Ades e fala sobre Ades e sobre o manifesto abaixo.

O Manifesto de 2011 , assinado por mais de 20 neurocientistas e pelo maior físico do nosso século nós diz que sim, eles possuem Consciência ( C maiúsculo) enquanto matéria.Todos os mamíferos, as aves e principalmente os polvos.

Agora vejamos passo a passo o que sabemos e vamos dar uma sacudida nos conhecimentos.

A Consciência ( C maiúsculo) é que lhes permite interagir, reconhecer e apreender (conhecimentos), seria impossível alegar que ele perderia tudo o que foi apreendido durante o desencarne. Não seria?

Isso não inviabilizaria toda uma evolução?

Como evoluir se não poderíamos partir do ponto exato onde paramos?

Quando lemos que após o desencarne eles mantém a individualidade (vasos também são objetos individuais, só que não possuem Consciência - C maiúsculo), mas não sua Consciência (grifado com C maiúsculo), podemos compreender de uma maneira diferente.

Eles não perdem a Consciência ( C maiúsculo) , pois esta fica em estado latente, assim como nos coloca Miramez:

“Após a morte, conserva a alma do animal a sua individualidade, porque ela é indivisível, no entanto, a consciência do seu eu fica em estado latente por lhe faltar evolução para tal."

E o que seria esse estado latente?

Latente significa estar velado, seria um certo adormecimento, o animal perderia nesta inconsciência (de “inconsciente”), sua relação com aquilo que o cerca. Assim, ao reassumir seu estado consciente/desperto, despertaria também sua Consciência, agora com C maiúsculo.

Imagem: Lobo olhos azuis
Alguns animais, não todos, ficariam desligados do mundo por um determinado período, até porque, como sabemos, André Luiz relata inúmeros avistamentos de animais no plano espiritual, animais que Trabalham do lado de lá, portanto, animais que necessitam de uma Consciência para Interagir com o meio ambiente do Plano Astral.

Outra afirmação de Miramez:

“Em muitos lugares na Terra, eles, em corpo astral, cooperam com os homens, até o ponto que o destino permite. Até nos templos de caridade cristã, muitos deles ficam de ronda, para não permitir invasão das sombras. Os animais, no plano do Espírito, são mais obedientes aos Espíritos que os comandam, por encontrarem neles mais amor do que os homens podem dar.”

Se literalmente perdessem a Consciência (C maiúsculo) isso tudo não seria possível. E essa pequena reflexão nos propícia a olharmos essa questão agora por um novo prisma.

Consciência - LE q 598 – [...] mantém sua individualidade mas não a consciência(c minúsculo), mantendo porém sua Consciência ( C maiúsculo).

Sendo: consciência (com c minúsculo) apenas a capacidade de manter-se alerta e interagindo com o ambiente e Consciência (com C maiúsculo) a capacidade de dar-se conta, de apreender valores morais e éticos.

Como ele pode SER sem uma Consciência?(C maiúsculo)

Como podem continuar evoluindo se a Consciência (C maiúsculo) se dissipa?

Ela não pode ser perdida posto que fica gravada em nós como verdadeiras tatuagens astrais, então como dizer que mantém a individualidade e não ela? Porque compreendemos errado por muito tempo e é preciso novamente re-estudar a luz de novos aprendizados.

O ser não é sem Consciência (C maiúsculo), nem no plano material nem no plano espiritual, pois ele é, como nós mesmos somos, sua própria Consciência (C maiúsculo).
Peixes são maquiavélicos




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