segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Espiritismo, Alimentação,Vampirismo


"É melhor uma verdade dura do que uma fabula reconfortante ".  

Carl Sagan





Sempre que nos referimos a Alimentação Carnívora por parte das pessoas, sobretudo dos espíritas, ouvimos como resposta que cada um tem o seu tempo e suas necessidades. Acreditamos nisso, mas também acreditamos que assim como os espíritas, os animais igualmente possuem as próprias necessidades,necessidades estas que roubamos deles em benefício próprio. 

A Doutrina Espírita situa-se dentro de um magnífico cabedal de conhecimento que é  constantemente ignorado pelos próprios estudiosos da Doutrina no que se refere aos animais. Os mais ilustres baluartes do espiritismo repetem de cor e salteado o caminho da mônada até a esfera hominal. Conseguem falar durante horas do Amor de Jesus, de seus atos e da soberana bondade de Deus. A cada momento nos chamam a atenção para vibrarmos pelo Outro, a amarmos sem condições, a nos entregarmos de corpo e alma nas mãos de Jesus e a agir tal como Ele agiu, nesta hora não nos dizem que temos o nosso momento e as nossas necessidades, afinal o Outro por quem temos que vibrar é o Outro humano e não o Outro animal. 

Mas o que nos impede de mudar? Se for a falta de conhecimento do que ocorre com os animais, tal problema se dissipará agora com o trecho do Livro "Iniciação a Viagem Astral". Nele Lancellin mostra não apenas o que ocorre com o animal enquanto matéria, mas o que ocorre momentos após a sua morte. O que ele relata neste capítulo, a carne do animal ao qual ele se refere , é exatamente a mesma carne que vai virar bife e parar no seu prato.Vejamos o que nos coloca o espírito Lancellin neste primeiro trecho: 

      (...)

        Daí a pouco, demos entrada em um matadouro de gado bovino, ambiente turvado de um magnetismo deprimente, mas, antes, o nosso guia espiritual nos reuniu e falou com sabedoria:

        — Meus irmãos, nunca são demais as advertências. Hoje não trouxemos mais companheiros encarnados por ser o ambiente muito inferior. É preciso, pois, muito equilíbrio emocional para que possamos ajudar sem ferir, ajudar sem julgamento, ajudar sem desprezar as coisas de Deus. Cada fato se processa no lugar certo, e o que vamos contemplar agora, estudando, existe na Terra pelo que ela é. A escala que o nosso planeta atingiu até agora requer essa violência com as vidas inferiores. Caso um de vós altere as emoções, tornar-se-á visível a determinados Espíritos vampirizadores, o que irá dificultar os nossos trabalhos. Vamos nos lembrar do Mestre, quando advertiu desta maneira:Vigiai e orai.

Primeiro Lancellin descreve o local que lhes serviria como sala de estudo e coloca  que é um lugar turvado de um magnetismo deprimente e um ambiente muito inferior. Só por esta primeira descrição deveríamos urgentemente reavaliar nossa alimentação que provém de um ambiente deprimente e inferior, onde não apenas permitimos que ocorram a morte de animais, mas onde obrigamos aquele nosso Outro, a quem deveríamos respeitar e amar, a matar para nós. Qualquer pessoa, não apenas Lancellin, precisaria manter o equilibrio emocional dentro de um abatedouro, tamanha a crueldade particada la dentro.Contra o que se vê num abatedouro, a palavra de nenhum baluarte espirita que permite a alimentação carnívora consegue se sobrepor. Ou seja, é sempre preciso continuarmos a Pensar e não apenas a ouvir e agir conforme aquele que nos fala.

E o Espírito prossegue em sua explicação do lugar ao dizer que as cenas as quais irão assistir ainda existem "na Terra pelo que é ela é" - (vide artigo "Terra, um Planeta de expiação e provas") e que infelizmente "requer essa violência com as vidas inferiores" . Seria uma justificativa ou uma explicação? Lancellin justifica a maldade dos seres humanos para com os animais alegando que isso ocorre pelo que a Terra ainda é - Planeta de expiação e provas, Planeta inferior com seres inferiores - e a Terra ainda é o que é porque nós somos o espelho onde ela se reflete.Não é o Planeta que é ruim, somos nós, e o primeiro passo é admitirmos isso para conseguirmos operar uma Transformação em nós mesmos.Em seguida ele explica que os seres humanos e não o Planeta, "requer essa violência com a vida dos seres inferiores" , ou seja,  por sermos seres inferiores, deficientes moral e eticamente, nos aproveitamos daqueles que estão em uma escalada evolutiva abaixo de nós - por isso o termo inferior - seres que ainda se encontram num estágio pelo qual passamos um dia, que nos supriu com qualidades que hoje usamos contra eles : Inteligência, racionalidade.


Talvez o mais assustador , a quem quer que leia o trecho em questão, seja a referência de Lancellin sobre os Espíritos Vampirizadores que ali se encontram, isso mesmo, vampiros ao redor do boi,este irmãos animal que irá morrer, virar bife e parar no prato das pessoas, sejam espíritas ou não.


Vamos ler mais um trecho da fala de Lancellin:
 

        Penetramos em um lugar assustador; estavam em círculo vinte vampiros, cuja descrição preferimos omitir. Com o chefe, formavam um magote de vinte e um. O que estava chefiando vestia-se de vermelho encarnado, com uma espécie de capuz bipartido atrás e tendo nas pontas duas bolas pretas; no alto da cabeça, duas saliências o destacavam dos outros. Os bois estavam em filas obrigatórias, devido às cercas laterais que os prendiam, sem que eles pudessem ao menos se mexer. Ao passarem em determinado ponto, caía em suas nucas uma lâmina mortal. Logo adiante, um homem carrancudo fazia escorrer o sangue do animal já ajoelhado e exteriorizando suas dores.

        Eu sentia reações profundas, sem que as deixasse passar para as emoções. Confesso, estava encontrando dificuldades para me manter em equilíbrio. Procurei a Dezenove e não a vi. Fiquei inquieto, e como Miramez sentiu que as minhas perguntas íntimas poderiam perturbar os trabalhos que requeriam muito silêncio, aproximou-se de mim e falou baixinho:

        — Lancellin, não viste que ela começou a desmaiar, não suportando a visão do ambiente? Foi levada às pressas para o corpo de carne, pelo Padre Galeno.

        Cortei as minhas indagações e passei a prestar atenção no meu dever, o dever de informar pelas minhas anotações, com o cuidado que exigem a moral e a paz dos encarnados, transmitindo somente o que pode ser dito. Parece que Miramez deixou que os vampiros iniciassem sua ação, para que pudéssemos ter uma ideia de como as coisas acontecem nos frigoríficos.



Imagem Boi a espera do abate



Lancellin continua a narrar a visão perturbadora que todos estão tendo do frigorífico, os bois enfileirados a espera da morte, seguem cercados de vampiros astrais que desejam sugar seus fluidos plasmáticos, e tal visão dificulta o equilíbrio emocional dos presentes, e acredito que dificulte até  essa leitura discreta que o espírito faz sobre , como ele mesmo coloca, "de como as coisas acontecem nos frigoríficos".

O que questionamos agora é:

Estaria Lancellin mentindo sobre o que ocorre aos animais dentro dos frigoríficos?

Estaria ele inventando ações irreais apenas para apavorar os espíritas diante do que estes fazem aos seus irmãos inferiores evolutivamente?

Porque, ao ouvirmos o discurso de muitos palestrantes espíritas de renome, nos parece que Lancellin está apenas a fazer uma piada sobre o que ocorre dentro de um abatedouro, tal o desrespeito à vida dos animais no qual estes doutrinadores se lançam.

Já ouvimos inúmeros desdéns as palavras do Irmão X  em sua defesa pelos animais, sabemos que este espírito é querido por todos, respeitado e amado, porém parece que quando se refere aos animais "não sabe o que fala". Seria isto o que ocorre ? Suas palavras servem apenas na defesa da vida humana e não da vida animal?

Quando Irmão X nos diz:

Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros. 



Não sabe ele o que diz então?

Supostamente estaríamos autorizados a alegar que não, Irmãos X, André Luiz, Emmanuel, Lancellin e tantos outros não sabem o que dizem a respeito dos abatedouros e da carne se não soubéssemos nós de onde provém o bife que está em nosso prato.Nós sabemos, apenas não aceitamos que nos digam pois somos seres vampirizadores dos animais quando nos sentamos a mesa de refeição, apenas nos negamos a aceitar nossa inferioridade diante disso.

Ao prosseguir na narrativa, torna-se ainda mais difícil a leitura do que ocorre a nossos irmãos animais:
 
  Quando o magarefe enterrou a lâmina no pescoço do animal, cortando-lhe as veias, o vampiro-chefe avançou em primeiro lugar e sorveu, de mais ou menos uma distância de trinta centímetros, o fluido do plasma sanguíneo com uma habilidade espetacular. O plasma etérico se dividia, pela vontade dele, em dois jatos de energia que entravam pelas narinas e por sua boca, posicionada em forma de bico. Era grande a satisfação. Depois que sugou de uns três animais, ante a inquietação dos outros, ele deu um sinal para o primeiro. Esse veio e fez o mesmo, sugando as energias vitais do animal. Quando chegou a vez do quinto Espírito,
senti que para mim era um sacrifício imputado aos meus sentimentos. Era demais! Então, pude observar que vampiro e magarefe eram uma coisa só. Miramez segredou-me, mesmo estando eu com a emoção um pouco alterada:

        — Vê, Lancelin! A mediunidade se processa em toda a parte. Este irmão está servindo de instrumento para os Espíritos da sua mesma faixa se alimentarem com as energias do animal. E o pior é que essa classe de Espíritos recebe magnetismo inferior do animal, fortalecendo seus instintos mais baixos, e transmitem para o mesmo animal, ou seja, para a sua carne e ossos, outro tipo de fluidos pesados na mesma freqüência, com os quais os homens, depois, vão inundar seus organismos. É por isso que os comedores de carne dos animais mostram, de vez em quando, no cotidiano, algo que lembra esses Espíritos. Os espíritas se livram deste magnetismo inferior com os recursos dos passes, da água fluidificada e, por vezes, de prolongadas leituras espirituais; os evangélicos e também alguns católicos se libertam dele nos ambientes das igrejas, mas sempre fica alguma coisa para se transformar em doenças perigosas.

        A medicina tem quase a idade do planeta, se buscarmos sua origem, e quanto mais descobre remédios, mais surgem doenças, por lhe faltar um senso profundo, um entendimento mais correto sobre as causas. Ela trata, infelizmente, somente dos efeitos.

        Todas as causas são morais, na extensão desta palavra. O mundo todo se preocupa só em instruir a humanidade, esquecendo que o melhor é Educar, mostrar-lhe o valor do bem. A salvação da humanidade encarnada e desencarnada está na descoberta do Amor, mas o amor universal.

        Senti grande bem-estar com a conversa de Miramez. Ele nos convidou para uma oração. “O quê?”... pensei logo, “oração aqui, neste ambiente aterrador?”





Imagem: órgãos bovinos espalhados no chão

Lancellin faz referências importantes  ao que ocorre com os animais neste lugar aterrador e com o corpo que irá virar bife, o magnetismo recebido pelos vampiros que lhes realça o instinto animalizado e a transferência do magnetismo pesado e inferior deles, vampiros, para o corpo sem vida do animal, lembrando que este corpo irá ser vendido nos açougues  e com a qual "os homens, depois, vão inundar seus organismos."

"essa classe de Espíritos recebe magnetismo inferior do animal, fortalecendo seus instintos mais baixos, e transmitem para o mesmo animal, ou seja, para a sua carne e ossos, outro tipo de fluidos pesados na mesma frequência, com os quais os homens, depois, vão inundar seus organismos." 


Estes que vão se inundar deste baixo magnetismo, estes que tiraram a vida do animal, nosso irmão, estes somos todos Nós que nos alimentamos de suas carnes, que desdenhamos dos Espíritos que defendem a vida animal como se a vida de cada um deles de nada nos valesse. Somos nós que ignoramos suas dores ao dizer que temos o Nosso Momento, que temos a Nossa Necessidade, e que egoisticamente praticamos o massacre de bilhões de animais todos os anos.Por isso Lancelin nos diz que todas as causas de nossas doenças são morais, por isso nos fala sobre a importância do Educar e não do apenas Instruir nas noções do Bem; e para demonstrar a importância dessa educação , trazemos outra citação do Irmão X : 


"A rigor, a Religião deve orientar as realizações do espírito, assim como a Ciência dirige todos os assuntos pertinentes à vida material. Entretanto, a Religião até certo ponto, permanece jungida ao superficialismo do sacerdócio, sem tocar a profundeza da alma.'

 
"Ao superficialismo do sacerdócio, sem tocar a profundeza da alma"
,uma superficialidade ética e moral, uma superficialidade que não nos permite atingir o Amor Universal, que nãos nos permite ver os animais como irmãos e que não nos permite fazer da Terra um lugar melhor, onde não seja necessária, como coloca Lancellin, a morte de seres inocentes.



Nós lemos as frases de Lancellin:



"essa classe de Espíritos recebe magnetismo inferior do animal, fortalecendo seus instintos mais baixos, e transmitem para o mesmo animal, ou seja, para a sua carne e ossos, outro tipo de fluidos pesados na mesma frequência, com os quais os homens, depois, vão inundar seus organismos."


De André Luiz

 

"Os seres inferiores e necessitados do Planeta não nos encaram como superiores generosos e inteligentes, mas como verdugos cruéis. Confiam na tempestade furiosa que perturba as forças da Natureza, mas fogem, desesperados, à aproximação do homem de qualquer condição, excetuando-se os animais domésticos que, por confiar em nossas palavras e atitudes, aceitam o cutelo no matadouro, quase sempre com lágrimas de aflição, incapazes de discernir com o raciocínio embrionário onde começa a nossa perversidade e onde termina a nossa compreensão. Se não protegemos nem educamos aqueles que o Pai nos confiou, como germens frágeis de racionalidade nos pesados vasos do instinto; se abusamos largamente de sua incapacidade de defesa e conservação, como exigir o amparo dos superiores benevolentes e sábios, cujas instruções mais simples são para nós difíceis de suportar, pela nossa lastimável condição de infratores da lei de auxílios mútuos ?"


De Emmanuel 


“A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.” 



De Irmão X


Preliminarmente, admito deva referir-me aos nossos antigos maus hábitos. A cristalização deles, aqui, é uma praga tiranizante.Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.  


Mas não permitimos que elas toquem a profundeza de nossa alma,e nos distanciamos dia a dia do amor acreditando que o bem só é bem se for de ser humano para ser humano, ideia falaciosa que projetamos uns nas mentes do outros apenas para que continuemos a ser o que somos, seres inferiores e egoístas.


A dúvida é: Até quando? 


Talvez a oração realizada por Miramez não faça bem apenas aos vampiros astrais, mas consiga igualmente tocar nossa alma de vampiros materializados para que rumemos novamente no caminho do bem.Vamos ler a oração e ver se ela não foi feita para o seres humanos:

 

        Antes que os vampiros continuassem seus exercícios das trevas, de sugar energias dos animais abatidos, Miramez fez alguma evoluções com as mãos, cortando as suas atividades, a contra-gosto deles, e passou a orar deste modo:

        Deus de eterna bondade!...

        Tem compaixão destes nossos irmãos, que não sabem o que fazem. Ajuda-nos a ajudá-los, no ponto que eles carecem desta assistência, sem violentá-los, colocando em suas mentes estacionadas no mal algumas advertências e tendências para o bem. Que a influência do amor possa constituir uma verdade, uma luz, sem que se desfaça no regime de inferioridade. Compadece-Te deles!...

        Não queremos alterar nada que seja da Tua vontade, mas faze, Senhor, o que deve ser feito e convoca-nos para os trabalhos que devem e podem ser mudados. Pedimos para esses animais sacrificados, na linha evolutiva a que pertencem; que os anjos possam cuidar deles, como filhos também do Teu amor, na sequência da Luz e do despertar.

        Cria, Senhor, em nós, um ambiente de serenidade para assistir a tudo como sendo a Tua vontade, porque, se assim não fosse, nada disso aconteceria. Novamente dizemos: faça-se a Tua vontade e não a nossa. Pedimos para a nossa companheira Dezenove, que não suportou a visão que teve a oportunidade de contemplar neste recinto de morte.

        Assim seja.


Nós somos os irmãos que "não sabem o que fazem" , somos nós que carecemos de assistência porque permanecemos estacionados no mal, que cristalizamos maus hábitos e usamos palavras bonitas para justificar nossos atos mais hediondos, sem respeita a vida de seres que igualmente são filhos do Amor Divino.
E seguimos com um último trecho do livro:

 

        Ouvi o chefe dos vampiros dizer:

        — Tem alguma coisa no ar que não nos interessa, pois o ambiente mudou. De vez em quando se dá isso. Vamos embora! Pode ser uma traição da Luz, para nos prender. Não vamos ser escravos de ninguém, queremos a nossa independência! Vamos!

        Os que não puderam sugar a vitalidade dos animais saíram contrariados, blasfemando contra as ordens.

        Os animais, depois da oração de Miramez, enfrentavam o corredor da morte com serenidade. Entregavam-se aos rudes processos de evolução, tendo como instrumentos os homens, ou vampiros encarnados, servindo de motivo de escândalo. Miramez nos mostrava no ar a nuvem negra voando, dizendo:

        — Olhai lá os vampiros dos matadouros volitando sob o comando do chefe vermelho. O Espírito que os dirige é mago negro e os domina a todos, tendo alguns poderes um tanto ou quanto desenvolvidos.

        Percebemos, entristecidos, que na faixa em que eles volitavam ia ficando um odor repugnante. Finalizou Miramez:

        — Ali o egoísmo se petrificou. Eles somente sentem e vêem as suas próprias necessidades. Mas, graças a Deus, a qualquer hora dessas surgirá a dor, que começa no centro da consciência e se derrama para a mente, de forma insuportável, de modo a anular todos os seus movimentos no mal. Ela os obrigará a pedir socorro a quem passar, como prenúncio de arrependimento ou vestígio de oração. Surgirá o momento em que a Luz aproveitará para levá-los às devidas corrigendas. O Senhor, meus filhos, não criou ninguém sem os recursos de melhorar. O ar, as chuvas, o sol, a luz, as águas, e por fim o amor, tudo isso existe porque está na Sua vontade. Tudo foi feito por Deus e se move n’Ele, obedecendo à Sua magnânima vontade.



Segundo a fala de Miramez, os animais seguiam serenos para a morte como se estivessem confortados, isso ainda seria uma "desculpa ", um "alívio"para os nossos atos se nos esquecêssemos de que os animais são seres sencientes e que a dor vai novamente cortar-lhes os laços que os ligam a matéria, mas não podemos esquecer disso e por mais serenos que seguissem para a morte, isso nos isentaria de sermos culpados por ela. não. E Miramez reforça esse pensamento nos fazendo lembrar das palavras de Jesus " O escandalo há de vir, mais ai daquele por quem o escândalo vier". Sim, os animais precisam evoluir, mesmo através da dor (escândalo), mas de que forma irão evoluir(pelos homens),o que nos coloca em culpa(ai daquele por quem o escândalo, desta forma, Miramez traduz a justificava dos atos em culpabilidade dos seres humanos.



Nós somos culpados pela morte dos animais, de bilhões de animais.Nós tratamos como coisas, objetos, não como filhos de Deus e tentamos a todos momento justificar nossos atos violentos contra eles.



Os Incas e Astecas também achavam necessário sacrificar pessoas ... no entendimento deles, a manutenção da vida (deles) igualmente "requer essa violência(sacrifício humano) com seres inferiores sacrifícios humanos,mas por que no limiar do Século 21 precisamos aceitar que o estágio de evolução no qual nos encontramos ainda requeira essa violência e justamente contra aqueles que nomeamos de "inferiores"?



Porque somos inferiores tanto quanto julgamos nosso Outro, seja ele animal ou hominal, essa nossa desculpa para a prática e a cristalização no mal.



Por isso temos que tomar muito cuidado com tudo que lemos e ouvimos, pois a cristalização de pensamento não permite a mudança de uma mentalidade de maus hábitos para bons hábitos. podemos notar que , para a continuidade da existência dos frigoríficos, muitos amigos citam Emmanuel e os problemas econômicos que o seu desaparecimento poderia causar. Alguém acredita que os frigoríficos desapareceriam do dia para a noite deixando desempregados milhares de pessoas que se sustentam com a morte dos animais? E as fábricas de armamentos que igualmente matam crianças, jovens, velhos, não devemos ser contra elas também ou devemos pensar nas milhares de pessoas que igualmente se sustentam com o genocídio? Assim o é com o trafico de drogas, com as grandes corporações de fumo e álcool, criando dezenas de doenças e desavenças entre as famílias. Mas, infelizmente só pensamos deste modo, como Emmanuel narra,quando se trata de animais, e o mais complicado nisso tudo é que, tais palavras, vindas de um Espírito de Luz são extremamente significativas para muitos espíritas, cristalizando neles a necessidade da morte dos animais.


Só não nos apercebemos que esse mesmo pensamento de justificação no mal pode , igualmente, justificar uma guerra contra os mais fracos, mesmo que sejam humanos, ou que alguém de um outro Planeta, que seja mais intelectualizado que nós, nos use como servos e nos abata como abatemos os animais.


Não é mais possível deixar que Outros pensem por nós. não é mais possível ler as frases que citamos acima e ficarmos ignorantes ao que ocorre com os animais, somos tão vampiros deles quanto os vampiros que se encontravam nos abatedouros, os animais possuem tanto medo de nós quanto deles, é necessário que repensemos se desejamos a Terra como está, requerendo a violência , ou se desejamos torná-la um lar para todos nós, seres hominais, animais, e vegetais.






REFERÊNCIAS



Iniciação – Viagem Astral. João Nunes Maia, pelo Espírito Lancellin. Editora Espírita Fonte Viva

 

Cartas  e Crônicas. Irmão X - Psicografia de Chico Xavier.



O Consolador - Emmanuel - Psicografia de Chico Xavier.

Imagem Sacrificio Humana; http://ecoturismoesoterico2.wordpress.com/category/sacrificios-humanos-en-mesoamerica/





Simone Nardi




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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Faça a Conexão com a Vida





Fonte:MaeinNatura





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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Protetores Eternos (Conto)


Marcelo escutou o ruído do portão do lado de fora da casa. Passava um pouco da meia noite. Ergueu-se assustado da cama e correu para a janela. Alguém forçava o portão. Seu coração disparou.
Seria um ladrão? E se fosse? O que ele faria?
Fez meia volta e correu na direção da cozinha. Gigi, a gata siamesa ressonava. Ao seu lado Napoleão, o pastor Alemão que adotara, fazia o mesmo. Era filhote e ainda por cima aleijado. Tinha que lembrar de dizer a esposa para parar de adotar cães de rua, precisavam mesmo era de um cão de guarda de verdade.
Correu até o interruptor e lembrou-se de ter ouvido alguém dizer um dia:
“ Os cães enxergam melhor que os homens, não precisa acender a luz, senão o bandido também verá o cão”
Parou, só então lembrou-se que não havia mais um cão do lado de fora. Vanila, a cocker sarnenta que Aida tirara da rua havia morrido há alguns dias depois de anos de alegria.
Apesar da raça, Vanila sempre se mostrara superprotetora, era uma pena que não estava ali nesse momento.
Marcelo ouviu passos que seguiam pelo corredor. Correu para o telefone afim de discar o número da polícia. Sair e enfrentar o bandido, isso jamais, não com a esposa grávida, a espera de seu primeiro filho. Ele apanhou o fone e ouviu Gigi miar assustada. Um miado que ele já conhecia, que há dias não ouvia mais.
Virou-se olhando para Gigi e Napoleão que despertara com os miados da companheira.
Tudo aconteceu então de forma muito rápida.
Marcelo olhou para porta. Alguém mexia na maçaneta. A policia não chegaria a tempo de socorrer o casal.
Gigi miava feito louca e Napoleão abanava a cauda tentando se equilibrar nas três pernas. De repente ele ouviu latidos. Latidos conhecidos. O ladrão deu um grito e o som de mordidas e rosnados tomou conta do ar. Houve uma tremenda correria lá fora que despertou até mesmo a esposa de Marcelo, Aida. O som do portão balançando indicava que o ladrão saíra correndo. Marcelo não teve dúvidas, abriu a porta e saiu.
Seus olhos e o de sua esposa orvalharam. Pelo longo corredor agora iluminado, Vanila, a cocker que havia morrido há alguns, dias subia toda imponente. A cauda abanava festiva como sempre acontecia quando via os donos que a haviam tirado da rua.
Quando faltavam poucos metros para que ela chegasse até eles, o corpo fluídico de Vanila se iluminou  transformando-se numa bola de luz que subiu aos céus num raio de claridade.
Ao lado deles, Gigi e Napoleão também seguiam a luz. Gigi parara de miar, coisa que só fazia quando Vanila se aproximava dela para lhe puxar o rabo.
Marcelo abraçou a esposa e sorriu. O miado insistente de Gigi, era esse miado que ela dava quando Vanila se aproximava dela para brincar, e a alegria de Napoleão, ambos também a haviam visto. Sim, pensava Marcelo emocionado, Vanila voltara para protegê-los, esse era seu agradecimento por eles terem recolhido a cocker da rua e cuidado de suas feridas, esse era seu jeito de retribuir seu amor.
Um amor que continuava muito além da vida.

Simone Nardi



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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Maus tratos aos animais e violência contra as pessoas -Excelente leitura

Autor: Marcelo Robis Francisco Nassaro
 
A obra é uma adaptação da dissertação de mestrado do autor, defendida em 2013. Robis Nassaro estudou registros criminais de pessoas autuadas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo por maus tratos aos animais e observou que uma porcentagem significativa delas também apresentou outros registros por crimes violentos contra pessoas, indicando uma conexão entre esses delitos.
Para efetivar a compra, efetue o pagamento de R$ 25,00 (frete incluso) e envie comprovante para secretaria@institutoninarosa.org.br ou fax (11) 3868-4434 informando endereço completo para entrega, nome e CPF.
Banco Bradesco
Agência 0421
Conta corrente 117018-0
CNPJ 04.085.217/0001-00

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ensaio sobre a cegueira

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
Citado no “Livro dos conselhos”,
de El-Rei Dom Duarte.





A maioria já deve ter lido ou ao menos ouvido falar do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago; vamos apenas pincelar o livro que narra como de repente uma cegueira branca vai se espalhando, contaminando e tomando conta das pessoas; a princípio parece ser incurável e aos poucos toda a humanidade vai ficando cega, reduzida a seres meramente instintivos. Em meio a tanto terror, apenas uma pessoa não perde a visão e é ela, sozinha, que os guia dentro dessa cegueira branca, dentro desse mundo desconhecido e assustador. O filme retrata como o ser humano é capaz de perder anos de civilização ao ser privado de um de seus sentidos. É possível compreender no livro a necessidade dos “cegos”, em confiarem naquele único ser que enxerga, de modo a poderem se humanizar e se socializar novamente, pois o governo os envia a um sanatório e, quanto mais pessoas chegam, mais deplorável fica o lugar. Começam a surgir disputas pela comida e pelo domínio do sanatório, situações constrangedoras fazem com que os personagens comecem a se questionar sobre sua dignidade, seu auto-respeito e seu orgulho.

Por trás do livro podemos notar que Saramago não trata apenas da cegueira física, mas da cegueira moral dentro da qual a sociedade se encontra, e sabemos que todo esse orgulho e dignidade são deixados de lado quando o animal humano é posto diante do animal não humano. Em confronto com um ser que ele julga inferior, o animal humano esquece que é civilizado e se bestializa de tal forma que perde sua verdadeira identidade, seu orgulho e seu auto respeito, descendo a níveis que os animais não humanos não conseguem alcançar, a própria “miséria moral”. Foi há muitos anos atrás que essa cegueira branca teve início, ao matar no animal humano todo seu senso de moral, compaixão é ética pelos animais não humanos. A ética social, tal como no livro, desmoronou desde então. O animal humano cego pelo orgulho e pela vaidade separou-se da natureza, espezinhou-a e aos seus outros filhos, os animais, com a mesma crueldade com que trata tudo aquilo que lhe é diferente. Nessa sua cegueira, a humanidade é capaz de ignorar o fato de que há uma igualdade senciente entre nós e os animais, é capaz de se manter cega diante de tanto sofrimento, ensaiando o dia em que consiga obter a coragem de enfrentar seus medos em resistir à cegueira a qual a condicionaram.

“O medo cega, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.[...] Quantos cegos serão preciso para fazer uma cegueira, Ninguém soube responder.” (J. Saramago)

Quanto ainda será preciso mostrar, demonstrar, expor, falar ou escrever sobre o sofrimento animal, antes que os “cegos da ética” notem que estão errados, que estão com medo e que esse medo os cega. Quanto ainda teremos que pedir para que abram seus olhos, pois somente assim essa cegueira se dissipará e a ética voltará a se fazer parte da sociedade? Esse cegos contemporâneos são cegos do coração e da alma, são cegos da moral e da ética, guiam outros cegos e conhecemos a velha frase que nos diz: “Cegos guiando cegos,ambos cairão no abismo”. Já estamos caindo no “abismo” a cada dia que passa, por todo o desrespeito que as pessoas mostram em relação aos animais; é a humanidade quem polui o seu próprio ar, que contamina sua própria água, que apodrece sua própria terra, que desrespeita a eles, os animais não humanos e em igualdade, a si mesma, mas a maioria ainda deseja se manter cega diante disso. Essa cegueira não os deixa ver aonde pisam nem em quem pisam, não os deixa livres para escolherem qual caminho tomar, qual posição escolher.São cegos que temem enxergar, porque fazem tantas coisas ruins aos animais que se envergonham, e se fecham cada vez mais dentro de uma cegueira manipulada e cruel.

“Por que cegamos, não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem” (J. Saramago)

Essa á a grande parcela da humanidade hoje diante da exploração animal, cegos que vendo, ainda assim fingem não ver, que diante da repulsa que a visão do sofrimento animal acarreta, com uma insensibilidade fora do normal, conseguem ignorar o que lhes mostrado, que hibernam em seus costumes e tradições bárbaras com medo de enxergar a verdade de seus atos cruéis.


“Por que cegamos?”

Porque passamos a nos achar seres privilegiados, seres mais fortes, mais poderosos e, no entanto, nos tornamos seres mais cruéis, mais frios, mais irracionais. Não somos cegos, estamos cegos diante daquilo que não desejamos ver, a agonia animal que praticamos todos os dias.

Assim como os personagens de Saramago perderam o senso de civilidade, hoje, os cegos contemporâneos, perderam o senso de civilidade junto a natureza, junto aos animais, tornaram-se egoístas ao fazerem da Terra, um Planeta para uso exclusivo de animais humanos.Não dividem, não doam, ao contrário, tomam a força, ameaçam, humilham, matam, violam e desmoralizam qualquer ser que se oponha a essa cegueira.
Saramago diz que deseja que seu leitor sofra ao ler o livro, tanto quanto ele sofreu as escrevê-lo. E hoje nós sofremos por essa cegueira que perdura há séculos, séculos de tortura, de morte e muito sangue. Tal como o livro, a vida dos animais tem sido um capítulo brutal e violento, repleto de experiências dolorosas e aflições sem fim.

“Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.” (J. Saramago)

O que nos falta para reconhecermos isso, então? O que nos falta para enxergarmos que, o que fazemos com os animais se opõe a qualquer ética que tentemos criar para nos proteger uns dos outros? Que falta para as pessoas abrirem os olhos e enxergarem que os gritos de agonia só irão cessar quando elas mudarem? Não somos cegos, repito, estamos cegos, e ser cego é uma opção.


A cura para essa cegueira nada mais é do que a aceitação verdade, e a verdade é que realmente não somos bons que, embora o veganismo nos guie para a moralização ética, nós nos afastamos desse guia por medo de descobrirmos que não somos aquilo que pensamos que éramos: seres bondosos e racionais. Temos medo, tanto quanto os cegos de Saramago, de caminharmos por esse mundo desconhecido e assustador que é o respeito aos animais não humanos, não estamos acostumados a respeitá-los, somos orgulhosos demais, porém a cegueira nos tem feito viver num mundo igualmente deplorável ao sanatório onde os cegos de Saramago viviam, fingimos não ver, mas sentimos o cheiro da morte e da nossa sujeira.

Quando será que a humanidade se desvencilhará dessa cegueira para alcançar a sua lucidez, pois qualquer pessoa que saiba sobre o sofrimento animal e nada faça a esse respeito, está cego e perdeu parte de sua sanidade. Seria irracional nos colocarmos como seres racionais diante da visão do abate de um animal, diante da vivissecção, diante das touradas, bem mais fácil realmente seria essa posição ocupada pela grande massa, a de seres cegos e insensíveis a dor, não há como explicar de outro modo como alguém que tendo conhecimento sobre o que acontece com os animais, não mude, nem tente mudar.

É preciso que nos se humanizemos e nos socializemos novamente com a natureza, com os animais, com o mundo no qual vivemos, precisamos ter coragem para abandonarmos a cegueira de anos e anos de exploração animal, por uma conduta mais digna, pois o ser humano que usa de sua força contra um ser qualquer, não é digno, nem possui qualquer valor moral e os animais humanos necessitam, urgentemente, se moralizarem perante a natureza e sobretudo, diante dos animais não humanos.

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”1
Se podes enxergar e reparar, então que esperas para mudar?



Nota
1 Metáfora sobre aqueles que tendo visão, se recusam a ver, pois é bem mais fácil ignorar as coisas que fazemos de mal aos outros seres do que passarmos a nos enxergar como verdugos cruéis.

 Simone Nardi


Referência

José Saramago -Ensaio sobre a cegueira











Simone Nardi









Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz) ; é fundadora do Grupo de Discussão  Espírita Clara Luz que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pós-graduada em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP.







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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A difícil arte da não violência

Falar sobre não violência é algo muito fácil; difícil, porém, é compreender seu significado e colocá-lo em prática. Falamos a todo o momento em não violência e a todo o momento violamos vidas. Falamos a todo o momento de respeito e a todo o momento desrespeitamos vidas.

Patch Adams, aquele doutor que usaram como inspiração para o filme; “Patch Adams, O Amor é Contagioso”, numa entrevista cedida à TV Cultura disse, tal qual como Nietzsche já o fizera um dia, que nós nos enganamos constantemente. Que vivemos numa sociedade de mentiras, nas quais somos fingidos e mentirosos por acomodação. Achamos que precisamos de um relógio de 2 mil dólares porque a sociedade acha bonito, porém não precisamos e sabemos disso, mas também nos enganamos tanto a respeito do relógio quanto de outras coisas. Achamos que praticamos a não violência quando não matamos ninguém, quando não ofendemos ninguém. Mas nos enganamos e enganamos a sociedade quando acreditamos que somos realmente não violentos.

Nessa mesma entrevista, Patch Adams fala sobre as pessoas que se vestem de palhaço e seguem para os hospitais para divertir as crianças. Chegam, trocam de roupa e às vezes sequer brincam ou conversam com enfermeiros e médicos, fazem lá suas palhaçadas, alegram as crianças, depois tiram a roupa e voltam para suas casas; não olham no rosto do cara dentro do elevador, não agradecem o rapaz que segurou a porta giratória, não olham na cara do idoso que estacionou seu carro. E acham que não são violentos por alegrarem as crianças dentro do Hospital. E Adams vai mais longe e diz que “eles realmente se enganam achando que levam a alegria ao Mundo”. Eles se enganam, e isso sou eu quem diz, quando se acham não violentos.

Vivemos mesmo numa sociedade enganadora, em que não desejamos ver o que realmente somos. Mentimos para nós mesmos para nos adaptar ao Mundo e, “ai” daquele infeliz que tentar ser diferente. Chacotas, ridicularização, escárnio, o pobre coitado ou é louco, ou tem problemas cármicos, decididamente, não se encaixa no perfil da sociedade perfeita.

E nossa sociedade é perfeita, correto?

Somos mesmo não violentos, só porque não matamos ninguém?


Moralmente, somos não violentos?

Tom Regan, em seu livro “Jaulas Vazias”, conta que fez uma reunião em sua casa para montar uma base que objetivava o fim do envolvimento americano na guerra do Vietnã que estava tirando os filhos de tantas famílias, e transformando-os em soldados, soldados/filhos que morriam nos campos de batalha. O grupo buscava por uma solução pacífica para aquele conflito através da não violência. Aquela era uma guerra desnecessária. Para tanto, assou um cordeiro inteiro para o grande dia da reunião, depois, segundo ele, foi Gandhi em sua autobiografia, que o fez abrir os olhos ao “perguntar” que tipo de homem, movido pela não violência, violava uma vida numa guerra desnecessária entre homens e animais?

Para lutar pela paz, ele havia feito a sua pequena guerra e tirado uma vida; cometera, ao assar o cordeiro, a mesma violência que pensava tentar impedir. Como salvar uma vida tirando outra? Nem é preciso dizer que Regan tornou-se outro homem depois disso, tornou-se vegetariano, porque ser vegetariano é praticar a não violência de forma mais racional.

Mas nós nos dizemos adeptos da não violência, afinal não matamos ninguém, não discutimos no trânsito, não…não….tantas coisas simples de se fazer.

Cultuamos a violência de uma forma enganosa , para a qual fechamos nossos olhos por puro comodismo. Diariamente matamos milhões de animais porque nos fizeram acreditar que precisávamos deles para nos manter vivos. Olhe para seu prato de comida e veja se não houve qualquer violência cometida contra aquele ser que está ali. Deixe de ver aquele pedaço de bife apenas como carne, mas tente vê-lo como uma vida que sofreu para estar ali, e tente dizer a você mesmo: Eu sou adepto da não violência, do Ahimsa, esse amor Universal capaz de abarcar todos os seres da Criação.

Você acha que consegue? Acredita mesmo no que diz?

Faz ideia de como aquele pedaço de carne chegou até seu prato? Ah não, a maioria nem deseja saber, quanto mais falar sobre isso. Tem duas atitudes, ou pede ao interlocutor que se cale, ou tenta ridicularizar a morte, tentando banalizá-la, pois assim pode continuar se enganando dia após dia.

Como é difícil praticar a não violência não é? Mas por que fazemos isso?

Vamos nos descobrir um pouco mais, pois os ventos não param de soprar e vão, de qualquer maneira, nos impulsionar adiante, queiramos ou não, aceitemos ou não. “Eu sou adepto da não violência”. Falemos isso bem alto. Conseguimos acreditar nisso?Como conseguimos crer que somos bons apenas porque alimentamos os pobres e vestimos os que passam frio? Mas aí lembramos que alguém nos disse um dia “Fora da Caridade Não Há Salvação”…

Por que nos enganamos, nos fazendo acreditar que ser violento é apenas agredir nosso igual; não contamos como não violência a morte de outros seres que dividem conosco esse espaço de Mundo chamado Terra. Não, isso não conta, porque mentimos constantemente para nós mesmos. E a coisa não muda muito quando falamos sobre o pensamento de algumas religiões.

Nietzsche, sempre inspirado, escreveu que Deus havia morrido. Sim, e é verdade, deus está morto para o homem a partir do momento em que nos “O” moldamos as nossas necessidades: “O homem molda Deus as suas necessidades, e não as Suas Leis”.(Nietzsche)

Segundo o filósofo alemão, em todas as épocas da humanidade houve um Deus diferente, e assim ainda o é, dependendo do que necessitemos. Ora criamos um deus egoísta, outra hora um deus vingativo e punitivo, ora um deus adorável que tudo permite apenas para que possamos dormir em paz, porque na verdade não queremos ouvir o que o Deus vivo realmente tem para nos dizer; e se Ele disser que teremos todos que ser adeptos praticantes da não violência? Que será de nós? Simples! Apelaremos àquele deus piedoso que criamos,  ou àquele que perdoa tudo, até nossa inesgotável falta de vontade de mudar, afinal esse é um planeta de expiação e provas ainda, é um planeta em transição, um planeta de aprendizagem e erros…

E por que chegamos às religiões? Porque são elas, ao menos teoricamente e sem fanatismos,  os caminhos que levarão o homem a Deus e ao Ahimsa.

Conversando com diversas pessoas de diversas religiões, ouvi de todos eles a mesma explicação. Somos adeptos da não violência contra os animais, até somos a favor de respeitá-los como irmãos, porém não pregamos o vegetarianismo/veganismo (?). Como se ambas as coisas não tivessem ligação uma com a outra.

Falar sobre vegetarianismo/veganismo realmente assusta algumas religiões, porque vai fazer com que as pessoas comecem a se mexer, a mudar de atitude a realmente praticar a não violência com uma classe de seres que são sempre esquecidos e marginalizados, os animais, que alguns insistem em dizer que foram criados para o abate. Outra criação “divina” que nos pertence.Criamos um deus sob o pretexto de podermos nos alimentar de vidas e dizemos a mesma coisa há séculos: deus os criou para nos servir, o Nosso deus, não o Deus de verdade.

Falar sobre não violência é fácil, não é?

Mas, e mostrar que as pessoas cometem uma ação violenta com um animal todos os dias, duas ou até três vezes ao dia? Isso amedronta apenas aqueles que não possuem fé o suficiente no Deus vivo, não aquele moldável, mas no Deus Criador, e isso realmente é tarefa para poucos, pois tirar do radicalismo uma sociedade milenar que explora os animais é algo realmente dificílimo.


Isso ocorre em muitas religiões, prega-se a não violência e violenta-se vidas diariamente. Por que não esclarecer? Por que não mostrar a verdade? Alguns dizem que ao se falar  a verdade, incorre-se no risco de perder adeptos, de confundir, de criar conflitos. Mas então por que dizer-se não-violento então?


Não violência é não matar, não prejudicar? E não matar ou prejudicar significa o quê? Não matar apenas humanos? É claro que não, não ser violento se traduz em “não ser violento em nenhuma de suas ações”, nenhuma. A ação humana mais simples, o ato de comer, é talvez uma das mais violentas de todas, e é ignorada porque somos condicionados desde pequenos a acreditar que “deus” fez os animais para virarem comida.

Então não importa mais se eles possuem alma, se são nossos irmãos, se voltam a reencarnar em nossa família, se existe ou não a metempsicose, acreditamos e nos dessensibilizamos a respeito de suas vidas. Num único parágrafo já criamos inúmeros deuses e os moldados às nossas necessidades; deus cruel, deus piedoso, deus dessesibilizado da dor de seus filhos, deus que pede o Himsa ao invés do Ahimsa.

Ser não violento com os animais não é apenas não abandonar gatinhos indefesos, não mutilá-los. Não significa apenas salvar as baleias porque são grandes e bonitas, não é apenas lutar contra a morte das focas ou dos golfinhos, ser não violento é não permitir que bois, suínos, entre outros, sejam assassinados (pois essa é a palavra correta) para que tenhamos em nosso prato um pedaço de carne da qual não precisamos mais, embora haja aqueles que desejam acreditar que exista ainda tal necessidade. Ser não violento é não vivisseccionar, é não permitir a dor, é não explorar, não confinar em jaulas para exposição ou para divertimento, isso é ser não violento, ignorar isso é ignorar o ato de ser não violento.

Se Jesus, Krishna, Gandhi e tantos outros pregavam a não violência, é porque também viviam o que falavam, porque se não vivenciassem, suas palavras de nada valeriam e não teriam eco no Mundo de hoje. Não há regras para o amor, regras são coisas utilitaristas, que fazem bem somente àqueles que se valem delas para viver.

Por isso repito: Nós moldamos Deus às nossas necessidades, criamos regras que nos facilitem a vida para que entendamos a nosso modo e pratiquemos, a nosso modo, Sua Lei de Amor. Temos preguiça de amar de verdade simplesmente porque somos acomodados. E se praticássemos a não violência da qual nos utilizamos todos os dias, para com aquelas  pessoas que achamos que são diferentes de nós, assim como fazemos quando se trata de animais? O que seria delas se as deixássemos marginalizadas ao lado da sociedade? Estaríamos mesmo praticando a não violência? A coisa muda de figura quando pensamos assim, não é?Por que esse medo de unir o que nasceu unido e que nós, a nosso bel prazer, separamos?

Não violência, Ahimsa = não ser violento, não matar, não prejudicar.

Não violência não significa “Matar”, embora nós fechemos os olhos para isso por puro comodismo social.

É preciso que despertemos para essa violência diária que praticamos, falar sobre não violência não é mais tão importante, o importante é colocá-la em prática, não somente com os da mesma espécie, mas com todas as demais que o verdadeiro Deus criou.

O Ahimsa é Universal, o amor é Universal, basta nos vermos agora, como seres pertencentes ao Universo.


Simone Nardi













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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O Mal Habita entre Nós

Sou feliz em ser um louco vivendo num mundo onde pessoas normais constroem bombas atômicas (autor desconhecido)



E a frase ficaria ainda mais longa se assim fizéssemos: “Sou um louco vivendo num mundo onde pessoas normais constroem bombas....e espancam cachorros de meio quilo e saem impunes.

Por que pessoas normais??

Porque esse tipo de pessoa , totalmente solipcista, que vive para si mesmo, que não sabe porque vive , que entra em crise e que joga o animal do carro, corta o focinho, arrasta nas ruas ,joga o cachorro para o alto, chuta, bate com o balde na cabeça do animal -  porque afinal, espancar cães de meio quilo é totalmente normal - é apenas parte da massa humana que vem se formando já há alguns anos. Alguém duvida disso? Basta olhar a televisão uma vez por semana.


Essas pessoas podem até se sentirem tranquilas e felizes, mas os loucos não estão, pelo simples fato de terem que  conviver com psicopatas ou sociopatas que arrastam cães, que cortam seus focinhos, que os trancam dentro do carro e ironizam esse fato, que atiram na cabeça de filhotes e espancam cachorrinhos de meio quilo e acham normal o que fazem, como se fosse a coisa mais linda do mundo.

O maridão acha normal espancar cães. A mãe acha normal o filho colocar fogo no cão ou no gato. Ela acha normal espancar cães. O policial acha normal atirar na cabeça de filhotes, o outro acha normal cortar o focinho de um cão ou enterrá-lo vivo, o outro acha divertido trancar um cão dentro de um carro até quase levá-lo a morte ,é normal para eles. Acreditem, é realmente normal para eles, tão normal quanto é normal para os sociopatas matarem suas vitimas, afinal, depois dos homicídios os assassinos também vão dormir tranquilos. A frieza diante do que praticam faz parte de suas índoles, é realmente normal e improvável que qualquer um desses sociopatas sinta algo após o ato criminoso que praticaram.

Como explicar este tipo de comportamento???? Pessoas assim , desprovidas de consciência  bem podem ser classificadas como psicopatas/sociopatas.

As pessoas que atiram cães do carro são tão normais quanto as pessoas que arrastam crianças no carro , pois possuem o mesmo “sentimento”: Ambas as vitimas nada significam para eles. Vejam bem que índole perversa não é coisa de pessoa desinformada, afinal temos médicos, enfermeiros, dentistas, universitários envolvidos em atrocidades contra animais humanos e não humanos.

A pessoa está em crise e joga o cachorro, espanca, arrasta,  enterra vivo e a sociedade quer que acreditemos que é perfeitamente normal que façam, isso, afinal é apenas um mecanismo para "desestressar"sabe???? Aliviar a tensão de ser “ninguém” no mundo.

Infelizmente vai acabar no esquecimento como todos os outros casos que vimos e ainda veremos, porque todos esses sociopatas tentarão tomar o lugar das vítimas e depois irão se esconder por um tempo, mas jamais deixarão de ser o que realmente são : um nada enorme para a sociedade da qual , infelizmente, fazem parte.

“ As pessoas que maltratam animais são insensíveis, são pessoas que não possuem sentimentos superiores de piedade, e elas normalmente são conhecidas por psicopatas, como sociopatas. São pessoas perversas , e normalmente quando praticam um crime, não se arrependem, são pessoas de difícil recuperação social” .(Guido Palomba, psiquiatra forense).

O único arrependimento que surge , para alguns, é o medo das consequências do ato quando a coisa toma um rumo inesperado do que ele planejara, quando é pego em delito, quando é filmado, quando achava que o mundo jamais iria conhecer sua selvageria. Não há remorso em seus corações, nem arrependimento verdadeiro ou qualquer traço de emoção, ao contrário, há muita indiferença ou racionalização sobre o ato cometido, pois possuem uma natureza extremamente fria e devastadora para com suas vítimas.

E nós, os chamados loucos por defenderem os animais, estamos presos entre esse predadores humanamente selvagens. 

Alguns autores nos dizem que esse tipo de doença não possui cura, a psicopatia, a sociopatia, que é um transtorno de personalidade e não uma fase  de alteração comportamental.

“ ... São seres sem “coração mental”.Seus cérebros são geladose, assim, incapazes de sentir emoções positivas como o amor, a amizade, a alegria, a generosidade , a solidariedade . Essas criaturas possuem grave “miopia emocional”.Sem conteúdo emocional em seus pensamentos e em suas ações, os psicopatas são incapazes de considerar os sentimentos do outro em suas relações e de se arrependerem por seus atos morais e antiéticos.[...] apresentam um déficit na integração das emoções com a razão e o comportamento.(Ana Beatriz Barbosa Silva-Mentes Perigosas).

Pessoas que, como coloca a autora jamais experimentarão a inquietude mental pelo ato praticado. Enquanto nós, os loucos, vivemos infinitamente perturbados com a existência deles.

Hoje eu quero ouvir a sociedade que chama de misantropos as pessoas que cuidam de animais, que mandam esses loucos cuidarem de crianças:

Cadê vocês, críticos ferrenhos, que não estão ao lado da criança que viu o cão ser espancado até a morte. Cadê vocês para protegê-la dessa visão, desse trauma. Os loucos que vocês acusam estão aí, trabalhando não apenas pelo animal, mas pela criança, enquanto vocês se dedicam a manter-se apenas na indignação sem ação.

Cegos que não vêem, surdos que não ouvem, o mal que habita entre nós está na raiz moral de nossa sociedade, só que vocês estão ocupados demais criticando e não lhes sobre tempo para trabalhar. Repitam para vocês mesmos agora “ Tantas crianças passando necessidades e esses loucos cuidando de animais” . repitam, porque talvez se um dia , lá no passado, voc~es tivessem se juntado a esses loucos, não precisariam hoje, assistir a selvageria de verem uma criança presenciar um massacre.

Vida longa aos loucos que não espancam, que não agridem e que acima de tudo, respeitam a vida.

Simone Nardi







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