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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Só rindo mesmo...


Alien vegetariano


Ser vegetariano é com certeza uma coisa divertida, desde que você não seja aquelas pessoas rabugentas, que reclamam de tudo e acreditam que o mundo conspira contra você. Já temos que conviver com a segregação interna da coisa toda tipo: Somos veganos não vegetarianos, vegetarianos degradam o planeta, somos protovegetarianos, somos veganos veganis sensatus, somos somos somos somos tantos somos que perdemos a real indentidade e lutamos uns contra os outros esquecendo-nos do respeito que nos levou a mudar os hábitos alimentares, porque tornamos o irmão de jornada inimigo de caminhada, uma hora vegetariano não pode namorar onívoro, depois vegano não poderá namorar vegetariano, depois começaremos a segregar tanto que viveremos isolados e nossa palavra não chegará ao ouvidos daqueles que ainda desconhecem o que se passa com os animais porque estamos mais preocupados e dar nomes aos “bois” do que em fazer a coisa certa que é salvar os bois, os cães, as lebres , os gatos ... como se dar nome, apontar, segregar, fosse a coisa certa a se fazer...

Depois limpamos a boca e dizemos - enquanto tentamos esconder os 10, 20 anos em que fomos onívoros - que somos bons e tentamos mostrar nos 10 anos recentes de vegetarianismo ou veganismo que somos criaturas ligadas no tempo, que fazemos o bem aos animais, enquanto por outro lado, minamos, mesmo que discretamente a amizade de vegetarianos com vegans e destes com os onívoros.Somos tão cegos quanto qualquer um, só não queremos admitir. Depois alguns reclamam quando são chamados de chatos....

É claro que é chato ouvir que você mata bichos para comer sem qualquer necessidade, mas é mais chato ainda você ouvir de um cara que era carnívoro e se tornou vegetariano primeiro e depois vegano que você , ainda engatinhando pelo vegetarianismo é covarde, é cruel e tantas outras coisas, coisas essas que esse mesmo cara era uns poucos anos atrás. Como se ele tivesse virado um “santo” quando se tornou vegano, tão santo que hoje com toda sua atitude de bondade e dignidade aponta o outro para jogar na cara dele, algo que ele também não viu em si mesmo.

Apontar o dedo é dose mesmo, eu sou vegana, tenho amigos vegetarianos que namoram pessoas carnívoras, tenho amigos carnívoros também, e convivemos muito bem, sem nos apontarmos, sem nos cobrarmos, apenas respeitando, porque eu fui carnívora um dia e hoje, penso que sou vegana, mas com tanta gente re-renomeando quem não come carne, fico sem saber direito o que seremos um dia...

Para conviver pacificamente com tudo isso....

Só rindo mesmo...


Simone Nardi 






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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Mito da Caverna :Verdade x Mentira

Alegoria da Caverna é uma metáfora criada por Platão, onde o filósofo demonstra de que forma podemos nos tornar livres das sombras que nos aprisionam da verdadeira Luz. Esse texto encontra-se em seu livro A República (livro VII) onde ele também fala de ética e política, para um bem maior. Em forma de diálogo, Platão nos narra a seguinte visão:

“Seres humanos que, acorrentados no interior de uma caverna desde sua infância, apenas podem contemplar as sombras que são projetadas na parede, tendo como realidade, apenas aquela visão. Entretanto, um deles (o filósofo) consegue se libertar, seguindo o caminho que leva para fora da caverna. Contempla então a realidade, as idéias puras. Retorna para o interior da caverna a fim de mostrar aos outros que as sombras não são tudo que existe. No entanto, os demais, acostumados às sombras e acreditando que elas são toda a realidade, não dão ouvidos ao filósofo. Mais do que isso: acabam por “maltratá-lo.”


Platão referia-se às crenças e tradições de seus contemporâneos, demonstrando como os homens dentro da caverna estão sendo condicionados a acreditar que só existe aquela realidade, e o homem que escapa seria aquele capaz de livrar-se das amarras dessas falsas crenças, seguindo então em busca da verdade. Ao falar dessa verdade aos homens que eram fiéis as antigas tradições e crenças pessoais, não seria ele aceito e nem compreendido. Essa metáfora demonstra a condição humana perante o Mundo; em termos de conhecimento, educação, ética, política e desejo de vencer nossa própria ignorância, a fuga do senso comum para uma visão mais organizada, lógica e verdadeira do Universo que nos cerca.


Tal realidade Platônica acontece hoje em dia e de uma forma tão simples que ninguém, ou quase ninguém, consegue se aperceber disso. No simples desenvolver-se do dia a dia, dentro de nossas casas, nos faróis, esse Mito está tão infiltrado dentro de nossas vidas, que passou a ser tão real quanto as sombras platônicas na caverna. Não vemos nada além daquilo que nos obrigaram a ver, não repetimos nada além daquilo que nos ensinaram a repetir, não mudamos nada em nós porque não desejamos ser como o prisioneiro que fugiu da caverna e que foi desacreditado, queremos ser iguais, acreditar no que todos acreditam, viver, como todos vivem.


Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, disse um dia que a verdade atravessa três fases:

“Na primeira ela é ridicularizada; Na segunda contrariada; Na terceira, é aceita como o própria prova”.


E o que nós fazemos diante de novas verdades? Será que aceitamos como o prisioneiro que fugiu da caverna? Ou será que ridicularizamos e maltratamos aquele que vem nos dizer a verdade? Vamos fazer esse exercício de reflexão.


Imaginemo-nos dentro da Caverna Platônica, sim, porque podemos até não acreditar, mas muitas pessoas permanecem ainda hoje dentro dessa Caverna, olhando para sombras e acreditando que aquilo seja a mais pura e autêntica realidade. Não temos correntes de aço e podemos nos libertar a qualquer momento, porém, embora as correntes não sejam de aço, elas existem de uma forma alegórica e são feitas com um material mil vezes mais resistente. O comodismo. Esse tipo de grilhão sufoca a mente e o corpo, e embora seja simbólico e não físico, acaba sendo ainda pior que as correntes de aço que Platão usava em sua teoria, pois na Teoria das Idéias elas prendiam somente a matéria, e a corrente do comodismo e da alienação prende a mente e a vontade de conhecer a realidade.


Pois bem, estamos na Caverna de nossos vícios, de nossos comodismos, agindo e vendo as mesmas coisas, do mesmo modo, há séculos em nossa parede mental, desde nossa tenra infância. Acostumamo-nos a isso, aquelas imagens, aquelas vozes, aquelas crenças pessoais e tradições seculares. Sendo moldados Ética, Moral e Esteticamente pelos padrões da nossa exigente sociedade, através das microrelações e dos micropoderes[1] que sofremos e que, poderemos vir a exercer sobre os outros. Eis que um dos prisioneiros se liberta, tal como no Mito da Caverna de Platão, e ao sair dessa escuridão ele se depara com a verdadeira realidade.


No início seus olhos doem ao contemplar a Luz da Verdade. Sua mente julga ser aquilo tudo uma mentira, pois não reconhece ali todo aquele “Conhecimento” que obtivera dentro da Caverna. Ele se assusta, pensa em voltar para dentro, pois se sente mais seguro ali. Mas algo o impede de retornar para dentro da Caverna ; O desejo pelo novo conhecimento, a descoberta, a visão de algo que desconhecia : A Luz da Verdade. Ele Muda, mesmo que sem reconhecer essa mudança.


E o que seria essa verdade ? Nietzsche, em seu livro “Verdade e Mentira no Sentido Extra Moral” nos responde:


[...] a verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde. O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. (…)Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho.

Mas um homem conseguiu escapar da Caverna, do rebanho social ao qual Nietzsche se refere, e esse homem, tal como o filosofo de Platão, volta para contar o que viu, porém os outros não acreditam nele e o maltratam. Ao tentar falar o que viu a esses homens que há tantos séculos vivem em “rebanhos”, presos as suas crenças e superstições, seria chamado de mentiroso, uma ameaça a ordem natural[2], chamam a nova verdade de “mentira” e o excluem do rebanho. Essa punição é hoje, realizada de forma simbólica[3]·, às vezes um afastamento, a ridicularização, a completa negação através de uma agressividade emocional, tal como Schopenhauer já havia colocado. Eis que o Mito da Caverna de Platão se repete todos os dias de nossas vidas e reafirma a idéia de Nietzsche sobre a mentira que nos faz viver em sociedade:


“O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o exclui”.


Essa é a punição ao homem moderno, a punição simbólica, a Exclusão. Assim é a luta pelos Direitos Animais. A esmagadora maioria das pessoas vive dentro da Caverna de Platão ou dentro do rebanho social de Nietzsche, imaginando que o Mundo é somente aquilo no que as fizeram acreditar. As pessoas dessa moderna Caverna social acreditam que a carne que chega ao seu prato lhes é extremamente necessária, pois uma sombra projetada na parede as ensinou isso; do mesmo modo passam a acreditar que o animal que foi assassinado nada sofreu, nem antes ou durante o crime, pois as imagens que se refletem na parede de sua Caverna mental são belas, meigas e carinhosas, de forma a moldá-las docilmente aos desejos sociais. Fomos condicionados a imaginar vaquinhas pastando em campos verdes, com seus bezerrinhos felizes e saltitantes.


Projetaram em nossas mentes, desde tenra idade, porquinhos sorridentes fazendo propaganda de toucinho. Nossos pais nos faziam assistir desenhos animados onde pássaros comiam filés descomunais, onde os animais comem lanches de pão com presunto embora tenham entre si, laços de amizade . Vemos a todo instante, imagens coloridas de vaquinhas felizes nas caixas de leite e bois atléticos pastando alegremente enquanto mostram a carne de primeira que as pessoas devem comprar. Assistimos inertes um franguinho alegre que senta-se a mesa para apreciar a suculenta carne de frango e de peru, seus primos em espécie, e nos extasiamos ao ver uma propaganda com paisagens paradisíacas onde são processadas as salsichas e as linguiças, tudo arborizado, cheio de flores e feliz. Mas nunca nos perguntamos qual a real ligação entre os felizes animais ao qual nos condicionam a ver e a realidade dos animais que consumimos.


Mas lá vai nosso destemido “Filosofo”[4], libertando-se dos grilhões que lhe atavam a mente e, em sua loucura pela verdadeira Luz, escapa da Caverna e se depara com um Mundo Real e não um Mundo de Sombras e mentiras ao qual o acorrentaram durante tanto tempo. Ele assiste a agonia dos belos porquinhos que não fazem propaganda do toucinho porque descobre que se assim o fizessem, estariam vendendo a própria vida, então descobre que enquanto estava acorrentado, era-lhe impossível fazer essa conexão entre a vida e a morte de seres que lhe ensinaram, não possuíam qualquer valor. Ele começa a ver que os bois atléticos que vendiam a si e a seus irmãos, hoje correm de medo ao sentir o cheiro da morte de seus companheiros; que na maioria das vezes, por causa de uma produção que precisa aumentar a cada dia, a pistola pneumática não funciona 100% e eles acordam sentindo a dor de uma garganta dilacerada, enquanto aspiram o odor de seu próprio sangue que se espalha, toda vez que seu apavorado coração pulsa. Ele enfim descobre que a vaquinha da caixa de leite, produz leite acima da média porque toma hormônios e que suas tetas incham e ficam inflamadas pela mastite depois, quando não serve mais, é arrastada para qualquer frigorífico para virar ração animal, já que sua carne não serve para alimentação do rebanho humano. Que seu bezerrinho não fica saltitante pelo campo como lhe mostraram, mas que desde tenra idade é impedido de mamar, sendo retirado de sua mãe para ser confinado por 2 a 3 meses, amarrado, sem espaço para poder movimentar-se, ficando anêmico para que alguns apreciem sua carne clara, levemente rosada, a carne de um filhote que sofreu desde seu nascimento, um bezerrinho igual ao daquele desenho[5] que ele assistiu e o qual hoje, seu próprio filho assiste. Ele descobre que na verdade, aquele “Paraíso” no qual o fizeram acreditar, onde os animais eram felizes e não sofriam, não passa de um “Inferno” de dor e agonia, uma realidade virtual que nos engana, nos impedindo de presenciar a realidade.


“(…) o intelecto ilude, dissimula, forja imagens luminosas, tudo para lançar um véu sobre esse fundo trágico e assim continuar vivendo[6].”


E o filosofo volta a Caverna para contar o que viu, e sabemos o que acontece tanto na visão de Platão, quanto na visão de Nietzsche e Schopenhauer. A maioria o chama de louco, outros o maltratam e o excluem do rebanho; uns poucos se arriscam a sair da Caverna para presenciar a Verdade, porém, a grande maioria prefere continuar vivendo na escuridão, na segurança daquele rebanho social, porque a realidade os fará mudar e se eles mudarem, poderão acabar excluídos; “E “assim continuar vivendo”. Somente a coragem e a determinação na busca pela verdade podem libertar os homens das correntes mentais do comodismo, essas, muito mais fortes do que os grilhões de aço. O que podemos afirmar é que, após tantos Séculos de escuridão, a grande maioria das pessoas ainda sente medo de mudar, elas sentem medo do novo e preferem ignorar a palavra daquele que presenciou a realidade, preferindo enxergar somente o que existe nas sombras de suas paredes mentais.


Nesse exato momento, enquanto o “Filósofo” tenta mostrar a verdade, muitos ainda o estão ridicularizando e dizendo : “Não, isso não é a verdade, os animais foram criados para nos servir, nós precisamos de proteínas, precisamos da carne, existe o abate humanitário, sem dor, os animais não sofrem, esse bife que como, nada mais é que um simples pedaço de carne, não há vida por detrás dele, não desejo saber como ele chegou aqui, só quero fazer o que sempre fiz, agir como fui condicionado a agir, falar e pensar como me condicionaram a falar e pensar”. E essas palavras continuam soprando em sua parede mental, palavras que não são dela, palavras que lhe foram ditas, imagens que lhe foram projetadas para que ela pudesse ser mais um, entre o rebanho que pensa igual, que age igual, que se sente na realidade mesmo que aprisionada pelos grilhões do comodismo e da alienação mental. Ela acredita naquilo que lhe mostram, não questiona, não vai além, não se permite pensar por si mesma, fazer algo fora disso é opor-se a sociedade e tal coisa é passível de punição, de exclusão social e ela precisa permanecer ligada a sociedade.


A verdade e a mentira são ditas a partir do critério da utilidade ligada à paz no rebanho. Assim, os gestos, as palavras e os discursos que manifestem uma experiência individual própria em oposição ao rebanho, ou não são compreendidos ou trazem mesmo perigo para aqueles que assim se mostrem.[7]


E não faltam exemplos da incompreensão dessa realidade em argumentos que atravessam os anos, repetitivos e condicionantes, além de totalmente úteis a “paz do rebanho”, porém sem bases morais nos quais se fundarem. Quantas vezes não ouvimos alguém repetir frases do tipo: “Nós podemos comer carne porque muitos animais selvagens fazem isso”. Não pensam, porém, no que implica buscar bases morais em seres que ela foi condicionada a crer, são inferiores a ela, seu grau de “domesticação” é tão alto que ela não consegue perceber que, ao buscar essa base moral nos animais, equipara-se a tudo o que nega a eles, descendo a uma condição que tanto busca para se distanciar dos animais, a de inferioridade e falta de capacidade intelectual. Sim, aqueles mesmos animais que nós, os acorrentados, chamamos de selvagens porque matam e porque são irracionais, nos servem agora de parâmetro ético e moral para que nos perdoemos pela morte e tortura que lhes infligimos. Mas nós podemos, porque nós somos inteligentes, nós temos nossa “própria opinião”, eles o fazem porque são selvagens. Nós sabemos a verdade e encaramos como natural[8] a morte de milhões de animais. Além disso, nós não os matamos, nós somos “limpos”, pagamos para que façam isso por nós. Apesar de “nossa opinião própria”, que temos e é “nossa”, ouvimos alguém dizer que é natural, que faz parte da cadeia alimentar, além disso, “nos foi dito” que os animais não são nada, e acreditamos, mas é “nossa” opinião pessoal, não roubamos de ninguém…


As pessoas que se fundam nesses argumentos são incapazes de notar um detalhe: Em nenhum momento elas passaram o que lhes foi exposto pelo crivo da razão, da curiosidade, do “estranhamento”. Simplesmente aceitaram como Imperativo Categórico[9] o que lhes foi mostrado na parede da Caverna: “Se os homens da caverna comiam carne, nós também podemos comer. Se isso é feito há séculos, é porque deve ser verdade. Porque se meus antepassados viviam assim, eu também posso viver. Não há razão para pensar quando é mais fácil aceitar a imposição social. Para que descobrir a verdade quando se podemos aceitar as verdades dos outros?


E assim nos negamos a deixar nossa Caverna Mental, nosso Rebanho Social, porque ele nos assegura o direito de continuarmos ignorantes sobre o que ocorre com o destino dos animais. Porque nossa caverna e nossos grilhões nos permitem permanecermos cegos e surdos, porque nos permite continuar a ser o que os outros já foram, e é desse modo que ensinaremos nossos filhos e os filhos de nossos filhos. Não queremos saber o que poderíamos ter feito ou o que poderíamos ter sido, não queremos deixar esse lugar seguro que nos mostra sombras que nos alegram, mentiras nas quais desejamos continuar acreditando.


Dentro da Caverna nós não somos o que queremos ser, não vemos o que queremos ver, não pensamos o que queremos pensar, nós somos o que os homens de um passado distante foram e nos adestraram a ser. Nós não acreditamos no que queremos acreditar, acreditamos nas mentiras que nos contaram e que nos foram mostradas em nossa parede mental, porque achamos que seria mais fácil nos encaixarmos numa sociedade racista, sexista, especista e mais do que tudo, egoísta. Queremos ser o que “eles”, pessoas que nem ao menos conhecemos, foram, queremos agir como “eles” agiram, porque sabemos que, como o Filosofo que escapou da Caverna e vislumbrou a verdade sendo curado de sua ignorância, se fizermos o mesmo, iremos parecer estranhos a essa sociedade, incompreendidos, ridicularizados e queremos, não, nós precisamos ser aceitos; queremos ser iguais a todos, afinal é mais fácil viver assim, nas sombras, escondidos em meio a um imenso rebanho.


E surge a questão:o que somos para nós mesmos enquanto dentro da Caverna? O que representamos para o Mundo enquanto levamos essa vida social em forma de rebanho?

Se acreditarmos que é tudo muito natural, que os animaizinhos vivem e morrem felizes para servirem de comida, diversão, agasalhos para nós, os seres racionais, é porque estamos assistindo as sombras passando na parede da Caverna Platônica, distantes da verdadeira Luz da Sabedoria e do Conhecimento.


Acreditamos que essa seja a realidade, embora não seja, e tememos mudar.
Se soubermos que eles sofrem e mesmo assim não nos preocuparmos com seu destino, precisamos parar e descobrir o que há de errado conosco. Pois se sabemos que causamos dor e aflição e apreciamos isso, talvez seja porque nos sintamos fracos para reagir, e isso é sinal de covardia, não queremos lutar contra as ondas e preferimos seguir junto com a maré, leve-nos ela para onde nos levar.


O mesmo se dá se acreditamos que escolhendo vidas que devam ser salvas enquanto outras possam ser mortas, estamos sendo éticos, ainda sim estaremos nas sombras, pois estaremos usando de dois tipos de ética, a verdadeira e a utilitária . A utilitária, aquela que nos satisfaz e nos alegra e a verdadeira, aquela que valeria universalmente para todos os seres. Acreditamos ser éticos quando na verdade não sabemos o que realmente significa ética.


Se conseguirmos dar os primeiros passos para fora da Caverna, se formos capazes de nos separar dos grilhões mentais dos demais aprisionados e, se conseguimos olhar para o Sol enxergando em sua Luz, a Verdade,a Realidade, dificilmente nos omitiremos de tomar uma atitude em relação a vida. Seremos o filósofo que escapou da caverna, que através da dialética foi buscar respostas a fim de eliminar primeiramente o senso comum a visão de todos dentro da caverna, depois as hipóteses para finalmente se pautar em argumentos seguros se desvencilhando das mentiras que lhe eram impostas.


Sempre haverá aqueles que não desejarão, os cegos e surdos, os egoístas, de quem nada se poderá esperar além de sombras. Mas também sempre haverá aqueles que, em meio a multidão, conseguirão erguer a cabeça e contemplar o Sol da verdade. São aqueles que não terão medo de sair da alienação mental que acorrenta a sociedade e que aprenderão a viver com a verdade ao invés de permanecer na mentira.


Einstein explicou isso de forma sutil ao dizer: “Quando uma mente se abre à uma nova ideia, jamais volta ao seu tamanho original. Quando se sai da Caverna e se enxerga a realidade, se torna impossível conviver com a mentira.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PLATÃO - A República -Editora Martin Claret- 2ª Edição
NIETZSCH - Friedrich - Os Pensadores-Verdade e Mentira no Sentido extra Moral
KANT, Immanuel - Metafísica da Moral-Fundamentação da Metafísica dos Costumes e outros Escritos
FOLCAULT, Michael - Vigiar e Punir e Microfísica do Poder - Editora Vozes - 39ª Edição

NOTAS

[1] Foucault- Microfísica do Poder
[2] Hoje os DDA's (Defensores dos Direitos Animais) são considerados a terceira maior ameaça no Mundo.2008
[3] Foucault-Vigiar e Punir/Microfísica do Poder
[4] Na verdade esse termo é usado por Platão na Teoria das Idéias, numa referência a morte de Sócrates, mas no sentido do texto o termo pode ser compreendido como uma pessoa que defende os animais
[5] Jackers, As aventuras de Piggle Winks, onde há uma confusão entre animais, pois uns falam enquanto outros são explorados por seus donos, todos animais.
[6] Nietzsche, Verdade e mentira do sentido extra moral.
[7] Nietzsche.
[8] A pessoa condicionada, perde a capacidade de discernir que a dor e a morte nos animais se procede nos mesmos graus orgânicos que com os animais humanos.
[9] Kant e seu imperativo categórico de viver de um modo tão ético que sirva para todos, o problema porem é que, os homens dirigem a ética para aquilo que desejam, e não para aquilo para o que serve a ética: O bem coletivo, e como Bem coletivo pode-se incluir a Natureza, sempre colocada de lado.



Simone Nardi – criadora deste blog e do antigo Consciência Humana, colunista do site Espirita da Feal (Fundação Espirita André Luiz) é fundadora do Grupo de discussão  espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles.Graduada em Filosofia e Pôs-Graduada em Filosofia Contemporânea e História.






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segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Blog Irmãos Animais e sua Missão


Durante muito tempo vasculhamos alguns blogs que se dedicam a estudar a espiritualidade dos animais, tema sempre muito procurado por todos aqueles que se intitulam “apaixonados por animais”, porém, uma verdade tem que ser dita por pior e mais dolorosa que seja: O meio espírita talvez seja um dos mais refratários à ideia de vegetarianismo, de combate a vivissecção e ao tratamento espiritual de animais, entre outros assuntos relacionados a estes irmãos.

Ocorre uma serie de péssimas interpretações a respeito do Pentateuco e de suas concepções sobre os animais. É fato que a maioria hoje concorda que os animais possuam alma (espírito encarnado), que são nossos irmãos e que todos evoluímos da mônada , passando por todos os reinos conhecidos, mineral ,vegetal e animal - onde estamos ainda em evolução. Porém, nada disso sozinho faz/fez o espírita mudar sua relação de predador dos irmãos animais.

A grande maioria dos oradores espíritas, famosos por arrastar multidões, comem carne e se escudam no Livro dos Espíritos para continuar fazendo isso. Se negam a tratar do assunto por acharem “polêmico” o conceito de vegetarianismo. Mas, basta uma rápida busca pela internet para comprovar o que falamos aqui. Há ainda muito debate se o próprio Chico era realmente vegetariano antes de seu desencarne, além claro da infinita comparação que muitos destes oradores fazem entre  Hitler e Chico, dúvida esta que já esclarecemos no artigo  Desconhecimentos e Desentendimentos sobre Vegetarianismo”.

Ao ler a “desculpa” de cada um em alegar que a carne é necessária ao espírita, nota-se claramente que a única preocupação é com o ser humano em si mesmo, pouco importando como o bife (um irmão animal) chegou até o prato. Encontramos um texto - de um destes oradores em especial - que fala dos malefícios do vegetarianismo, da palidez cadavérica, das olheiras, porém em momento algum é citado a busca por informações sobre o vegetarianismo e como ser saudável ao se eliminar o corpo dos animais do prato diário, a caridade deste orador é tão grande em relação aos animais que vez ou outra ele compara os vegetarianos aos nazistas. Não é reportado também neste mesmo artigo, a criação do animal e seu sofrimento desde o nascimento até o momento do abate. É evidente no texto a falta da preocupação com o irmão animal , dragado ali por uma única preocupação: tornar-se um excelente médium.

Por isso notamos que , mesmo a leitura constante e insistente do Pentateuco não liberta a mente como alguns oradores acreditam, ao contrário, os torna tão alienados quanto qualquer outra pessoa que se debruça somente sobre um autor para se alicerçar. Por isso trazemos,semanalmente, os mais diversos temas, as mais diversas abordagens, pois no Pentateuco não é relatada a dor pela qual os animais, possuidores de alma e nossos irmãos, passam no momento do abate. Kardec não deixou comprovada a senciência animal e nem tampouco o fato da Consciência Animal, relatada pelos neurocientistas em 2012. Não há imagens no Pentateuco que retratem o lado interno dos abatedouros, nem das fábricas de filhotes, nem tampouco das granjas e da produção de ovos.

Lutamos contra a crueldade praticada com os animais:  SIM, uma luta ainda mais difícil pois está sendo travada no interior de cada Casa Espírita, com muitos espíritas que se negam a aceitar os animais como eles realmente são: IRMÃOS . Com espíritas que se  pautam em suas próprias fraquezas, em sua má vontade de mudar, alegando constantemente que são fracos e ignorantes , que este é um Planeta de expiação e provas e que um dia tudo mudará. Só que eles não percebem que os animais não podem mais esperar.

Por isso lutamos para trazer o Espiritismo novamente para os trilhos da Ciência, da Filosofia e da Religião, para que estes pilares sim possam libertar as mentes e assim, libertar os animais, libertando também os seres humanos de sua falta de amor.

Por isso os temas trazidos para este Blog são pautados nestes 3 Pilares, porque de nada nos adianta sabermos que os animais têm alma se os devoramos. De nada adianta dizermos que são nossos irmãos se nossa única preocupação não é com eles, mas com nós mesmos, a prova  maior é a reduzida quantidade de Casas Espíritas que abriram suas portas para cuidar destes irmãos e a quantidade igualmente reduzida de temas sobre animais que são abordados em suas palestras semanais, como se eles não fossem importantes para a mudança moral de cada um de nós.

A hora da mudança chegou. O que iria ocorrer “um dia”, já se tornou ontem, estamos atrasados para mudar, é hora de sacudir a poeira da preguiça e usar os lábios que oram não mais para devorar animais, mas para bradar em sua salvação.

Este o verdadeiro trabalho da caridade.




* A maioria dos links encontrados no texto são de artigos ou apresentações de palestras já postadas no blog. 

Abaixo colamos alguns dos inúmeros convites para "Almoços Beneficientes" das mais diversas Casas Espíritas, reconhecer o problema é o primeiro passo para mudar.










Redação do blog Irmãos Animais - Consciência Humana

S.N



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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Origem e Evolução do Princípio Inteligente




A essência da vida existe em todos os reinos, filhos da Luz Divina. Somos todos energia dessa energia Divina,portanto, irmãos em todos os reinos. As origens das inúmeras reencarnações pela qual passamos não chegam nítidas a nossa percepção humana, tudo o que sabemos, pela lógica Divina, é que nossos caminhos foram traçados desde a Mônada, e a partir dela atravessamos inúmeros reinos, entre eles os mais conhecidos que são o mineral, o vegetal , o animal , estagiando nas mais variadas espécies e angariando em cada uma um pouco a mais de conhecimento, até chegarmos a condição na qual nos encontramos hoje.



“ Deus não sopra um espírito e ali nasce um corpo”(Ismael Alonso).



Somente esta frase já justificaria nossa escalda evolutiva, não estacionária, mas libertária rumo a Luz Maior.



Adormecidos durante longo tempo no reino mineral, a história de cada um de nós se inicia muito antes , não nos cabe tentar desvendar todas as verdades nem todo o conhecimento em torno de nossa evolução, mas é a partir daí que nosso princípio vital inicia seu progresso. A vida não dá saltos, do reino mineral passamos a sonhar no reino vegetal e nos embrenhamos posteriormente no reino animal passando por inúmeras espécies até alcançarmos o modelo “humano” , tal como o conhecemos.



607 a) - Parece que, assim, se pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação, não?

 

“Já não dissemos que todo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de humilhante para o homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário na Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da Sua bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas.”



Segundo Galileu “ não é necessário que um carrapato se transforme numa pulga, e ela num piolho e posteriormente numa formiga, a vida segue o rumo necessário a evolução de cada ser vivo”. Sendo assim, não é necessário que cada ser vivo estagie em todas as espécies para que prossiga em sua evolução como normalmente costumamos imaginar, a evolução não ocorre numa trilha reta  , não é preciso que a pequena aranha percorra todos os tipos existentes de aranhas para ascender, nem é preciso que o leão passe por todas as espécies de mamíferos, terrestres e aquáticos, para que um dia chegue a fase primata e posteriormente chegue ao modelo humano. A evolução se baseia na necessidade de cada ser vivo e cada ser vivo possui necessidades diferentes, adquiri conhecimentos de forma diferente, uns são mais rápidos, outros mais lentos, nesse caminho evolutivo existem várias trilhas evolutivas diferentes para cada ser, para que cada um possa ali estagiar e aprender um pouco mais conforme suas necessidades.



 Os mamíferos terrestres podem ir da evolução terrestre a aquática e vice-versa, angariando qualidades, armazenando conhecimentos que nunca serão perdidos, pois que o fluído cósmico universal se encontra em todos os reinos.



Só é preciso que não nos esqueçamos de que o carrapato, a pulga, assim como tantos outros insetos, bem como os mamíferos, as aves, os peixes são todos eles Princípios Inteligentes Universais adequados cada qual para aquele determinado momento, ou seja, as suas necessidades materiais. Os insetos, com suas antenas longas, com seus três pares de pernas, asas, são muitas vezes vistos por alguns como seres assustadores, mas são também Princípios Inteligentes que apenas estagiam naqueles corpos com a missão de elevarem-se à Deus.Assim como os invertebrados de todas as classes, desde os protozoários ao equinodermos, nenhum ser existente na Terra está fora de um ciclo evolutivo



Assim todos nós evoluímos e os reinos nos servem de estágios de aprendizagem de moralidade e amor, como podemos ver nos animais que amam seus tutores, que os protegem porém que nem sempre recebem deles o mesmo carinho desprendido, amor este que aos poucos nosso egoísmo vai esmagando.



Conforme a espécie vai evoluindo, seu corpo perispiritual também irá se modificando, e é preciso asseverar que nem toda mudança, nem toda evolução ocorre no orbe terrestre, mas se faz em outros planetas, outras colônias espirituais.É o que ocorre quando o espírito alcança a fase primata, o restante de sua evolução até que atinja o reino hominal não ocorrerá no Planeta terra, mas a modificação perispiritual e parte de sua caminhada evolutiva, ocorrerá em outro plano, assim como nos coloca a questão 607 do Livro dos Espíritos:


607 b) Esse período de humanização principia na Terra?
 
“A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período da humanização começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à Terra. Isto, entretanto, não constitui regra absoluta, pois pode suceder que um Espírito, desde o seu início humano, esteja apto a viver na Terra. Não é freqüente o caso; constitui antes uma exceção.”



Sendo todos os espíritos criados por Deus, todos caminham, cada qual em seu momento evolutivo ruma a uma perfeição relativa, agregando conhecimentos através das experiências vividas em cada uma das fases por onde estagiou.




Referências



Allan Kardec- Livro dos Espíritos

                        Evangelho Segundo o Espiritismo


Simone Nardi


Redação do blog Irmãos Animais - Consciência Humana






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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Você come gelatina?




Fonte: ATIVEG

domingo, 3 de dezembro de 2006

Enfim é Natal....Será??












Para baixar o pps do texto clique em: Será que é Natal? 

Eis que se aproxima a festa da Natividade



Tempo de paz, amor e alegria.Tempo de união, de caridade, abnegação e fraternidade.


Ao menos é isso o que ouvimos todos os anos; que é na época de Natal que o tal “Espírito Natalino”, toma conta das pessoas deixando-as mais gentis, mais amigas e mais irmãs.

Uma grande festa para quase todos.

domingo, 15 de outubro de 2006

Especismo seletista




           Já em outros artigos, abordei temas específicos ao significado da palavra Especismo, por isso acho desnecessário falar novamente sobre isso, até porque, com o desenvolvimento desse artigo, até mesmo o leitor de primeira viagem nesse assunto compreenderá seu significado.
Aqui, quero apenas tratar do Especismo-Seletivo que se instalou entre os protetores de animais.Sim, é isso mesmo, logo aqueles que cobram tanto dos vivisseccionistas, dos promotores de rodeios, dos donos de circos, enfim, aqueles que se intitulam “Protetores de Animais” e que são contra todo tipo de crueldade que possam vir a sofrer, padecem dos mesmos problemas de seus “inimigos”, ou seja, são também especistas, seletistas é verdade, mas não o deixam de ser.


sexta-feira, 30 de junho de 2006

Abate Humanitário - Desfazendo Ilusões

Imagem: Vacas conversando: Defina normal.



Para mim, a vida de um carneiro não é menos valiosa que a de um ser humano. Quanto mais indefesa a criatura, mais ela necessita da proteção dos homens contra a crueldade dos homens.

Mahatma Gandhi




Através dos tempos, vemos que a alienação dos seres humanos, seja pela sociedade, pela religião ou pela família, se vista com olhos libertos, causaria calafrios. Assim é com o assunto que nos fez escrever esse artigo, diga-se de passagem, delicadíssimo de ser tratado: Abate Humanitário.