segunda-feira, 4 de março de 2013

O Espiritismo e os Animais : Ciência ,Religião e Filosofia numa jornada de amor


Amigos, já há algum tempo que iniciamos os estudos sobre os animais e postaremos nos próximos meses algumas partes desses estudos , ao fim, manteremos o livreto para que seja baixado. Levamos em consideração a Ciência, A Filosofia e a religião, partindo do princípio de que são nesses pilares que se alicerça o espiritismo, não pretendemos trazer polêmicas, mas pretendemos derrubar muitos dogmas enraizados nas mentes e nos corações de muitos estudiosos da Doutrina. Contamos com auxílio de todos para que este estudo não se finde jamais.
Simone Nardi


Parte 1








"Somente quando entendermos, nos importaremos. Somente quando nos importarmos, ajudaremos.Somente quando ajudarmos, os salvaremos."

Dra. Jane Goodall





Gostaria de iniciar esse trabalho com uma citação de Nietzsche, apesar de longa acredito que ela irá ajudar a iluminar nossa mente e abrir nossos olhos nos livrando de toda vaidade da qual nós, humanos, nos investimos quando nos referimos aos demais seres da Criação Divina, aqui especificamente nesse trabalho falamos sobre os animais não-humanos:


Nós, que somos homens do conhecimento, não conhecemos a nós próprios; somos de nós mesmos desconhecidos e não sem ter motivo. Nunca nós nos procuramos: como poderia, então que nos encontrássemos algum dia? Com razão alguém disse: "onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração". Nosso tesouro está onde se assentam as colméias do nosso conhecimento. Estamos sempre no caminho para elas como animais alados de nascimento e recolhedores do mel do espírito, nos preocupamos de coração propriamente de uma só coisa - de "levar para casa" algo. No que se refere, por demais, a vida, as denominadas "vivências" - quem de nós tem sequer suficiente seriedade para elas? Ou o suficiente tempo? Jamais temos prestado bem atenção "ao assunto": ocorre precisamente que não temos ali nosso coração - e nem sequer nosso ouvido! Antes bem, assim como um homem divinamente distraído e absorto a quem o sino acaba de estrondear fortemente os ouvidos com suas dozes batidas de meio-dia, e de súbito acorda e se pergunta "o que é que em realidade soou?", assim também nós abrimos às vezes, os ouvidos depois de ocorridas as coisas e perguntamos, surpreendidos e perplexos de tudo, "o que é que em realidade vivemos?, e também " quem somos nós realmente? e nos pomos a contar com atraso, como temos dito, as doze vibrantes campainhas de nossa vivência, de nossa vida, de nosso ser - ah! e nos equivocamos na conta... Necessariamente permanecemos estranhos a nós mesmos, não nos entendemos, temos que nos confundir com outros, e, em nós servirá sempre a frase que disse "cada um é para si mesmo o mais distante" continuamos a nos considerar "homens do conhecimento".  NIETZSCHE[1]

Nada temos a acrescentar a citação, apenas pedir que cada um reflita a respeito do que leu, pois será de grande importância ao final de toda a leitura dessa pequena obra de estudo e reflexão. O título do trabalho, a respeito, já é por si mesmo imensamente sugestivo, pois se trata de falar do que o Espiritismo diz sobre os animais e não propriamente sobre o que os espíritas dizem a respeito deles. E sabemos que não são poucos os que repetem constantemente as perguntas e as respostas do Livro dos Espíritos como se, ao decorá-las, estivessem trabalhando para o bem da Doutrina, quase, ou até às vezes, se considerando “homens do conhecimento”. Constantemente somos forçados a repetir que Kardec nos pediu Fé, uma Fé raciocinada, ou seja, sem fanatismos, sem absurdos e uma Fé realmente aberta às novas mudanças : ler, aprender, compreender, sem decorar perguntas ou respostas como muitos outros decoram também capítulos e versículos. Isso não nos deixa mais sábios nem nos traz qualquer conhecimento, o que nos deixa mais conscientes é aceitarmos o fato de que a Doutrina se sustenta em três pilares que são: Ciência, Filosofia e Religião e que , conhecendo a ela através desses seus três pilares chegaremos a nós mesmos. Conseguindo nos encontrar , nos compreender, eliminando nossos medos e nossas fraquezas, eliminando a vaidade que nos afasta do nosso próximo mais próximo, que somos nós mesmos, e viabilizando assim que consigamos enxergar o outro[1] diante de nós despidos de todo orgulho , egoísmo e preconceito com o qual hoje nos referimos a tudo aquilo que não consideramos como igual.

A ideia deste trabalho surgiu da necessidade do estudo mais aprofundado da obra em questão, baseada também em pesquisas filosóficas e descobertas da ciência que parecem querer ficar adormecidos dentro de alguns  estudos espíritas sobre o Livro dos Espíritos. Este trabalho não quer renegar o Espiritismo como muitos irão querer dizer, ao contrário, ele deseja clarear profundamente e retirar do abismo os pensamentos trazidos pelo Livros dos Espíritos em que, infelizmente muitos deixaram na obscuridade. Iremos desvelar uma frase que muitos usam quando ouvem falar sobre o tema “alimentação carnívora”, frase que é ainda hoje muito mal compreendida na defesa do carnivorismo:  “A Carne Nutre a Carne ”. Falaremos também  da insistência em dizer que no Livro dos Espíritos não há, ao menos diretamente, “a proibição do consumo de animais”, o que veremos, faz parte de uma má compreensão das palavras escritas nele, por isso o motivo na escolha do título ser  “O  Espiritismo e os Animais”  e não “Os espíritas e os animais” . Partindo desse pressuposto, a primeira coisa que devemos ter em mente é que a Doutrina Espírita não proíbe absolutamente nada: Ela não nos proíbe de roubar, apenas nos passa a Moral de que isso é errado. Ela não nos proíbe de matar, porém nos passa a Moral de que isso além de errado acarretará muitos problemas em nosso futuro. Ou seja, a Doutrina nada proíbe, seu trabalho é apenas elevar a nossa Moral de forma a que consigamos distinguir o certo do errado, sozinhos , assim nos afastaremos daquilo que poderá ser prejudicial não apenas ao nosso próximo, porém a nós mesmos.O trabalho da Doutrina não é proibir, é ensinar e advertir. Mesmo que seja, como nos coloca Plotino,filósofo, através do hábito, nos policiando muitas vezes não por sabermos que é errado fazer tal coisa, porém mais pelo medo da punição que surgirá se errarmos aqui ou ali.  Esse medo da punição , nos obrigando dia a dia a fazermos o que é correto, nos fará nos habituarmos a fazer o correto, a fazer o bem, a nos tornarmos a cada dia seres mais virtuosos[2], ou seja, nosso comportamento correto diante das leis e o medo da punição que ela pode nos acarretar, acaba moldando nosso sentimento em relação aquelas atitudes as quais nos “forçam” as leis, infiltrando-se dentro de nós a tal ponto que um dia aprenderemos a amar ou a agir corretamente, porque aquela moral aprendida já é parte de nós, assim nos “habituaremos[3]” a amar.

Sendo assim, gostaria de avaliar junto aos meus amigos de jornada alguns obstáculos que nós próprios colocamos diante de nós contra o caminhar de nossa elevação Moral, veja bem que não é a Doutrina Espírita , Doutrina essa que não termina com o Pentateuco, mas que se estende por centenas de novas mensagens que recebemos todos os dias de outros irmãos encarnados e desencarnados. Analisemos juntos então, alguns dos textos mais usados a favor do hábito da alimentação carnívora e vejamos se a Doutrina permite ou se nós mesmos é que a usamos como um poderoso escudo para impedir nossa elevação moral, permitindo assim que continuemos a matar aqueles a quem muitas vezes chamamos de “irmãos de jornada”.

Necessário é que jamais nos esqueçamos que o Livro dos Espíritos foi escrito há mais de 200 anos, para cabeças capacitadas e que pensavam nos termos exigidos para aquela época , mas que o mundo vive em constante transição e nós, queiramos ou não, temos a obrigação de evoluir moralmente e não de optar pela cômoda posição de ficarmos postergando essa elevação moral para as futuras reencarnações - como se não fizéssemos também parte dela- assim como muitos o fazem. O Livro dos Espíritos é um mapa a ser seguido, e o amor o tesouro a ser encontrado. Não nos esqueçamos jamais das palavras de Kardec:

"O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe mostrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita."(Allan Kardec)
Nós evoluímos em 200 anos ou não? Será que queremos evoluir ou não?


Referência Bibliográficas


Allan Kardec – Livros dos Espíritos
F. Nietzsche. Genealogia da Moral

NOTAS

[1] Estado ou qualidade do que é outro, distinto, diferente.
[2] “A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso. (Allan Kardec,Evangelho Segundo o Espiritismo,Sedes Perfeitos.  8-A Virtude, p. 279)
[3] Antonio Simões, A era do gelo e o hábito virtuoso de amar

Simone Nardi

 Redação do blog Irmão  Animais- Consciência Humana







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