segunda-feira, 25 de março de 2013

Espiritismo e os Animais: Ciência,Religião e Filosofia numa jornada de amor- pt4


O Espiritismo,  a Ciência e os Animais



Parte 4

Há quem diga que não, mas como Centelhas Divinas, nós evoluímos pelos mais diversos reinos, negar tal fato é negar sistematicamente a Bondade Divina de nos criar como seres iguais, iguais em seu amor, iguais em capacidade, iguais em tudo. Ao contrário do que às vezes pensamos, não temos menos capacidade que esse ou outro irmão, Deus seria injusto se assim nos houvesse criado e como nos diz Kardec, se fosse injusto não seria Deus, o que pode ocorrer talvez seja exatamente a etapa, a diferença evolutiva, assim como no caso das plantas, dos animais e dos seres humanos. Deus nos dotou de igual capacidade de aprendizado, nós é que às vezes nos esquecemos disso. Senão houvéssemos passado de reino em reino, teríamos deixado valiosos aprendizados de lado. È esse traço que nos traz a responsabilidade pelos animais: não somos mais apenas instinto , eles não são apenas corpos providos de instinto, hoje inúmeros pesquisadores trabalham para decifrar a complexidade da inteligência animal.O que prova que algo os move, que não são autômatos instintivos em busca de abrigo e comida, mas que podem fazer suas próprias escolhas, conforme suas necessidades .

593. Pode-se dizer que os animais agem apenas por instinto?
R. Ainda assim é um sistema. É bem verdade que o instinto domina na maioria dos animais, mas não vedes que muitos agem com uma vontade determinada? É inteligência, porém limitada.

Muitos debates se iniciaram acerca da inteligência animal, segundo alguns eles poderiam ser mortos e consumidos por não possuírem inteligência, o que é errado da mesma forma, pois filosoficamente, o conceito de inteligência já demonstrou sua fraqueza na defesa da morte de animais por excluir além destes, seres humanos desprovidos de capacidade mental, embora detentores de Espírito mais intelectualizado, essas pessoas não possuem a linguagem para se expressar (outro fator que os seres humanos usam para se diferenciarem dos animais) e muitas possuem inteligência extremamente limitada ao nosso olhar, mas que da mesma forma não permite que sejam maltratadas devido a essa condição. E vemos que o Espírito ao responder essa questão, coloca que muitos animais se movem por vontade própria, o que é sinal de inteligência. Isso foi dito há 200 anos atrás quando os estudos sobre a inteligência animal não eram tão representativos quanto são hoje em dia. Há pelas livrarias uma gama enorme de estudos sobre a inteligência dos animais que deixa claro como eles evoluíram e como ainda evoluem ao nosso lado, desde que lhes permitamos isso. 

O polvo, que muitas pessoas vêem apenas como alimento é um dos animais mais inteligentes do oceano, capaz de identificar e resolver problemas, capacidades estas que os seres humanos usam para se diferenciar dos demais; golfinhos possuem uma linguagem que segundo alguns cientistas, contêm mais palavras que nossa própria linguagem, atendem por nomes e também são excelentes na resolução de problemas. Não há mais apenas instinto neles como muitas vezes insistimos em colocar para nos sentirmos melhores diante de suas mortes. E mesmo que não fossem inteligentes, o que nos permitiria colocar fim as suas vidas? Até mesmo o porco, considerado por alguns seres humanos como um animal inútil, tem uma inteligência superior a do cão que nos faz companhia e que, por algum motivo quando nos cansamos dele, também o abandonamos. Nos esquecemos além de tudo isso a senciência desses nossos irmãos- como já o dissemos- a capacidade de sentirem, perceberem a dor, o medo, a alegria e mesmo a compaixão, nos igualando em tais sensações, nos mostrando como podem sofrer tal como nós.O que nos faltaria então para finalmente passarmos a respeitá-los? Nossa cultura selvagem , nossas tradições centradas nos corpos de animais, nossa inabilidade em tentarmos mudar usando como muleta a ideia de que por pertencermos a um Planeta de provas e expiação[1] ainda não estamos prontos para mudar, pois é preciso respeitar o desejo de cada irmão e sua vontade, mesmo que ele desrespeite as vidas criadas por Deus, porém ainda mais quando se trata de animais do que propriamente de quando se trata de seres humanos.

Muitos afirmaram durante anos que seria a inteligência fragmentada deles que nos permitiria seu extermínio. Para tanto, devemos nos lembrar que a  ciência se baseia  nos conceito de raciocínio , na resolução de problemas e na  memória, para argumentar se um ser é inteligente ou não.

O que mais se usou, e é ainda frequentemente utilizado como forma de rebaixamento dos animais para o nível de seres inferiores, portanto, passíveis de serem negligenciados e esquecidos pelos seres humanos, é sua capacidade mental, sua capacidade de aprendizado ou memorização. Segundo  alguns isso seria o suficiente para que os animais fossem abatidos, abandonados, aprisionados e devorados sem piedade por aqueles que se colocavam acima deles. Devemos, como cristãos, nos colocar nesse mesmo patamar, pois a maioria de nós apóia essa ideia de inferioridade dos animais, já que muitos se alimentam deles apoiados nesse conceito de que não sendo inteligentes como os seres humanos, os animais podem e devem ser utilizados a revelia. É claro que muitos desses cristãos que se apóiam nessa ideia jamais presenciaram ou desejam ainda presenciar o cruel abate de animais, pois suas sensibilidades seriam extremamente afetadas e não é do desejo deles sofrerem por algo que desprezam.

Mas o que a Ciência na qual muitos se apóiam hoje para travar essa guerra contra os animais dizia?
Para Descartes os animais não eram de forma alguma capazes de raciocinar ou pensar, não passavam de seres autômatos das quais suas ações eram apenas reflexos de seu automatismo, eram também incapazes de possuir uma linguagem inteligível ou de sentirem qualquer tipo de sensação, eram apenas bestas, como o filósofo costumava conceituar. Porém ao longo do tempo, a ideia cartesiana mecanicista foi se mostrando completamente errônea, sobretudo no que se referia ao fato de adquirirem experiências através de suas ações:

Em primeiro lugar, parece evidente que os animais, como os ho­mens, apreendem muitas coisas da experiência e inferem que os mes­mos eventos resultarão sempre das mesmas causas. Mediante este prin­cípio, familiarizam-se com as propriedades mais evidentes dos objetos externos, e gradualmente, a partir de seu nascimento, acumulam co­nhecimentos sobre a natureza do fogo, da água, da terra, das pedras, das altitudes, das profundidades etc., e daquilo que resulta de sua ação. Aqui se distingue claramente a ignorância e a inexperiência do jovem frente à astúcia e à sagacidade dos velhos que têm aprendido, por uma longa observação, a evitar o que os fere e a perseguir o que lhes proporciona bem-estar e prazer. [...] Um velho galgo confiará a parte mais fatigante da caça aos mais jovens e se colocará em posição apropriada para abocar a lebre quando esta de repente se voltar; as conjeturas que faz neste caso não têm outro fun­damento senão sua observação e experiência.(Hume)

 David Hume, filósofo, faz duas colocações importantes no que se refere a contradizer o pensamento cartesiano, primeiro ele coloca homens e animais num mesmo patamar ao dizer “parece evidente que os animais, como os ho­mens, apreendem muitas coisas da experiência e inferem que os mes­mos eventos resultarão sempre das mesmas causas.”. Ou seja, assim como os homens os animais eram capazes de aprender e através desta experiência, inferir nos próximos eventos que surgissem, porém, nos parece que a colocação mais importante de Hume ocorre ao colocar o seguinte: “sagacidade dos velhos que têm aprendido, por uma longa observação, a evitar o que os fere e a perseguir o que lhes proporciona bem-estar e prazer.” Ao contrário de Descartes, seja por vontade própria ou mesmo sem intenção, Hume coloca que os animais, através da experiência adquirida, são capazes de evitar qualquer coisa que lhes cause dor, bem como são capazes de “perseguir o que lhes proporciona bem-estar e prazer”.
E Hume prossegue numa clara distinção entre autômatos e sencientes: “Não é a experiência que faz com que um cão tema a dor, quando o ameaçais e levantais o látego para enxotá-lo?”(Hume).
Se é a experiência da dor que faz com que o cão a tema e se afaste, não é este o sinal de que os animais, independente de serem capazes de pensar como os seres humanos, sejam sencientes e sendo sencientes, não sejam autômatos? E Hume prossegue , embora colocando que não é o raciocínio que guia os animais mas que essa mesma ação se repete em  crianças e em alguns homens:
"Portanto, os animais não são guiados pelo raciocínio nestas inferências; nem as crianças, nem a generalidade dos homens em suas ações e conclusões ordinárias; nem os próprios filósofos, que, em todos os momentos ativos de sua vida, são, em sua maioria, parecidos com o vulgo e deixam-se governar pelas mesmas máximas".(Hume)
Como negar então essa inteligência  e essas senciência animal diante da colocação de Hume diante da dor e do prazer?Fato esse  que ainda hoje, apesar de todos os estudos que contrariem a ideia cartesiana do mecanicismo, sobrevive ? Que neguemos isso, mas como nós, cristãos, imbuídos dos votos de caridade, benevolência, indulgência e amor, podemos ainda hoje negar a vida aqueles que sabemos, são nossos irmãos?



Notas

[1] Verdade e  mentira no sentido extra-moral . F.Nietzsche


Referência Bibliográficas


Alan Kardec – Livros dos Espíritos
David Hume - Da Razão dos Animais
René Descartes – Discurso do Método/Meditações Metafísicas
F. Nietzsche. Genealogia da Moral


Simone Nardi


Redação do blog Irmão  Animais- Consciência Humana






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